INOVAÇÃO OU NOVIDADE MARKETEIRA?

É usual que as empresas de tecnologia busquem o desenvolvimento de novos produtos, de novos recursos e funcionalidades, inovar (buscar o novo) faz parte do negócio, apresentar sempre uma novidade, fruto do esforço de levar o usuário a fazer sempre mais e melhor, com menos trabalho e menor custo.

Mas o que é mesmo inovação?

Mudar um ícone de posição em um site, alterar o fluxo das telas de um aplicativo ou agregar um novo serviço a um sistema seriam inovações?

Conceitualmente sim, e não…

O termo “inovação” passou pela mesma via crucis de outras expressões que caíram no gosto do mercado, como “parceria”, “sustentabilidade” e, mais recentemente “empoderamento”, entre outras, que foram (e continuam sendo) muito utilizados para qualquer situação, pois soa bonito expressá-las para valorizar qualquer contexto, mas acabaram desgastadas, surradas mesmo, rotas de tanto uso.

Quando esta situação acontece (o enfraquecimento do valor de uma expressão), os especialistas buscam resgatar o seu valor semântico, em geral segmentando seus diversos significados, de forma a separar o trigo, do trigo.

As empresas de tecnologia buscam obstinadamente inovações em seus produtos

Daí surgiram inovação disruptiva, inovação processual, inovação incremental, inovação acessória, inovação paralela, inovação sei lá o quê…

Mesmo para empresas reconhecidamente identificadas como símbolos de inovação, casos da Apple, Google e Facebook, por exemplo, a busca obstinada por inovações (disruptivas, processuais, incrementais etc) leva a um certo esgarçamento do propósito original da companhia, mesmo que a criação de produtos inovadores seja um desses propósitos.

Basta analisar o histórico de empresas mais antigas que, no passado, também foram reconhecidas, durante muitos anos, como emblemas da inovação, casos da Ford e Shell no início do século passado, e da Microsoft e Amazon (para voltar ao segmento tecnologia) no final do século passado, e que surgiram a partir de uma inovação disruptiva que mudou a forma como a sociedade fazia alguma coisa e que, a partir daí, relançam frequentemente novas versões desta mesma inovação original e diversas outras inovações incrementais, acessórias, complementares ou paralelas.

Muitas empresas sucumbem na tentativa de ganhar mercado e, simultaneamente, investir em lançamento de novas ideias e produtos.

Apesar disso, Microsoft e Amazon continuam excepcionalmente bem valorizadas, focando de forma obstinada naquilo que realmente importa para a sobrevivência do negócio: resultado !

Portanto, equilibrar a busca obstinada por resultados com o investimento em P&D para lançamento de novos produtos, parecem ser mesmo estratégias inseparáveis para quem trabalha visando a perpetuidade do negócio.

Já lançar novos produtos (inovando e copiando), operar abaixo da margem, superdimensionar e insuflar a equipe, investir na “compra” de market share, na velha estratégia de “queimar lenha” dos investidores, mesmo sem ter fundamentos consistentes no projeto da empresa, uma estratégia ainda muito utilizada por quem visa passar o negócio adiante, tende a levar ao esgotamento do modelo e, mais cedo ou mais tarde, à morte da galinha dos ovos de ouro.

Também estamos cheios de exemplos, no segmento de tecnologia, em que a injeção contínua de capital, associada a novidades marketeiras, não foi suficiente para catapultar o negócio, tanto no passado (Orkut, MySpace, Starmedia, Second Life), quanto mais recentemente (Groupon, Snapchat etc), e mesmo no futuro (neste caso, só o tempo dirá)…

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Luís Vabo

Fundador e VP da Abracorp, VP da ABAV Nacional, fundador e presidente do​ Reserve e da Solid, sócio da MyView e do Ligaí, entusiasta da inovação, do empreendedorismo e da alta performance, além de adepto da vida saudável, corredor de rua, tenista amador e nadador eventual.

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