Arquivo de maio de 2011

QUANTA INCOERÊNCIA…

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sou um mero observador e me considero apreciador das características do povo brasileiro, mas, em contraponto, também sou um crítico chato ao registrar suas incompreensíveis incoerências…

Numa lógica invertida de premiar a incompetência, somos o povo que valoriza o derrotado e execra o vencedor.

- Geralmente, torcemos para o mais fraco, para o lutador que está perdendo, não por pena dele, mas por desejarmos que consiga surpreender e inesperadamente vencer a luta, apenas pelo gosto de ver o melhor lutador derrotado.

- Discriminamos acintosamente os bem sucedidos. Rico no Brasil é visto como alguém que “recebeu alguma herança” ou “ganhou na loteria” ou, pior, “deve ter roubado”… Não vemos os bem sucedidos como exemplos a serem seguidos, pois partimos do pressuposto de que sua riqueza “não foi produzida, mas recebida de mão-beijada”.

- A predileção do brasileiro pelo perdedor e pelo demérito do vencedor é quase uma religião, ao ponto de homenagearmos o aniversário de enforcamento de Joaquim José da Silva Xavier, com um feriado, e ignorarmos solenemente o feito de Pedro Álvares Cabral, no dia seguinte, em que realizou a façanha de descobrir nosso país. Para desmerecer ainda mais a sua descoberta, nos divertimos com a ideia de que o fez por mero acaso, ou por estar “perdido no oceano”…

Somos o povo que deseja uma vida digna para todos, mas valorizamos o ócio e desmerecemos o trabalho.

- Diante do que deveria ser um fato corriqueiro e natural, dizemos: “Coitado do João, teve que trabalhar hoje”…, sem nos dar conta que, na realidade, coitados são os desempregados que sonham em ter a oportunidade do João.

- Alguns desocupados passam 3 meses de férias, dentro de uma confortável casa, sem fazer nada útil ou interessante e isso ainda atrai milhões de tele-espectadores, que assistem toda essa inércia, para transformá-los em “celebridades” instantâneas.

- Como eu já disse aqui antes, o Brasil é o único lugar do mundo onde se paga mais caro a um trabalhador para ele tirar férias, do que o valor que se paga para ele trabalhar. Com isso, enviamos ao inconsciente coletivo a informação: “Não trabalhar é 33,3% mais rentável do que trabalhar”.

Somos o povo que apoia ilegalidades, com a mesma naturalidade que cobra, dos outros, o cumprimento às leis.

- Piscamos os faróis para alertar os carros (que vem em sentido contrário), sobre uma fiscalização da polícia rodoviária, reduzindo assim a chance de um louco no volante ser impedido de seguir viagem.

- Utilizamos o twitter para nos avisar de blitz da Lei Seca e, assim, evitarmos a fiscalização que nós mesmos apoiamos, desde que pegue “outras pessoas”.

- Somos os cidadãos que recriminam a corrupção na política, mas que oferecem a “cervejinha” pro guarda de trânsito, para evitar uma multa.

Somos um povo que muitas vezes nega sua própria identidade, sem sequer perceber isso.

- Num país de lindas negras, morenas e mulatas, as mulheres brasileiras decidiram ser loiras com cabelos lisos e os salões de beleza conseguem nos transformar em um país quase nórdico…

- Somos o povo do anglicismo, preferimos falar “site” à sítio na internet, “deletar” soa mais compreensível do que apagar, “know-how”, “expert” e “network” têm mais aceitação e uso do que conhecimento, especialista e relacionamemto…

- Valorizamos a moeda estrangeira, gostamos do Dollar e adoramos o Euro, mesmo quando eles desvalorizam tanto e por tanto tempo, que o governo brasileiro tem que agir para evitar a supervalorização do poderoso Real.

Praticamos pequenos delitos, mas achamos um verdadeiro absurdo quando praticados pelos outros.

- Apesar de adorar uma fila, por considerar que “se tem fila, deve ser bom”, o brasileiro não perde uma oportunidade de furá-la. Quase como se fila fosse uma inteligente invenção da sociedade civilizada, para organizar a plebe (que são todos os outros), pois todo brasileiro se julga individualmente mais importante do que o todo.

