Turismo: qual formação?

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Professor Dr. Marcelo Vilela de Almeida (marcelovilela@usp.br)

 

Participei em 2012, a convite de colegas de outras instituições de ensino, de um grupo de trabalho para discutir a possibilidade de criação de um curso superior de turismo em uma universidade pública (federal) em São Paulo. O convite era irrecusável, pois considero um privilégio poder me debruçar sobre as experiências de formação (novas ou existentes) na área, e já fiz isso em diversas e distintas circunstâncias, sempre com uma enorme satisfação.

Em um determinado encontro deste grupo, um dos dirigentes institucionais que também participava dos encontros nos questionou a respeito de conhecimentos, atitudes, habilidades e competências – termos que sempre aparecem quando o assunto é educação – que deveriam ser contemplados em um curso superior na área, e eis que começa um belo debate! Para encurtar a história, em um determinado momento eu perguntei ao professor da referida instituição se não era esperado de um médico, por exemplo, que soubesse as noções básicas de sua profissão para clinicar – e ele, evidentemente, respondeu que sim (para nossa sorte, como pacientes, pensei).

Ora, se o médico tem que saber sobre procedimentos “práticos”, “manuais”, “básicos” para avaliar, diagnosticar e tratar um paciente, por que o estudante de turismo deve ser considerado um “ser superior”, responsável pelo “planejamento” e “gestão” do turismo (como tantas vezes ouvimos em nossas instituições)? Como planejar e gerir algo se o estudante (com frequência e por várias razões) não tem a menor ideia do que acontece na base da operação?

Tracei este paralelo com a formação do médico por um motivo circunstancial na ocasião, mas poderíamos facilmente estender esta reflexão para outras áreas: o(a) profissional de enfermagem não deve conhecer procedimentos absolutamente básicos para atuar? O mesmo não vale para outros(as) profissionais das áreas da saúde, de tecnologia, de ensino, de ciências contábeis, de arquitetura ou engenharia e tantas outras? Preciso falar dos riscos que corremos quando contratamos alguém inadequadamente formado em alguma destas áreas? Então por que em turismo teria que ser diferente?

Se não fui traído pela minha memória, a história foi mais ou menos essa – mas, mais importante que os detalhes factuais, é a “moral” da história: o que deveríamos oferecer, naquele contexto, para formar um determinado tipo de profissional? Na verdade, o ideal é que invertamos a pergunta: sem saber antes que tipo de profissional queremos/devemos formar, resulta absolutamente inócuo pensar no que devemos oferecer!

Ocorre que, por diversos motivos (e podemos voltar a eles em outro momento), normalmente ninguém questiona quais as necessidades do mundo do trabalho – e aí aparece também, por vezes, outra discussão: deve a universidade “se dobrar” às necessidades do “mercado”? Mas isto também ficará para um próximo encontro…

O fato é que, neste campo, temos ainda muito mais perguntas que respostas – e considero bom que seja assim! Afinal, é a partir de nossos questionamentos que buscamos alternativas! Eu, particularmente, duvido muito de quem tem todas as respostas prontas… Se você pensa como eu e quiser ajudar na formulação de perguntas, seja bem-vindo! É com este espírito que pretendo participar deste novo blog do Panrotas. Pretendo em outras oportunidades voltar a alguns dos aspectos apenas tangenciados neste texto, bem como tratar de outros temas que surjam da participação dos leitores – assim, conto com sua coautoria neste processo!

O ensino de turismo já não tem mais a mesma importância (quantitativa, pelo menos) que teve nos anos 1990 e 2000, mas os desafios continuam existindo. Refletir sobre quais respostas podemos/devemos dar à sociedade em um contexto mais amplo – e ao setor profissional de forma mais específica – continua sendo nossa responsabilidade, e este espaço aberto pelo Panrotas é de fundamental importância para isto.

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Mariana Aldrigui

Professora e pesquisadora de Turismo na Universidade de São Paulo (USP)

51 thoughts on “Turismo: qual formação?

