Mais barulho que dados

Já tem um tempo que me incomoda demais a quantidade de “autoridades” falando das ameaças da economia compartilhada, especialmente o AirBnB, para os estabelecimentos tradicionais do turismo.

Pois bem, chega hoje a notícia de um relatório feito pela Expedia com viajantes europeus e o resumo é simples – 67% dos britânicos preferiram ficar em hotéis, e 66% dos alemães também. Apenas 6% de britânicos e 10% de alemães preferiram hospedagem alternativa.  Quem respondeu a pesquisa viaja no mínimo 3 vezes ao ano a negócios e pelo menos 9 dias por ano em férias, de modo que são considerado grandes consumidores de serviços hoteleiros.

Alemães e britânicos gastam cerca de 31% do orçamento da viagem em hospedagem, e franceses gastam 22%. A pesquisa ainda indica que, em função da proximidade dos países e destinos, a despesa com hospedagem é a maior entre os gastos dos turistas, e que hotéis tradicionais seguem sendo a opção entre quatro tipos de clientes, de diferentes faixas etárias e comportamentos de consumo.

O que eu quero dizer com isso? Simples – onde estão as pesquisas que demonstram efetivamente como se comporta o consumidor de hospedagem no Brasil? São confiáveis ou são feitas na base do achismo e da invenção, como sempre? Quando estes senhores resolverem arcar com custos de boas pesquisas, provavelmente vão ter dados surpreendentes e que podem, muito certamente, contradizer suas crenças.

E de repente vão descobrir que não é a oferta de acomodação alternativa, mas sim a falta de bom trabalho na captação de novos mercados e atração de clientes.

Os detalhes da pesquisa estão aqui

Ideias para copiar

Entre os dias 02 e 06 de maio aconteceu em Lucerna, na Suíça, o World Tourism Forum of Lucerne, que é composto por um fórum e quatro eventos paralelos. O que faz este evento ser considerado um dos mais importantes do mundo, alinhado com a Assembleia Geral da UNWTO e o WTTC Summit é o fato de que, entre os três, é o único que conseguiu integrar efetivamente a noção de que a discussão do futuro do turismo passa, necessariamente, pela integração com quem vai comandar a atividade neste mesmo futuro. O slogan do evento é “Onde os líderes globais do turismo e hospitalidade se encontram com a nova geração”.

A maioria dos participantes do evento é convidada, muito embora seja possível pagar para participar. A seleção dos convidados é feita em função de seu papel no país ou organização que representa e sua capacidade de transmitir as informações do fórum à comunidade de turismo.

A participação latino-americana ainda é muito pequena, o que pode ser um reflexo do compromisso regional com o turismo. As ilhas do Caribe e seus representantes são mais interessadas no tema e, portanto, enviam seus representantes, e pode-se entender que isso se dá pela importância econômica da atividade.

Sob o tema “mantenha-se relevante em tempos incertos”, o fórum abordou assuntos polêmicos e procurou debater “as questões que não queremos tratar”. Em breve, apresento uma síntese das discussões.

Foram dois eventos paralelos, no entanto, que se destacaram ao meu olhar de professora: o Career Planning Session e o Next Generation Day.

No primeiro, os membros do conselho consultivo indicam um tema amplo que é divulgado com dois anos de antecedência, e alunos de todas as universidades parceiras devem submeter um estudo, e os oito melhores são convidados a participar de uma sessão de planejamento de carreira conduzida pela Korn Ferry e parceiros. Os três melhores recebem também prêmios e reconhecimento público das autoridades presentes. Todos saem de lá praticamente empregados, dependendo apenas do tempo necessário para conclusão de seu curso.

Acima, os oito alunos selecionados para o WTFL 2017.

