Entre Hostels e Airbnb

Quando o assunto é meio de hospedagem na hora de viajar, sempre bate uma indecisão de onde ficar. As possibilidades estão cada vez maiores e mais personalizadas. Hotel, pousada, hostel, airbnb, casa de amigos, sofás colaborativos, enfim, uma enxurrada de possibilidades que só você pode decidir o que é melhor pra você.

Fala-se muito do Airbnb, que é a plataforma online e comunitária de anúncios e reservas de meios de hospedagem alternativos do mundo. A grande sacada do Airbnb é que você pode escolher e filtrar o melhor tipo de residência para sua expectativa e necessidade, seja ela econômica, localização, sofisticação, etc. As avaliações dos hóspedes estão sempre ali mostrando a amabilidade do mesmo (inclusive verifique sempre se as avaliações estão recentes). Ou seja, se você quer um local tranquilo, econômico, com uma boa experiência de vivência local, sem muitas pessoas passando na sua frente, não titubeie, escolha esta opção!

Mas a grande questão que eu sinto que falta no Airbnb é a parte de interação social com demais viajantes. Para uma pessoa que quer muito conhecer novas pessoas em sua viagem não considero o Airbnb um bom local, pelo simples fato de que você vai estar em uma casa ou apartamento apenas com uma família ou um morador local mesmo.

A interação social, o compartilhamento de ideias, viagens, dicas é uma parte bastante única dos Hostels. Por mais que você possa ter algum desconforto em um quarto compartido com mais 3, 5, 7 pessoas, se você estiver afim de conversar, conhecer pessoas, ver o que o destino te prepara, sair, se juntar a outros grupos, hostel é a melhor opção!

Em minha última viagem que fiz com mais 3 amigos pelo Nordeste, começamos escolhendo Airbnb, pelo fato de estar em ascensão nas mídias e também para vivenciar o que é ficar em alguma casa própria compartilhada. Não gostamos muito pois sentíamos que faltava algo a mais no sentido de olhar novas caras que não as nossas de sempre, também porque tivemos problemas com uma reserva e o atendimento do Airbnb tardou muito a nos dar uma primeira resposta, sem falar que nos fez realizar diversas ligações para outro estado (não possuem 0800).

Decidimos então partir para o bom e velho hostel, o meio de hospedagem queridinho dos mochileiros. Vimos que o preço era o mesmo, ainda contava com café da manhã e muitas boas conversas e companhias pelo nosso destino.

As maiores lições que eu tive e deixo para vocês é:

  1. Perceba seu momento, suas necessidades e faça escolhas do seu local de hospedagem de acordo com as mesmas.
  2. Sempre veja e faça avaliações, isso é importante para perceber e aumentar a qualidade do serviço prestado. Inclusive nunca fique em um local sem antes verificar suas recomendações.
  3. Em qualquer que seja o meio de hospedagem escolhido, pergunte sempre dicas locais, peça contatos ou opiniões de serviços e vivencie a cultura da cidade.

Um relato de experiencia com etnoturismo

Por Lei Xiao

Fotos de Priscila Alves Pereira

Assim como a maioria dos adolescentes, quando completei meus 18 anos, comecei a minha vida de responsabilidades. Até então, viajar para mim era ir para a praia aos finais de semana para pegar sol ou ir até pontos turísticos em outras cidades para comer, dormir e tirar fotos.  Mas há 3 anos conheci o professor Jorge Machado e as coisas começaram a mudar. Ele me mostrou o mundo indigenista e nos ensinou com muito cuidado os dramas que esse povo vivia e vive no brasil. Depois de 4 meses de contato em aulas e material de estudo, ele nos levou para os jogos indígenas que aconteceu naquele ano em Bertioga, São Paulo. Dali começou a minha experiencia com etnoturismo, fora dos livros do Darci Ribeiro.