- Falamos no celular como poucos no mundo, falamos muito, falamos alto, falamos em qualquer lugar. Não satisfeitos em incomodar e ignorar qualquer pessoa que esteja presente, tagarelamos no celular e no nextel em público, dentro do elevador, dentro do taxi e do ônibus, dirigindo o carro e durante reuniôes. Há até quem atenda o celular “rapidinho” dentro do cinema, do teatro ou do show, embora não admita este procedimento dos outros.

- Entramos no metrô e no elevador antes das pessoas saírem, bloqueamos as escadas e esteiras rolantes impedindo a passagem de quem está com mais pressa e sempre temos um forte argumento pra isso: “as pessoas demoram muito a sair do metrô” ou “a escada rolante é que tem que andar”.

Somos mal-educados no trânsito e apesar de reconhecermos essa incivilidade, nada fazemos para mudar.

- Exigimos respeito à faixa de pedestre, mas somente quando nós é que vamos atravessá-la.

- Furamos o sinal (farol ou semáforo) de trânsito, quando “estamos com pressa”, mas não o fazemos, mesmo com pressa, se houver um guarda de trânsito nas prpximidades.

- Fechamos o cruzamento, para ganhar apenas 2 minutos, apesar de atrasar 20 minutos o trajeto de tantos outros, mesmo que essa atitude nos aborreça tanto, quando estamos entre os motoristas prejudicados.

Para que não digam que acordei muito pessimista hoje (adianto que é verdade), postarei em breve sobre as virtudes deste mesmo povo, apesar dessas e de muitas outras incoerências em seu comportamento.

O fato é que a origem histórica deste tipo de procedimento, já bastante estudado por sociológos de todas as correntes ideológicas, acabou por gerar, em nosso país, esta cultura da absoluta priorização do indivíduo, que prevalece sempre acima do bem comum.

Mas isto é conversa para outro texto…

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QUANTO CUSTA O SERVIÇO DA SUA AGÊNCIA?

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O assunto está na ordem do dia, nas agências de gestão de viagens corporativas e nas empresas consumidoras de viagens: qual o preço “razoável” do serviço da agência?

Numa época em que as comissões das cias. aéreas estão caindo como dominós, o “transaction fee” tende a ser a forma de remuneração dominante para os agentes corporativos.

Apesar disso, a “briga de foice no escuro” continua, ou seja, a concorrência cada vez mais agressiva entre as grandes agências está gerando situações inimagináveis, como “fee” de R$ 0,01 (sim, transaction fee de 1 centavo)…!?

O alegado argumento de que esse tipo de procedimento comercial da agência significa 1) postura autofágica, 2) concorrência desleal, 3) prostituição do mercado ou 4) falta de ética, não resiste a uma análise um pouco mais desapaixonada do processo.

1) Nenhum empresário, em sã consciência, cobraria um valor inexequível por seu serviço. Se cobra R$ 0,01 por transação, sua remuneração há de ter outra origem.

2) Não existe “concorrência desleal”. Concorrência nada tem a ver com lealdade, pois são conceitos conflitantes. Ou concorre ou é leal. A prática de ambos, ao mesmo tempo, traduz-se em cartelização.

3) Cobrar um valor extremamente barato por um serviço, costuma ser confundido, de forma jocosa, com o ato de bagunçar (ou “prostituir”) o mercado. Na realidade, a prática de preços baixos é uma constante nas economias de mercado.

4) Comportamento ético na precificação de um produto é cobrar (pelo lado da agência) e pagar (pelo lado do cliente) um valor justo pelo serviço prestado. Entenda-se por justo o valor que ambos negociarem livremente, num ambiente de livre concorrência e transparência de informações comerciais, leia-se com regras claras sobre a mesa.

Numa indústria em que a criatividade comercial é virtualmente infinita e todos os “players” estão buscando maximizar a rentabidade de seu negócio, comissões (ainda existem), RAVs, RACs e transaction fees recebem a companhia de “over-commissions”, incentivos por segmentos, “up fronts” e outras formas de remuneração.

O fato é que os especialistas em “procurement”, compradores das empresas clientes, em sua busca incessante por preços (fees) reduzidos, acabam por estimular novas formas de remuneração, que apesar de fazer o negócio andar, acirra a cada vez mais feroz disputa pelo mercado de gestão de viagens.