Já no Next Generation Day, quinze CEOs são convidados para indicar o funcionário que é considerado destaque – um jovem talento – e que vai ser um dos responsáveis por conduzir a empresa a este “futuro” que a cada dia é menos previsível. Estes jovens participam de uma competição submetendo ideias que devem ser possíveis de aplicação imediata em empresas do setor. O autor ou autora da melhor ideia é convidado a se juntar ao conselho do Fórum para ajudar a adequá-lo aos cenários futuros. Da mesma forma, todos os jovens talentos são apresentados às autoridades presentes e fortalecem sua rede de relacionamento. Detalhe – filhos e herdeiros não podem ser indicados.

Os quinze jovens talentos representando governo e empresas privadas.

Eu desconheço abordagens similares aqui no Brasil. Mais que isso, eu não me lembro de ter visto um evento enxergar os estudantes e os jovens talentos da mesma forma e dar eles tratamento equivalente aos outros convidados – por vezes, sequer são autorizados a participar de eventos, seja pelo valor impeditivo das inscrições, seja pela forma como são (mal) recebidos.

Por outro lado, sempre é tempo de compartilhar ideias e esperar que alguém se inspire.

 

“Bora” começar do zero?

Demorou um pouco, mas eu aprendi que não se deve lutar contra ondas e modismos. É inútil, cansativo e desnecessário. É como o uso do bora ali no título. Tem gente que posta borá, mas isso sabemos que é errado. O bora (leia bó-ra) vem de vamos embora, vam’bora, bora…  um convite ao movimento, à mudança, à saída da inércia.

Dia desses participei de reunião em que o “empoderado” disse que tudo o que havia sido feito antes era, no mínimo, desprezível, e que o certo era começar do zero. DO ZERO. Pense em uma pessoa indignada. Os mais próximos até me pediram para mudar a expressão de desânimo e raiva no olhar, mas foi impossível. Começar do zero? Que zero, cara-pálida?

Tudo o que está aí colocado, no turismo desse país, tem história. Tem dedicação e empenho de muita gente. Teve compromisso e cuidado. Foi feito com disposição. Deu errado, a gente sabe, mas principalmente por falta de liderança competente para reconhecer que o que havia era bom, e poderia ser melhorado.

Mania que amaldiçoo é essa de apagar o passado e querer começar do zero. Olha o passado, anota. Olha o ideal, desenha. Liga os pontos e veja o que dá para melhorar. Há caminhos. Vários, diferentes, complementares.

Agora sobre começar do zero, de verdade, o que precisa é começar a criar um alfabeto do turismo brasileiro – ensinar os políticos, especialmente esses aventureiros que pegam as secretarias estaduais, as diretorias, as vezes até o ministério, e dizer que eles tem que parar de fazer obviedades como se fossem a maior descoberta da ciência.

Chega a dar vergonha dos estrangeiros que tem que ouvir as solenidades de abertura.

Bora lançar a campanha – “alfabetização básica do turismo” para quem acha que todo nosso setor só estava esperando o salvador da pátria político de passagem para ser reconhecido.

 

Quem responde pela irresponsabilidade?

Grande parte do meu trabalho depende, hoje, da internet. O meu e o de milhões de outras pessoas. Em média, fico 10 horas por dia em frente ao computador lendo artigos, relatórios, pesquisas, entrevistas, notícias e posts que tratam, direta e indiretamente, do setor de turismo. A parte mais rica, hoje em dia, são os grupos de discussão com curadoria especializada – isto é, grupos em que alguém filtra as notícias segundo um dado critério previamente apresentado, e os participantes contribuem debatendo ou trazendo notícias e/ou dados complementares. Eu mesma já organizei um para compartilhar dados com os meus alunos e colegas de área com interesses similares.

Nessa atuação constante de leitura e filtro, há muita repetição, muita notícia requentada, muitas análises superficiais e – obviamente – muitos dados distorcidos, que transformam mentiras em verdades convenientes.

Com o tempo, todos vamos aprendendo a separar o real do imaginário, o demagógico do possível, e muito do que é falso se perde. Porém, quando se lida com jovens estudantes, cujo intervalo de atenção e concentração é menor e que se fixam em manchetes ou frases repetidas por professores, acredito ser necessário destacar que não podemos ser irresponsáveis.