Lembro-me da primeira vez que pisei na reserva Rio Silveira em Bertioga, estava cheia de receios e curiosidades, olhava para os Tupi-Guaranis com certo distanciamento, para não dizer que via eles como peças de museus, que não poderiam ser corrompidos com meus costumes “de cidade”. Alguns meses depois, o professor nos levou para uma experiência de estadia na aldeia, ficamos quase uma semana, e desta vez tínhamos um cronograma de atividades pré-estabelecidas, tinha o momento de conversa com o Pajé e o Cacique, momento de plantio, momentos lúdicos de brincadeira com os moradores da aldeia. Nos levaram para tomar banho de cachoeira, andamos pelo meio da mata, com a orientação de índio experiente claro, até porque na mata tem animais selvagens e o imprescindível é zelar pela segurança do visitante andando pelo caminho correto. 

Desta vez, com mais de 40 pessoas na expedição e mais desinibida, já tive coragem de conversar, mas confesso que no fundo ainda carregava muitos julgamentos do tipo: “Por que eles jogam lixo pela aldeia? Por que esse povo não planta? Por que eles são tão fechados e não conversam? ”.  

Na terceira estadia na Aldeia, um ano depois, fomos em 8 pessoas, tive mais humildade e comecei a buscar conhecimentos antes de julgar, perguntei o nome das coisas, significado dos seus nomes, a percepção deles sobre a vida na cidade, tomei nota de muitas histórias e lendas, apreendi muitas palavras em guarani e comecei a sentir o ritmo de vida tão respeitosa com a natureza que eles carregavam. Entendi que o lixo não estava jogado pelas ruas, e sim sendo juntadas para irem à fogueira logo logo, já que não existia sistema de coleta de lixo diariamente. Apreendi que ali não se plantava, por que estão em uma área de proteção permanente onde o desmatamento era proibido, enquanto que as áreas desmatadas estão inférteis ao plantio. Depois disso fiquei um ano me dedicando ao trabalho e a busca pela espiritualidade, o que incrivelmente mudou mais uma vez o meu olhar sobre esse povoado no meu retorno à aldeia há cerca de um mês.

Nesta última estadia, muito diferente das idas anteriores me senti em casa, não mais como turista visitante, não mais como um estranho no paraíso. A experiencia do contato foi como estar em um internato, onde a metodologia de ensino era de imersão sobre a cultura guarani, senti a presença de Nhanderu (a forma como os guaranis chamam o deus ou poder supremo criador de tudo) em cada passo que dei na aldeia, em cada ar que inspirei e cada gota de água que bebi. Senti da família do Pajé (como se chamam o líder espiritual) o amor, o acolhimento e o cuidado fraterno. Entendi o porquê desse povo fazer tanta questão de lutar pela demarcação das suas terras, lutar pela preservação da natureza. Desta vez apreendi que todas as noites se faz meditação com cantos e pajelança na casa de reza. Todas as manhãs se acorda com o raiar do sol e o canto dos pássaros. Toda vez que nasce uma criança o deus lhe concede um nome através do Pajé, sempre ligado a alguma atividade/ trabalho que a criança viria desempenhar por toda a sua vida.

Esses valores só foram percebidos depois de 3 anos de contato e idas à aldeia. Acredito que turismo étnico responsável é isso, é vivenciar, absorver e digerir.  Quando carregamos o respeito sobre o local visitado e o respeito sobre nossas próprias barreiras culturais o retorno da experiencia vem de forma lenta, gradual e gratificante.

Seu sonho se realiza em um emprego?

 

 

 

 

Por Bianca Cardoso de Faria

Atualmente, ouvimos cada vez mais sobre a dificuldade de ingresso ou de recolocação no mercado de trabalho, seja pela situação econômica e política do nosso país, seja pela maior qualificação que se busca nos profissionais.

No entanto, o que representa esta maior qualificação? Almejada tanto por recrutadores quanto por candidatos á vagas cada vez mais concorridas.

Seria apenas apresentar um currículo recheado de informações e de experiências acadêmicas e profissionais na área de formação?

De acordo com as experiências de entrevistas de emprego que tive, descobri que apenas o currículo pode não ser o suficiente.

Lógico que ele é um elemento fundamental para destacar um candidato dos demais. No entanto, o mercado de trabalho está a procura de profissionais que consigam se destacar também por suas experiências de vida e por sua bagagem cultural, que em muitos casos, são aprimoradas através de intercâmbios, tão valorizados por recrutadores.

Assim como profissionais que mostrem proatividade, criatividade, atitudes e pensamentos ágeis, eficientes e que estejam “fora da caixa”.

