Arquivo de agosto de 2011

SERVIÇOS, HOTELARIA E FREE WIFI

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fiz algumas anotações sobre o que observei em Denver, como o ônibus turístico grátis em Downtown e o fato do taxista enaltecer a cidade, sua limpeza, segurança e qualidade de vida, como estratégias interessantes de promoção turística.

Como a Janine é a especialista no assunto (eu não sou), não me aprofundo na análise de prós e contras ou do custo x benefício de iniciativas simplistas como essas, mas que pareceram-me eficazes, como turista naquela cidade.

Mas nada se comparou ao Free WiFi nas ruas de Denver, como estratégia de oferecer informação ao visitante.

Como bem ressaltou o Marcelo Cohen, no Blog Viagens Corporativas, estar numa cidade no exterior e depender de “roaming” internacional, com qualidade sofrível e tarifas absurdas, para acessar endereços, locais, informações etc, torna-se um dificultador para o deslocamento (=consumo) do viajante, turista ou não.

O curioso é que tínhamos “free internet” na calçada e, ao entrarmos no lobby do castigado Sheraton Denver Downtown, o acesso só era possível com a cobrança do hotel…!

Um passo pra fora = free WiFi, um passo pra dentro do estabelecimento para o qual estava sendo paga a diária de USD 250,00, absurda em relação à (falta de) qualidade que o hotel oferecia = USD 15,00 por dia de acesso.

Incrível como os hotéis, no Brasil e no exterior, ainda cobram o acesso à internet. Ok, muitos oferecem embutido na diária, mas exclusivamente para hóspedes.

Quando o Starbuck’s lançou o serviço Free WiFi em todas as lojas, para todos os que se aproximassem delas, muitos acharam loucura oferecer um serviço para um “não consumidor”…

Hoje, quando um turista ou o próprio residente da cidade deseja acessar a web sem custo, o Starbuck’s é o primeiro lugar que vem à cabeça e, já que está por ali, por que não um café pra acompanhar?

Muitos associam o serviço de acesso a internet como o serviço telefônico, que apesar de barato, é cobrado por todos os hotéis, quando na verdade o acesso à internet, em breve, será como energia elétrica e água potável.

Uma loja ou hotel não cobra a luz usada na recepção por quem não se hospeda ou mesmo a água utilizada nos banheiros das áreas comuns…

Estou pedindo muito? Talvez…, mas não custa tentar.

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VEGAS: “LOVE” NÃO É CIRCO

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Já que estávamos em Denver para o GBTA Convention, na semana passada, resolvemos dar uma rápida esticada em Las Vegas, no fim de semana.

Por que Las Vegas?

Afinal é a cidade mais cenográfica, “fake”, perdulária e sem identidade do mundo (mas que não está nem aí pra isso) e, pela alta ocupação hoteleira, consumidores do mundo inteiro adoram a overdose de luxo, o limite da cafonice e do consumo sem culpa que Vegas oferece.

Em Denver, nossa delegação latinoamericana, liderada pela ALAGEV, foi calorosamente acolhida pelo Las Vegas Tourism Office durante um “brunch” dedicado ao grupo e, segundo a apresentação de seu diretor de marketing, Las Vegas tinha muitas novidades em relação à última vez que lá estivemos, há uns 5 anos.

A Heloisa também nos recomendou muito o show “Love”, do Cirque du Soleil, qualificando-o como um espetáculo incrível, no qual ela se emocionou em diversos momentos.

Nada mal para um conjunto de músicos que encerrou a carreira há 40 anos, influenciou gerações e continua a encantar as pessoas em todo o mundo, segundo 3 tipos de referências musicais e comportamentais:

1 – Existem pessoas que ouviram falar deles, mas mal conhecem suas músicas e os tem apenas como referência histórica.

2 – Também tem quem conhece suas músicas, mas não foi influenciado por elas (ou acha que não foi).

3 – E, por fim, há aqueles que tiveram suas vidas influenciadas, de alguma forma, por suas músicas e atitudes.

Acho que estou no tipo 3, ao ponto de conhecer de memória a letra de algumas de suas músicas, em especial as que foram tocadas na cerimônia de meu casamento, em 1982: “Yesterday”, “Hey Jude” e “Let It Be”.

Assistimos “Love” na 5a. feira, 25/07, no “The Mirage” e confirmo passagens realmente emocionantes, para quem teve essa relação sentimental com o conjunto de Liverpool.

As soluções cenográficas do Cirque du Soleil são sempre espetaculares, como nos shows “Kà“, “Mystère”, “O” e “Alegría” (os que eu já havia assistido), mas no caso de “Love”, não sei se devido justamente às tais “referências sentimentais”, achei espetaculares o figurino e o cenário, além do teatro em si, especialmente construído para este show.

As poltronas com caixas de som stereo individuais, o palco dinâmico, a luz perfeita, a infraestrutura, etc, tudo compactua para o mega sucesso de “Love”, cujas músicas foram resmasterizadas, com consultoria pessoal dos Beatles vivos (casos de Paul e Ringo) e dos herdeiros de John e George.

