Ouse ser mulher

Por Carolina Yamauti
Nesta semana, começou um buzz a respeito de um texto que apareceu na Harvard Business Review e rapidamente se espalhou pelas redes sociais. A história é:

“Pai e filho sofrem um acidente terrível de carro. Alguém chama a ambulância, mas o pai não resiste e morre no local. O filho é socorrido e levado ao hospital às pressas. Ao chegar no hospital, a pessoa mais competente do centro cirúrgico vê o menino e diz: ‘Não posso operar esse menino! Ele é meu filho!’.”

A dificuldade que muitos de nós podemos sentir para que esta história faça sentido pode ser definida como “viés inconsciente em gênero”, e você encontra o artigo completo  aqui .

Quantas outras associações são feitas de maneira inconsciente baseadas tanto em experiências próprias, como em nossos ambientes e heranças ancestrais? Depois disso, quantas vezes tentamos, de fato, questionar o que pensamos? Mesmo em áreas atribuídas às mulheres, ontem mesmo voltamos a assistir o Masterchef e rapidamente percebemos que ainda somos minoria dentre os jurados. De acordo com a pesquisa da PwC apresentada no referido artigo, as mulheres ocupam menos de 5% dos cargos de CEOs no mundo.

No Turismo, é extremamente fácil perceber a predominante presença feminina em diversas empresas. Mas quantas de nós realmente conseguiremos ser Chieko Aoki, Magda Nassar e Cláudia Sender? Sem diversidade e a busca por ela, o Turismo não existiria. Sem o acolhimento e o desenvolvimento, também não. De quantas Amanda Noventa e Ruth Manus precisaremos pra criar coragem de viajar sozinhas, de questionar e falar o que pensamos, correndo o risco de sermos tratadas como “meu anjo” e não donas de um negócio, tendo que tentar provar a toda hora que somos capazes?

Eu poderia fazer um texto dizendo como somos mais sensíveis, criativas, organizadas, multi-tarefas e possuímos mais atenção aos detalhes. Que isso justifica estarmos em maioria no Turismo e são ótimas características para levarmos a grandes cargos. O problema é que seria mentira. A verdade é que nós, mulheres, que assim nascemos ou assim tornamo-nos, somos quem ousarmos ser.

Acreditem. Desafiem. Mobilizem. Merecemos nosso espaço, merecemos respeito, e nada menos do que isso deve ser aceitado.

Do Ano Novo Chinês ao Carnaval

 

 

 

(Por Kaique Bezerra)

2017, o ano do Galo.

Há poucos dias a chegada do Ano Novo Chinês marcou o início de mais um ciclo de renovação e prosperidade, especialmente para quem segue o horóscopo chinês. Estive recentemente, pela primeira vez, na tradicional comemoração do ano novo no Templo Zu Lai, em Cotia, evento celebrado todos os anos e que atrai muitos turistas.

Eu, particularmente, tinha um desejo enorme de participar do evento. Confesso que foi uma experiência divertida e, ao mesmo tempo, instigante. Uma multidão de automóveis tomou conta dos arredores do local do evento. A estrutura, muito bem planejada, atendeu a demanda de receber as milhares de pessoas, procedentes de tudo quanto é lugar.

A maioria das atrações simbolizava a mitologia e à cultura chinesa: um verdadeiro espetáculo ao ar livre, tudo preparado (com muito capricho) para impressionar: as apresentações, a decoração além da gastronomia chinesa servida.

Por alguns minutos refleti o quanto toda aquela cerimônia era emblemática. Se levarmos em conta que a China, um país gigante assim como o Brasil, possui características tão singulares em sua cultura, consegue em um templo budista – o Templo Zu Lai -, expressar diversos valores culturais em seu ciclo de ano novo. Um ano novo próprio, que também é celebrado em muitos outros lugares do planeta.

Se entrássemos num consenso, provavelmente concordaríamos que a cultura brasileira disseminada no exterior é – em parte – aclamada, afinal quem não está animado para as nossas festas de carnaval? Um dos maiores e mais tradicionais eventos do nosso país, que por sinal também é comemorado em muitos outros lugares do mundo.

