Arquivo de setembro de 2011

O SENHOR QUER UM TÁXI?

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Com esta pergunta gentil, os recepcionistas de quase todos os hotéis de São Paulo, dirigem-se aos hóspedes tão logo concluem o checkout.

Digo de São Paulo, pois hospedo-me em Sampa pelo menos 5 a 10 noites por mês, o que acabou por tornar-me um crítico dos serviços de hospedagem desta que é nossa cidade mais cosmopolita, moderna e corporativa.

Ao hóspede distraído (e 80% deles o são), que responde agradecido que “sim, quero um taxi”, o recepcionista, invariavelmente, chama um senhorzinho, que fica sentado na sombra aguardando este momento psicológico ideal, para dirigir-se, célere e lépido, ao seu carro, estrategicamente estacionado na entrada do hotel.

São os chamados “táxis especiais” ou “táxis de luxo”, como insistem em chamar os recepcionistas dos hotéis, embora as duas únicas coisas que os diferem dos táxis comuns são a cor da pintura e a tarifa mais alta…

O interessante é o que os motiva a não informar o hóspede sobre o carater “luxuoso” do carro (geralmente um Polo ou um Astra!) é uma diferença de R$ 3,00 na propina que o taxista “especial” entrega ao recepcionista do hotel, sem o menor constrangimento, na frente do hóspede:

Táxi comum: R$ 2,00
Táxi de “luxo”: R$ 5,00

Por conta desses R$ 3,00 a mais na propina, o hóspede paga uma corrida 50% mais alta.

Chamo de propina (e não de gorjeta), pois ocorre entre dois fornecedores, sem a anuência do cliente, para acesso a um serviço que, em última análise, é oferecido pelo hotel como um diferencial, uma cortesia.

Como prefiro eu mesmo estabelecer se um serviço é merecedor de uma gratificação ou gorjeta e, em especial, qual deve ser o valor dessa gorjeta, esse tipo de procedimento que ocorre na portaria dos hotéis me desagrada como cliente.

E ainda fico imaginando como será esse “procedimento” e como estará esta “tabela” por ocasião da Copa do Mundo…

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MONSTRO

terça-feira, 27 de setembro de 2011

6,52% é a nova expectativa da inflação anual, acima da meta do Banco Central, que é de “apenas” 6,5%.

A última vez que a inflação anual superou efetivamente a meta, foi em 2003, e se o fato voltará a ocorrer, somente poderá ser confirmado no fechamento do ano.

Acho muito difícil que o Banco Central consiga, com medidas ortodoxas, segurar o dragão, justamente nos últimos 3 meses do ano, considerando:

- o aquecimento anormal da economia brasileira, ainda sem demonstrar os sinais de impacto provocados pela crise mundial.

- a pressão sobre os preços gerada pelo incremento usual das compras nos últimos 3 meses do ano, com dia das crianças, feriados, férias, Natal e reveillon.

- o aumento nos preços da indústria automotiva, provocado por um mal explicado incremento no IPI dos veículos importados, que servirá tão somente para beneficiar as montadoras multinacionais instaladas no país, agora com uma folga extra de ineficiência de 30%.

Em respeito à minha estranha mania de tentar antecipar tendências, preocupa-me o recrudescimento da espiral inflacionária, temor típico de quem viveu a hiperinflação e suas terríveis consequências econômicas e sociais.

Quem nasceu antes de 1980, sabe o que digo…

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INCRÍVEL INOVAÇÃO

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ontem à noite, na pizzaria do Bráz da Barra da Tijuca (sim, temos Bráz no Rio de Janeiro), ouvi que “o Facebook anunciou hoje diversas novidades para enfrentar o Google+”.

Zuckerberg, que estaria tentando reproduzir o estilo despojado do prematuramente aposentado Steve Jobs, anunciou, entre outras novidades que, agora, o usuário do Facebook pode ouvir música de um seu “amigo”, tornando possível compartilhar uma música com alguém, sem estar junto dessa pessoa.

Deu-se um silêncio na mesa…

“Quem vai querer ouvir música com alguém que não está presente?”, perguntaram na mesa ao lado.

“Muita gente”, respondeu um fã do FB.

