PARA QUEM ACHA QUE SABE TUDO…

O tempo nos ensina, nos castiga, nos faz refletir…

O sujeito passa pela vida estudando, estudando muito, gradua-se, faz pós-graduação e continua estudando, capacitando, qualificando, trabalha e participa de treinamentos, inscreve-se em seminários e congressos, lê livros, revistas, jornais, tudo online, mas offline também.

Dedicado, ele evolui profissionalmente, assiste e participa de palestras, debates e simpósios, é convidado para conferências, passa a orientador, treinador e painelista, torna-se referência em alguma coisa, vira especialista e formador de opinião, é convidado a palestrar e moderar debates, a escrever artigos e registrar suas opiniões sobre o mercado, suas visões do mundo, sonha em escrever um livro (às vezes consegue).

De repente, acorda imaginando (ou genuinamente sentindo) que, em termos profissionais, já sabe tudo, já viu de tudo, já testemunhou quase tudo nesta vida e que, por isso, pouca coisa poderá surpreendê-lo em sua trajetória.

Passa a acreditar que tem o monopólio da verdade, que é o único que conhece o caminho para determinadas soluções, embebeda-se de vaidade e não percebe a transitoriedade de tudo, do seu trabalho, da sua vida, do seu legado.

Pois é aí que mora o perigo…

Enquanto se julga “O Cara”, na verdade o sujeito pode ter entrado, de forma inexorável, na fase inicial de seu processo de obsolescência profissional.

O que ele pensa ser o seu auge, pode ser o início de sua lenta retirada de cena, involuntária, compulsória até, afinal, para quem chega ao topo e deseja continuar, só resta descer…

A falta de moderação (nem falo humildade), de algum senso, de equilíbrio, de percepção da realidade, de respeito à inteligência e à capacidade dos outros, tende a desviar o indivíduo da verdade.

O ser humano, a sociedade, as pessoas observam e percebem tudo, e não perdoam o “sapato alto”, a soberba, o “nariz em pé”, a empáfia, o “modéstia à parte”, o falso altruísmo, a arrogância, a prepotência…

E quando falta sensibilidade, falta quase tudo…

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25 comentários para “PARA QUEM ACHA QUE SABE TUDO…”

  1. Luciano disse:

    Oi Luís,

    parabéns pelo texto, achei ótimo e verossímil. Também me lembrou o vídeo da palestra do Mario Cortella, “Você sabe com quem está falando?” e a resposta que achei fantástica para essa pergunta: “Com o vice-troço do sub-treco”.
    Segue o link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=nDiBI2RKfr8

    Grande abraço

    • Luís Vabo disse:

      Luciano,

      O Prof. Mario Cortella é um craque, conheço um pouco o trabalho dele, mas na verdade, não foi nele que me inspirei.

      Escrevi este texto em 5 minutos, após observar alguns comportamentos esquisitos de pessoas do trade, ninguém especificamente, um pouco de todos nós…

      []‘s

      Luís Vabo

  2. Marcos Hrnandez disse:

    Prezado Vabo,

    Na hora, algumas das expressoes do seu post me trouxe a memoria uma recente sequencia de mesmices iniciadas, ai sim!, pela caricata frase ‘desses’ que voce menciona: ” nunca nesse Pais…”

    Bom feriado por ai, Bencaos do Senhor e meu abraco,

    Marcos Hernandez

  3. Heloisa Prass disse:

    Ai ai Luís, prá te “inspirar” assim o momento deve ter sido tenso….Ou os momentos. A humildade, no sentido de saber exatamente o espaço que se ocupa e o respeito ao espaço do outro, ainda é a maior virtude. Eu assinaria este post. bjs

    • Luís Vabo disse:

      Pois é, Helô,

      Não foi especificamente um momento, mas uma série de observações de atitudes de muitas pessoas (incluindo eu), que culminaram nesse texto “baixo astral”…

      Fazer o quê? A vida não é feita só de situações positivas.

      Ainda bem que temos um feriado e o sol vai brilhar no Rio de Janeiro !!

      []‘s

      Luís Vabo

  4. Prezado Luís,

    Confesso que me assustei no começo do texto pensando que era alguma auto-biografia, mas logo percebi que não se tratava de vc :)

    Infelizmente temos muitos desses no turismo, mas ao mesmo tempo me alegro em saber que existem alguns poucos dotados de humildade, sabedoria e vontade para equilibrar essa balança.

    Abs,
    Alberto Sá Júnior

    • Luís Vabo disse:

      Alberto,

      De certa forma, não me excluo de boa parte deste roteiro.

      Apesar de preocupar-me com o assunto, a vida, a rotina, a correria, o mercado, a sociedade pactuam para nos tornar todos insensíveis…

      Mas tem muita gente que extrapola e age como se a verdade fosse seu monopólio.

      Ainda acredito no contraditório (como já escrevi aqui), na divergência de opiniões, na discussão e no debate e isso não combina com plenipotência.

      []‘s

      Luís Vabo

  5. Adriano disse:

    Muito bacana este post. Uma vez eu escutei alguém dizer o seguinte: A educação e a humildade são 2 chaves poderosas, e, elas ABREM PORTAS EM QUALQUER LUGAR DO MUNDO.

    Ao contrário desta afirmação e bem dentro do foco do teu post, certa vez eu presenciei uma situação que segue 100% resumida:

    Atendente recebe a ligação e tenta explicar de 1000 maneiras determinada situação, e, ele tem 100% de razão no que está explicando.