  1. Olá Mariana;
    Estudei turismo, me formei em 2000. Fui levado pela onda de “Turismo é a profissão do futuro”, sempre gostei da área e estou aqui desde então. Porém, a minha turma que começou com 60 pessoas, terminou com 15. Sinto (e acho que pouca coisa mudou) que as faculdades mostram um mundo que não é o real em relação ao que o aluno vai encontrar no seu dia a dia, muitas vezes colocando professores que pouco contato têm com a área na prática. Hoje, quando vou contratar um profissional, o curso superior passou a ser secundário se o profissional tem experiência e bom histórico profissional.
    Uma vez ouvi de um diretor meu, grande empresário de turismo: “Você fez faculdade de Turismo? Deveria ter gasto este dinheiro viajando; garanto que seria melhor para você profissionalmente”. Além disso, saímos com uma expectativa de carreira que é muito diferente daquilo que vamos encontrar. Assim como o médico tem que fazer residência médica, no turismo estágio é fundamental. Mas a remuneração é um ponto muito sensível e atrapalha bastante o início de um profissional.
    Eu acredito no Turismo, mas acho que o ensino nas faculdades precisa ser revisto.

    1. Oi Alexandre,
      também concordo com você, mas temos que ter em mente que esta situação (infelizmente) não é exclusiva dos cursos/empregos na área do turismo…
      O importante, creio, é esta disposição para repensar estes temas e mudar aquilo que está ao nosso alcance!

  2. O mercado de turismo se modificou muito nos últimos anos e requer uma formação mais ampla dos seus profissionais. O espectro do turismo de aventura requer conhecimento especializado que não é abordado na formação academica atual. Quais são as propostas de aprendizado para esses novos clientes?Como lidar com as mudanças nas políticas de comissionamento das companhias aéreas e da hotelaria? Como isso afeta o profissional do turismo? Acho que são tópicos que mereceriam uma reflexão, envolvendo os diferentes interlocutores. Que acha?

    1. Concordo, e acho que não fica só por aí não. Há diversos aspectos muito atuais que nem passam perto das discussões em sala de aula. Precisamos muito da aproximação com o mercado para mover a engrenagem de aprender, refletir, devolver, e aprender de novo…

    2. Caro Sergio,
      também estou de acordo: de fato, as mudanças são intensas e constantes, e a educação, muitas vezes, não acompanha esta velocidade. Pensemos em um livro, por exemplo: seu processo de elaboração é, em geral, tão demorado que há o risco da publicação sair da editora já desatualizado!
      Mas também temos que levar em consideração que a educação superior é, cada vez mais, “apenas” o ponto de partida rumo à vida profissional e que, na perspectiva da educação continuada, ela nunca dará conta de todas as necessidades de formação, que demandarão um esforço permanente de atualização e aprendizagem! Não podemos depositar todas nossas expectativas no curso superior: ele nunca será suficiente, em nenhuma área.

  3. Profa.
    Interessante reflexão/debate. Parabéns!
    Outro ponto para ser analisado, é a diferença do ensino das instituições públicas (geralmente mais focado em pesquisa) para instituições privadas (geralmente mais focadas para o mercado e empreendedorismo).
    Pelo meu entendimento, um dos fatores dessa ocorrência é a dedicação exclusiva dos docentes da pública, o que impossibilita atuar no mercado de Turismo.
    Vamos trocando conhecimento

    1. Caro Maurício,
      Eu não faria uma distinção tão fechada, mas entendo sua posição. Acredito que o importante é, sendo professores, precisamos saber o que se passa no mundo lá fora – entendendo que a vida acadêmica também é opção de carreira, mas que a maioria dos alunos irá, de fato, para o mercado (formal ou informal) de trabalho.

    2. Caro Mauricio,
      grato pelo comentário!
      Concordo que exista esta distinção, mas creio que, como professores, devemos fazer o possível para superar ou, ao menos, reduzir, esta distância entre pesquisa e prática. Como? É para isto que o blog foi criado: para pensarmos em soluções com quem se preocupa com o tema! Assim, contamos com sua participação nos próximos debates!