Independentemente do fato de se esta funcionalidade será do interesse das pessoas, essa história lembrou-me o que aconteceu com a cia. Gillette, quando do lançamento do aparelho de barbear descartável.

É conhecido “case” de marketing o fato de que o lançamento do primeiro aparelho de barbear com lâminas descartáveis, em 1901, foi um divisor de águas nessa indústria, tal o fator disruptivo que esta ideia provocou no comportamento do consumidor, habituado há séculos, a barbear-se com navalhas afiadas e reutilizadas.

O sucesso foi tamanho que a Gillette encontrou-se, em dado momento de sua trajetória (meados do século passado), com dificuldades em inovar o produto e, após 20 anos e milhões de dólares em P & D, a cia. promoveu uma grande campanha de marketing, em 1975, para anunciar uma grande inovação:

Colocara uma segunda lâmina, paralela à primeira.

O feito parecia pouco inovador (duas lâminas onde antes havia uma), mas os marketeiros imortalizaram o produto:

“A primeira faz tchan, a segunda faz tchun e, tchan, tchan, tchan, tchan…”

Apesar do estrondoso sucesso que o aparelho GII obteve, o mais inacreditável estava ainda por vir…

Em 1998, após anunciar investimentos de USD 750 milhões em P & D, a Gillette iniciou uma agressiva campanha de marketing em escala mundial, que custou mais de USD 300 milhões, para anunciar uma espetacular e inacreditável inovação neste produto vencedor:

Inseriu uma terceira lâmina entre as duas anteriores…

Chega um momento da vida de um produto que, para manter o frescor da novidade sem correr o risco de mexer muito no time que está vencendo, altera-se uma gota e divulga-se um oceano…

Exatamente como faz (como ninguém) a Apple com seu iPad 1, 2 e, breve, o 3 e seu iPhone 1, 2, 3, 4 e 5…

Coloca uma câmera a mais, afina o produto, melhora um pouco o processamento, a memória, o brilho da tela etc., mas o produto é o mesmíssimo e continua com a imagem de inovador…

Por isso, hoje, sou um tanto cético quando escuto que determinado produto é inovador, em especial quando este epíteto é dado pelo próprio produtor e seguido de variados adjetivos.

Para mim, inovação é uma palavra muito cara e penso que, em muitos casos, as empresas se apropriam dela de forma equivocada.

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O ANO ACABOU

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Você já está pensando onde vai passar o Natal este ano? Ou o reveillon?

Na sua empresa, já se conversa sobre onde será a festa de fim de ano ou se fala em planejamento estratégico para 2012?

Já tem loja se enfeitando pro Natal, antes do Dia das Crianças…

Quanto mais velocidade imprimimos em nossas vidas, quanto mais coisas realizamos ao mesmo tempo, quanto mais nos ocupamos, mais rapidamente passam os dias e, de repente, chegou o final do ano…

Sei que ainda estamos em setembro, que faltam 3 meses inteiros para encerrar 2011, mas a impressão que tenho é que, após o Congresso da ABAV no final de outubro, o ano terá terminado.

Exagero?

Se você ainda não cumpriu suas metas no trabalho, seu planejamento anual, suas promessas pessoais ou deixou tudo para a última hora, a notícia é: corra, porque 2011 já foi…!

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FORUM ALATUR: UM EVENTO PRIVADO

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Em julho, o Ricardo Ferreira reclamou de eu nunca ter abordado o Forum Alatur aqui no Blog Distribuindo Viagens, apesar de eu ter postado sobre os eventos da Terra Turismo de Belo Horizonte, da Costa Brava de Campinas e da Porto Brasil de Porto Alegre.

Respondi que eu não poderia escrever sobre o que não conhecia, pois não fui aos eventos anteriores da Alatur, dirigidos que são a clientes e fornecedores da agência.

Este ano, fomos surpreendidos, Solange e eu, com convites para assistir o 4º Forum Alatur e resolvemos conferir.

Eu estava bastante interessado no primeiro painel, em que Larry Rohter, jornalista americano especializado em criar polêmica com o Brasil, debateria com Roberto da Matta, um gênio da antropologia genuinamente nacional.

