Onde está a nossa Oprah?

Pode ser que , ainda em clima de férias ou recesso de final de ano, você tenha retomado seus e-mails e compromissos somente na segunda-feira dia 09 e não tenha tido chance de saber o que aconteceu na premiação do Globo de Ouro. Mas eu acredito que você, eu e quase todos os que dedicam seu tempo lendo este texto não só leram sobre o tema, mas já viram trechos do discurso de Oprah Winfrey no dia 08, ao receber o prêmio Cecil B. DeMille em homenagem à sua carreira.

Forte, contundente, emocionante e verdadeiro são alguns dos adjetivos que cabem ao discurso. Se você não viu, clique e leia na íntegra. Se você viu, sabe que isso é só mais uma das peças iniciais de um movimento que eu considero sem volta. Time’s Up. Livremente traduzido como “chega!”, a campanha reforça a necessidade imediata de rever o papel atribuído às mulheres em todos os setores da sociedade.

Naturalmente, sendo mulher e dedicando grande parte do meu tempo a entender a questão de gênero e diversidade, necessariamente reflito sobre o setor em que atuo. O turismo de maneira geral não deveria ser um setor machista, mas é. Reflexo natural da sociedade em que vivemos. A universidade, então, que deveria, por origem, ser um espaço para a exaltação da diversidade, é mais machista e preconceituosa do que muitos imaginam.

Mas, Time’s Up! Temos que encontrar a nossa Oprah, representando as mulheres, negras, vítimas de violência (física, mas principalmente verbal e moral) para levantar a bandeira das causas que vem sendo seguidamente negligenciadas. E, para começar, precisamos cobrar a presença de mais mulheres nas associações, nos conselhos, nas comissões organizadoras, na lista de palestrantes, na lista de convidados, na lista de homenageados.  Em qualquer dos papéis, sempre há mulheres capazes de representar muito bem ideias e segmentos.

Uma dica – não se deixe empoeirar com as ideias do século passado. Já é 2018, e só com mulheres e homens fenomenais, para seguir as palavras de Oprah, é que teremos melhores exemplos e mais inspiração para seguirmos mudando esse mundo.

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Mariana Aldrigui

Professora e pesquisadora de Turismo na Universidade de São Paulo (USP)

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