Em termos de festividades estamos nós no caminho certo ou deveríamos ter medo da China? A exótica Republica Popular da China, grande potência mundial, nos deixa claro que é um dos países emergentes que mais se destaca do mercado globalizado. Se o evento (ano novo chinês) celebrado ressoa um grande show de surpresas, deveríamos talvez também entrar num clima de festa, ao estilo chinês, e repensar diversos fatores que mesmo presentes em uma cultura oriental, a chinesa, possam trazer soluções eficazes para os problemas (que não são poucos) de nosso país, no momento atual. Acredito que só a meditação não é capaz disso.

O que me resta é desejar um feliz ano novo chinês.

(O carnaval está aí).

Fiz intercâmbio, voltei e…

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Por Andressa Gauto

Eu nunca havia me imaginado viajando para o exterior sozinha, muito menos morando com uma família que não conhecia ou em uma residência estudantil com pessoas de diversos países e com hábitos completamente diferentes dos meus.

No início de 2009, eu estava no segundo ano do Ensino Médio, estudando para o vestibular, fazendo curso de inglês particular e me divertindo com amigos. A meu ver, mesmo que rotineira, estava levando uma vida boa, feliz desse jeito e não pensava em mudar. Em meados de fevereiro, muitos amigos meus começaram a viajar para fazer um semestre/ano letivo no exterior. No começo, a ideia me parecia estranha, mas cada vez mais amigos meus estavam partindo para essa jornada e ao observar as suas experiências, comecei a me interessar e pesquisar sobre o assunto. No final de maio, eu havia decidido que também queria fazer um intercâmbio, pois me convenci de que isso me traria crescimento, mas sequer imaginava o quanto aquela decisão iria mudar a minha vida. Em julho de 2009 estava embarcando para a Nova Zelândia para estudar um semestre e morar em uma casa de família.

Durante esses seis meses em que estive fora, aprendi a ser mais independente, a controlar meu dinheiro (também aprendi a dar mais valor a ele), a resolver meus problemas sozinha, a entender e respeitar outras culturas, melhorei muito o meu inglês, fiz amizades com pessoas que nunca imaginei conhecer, inclusive amizades que levarei para a vida, precisei aprender a lidar com uma família que não era a minha, a conviver com eles, dividir casa e responsabilidades, e por fim, nos demos tão bem que já os considerava família e me sentia em casa, mesmo que aquele lugar não fosse ser meu lar por muito tempo, aprendi a viajar sozinha, a me conhecer melhor, conhecer meus limites e o que eu gosto/não gosto de fazer, a pesquisar coisas e lugares que eu gostaria de conhecer, sem precisar ter que agradar ninguém, a não ser a mim mesma. Adorava cada vez mais a liberdade que eu tinha para tomar as minhas próprias decisões.

A minha experiência estava sendo tão positiva, que escolhi uma matéria de Turismo para integrar o meu currículo escolar durante aquele período e me encantei pela área. Ao final do semestre, meu professor comentou que eu tinha me desenvolvido bem ao longo das aulas e que se um dia eu resolvesse seguir essa área ele tinha certeza que eu teria sucesso; aquilo ficou na minha cabeça. Ao retornar para o Brasil, eu sabia que era aquilo que eu queria fazer na Graduação e que a área de intercâmbio era a que eu queria seguir naquele momento, pois queria ajudar pessoas a realizarem seus sonhos e a alcançarem crescimento pessoal/acadêmico/profissional, da mesma maneira que eu tive.

Eu havia crescido e mudado tanto durante aqueles seis meses, que quando voltei para o Brasil, tive um choque. Ao reencontrar meus familiares e amigos, parecia que tudo tinha parado no tempo, eu não conseguia entender como a minha vida tinha mudado tanto naquele período e aqui as coisas permaneciam exatamente da mesma maneira. Após me recuperar desse choque, percebi o que o intercâmbio de fato faz com as pessoas e havia feito comigo. Ao conversar com amigos que voltaram, todos tinham a mesma percepção.