Imagine se nossa área envolvesse risco à saúde ou segurança pública. Esse é o paralelo que me norteia, muitas vezes. Eu gostaria que um dentista em formação fosse muito bem treinado em aplicar anestesias e fazer obturações, da mesma forma que espero que um médico seja um grande conhecedor de sintomas, e que um engenheiro saiba, por exemplo, projetar uma ciclovia sobre o mar que não desabe na primeira ressaca.

Da mesma forma, eu gostaria que os alunos que estudam turismo fossem orientados a entender a atividade dentro de um contexto mais amplo, e não apenas sob os interesses de um pequeno grupo. Que investimentos estrangeiros, por exemplo, implicam na geração de empregos, arrecadação de impostos, estímulo à competitividade e, como em qualquer área, remuneração de capital (sim, parte do lucro volta para o país de origem, e é assim que funciona em qualquer área). É muito triste saber de professores que são “veemente contra a presença das redes internacionais no país”.

Há também professores ignorando a formação cultural e a pressão da mídia, e dizendo que “nenhum brasileiro poderia fazer uma viagem internacional sem antes conhecer o seu país”. Sim, desse jeito mesmo. E às vezes pior.

Advogam pelo fim da exigência bilateral de vistos sem levar em conta os cenários internacionais, falam de atração de visitantes de mercados distantes e sem aderência ao produto brasileiro, tratam de questões antigas e se esquecem de sair do “quadradinho” para ver que nem tudo o que afeta o turismo é decidido pelos profissionais da área.

Em maior ou menor grau, a transmissão de informações equivocadas, sem a posterior correção, é uma grande irresponsabilidade. E todos devemos ser cuidadosos ao aceitar e replicar tais “inabaláveis verdades absolutas”.

Lá fora é melhor? (reloaded)

Nesta semana, eu tive a chance de conhecer representantes de uma universidade européia que oferece um curso chamado International Tourism & Leisure. É possível concluir o curso em 3 anos. Sem conhecer os professores e o conteúdo, é muito rápido avaliar algo como bom ou ruim. Mas minha atenção ficou presa nos nomes das disciplinas, e compartilho com vocês, com a seguinte provocação – se o seu curso tivesse estas disciplinas e professores que dominassem estes assuntos, você estaria melhor preparado para atuar no setor?

Fundamentos de Negócios

Fundamentos de Inteligência de Negócios (Business Intelligence)

Ferramentas digitais

Gestão empreendedora

Culturas mundiais

Princípios de Marketing

Inglês para Turismo

Idioma eletivo (Francês, Alemão, Espanhol, Chinês)

Fundamentos do Turismo

Cultura e Arte

Turismo Internacional

Mercados emergentes – América Latina

Tópicos de Negócios Asiáticos

Fundamentos da Análise de Negócios

Gestão de marca pessoal (personal branding)

Comércio internacional

Relações internacionais com os EUA, Reino Unido e Commomwealth

Tecnologia e Viagens

Aviação

Mercados emergentes: Rússia e Europa Oriental

Gestão de Relações com o Consumidor (CRM)

Mídias Sociais

Projeto Internacional

Resolução Ética de Problemas

Comunicações Interculturais

Intercâmbio (prática, o aluno viaja para outro país)

Capital Intelectual

Cálculo de Preço e Orçamento

Gestão de Viagens

Vendas e CRM para Turismo e Lazer

Ferramentas para Design de Serviços

“A Empresa Conectada”

Portfolio

Empreendedorismo em Turismo

Estágio internacional (1 semestre, obrigatório, não remunerado)

 

 

 

Preste atenção ao Fórum Panrotas

 

Este blog foi lançado no Fórum Panrotas de 2016, e desde então, constituiu-se em um espaço muito interessante de trocas. As estatísticas indicam mais de 25 mil visualizações das postagens e mais de dois mil comentários (nem todos simpáticos, verdade seja dita, mas a maioria muito legal e estimulante).