Apesar do abismo cultural entre os dois debatedores, “valeu o ingresso” ouvir o professor falar sobre suas pesquisas sobre o carnaval e o futebol, não somente como manifestação cultural mas como consequência da evolução histórica da sociedade brasileira, discorrer sobre as diferentes heranças culturais de EUA e Brasil e explicar, com certo lamento, a sua percepção de depressão no povo americano, decorrente do aumento do índice de pobreza nos EUA e do impacto, no espírito americano, causado pelas medidas de exceção criadas no governo Bush contra as liberdades individuais.

Clarice Niskier leu texto sobre turistas e “turristas” e encantou parte da plateia. Alguns acharam longo demais. Eu gostei.

David Radcliffe, descontraído e bem informado, explicou com dados concisos, gráficos coloridos e variadas estatísticas, o real motivo de ter vindo ao Brasil: fazer negócios.

Roger Tondeur contou parte de sua intrigante trajetória que o levou a criar a MCI, empresa de eventos corporativos, e o moderador Ricardo Ferreira resumiu a expectativa das pessoas quando comparecem a eventos para ouvir empresários bem sucedidos: “As pessoas querem ouvir sobre a evolução de suas carreiras. Como ser bem sucedido?”

Embora eu não acredite que exista fórmula que possa ser repetida, pois cada experiência de vida é única, colhi algumas frases de David Radcliffe e Roger Tondeur, que em alguns casos lembram textos de autoajuda:

- “Estabeleça um objetivo, uma visão e planeje como chegar lá.”

- “Pode-se dispor de todas as plataformas mais modernas e estimulantes para inovação, mas se você não puder contar com pessoas criativas e inovadoras, não funcionará.”

- “O importante é perceber a próxima mudança e tentar chegar lá antes.”

- “Soluções globais, de eventos ou outras, têm sempre que ser adaptadas às diferenças culturais de cada país.”

- “A decisão mais difícil de um COO é desligar um colaborador, mesmo que seja para manter a organização saudável e preservar todos os demais empregos.”

- “Existe um gap entre o que o mundo pensa do Brasil e o que ele realmente é.”

- “O Brasil em duas palavras: entusiasmo e vibração.”

A apresentação dos serviços da Alatur, através de esquetes teatrais bem-humoradas, encenadas pelos líderes de equipe da agência, foi o ponto alto da parte da manhã, um verdadeiro show idealizado por pessoas criativas e “imaginadoras”.

O painel sobre sucesso e carreira também gerou grande expectativa, devido à participação de atrizes de primeira grandeza. E foram delas as melhores tiradas, com Marília Pera bem à vontade e Irene Ravache muito inspirada, responsável pela pérola: “quando eu era jovem, eu gostava dos meus amigos pelas suas virtudes, com o tempo passei a gostar deles apesar dos defeitos e hoje eu os amo justamente pelos seus defeitos”.

Um painel muito difícil para José Mario Caprioli e Marcio Ogliara, que se esforçaram para compensar o encantamento da plateia com as estrelas, mas Paulo Gaudêncio soube equilibrar o debate.

O palestrante Will Tate, que também havia participado do GBTA Denver (quando deixou sem resposta uma pergunta da Heloisa Prass), pegou uma audiência animada com o painel das estrelas, mas apesar de ter trazido forte conteúdo tecnológico e dados interessantes, não conseguiu segurar a atenção da plateia, àquela altura sonolenta após o “lanche-almoço”, mas ainda aguardando com interesse os debatedores mais conhecidos do trade e mais ligados à realidade brasileira: Klaus Kuhnast, Luiz Ambar e Marcos Balsamão, além da Marta Verçosa, presidente do desconhecido IBECORP.

Meu amigo Balsamão, bastante tenso no início, foi aos poucos… ficando mais tenso ainda, mas não deixou a peteca cair e conduziu bem os painelistas e as perguntas da plateia.

Como bem me esclareceu o Ricardo Ferreira no intervalo, “Nosso forum não é igual ao do Panrotas, que é um evento de conteúdo. O nosso é um evento de marca”, o que significa um evento de marketing, produzido para divulgar um conceito, uma marca, uma empresa.

