PODER x CAPITAL x TRABALHO

Para discorrer sobre este assunto, à luz dos recentes acontecimentos, lançarei mão de dois recursos autorais:

1 – Contar uma história real (neste caso sobre como surge uma agência de viagens no Brasil).

2 – Fazer uma autorreferência (a história real que eu melhor conheço e não preciso da autorização dos protagonistas para publicá-la), pelo que me desculpo desde já.

Quando iniciei no mercado de turismo, em 1995, trabalhava na época como engenheiro especializado em logística de transporte intermodal na RFFSA, empresa estatal com todos os predicados (os negativos e os positivos) que se atribuem às empresas estatais até hoje.

Ou seja, apesar das mazelas de uma empresa do governo, era um emprego estável, razoavelmente bem remunerado (graças ao cargo que ocupava), um belo plano de carreira e programa de previdência que me garantia 100% da remuneração da ativa, quando eu viesse a aposentar.

Mas eu tinha também 3 outras características, uma delas exclusiva, que me fizeram desistir de tudo isso para dedicar-me ao mercado de viagens e turismo: eu tinha 34 anos de idade, espírito empreendedor e Solange Vabo.

Fundamos a Solid Corporate Travel em 05/05/95 e trabalhamos duro (em ambos os sentidos: arduamente e com pouco dinheiro) para chegar ao chamado “break even point” ao final do ano seguinte, quase 2 anos depois.

Dalí em diante, não houve um ano sequer que não tenhamos progredido, sempre crescendo, sem grandes saltos ornamentais, mas também sem endividamento, o que nos coloca hoja na categoria de agência de viagens familiar, especializada, pequena, séria e lucrativa, como tantas outras existentes em nosso mercado.

Você há de perguntar: o que todo esse “tré-lé-lé” tem a ver com a relação poder x capital x trabalho?

Eu peço sua atenção e paciência para o restante do post, pois como bem explicou o professor Gustavo Syllos, não sou da geração Y, que escreve por hieroglifos, nem da geração BB, que não precisa escrever, pois tem alguém pra escrever em seu lugar.

Quando descobrimos a internet, num congresso do Sabre em Dallas, em 1996 (o Syllos e a Izabel da Continental estavam lá), imediatamente “abraçamos a causa” (sim, internet era uma causa nesta época) e dedicamos todos os nossos esforços a desenvolver um sistema de reserva aérea na internet, brasileiro e 100% em português.

Tivemos o apoio do Sabre em todas as etapas deste nosso empreendimento solo, seja através do Douglas Domingues, “country manager” na época, quanto do Luiz Ambar, nosso parceiro até hoje.

De lá pra cá, muita coisa aconteceu em nossa trajetória de empresários do mercado de viagens e turismo (o Reserve é uma delas), e muitas pessoas fizeram parte dessa história, como o Dilson Verçosa, gerente da AA em 95, que acreditou na Solid (ok, na Solange) antes mesmo de termos o CNPJ da agência, o Adalcy Santos, nosso padrinho para a Solid entrar no antigo FAVECC, o Henrique Sérgio Abreu, primeiríssimo demandante de um sistema integrador de gestão de viagens corporativas, que nos estimulou a separar o Reserve da Solid em 2004, o Goiaci Guimarães, que indicou o Reserve ao troféu Partnership em seu primeiro ano de operação, o Artur Andrade e o Guillermo Alcorta, que acreditam na tecnologia e na inovação como fatores indutores da evolução do mercado e o Edmar Bull, que abraçou a ideia desde o início e tornou-se o maior “benchmark” do sucesso do Reserve.

Toda esta história serve de preâmbulo para eu afirmar que a vitória de um negócio, no turismo ou fora dele, é feita de criatividade, esforço e… pessoas.

O que motiva um negócio são as pessoas que estão à frente de sua direção, quanta criatividade e esforço colocarão no empreendimento, que nível de qualidade de serviço prestarão, quanto conseguirão entregar do que prometem, o que pensam e onde querem chegar.