Nos dias 13 e 14 de março, a décima quinta edição do Fórum acontece no Grand Hyatt. Mais uma vez, será um evento tratando dos temas mais “quentes” e  gerando muito debate na platéia. O que me chama a atenção, desde a primeira edição, é que quase não se vêem professores participando. Algumas vezes, solicitei aos diretores da Panrotas que oferecessem convites a colegas, em troca de avaliações ou comentários, ou mesmo proposta de projetos. Para decepção de todos, alguns não enviaram as avaliações, outros participaram só de uma ou duas palestras, e outros ainda nem foram, desprezando o convite e impedindo que alguém mais interessado participasse. (Justiça seja feita – sei de professores que participam do Fórum assiduamente, desde sua primeira edição – e que se atualizam e atualizam seus alunos por conta disso, mas não passam de cinco num universo de 1500 inscritos).

Neste ano, alguns alunos interessados estarão na platéia. Vai ser bem interessante, tenho certeza.

Em menos de dois dias vão aprender sobre os temas que realmente movem o turismo brasileiro, e vão perceber que pouco sabem da vida real; mais que isso, vão aprender sobre organização de eventos, área de eventos em hotéis, gastronomia para eventos, logística de entrada e saída em sala, brindes, promoção de destinos, enfim – um mini curso de turismo condensado em dois dias.

Aceitaremos quaisquer desculpas – é caro, é longe, são dois dias, bla bla bla, mimimi.

Mas… É a sua área.

E os eventos contam com a fala de pessoas cujas idéias levam o turismo brasileiro para frente (e para trás também, infelizmente) e que determinam muito do que a gente vê acontecendo. De uma forma ou de outra, professores de todas as disciplinas teriam que estar mais envolvidos, ouvindo, discutindo, perguntando, e levando de volta para a sala de aula.

E se você é aluno, verifique. Veja em quantos e quais eventos não científicos seus professores participam – Fórum Panrotas, WTM Latin America, ABAV, Panrotas Next, Festival Path, Seminários técnicos da CNC e Fecomércio, entre dezenas de outros. É um indicador interessante de envolvimento com os profissionais da área e com o mundo do trabalho.

 

Você trabalha com o Carnaval?

Das muitas particularidades da área de Turismo, uma delas é, no mínimo, fascinante: a miríade de possibilidades de trabalho. Em diferentes documentos que indicam o que pode fazer um profissional formado em Turismo, a lista passa de 30 subáreas diferentes, se for possível considerar (pelo menos neste ambiente) que eventos e hotelaria são uma subárea e não uma área propriamente dita.

Sete em cada dez alunos, em início de curso, manifestam interesse pela atuação na área de eventos; a maioria dos alunos considera como eventos, antes de ter contato com os professores e os textos da área, os casamentos, os shows e os grandes eventos que aconteceram no país. Há uma aura mágica sobre o setor que atrai os jovens, e certamente é uma das áreas que mais mantém profissionais de turismo empregados, pelo menos enquanto ainda são jovens e muito dispostos.

Porém, poucos são os que  listam o Carnaval como uma área de atuação profissional. Talvez por considerá-lo apenas um feriado ou uma grande festa, e não um mercado efetivo, efervescente e cheio de potencial, a saber:

– profissionalizar os serviços de uma escola de samba para além do período do carnaval em si, isto é, montar loja online, criar identidade e souvenires, organizar e vender os pocket-shows, atuar em formaturas, administrar os projetos sociais;

– profissionalizar a gestão dos blocos, pensando em rotas, segurança, captação de recursos e patrocínio, identidade, venda e licenciamento de marcas;

– atuar com consultoria para hotéis, resorts e cidades menores na organização de carnaval fora de época e festas temáticas sobre o Carnaval;

– colaborar na estruturação de produtos envolvendo o Carnaval brasileiro, ao longo de todo ano, para turistas estrangeiros;

– mapear as fugas do Carnaval, para atender aos turistas que odeiam a ideia da música e folia do período;

– aprofundar as pesquisas históricas e culturais para auxiliar blocos, grupos e escolas de samba na definição de temas e enredos;

– especializar-se na gestão de público, para atuar em parceria com o setor público na distribuição de serviços como banheiros químicos, segurança, limpeza e fornecimento de alimentos e bebidas.