Justamente por isso, penso que “o grande evento de viagens corporativas para clientes” continua sendo o LACTTE, pelo seu carater neutro, por ser produzido por uma entidade, pelo seu conteúdo multidisciplinar e por seu foco no cliente como comprador de variadas TMCs e não somente de uma.

O Forum Alatur é um evento privado, muito, muito bem produzido, de uma forma que impacta na percepção da imagem que a Alatur vem passando ao mercado ao longo dos anos.

Prova disso é que, neste evento, eu descobri uma outra Alatur.

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DEBOCHE

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A forma como o Ministério do Turismo tem sido tratado denota o que, de fato, pensa o planalto a respeito da importância de nossa indústria para o desenvolvimento do país.

Depois de meses de críticas, à escolha, ao padrinho, à (falta de) gestão, às irregularidades, à demora na substituição etc., somos surpreendidos com outra escolha parecida, com o mesmo padrinho…

O ex-ministro fez o que fez e não precisa se explicar, basta pedir exoneração, coitado…!

O novo ministro falou o que falou sobre seu partido e é presenteado com um ministeriozinho, talvez para acalmar sua verve…!

Afinal, o que tem o Maranhão para nos brindar com 2 ministros do turismo, sucessivos?

Não penso que sejam os Lençóis Maranhenses ou outras virtudes turísticas do estado, viu Fabíola?

Tentarei descobrir e, se conseguir, contarei aqui…

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SOU + O GOOGLE+

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Não é porque o Facebook se transformou na internet dentro da internet e já apresenta quase todos os seus principais problemas (excesso de conteúdo, de usuários, de relevância…).

Também não é porque o Facebook esteja dando sinais de estar seguindo a mesma trajetória do Second Life, uma realidade virtual que virou febre, recebeu vultosos investimentos reais, que desapareceram sem deixar vestígios.

Muito menos é porque o Facebook apresenta os primeiros indícios de recrudescimento de sua taxa de crescimento, que o coloca próximo do topo, de onde só se avança… descendo.

Nem mesmo porque o Facebook teve a pretensão de ser mais importante que a própria web (algo como os Beatles terem se comparado a Jesus Cristo…).

Tampouco é porque o Facebook já atingiu aquele status de unanimididade que, como toda unanimidade….(bem, você sabe…)

Mas, eu levo mais fé no Google+, cuja proposta de “compartilhar a vida real na perspectiva da web”, foca na humanização do relacionamento online, tornando-o menos impessoal, frio e automático do que o Facebook.

O Google+ vem para disputar a supremacia em redes sociais, e vem com novas armas:

1 – Novo conceito de agrupamento de amigos, gerenciados de forma mais visual, com recursos de HTML5, na base do “arrasta e solta”: Circle+

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2 – Novo recurso de relacionamento em tempo real, para videoconferências em grupo, com um simples apertar de um botão: +Hangouts

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3 – Novo controle de favoritos e preferências, sincronizado com o +Hangouts e com o mecanismo de busca automática do Google em 40 idiomas: +Sparks

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O Google+ também incorpora o +Mobile, desenvolvido simultaneamente e de forma customizada para tablets e smartphones, mas como uma extensão para outras funcionalidades:

4 – Compartilhamento automático de fotos e outros arquivos: +Instant Uploads

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5 – Localização online do usuário: +Location

6 – Agendamento rápido de encontros e reuniões, reais e virtuais: +Huddle

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Não se trata de mais uma rede social para disputar espaço (o Orkut, do Google, só é grande no Brasil), mas de um novo ambiente, multi-sincronizado, que oferecerá acesso fácil, intuitivo e rápido aos principais recursos desejados pelo usuário, enquanto ele navega na web e não em um ambiente fechado dentro da web.

Penso que o modelo de negócio do Facebook não é tão brilhante como o do Google, que tem claramente definida sua principal estratégia de receita em cima da publicidade online e, no momento que o Facebook chegou à mesma conslusão e passou a ganhar dinheiro com anúncios, após investir pesadamente no aumento da base de usuários, ele praticamente chamou o Google para a briga…

Ok, ok, você tem Facebook, adora o Facebook e nem pensa em trocar o Facebook por outra rede social, mas quando você acessar o Google para fazer uma busca (e você faz isso diariamente, já sem perceber), você terá curiosidade em clicar em um botãozinho chamado simplesmente You, localizado numa barra preta que será incorporada ao Google.