“Lucy in The Sky” voando sobre nossas cabeças, “Help” tocada em volume altíssimo, com esportistas evoluindo com patins em rampas radicais, “Yesterday” ambientando lembranças pessoais dos 4 cantores, “Sgt. Pepper’s” como pano de fundo para o “le parkour” da polícia londrina perseguindo jovens adeptos do “paz e amor”, entre outras (Strawberry Fields Forever, Back in the USSR, While My Guitar Gently Weeps, Penny Lane, All You Need is Love etc etc), numa sucessão frenética de verdadeiros hinos musicais produzidos ao longo de toda a carreira dos Beatles…

Ocorre que o espetáculo “Love” foge do lugar comum dos shows do Cirque du Soleil, justamente por aproximar-se mais de um grande musical da Broadway do que das estripulias típicas do picadeiro, geralmente relacionadas tão somente com a distração, o susto e o riso.

Quem tiver a chance de assistir, não deve desperdiçá-la, pois trata-se do show que levou o Cirque du Soleil a reaproximar-se do público a partir de coreografias típicas dos melhores dançarinos, mais do que de trapezistas, palhaços, malabaristas e afins, que também estão lá…

A Helô estava certa, mas fique tranquilo que o que comentei aqui não chega perto das surpresas e da emoção que “Love” pode causar, também a você.

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PREÇOS, TENDÊNCIAS E CULTURA LOCAL

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

No 3o. dia do GBTA Convention, eu havia me programado para assistir “TA8 – Mobile Technology in a Managed Travel Program”, às 10:30h, mas decidi, na última hora, mudar para

–> TA16 – Global TMC and Online Booking Tool Pricing Trends

Solange Vabo manteve-se firme no propósito de assistir todas as sessões relacionadas à plataforma mobile (foram 3 nesta edição do GBTA Convention), junto com o Walter Staeblein, nosso gerente de desenvolvimento.

Will Tate, VP da Management Alternatives, estava sozinho no palco e todo painel com somente um palestrante, sem debatedores ou moderador, me passa uma impressão inicial de tratar-se de:

1 – Um verdadeiro especialista no tema, que fará uma palestra técnica, mas pouco estimulante, ou 

2 – Um generalista, que se destacará pela capacidade de comunicação, no estilo marketeiro de palestrar, articulado, dinâmico e espirituoso.

Will Tate tinha um pouco dos dois estilos, me parecendo mais técnico, porém esforçando-se em implementar as técnicas de oratória que aprendeu com sua própria experiência de palestrante.

Iniciou mostrando o cenário de precificação dos menores e maiores “transaction fees” cobrados por AGVs (Agência de Gestão de Viagens) em todo o mundo, em relação às formas de atendimento:

OS MENORES FEES DO MUNDO:

- Atendimento por Telefone:
INDIA
2010: USD 5,61
2011: USD 5,72

- Parcial Online (Touched):
ARGENTINA
2010: USD 5,32
2011: USD 5,81

- Full Online (Touchless):
ARGENTINA
2010: USD 2,92
2011: USD 2,96

OS MAIORES FEES DO MUNDO

- Atendimento por Telefone:
CINGAPURA
2010: USD 65,00
2011: USD 67,80

- Parcial Online (Touched) e Full Online (Touchless):
CINGAPURA
2010: USD 43,50
2011: USD 47,80

Após a surpresa inicial, pelas diferenças tão grandes de preços (ouvi agente de viagens brasileiro interessado em abrir filial em Cingapura), David apresentou o que apurou como tendências dos compradores e das agências de viagens corporativas, nos últimos 2 anos:

AUMENTARAM

- As renegociações para evitar novos BIDs

- O uso de sistemas de auto-reserva (self-booking tools) em AGVs

- A agregação de novos países em contratos existentes

- Os serviços de consultoria

DIMINUIRAM

- O tempo de atendimento

- A paciência para serviços de má qualidade

- Os postos de serviço

- Os Call Centers regionais

Will parecia uma usina de informações sobre as tendências mundiais em gestão de viagens corporativas e seguiu surpreendendo a plateia, com os aumentos nos “transaction fees” em 2011, comparativamente com o ano anterior:

AUMENTO DE PREÇOS ( FEE) 2011 x 2010

EUA
30% Full online (air)
15% Parcial online (air)
9% Online booking fee
9% Atend. Telefone Intern (air)
10% Atend. Telefone Nac (air)

Latin America
17% Full online (air)
9% Parcial online (air)
126% Online booking fee
19% Atend. Telefone Intern (air)
57% Atend. Telefone Nac (air)

Neste ponto, a Heloisa Prass não se conteve e perguntou sobre o acréscimo de 126% no “online booking fee” na América Latina, informando que o Brasil representa mais de 50% do movimento corporativo da região e que este aumento é incompatível com a realidade do mercado local.