  4. Ótimo texto. Essa discussão referente aos elementos ideais para a formação superior no turismo me perseguiram durante toda a graduação e ganharam ainda mais força durante a atuação no mercado de trabalho. Concordo com o autor em todos os seus questionamentos e comparações com o processo de formação de outras profissões. Acredito que, apesar de não ter mais o mesmo peso quantitativo como em outros tempos, essa discussão é totalmente oportuna para reorganizar o processo formativo dos futuros profissionais do turismo, oportunizando também que os bacharéis em turismo que sobrevivem no mercado de trabalho, possam se aprimorar ainda mais.

    1. Oi Paulo, grato pelo comentário. Mas o trabalho está apenas começando 🙂
      Há muito o que refletir e discutir sobre o tema! Contamos com sua interação nos próximos posts!

  5. Mariana, parabéns pelos dois primeiros posts do seu blog. Sendo turismologo formado no inicio dos anos 2000, senti muita falta de procedimentos praticos de operação, noções sobre funcionamento do trade internacional, processos de vendas, etc. Tive a oportunidade de fazer um mestrado na França onde mais da metade dos professores eram profissionais atuantes no mercado e a diferença de visão era enorme. Acredito que sem deixar de lado a base teorica e de pesquisa, é necessario se buscar um equilibrio na formação e maior interação entre universidades e empresas.

    1. Oi Luiz,
      entendo suas colocações a agradeço pela participação!
      Como comentei em resposta a outro post, não podemos achar que a graduação dará conta de todas as nossas necessidades formativas, mas isto não pode ser visto como “desculpa” para a oferta de cursos de baixa qualidade! Há que se ter clareza do que é papel do curso superior e do que deve ser buscado em cursos livres, de pós-graduação, nas empresas etc..
      Esta sua experiência internacional é interessante pois serve para destacar que existe uma visão diferente do objetivo da pós-graduação no exterior. E, afinal, a França não tem a importância turística no cenário mundial à toa, não é? A propósito, onde você fez seu mestrado?
      Abraço.

      1. Ola, Marcelo,

        Fiz meu mestrado em gestão e planejamento de estações turisticas na Universidade de Bordeaux. Durante minha carreira tiva a oportunidade de receber e formar varios estagiarios franceses e de outros paises europeus. O sistema de graduação Europeu é mais flexivel do que o nosso, cada aluno pode se especializar e orientar sua carreira desde o segundo ano de curso. A maior parte das especializações são bastante voltadas à pratica na empresa, e todos os alunos que recebi falavam no minimo 2 linguas estrangeiras, algo essencial na nossa profissão. Acredito que o caminho seja por ai, adaptado é claro a realidade do mercado brasileiro.
        Abraços,

  6. A muito tempo não lia um texto sobre o turismo que soe tão recente. Sou Graduada em Turismo a quase três anos e até esse momento as únicas experiências que tive com a profissão foram as vivências do curso (que tb é uma instituição federal ) e os meses de estágio. O curso tem conceito 4 pelo MEC

    1. Olá Ana Cristina,
      obrigado pelo comentário!
      Infelizmente, esta situação que tentei retratar no post não é nova (apesar de soar recente)! Sinal de que pouca coisa tem sido feita para mudá-la 🙁
      Que bom que, apesar das dificuldades que as instituições públicas enfrentam, você teve a oportunidade de participar das atividades oferecidas! Isto me faz pensar que os estudantes também devem sair da passividade e cobrar as necessárias mudanças de suas instituições!

  7. Excelente colocação, Sra. Mariana Aldrigui. Sou recém-formado em Turismologia.
    Percebi que a minha faculdade era muito boa ao entrar.
    Só que, quando, peguei o primeiro emprego na área, até então nunca tinha trabalhado com o Turismo, vi que me faltavam muitas coisas. E no decorrer da graduação percebi que continuei sem descobrir essas muitas coisas. Mas, dei graças a Deus que o meu emprego me ajudou a me desenvolver. Sem esquecer de falar na minha total dedicação em querer aprender e querer saber.
    Não quero também menosprezar os professores profissionais que me galgaram. Até mesmo, quando eu tinha algumas dúvidas, eu os perguntava e eles me ajudavam. Mas, sempre ouvia algo assim: “Isso não refere-se a matéria… Mas vou te ajudar!”
    Mas, realmente, falta um pouco mais do dia a dia, da prática do turismo nas faculdades.