O intercâmbio nos muda profundamente, nos faz abrir a cabeça e sermos mais flexíveis, a ver o mundo e a vida de uma maneira diferente e isso é muito positivo. A experiência me mudou tanto e foi tão positiva que, se pudesse, faria diversos intercâmbios para lugares diferentes.

Me formei em Lazer e Turismo pela USP e, hoje, tenho cerca de 4 anos de experiência profissional na área de intercâmbio, que sempre me fascina. Ao ver a quantidade de estudantes que embarcaram rumo à essa experiência e como consegui ajudar cada um, de alguma maneira, me deixa muito feliz, principalmente quando dão feedbacks de como foram as suas experiências.

Em 2013 fiz outro intercâmbio, mas de curta duração, fiquei um mês na Inglaterra e foi outra experiência maravilhosa, morando em residência estudantil. Apesar de ser muito diferente do meu primeiro intercâmbio, por ter idades diferentes, cursos diferentes e em locais diferentes, novamente tive uma experiência espetacular.

Ao entrar no mercado de trabalho, percebi que o fato de ter experiências internacionais me ajudou muito em processos seletivos e a conseguir as vagas. E isso se dá à motivos que já mencionei anteriormente, pessoas que fazem intercâmbio tendem a ser mais flexíveis, mais “cabeça aberta” e adaptam-se mais facilmente em diversas situações, sem contar o certificado de nível de idioma internacional.

Para encerrar, gostaria de deixar aqui a minha sugestão a todos, para que façam intercâmbio pelo menos uma vez na vida, seja para melhorar a língua ou fazer cursos específicos em suas respectivas áreas de formação ou interesse, pois, definitivamente, é uma experiência que muda a sua vida para sempre.

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Críticas e elogios a entrevistas de emprego – 2

Por Amanda de Freitas Silva

Nos últimos tempos participei de entrevistas para o processo seletivo de vagas em empresas grandes e renomadas, empresas pequenas e até mesmo em startups. Independente da área, da vaga, do salário ou dos requisitos exigidos, entrevistas costumam intimidar, pelo menos a mim. Trata-se de uma etapa em que você fica frente a frente com o seu avaliador com a sensação de que uma frase pode te aproximar ou afastar do posto de trabalho desejado.

É de praxe receber e acessar uma chuva de textos com dicas de como se portar em uma entrevista de emprego – que, em sua maioria, são escritos por profissionais de recursos humanos que convivem com nossos erros e acertos de apresentação, mas ter um espaço para você, mero candidato, dar sua opinião, é uma novidade para mim.

Empolgada com essa novidade e atordoada com o desafio de escrever sobre esse assunto delicado, apesar da experiência com entrevistas, resolvi conversar com alguns amigos para debater, obter outros pontos de vistas, saber se as opiniões são semelhantes – e claro que houve divergências. Seguem abaixo os meus elogios e críticas, começando pelos elogios.

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  1. Os diferentes tipos de entrevistas: pessoalmente, por telefone e Skype

Eu acho sensacional quando o recrutador, por falta de opção ou por economia de tempo mesmo, faz uso do telefone ou do Skype – ferramentas úteis na rotina de trabalho. Muitas vezes atenderemos clientes pelo telefone e podemos ter reuniões via Skype; assim, acho válida que a nossa primeira avaliação possa ser através desses meios de comunicação.

  1. Apresentação da vaga e da empresa

É ótimo quando a entrevista se inicia com uma apresentação da vaga, da empresa, do ambiente de trabalho e da expectativa que a empresa tem sobre o selecionado. São informações úteis para o candidato e a explicação antes dos questionamentos ajuda a “quebrar o gelo” da situação.

  1. Via de mão dupla

Entrevistas são como um quebra-cabeça: é um encontro em que o entrevistador busca saber se aquele candidato se encaixa na vaga, e também é a oportunidade do entrevistado saber se ele realmente pretende atuar naquela corporação. Por isso, quando o entrevistador reconhece que esta é uma conversa de via dupla, a entrevista fica mais agradável.

Dar liberdade para o candidato tirar suas dúvidas sobre a empresa, o cargo e seu gestor, e conduzir a conversa amigavelmente pode distensionar o candidato, facilitando o trabalho do recrutador de identificar detalhes do comportamento, da personalidade e das preferências de trabalho.