O apresentador titubeou, não esperava um questionamento sobre um dado que certamente ele não dominava no detalhe, chegou a sugerir que Heloisa o procurasse após a palestra para que ele tentasse explicar o motivo do “online booking fee”, na América Latina, ter aumentado de USD 1,00 para USD 5,00, em 2 anos, blá, blá, blá…

Na tentativa de ajudá-lo (ou de provocá-lo) e, ao mesmo tempo, alimentar o debate, perguntei se os dados relativos à “online booking fee” que ele dispunha, se referiam a sistemas de GDS ou a sistemas independentes.

À óbvia resposta de que seus dados eram de “online booking tools” de GDS, complementei com a hipótese de que, como os GDS não dispunham do inventário da maioria das tarifas mais baratas no Brasil, sua receita com a segmentação reduziu ao ponto de terem buscado alternativa de receita, majorando o “fee” dos clientes usuários de suas OBTs.

“That’s it”, foi a resposta de Will Tate, seguida de um sorriso amarelo…

Ainda detalhando o aumento de “transaction fees”, mais especificamente no mercado que ele realmente conhece, Will prosseguiu:

USA Transaction Fees
2011 (USD)

1) Online Booking System Fee
Obs.: custo do sistema
Ano: 2010 –> 2011
Max: 5,00 –> 8,00
Med:  3,81 –> 5,85
Min: 2,00 –> 3,50

2) Parcial Online (Touched)
Obs.: custo da agência
Ano: 2010 –> 2011
Max: 28,00 –> 35,00
Med:  15,07 –> 16,50
Min: 6,00 –> 6,00

3) Full Online (Touchless)
Obs.: custo da agência
Ano: 2010 –> 2011
Max: 11,00 –> 14,50
Med:  6,40 –> 7,32
Min: 4,00 –> 3,00

Após muitos debates, perguntas específicas, respostas generalistas e variados esclarecimentos, entendemos que os custos do sistema, descritos em 1), não estão incluídos nos custos da agência, descritos em 2) e 3).

Para um correto entendimento desses dados, portanto, devemos somar os custos de 1) aos respectivos preços em 2) e 3), para a formação dos preços finais das agências para os clientes corporativos.

–> TB9 – Mobile Revolution: Why Should You Care?

Eu já havia assistido ótimo painel sobre plataforma mobile na 2a. feira (postei aqui longo texto sobre este dia), mas resolvi acompanhar Solange Vabo e Walter Staeblein neste que, para eles, foi o terceiro painel sobre mobile, nesses dois dias de evento.

O palestrante, David Snell, é o CMO da Quickmobile, empresa desenvolvedora do Apps do GBTA Denver para iPhone e, quem teve a oportunidade de usar, achou bem legal.

David é um defensor aguerrido do conceito MiFi (Mobile WiFi Hotspots ou ainda WiFi everywhere), no que imediatamente conquistou a minha simpatia, apesar de seu vozeirão de radialista algumas vezes ter sido prejudicado pela dicção despreocupada e um tanto “pra dentro”.

Para ilustrar o espetacular potencial de uso da plataforma mobile, seus dados iniciais sobre o viajante corporativo nos fizeram parar pra pensar:

–> 10% de todos os “boarding passes” já são emitidos via mobile.

–> 78% dos viajantes corporativos portam smartphones.

–> 80% das decisões de compra no destino são pesquisadas via mobile.

–> 80% das reservas de hotéis online são realizadas no dia anterior ou no próprio dia do checkin.

–> 82% dessas reservas são para hotéis 3 estrelas ou superior.

–> 58% dessas reservas foram realizadas quando o hóspede estava a 15 minutos de distância do hotel reservado.

As principais soluções mobile, com aderência maciça de usuários, resumem-se a:

- Discrete Apps: parte na web, parte local

- Mobile Websites: tudo na web

- Text Messaging: SMS 3G

Empolgado com a participação da plateia, a quem David dirigiu muitas perguntas (levante a mão quem isso ou aquilo…), ele apresentou o que chamou de:

OS 10 P’s DO MOBILE

1 – Presentation
2 – Presence
3 – Proximity
4 – Personalization
5 – Privacy
6 – Payments
7 – Push
8 – Performance
9 – Panache
10 – Permission

E, logo em seguida, emendou com:

OS CASOS DE SUCESSO NO FORMATO MOBILE

- Linkedin
- Google Mobile Ads
- American Idol
- Kayak
- Facebook
- Weather Channel
- IHG
- Frommers
- World Mate
- Obama’s Campaign
- TripIt
- Flight Tracker
- Hilton Hotels
- Windows Seat
- United
- AA
- Expedia
- Virgin

A apresentação de David acrescentou alguns dados importantes e repetiu outros tantos, já debatidos em painéis anteriores.

Mas valeu, porque tudo que se refere à nova plataforma dominante (quem duvida?) é do interesse de quem trabalha no mercado de gestão de viagens corporativas.

–> Sessão Geral com Meg Whitman

A palestra de Meg Whitman, ex-presidente, CEO e co-fundadora do eBay, foi um dos pontos altos do evento, graças a seu carisma, capacidade de comunicação e belo histórico profissional.

Como a Helô relatou, com o brilhantismo de sempre, os pontos mais importantes da palestra de Meg, deixo aqui apenas um fato que chamou minha atenção durante a fase final da entrevista no palco.