Como, após a internet, não existe mais desinformado no mercado, este procedimento aproxima-se do velho “me engana que eu gosto”, ou alguém acha que é possível trabalhar de graça?

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TALENTO NACIONAL

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ano passado, escrevi sobre um profissional de nosso mercado de viagens e turismo, o Tony da TAM, descrevendo-o como uma das poucas unanimidades de nosso setor.

Hoje escrevo sobre outra unanimidade que, com seu estilo próprio, destaca-se em uma cia. aérea europeia, ocupando com talento e maestria, cargo diretivo cuja importante missão é gerar máxima ocupação dos assentos em seus voos internacionais.

Poucas coisas me deixam tão orgulhoso de ser brasileiro, quanto o sucesso de pessoas, instituições e empresas genuinamente nacionais, em especial quando este sucesso acontece no mercado ou em ambiente internacional.

Conhecemos a diretora de vendas Brasil da Air France, Adriana Cavalcanti, há muitos anos e, mesmo de longe, nós no Rio e ela em São Paulo, acompanhamos a evolução de sua carreira como quem se importa com o sucesso de um amigo.

Sempre autêntica e gentil com todos, é um caso raro de profissional competente que diz sim ou não com a mesma doçura, sempre com uma postura franca que torna fácil a aceitação de seus argumentos.

Na linda festa italiana para comemorar o retorno do voo Roma/Rio, no bairro carioca de Santa Tereza, semana passada, Adriana mostrou uma vez mais seu carisma no relacionamento com o trade, também do Rio de Janeiro, atuando com elegância e discrição no evento da parceira Alitalia.

Bacana assistir a ascensão de um executivo brasileiro em uma multinacional em nosso mercado e perceber que o sucesso de seu trabalho colabora para o resultado da cia. que dirige.

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FARRA DAS PASSAGENS AÉREAS FAZ 2 ANOS E NADA MUDOU…

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Acompanhei com muita atenção o escândalo das passagens aéreas no Congresso Nacional, deflagrado há 2 anos atrás, em maio de 2009.

Desde então, venho pesquisando as iniciativas do Poder Legislativo no sentido de, efetivamente, adotar mecanismos de controle que impeçam a repetição do uso indiscriminado de bilhetes aéreos (pagos pelos cofres públicos) pelos deputados, senadores, assessores, familiares, amigos, terceiros e quartos, como amplamente noticiado à época.

Como a memória popular somente funciona quando impulsionada pela imprensa, tenho me imposto a tarefa quixotesca de relembrar o episódio, todo mês de maio, inserindo o caso em palestras, artigos, pauta de reuniões e aqui no Blog Panrotas.

Por isso, uma vez mais, peço licença aos leitores para reproduzir artigo que assinei, publicado no Jornal do Brasil e Correio Brasiliense naquele ano, sobre este espinhoso tema, até hoje não resolvido e que permanece atual:

Quem paga, controla

O descontrole na compra de passagens aéreas pelos deputados e senadores é incompreensível para especialistas em gestão de viagens corporativas. Explica-se: a indústria de viagens e turismo é, senão a maior, uma das três maiores no mundo, com contribuição prevista de U$ 5,5 trilhões ou 9,4% do PIB mundial. E no Brasil, em 2008, as viagens a trabalho – exatamente como as que deveriam ser as dos deputados e senadores – movimentaram R$ 33 bilhões, gerando 254 mil empregos (IEVC-USP). Uma soma tão vultosa poderia abdicar de controle? A resposta é óbvia.

Estamos concluindo a primeira década do século XXI e a Tecnologia da Informação tomou definitivamente a frente na administração de negócios das grandes empresas. É o que deveria estar fazendo o Estado, em todos os seus níveis. Não é preciso ser um especialista para entender que um processo de aquisição de passagens que envolva milhares de compradores, centenas de fornecedores e um único pagante – sendo, nesse caso, a população brasileira o “único pagante” – só pode ser controlado de forma eficaz por intermédio de processos informatizados.

