O porteiro, a Danuza e a cabala- Yud Yud Zayin

escola na franca

 

Há muito tempo li a Danuza dizendo que Paris já não era a mesma: Seu taxista era um chinês e não mais um francês fumando uma “Gitane” bem fedida. Ai que triste!!!

Foi ai que comecei a desconfiar que Danuza não entendia nada de Paris. Depois do polêmico artigo que escreveu na Folha sobre a cidade e o proletariado, fiquei muito feliz que ela tenha decidido ficar em casa lendo. Já que em Paris ela não aprendeu nada sobre a raça humana, igualdade e direitos, quem sabe se lendo em casa aprenderá. Enquanto isso eu ficarei em Paris, dando as boas vindas aos porteiros e qualquer outra pessoa que consiga pagar para vir até aqui…

O artigo da Danuza me interpelou de tal maneira que não pude deixar de pensar: essa mania de brasileiro de se achar o melhor povo do mundo tem que mudar! Sim somos simpáticos, sorridentes e informais, mas quantos são assim somente com pessoas da mesma classe ou de uma classe considerada superior a sua? Quando falamos com as pessoas que nos servem raramente somos solícitos, educados, finos como a Danuza e a classe que ela representa pensam que são.

Mas a Danuza tem razão, é melhor mesmo que o porteiro e sua classe não cheguem a Paris. Já imaginou se todos esses letreiros em todos os edifícios públicos dizendo “liberté, egalité et fraternité” dessem idéias francesas à esse povo? Já imaginou o proletariado brasileiro colocando a cabeça de pessoas que os discriminam em ancinhos para desfilar no Carnaval em uma versão tropical da Revolução? Ou pior ainda Danuza, já imaginou seu porteiro estralando os dedinhos para te chamar com toda a simpatia da classe alta ? Clac clac com os dedos: – Danuzinha deixei uns amigos subir lá no seu apartamento, você será a mais exclusiva das socialites e quem sabe ainda poderá aprender com eles umas coisinhas.

Em vista da antiga afirmação de que Paris havia mudado, há muito tempo queria dizer à Danuza que é justamente este traço que caracteriza Paris. Paris nunca foi a Paris que a Danuza viu. Ela pensou que Paris era aquela cidade que viu nos anos 70/80 e nunca soube que Paris dos parisis , não era Lutecia dos romanos, que  a Paris de Genoveva enterrou Lutécia , que Paris de Felipe o Belo não tinha nada a ver com Paris de Branca de Castilha, e o que dizer de Paris após a passagem do Barão de Haussman? Ah! O Louvre também mudou, tem uma pirâmide de vidro no meio do pátio já ha algum tempo.

Para aqueles que, como a Danuza, não virão a Paris visto que agora todo brasileiro rico ou pobre pode vir, fica aqui a minha dica de leitura:
72 nomes de Deus;
Yud Yud Zayin- Usando as boas palavras
Com este nome eu calo meu ego. Aperto o botão “mudo”. Agora peço para A Luz (divina) falar em meu nome, em todas as ocasiões, assim cada palavra elevará minha alma e toda minha existência.

Lamed Aleph Vav -A grande fuga
Este  NOME traz a melhor de todas as liberdades, escapo dos desejos construídos pelo meu ego,inclinações egoístas e o “eu primeiro” de minha mente que causa tristezas em minha vida. No seu lugar eu ganho os verdadeiros presentes de vida: amigos, família e realização.

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Silvia Helena

Após breves passagens pela Faculdade Metodista de São Bernardo e Belas Artes de São Paulo, aos 18 anos fui estudar no Canadá, onde vivi durante 23 anos. Lá me formei em História da Arte pela Universidade de Montréal, estudei turismo no Collège Lasalle de Montréal e no Institut de Tourisme et Hôtellerie du Québec. Comecei minha carreira na área trabalhando em Cuba. Durante os anos vividos no Canadá, entre outras coisas, fui guia de circuitos pela costa leste e abri minha primeira agência de receptivo para brasileiros. Há dez anos um vento forte bateu nas velas da minha vida me conduzindo até França. Atualmente escrevo de Paris, onde vivo e trabalho dirigindo a empresa de receptivo, a Holatour.

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