AIRBNB – Uma aula

Formada em Turismo, professora de hospedagem, ex-funcionária de uma rede conhecida por sua excelência em serviços, contumaz observadora dos detalhes que fazem da hotelaria esse campo apaixonante, eu confesso que sempre olhei o Airbnb como a ideia mais genial de todos os tempos.

E genial não apenas no sentido de ser algo que deixou seus criadores milionários. Isso é lindo e todo mundo inveja – eu inclusive. Mas o genial para mim é o quanto a criação e rápido crescimento do Airbnb indica que o turismo é algo desejável e buscado por muita gente, ao mesmo tempo em que faz circular um dinheiro que muda a vida de várias pessoas.

Diversos mapas de locais turísticos indicam que as ofertas de casas (listings) não estão especificamente nas áreas onde se concentram os hotéis de luxo. Há uma distribuição geográfica muito mais ampla. O preço, em geral mais barato que o dos hotéis, corresponde ao que você tem acesso – quanto mais luxuoso e com serviço, mais caro. Quanto mais simples, mais barato. E os negócios do entorno – mercadinhos, padarias, lojas, entre outros – se beneficiam desse novo fluxo de pessoas.

Eu estou agora em Nairobi, capital do Quênia. Vim a trabalho, emendei um pouco de lazer, o que chamam atualmente de BLEISURE. Para o trabalho, precisava estar do lado de uma escola que tem turismo como conteúdo obrigatório. Escolhi ficar bem perto, o que me deixou, portanto, bem longe das atrações turísticas.

A casa é, na verdade, uma casa compartilhada de fato. Mas é a cobertura de um prédio bem legal, só que sem elevador. Há 10 suítes em dois andares. Se meus cálculos não forem tão ruins, o espaço tem mais de 300m2. Subi carregando minhas malas, e cheguei sem folego. Abriram a porta e eu ganhei um abraço. UM ABRAÇO! Foi sensacional. (E não, não estou sugerindo que vocês saiam abraçando turistas, mas o que eu recebi veio em ótimo momento).

O americano que mora aqui pegou minha mala e mochila e levou para o quarto. A outra hóspede, que eu acho que é nigeriana (mas não tenho certeza), me levou água. Mostraram tudo. Foi fofo.

Quando saí do quarto depois de me acomodar, começamos a conversar sobre tudo. Já tenho dicas importantes sobre segurança, sobre onde não ir, sobre o que comer e onde estão as baladas animadas. Expliquei que meu dinheiro é contado, pois resolvi ficar o máximo de tempo possível na África, o que me impede de cometer grandes excessos, e aí recebi as dicas de onde comer bem e barato e que caminhos buscar numa cidade em que não existe transporte público e o trânsito é, de verdade, muito pior que SP.

Pode ser só uma experiência, mas tem se mostrado sensacional. E ainda não se passaram 24 horas. Já achei espaço para críticas? Certamente. É o tal do olhar para os detalhes que comentei no início. Mas não tem melhor forma de aprender do que essa – estando aqui e entendendo o que cada um que vem gosta e não gosta.  E garanto que terei muita coisa nova para compartilhar com meus alunos quando eu voltar.

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Registro aqui o agradecimento à equipe AirBnB-Brasil pelo apoio neste trecho da minha viagem pela África.

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Mariana Aldrigui

Professora e pesquisadora de Turismo na Universidade de São Paulo (USP)

3 thoughts on “AIRBNB – Uma aula

  1. Sou teu fã. Às vezes você é meio “acida” mas creio pela sua competência e profundidade em assuntos do business de turismo e não dá para ficar usando meias palavras. Tenho 40 anos de turismo (começando por Vasp, Accor, Tropical, American Express…). Hoje o profissional de turismo tem que se reinventar todos os dias ao abrir o Panrotas Online. Fico angustiado quando vejo entidades em discussões sem fim e nexo com o Airbnb. Na década de 80 quando viajava pelo mundo com tkt Iata 200 (o famoso sem direito a reserva) ficava hospedado em casas compartilhadas chamadas Guest Houses sempre em bairros. Isso em Paris, Roma, Londres, Johanesburgo, Toronto…O que acontece com o Airbnb é a sacada dos tempos atuais. Eles criaram uma startup organizando esse business e agregando serviços. Quer exemplo mais real para uma cadeia de negócios. Parabéns!! Pelos Posts. Abraço

    1. Oi Oduvaldo!
      Obrigada por suas palavras. A acidez é uma característica que eu considero necessária, atualmente, dada a inércia dos líderes do setor. Muitas vezes, quando alguém se sente incomodado com palavras, toma alguma atitude. Nem sempre ajuda a conseguir muitos amigos, mas tem sua função (pelo menos assim eu acredito). E estou sempre aberta a críticas e sugestões, pois é muito importante, também, aprender a mudar de posição quando o mundo muda. Fico muito feliz que você tenha dedicado um tempo valioso para escrever aqui. Obrigada!

  2. Há espaço para todos e uma coisa que ninguém parece querer entender e se dedica apenas a criticar é que – ninguém entra em espaços ocupados. o AirBnB se firmou, deu certo e continuará crescendo porque havia para eles uma lacuna de mercado.

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