  1. Perguntas sobre a vida pessoal

Em toda entrevista já é esperado o levantamento de questões sobre suas experiências profissionais e sua formação – mas, às vezes, surgem perguntas sobre hobbies, relacionamentos em geral e até mesmo sobre o seu signo. Relevantes ou não, eu gosto deste tipo de pergunta (sem exageros), mas até entendo quem não gosta por entender que fogem do objetivo da entrevista.

Sinto que, além de tirar um pouco a tensão, mostram que pode haver humanidade na relação de trabalho; que ao mesmo tempo em que você trabalha com a “fulana” séria, organizada, focada em resultados e muito competente, você também está dividindo espaço com uma pessoa que ama cachorros, vinhos, corrida de rua e dominó.

  1. Testes

Não tenho nada contra testes, sejam eles lógicos, de línguas e/ou técnicos, realizados previamente pela internet ou pessoalmente. Não vejo problema algum de uma empresa testar os candidatos, até porque a entrevista em si já é uma espécie de teste. E se precisa saber álgebra para iniciar naquele cargo e eu não sei, acho justo me testar e reprovar.

Na contramão dos elogios, segue a lista de críticas.

  1. Entrevista = Teste

É um pouco desagradável quando a entrevista é vista pelo selecionador apenas como um teste para o candidato e/ou quando o entrevistado se sente em um interrogatório, sem direito a fazer perguntas. Já saí de entrevistas sem saber detalhes importantes sobre a vaga, pois não senti que tive espaço para esclarecimentos.

  1. Perguntas difíceis

Esse tópico gera até classificações. Há as perguntas números, como índices de mercado, a cotação do dólar no dia e demais números que num dia de trabalho costumamos consultar e confirmar antes de apresentar para um cliente. Há as perguntas aleatórias, que costumam ter um ar até “filosófico”, como por exemplo: “Que título você daria para o livro da sua vida?” (sim, já me fizeram essa pergunta em uma seleção). E há, também, as perguntas incabíveis, como: “Qual a sua maior conquista na vida?” ou “Como você surpreendeu no seu departamento?”, perguntas que são ótimas, exceto quando você é jovem sem ou quase sem experiência, graduando ou recém formado, que não tem uma bagagem considerável para dar uma resposta digna.

Independente da classificação, são perguntas que podem gerar certo desconforto e te fazem pensar: “Qual a necessidade dessa pergunta? O que acrescenta na seleção?”.

  1. Cases

Não sou fã de cases, mas acho que essa rejeição por cases nem se dá pelo que ele é, mas sim pelas experiências que vivi. Adoro trabalhar em grupo, trocar ideias, debater, chegar a conclusões, unir forças; porém, nos cases em que participei me senti um pouco deslocada, talvez pela falta de informações. Não sabia exatamente o que os avaliadores queriam de mim, se é a pessoa colaborativa que vive em meu coração ou a competitiva com “sangue nos olhos” – afinal, somos sobreviventes e nos adaptamos aos ambientes.

Por vezes, me senti como nos filmes da franquia “Jogos Vorazes”, nos quais uma pessoa precisa eliminar as outras para se auto afirmar; e, em outras situações, me vi em um filme da Disney que tem um ou outro “puxa-saco” sempre muito simpático. É um processo bem confuso para mim, apesar de reconhecer que pode ser esclarecedor para os recrutadores.

  1. Ausência de feedback

E, por fim, a marcante ausência de feedback, que gera um vazio no candidato. Você fica esperando a resposta sobre a entrevista para a qual se preparou, se deslocou, investiu tempo e dinheiro e… nada.

Seleções costumam ser difíceis, tanto para o recrutador como para o candidato. O entrevistador geralmente busca a pessoa perfeita para a vaga, mas muitas vezes se depara com candidatos que não são perfeitos no momento da entrevista, mas que talvez trabalhem com dedicação e possam ser lapidados através dos treinamentos, objetivos, visões, ambiente de trabalho e métodos da empresa.