Por tudo isso, eu continuo acreditando no conceito da consolidação de boas empresas, exatamente pela qualidade das pessoas participantes do negócio.

Afinal, para quem é do mercado, como ter dúvida sobre o futuro de um negócio que envolve os sobrenomes Abreu, Bull, Costa, Linares, Santos, Schwartzmann e Strauss (os que conheço bem), entre outros, cuja capacidade e seriedade aprendemos a respeitar ao longo dos anos?

Estes nomes é que são o principal ativo da Brasil Travel, que darão ao investidor mais bem informado, as garantias de que criatividade e esforço se juntarão à experiência, correção e conhecimento do mercado, em prol dos resultados da nova companhia.

No lugar do modelo do poder em busca do capital, estes profissionais representam o trabalho em busca do resultado, exatamente o que todo investidor deseja.

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21 comentários para “PODER x CAPITAL x TRABALHO”

  1. Tadeu Cunha disse:

    Bom, Luis, sei que o foco do post foram os comentários dos dois últimos parágrafos, claro, e concordo em gênero, número e grau. Cada nome desses é forte por si só, para quem entende esse nosso mercado.

    Mas o preâmbulo do começo da Solid e do começo do “site Reserve”, dos nomes que estão e estiveram conosco, como Dilson, Ambar, Douglas, Syllos… me lembrou que naquela época eu tinha menos cabelos brancos e era magrinho…

    Abraços,

    Tadeu

    • Luís Vabo disse:

      Pois é, Tadeu,

      O tempo passa, mas as pessoas continuam aí…

      Por isso, acho importante valorizar quem participou, de forma positiva, de parte de nossa trajetória.

      Mas você está certo: o foco do post foram os dois últimos parágrafos, referentes às pessoas que farão a diferença nos resultados da empresa.

      []‘s

      Luís Vabo

      • Gustavo Syllos disse:

        Mestre Vabo,

        Falando com tanto saudosismo até parece que somos da Geração X (oops, e somos!).
        Sou sim, assim como o Tadeu, testemunha do crescimento da Solid e do Reserve. Lembro muito bem quando estava no SABRE íamos eu e o Calamari fazer instalação da rede da Solid e a Solange pegava no nosso pé pra que saíssemos de lá somente quando todas as impressoras matriciais estivessem funcionando bem…
        Agora boa lembrança mesmo foi quando eu fui prá Tulsa provar que o teste da impressora remota ligada no modem (feita pelo Prof. Pardal Tadeu) funcionava. Nem o professor de hardware acreditou!..rs

        Mas assim como vocês algumas – somente algumas – empresas ligadas ao turismo prosperam. Aquelas que trabalharam muito com muito entusiasmo.

        SÓ O TRABALHO PODE PRODUZIR RIQUEZAS (frase escrita no predio do Bradesco, na Cidade de Deus).

        Abraços,

        • Luís Vabo disse:

          Professor GS,

          É isso que todo investidor espera encontrar em uma empresa onde investirá: criatividade, esforço e resultado.

          []‘s

          Luís Vabo

        • Tadeu Cunha disse:

          Gustavo, desenterrou essa impressora remota (Satelite Printer, lembra?) lá do fundo do baú… malabarismos de TI, do tempo em que havia bilhete OPTAT, de papel!!!

          Abraços,

          • Luís Vabo disse:

            E o “Pooled TA” by Tadeu Cunha?

            Emulava 5 TAs do Sabre em 20 terminais de emissores.

            Útil na época em que nem todos os emissores precisavam ter um TA dedicado e aberto o tempo todo.