Quando o entrevistador, Frank Petito, Presidente da Orbitz for Business, pediu simplesmente: “Tell us about globalization…”, Meg sorriu e, com a franqueza dos que não tem nada a esconder, mandou:

“O eBay não foi bem sucedido no Japão e nem na China, pelo simples fato de ter exportado uma tecnologia desenvolvida para os EUA e não para o consumidor daqueles países. Não hesitamos em refazer sistemas completamente diferentes para esses países, o que acabou dando certo…”

Como tenho defendido sempre, cada país tem sua cultura, sua história, sua moeda, seu idioma, seus valores.

O empreendedor que desconsiderar essas variáveis, independentemente de seu tamanho, penetração ou poder econômico, dificilmente terá êxito.

Nenhuma empresa, por maior e mais importante que seja, consegue impor comportamento a um país inteiro.

Por mais que as “start ups” nos façam acreditar no contrário…

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POLÍTICA DE VIAGENS, PLATAFORMA MOBILE, EUA x CHINA

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Esses foram os 3 temas que chamaram nossa atenção no 2o. dia do GBTA Convention, em Denver e apresento abaixo, de forma resumida, o que vimos (sim, este texto é um resumo). 

–> MA-10 – Improving Policy Compliance: Tactics and Technology

Logo às 9:00h assistimos apresentação de Tom Ruesink, Presidente da Ruesink Consulting Group, sobre as novas estratégias para uma implantação bem sucedida de um sistema de controle de política de viagens.

Baseado no conceito “One-Number Score Metric”, que define o valor de cumprimento de política de um determinado passageiro, o programa estabelece metas e desafios quantificáveis para os itens controlados por um “self booking tool”, com objetivo de destacar comportamentos positivos e não dar ênfase demasiada ao descumprimento de política.

O tal do “One-Number Score Metric” ainda está sendo elaborado, mas a ideia é interessante, na medida em que pontua, com pesos  diferenciados, os passageiros “frequent users” de um sistema de gestão de viagens.

Tom discorreu longamente sobre os itens da política de viagens que impactam diretamente no custo:

- Antecedência da reserva (para conseguir as menores tarifas)

- Uso de Self Booking e Self-Ticket (permite redução no transaction fee).

- Menor Tarifa Obrigatória (menor ATP)

- Fornecedores preferenciais (benefício das tarifas acordo)

- “Direct connect”  (menores preços devido aos menores custos de distribuição das integrações web).

Em contraponto, LeAnne Bell, Travel Data Manager da Kraft Foods, apresentou diversos “reports”, por “travel manager” e por usuário, mas baseados na antiga metodologia de destacar o negativo, apontando quem descumpriu as políticas de viagens.

A diferenciação básica dos conceitos apresentados por Tom e LeAnne é que o primeiro é baseado no “Bonus Feeling”, em que a ideia é estimular o usuário a desejar o cumprimento da política de viagens, enquanto que LeAnne ainda atua na ideia do “Fear Feeling”, que estimula o usuário a ter receio de aparecer no “non-compliance report”…

Sem dúvida, Tom apontou a tendência nesta área, num ambiente em que a tecnologia terá papel cada vez mais relevante para o controle, em tempo da real, da política de viagens da empresa.

–> MB 9 – Mobile Travel Apps: What works now? What is coming next?

Em seguida, às 10:15h, assistimos Mike Uomoto, VP da Rearden Commerce citar os 5 principais motivos que estão levando as pessoas a elegerem o mobile como plataforma dominante:

1 – Produtividade: permite comunicação e trabalho, ao mesmo tempo.

2 – Personalização: identifica quem eu sou e o que eu gosto.

3 – Localização: sabe onde eu e as outras pessoas estão.

4 – Proativo: notifica, alerta e oferece (“push technology”).

5 – Conectividade: linkedin, facebook, twitter, google+ etc. etc.

Sobre o futuro da plataforma mobile, Uomoto abordou pesquisas sobre as seguintes tecnologias, para onde o mobile deverá apontar:
- Reconhecimento de objetos
- Realidade aumentada
- Gamificação mobile
- Nova geração LBS
- Mobile-CRM
- Mobile Payment
- NFC

Nick Tasse-Guilen, Product Manager da iSOS avaliou pesquisas recentes que apontaram que:

1 – Entre viajantes a negócios, antes de iniciar uma viagem, 80% planejam usar laptops e 20% planejam usar smartphones durante a viagem. Os mesmos viajantes responderam, ao finalizar a viagem, que 76% usaram smartphones e somente 24% efetivamente fizeram uso de laptop…

2 – Entre as empresas de RH especializadas na contratação de executivos, entre 6 habilidades diferentes, 48% consideram fundamental a habilidade em operar smartphones, contra 52% divididos entre as 5 outras habilidades, como dominar um idioma estrangeiro ou navegar na web em um laptop…

Heidi Skatrud, VP da Ruhzheimer, levantou a necessidade das empresas definirem políticas de uso do smartphone corporativo, em especial com relação a:
- uso para ligação particular
- utilização de SMS
- acesso às redes sociais
- aplicativo pessoal ou corporativo
- uso de “roaming” internacional

Coincidentemente (ou não), esta é a primeira vez, em 7 participações no GBTA Convention, que eu não trouxe meu laptop… e sinto que o mobile já é a opção definitiva do viajante corporativo.

