Férias com preços incríveis

Um ditado francês diz “Pour vivre heureux, vivons cachés”, o que significa: Para vivermos felizes, vivamos escondidos. Nós brasileiros somos um povo de caráter menos discreto, e por essa razão traduzimos a questão em: “As pessoas vêem as pingas que bebemos, mas não sabem dos tombos que levamos”.

Talvez por essa razão, e também porque não é o foco deste blog, não divido com freqüência detalhes sobre minhas férias. Fiz oito cruzeiros e muitas vezes quis compartilhar com vocês maiores detalhes sobre esse produto. Mas não o fiz. Pode parecer estranho, num momento onde todos querem compartilhar tudo. Porém, eu aprendi a duras penas que o francês tem razão. Eu tinha um cliente, por exemplo, que sonhava em visitar as Ilhas Gregas. Quando ele soube que eu estava visitando pela terceira vez esse destino, coisa que seu salario não parecia permitir, concluiu que eu era muito rica e espalhou pela empresa onde trabalhava que, como comerciante, meus preços eram caros demais.  Ah, se ele soubesse…

O que ele não sabia é que a Grécia oferece para o mercado europeu preços comparáveis aos de Porto Seguro no Brasil. Não sabia também que tenho bons “truques” para viajar pagando bem menos que os preços habituais.  Sendo assim,  excepcionalmente neste post, não falaremos de Paris, mas sim desses truques que me permitiram conhecer um pouco mais da Europa nestes últimos 13 anos.

  1. Lei da oferta e demanda: assim que o Concórdia da Costa virou, imaginei que os preços cairiam. E foi tiro e queda. Iniciei com minha família uma nova prática que perdura até hoje.

Porém, nestes últimos anos a Costa se restabeleceu. Quem se lembra do Concórdia hoje? Mas nem por isso queríamos (eu e família) abandonar a nova prática. Um cruzeiro pode parecer caro, mas vai divertir criança à base de sorvetes, crepes e restaurantes em qualquer lugar do mundo para ver como a “nota fica alta”. Então buscamos novas soluções.

  1. Lei da oferta e demanda n° 2 : a procura por destinos praianos é bastante baixa no inicio de abril e a partir de outubro. Europeus preferem visitar a Grécia e a Península Ibérica durante os meses de verão para aproveitar do sol e ambiente festivo. Eu visitei a Grécia sempre em momentos de baixa estação, sem multidões, sem praia, sem calor. A Noruega, destino caríssimo, eu visitei em Agosto. A maioria dos Europeus evitam temperaturas baixas ( 5 graus) neste momento. Não é possível pagar 1/3 do preço sem fazer algumas concessões.
  2. Abrir mão de planejamento antecipado: o conceito implica certo risco, mas constitui a única maneira de seguirmos navegando mares afora. Não decidimos nada, poucos dias antes da partida buscamos cabines não vendidas. Algumas vezes fomos obrigados a abrir mão da cabine externa, por falta de disponibilidade. Mas em contrapartida já chegamos a pagar 750 euros por uma cabine tripla, doze dias de viagem atraves da Espanha, Portugal, Marrocos e Itália. A cabine interna não é legal, mas a relação custo benefício…
  3. Férias escolares ( ou quase): durante as férias escolares  européias a procura de cruzeiros pelas pessoas de terceira idade diminui. O espaço que mais parece um asilo navegante durante grande parte do ano é invadido por famílias e crianças correndo para todos os lados. Como boa parte da clientela alemã não curte o ambiente deserta essas temporadas. Então os barcos durante esse momento se enchem de famílias. O que fazer? Cruzeiros que partem durante esse período, mas não coincidem exatamente com as datas das férias escolares, tem menor procura. O que significa que se você tem a coragem de fazer com que seus filhos se ausentem dois ou três dias na escola: Bingo! A lei da oferta e da demanda vem ao nosso socorro mais uma vez!

E para terminar  ( the last, but not the least) vou deixar o link do site onde nos inscrevemos para as vendas “flash” destas cabines não vendidas. Para você que está ai no Brasil pode ser difícil aplicar essas regras, mas quem sabe, uma operadora qualquer  goste da idéia e as instaure aí também!

Rive Gauche Voyages

Dicas complementares

Se estiver com crianças, cuidado com a sala de jogos. Antes os cartões das crianças eram bloqueados, mas há algum tempo deixaram de ser e podem causar surpresas.

Além do valor do cruzeiro, uma taxa de bordo de 10 euros por dia para os adultos e 5 euros para crianças se adicionará a fatura final.