Em todo o mundo, empresas de grande e médio porte utilizam sistemas de controle de gastos dos funcionários, e não agem diferente quando o assunto é a viagem a negócios. Cabe a um sistema o papel de fiscalizar e, ao mesmo tempo, doutrinar os compradores. Os instrumentos tecnológicos são capazes de auxiliar os funcionários nas funções de compra e busca pelo menor preço, num contexto geral que traz bons resultados a toda organização.

Fiscalização em tempo real, com foco na prevenção e na orientação. O controle, antes realizado apenas pelo olho de um gerente, hoje é disseminado para todo corpo funcional, também usuário da tecnologia. Como os procedimentos ficam registrados num banco de dados, que, por sua vez, geram relatórios constantes, as corporações têm a certeza de que todos seguirão as normas. Empresas nacionais já desenvolvem e até exportam tecnologia para gestão de viagens corporativas. Multinacionais em operação no Brasil confiam e se utilizam da tecnologia brasileira há alguns anos, desfrutando aqui de sistemas parametrizados para a realidade do nosso mercado.

Os governos de Minas Gerais e do Ceará, além de alguns órgãos públicos federais (Ministério da Saúde, STF, Anvisa, TCU, entre outros) deram o exemplo. Dispensaram a figura do gerente único, controlador – ou em alguns casos, emperrador de sistemas. Com ajuda da internet, estimularam a gestão participativa e co-responsável, onde cada servidor tem a obrigação de zelar pelo dinheiro público. O próprio servidor público desses estados pode fazer a sua reserva aérea. Porém, o sistema de gestão de viagens o obriga a utilizar a tarifa promocional mais vantajosa. O administrador público também fica seguro, posto que somente servidores do órgão podem ser solicitantes de serviços de viagens, e  somente pessoas previamente cadastradas podem ser passageiros ou hóspedes. Nesse ambiente, os autorizadores de viagens, pré-definidos, são requisitados de forma automática a analisar e autorizar os casos que fugirem à política de viagens do órgão público.

Em cenário de negócios instável, como o atual, o corte de viagens parece ser uma atitude razoável das pessoas. No entanto, posicionamento oposto é exigido de empresas e  governos, pois precisam investir na busca de novas soluções. Os efeitos colaterais gerados pelo atual momento do sistema financeiro mundial poderão permanecer por um longo período e, durante o processo de recuperação da economia, a tecnologia será a principal ferramenta daqueles que souberem transformar ameaças em oportunidade para redução de custos.

Se considerarmos possível um controle de viagens não só do Senado e do Congresso, como também das idas e vindas de prefeitos e vereadores de todo país, somados aos servidores estaduais e municipais que transitam pelo país e exterior, chegaremos a um total de economia significativo, estimado em 30%. É dinheiro que pode ser revertido para investimentos em infraestrutura básica, beneficiando a população que sequer tem a oportunidade de entrar em um avião.

A inteligente decisão da automação do processo eleitoral brasileiro, que nos elevou à singular posição de liderança mundial em tecnologia eleitoral e praticamente acabou com as fraudes, é o melhor exemplo de como deveria agir o setor público também na questão dos gastos, que tanto tem indignado o país. A garantia da aplicação do menor preço, com o cumprimento das regras estabelecidas pela administração pública, só pode se dar com sistemas tecnológicos eficientes, hoje muito bem testados.

Quem paga, deve controlar o que está pagando. Esta regra simples deve também nortear a gestão das viagens dos órgãos e empresas públicas, como já o fazem há mais tempo as empresas privadas.

PARCERIAS, AQUISIÇÕES, FUSÕES E CONFUSÕES…

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Em todo o mundo, em países com economia de mercado, empresas concorrentes tendem a competir, num processo natural de disputa por espaço, clientes e faturamento, ou a unir-se, com objetivo de ficarem mais fortes para enfrentar os demais concorrentes, abreviar seu plano de crescimento ou tomar um atalho para novos mercados.

No segundo caso, os objetivos legítimos de uma união de empresas podem ser buscados através de variadas estratégias, como fusão, aquisição ou simples parceria, entre outras, todas com variadas formas de implementação.

Como a internet vem mudando a forma de se fazer negócios na quase totalidade das atividades econômicas, incluindo o turismo, o mercado fonográfico e a telefonia, não surpreendeu o interesse e a forma encontrada pela Microsoft para entrar de vez (e com força) no mercado de transmissão de voz e imagens pela web.