Outro fator analisado é a maturidade e a independência que os candidatos apresentam, ou seja, se estes sabem “se virar”, como popularmente dizemos.

Por fim, é comum em entrevistas nos fazerem perguntas que, muitas vezes, não representam sentido algum no momento. Porém, se pararmos para analisar, percebemos que são através delas que quem está nos entrevistando consegue extrair um pouco do que somos e do que pensamos.

Sendo que de todas as perguntas que me fizeram, a que mais me marcou foi “você já realizou algum sonho?”, que veio acompanhada com “e qual sonho você ainda quer realizar?”; porque através destas perguntas eu também refleti, não só no momento da entrevista, o que eu penso sobre a vida e sobre os meus sonhos.

Desta forma, entrevistas de emprego podem significar muito mais do que uma expectativa e a maneira mais comum para conseguirmos um emprego. Assim como, elas também podem esperar de nós muito mais do que um currículo escrito que impressione os olhos.

Ouse ser mulher

Por Carolina Yamauti
Nesta semana, começou um buzz a respeito de um texto que apareceu na Harvard Business Review e rapidamente se espalhou pelas redes sociais. A história é:

“Pai e filho sofrem um acidente terrível de carro. Alguém chama a ambulância, mas o pai não resiste e morre no local. O filho é socorrido e levado ao hospital às pressas. Ao chegar no hospital, a pessoa mais competente do centro cirúrgico vê o menino e diz: ‘Não posso operar esse menino! Ele é meu filho!’.”

A dificuldade que muitos de nós podemos sentir para que esta história faça sentido pode ser definida como “viés inconsciente em gênero”, e você encontra o artigo completo  aqui .

Quantas outras associações são feitas de maneira inconsciente baseadas tanto em experiências próprias, como em nossos ambientes e heranças ancestrais? Depois disso, quantas vezes tentamos, de fato, questionar o que pensamos? Mesmo em áreas atribuídas às mulheres, ontem mesmo voltamos a assistir o Masterchef e rapidamente percebemos que ainda somos minoria dentre os jurados. De acordo com a pesquisa da PwC apresentada no referido artigo, as mulheres ocupam menos de 5% dos cargos de CEOs no mundo.

No Turismo, é extremamente fácil perceber a predominante presença feminina em diversas empresas. Mas quantas de nós realmente conseguiremos ser Chieko Aoki, Magda Nassar e Cláudia Sender? Sem diversidade e a busca por ela, o Turismo não existiria. Sem o acolhimento e o desenvolvimento, também não. De quantas Amanda Noventa e Ruth Manus precisaremos pra criar coragem de viajar sozinhas, de questionar e falar o que pensamos, correndo o risco de sermos tratadas como “meu anjo” e não donas de um negócio, tendo que tentar provar a toda hora que somos capazes?

Eu poderia fazer um texto dizendo como somos mais sensíveis, criativas, organizadas, multi-tarefas e possuímos mais atenção aos detalhes. Que isso justifica estarmos em maioria no Turismo e são ótimas características para levarmos a grandes cargos. O problema é que seria mentira. A verdade é que nós, mulheres, que assim nascemos ou assim tornamo-nos, somos quem ousarmos ser.

Acreditem. Desafiem. Mobilizem. Merecemos nosso espaço, merecemos respeito, e nada menos do que isso deve ser aceitado.

Do Ano Novo Chinês ao Carnaval

 

 

 

(Por Kaique Bezerra)

2017, o ano do Galo.

Há poucos dias a chegada do Ano Novo Chinês marcou o início de mais um ciclo de renovação e prosperidade, especialmente para quem segue o horóscopo chinês. Estive recentemente, pela primeira vez, na tradicional comemoração do ano novo no Templo Zu Lai, em Cotia, evento celebrado todos os anos e que atrai muitos turistas.

Eu, particularmente, tinha um desejo enorme de participar do evento. Confesso que foi uma experiência divertida e, ao mesmo tempo, instigante. Uma multidão de automóveis tomou conta dos arredores do local do evento. A estrutura, muito bem planejada, atendeu a demanda de receber as milhares de pessoas, procedentes de tudo quanto é lugar.

