Debater, pressionar, mudar

No dia 07/11/2016 teve início a WTM Londres, encerrando o calendário de grandes feiras de turismo de 2016, e apresentando ao mundo o que será consumido nos próximos anos.

Uma das grandes características dos eventos WTM é a presença constante de pesquisadores e consultores nos painéis que discutem não apenas a atividade comercial, mas principalmente os impactos da atividade sobre sua própria matéria prima.

Um dos principais pesquisadores do tema, Vallere Tjolle, organizou dez questões que precisam entrar na pauta de discussões de todos os envolvidos com turismo, e nada mais adequado do que buscar inseri-las nos debates que acontecem quando do planejamento de cursos, ações e estratégias para o próximo ano.

 

Replico aqui suas questões (traduzidas por mim) e sugiro que, especialmente os estudantes, possam pautar seus professores e coordenadores sobre a importância de reunir subsídios teóricos e práticos para discuti-las em profundidade:

 

  1. O que pode ser feito para evitar o estrangulamento causado pelas OTAs no formato de “um bilhão de falidos para apenas um bilionário”?
  2. O que pode ser feito ou como podemos nos beneficiar do grande aumento de fluxo para alguns destinos?
  3. Como ganhar vantagem de mercado sustentável aumentando o valor real da experiência do consumidor?
  4. Já que as companhias aéreas parecem evitar uma ação prática e real em relação às mudanças climáticas até 2027 – como podemos nos adaptar para evitar essa bomba relógio?
  5. Como podemos identificar e evitar destinos que podem estar sujeitos a problemas de segurança e de violação de direitos humanos?
  6. Como os destinos podem ter poder político suficiente para tomar decisões ligadas ao tipo de turismo mais adequado ao seu desenvolvimento, entendendo suas vantagens e desvantagens?
  7. Como podemos adotar formas de marketing que gerem engajamento direto com nossa clientela e atenda a todos o seus desejos sem pagar pelo acesso ou perder o controle do processo?
  8. Quais são os grandes destinos do futuro e por quê?
  9. Qual o futuro dos cruzeiros dados os recordes negativos de emissão de carbono por passageiro/milha náutica, questões de direitos humanos e o fato de serem alvos óbvios para ataques terroristas?
  10. Nossa atividade é realmente sustentável econômica, ambiental, cultural e socialmente? E se não for, como pode vir a ser?

 

Vale pensar, vale discutir, mas principalmente, é preciso começar a fazer algo.

Comece, por exemplo, compartilhando este texto com quem pode se interessar pelo tema.

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Mariana Aldrigui

Professora e pesquisadora de Turismo na Universidade de São Paulo (USP)

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