A aquisição do Skype pela bagatela de USD 8,5 bilhões, aproximadamente o dobro do valor da empresa segundo avaliação de outras cias. interessadas, entre elas o concorrente Google, mostra o potencial da união (neste caso por aquisição) de duas grandes empresas.

Da mesma forma, a parceria da Microsoft com a Nokia demonstra que, independentemente da forma como as empresas unem suas operações, elas tendem a se tornar mais fortes juntas do que a soma de suas forças individuais.

Não é a toa que, num ambiente de acelerado crescimento econômico como o que vivemos hoje no Brasil, a união do esforço entre diferentes empresas (seja por fusão, aquisição ou parceria) vem ocorrendo de forma sistemática, em todos os segmentos econômicos.

No exterior, Delta/United/Continental, Air France/KLM/Alitalia e British Airways/Iberia são exemplos que reforçam o conceito da união entre empresas (por fusão, aquisição ou parceria) que já vem acontecendo no mercado de viagens e turismo.

No Brasil, Gol/Varig, Lan/TAM e Bristol/PlazaInn/Solare são alguns dos exemplos de que esta clara tendência também se manifesta por aqui, entre cias. aéreas, redes hoteleiras e outros fornecedores de turismo.

Embora por vezes pareça mais uma confusão entre empresas, penso que este movimento, no mercado de viagens e turismo brasileiro, está apenas começando…

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LIBERDADE DE EXPRESSÃO

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Existem variadas vertentes para a palavra liberdade, todas tão importantes quanto seu conceito fundamental e todas confundem seu significado com o sentido de “ter direito a alguma coisa”.

Liberdade política, liberdade de associação, liberdade de ir e vir, liberdade de pensamento, liberdade de escolha, liberdade de imprensa, liberdade de expressão, liberdade…

Numa democracia, em pleno estado de direito, essas e outras liberdades são garantidas pela constituição, mas principalmente, são garantidas, preservadas, defendidas e praticadas por toda a sociedade.

Penso que o sentimento e a prática da liberdade por um determinado povo corresponde ao seu nível de evolução como grupo social, apesar que, não raro, países tidos como desenvolvidos apresentem variadas nuances de falta de liberdade…

A liberdade de expressão, apesar de mais ampla que a liberdade de imprensa, também deve ser precedida de ética e respeito ao próximo, pois por vivermos em sociedade, a liberdade de um não pode e não deve coibir a liberdade do outro.

Mas também deve ser acompanhada de responsabilidade e, por isso, eu só respeito uma manifestação de opinião, por qualquer meio, se tiver autoria conhecida (assinada, quando por escrito), independentemente de seu teor.

Faço toda essa preleção para louvar o advento dos blogs, não somente os do Panrotas, mas o recurso através do qual as pessoas podem se manifestar de forma organizada ou não, frequente ou nem tanto, tematizada ou generalista, profissional ou pessoal, sendo um jornalista ou não, para tantas pessoas quanto a internet permitir acessar.

Diferentemente do twitter (sei que aqui muitos discordarão), a leitura ou participação com comentários nos blogs independe de você “seguir” alguém e ocorre de forma espontânea, por curiosidade ou interesse no tema ou no autor, de quem se discorda ou concorda, mas cuja leitura deve acrescentar alguma coisa, para que valha a pena o tempo dispendido ali.

Tenho encontrado muitas pessoas do trade que me dizem que acompanham e gostam de ler o Blog Distribuindo Viagens e que, muitas vezes, pensam em postar um comentário, mas acabam não fazendo.

Outras dizem que lêem todos os posts, mas não comentam, “devido à minha posição aqui na empresa, que impede minha manifestação pública”…

Por isso, pretendo lançar uma campanha aqui no Blog Distribuindo Viagens:

“Transforme um leitor em comentarista e ganhe uma resposta exclusiva do blogueiro !”

Seu comentário, seja sobre nosso mercado de viagens e turismo ou qualquer outro assunto, pode ser contra, à favor ou muito pelo contrário, porque afinal, a expressão é livre e ninguém é dono da verdade, das palavras ou do mercado.