A maioria das atrações simbolizava a mitologia e à cultura chinesa: um verdadeiro espetáculo ao ar livre, tudo preparado (com muito capricho) para impressionar: as apresentações, a decoração além da gastronomia chinesa servida.

Por alguns minutos refleti o quanto toda aquela cerimônia era emblemática. Se levarmos em conta que a China, um país gigante assim como o Brasil, possui características tão singulares em sua cultura, consegue em um templo budista – o Templo Zu Lai -, expressar diversos valores culturais em seu ciclo de ano novo. Um ano novo próprio, que também é celebrado em muitos outros lugares do planeta.

Se entrássemos num consenso, provavelmente concordaríamos que a cultura brasileira disseminada no exterior é – em parte – aclamada, afinal quem não está animado para as nossas festas de carnaval? Um dos maiores e mais tradicionais eventos do nosso país, que por sinal também é comemorado em muitos outros lugares do mundo.

Em termos de festividades estamos nós no caminho certo ou deveríamos ter medo da China? A exótica Republica Popular da China, grande potência mundial, nos deixa claro que é um dos países emergentes que mais se destaca do mercado globalizado. Se o evento (ano novo chinês) celebrado ressoa um grande show de surpresas, deveríamos talvez também entrar num clima de festa, ao estilo chinês, e repensar diversos fatores que mesmo presentes em uma cultura oriental, a chinesa, possam trazer soluções eficazes para os problemas (que não são poucos) de nosso país, no momento atual. Acredito que só a meditação não é capaz disso.

O que me resta é desejar um feliz ano novo chinês.

(O carnaval está aí).

Fiz intercâmbio, voltei e…

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Por Andressa Gauto

Eu nunca havia me imaginado viajando para o exterior sozinha, muito menos morando com uma família que não conhecia ou em uma residência estudantil com pessoas de diversos países e com hábitos completamente diferentes dos meus.

No início de 2009, eu estava no segundo ano do Ensino Médio, estudando para o vestibular, fazendo curso de inglês particular e me divertindo com amigos. A meu ver, mesmo que rotineira, estava levando uma vida boa, feliz desse jeito e não pensava em mudar. Em meados de fevereiro, muitos amigos meus começaram a viajar para fazer um semestre/ano letivo no exterior. No começo, a ideia me parecia estranha, mas cada vez mais amigos meus estavam partindo para essa jornada e ao observar as suas experiências, comecei a me interessar e pesquisar sobre o assunto. No final de maio, eu havia decidido que também queria fazer um intercâmbio, pois me convenci de que isso me traria crescimento, mas sequer imaginava o quanto aquela decisão iria mudar a minha vida. Em julho de 2009 estava embarcando para a Nova Zelândia para estudar um semestre e morar em uma casa de família.

Durante esses seis meses em que estive fora, aprendi a ser mais independente, a controlar meu dinheiro (também aprendi a dar mais valor a ele), a resolver meus problemas sozinha, a entender e respeitar outras culturas, melhorei muito o meu inglês, fiz amizades com pessoas que nunca imaginei conhecer, inclusive amizades que levarei para a vida, precisei aprender a lidar com uma família que não era a minha, a conviver com eles, dividir casa e responsabilidades, e por fim, nos demos tão bem que já os considerava família e me sentia em casa, mesmo que aquele lugar não fosse ser meu lar por muito tempo, aprendi a viajar sozinha, a me conhecer melhor, conhecer meus limites e o que eu gosto/não gosto de fazer, a pesquisar coisas e lugares que eu gostaria de conhecer, sem precisar ter que agradar ninguém, a não ser a mim mesma. Adorava cada vez mais a liberdade que eu tinha para tomar as minhas próprias decisões.

A minha experiência estava sendo tão positiva, que escolhi uma matéria de Turismo para integrar o meu currículo escolar durante aquele período e me encantei pela área. Ao final do semestre, meu professor comentou que eu tinha me desenvolvido bem ao longo das aulas e que se um dia eu resolvesse seguir essa área ele tinha certeza que eu teria sucesso; aquilo ficou na minha cabeça. Ao retornar para o Brasil, eu sabia que era aquilo que eu queria fazer na Graduação e que a área de intercâmbio era a que eu queria seguir naquele momento, pois queria ajudar pessoas a realizarem seus sonhos e a alcançarem crescimento pessoal/acadêmico/profissional, da mesma maneira que eu tive.