    1. Oi Paulo,
      tratei de alguns aspectos do seu comentário nas respostas que postei aos outros participantes do blog, mas você menciona algo que considero super importante: a dedicação pessoal do estudante!
      A faculdade e a empresa têm seu papel na formação (e há muitas outras variáveis envolvidas no sucesso profissional), mas penso que a dedicação é determinante! E isso vale tanto para o aluno da faculdade “top” como para o aluno da instituição sem nenhuma tradição na área!
      Obrigado pela participação! 🙂

  8. Prof Marcelo e Profa Mariana,

    Ótima reflexão. Mas eu faço uma ressalva: será que o Curso de Turismo precisa de ser Superior?Quando comparamos os salários com os investimentos no curso e o nível de execução dos profissionais considero necessário (senão urgente) repensar em uma formação mais técnica, ou passar a enxergar o Turismo como Pós Graduação para Administração, Geografia, Comercio Internacional…

    Sou apaixonado pela educação e pelo setor, mas tenho certeza de que precisamos de reformulação.
    Um abraço,

    Gustavo

    1. Oi Gustavo!
      Falo por mim (o Marcelo pode ter outra opinião) – não vejo uma necessidade premente do curso superior não. Pelo menos, não como ele é hoje. É como se houvesse uma pressão para baixo no sentido de manter a qualidade. “Qualquer coisa serve” parece lema. Cursos técnicos profissionalizantes são muito mais adequados ao perfil brasileiro. Seguidos de um bacharelado em Administração, Direito, T.I., por exemplo, seriam muito úteis.

    2. Oi Gustavo,
      obrigado pelo comentário e pela “provocação”! Já sei sobre o que vou escrever no próximo post! hehe
      Concordo que precisamos de reformulação, mas acho que haveria espaço para todos (técnicos e graduados) se os papéis dos diferentes níveis de formação fossem mais claros!
      O fato é que, hoje, temos uma verdadeira confusão! Isso sem falar nos tecnólogos, perdidos (literalmente) no meio desta confusão 🙁
      Há também a questão cultural, no Brasil, da valorização do diploma de nível superior, não é?
      Até o próximo post!
      Um abraço.

  9. Profa. Parabéns pelo texto.
    Lendo alguns comentários e discussões, considero fator preponderante para o curso de Turismo, que o professor tenha experiência mercadológica, e não apenas no âmbito acadêmico. Percebemos as mudanças rotineiras sobre o turismo, e fica claro que, quem não estiver à frente do mercado não conseguirá propor esse tipo de ensino ao estudante. Outro fator importante, é que as IES repensem o curso e principalmente, incentivem que professores tenham aderência as disciplinas, e não sejam multidisciplinares! Parabéns pelo texto e até o próximo!

    1. Oi Claudia,
      obrigado pela participação!
      É isso aí! Totalmente de acordo, mas sabemos as dificuldades que as IES enfrentam (sejam elas públicas ou privadas) para dar conta destas questões que você coloca! Seja como for, elas têm um papel social a cumprir e não podem se furtar a oferecer uma educação de qualidade – principalmente se quiserem se consolidar nas áreas em que atuam…

  10. Excelente post, obrigada por compartilhar conosco.

    Sou turismóloga formada há 12 anos, escolhi a minha profissão e acredito nela. Achei o conteúdo do meu curso superior encantador, mas hoje vejo que pouco foi aproveitado na minha vida profissional. Tenho dúvidas se a abordagem do curso não combina com o mercado de trabalho ou se o mercado de trabalho não combina com um curso superior.