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TOP TAM: O TURISMO PRECISA DO AGENTE DE VIAGENS

segunda-feira, 9 de maio de 2011

E tem gente que ainda pensa o contrário.

Há os que pensam que basta montar uma cia. aérea e um site de venda direta ao passageiro para reduzir o que chamam “custo de comercialização”.

E também os que imaginam que se um maga resort contiver toda aquela infraestrutura de lazer, uma boa assessoria de imprensa e plano de marketing, possa abrir mão dessa força única de vendas que é o agente de viagens.

O Top TAM Regional Sudeste, dia 06/05, no Iberostar Praia do Forte, reconfirmou o que todos sabíamos: o turismo precisa do agente de viagens.

1/3 das vendas da TAM de toda Região Sudeste (seguramente a que mais vende a cia. aérea no Brasil) passa pelas 62 agências que foram agraciadas com o Top TAM Regional nesta 6a. feira, sendo os outros 2/3 vendidos pelas Top TAM Nacional e demais agências da região.

Não é por acaso que o Klaus sente-se cada vez mais à vontade entre os agentes de viagens, circulando com desenvoltura entre os principais distribuidores do produto da cia. que dirige e atuando com autenticidade no palco, junto com sua equipe.

Uma festa bonita, oferecida por uma grande empresa para os parceiros de sua cadeia capilar de vendas, em que o relacionamento teve destaque como sua principal estratégia comercial.

Ao conhecer o Iberostar Praia do Forte, tentando encontrar o apartamento por seus intermináveis corredores (verdadeiro labirinto da arquitetura do turismo de massa), caminhar pelos acessos à praia, piscinas, restaurantes, lojas e áreas de lazer (sim, tudo no plural), presenciar o entra-e-sai ininterrupto de hóspedes de lazer e de eventos numa estrutura gigantesca, fica evidente uma vez mais, que este e outros empreendimentos somente são economicamente viáveis graças aos agentes de viagens, sem os quais seria impossível lotar (sim, estava lotado) o resort ou sequer ocupá-lo minimamente.

Alguns dirão que a internet permitiu que a cia. aérea e o hotel vendam diretamente ao cliente final.

Mas eu pergunto: e daí?

Afinal, é a mesma internet que tem permitido que os agentes de viagens vendam cada vez mais e com mais produtividade, através de seus portais, ao cliente final, seja viagem de turismo ou corporativa.

Também a internet permitiu que os principais fornecedores (cias. aéreas e grandes resorts entre eles) desenvolvessem canais privilegiados de reservas e vendas com seus principais revendedores, os agentes de viagens.

Tudo normal, dentro do esperado, seguindo a evolução do mercado, do progresso tecnológico e do crescimento da população economicamente ativa, com seu correspondente incremento da demanda, que exige novos serviços, novas soluções de distribuição e renovados agentes de viagens, para atender um novo consumidor.

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ESPECULAÇÕES SOBRE AS PROMESSAS DE MAIO

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Muita novidade está prometida para ser anunciada em maio, mas maio chegou, avançamos rapidamente para a metade do mês e as novidades não chegam…

Como eu não sei de nada, não sou editor-chefe e não tenho compromisso com a notícia, mas com minhas opiniões, não poderia abordar assuntos que não conheço e que, portanto, não são fatos…, a menos que seja por pura especulação, com o objetivo simplesmente de tentar adivinhar o futuro.

Por isso, estampei no título “ESPECULAÇÕES…”, para que saibam que este texto não trata de informação privilegiada, “insight” ou dica, mas de descalibrados “chutes”…

Clonei algumas frases do post MAIO PROMETE !!!, do Artur (sim, estou perigosamente perseguindo nosso chefe) e comento/chuto abaixo:

“Vem aí um novo site, que promete sacudir o mercado….”
- Virão aí muitos novos sites, entre os quais vários sacudirão o mercado, alguns devido à marca e força econômica que já trazem de suas operações no exterior ou no mercado tradicional brasileiro, outros devido ao barateamento da tecnologia que permite que pequenos e médios empresários, do turismo e fora dele, possam enveredar, de forma bem sucedida, pelo mundo digital.

