Ondas, sempre ondas

Na semana em que passou estivemos envolvidos com a ABAV, seja presencialmente, seja pela cobertura em tempo real do que se passava na feira. Sempre que há um grande evento de turismo, procuro participar e estimulo meus alunos a fazerem o mesmo, apesar de saber que a presença de estudantes nem sempre é bem vista pelos expositores.

Visitar uma feira como essa é um imenso aprendizado, sempre, e especialmente para quem procura observar o que está nas entrelinhas. Minha conclusão, mais uma vez, é que o aprendizado vem da exposição à informação, e sempre será assimilado em ondas.

Um pequeno grupo se antecipa, são os “early adopters”, que normalmente se interessam pelo novo e pelo diferente e se arriscam. Outro pequeno grupo (por vezes nem tão pequeno assim) é dos resistentes, que se recusa a enxergar as mudanças que já aconteceram. E o grupo maior é o que demora um pouco, mas acaba incorporando conceitos e práticas depois que elas já foram muito debatidas e adaptadas.

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As evidências dessas ondas foram muitas, mas eu destaco:

– a redução significativa do tamanho da feira, e a ausência de expositores tradicionais, já mostra que alguns entenderam que o modelo é caro demais para o retorno, quase sempre apenas em fortalecimento institucional e não em vendas; não sou das que advoga o fim do evento, mas que as feiras vão mudar, isso vão;

– tecnologia, muita tecnologia, para vender, para compreender o consumidor, para agilizar a busca de informações;

– a exposição focada em produtos de comercialização certa, com preços e duração menores, apostando nas pequenas certezas deste mercado;

– a redução, ainda que gradual, da emissão desnecessária de papel, e por consequência, menor geração de lixo – na saída do pavilhão havia menos material destruído, diferente de anos anteriores (mas também reflexo de economia por parte dos expositores);

Mas, infelizmente, não deu para ver aprendizado nos discursos da cerimônia de abertura.  Exceção feita às falas de Edmar Bull e Magda Nassar, todos os demais demonstraram que seu conhecimento e envolvimento com o Turismo da vida real é sofrível. Do secretário de turismo do estado, que enfileirou números ligados a um projeto que vai drenar o dinheiro público sem benefício à população, à toda incoerência do discurso do Sr. Ministro de Turismo, que, mesmo tendo um texto escrito para ser lido, optou por encadear frases sem sentido e gestual de campanha. Os aplausos foram tímidos, pois educação ainda existe.  Mas meu voto é que se aplaudiu mesmo para espantar o constrangimento que imperou na sala.

Os representantes políticos do turismo, certamente, sequer entraram na água para conseguir entender de que onda falo.

 

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Mariana Aldrigui

Professora e pesquisadora de Turismo na Universidade de São Paulo (USP)

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