Pronto, você foi fisgado pelo Google+ !

Por enquanto, para se inscrever para o beta-teste do Google+, clique aqui e, se você for convidado, nos conte depois o que você achou…

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INDEPENDÊNCIA DE QUEM, CARA-PÁLIDA…?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Tem alguma coisa errada na relação sociedade x poder público no Brasil, em especial se analisarmos o que um consumidor (neste caso, um contribuinte) espera de um prestador de serviço (o governo).

Na minha vida profissional, diariamente sou compelido a buscar o cumprimento de metas, cujos indicadores foram estabelecidos em comum acordo com meus clientes.

Neste feriado, justamente em homenagem ao dia da independência brasileira em relação ao império português, matutei sobre a atual relação de dependência que temos com o império brasileiro, atualmente sediado num principado riscado no mapa do estado de Goiás.

Este principado, junto com suas capitanias hereditárias em cada estado e suas províncias municipais, estão muito bem organizados numa tarefa especialíssima, que é a de nos cobrar impostos de quase 40% sobre toda a produção do país.

Em contrapartida a esta estapafúrdia carga tributária, nos entregam serviços de baixíssima qualidade, o que resulta em problemas de saúde pública, baixos índices de escolaridade, sentimento de insegurança social e patrimonial e infraestrutura deficiente.

Não satisfeitos em não cumprir suas metas, promovem festivais de atitudes desavergonhadas que visam tão somente proteger e garantir os interesses da corte e de seus membros:

- Corporativismo

- Foro privilegiado

- Imunidade parlamentar

- Funções comissionadas

- Verbas de representação

- Sigilo das contas públicas

- Financiamento privado de campanhas eleitorais

- Nomeações políticas de juízes e ministros dos tribunais superiores

- Etc, etc, etc

A relação de mazelas não se limita à carência de serviços básicos, responsabilidade do Poder Executivo, mas também ao que recebemos dos demais Poderes:

- Morosidade da justiça

- Baixa carga de trabalho do judiciário

- Corrupção nas decisões judiciais

- Excesso de leis, regulações, emendas parlamentares e subterfúgios processuais

- Baixa carga de trabalho do legislativo

- Corrupção na representação legislativa

Diante de um cenário desses, quem ainda acredita que as reformas política, tributária e trabalhista sairão do discurdo político?

A única reforma que vingou até agora, e que vem sendo revisada ao sabor dos interesses de caixa do governo, é a reforma previdenciária.

Sim, é aquela que, a cada revisão, prorroga a data limite para o trabalhador se aposentar.

Mas que, naturalmente, não se aplica aos integrantes da corte…

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A FEIRA DA ABAV ESTÁ CHEGANDO…

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Nas semanas que antecedem a Feiras das Américas e o Congresso da ABAV, os fornecedeores de serviços de viagens e turismo, em especial as cias. aéreas, sempre buscam anunciar novidades impactantes no mercado.

Nem sempre a receptividade e o impacto são positivos, como em 2010, em que houve a redução da comissão para 1%, anunciada pela Alitalia em 08 de outubro, seguida do anúncio de corte a “zero” da comissão, pela Air France – KLM no dia 14 do mesmo mês.

Mas foram assuntos que “deram pano pra manga”, gerando comentários, debates, tema para blogs, discussões acaloradas, mensagens das entidades, entre outras manifestações do mercado.

Este ano, não sei o que poderia vir de novidade nesta área, ou em outro tema ligado à relação cia. aérea / agências de viagens, ou mesmo de outros fornecedores, como a hotelaria, por exemplo, que até hoje não encontrou uma solução aderente ao mercado, para pagamento de hospedagem, apesar dos esforços das administradoras de cartão de crédito e de outros “players”.

As notícias, às vésperas da ABAV, podem ser boas ou não, mas que muita coisa deve estar no forno para lançamento no início de outubro, eu não tenho a menor dúvida.

É esperar pra conferir…

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PERDEMOS A NOÇÃO DO DINHEIRO

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Essa frase, dita por um executivo do mercado financeiro após uma reunião de trabalho, foi o mote para analisarmos juntos alguns comportamentos recentes da sociedade brasileira, em relação à percepção de valor da moeda e, consequentemente, do preço de mercadorias e serviços no Brasil.