“Vem aí uma nova empresa de tecnologia (alô, Vabo… olha mais uma pro comitê duplo)…”
- Será muito bem-vinda, tanto ao mercado, para estimular a inovação e a concorrência, quanto ao CTI-AA (Comitê de Tecnologia e Inovação da Abgev Abracorp), bastando tão somente o cumprimento dos estatutos dessas associações e do regimento interno do comitê.

“Vem aí uma associação entre uma grande operadora e uma grande consolidadora…”
- Essa vou chutar. Uma trem grande clientela fidelizada como operadora hoteleira, além do desejo de invadir o mercado de consolidação aérea. A outra é rexferência de mercado, tradicional e forte em São Paulo, mas pouca penetração no interior e em outros estados. Pode dar certo e desejo sucesso.

“Vem aí a abertura de mais filiais de outra consolidadora…”
- Isso não é novidade de maio, pois está acontecendo em todos os meses. Reflexo do superaquecimento econômico brasileiro e da estratégia de distribuição (e concessão de crédito) das cias. aéreas, nacionais e internacionais.

“Vem aí a contratação de nomes de peso por outra operadora…”
- Considerando a carência de recursos humanos em todos os níveis, em especial de talentos com experiência, executivos de peso saem das empresas e são imediatamente absorvidos por outras, concorrentes ou não da anterior. Entende-se como nome de peso, aquele que vale efetivamente o quanto pesa (o nome).

“Vem aí os planos dos ex-Gol…”
- Conforme descrito acima, Fábio já está na concorrência e Érico, se não seguir caminho parecido, deverá tonar-se empresário.

No mais, é aguardar o restante do mês e confirmar se as novidades de maio serão tão impactantes assim, ou se maio acontecerá mesmo em junho, julho ou até o fim do ano.

Bom fds a todos.

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O TURISMO É DIVIDIDO, FRAGMENT, DESUNIDO E REPLETO DE VAIDADES

terça-feira, 3 de maio de 2011

Foi com esta frase direta, seca e dura que o Artur comentou, embora tardiamente, o meu post anterior – Mais uma entidade no trade ??? – sobre a iniciativa de ABGEV e ABRACORP unirem seus Comitês de Tecnologia e Inovação em um único comitê.

Após lembrar e repetir que “NENHUMA (o caps lock é dele) entidade brasileira de turismo representa 100% a classe que diz ou julga representar”, Artur segue louvando os consolidadores porque “são unidos (ao menos os maiores), são um grupo informal, e deixam as entidades pagarem mico com seu “poder”…”

Não pretendo polemizar com nosso editor chefe (não sou louco) sobre sua curiosa abordagem: um grupo informal ser mais unido e ainda deixar as entidades pagarem mico…

Mas não vou ficar em cima do muro e, por isso, pergunto: qual entidade brasileira de qualquer segmento econômico efetivamente representa 100% a sua classe?

As entidades são constituídas de associados, reunidos sob a égide de um estatuto, que escolhem, através do voto, líderes entre seus pares, para representá-los perante o mercado e a sociedade, tudo em respeito à lei e em benefício do aprimoramento da prática democrática.

Então, onde exatamente estão os problemas levantados pelo Artur? Nos associados, nos estatutos ou nos líderes? Ou os problemas estarão no mercado ou na própria sociedade? Ou ainda, nas leis ou na prática democrática?

E o que um grupo informal unido pode representar a não ser o interesse de seus próprios integrantes?

Tudo normal, dentro do espírito democrático, pois ambas são formas legítimas de associação (a organizada como entidade e a informal com interesses afins).

Mas será mesmo um grupo informal mais forte ou unido do que nossas ABAV, ABRACORP, ABGEV, AVIESP, BRAZTOA, entre outras?

Penso que a multiplicidade de entidades reflete uma tendência democrática da sociedade brasileira, repleta também de partidos políticos e sindicatos, ora com matizes bastante diversificadas, ora com tênues diferenças…

Não estou seguro de que uma única entidade significaria mais força e representatividade ou se concentraria demasiado poder associativo, ao mesmo tempo em que percebo que a multiplicidade de entidades nada mais é do que a oportunidade de especialização, da segmentação da prática associativa.

Portanto, penso diferente do Artur, democraticamente.

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