Eu havia crescido e mudado tanto durante aqueles seis meses, que quando voltei para o Brasil, tive um choque. Ao reencontrar meus familiares e amigos, parecia que tudo tinha parado no tempo, eu não conseguia entender como a minha vida tinha mudado tanto naquele período e aqui as coisas permaneciam exatamente da mesma maneira. Após me recuperar desse choque, percebi o que o intercâmbio de fato faz com as pessoas e havia feito comigo. Ao conversar com amigos que voltaram, todos tinham a mesma percepção.

O intercâmbio nos muda profundamente, nos faz abrir a cabeça e sermos mais flexíveis, a ver o mundo e a vida de uma maneira diferente e isso é muito positivo. A experiência me mudou tanto e foi tão positiva que, se pudesse, faria diversos intercâmbios para lugares diferentes.

Me formei em Lazer e Turismo pela USP e, hoje, tenho cerca de 4 anos de experiência profissional na área de intercâmbio, que sempre me fascina. Ao ver a quantidade de estudantes que embarcaram rumo à essa experiência e como consegui ajudar cada um, de alguma maneira, me deixa muito feliz, principalmente quando dão feedbacks de como foram as suas experiências.

Em 2013 fiz outro intercâmbio, mas de curta duração, fiquei um mês na Inglaterra e foi outra experiência maravilhosa, morando em residência estudantil. Apesar de ser muito diferente do meu primeiro intercâmbio, por ter idades diferentes, cursos diferentes e em locais diferentes, novamente tive uma experiência espetacular.

Ao entrar no mercado de trabalho, percebi que o fato de ter experiências internacionais me ajudou muito em processos seletivos e a conseguir as vagas. E isso se dá à motivos que já mencionei anteriormente, pessoas que fazem intercâmbio tendem a ser mais flexíveis, mais “cabeça aberta” e adaptam-se mais facilmente em diversas situações, sem contar o certificado de nível de idioma internacional.

Para encerrar, gostaria de deixar aqui a minha sugestão a todos, para que façam intercâmbio pelo menos uma vez na vida, seja para melhorar a língua ou fazer cursos específicos em suas respectivas áreas de formação ou interesse, pois, definitivamente, é uma experiência que muda a sua vida para sempre.

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Críticas e elogios a entrevistas de emprego – 2

Por Amanda de Freitas Silva

Nos últimos tempos participei de entrevistas para o processo seletivo de vagas em empresas grandes e renomadas, empresas pequenas e até mesmo em startups. Independente da área, da vaga, do salário ou dos requisitos exigidos, entrevistas costumam intimidar, pelo menos a mim. Trata-se de uma etapa em que você fica frente a frente com o seu avaliador com a sensação de que uma frase pode te aproximar ou afastar do posto de trabalho desejado.

É de praxe receber e acessar uma chuva de textos com dicas de como se portar em uma entrevista de emprego – que, em sua maioria, são escritos por profissionais de recursos humanos que convivem com nossos erros e acertos de apresentação, mas ter um espaço para você, mero candidato, dar sua opinião, é uma novidade para mim.

Empolgada com essa novidade e atordoada com o desafio de escrever sobre esse assunto delicado, apesar da experiência com entrevistas, resolvi conversar com alguns amigos para debater, obter outros pontos de vistas, saber se as opiniões são semelhantes – e claro que houve divergências. Seguem abaixo os meus elogios e críticas, começando pelos elogios.

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  1. Os diferentes tipos de entrevistas: pessoalmente, por telefone e Skype

Eu acho sensacional quando o recrutador, por falta de opção ou por economia de tempo mesmo, faz uso do telefone ou do Skype – ferramentas úteis na rotina de trabalho. Muitas vezes atenderemos clientes pelo telefone e podemos ter reuniões via Skype; assim, acho válida que a nossa primeira avaliação possa ser através desses meios de comunicação.

