Arquivo de 12 de março de 2012

VISTO AMERICANO

segunda-feira, 12 de março de 2012

Ao assistir o presidente Obama discursar na Disney sobre a receptividade aos turistas brasileiros, fiquei feliz em perceber que o Brasil está conquistando uma nova percepção junto aos EUA, como vem acontecendo com diversos outros países (infelizmente nem todos, ainda…).

Por isso, e com o objetivo de dar um feedback sobre o processo de solicitar o visto para os EUA, comento abaixo experiência que vivi no início deste mês para obter a renovação do visto, comparativamente com o mesmo procedimento há 4 anos.

Após preencher o cadastro no site do consulado, no início de janeiro, e pagar as respectivas taxas, agendamos para 14:15h do dia 07/03/12, mas fomos recomendados, pelo próprio site, a chegar com 30 minutos de antecedência.

Ao chegarmos ao consulado, no Centro do Rio de Janeiro, pontualmente às 13:45h, surgiu um problema logístico: onde deixar os telefones celulares, já que a entrada de aparelhos eletrônicos (mesmo desligados) é proibida no consulado americano?

O espírito empreendedor do brasileiro resolveu a parada: diversos “agentes guardadores” de telefones celulares atuam livremente na calçada na entrada do consulado, parecendo serem credenciados, vestindo uniformes alusivos ao serviço que oferecem, durante o tempo em que o interessado estiver dentro do consulado, por R$ 4,00 por aparelho.

Percebendo que este serviço era oferecido concomitantemente com o apoio oferecido por prestativas assistentes portadoras do logotipo do consulado em seus coletes, acabamos por entregar 2 iPhones a um guardador desconhecido na rua, que os colocou em um saquinho plástico e entregou-nos um “protocolo”…

Introspectei para considerar resolvida esta etapa, entramos no consulado e, após a usual inspeção de segurança e uma breve fila, recebemos uma senha de atendimento, que parece ser entregue de acordo com o horário agendado e não por ordem de chegada.

Isto fez com que diversas pessoas agendadas antes do nosso horário, mas que não seguiram a recomendação de chegar com antecedência, fossem atendidas tão logo chegaram ao consulado, tornando sem sentido chegar antes do horário…

De qualquer forma, por volta de 15:00h fomos muito bem atendidos por uma consulesa que falava pausadamente em inglês e razoavelmente bem em português e a entrevista foi rápida e cortês.

Ao sairmos, ela recomendou “be sure to pay your sedex” e nos indicou um posto da ECT dentro do consulado, cujo propósito entendemos que seria recolher o valor da taxa de envio do passaporte ao nosso endereço.

No posto dentro do consulado, 2 funcionários da ECT nos direcionaram a uma agência dos correios fora do consulado, no quarteirão seguinte, onde a fila beirava o caos, mas conseguimos, após 40 minutos, pagar o valor do sedex.

Após recolher os celulares no posto do “guardador”, contra a entrega do protocolo, contabilizei:

Tempo total = 3 horas (das 13:45h às 16:45h)

Despesa total = R$ 350,00 (taxa de agendamento + taxa do visto + guarda celular + sedex + cópias + foto)

Apesar desse trabalhoso procedimento do sedex, ficamos com a nítida percepção de que, nos últimos 4 anos, melhorou o atendimento no consulado americano, em termos de qualidade e agilidade, apesar do vertiginoso crescimento de solicitações de visto por brasileiros interessados em visitar e fazer compras nos EUA.

Mas, neste mesmo período, muita coisa mudou na economia e nas relações comerciais entre os dois países, fazendo surgir uma nova pergunta que não quer calar:

Se receber o turista brasileiro é bom negócio, como afirmou claramente o presidente Obama, quando as autoridades americanas abolirão a exigência do visto para os cidadãos brasileiros?

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