–> Airlines CEO Pannel

Após apresentação de Jeff Cacy, Managing Director da Boeing, sobre o 787 Dreamliner e outras novas aeronaves, na qual foram citadas as cias. aéreas que adquiriram esses novíssimos equipamentos (AA e GOL, entre outras, encomendaram Dreamliners), o moderador Peter Greenberg, Travel Editor da CBS News, apresentou Yingming Wang, Chairman da Hainan Airlines e Douglas Parker, Chairman e CEO da US Airways (Keith Williams, CEO da British Airways deu “no-show”).

Após início morno, em que Wang falou, com certa dificuldade no inglês, sobre as crescentes rotas internacionais da cia. aérea chinesa, com hub em Beijing, para Washington, Seattle, entre outras cidades norteamericanas, além de diversas cidades europeias, africanas e asiáticas, o moderador questionou Parker, da US Airways, sobre a cobrança de taxas acessórias (ancillary fees), cuja rentabilidade já estaria superando o negócio do transporte aéreo.

O CEO da US Airways respondeu que as “ancillary fees” são caminho sem volta, pois tornaram-se a tábua de salvação da aviação comercial norteamericana, o que não configurou nenhuma novidade, face ao que quase todas as cias aéreas americanas estão praticando, já há 3 anos ou mais.

Apesar de usar e abusar dos serviços acessórios, a US Airways desistiu de vender refrescos e refrigerantes à bordo, pois os passageiros optavam por água, por ser grátis.

Parker chegou a citar que pagou USD 6 por uma diet coke no hotel em que estava em Denver e que não entendia o motivo dos passageiros não a acharem natural a mesma cobrança durante um voo…

O CEO da US Airways foi categórico ao afirmar que o GDS não é capaz de cobrar as “ancillary fees” por “inability to show what we are able to show on web” (preferi não traduzir este trecho).

Já o chinês Wang reafirmou que não cobra taxas acessórias, pois a Hainan é focada em “business travel, quality of service and client satisfaction”, citando o rosário marketeiro de qualquer cia. aérea.

Provocado sobre consolidação entre cias aereas, Wang disse, referindo-se a Hainan, que continua solteiro, por ser jovem, mas que está livre para casar no futuro, pelo fato de ser uma empresa privada (é a maior cia. aérea privada da China).

Já Parker afirmou que sente-se bem, solteiro, operando de forma lucrativa, embora entenda que a consolidação é uma realidade, pois existem muitas cias. aéreas operando globalmente…

Aos ser questionado sobre novos destinos, para países com economia emergente, em especial Brasil, Mexico e Russia, respondeu que a US Airways somente voa para onde possa fazer dinheiro, sob o olhar surpresso de Wang, que acabara de informar que todo o lucro da Hainan é transferido para o programa de ampliação de rotas, expansão de frota e qualidade de serviço, principal razão pela qual não concordava em cobrar “ancillary fees”.

Wang garantiu ainda rigoroso cumprimento de horário (exceto sob condições climáticas ou restrição de tráfego áreo que impeça ou dificulte a regularidade operacional), sob o olhar incrédulo do CEO da US Airways que afirmou não poder garantir isso, enquanto persistirem as atuais condições do tráfego aéreo e do disputado mercado de aviação comercial mundial.

Um painel que prometia muito, mas que acabou transformando-se num comparativo entre as atuais mazelas do mercado aéreo dos EUA versus a agressividade comercial das empresas chinesas.

Apesar do brilhantismo do moderador Peter Greenberg, a presença de Keith Williams (da BA) provavelmente teria dado mais graça ao painel, como um terceiro elemento, de equilíbrio, entre as realidades díspares apresentadas.

Finalizo por hoje e, já que o mobile está na ordem do dia, assistirei novos debates sobre o tema, nesta 3a. feira 23/08:

TA8 – Mobile Technology in a Managed Travel Program

TB9 – Mobile Revolution: Why Should You Care?

No próximo post, você poderá ler aqui o resumo do que eu encontrar de mais interessante neste 3o. dia do GBTA Denver 2011.

See you…

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ALAGEV LEVA BRASIL E ARGENTINA AO GBTA CONVENTION

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Com mais de 6.000 congressistas, começou ontem (domingo), em Denver, o GBTA Convention, maior evento mundial de viagens corporativas. 

A ABGEV, preparando-se para transformar-se em ALAGEV, organizou e lidera esta, que é a maior delegação internacional no evento, com integrantes brasileiros e argentinos.

Pela primeira vez, as agências de viagens corporativas, com 21 inscritos, superaram a hotelaria, com 18 pessoas, em quantidade de integrantes brasileiros no GBTA.

11 gestores de empresas clientes, 10 representantes de empresas de tecnologia e 8 profissionais de cias. aéreas, estão entre os grupos com maior número de representantes na delegação latinoamericana.