Por agora, vista a fantasia (ou não) e aproveite o feriado, com responsabilidade.

Depois da quarta-feira de cinzas, considere se a alegria do seu carnaval não pode virar sua fonte de renda.

Vale investir?

O ano acadêmico começando, as notícias indicando que talvez a economia melhore, portanto as oportunidades podem voltar a aparecer, especialmente para os mais jovens, e diversos alunos mandam mensagens perguntando o que fazer para complementar sua formação, para que possam ser (ou parecer) mais competitivos em processos de seleção.

Do outro lado, empresários que fizeram milagres para se manter operando, cortando custos, por vezes demitindo funcionários competentes, reduzindo investimentos, enfim, fazendo o necessário para que a crise não destruísse seu negócio. Retomam, muito timidamente, a confiança e já dão mostras de que as coisas vão melhorar.

Vão buscar mais profissionais? Certamente.

O currículo e os cursos desses profissionais vai ter que impressionar? Sim.

Vão pagar mais por formações adicionais ou cursos extras? Tenho certeza que não. E isso não é por não entenderem que o profissional melhor qualificado vale mais. É só porque não há condições, dentro do orçamento da empresa, de aumentar os salários (e os encargos) e também por haver uma grande quantidade de candidatos aceitando salários mais baixos. Antes ter salário do que não ter.

E aí volto à questão dos alunos – o que fazer para “aparecer”? No que investir?

Em duas reuniões que participei com empresários, que reclamavam do fato de terem oferecido cursos para seus funcionários, mas que quase ninguém concluiu, questionei se os cursos aconteciam na hora do trabalho ou fora do horário (e era sempre fora), e se a oferta era uma resposta a um pedido dos funcionários ou uma demanda da empresa apenas. A segunda opção foi a resposta mais comum.

No geral, as pessoas escolhem cursos que, de alguma forma, garantam uma melhoria imediata (ou pelo menos a percepção de melhoria imediata). É por isso que tantos cursos de “aprenda este idioma em um mês” vendem. São fraudes, sabemos, mas vendem. Porque vendem também uma ilusão.

Cursos que vendem prática também seduzem, mas a prática mesmo vem da experiência. O quarto de hotel simulado na escola jamais será o quarto do hotel com hóspede reclamando na recepção, com problemas de ocupação, com restrição de material de limpeza.

Então, o que fazer?

No atual cenário – busque desenvolver competências que sejam úteis em empresas diferentes. Pondere inclusive se não vale a pena investir em cursos fora do país – a depender do valor do investimento, você terá idioma, competências e a experiência internacional em um único produto/investimento.

Não se esqueça também da infinidade de cursos grátis e online, em plataformas como a Coursera. E se estiver um pouco cansado de ouvir falar sempre as mesmas coisas do turismo, pense em um bom curso de gerenciamento de projetos. Vai te ajudar, inclusive, a planejar melhor sua carreira.

Menos alunos a cada ano

Os cursos superiores de Turismo e suas áreas correlatas tiveram sua maior expansão – territorial e em números – na década de 1990. Já no início dos anos 2000, percebeu-se a retração na oferta de cursos de Turismo, compensada pela ampliação dos cursos considerados específicos – especialmente gastronomia e eventos.