    É um pensamento comum nas lideranças estratégicas das empresas de turismo que o bacharelado é insignificante, ainda mais quando falamos de um mercado de trabalho onde boa parte dos empresários foram “graduados na escola da vida” como eles mesmos afirmam orgulhosamente. Esse pensamento consequentemente traz consigo a desvalorização do diploma e muitas vezes vejo que o profissional que deseja continuar os estudos é um problema para as empresas, boa parte dos gestores preferem o profissional que não estuda mas que está à disposição da empresa. Cogitar uma pós-graduação ou um mestrado então, te faz parecer um ser de outro mundo.

    Vale a reflexão se devemos mudar os cursos superiores ou a mentalidade dos comandantes desse mercado.

    Abs,

    Carolina

    1. Oi Carolina,
      obrigado pelo depoimento e pelos comentários!
      Para não repetir o que já escrevi em resposta aos demais colegas do blog (comentários anteriores), vou focar minha resposta em um aspecto super importante que você abordou: a forma como muitos empregadores/gestores veem a formação em turismo. Concordo plenamente com você sobre este tipo de comportamento, mas não podemos generalizar: (felizmente) nem todos pensam assim! Ao mesmo tempo, devemos nos questionar: o que as instituições de ensino (e os próprios profissionais) têm feito para mudar esta imagem junto ao mercado?
      Acho lamentável que tenhamos que enfrentar este tipo de situação (preconceito?), e temos que fazer o possível para combatê-la – o que não significa não refletir sobre a formação oferecida pelas instituições… São duas (ou mais) frentes de batalha! 🙂
      Um abraço.

  11. Minha gente, eu tenho um histórico longo nesta discussão, o triste é que as coisas não evoluem. Na década de 1980 escrevi um artigo para um boletim do SENAC e os problemas eram os mesmos. O último trabalho bom de debates sobre o assunto foi feito no final dos anos 1980, num grupo paritário entre representantes do trade e a Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo (ABBTUR), liderado pelos representantes de um Conselho composto por universidades, trade e gestão pública do estado e município de São Paulo, quando a ABBTUR era forte na época e que por um descaso da própria categoria hoje está quase morta. A força sempre veio de um período de crise. Quem sabe pós Páscoa, teremos um recomeço.
    O Brasil é um país diverso, com extensão territorial que impede que tenhamos uma única realidade, cada Instituição deveria buscar seu diferencial e traçar claro sua proposta, mas isso raramente acontece.
    O país não pode ter um único modelo de formação, é preciso ter pesquisadores, gestores, técnicos e cada IES tem que encontrar seu caminho. Também as realidades são diferentes das IES públicas e privadas. Solicito um tempo e poderei postar um texto mais completo com datas corretas e com apontamentos de pesquisas de colegas do Brasil.
    Outro ponto é a distância existente entre o curso e o mercado. Para não ficar distante disso eu pareço uma louca, dou aula, tenho uma agência e tento participar dos eventos, para colocar aos alunos a realidade, mas não é fácil.
    O ideal seria que tivéssemos de novo as reuniões paritárias para elucidar os pontos.
    O próprio MEC deixou os cursos “a Seus Dará” e a confusão está posta.A área também está difícil com a crise estabelecida e um dia temos imposto, outro dia ataques, mas não vamos desanimar, quem sabe de uma época de crise teremos boas soluções.
    Profa. Maria José Giaretta, Bacharel em Turismo, mestre em Ciências da comunicação, Doutora em Antropologia, Agente de Turismo e Professora.

    1. Oi Zezé, obrigado pelo comentário e pelo resgate detalhado dessa história!
      Como você bem coloca, os problemas não são novos nem simples, então… Vamos fazendo a nossa parte, né? Abraços.

  12. Olá Mariana, excelentes reflexões acerca da formação do bacharel em turismo. Sou sócio em uma agência de lazer e corporativo em Belo Horizonte e também sou acadêmico. Já trabalhei como professor substituto em um curso de turismo em uma Universidade no interior de MG e vejo que os alunos não possuem contato nenhum com o mercado, o que é pior tem uma visão totalmente “antimercado” achando que serão “planejadores” e “pensadores” do turismo. Ilusão que confesso também possuía enquanto graduando.
    Porém como o acumulo de experiência (10 anos em diversas agências e operadoras na capital mineira), pude constatar que a formação em sí não me acrescentou muito como profissional. O que levou a mudar de área na pós graduação. Hoje faço doutorado em Administração/Finanças.
    Contudo pretendo atuar como professor em cursos superiores de Turismo pois acredito na importância do setor e logo acredito que é imediata a necessidade de se discutir, reavaliar e uniformizar (na medida do possível) os currículos dos Cursos Técnicos, Bacharelados e Pós Graduações em Turismo. Buscando assim uma formação mais completas e atentas às necessidades mercadológicas e profissionais.
    Parabéns pela coragem e botar o dedo na ferida.