Cuidado com o Costa Diadema: barco experimental onde o número de clientes aumentou, o número de tentações pagantes também e o de pessoas do staff diminuiu.  Assim alguns detalhes são um pouco negligenciados, como a limpeza habitual de alguns setores.

Alguns destinos visitados nestes anos.

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Férias: curiosidades do velho mundo

Pois é, como bem lembrou a última edição do Panrotas, quando os clientes estão de férias,  profissionais do turismo estão trabalhando.  Eu costumo brincar dizendo que ou trabalhamos servindo os clientes ou trabalhamos buscando novos clientes, o ciclo é ininterrupto. Brincadeira a parte, a verdade é que para nossa classe profissional “Férias” é coisa séria. Então, aproveitando o tema da última edição do Panrotas, vou compartilhar algumas curiosidades sobre o assunto aqui do velho mundo.

  • Na antiguidade Romanos ricos construíam em terras agrícolas casas secundárias chamadas de Villae onde faziam escapadas para fugir das primeiras grandes cidades por eles construídas.
  • As primeiras férias escolares foram, de fato, criadas pela igreja entorno de 1250 para que as crianças pudessem ajudar seus pais nas colheitas, a pausa era denominada “vendange” ou vindima, nome que subsiste até hoje para as colheitas de uvas na França.
  • Quanto aos adultos, desde a Idade Média, Reis e nobres mudavam de castelo em castelo levando seus pertences em busca de paz social e belas paisagens. Esses mesmos pertences, devido à mobilidade das Cortes passaram a ser chamados de mobília ou móveis.   Quanto aos menos abastados, poucos viajavam. Dentre os poucos viajantes, a peregrinação religiosa era a maior motivação.
  • Porém é no início do século XIX que a burguesia inglesa, nascida com a revolução industrial, começa a se ausentar das grandes cidades durante períodos de calor para fugir da poeira exalada pelas fábricas alimentadas a carvão e do desconforto causado pela mistura da poluição e calor. Aí, em 1841,  começa a história da primeira agencia de viagens, existente até hoje,  criada por Thomas Cook.

Férias , curiosidades Paris

  • Em 1855 Thomas Cook organizou e vendeu o primeiro circuito de viagens da história, o pacote incluía transporte, alojamento e refeições e tinha como destino  Bruxelas, Cologne, Heidelberg, Strasbourg e finalmente Paris para a visita da Exposição Universal de Paris daquele ano.  Em 1868 Thomas Cook inventou o primeiro voucher, entregue à participantes de um cruzeiro sobre o Rio Nilo. Como mencionado no parágrafo anterior, somente pessoas ricas podiam usufruir de tais regalias.

  • Graças as greves trabalhistas dos anos 1930, a classe trabalhadora ( e isso inclui agentes de viagens do século XXI)  também têm férias pagas.

  • A França concedeu férias pagas à sua população 6 anos após o Brasil, em junho de 1936. Hoje, os trabalhadores franceses desfrutam de cinco semanas de licença remunerada por ano. Número que classifica a França como 4° país em termo de dias de férias concedidos, juntamente com Portugal, Espanha e Suécia. Entre os mais generosos da Europa encontramos a Finlândia, (39 dias de férias pagas ao ano), a Áustria (38 dias) e a Grécia (38 dias).
  • As férias escolares francesas acontecem durante o verão, nos meses de julho e agosto. Outros periodos de 15 dias são concedidos em abril, outubro e dezembro.
  • A minha melhor dica para quem busca férias com bons preços é evitar as altas temporadas e férias locais. Porém a boa noticia é que esta dica não se aplica a Paris. Pois as férias em geral representam para o parisiense ( e porque não dizer o francês) a ocasião de visitar parentes, viajar dentro e fora da França, aventurar-se, mudar de ares ou simplesmente descansar. E, durante as férias de verão, o francês busca majoritariamente sol e praia.  Portanto, não é surpreendente ver um grande influxo da população parisiense e francesa à beira do Oceano Atlântico, no Mar Mediterrâneo ou no Mar do Norte.
  • Segundo estudos estatísticos, o francês que não têm uma casa de veraneio tem prazer em economizar, tanto em acomodação quanto em transporte. E para isso, a economia colaborativa tem se mostrado uma grande aliada das férias daqui. Airbnb para moradia, BlaBlaCar para transporte. Outro setor fértil e acessível para o verão: o camping.  57% dos franceses que optaram pelo camping afirmam ter feito a escolha devido à excelente relação custo-benefício.
  • E para terminar a lista de curiosidades, em setembro 2017, Paris dispunha de 86 725 ofertas Airbnb. 1 apartamento da cidade sobre 19 serve para locação. A oferta de alojamentos é ampla e os preços hoteleiros tendem a baixar. (Fica a dica)