Fica a responsabilidade do recrutador de dar a chance a um indivíduo e fica para o candidato a tarefa de se preparar e apresentar, da melhor maneira, seus objetivos e habilidades. Meus amigos de recursos humanos que me desculpem, mas eu acredito que não há uma regra ou um método perfeito para a realização de entrevistas: sendo elas boas ou não, intimidadoras ou tranquilas, elas fazem parte do mercado de trabalho e temos que lidar da melhor maneira, independente do lado da mesa em que estamos sentados.

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Entrevistas de Emprego

Por Renata Kazys Oliveira

Todo e qualquer estudante há de concordar comigo que quando é chegada a hora de procurar um estágio o terror às vezes é maior que o de prestar o vestibular. Já foi a época em que estar dentro da universidade significava um futuro garantido. Depois de quase quatro anos dentro da universidade e com uma extensa lista de participações em entrevistas de emprego, estou saindo mais experiente em processos seletivos do que em qualquer experiência profissional efetivamente.

Procurar uma vaga na área de Turismo é quase uma piada. Coisas como “Estágio de Garçonete” e “Estágio de Hostess” são facilmente encontrados, tão encontrados que meus professores responsáveis pelos estágios do curso têm mostrado suas preocupações a respeito.  Sem falar dos requisitos exigidos que beiram o absurdo, alguns pedindo de um a dois anos de experiência na área para um estágio.

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O que mais me chama atenção dos processos seletivos é o descaso dos responsáveis pela área de recursos humanos. Depois de passar por três, quatro, cinco etapas de entrevistas, receber um feedback é quase um fenômeno. A consideração é sempre tocante por parte das empresas com o nosso tempo e dinheiro. Uma vez gastei R$ 80,00 em táxi participando de um processo seletivo em uma multinacional que não tinha transporte público próximo e estou esperando até hoje a resposta. Isso foi em 2014.

Participar de um processo seletivo pode ser uma tarefa árdua e maçante. É raro nos depararmos com empresas da área que possuem programas de estágios sérios e interessantes que não estejam apenas à procura de um estagiário para substituir algum cargo por mão de obra barata, principalmente em tempos de crise como este em que vive o país, se aproveitando muitas vezes da condição delicada que muitos estudantes vivem nesta época da vida, tornado evidente quando, no momento da entrevista, o entrevistador coloca em foco apenas a empresa, pouco preocupado com a trajetória acadêmica do candidato e de seus interesses profissionais, esquecendo que a empresa também possui papel fundamental na formação do estudante.

O conceito de estágio vem sendo distorcido em favor das empresas e cada vez menos dos estudantes, ficando claro que existe um enorme abismo separando a realidade do mercado de trabalho da realidade da universidade. A sensação é que o mercado pouco sabe o que estamos fazendo dentro da universidade e sabem menos ainda o que fazer com esses profissionais que estão formados ou em formação. É quando nós, estudantes, somos acometidos pela frustração e nos perguntamos o que fazer com aquilo que estamos aprendendo.

Mas a culpa é de quem? Não, a culpa não é unicamente do mercado. Tudo é um reflexo do todo. Dos cursos superiores em Turismo fracos e bagunçados, do mercado de trabalho preocupado apenas com os seus interesses e dos próprios profissionais e estudantes da área que muitas vezes desvalorizam a si próprios quando optam pelo curso para fugir da matemática e se negam a aprender outras línguas, ficando a mercê de salários baixos e de estágios sem perspectiva de aprendizado real.

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Jornalismo especializado em turismo – desafios da carreira

Por Jaqueline Sobral

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Imagine viajar o mundo como jornalista de turismo, conhecendo destinos fascinantes e apresentando sua própria impressão de cada localidade. Esse é o desejo de muitos, entre profissionais de turismo, jornalistas e amantes de viagens. O desafio está em produzir conteúdo relevante, pois a proposta é promover com singularidade as características de cada local visitado, em compromisso com a audiência e a comunidade local, e ainda driblar os percalços de ser um morador do mundo.