Os pesquisadores que buscavam compreender a expansão dos cursos de Turismo, em sua maioria, concluíram que isso aconteceu como resultado da combinação de dois fatores: o estímulo à expansão do ensino superior, uma política do governo FHC, e os baixos custos de implantação do curso – salas de aula, lousas, giz e algum marketing para atrair alunos. Dados do Ministério da Educação registram aumento de 900% no número de vagas entre 1991 e 2001.

A perspectiva de sediar Copa do Mundo e Jogos Olímpicos criou a ilusão de que mais jovens se interessariam pelas carreiras, e, considerando os números da iniciativa privada, diversas universidades públicas instituíram seus cursos, que rapidamente se estabeleceram como referências nas regiões em que estão. Somente na USP, por exemplo, as vagas oferecidas passaram, em 2005, de 30 para 150 (início da oferta da graduação em Lazer e Turismo na EACH, complementando as 30 vagas oferecidas no curso de Turismo da ECA). No estado de São Paulo há ainda as vagas nos curso de Turismo da UNESP, UFSCar e IFSP.

Nas instituições públicas, dificilmente as vagas ficam sem preenchimento. O que vem acontecendo é a queda nas notas mínimas de aprovação – quanto menos alunos interessados, menor a disputa por vaga, e portanto menor competição, o que acaba invariavelmente diminuindo as notas de corte.

Nas universidades privadas, o fator preço da mensalidade e a necessidade de formar turmas com número viável para justificar os custos revelam não apenas a redução de turmas mas, infelizmente, o encerramento (ainda que temporário) da oferta do curso no portfólio da instituição. Diversos colegas professores com severas reduções salariais, ou mesmo desempregados, tendo que buscar outras alternativas para atuação profissional.

A questão – a cada ano, mais pessoas querem e vão viajar, mas menos pessoas se interessam pelas carreiras do turismo. Profissionais do setor não gostariam de ver seus filhos investindo em formação nessa área. O mapeamento dos salários de entrada no setor mostra que são, em sua maioria, desoladores. Ainda assim, há boas oportunidades e carreiras interessantes que não estão sendo ocupadas pelos formados em turismo.

Os gestores de RH já não fazem questão de contratar talentos pela formação, mas sim pela atitude que demonstram, independentemente do curso que escolheram. Devem ser bi ou trilíngues. E se demonstrarem competências de gestão estratégica e financeira, além de domínio das diferentes tecnologias, mais chances.

Portanto, o desafio é modificar e atualizar a formação, para que ela seja válida e necessária às empresas e organizações. Com isso, fica a questão para muitos mais posts nesse espaço – quais serão as mudanças nos cursos de Turismo para que não desapareçam nos próximos anos?

Recriar ou Melhorar?

Conhecimento não é estático, e não se constrói sozinho, ainda que existam pessoas que achem que são gênios iluminados e independem dos demais. Como diria uma pessoa muito querida – “você não nasceu de chocadeira”, então alguém te ensinou uma série de coisas que foram fundamentais para formar quem você é hoje.

Não ocasionalmente, quando você aprende a pensar sozinho, estrutura algumas críticas e “rompe” com as informações anteriores.  Ainda assim, há uma base sobre a qual você constrói sua crítica para poder chamar de errado o que antes considerava certo.

Nestes tempos de extremismos e maniqueísmos, muita gente entende que quando se começa a criticar o que está colocado, a proposta é unicamente a de destruir tudo e eliminar os porta-vozes das ideias.

Para ser diferente desta massa, podemos tentar ser ponderados e discutir ideias. E minha sugestão, aproveitando a audiência do Portal Panrotas e a disposição dos leitores, é coletar as impressões sobre como fazer com que os cursos de turismo fiquem:

  1. Mais úteis
  2. Mais interessantes e atraentes (pois a cada ano só diminui o número de interessados)
  3. Mais desafiadores
  4. Mais inovadores

Você tem uma sugestão? Poderia compartilhá-la?

Se sim – deixe seu comentário neste link https://goo.gl/forms/PqLHPfZMLJObXzrw2