  1. Apresentação da vaga e da empresa

É ótimo quando a entrevista se inicia com uma apresentação da vaga, da empresa, do ambiente de trabalho e da expectativa que a empresa tem sobre o selecionado. São informações úteis para o candidato e a explicação antes dos questionamentos ajuda a “quebrar o gelo” da situação.

  1. Via de mão dupla

Entrevistas são como um quebra-cabeça: é um encontro em que o entrevistador busca saber se aquele candidato se encaixa na vaga, e também é a oportunidade do entrevistado saber se ele realmente pretende atuar naquela corporação. Por isso, quando o entrevistador reconhece que esta é uma conversa de via dupla, a entrevista fica mais agradável.

Dar liberdade para o candidato tirar suas dúvidas sobre a empresa, o cargo e seu gestor, e conduzir a conversa amigavelmente pode distensionar o candidato, facilitando o trabalho do recrutador de identificar detalhes do comportamento, da personalidade e das preferências de trabalho.

  1. Perguntas sobre a vida pessoal

Em toda entrevista já é esperado o levantamento de questões sobre suas experiências profissionais e sua formação – mas, às vezes, surgem perguntas sobre hobbies, relacionamentos em geral e até mesmo sobre o seu signo. Relevantes ou não, eu gosto deste tipo de pergunta (sem exageros), mas até entendo quem não gosta por entender que fogem do objetivo da entrevista.

Sinto que, além de tirar um pouco a tensão, mostram que pode haver humanidade na relação de trabalho; que ao mesmo tempo em que você trabalha com a “fulana” séria, organizada, focada em resultados e muito competente, você também está dividindo espaço com uma pessoa que ama cachorros, vinhos, corrida de rua e dominó.

  1. Testes

Não tenho nada contra testes, sejam eles lógicos, de línguas e/ou técnicos, realizados previamente pela internet ou pessoalmente. Não vejo problema algum de uma empresa testar os candidatos, até porque a entrevista em si já é uma espécie de teste. E se precisa saber álgebra para iniciar naquele cargo e eu não sei, acho justo me testar e reprovar.

Na contramão dos elogios, segue a lista de críticas.

  1. Entrevista = Teste

É um pouco desagradável quando a entrevista é vista pelo selecionador apenas como um teste para o candidato e/ou quando o entrevistado se sente em um interrogatório, sem direito a fazer perguntas. Já saí de entrevistas sem saber detalhes importantes sobre a vaga, pois não senti que tive espaço para esclarecimentos.

  1. Perguntas difíceis

Esse tópico gera até classificações. Há as perguntas números, como índices de mercado, a cotação do dólar no dia e demais números que num dia de trabalho costumamos consultar e confirmar antes de apresentar para um cliente. Há as perguntas aleatórias, que costumam ter um ar até “filosófico”, como por exemplo: “Que título você daria para o livro da sua vida?” (sim, já me fizeram essa pergunta em uma seleção). E há, também, as perguntas incabíveis, como: “Qual a sua maior conquista na vida?” ou “Como você surpreendeu no seu departamento?”, perguntas que são ótimas, exceto quando você é jovem sem ou quase sem experiência, graduando ou recém formado, que não tem uma bagagem considerável para dar uma resposta digna.

Independente da classificação, são perguntas que podem gerar certo desconforto e te fazem pensar: “Qual a necessidade dessa pergunta? O que acrescenta na seleção?”.

  1. Cases

Não sou fã de cases, mas acho que essa rejeição por cases nem se dá pelo que ele é, mas sim pelas experiências que vivi. Adoro trabalhar em grupo, trocar ideias, debater, chegar a conclusões, unir forças; porém, nos cases em que participei me senti um pouco deslocada, talvez pela falta de informações. Não sabia exatamente o que os avaliadores queriam de mim, se é a pessoa colaborativa que vive em meu coração ou a competitiva com “sangue nos olhos” – afinal, somos sobreviventes e nos adaptamos aos ambientes.

Por vezes, me senti como nos filmes da franquia “Jogos Vorazes”, nos quais uma pessoa precisa eliminar as outras para se auto afirmar; e, em outras situações, me vi em um filme da Disney que tem um ou outro “puxa-saco” sempre muito simpático. É um processo bem confuso para mim, apesar de reconhecer que pode ser esclarecedor para os recrutadores.