Os diversos canais de mídia disponíveis para iniciar a divulgação de sua própria produção jornalística é um incentivo aos aventureiros, mas não os isenta das dificuldades do ofício. Estar em um ambiente de trabalho contínuo, sem jornada fixada, também pode ser exaustivo. Embora as experiências proporcionadas muitas vezes compensem o “sacrifício”, abrir mão de momentos de lazer, e por vezes até conforto, por estudar o entorno e preparar material para a próxima matéria muda a perspectiva de férias estendidas que pode surgir no início.

O ritmo de uma viagem jornalística é geralmente intenso e cada momento acaba se tornando pauta para uma abordagem aprofundada ou matéria futura. Além do desgaste físico e psicológico, lidar com certa hostilidade ou falta de receptividade percebida em alguns destinos para com os jornalistas não é um ritual comum em viagens tradicionais de lazer.

É importante considerar que a comunicação é fator primordial para o trabalho e essa atividade influencia na opinião do público a respeito daquela cidade, restaurante, ponto turístico ou atração. Experiências de viagem são extremamente particulares, logo o cuidado com certa imparcialidade – típica do jornalismo – ou simples honestidade ao ser parcial, deve contar como imprescindível para atingir um público maior e garantir a atenção e envolvimento com um público qualificado.

Outro grande desafio é profissionalizar uma atividade culturalmente vista como hobby e ainda imprimir um diferencial frente ao bombardeio de canais destrinchando cada roteiro turístico. A dica é, profissional de turismo ou jornalista, comprometer-se com a história e ser fiel a proposta do trabalho para assim apresentar um conteúdo valioso e confiável.

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Turismo de baixo custo, vale a pena?

Por Caio Felipe Sousa Lima

Turismo de baixo custo é igual aquele sanduíche feito com os restos de vários ingredientes que encontramos na geladeira e que no final fica maravilhoso. Uma viagem na base da carona com recheio de hostel lotado, beliche de três andares, salgadinhos como almoço e uma pitada de insolação pode ter como resultado experiências únicas que serão levadas para o resto da vida.

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O adepto dessa prática tem um objetivo e abdica de confortos da viagem para sua recompensa caber no seu bolso, seja ela realizar o sonho de conhecer um determinado lugar ou cultura. Planejar com antecedência a programação evita alguns sustos que podem encarecer a viagem. A estadia, geralmente um hostel, possibilita o preparo das próprias refeições que é um dos itens mais importantes para economizar.

Perrengues e ocasiões desconfortantes fazem parte do roteiro, mas tudo depende da maneira de lidar com as situações. Desde ficar no terceiro andar de um beliche que bate no teto até de se deparar com um gringo dormindo pelado na cama ao lado. Esse mesmo gringo pode bater um papo com você na manhã seguinte e ambos acabarem indo curtir a noite juntos. O jogo de cintura faz a diferença entre reclamar dos problemas ou rir deles.

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É comum encontrar pessoas nas mesmas situações. Quando se compartilha as histórias existe um tipo de identificação que une os viajantes assim não apenas entramos em contato com a cultura local, mas também com a de outros países. Dá para se aprender muito em como a cidade visitada pode impactar de diversas maneiras pessoas de culturas distintas. Confesso que me senti muito inexperiente no quesito turismo de baixo custo, os gringos que encontrei em minhas aventuras são tipo veteranos no assunto e já visitaram o mundo todo.

Viajar com mente e coração abertos são essenciais para aproveitar da melhor maneira o passeio nas condições disponíveis. Afinal não apenas viajamos para conhecer novos lugares, mas também para descobrir mais sobre nós mesmos. Basta o básico e o necessário para nossa condição humana, sem luxo e sem alguns confortos só resta sorrir e focar na diversão deste modo teremos lembranças incríveis e são elas que fazem tudo valer a pena.

 

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O que eu gostaria de aprender em turismo

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Pelo que ouço, a verdadeira expressão deveria ser “viver”, afinal, muito ou tudo do que somos é construído através de nossas vivências. E boa parte das reclamações que chego a ouvir sobre o que falta apreender em turismo é conviver com sua realidade.

Sei que turismo é um mercado vasto, com amplas possibilidades e gostaria de aprender algumas de suas especificidades. Eu, por exemplo, gosto de tudo ligado ao meio ambiente, mas esse assunto está ligado ao turismo de varias maneiras e eu me pergunto constantemente: “em qual delas vou me encaixar?”, “Qual dessas rotinas vou gostar, qual vai me fazer feliz?”.