    Atenciosamente,

    Leandro Vieira

    1. Caro Leandro,
      obrigado pelos comentários!
      Dois aspectos de seu depoimento que considero particularmente interessantes:
      1) a visão “antimercado” de algumas instituições e a formação de “planejadores/pensadores” do turismo: vejo isto, em alguns casos, como verdadeira prática de má-fé de algumas instituições! Considero quase criminoso criar este tipo de expectativa (que tende a virar frustração) nos estudantes, sobretudo quando é algo intencional e/ou movido por objetivos ideológicos;
      2) a pós-graduação em outra área: acho isso extremamente bem-vindo (e, em alguns casos, fundamental). Não sei porque sua formação profissional deixou a desejar, mas temos que ter em mente o papel (e as limitações) do curso superior – daí a necessidade da complementação da formação via pós-graduação.
      Tentaremos, nas próximas postagens, voltar a alguns dos temas que você muito bem destacou!
      Abraços.

  13. Concordo plenamente , ou pelo menos parcialmente com diversos dos comentários . Todavia acredito que a “área” que o turismo engloba é muito extensa e mais complexa do que muitos pensamos.
    Assim como ocorre em outros cursos , acredito que poderíamos ter uma divisão de áreas … Assim como ocorre na medicina , engenharia e outros cursos que foram anteriormente citado. (O início do curso poderia ter um ciclo básico de introdução aos temas e depois o aluno poderia optar por uma das áreas de especialidade ; como administrativo , estratégico , comercial , hospitalidade e etc )

    1. Ótimo, Fernando! Também acho que poderia ser uma solução bem interessante!
      Não resolve todos os problemas, que são muitos – e até cria outros (hehe), como a definição das áreas de especialidade, por exemplo – mas, sem dúvida, é um caminho a ser pensado!
      Forte abraço.

  14. O problema é que nossas universidades e faculdades não mostram o turismo como realmente é “VENDA”. Quando conversamos com estudantes eles acham que vão salvar o mundo, o turismo é tudo, a tal da inserção social. Quando falamos em vender, “isso não, não sei vender”. Como será que estes estudantes acham que seus salários serão pagos?
    Precisam é o mostrar aos estudantes o que enfrentaram pela vida, e acordar para a realidade ou procurar uma atividade que seja mais condizente com seus anseios

    1. Oi Silmara,
      obrigado pela participação!
      Pretendo, em outros posts, discutir as questões que você levanta, mas em linhas gerais penso o seguinte:
      1) não podemos generalizar: acredito que muitas instituições focam nos aspectos sociais do turismo (que, evidentemente, não podem ser deixados de lado – afinal, o tema da responsabilidade socioambiental tem tudo a ver com mercado e é super atual), mas sei que algumas instituições oferecem uma visão mais “comercial” da área;
      2) concordo que o estudante tenha que ter contato com as realidades do mercado (que incluem questões como comercialização e lucratividade) e que, se for o caso, devem buscar outra formação mais condizente com seus anseios, como você coloca, mas “vendas” não é o único setor que emprega, nem tenho certeza se isso deve ser ensinado na graduação (há excelentes cursos livres sobre o tema em instituições como Senac, Sebrae e outras).
      Enfim, o importante é o debate! 🙂
      Abraços.