            É a velha descrição: Tecnologia serve para resolver problemas. Se não resolver problema, não é tecnologia…

            []‘s

            Luís Vabo

  2. Henrique Sérgio Abreu disse:

    Prezados Solange e Luís Vabo (impossível separá-los)
    Quando lhes sugeri abrir o Reserve ao mercado olhava para o futuro. É o que faço na Casablanca Turismo: trabalho sempre dois anos à frente. Acho que é por isso que meu telefone nunca toca. Não tem ninguém lá ainda.
    2008 foi um ponto de inflexão na curva do desenvolvimento do turismo quando na ABAV foram assinados os Contratos com TAM e GOL trocando as Comissões pelas DU’s. A partir de então iniciamos um grande projeto interno para nos adequar ao novo ambiente de negócios que passou a vigorar desde então. Entendemos que uma dessas tendências é a da concentração empresarial. A Brasil Travel, que optpu por não abrir seu capital neste momento, deve continuar como uma empresa de abrangência internacional em todos os segmentos do turismo. Eventualmente, se for do nosso interesse, voltar-se-ia a este tema. Agradecemos as referências. Nada fizemos de excepcional. Só tentamos nos antecipar ao curso da história. Aliás, como o Reserve. Abraços, Henrique Sérgio.

    • Luís Vabo disse:

      Querido amigo HS,

      Sua participação em nossa história é mais que uma referência, está em nosso DNA.

      Estarão lá para sempre, independentemente de para onde o futuro nos leve: Casablanca, Copastur, Costa Brava, Riotravel, Aeroturismo, Solid e Jet Stream são as 7 agências visionárias que acreditaram numa ideia, que se transformou naquilo que o Reserve conquistou hoje, no Brasil e na América Latina.

      Só temos a agradecer.

      []‘s

      Solange e Luís Vabo

  3. ROCCO LAIETA disse:

    Casal Vabo (seguindo o pensamento, que não se pode dissociar o Luis da Solange)
    Bela trajetoria sempre em ascenção, de empenho profissional com muito esforço e afinco, não poderia ter melhor resposta que o SUCESSO.
    Concordo com os diversos “Julio Verne” mencionados, muito embora eu tenho certeza que existem muito mais, mas que não tem espaço e nem são ouvidos.
    As palavras PODER -CAPITAL – TRABALHO são uma trilogia muito forte, presente em poucos empresários , no nosso cenario combalido, injusto, competitivo e muitas vezes frustrante.
    Tenho certeza que o RESERVE foi um divisor de aguas, na gestão não só para as agencias para também para grandes empresas é a ferramenta que a cada dia vem conquistando seu espaço.
    Abraço

    • Luís Vabo disse:

      Querido Rocco,

      Você tem razão.

      A relação de pessoas marcantes em nossa história é bem maior do que essa, e bem sei que corri o risco de omitir alguns nomes importantes, como o seu e de todos aqueles que aderiram à nova tecnologia em seu primeiro momento e acreditaram num projeto que, naquela época, outros duvidavam…

      []‘s

      Luís Vabo

      • Rocco Laieta disse:

        Prezado Luis
        ….gostaria de registrar, que nunca tive pretensão de fazer parte de lista de nomes de atuações marcantes….feras, prefiro os ….bastidores, agradeço muito sua avaliação a meu respeito.
        Gostaria de aproveitar o gancho, como o Reserve já e a ferramenta indispensável para os agentes / empresas com bom senso, não sei porque com a tecnologia que já possuem, o Reserve não amplie o leque para uma gestão administrativa, ou seja, concorrer com : Stur, Regente, Banner oferecendo ao nosso mercado mais uma escolha, sem que sejamos reféns desses canais, nem todos eficientes para as nossas necessidades diárias…..pensem a respeito, capacidade vocês tem de sobra.
        Forte abraco

        • Luís Vabo disse:

          Rocco,

          Do jeito que o mercado evolui rapidamente, temos que ter a humildade de perceber que levaríamos muito tempo para chegar próximos do amadurecimento dos BKOs que você citou, que conhecemos bem.

          Como negócio, e você há de concordar comigo, preferimos focar no conceito que criamos e, dessa forma, puxar a fila…

          []‘s

          Luís Vabo

  4. Dilson Vercosa Jr disse:

    Prezados Luis e Solange

    Uma grande honra ter sido citado em seus comentarios. Lembro bem do inicio do Sabre, ainda parte da American, e todos os esforços que voces fizeram para lançar a Solid no mercado. E bom acompanhar o sucesso de voces !!!
    Parabéns .