O encontro do grupo, no Welcome Brunch oferecido por Las Vegas no domingo, confirmou a sintonia de Argentina e Brasil, quando se trata da representatividade latinoamericana frente aos demais países no mundo.

Neste primeiro dia do GBTA Denver, em que o “network” predominou, tivemos a oportunidade de confirmar tudo aquilo que temos acompanhado nos últimos anos:

1 – A economia americana se ajustará com o tempo (isso é bom e ninguém duvida), mas, enquanto isso não acontece, os executivos americanos já estão adaptando seu estilo de fazer negócio: mais flexibilidade, menos rigidez, mais visão regional, menos globalização, mais negociação, menos imposição.

2 – O Brasil é mesmo o “pote de ouro no final do arco-íris” da região e, por isso, toda a América Latina poderá ser beneficiada com a forte atração de investimentos para o continente.

3 – Tudo indica que esta edição do GBTA mostrará, finalmente, algumas novidades tecnológicas, pontuais mudanças de processos e novos modelos de negócios na indústria de viagens corporativas, nos EUA e em todo o mundo.

Hoje (2a. feira, 22/08), iniciarão as sessões educacionais, com painelistas brasileiros na parte da manhã, o que está gerando boa expectativa entre os congressistas do evento, com relação ao que teremos a apresentar, como mercado emergente.

Leia amanhã, aqui, meu resumo de alguns painéis e sessões educacionais, nesse segundo dia no GBTA Convention, em Denver, CO, USA.

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PRÓXIMA PARADA: GBTA DENVER 2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Participamos dos congressos da NBTA (agora GBTA) desde 2005 e, em todos, aprendemos muito.

Muitas vezes, trouxemos novos conhecimentos, novos processos e tendências tecnológicas, sempre com o objetivo de adaptá-los, melhorá-los quando possível, e ajustá-los à realidade brasileira, tão diferente do mercado norte-americano.

Nas últimas edições do NBTA Convention, conforme postei aqui, percebemos um nivelamento no grau de evolução tecnológica em gestão de viagens corporativas, do Brasil com os EUA, fruto da socialização do uso da internet, do investimento de empresas de tecnologia brasileiras e da profissionalização do setor no Brasil, entre outras variáveis.

Hoje, o mercado americano está experimentando um “boom” do “direct connect”, com diversas cias. aéreas gigantes buscando alternativas de distribuição aos GDS, de forma a garantirem o controle estratégico sobre a distribuição de seu inventário e, por consequência, de seu próprio serviço.

Qualquer semelhança com o que foi iniciado no Brasil em 2003/2004 (e permanece até hoje), com a Gol e TAM desenvolvendo webservices para conexão direta via XML com seus principais vendedores (agências de viagens corporativas, consolidadores, operadoras etc.), não é mera coincidência.

Neste caso, o mercado americano, muito maior e mais dependente das interconexões sistêmicas para voos internacionais, até então disponíveis somente nos GDSs, demorou a encontrar um caminho (a tal da tecnologia substituta) que oferecesse um mínimo de garantia de sucesso para a difícil empreitada de encarar os GDSs.

Por isso, tanta polêmica em torno da disputa AA x Sabre, que poderá impactar toda a indústria de distribuição norte-americana, pois já são várias as cias. aéreas que buscaram a mesma solução alternativa (desenvolvida pela Farelogix), entre elas Delta, United/Continental, US Airways, Lufthansa, Air Canada, Emirates, Qatar, entre outras…

O desfecho desse imbróglio, com data marcada para 31/08/11, agora postergada para 06/09/11, quando encerra o contrato mundial AA/Sabre, talvez não seja conhecido durante este evento (21 a 24/08/11), mas certamente nos trará fortes indicadores do caminho a seguir.

Postarei aqui sobre o que encontrarmos de interessante nos painéis, nas sessões educacionais e na maior feira de viagens corporativas do mundo, o GBTA Convention, este ano em Denver, CO.

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TIRO MEU CHAPÉU PRO EDMAR BULL

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

No mês passado, Viviânne escreveu um post intitulado Multi-Man, sobre como a tecnologia ajuda as pessoas nos seus milhares de afazeres do dia-a-dia, o que me fez lembrar de tantas outras que, com ou sem tecnologia, realmente fazem acontecer, às vezes falam pouco, mas realizam muito, no estilo “gente que faz”.

Já usei este espaço para homenagear pessoas, em ocasiões especiais ou não, como o Tony Garcia da TAM (quando completou 30 anos de mercado) e a Adriana Cavalcanti da Air France.

Hoje quem destaco aqui é o Edmar Bull, da Copastur, um profissional que não refuga desafio nem convite, participa de diversas associações, conselhos, comitês, clubes e condomínios, exercendo variadas funções (desde integrante até presidente), com o mesmo interesse e disponibilidade.

Todo este voluntariado pode levar as pessoas a imaginar que o Edmar é um político nato, desses que participam de tudo um pouco, sem comprometer-se ou trabalhar efetivamente, quando na realidade sua atuação é eminentemente técnica, participando de todos os assuntos e grupos de trabalho, com a desenvoltura e motivação de um recém-formado.