Creio que isso ocorra com quase todas as carreiras, mas nosso drama sempre parece maior.

Pensando um pouco mais na questão do aprender e da vivência, isso também está muito ligado com a questão de viajar. Eu não conheço ninguém que tenha feito ou faça turismo que não tenha mudado seu olhar em relação aos lugares visitados depois do inicio do curso. Você passa a prestar mais atenção em tudo, seja hotel, hostel, ônibus, avião, limpeza ou serviços.

Pensa, então, na quantidade de pessoas ali, como estão sendo atendidas, se é algo planejado ou improvisado, qualificado ou desqualificado, a naturalidade das pessoas presentes, e principalmente sobre a cultura do local, e ai conclui o quão importante é ter alguém de turismo presente, envolvido, ajudando nas decisões.

No fim das contas, ainda temos muito a aprender, seja no turismo ou outras áreas. A ideia de mudanças e inovações, nem sempre é fácil de se conquistar, mas o aprendizado é algo que temos que buscar constantemente.

 

Barbara

Sobre marketing pessoal e autoimagem

Como estudante de turismo, ouvi muitas vezes que eu deveria viajar para me desenvolver e conseguir melhores oportunidades, alguns locais inclusive perguntam na hora de mandar o famoso CV, se você tem experiência internacional, se viajou ou estudou no exterior, se conhece outros países, fala outras línguas, porque a multiculturalidade é essencial, e ela é mesmo.

Eu viajei, e cumpri alguns dos pré-requisitos de uma estudante de turismo. Viajar realmente amplia seus horizontes e te abre os olhos para novas possibilidades que talvez você não conseguisse enxergar enquanto fica somente sentado na sua bolha ou nesse caso, cidade. Mas viajar também me levou a ver, que apesar de todos os problemas e defeitos, São Paulo é o meu amor e primeira escolha como morada. Talvez algumas das pessoas que me conhecem duvidem, já que nos últimos anos eu passei cada vez menos tempo em Sampa (para os íntimos) e cada vez mais tempo indo buscar uma vida em outros países. Eu sou inquieta e isso me impulsiona a sempre querer sair e ver o que o mundo têm pra mim lá fora, o que não quer dizer que eu não saiba e aprecie o que essa cidade incrível reserva para a minha vida e para o meu futuro.

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Como guia de turismo, eu sempre tento passar um pouco do meu amor por SP para as pessoas que confiam a mim algumas de suas impressões durante a viagem. E é nesse ponto que eu posso dizer que, apesar do Brasil ser um país vencedor de diversos prêmios publicitários, nós em geral (não só o governo) somos péssimos em auto promoção.

Não muito tempo atrás em um coaching sobre carreiras e processo seletivo com profissionais internacionais eu os ouvi dizendo que nós, brasileiros, temos tendência a sempre focar nos pontos negativos da nossa personalidade primeiro (“me desculpe, mas eu… Não sei/não faço/não falo… muito bem”), ao invés de simplesmente ressaltar os pontos positivos e essa semana, durante um tour com um professor americano de planejamento de cidades, eu tive, novamente, a confirmação dessa ideia. Ele veio ao Brasil para dar algumas palestras no Rio de Janeiro e aproveitou para estender a passagem por Foz do Iguaçu e SP, apesar de estar contrariando a opinião de brasileiros conhecidos, que disseram à ele para não ir a São Paulo de jeito nenhum, pois lá não tem nada que valha a pena, afinal o melhor do Brasil está no Rio e no Nordeste.

E pasmem, ele amou o Brasil e a cidade preferida foi São Paulo (não o Rio de Janeiro, onde aliás ele passou mais tempo). Disse que não chegou a sentir a sensação de insegurança esperada, depois de tantas veiculações na mídia sobre a violência brasileira. Saiu no Rio de noite, andou de ônibus e metrô em SP, fez tours independentes em Foz, não pegou zika, dengue ou chikungunya e pretende voltar. Quem dera nós pudéssemos criar uma imagem e um lugar onde as pessoas sempre saiam assim… Querendo mais!