  1. Ausência de feedback

E, por fim, a marcante ausência de feedback, que gera um vazio no candidato. Você fica esperando a resposta sobre a entrevista para a qual se preparou, se deslocou, investiu tempo e dinheiro e… nada.

Seleções costumam ser difíceis, tanto para o recrutador como para o candidato. O entrevistador geralmente busca a pessoa perfeita para a vaga, mas muitas vezes se depara com candidatos que não são perfeitos no momento da entrevista, mas que talvez trabalhem com dedicação e possam ser lapidados através dos treinamentos, objetivos, visões, ambiente de trabalho e métodos da empresa.

Fica a responsabilidade do recrutador de dar a chance a um indivíduo e fica para o candidato a tarefa de se preparar e apresentar, da melhor maneira, seus objetivos e habilidades. Meus amigos de recursos humanos que me desculpem, mas eu acredito que não há uma regra ou um método perfeito para a realização de entrevistas: sendo elas boas ou não, intimidadoras ou tranquilas, elas fazem parte do mercado de trabalho e temos que lidar da melhor maneira, independente do lado da mesa em que estamos sentados.

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Entrevistas de Emprego

Por Renata Kazys Oliveira

Todo e qualquer estudante há de concordar comigo que quando é chegada a hora de procurar um estágio o terror às vezes é maior que o de prestar o vestibular. Já foi a época em que estar dentro da universidade significava um futuro garantido. Depois de quase quatro anos dentro da universidade e com uma extensa lista de participações em entrevistas de emprego, estou saindo mais experiente em processos seletivos do que em qualquer experiência profissional efetivamente.

Procurar uma vaga na área de Turismo é quase uma piada. Coisas como “Estágio de Garçonete” e “Estágio de Hostess” são facilmente encontrados, tão encontrados que meus professores responsáveis pelos estágios do curso têm mostrado suas preocupações a respeito.  Sem falar dos requisitos exigidos que beiram o absurdo, alguns pedindo de um a dois anos de experiência na área para um estágio.

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O que mais me chama atenção dos processos seletivos é o descaso dos responsáveis pela área de recursos humanos. Depois de passar por três, quatro, cinco etapas de entrevistas, receber um feedback é quase um fenômeno. A consideração é sempre tocante por parte das empresas com o nosso tempo e dinheiro. Uma vez gastei R$ 80,00 em táxi participando de um processo seletivo em uma multinacional que não tinha transporte público próximo e estou esperando até hoje a resposta. Isso foi em 2014.

Participar de um processo seletivo pode ser uma tarefa árdua e maçante. É raro nos depararmos com empresas da área que possuem programas de estágios sérios e interessantes que não estejam apenas à procura de um estagiário para substituir algum cargo por mão de obra barata, principalmente em tempos de crise como este em que vive o país, se aproveitando muitas vezes da condição delicada que muitos estudantes vivem nesta época da vida, tornado evidente quando, no momento da entrevista, o entrevistador coloca em foco apenas a empresa, pouco preocupado com a trajetória acadêmica do candidato e de seus interesses profissionais, esquecendo que a empresa também possui papel fundamental na formação do estudante.

O conceito de estágio vem sendo distorcido em favor das empresas e cada vez menos dos estudantes, ficando claro que existe um enorme abismo separando a realidade do mercado de trabalho da realidade da universidade. A sensação é que o mercado pouco sabe o que estamos fazendo dentro da universidade e sabem menos ainda o que fazer com esses profissionais que estão formados ou em formação. É quando nós, estudantes, somos acometidos pela frustração e nos perguntamos o que fazer com aquilo que estamos aprendendo.

Mas a culpa é de quem? Não, a culpa não é unicamente do mercado. Tudo é um reflexo do todo. Dos cursos superiores em Turismo fracos e bagunçados, do mercado de trabalho preocupado apenas com os seus interesses e dos próprios profissionais e estudantes da área que muitas vezes desvalorizam a si próprios quando optam pelo curso para fugir da matemática e se negam a aprender outras línguas, ficando a mercê de salários baixos e de estágios sem perspectiva de aprendizado real.