Aliás, não dá para entender onde o Edmar consegue encontrar tempo para participar de tantos eventos e entidades e, ainda, dirigir suas empresas, tudo isso sem comprometer o tempo e a dedicação à sua família.

Semana passada, surpreendi-me outra vez com sua multipresença: após reunir-se, na 2a. feira, com o Conselho da Abracorp, ele assumiu, na 3a. feira, a coordenação do Conselho de Licenciados Reserve, em evento que durou das 14:00h às 21:00h.

Na 4a. feira, quando cheguei para o Encontro de Coordenadores de Comitês da ABGEV, lá estava o Edmar pronto para apresentar os trabalhos do CTI-AA (Comitê de Tecnologia e Inovação da Abgev e Abracorp), que coordenamos juntos com o Aoron, da Benner.

Na mesma 4a. feira, no final da tarde, reuniu a imprensa na nova sede da Abav/SP (da qual é o atual presidente) para, em conjunto com Sindetur (do qual é um dos vice-presidentes), Abracorp (onde é conselheiro) e Aviesp, anunciar a conclusão do projeto de unificação das sedes dessas 4 entidades do turismo, no mesmo endereço.

Todas essas atribuições, que ocupam precioso tempo, são compartilhadas com a direção da Copastur (junto com a Sabrina), do Rapi10 (com Edmarzinho) e do G8 (com a Celeste), liderando equipes bem afinadas nas três empresas.

Sim, sei de outros executivos multifacetados em nosso mercado, mas desconheço outro empresário que tenha tantos papéis associativos e que participe e contribua efetivamente em todos eles, simultaneamente.

O cara joga nas onze, mas pode ser o técnico do time. Se precisar, apita o jogo ou empunha a bandeirinha. Se a bola sair, ele vai buscar rápido pro jogo não esfriar, e se der um close na arquibancada, ele certamente estará lá ajudando a empurrar o time pra frente…

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TÔ COM A DILMA (APESAR DE…)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Nessa, a criatura está superando o criador…

Lula foi muito festejado e, pelo mesmo motivo, muito criticado, quando seu governo deflagrou verdadeira guerra contra a corrupção no início de seu primeiro mandato.

A Polícia Federal realizou históricas operações, de nomes estranhos, baseadas em investigação e inteligência, com alegado respaldo da justiça, que culminou na prisão em flagrante de empresários, servidores públicos e políticos envolvidos em corrupção, sem discriminar grupos de apoio ao governo ou partidos, incluindo o PT e o PMDB.

Infelizmente, o ímpeto inicial do governo Lula nessa área arrefeceu e o que se viu depois apagou a boa surpresa inicial…

Agora, aos 5 minutos do primeiro tempo, o governo Dilma repete a fórmula de dar um freio de arrumação na bandalheira (que não é desse governo, é dos brasileiros desde que nascem e do Brasil desde 1500), e o faz com o mesmo espalhafato, os mesmos holofotes e os mesmos arranhões aos direitos individuais (ou não).

A estratégia política de anunciar: “Cheguei e no meu governo não haverá condescendência com a corrupção” é tão antiga quanto o fisiologismo, o nepotismo e o toma-lá-dá-cá da política brasileira (mundial, para ser justo).

De qualquer forma, eu apoio a faxina.

Entretanto, justamente pelo fato de que só temos visto isso no início de um primeiro mandato, passei a acreditar que temos que trocar de presidente a cada 4 anos e não mais reeleger o atual para um segundo mandato, como temos feito desde FHC.

Se a cada 4 anos, o novo mandatário realizar uma limpeza como esta durante o primeiro ano, é possível que consigamos manter a casa limpa, não pela completa exclusão da sujeira (algo impensável), mas pelo exemplo e pelo receio que este tipo de ação causa nos porcalhões de todo tipo, sempre enraizados na sociedade brasileira.

É como a faxina de casa: bastam 2 dias por semana (quase 1 dia a cada 4) para manter tudo limpo e organizado, estimulando os moradores a manterem a casa habitável.

Por isso, tô com a Dilma…, mas de olho aberto, para que a faxina seja completa, seja feita em todos os “cômodos” da casa, o lixo não seja varrido para debaixo do tapete, e tampouco seja reciclado mais tarde…

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MARKETING X TECNOLOGIA

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pensando nas diferenças entre estes profissionais, passeei por títulos alternativos ao deste post: “DESCOLADOS X NERDS” ou “MODERNINHOS X DOIDÕES” ou ainda “CRIATIVOS X CRIADORES”…

O fato é que nada é mais estroncho do que participar de uma reunião de trabalho com as tribos do marketing e da tecnologia.

Sim, são tribos formadas por diferentes profissionais, cujos temperamentos e personalidades tendem a gerar um determinado padrão de comportamento.

Estes padrões apresentam, nesses dois casos, tamanhas diferenças, que fazem com que a convivência pacífica e harmoniosa entre seus componentes seja quase um milagre.

Quem já não participou de uma conversa com integrantes de tecnologia e de marketing e surpreendeu-se com as reações mais estapafúrdias sobre o entendimento de um mesmo assunto?