Marjorie

 

Sobre a abertura dos Jogos Olímpicos – Rio 2016

Em meio a uma enorme crise econômica. Diversos problemas de infraestrutura e sem Ministro do turismo, as expectativas do povo brasileiro para os jogos olímpicos do Rio de Janeiro não são tão boas.

No dia 5 de Agosto ocorreu no Estádio do Maracanã a abertura das olimpíadas Rio 2016, um momento muito aguardado devido ao medo da imagem que seria passada ao mundo neste dia. Muitos imaginavam que a apresentação se resumiria no clichê “praia, samba, mulher bonita e futebol”. Imagem que lutamos para mudar na última década, entretanto esta não foi a mensagem transmitida.

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Além de mostrar toda a cultura do Brasil, o evento foi repleto de inovações e ideias jamais vistas em toda a história dos jogos olímpicos, mostrando não apenas nossa cultura e a história olímpica, mas chamando a atenção para questões relacionadas ao meio ambiente, fazendo o mundo refletir sobre o aquecimento global e a importância de contribuirmos para o bem do planeta.

Todos os instantes do evento foram arrepiantes, mas alguns em especial merecem maior destaque. Os atletas participantes receberam uma semente que foi depositada em uma urna prateada, posteriormente estas serão plantadas em uma floresta que será nomeada “Floresta dos Atletas”, as sementes virarão árvores e ajudarão a combater o efeito estufa conforme a proposta do evento. Pela primeira vez na história dos jogos os competidores puderam deixar um legado à cidade sede, interagindo com aquela região de maneira efetiva.

Após a apresentação de todos os países, as urnas prateadas com as sementes dos atletas formaram os arcos olímpicos e se soltaram diversas folhas ao seu redor, formando assim um arco olímpico sustentável, mais uma vez, algo que nunca aconteceu anteriormente.

Para os amantes da aviação, com certeza foi uma grande emoção quando Santos Dumont sobrevoou o Maracanã com seu 14 bis, uma figura extremamente importante da nossa história que merecia realmente ser lembrada. Outro momento de grande comoção foi o último desfile efetivo da Modelo Gisele Bundchen, a top model que anunciou ter deixado as passarelas na ultima edição do SPFW nos fez uma bela surpresa desfilando pela ultima vez   ao som de Garota de Ipanema, deixando as linhas de Oscar Niemeyer por onde pisava.

Por fim, mas não menos importante, dois atletas exemplos de superação foram destaque  nesta data. Kip Keno foi o primeiro atleta da história a receber o prêmio Laurel Olímpico, troféu que homenageia atitudes belíssimas dos atletas fora da vida esportiva, o atleta queniano usa sua história para ajudar órfãos do seu país, os ajudando a superar todas as barreiras através do esporte. Outro marco de superação destacado no evento foi o ex-maratonista Vanderlei Cordeiro, atleta escolhido para acender a pira olímpica. Em 2004 Vanderlei foi abraçado por um expectador quando estava liderando a maratona olímpica na edição de Atenas, devido a este episódio, o atleta não conseguiu a medalha de ouro e ficou com o terceiro lugar da competição. Demonstrando maturidade, Vanderlei lidou de modo pacifico com a situação, mesmo chateado, aceitou o ocorrido e agiu com muita educação, mostrando o verdadeiro espírito esportivo; a escolha do mesmo para este momento tão importante do país foi muito bem feita, o atleta é um exemplo e representou muito bem nosso país.

Com todas estas ações satisfatórias e os comentários nas redes sociais pode se afirmar que a abertura dos jogos olímpicos foi um grande sucesso, entretanto, o medo em relação a problemas que podem surgir durante os demais dias do evento permanecem.

Mesmo com o medo do pior, com esta situação crítica do país que nos deixa extremamente pessimistas e receosos, uma chama de esperança surgiu no coração dos brasileiros que assistiram a abertura. Que assim continue, que todos os dias evento nos surpreendam ainda mais e sempre de maneira positiva, que o legado deste evento seja benéfico e nos ajude a enfrentar a situação complicada que nos encontramos.

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