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Jornalismo especializado em turismo – desafios da carreira

Por Jaqueline Sobral

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Imagine viajar o mundo como jornalista de turismo, conhecendo destinos fascinantes e apresentando sua própria impressão de cada localidade. Esse é o desejo de muitos, entre profissionais de turismo, jornalistas e amantes de viagens. O desafio está em produzir conteúdo relevante, pois a proposta é promover com singularidade as características de cada local visitado, em compromisso com a audiência e a comunidade local, e ainda driblar os percalços de ser um morador do mundo.

Os diversos canais de mídia disponíveis para iniciar a divulgação de sua própria produção jornalística é um incentivo aos aventureiros, mas não os isenta das dificuldades do ofício. Estar em um ambiente de trabalho contínuo, sem jornada fixada, também pode ser exaustivo. Embora as experiências proporcionadas muitas vezes compensem o “sacrifício”, abrir mão de momentos de lazer, e por vezes até conforto, por estudar o entorno e preparar material para a próxima matéria muda a perspectiva de férias estendidas que pode surgir no início.

O ritmo de uma viagem jornalística é geralmente intenso e cada momento acaba se tornando pauta para uma abordagem aprofundada ou matéria futura. Além do desgaste físico e psicológico, lidar com certa hostilidade ou falta de receptividade percebida em alguns destinos para com os jornalistas não é um ritual comum em viagens tradicionais de lazer.

É importante considerar que a comunicação é fator primordial para o trabalho e essa atividade influencia na opinião do público a respeito daquela cidade, restaurante, ponto turístico ou atração. Experiências de viagem são extremamente particulares, logo o cuidado com certa imparcialidade – típica do jornalismo – ou simples honestidade ao ser parcial, deve contar como imprescindível para atingir um público maior e garantir a atenção e envolvimento com um público qualificado.

Outro grande desafio é profissionalizar uma atividade culturalmente vista como hobby e ainda imprimir um diferencial frente ao bombardeio de canais destrinchando cada roteiro turístico. A dica é, profissional de turismo ou jornalista, comprometer-se com a história e ser fiel a proposta do trabalho para assim apresentar um conteúdo valioso e confiável.

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Turismo de baixo custo, vale a pena?

Por Caio Felipe Sousa Lima

Turismo de baixo custo é igual aquele sanduíche feito com os restos de vários ingredientes que encontramos na geladeira e que no final fica maravilhoso. Uma viagem na base da carona com recheio de hostel lotado, beliche de três andares, salgadinhos como almoço e uma pitada de insolação pode ter como resultado experiências únicas que serão levadas para o resto da vida.

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O adepto dessa prática tem um objetivo e abdica de confortos da viagem para sua recompensa caber no seu bolso, seja ela realizar o sonho de conhecer um determinado lugar ou cultura. Planejar com antecedência a programação evita alguns sustos que podem encarecer a viagem. A estadia, geralmente um hostel, possibilita o preparo das próprias refeições que é um dos itens mais importantes para economizar.

Perrengues e ocasiões desconfortantes fazem parte do roteiro, mas tudo depende da maneira de lidar com as situações. Desde ficar no terceiro andar de um beliche que bate no teto até de se deparar com um gringo dormindo pelado na cama ao lado. Esse mesmo gringo pode bater um papo com você na manhã seguinte e ambos acabarem indo curtir a noite juntos. O jogo de cintura faz a diferença entre reclamar dos problemas ou rir deles.

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É comum encontrar pessoas nas mesmas situações. Quando se compartilha as histórias existe um tipo de identificação que une os viajantes assim não apenas entramos em contato com a cultura local, mas também com a de outros países. Dá para se aprender muito em como a cidade visitada pode impactar de diversas maneiras pessoas de culturas distintas. Confesso que me senti muito inexperiente no quesito turismo de baixo custo, os gringos que encontrei em minhas aventuras são tipo veteranos no assunto e já visitaram o mundo todo.

Viajar com mente e coração abertos são essenciais para aproveitar da melhor maneira o passeio nas condições disponíveis. Afinal não apenas viajamos para conhecer novos lugares, mas também para descobrir mais sobre nós mesmos. Basta o básico e o necessário para nossa condição humana, sem luxo e sem alguns confortos só resta sorrir e focar na diversão deste modo teremos lembranças incríveis e são elas que fazem tudo valer a pena.

 

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