Sempre tivemos variados sintomas de desinteresse pela poupança pessoal, mas ultimamente nosso desapego pelo valor do dinheiro tem sido escandaloso e cito alguns fatos:

Fato 1: O brasileiro não gosta de moeda.
Porta-moedas e cofrinho não emplacam no Brasil. Será ainda fruto da hiperinflação no passado recente?

Fato 2: O brasileiro não faz questão de centavos de troco.
“Aceita uma balinha?” ou “Posso ficar devendo 10 centavos?” são frases corriqueiras ditas por operadores de caixas de lojas, normalmente aceitas pelo consumidor brasileiro.

Fato 3: O brasileiro não se abaixa para pegar R$ 0,50 no chão.
“Não vale a pena o esforço” ou “Deve ser pegadinha e não quero pagar mico” são justificativas para deixar o dinheiro no chão.

Ao mesmo tempo em que esses sintomas se intensificam, a crescente mobilidade social tende a resgatar todo um passivo de consumo que faz com que as pessoas valorizem o ato de viajar, mas para fazer compras…

E, no final de uma viagem, já planejam a próxima…, para continuar fazendo compras…

Aqueles que ainda não ascenderam a esta categoria de consumidor (o turista de compras), acabam resolvendo por aqui mesmo sua sede de consumo, muitas vezes realimentando a roda da supervalorização dos bens e serviços, em detrimento do valor do dinheiro.

- As classes C e D compram roupas de grife parceladas em 12 vezes, com juros, desde que acreditem que possam pagar a prestação.

- As classes C e D compram imóveis parcelados em 30 anos, com juros, correção monetária, taxas de contrato, de seguro, de administração e de financiamento, desde que acreditem que possam pagar a mensalidade.

- As classes C e D fazem a festa das instituições financeiras, pois tomam empréstimos, compram a prazo e contratam serviços financeiros de todo tipo.

Isto ocorre porque as classes C e D buscam o status social que as classes A e B já possuem, mas estas não sustentam o crescimento econômico, pois:

1 – Não têm escala suficiente para sustentar uma expansão econômica por anos seguidos.

2 – Compram produtos de maior valor agregado, no exterior, muito mais baratos.

3 – Lidam com dinheiro há mais tempo, com mais informação e, por isso, tem melhor noção de valor.

Um tênis Nike, Reebok, Puma ou Adidas custa entre USD 30 e 90 nos EUA e entre USD 100 e 300 no Brasil, onde só compra quem ainda não pode viajar para comprar lá fora.

Uma diária de hotel mediano (3 estrelas) custa entre USD 60 e USD 180 nos EUA e entre USD 200 e 400 em São Paulo, onde paga-se por absoluta falta de opção.

Um carro de luxo custa USD 40 a 60 mil nos EUA e USD 100 a 200 mil no Brasil, onde paga quem pode, lamentando não poder pagar o preço cobrado no exterior.

O metro quadrado num condomínio de luxo em frente à praia, em Miami, custa a metade do metro quadrado de um apartamento na 2a. quadra da praia da Barra da Tijuca.

Apesar de que mais da metade de alguns novos lançamentos imobiliários de luxo em Miami estarem sendo adquiridos por brasileiros, é aqui no Brasil que a demanda está aquecida, apesar dos altíssimos preços, fora da realidade do mercado imobiliário.

O fato é que o altíssimo custo de vida das grandes cidades brasileiras, provocado por este descompasso entre excesso de moeda e escassez de bens e serviços, já começa a impactar o planejamento estratégico das empresas para os próximos anos, pois o empresariado já começa a desconfiar de que este ritmo de crescimento econômico não se sustente, por falta de estrutura econômica e de infraestrutura básica, itens que não se resolvem em menos de 5 anos.

Enquanto isso, o povo brasileiro segue comprando iPhone de USD 299 por R$ 1.500, pagando R$ 80 por uma pizza (+ R$ 10 de entrega) ou ainda comprando jeans por R$ 180 ou camisa polo por R$ 150, achando esses preços bem razoáveis.

Fico imaginando no que isso vai dar…

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