  15. Excelente post, obrigada por compartilhar conosco.
    Sou turismóloga formada há 12 anos, escolhi a minha profissão e acredito nela. Achei o conteúdo do meu curso superior encantador, mas hoje vejo que pouco foi aproveitado na minha vida profissional. Tenho dúvidas se a abordagem do curso não combina com o mercado de trabalho ou se o mercado de trabalho não combina com um curso superior.
    É um pensamento comum nas lideranças estratégicas das empresas de turismo que o bacharelado na área é insignificante, ainda mais quando falamos de um mercado de trabalho onde boa parte dos empresários foram “graduados na escola da vida” como eles mesmos afirmam orgulhosamente. Esse pensamento consequentemente traz consigo a desvalorização do diploma e muitas vezes vejo que o profissional que deseja continuar os estudos é um problema para as empresas. Boa parte dos gestores preferem o profissional que não estuda, mas que está à disposição da empresa. Cogitar uma pós-graduação ou um mestrado então, te faz parecer um ser de outro mundo.
    Vale a reflexão se devemos mudar os cursos superiores de turismo ou a mentalidade dos comandantes desse mercado.
    Abs,
    Carolina

    1. Oi Carolina,
      obrigado pelo depoimento e pelos comentários!
      Para não repetir o que já escrevi em resposta aos demais colegas do blog (comentários anteriores), vou focar minha resposta em um aspecto super importante que você abordou: a forma como muitos empregadores/gestores veem a formação em turismo. Concordo plenamente com você sobre este tipo de comportamento, mas não podemos generalizar: (felizmente) nem todos pensam assim! Ao mesmo tempo, devemos nos questionar: o que as instituições de ensino (e os próprios profissionais) têm feito para mudar esta imagem junto ao mercado?
      Acho lamentável que tenhamos que enfrentar este tipo de situação (preconceito?), e temos que fazer o possível para combatê-la – o que não significa não refletir sobre a formação oferecida pelas instituições… São duas (ou mais) frentes de batalha! 🙂
      Um abraço.

  16. Ola Mariana e Marcelo,

    Eu sinto algo estranho com o passar dos anos, os cursos foram tendo professores que priorizaram mais os estudos ao invés de conciliarem com uma formação profissional, agora tem que lecionar para alunos que desejam sair para o mercado e não conseguem conciliar. Ou seja, não é de hoje que percebo esta discrepância. Contudo escuto argumentarem como se fosse algo recente dos cursos.

    Creio que deveríamos nos policiarmos e como docentes conscientes que somos da necessidades de estudarmos sempre. Pensar em como podemos conciliar nossas atividades docentes com oportunidades para termos experiências docentes que nos permitam contribuir de fato para uma formação mais adequada as necessidades de nossos discentes e não necessariamente dos nossos docentes.

    Considerando que área de saúde, jurídica, tecnológica, educação e outros conciliam tais práticas de forma harmônica e proficua para todos os envolvidos, porque em turismo, hotelaria, eventos e outros não poderiam também.

    1. Claudio
      Obrigada por seu comentário.
      O maior desafio é fazer o professor sair da zona de conforto e ter suas convicções desmontadas pelo peso da realidade.

    2. Oi Claudio,
      concordo plenamente com você!
      Mas, mais do que “estudar” sempre, penso em “aprender” sempre! TEMOS, sim, que fazer cursos e participar de eventos (acadêmicos e profissionais), por exemplo, mas também temos muito a aprender com nossos estudantes – afinal, muitos deles estão lidando com as situações concretas do dia a dia e têm MUITO a contribuir com nossas aulas!
      Contamos com sua participação na sequência dos debates!
      Um abraço.