    Do outro lado a pessoa diz ” EU TENHO 20 ANOS DE TURISMO SEU MOLEQUE ”

    A resposta foi implacável:

    ME PERDOE, EMBORA O SENHOR TENHA 20 ANOS DE TURISMO AINDA NÃO APRENDEU ESTE DETALHE QUE EU APRENDI EM MENOS DE 5 ANOS.

    Vivemos aprendendo dia a dia e morremos sem saber muita coisa !!!! Que Deus nos livre da arrogância.

    • Luís Vabo disse:

      É, Adriano, é bem por aí,

      Sua história exemplifica bem o tipo de atitude que inspirou meu texto.

      E assistimos isso todos os dias, em maior ou menor escala.

      Tento não perder a capacidade de perceber e de indignar-me, mesmo que não haja muito a fazer…

      []‘s

      Luís Vabo

  6. ROCCO LAIETA disse:

    Caro Luis
    Não vai ter espaço para todos os que vão se “encontrar e identificar” no seu depoimento (inclusive eu).

    forte abraço

  7. Paulo Perez disse:

    Nós somente caímos da moto, quando “achamos” que sabemos andar…

  8. João Bueno disse:

    Ei Mr. Vabo, passo apenas para registrar que li, e que este é o grande desafio de todos enquanto “viventes” – nunca concluir que tudo sabe! no mais, é tudo isso ai em cima e mais um monte de coisa….bom feriado e aquele abraço pra você e familia.

    • Luís Vabo disse:

      Grande Juan Bueño,

      A questão é que nem todo mundo age desta forma, alguns simulam humildade (o que é ainda pior), outros julgam que a arrogância é uma arma (de defesa da própria ignorância talvez) e outros ainda (como eu) tentam conviver nesse cipoal achando que conversar sobre isso faz algum sentido.

      Será?

      []‘s

      Luís Vabo

  9. cassio salles oliveira disse:

    Luis
    Como sempre brilhante seu texto. Super importante encontrarmos situações que nos trazem de volta ao “planeta terra” e acho que a quantidade e qualidade dos comentários acima já provou que todos nós precisamos de amigos que nos dêem esses puxões de orelha….agora sacanagem ficar falando de feriado com sol no RIO para um paulista que só tem um Restaurante Week para curtir por aqui…abração

  10. Rui Carvalho disse:

    Luis,

    Mais um texto primoroso e oportuno que nos faz refletir. Com toda a certeza qualquer um de nós, os que têm considerável tempo dedicado à atividade, já nos sentimos na situação descrita no seu interessante post. Certa arrogância, prepotência e a sensação de que já sabemos tudo são sensações que nos assombram vez por outra. Quando temos a serenidade de afastar tais pensamentos e ir à luta, isso não chega a comprometer nosso desempenho nem como profissionais nem como indivíduos, porém, se nos deixamos levar por essa embriagues, aí toda a reputação e respeito adquiridos ao longo de décadas de trabalho vão para o ralo. Achar o equilíbrio parece ser a receita mais prudente. Procurar ouvir os outros e aprender sempre é um bom antídoto. Aliás, mostrar-se aberto ao contraditório e buscar aprendizado constante, isso sim, denota experiência e sabedoria. De qualquer forma, quero deixar registrado que, tão lamentável e pernicioso como o arrogante ou prepotente, é o que usa a humildade como instrumento de auto-promoção. O escritor e jornalista Reinaldo Azevedo é autor de uma pérola impagável: “A humildade, quando usada deliberadamente em proveito próprio, não passa de uma forma de prepotência. É a arrogância pedindo aplausos.”. E durma-se com um barulho destes!!!

    Abraço e bom feriado (ando meio sumido, mas continuo seu leitor contumaz e fã de carteirinha, viu?) rssss

  11. João Ferreira Bastos disse:

    Belo texto Luís.

    Lamentavelmente vejo isso quase todos os dias.

    Bom feriado e abraços

    • Luís Vabo disse:

      João,

      Vejo como um comportamento típico da natureza humana, estimulado pelo convívio em sociedade e catalisado pelo espírito competitio das relações comerciais.

      Ou seja, somos todos vítimas desta pressão e não conheço quem possa atirar a primeira pedra…

      []‘s

      Luís Vabo

  12. Para mim este texto figura entre os melhores textos de sua autoria que tive a oportunidade de ler. Mostrando uma sensibilidade quase artística ao trazer para o universo das palavras o teatro da vida. A indústria do turismo é cheia de garbo, elegância, muita gravata, muito paetê, muito madame e messieurs, com perdão da rima. Isso naturalmente eleva o ego de algumas pessoas especialmente aqueles que trabalham voltados ao segmento de luxo. Por isso um texto como esse é sempre bem vindo, para nos lembrar que somos apenas 1 em 7.000.000.000 BILHÕES, que do nada viemos e para o nada voltaremos existencialmente falando, e não convém a nós nos comportarmos como nada agora. Bom feriado Luís.

    • Luís Vabo disse:

      Obrigado, Miguel,

      Talvez porque eu o tenha escrito de roldão, sem pensar, de forma instintiva e como consequência de fatos recém observados.

      Infelizmente, não é esta a minha característica, pois pela própria natureza e tema deste blog, usualmente pesquiso os dados e burilo o texto.

      Agradeço por sua opinião.

      []‘s

      Luís Vabo

  13. Rubens Falcão disse:

    Caro Vabo,

    O melhor comentário sobre o seu post foi você mesmo quem o fêz, respondendo ao João Ferreira Bastos: “…não conheço quem possa atirar a primeira pedra…”

    [ ]`s

    Rubens

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