Entre tantas diferenças na forma de pensar e agir, relacionei algumas que encontro no dia-a-dia:

- Os coleguinhas do marketing são modernos, antenados e estilosos e a turma da tecnologia tende ao grunge, ao confortável ou alternativo.

- Enquanto o profissional de tecnologia é focado no produto, o de marketing é focado no cliente.

- Os analistas de marketing são usuários vorazes de gadgets e inovações tecnológicas. Já os tecnólogos preferem desenvolvê-las.

- Para o programador, o cliente é usuário, para o analista de marketing, o cliente é Deus.

- As duplas de criação são quase artistas e os desenvolvedores desejam ser considerados.

- Enquanto os técnicos pensam que sabem tudo, os marketeiros têm certeza que sabem.

Juntar esses dois times para produzir um mesmo trabalho, desenvolver o mesmo projeto, atender os mesmos clientes, é um desafio espetacular.

E, quando dá certo, o resultado também.

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EPIDEMIA SOCIAL

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Para ilustrar o tema, reproduzo aqui um diálogo real entre marido e mulher numa linda manhã de sábado:

- Estou assustada comigo – diz a mulher

- Por que, querida?

- Eu estava no banheiro assistindo à novela das 11, numa linda manhã ensolarada como essa… Isso não parece estranho?

- Não lembro de termos instalado TV no banheiro… – responde o marido, insensível à preocupação feminina.

- Claro que eu não estava assistindo à TV ! Eu assistia ao capítulo de ontem d’O Astro no meu iPhone, claro…

- Ué, porque não assistiu ao vivo ontem, se estávamos em casa? – insistiu o pragmático marido.

- Porque ontem, na hora d’O Astro, eu assisti à novela das 9, também no iPhone, porque chegamos em casa tarde, lembra?

O diálogo segue até que o marido questiona a mulher o motivo de ela assistir numa tela tão pequena, se poderia assistir, com a mesma mobilidade, na tela do iPad, por exemplo.

- Mesma mobilidade nada – argumenta a mulher. – O iPad eu teria que tirar da bolsa, ligar, buscar  o que quero assistir… muito trabalhoso. Já o iPhone está ligado 24 horas por dia, sempre ao meu lado, com um link direto para o que eu gosto.

Por ser tão simples, rápido, direto e disponível, o smartphone tornou-se, praticamente, um apêndice de nosso corpo, quase uma prótese para conectividade instantânea, entre diversas outras funções.

Dizem que Steve Jobs não descansará enquanto o iPhone 8 ou 9 não estiver reduzido a um chip, a ser implantado na base da orelha do usuário, de forma a permitir seus principais comandos sem o uso das mãos.

Receber uma ligação, a partir da informação automática no seu ouvido com o nome de quem está chamando, ou fazer uma ligação ao simples pronunciar de uma frase (ex.: iPhone 9 ligue para celular de Artur Andrade), sem tocar em absolutamente nada, nem mesmo fazer qualquer gesto, será, talvez, a última fronteira da interface homem/máquina, antes do comando neural.

Sim, o celular será uma prótese, mas hoje ainda não é, embora as pessoas o carreguem até para tomar banho, às reuniões de trabalho e aos encontros familiares, numa estranha forma de priorizar o relacionamento com uma pessoa ausente, sobre todas as demais pessoas à sua frente.

Apesar das centenas de milhões de usuários dos Facebook’s da vida, a verdadeira rede social é outra, é a surrada forma com que 7 bilhões de pessoas no mundo inteiro se comunicam por escrito, se relacionam indiscriminadamente com qualquer outro usuário, num nível de direcionamento e foco somente possível graças à incrível capilaridade do celular como interface: o SMS.

O inacreditável poder deste aparelho reside no fato de reunir, numa mesma interface (um equipamento quase do tamanho de um cartão de crédito), as funcionalidades antes disponíveis em 20 ou mais diferentes aparelhos de nosso cotidiano:
- telefone
- recado
- email
- web
- câmera fotográfica
- arquivo de fotos
- filmadora
- arquivo de vídeos
- aparelho de som
- arquivo de músicas
- mapas
- GPS
- despertador
- cronômetro
- calculadora
- gravador
- bússola
- lanterna
- tradutor
- agenda
- calendário
- jogos

Carregar no bolso um negócio desses (ou num implante na pele futuramente) é algo que mexeu com a cabeça das pessoas, independentemente do fato dela ter nascido antes, durante ou após o advento desta tecnologia.

O fato é que por centralizar as atenções, de forma individual (cada um no seu), exclusivista e egocêntrica, não há festa, jantar, encontro romântico ou qualquer outro tipo de relacionamento social em que não se perceba, claramente, o poder inquestionável que ele exerce sobre todas as pessoas.

Percebo nisso autênticos sintomas de vício, de dependência química (neste caso física) à uma droga, com o agravante de sua epidêmica distribuição mundial, que acabaram por transformar o seu uso na verdadeira e invencível doença social deste século, que mal inicia.

P.S.: Não, esse post não é patrocinado pela Apple…

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