  17. Olá a todos. Muito interessante este fórum e tentarei participar dele com maior frequência. Sou Bacharel em Turismo há 21 anos. Atuo como docente na área e agente de turismo receptivo. Vivencio essa dicotomia entre o necessário para o mercado e o ensinado na academia diariamente. Entendo que as IES precisam achar seus caminhos na formação dos alunos de turismo: Bacharelado, Tecnólogo etc. e ofertar um currículo de acordo. Mas o que o mercado quer? A cada dia, fica mais difícil para as IES, sobretudo as particulares abrirem turmas dos cursos de turismo, seja Bacharelado ou Tecnólogo. Acredito que são vários os fatores que têm influenciado para esta situação, inclusive a forma mais “autônoma” como o turismo acontece atualmente no mundo todo, onde qualquer um pode hospedar, guiar e ofertar serviços turísticos, minimizando a necessidade de uma formação específica para isso. O Mercado “reclama” da baixa qualificação dos egressos do curso, mas também não demonstra muito interesse em participar na criação de um currículo adequado, tampouco apóia a regulamentação da profissão de Turismólogo, que seria um fortalecimento para a formação na área. Para o melhor entendimento e para a criação de um currículo adequado faz-se necessária uma interação mais eficaz entre a Academia e o Mercado, adequando às reais necessidades do turismo contemporâneo. Vamos em frente!

    1. Oi Marcelo, obrigado pela mensagem!
      Totalmente de acordo com você: muito mais perguntas que respostas, não é?
      Contamos com sua participação em nossas próximas postagens!

  18. Ótimo post para eu saber mais sobre a realidade da profissão que pretendo seguir.
    Sempre quis estudar turismo, mas quando fui entrar na faculdade em 2008 acabei optando por outra área. Em 2015 quando finalmente decidir seguir com a minha vontade de entrar para essa área me deparei com a enorme dificuldade de encontrar um curso, todas as faculdades aqui da minha região que tinham bacharel em turismo não formaram turma, assim como cursos técnicos. Hoje estudo em uma universidade a distância, o que faz com que a proximidade com o mercado de trabalho seja menor ainda. Li em outros comentários que o mercado nessa área muitas vezes não faz questão da formação, mas ai eu pergunto: então como as pessoas fazem para entrar nessa área? Porque o que eu vejo é que em 90% das vagas de trabalho são para pessoas com experiência. E as que ainda não possuem experiência, se não começarem pelo menos em um curso de turismo para ter noção de como são as coisas como fazem para trabalhar?
    Obrigada pelas informações. Continuarei acompanhando o blog para me aprofundar melhor no assunto e ver se juntos conseguimos reerguer o ensino na nossa área.
    Abs.

    1. Oi Pamela,
      espero que, apesar das dificuldades que você menciona, você esteja gostando do curso via EaD!
      De fato, os desafios são muitos, mas não são insuperáveis! Claro que o sucesso profissional (não só em turismo) depende muitos fatores, mas me parece que você está trilhando um caminho interessante, procurando manter-se informada do que acontece – tenho certeza que isso ajuda muito!
      Ainda que a formação seja, por vezes, subvalorizada – e que a experiência seja (quase sempre) supervalorizada – as oportunidades estão aí! 🙂
      Boa sorte e até o próximo post!

  19. Olá,
    Olha, adorei esse espaço de interação para discutir o futuro do turismo, principalmente dos cursos e profissionais. Sou formada em Turismo pela UFRN, me formei em 2013 e venho sentindo mudanças em relação ao mercado. Percebi isso atráves do meu TCC, onde trabalhei a temática da TI no turismo, e desde essa perspectiva tenho dúvidas em relação a nós profissionais da área. Vejo que outras profissiões estão adequando e se adaptando aos novos modelos de formação, uma formação mais prática, o que facilita a aprendizagem. O uso das tecnologias de informação precisa ser considerada, e levada em conta, pois acredito que os próximos anos serão marcados por plataformas e novos modelos de negócios inovadores. Os cursos precisam buscar uma maneira de qualificar esses futuros profissionais de diversas formas, o digital está chegando cada vez mais forte. É preciso encontrar essas deficiências que fazem com que desmotivem nós profissionais do turismo a continuar na área. Daria uma ótima pesquisa esse tema, o que realmente desmotiva os alunos desse curso quando se deparam com o mercado? Apenas minha opinião, desde já parabenizo pelo espaço, muito bom poder discutir sobre nossa profissão, precisamos inovar.

    1. Oi Layanna, totalmente de acordo. A TI está modificando as nossas vidas em todos os sentidos e profissionalmente não seria diferente. E a formação em turismo deveria levar isto em consideração! Contamos com sua participação em nossas próximas discussões. Um abraço.

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