    Dilson Vercosa Jr

    • Luís Vabo disse:

      Dilson,

      Existem coisas difíceis de esquecer e sua resposta naquele momento é uma delas.

      Antes mesmo da Solid ter o CNPJ e o registro da Embratur, em abril de 95, sua resposta à Solange, que já tinha demanda para emissão de 2 tkts first class para New York (Pax Geraldo Sá e esposa) foi emblemática para nós: “Solange, pode reservar e emitir direto na AA, pois sua palavra vale mais que um registro”.

      Esse fato, tão simples para você, simbolizou o quanto o mercado acreditava na profissional Solange Vabo, ex-diretora por 10 anos da Avipam (ótima escola dos amigos Slomp), que iniciava seu empreendimento solo na Solid.

      Mais que tudo, sua resposta nos deu a segurança de arriscar, investir e empreender.

      Obrigada, amigo…

      []‘s

      Solange e Luís Vabo

  5. Douglas Domingues disse:

    Estimados Luis e Solange,

    Foi emocionante ler meu nome citado no seu blog – me trouxe boas lembranças. Como representante legal do Sabre Brasil na epoca, foi uma honra para mim ter assinado o primeiro contrato do Sabre com a Solid. Me sinto orgulhoso de fazer parte da história da Solid. Estou morando fora do Brasil ha mais de 10 anos mas continuo seguindo de perto o sucesso de vcs!

    Abraços,

    Douglas Domingues

    • Luís Vabo disse:

      Muito legal receber notícias suas, Douglas,

      Você faz parte da trajetória da Solid e não esqueceremos da distinção que recebemos, durante o Congresso do Sabre de Chicago, como “A agência de viagens que mais realiza negócios online no Brasil”.

      O mais puro e-commerce, em 1998 !

      []‘s

      Solange e Luís Vabo

  6. Rui Carvalho disse:

    Luis,

    Parabéns pela brilhante história da Solid que eu conhecia apenas à distância. Mas meu comentário é mais para dar graças a Deus que você (assim como eu) não se encaixa na geração Y ou BB, pois assim podemos ler seus textos corretos, com estilo, redigidos com coerência e narrativa agradável, o que nos faz não apenas ler com prazer, mas devorar TUDO que você escreve. Sou seu fã!

    Um abraço

    • Luís Vabo disse:

      Rui,

      Entre os leitores deste blog, muitos se destacam pelos comentários inteligentes e coerentes, contra ou a favor, mas sempre agregando ao debate.

      Entre esses comentaristas, alguns se destacam também pela generosidade.

      Obrigado, Rui.

      []‘s

      Luís Vabo

  7. Adalcy Santos disse:

    Caro Luís,
    muitos são uns cumprimentos a você, a festejada cola com a Solange, o aplauso ao sucesso de seus trabalhos e, com razão, a eles quero me juntar.
    Mas, vaidosamente, me sinto privilegiado: eu o faço enrolado no carinho – mais um entre tantos – quando fui homenageado como Padrinho (o P maiúsculo se eternizará na palavra). Mas, se o mereci, há que se descobrir palavra que se dê, e se faça justiça, aos maiores beneficiados: o Favecc e, por natural consequência, o Abracorp. Eles, seus associados, e por que, não?, todo o Turismo, são os grandes ganhadores.
    E, isso não explica e justifica a minha vaidade e pretensão?
    Um abraço agradecido e o beijo na querida Solange.
    O
    Adalcy

    • Luís Vabo disse:

      Querido amigo Adalcy,

      Sempre generoso demais da conta…

      Na realidade, meu texto faz justiça a alguns (e os citei), mas bem que deveria fazer a justiça a muitos outros, que perceberam a necessidade de mudar e o fizeram.

      Você, com sua sabedoria e simplicidade, motivou essa pequena revolução.

      Retribuo o forte abraço e o beijo da Solange

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