Vik Chile: suítes para se sentir em uma vernissage

Hospedar-se no hotel-vinícola Vik Chile, no Vale do Millhaue, a 140 km de Santiago, é como estar dentro de uma obra de arte. E não apenas porque a propriedade expõe esculturas, telas e mobília design nas áreas comuns, algo corriqueiro em hotéis de luxo mundo afora, mas, principalmente, por que cada uma das 22 suítes foi pensada como uma galeria íntima. Detalhe: todas têm projeto totalmente individualizado, assinado por artistas e designers.

Que tal nós dois, na banheira de espuma da suíte H, inspirada na Hermès? | Foto: Fernando Torres

Aberto em novembro de 2014, inicialmente com o nome de Viña Vik, o hotel leva a assinatura milimétrica do arquiteto uruguaio Marcelo Daglio, responsável também pelo Playa Vik, em Punta Del Este, ambos em parceria com os proprietários, o casal norueguês Alexander e Carrie Vik. O conceito artsy se inicia logo na fachada. Bronzeado pelo sol, o teto de titânio se inspira no Guggenheim espanhol de Frank Gehry e passa a impressão de se contorcer ao sabor do vento. O visual futurista contrasta bem com a estrutura bucólica do local, o topo de uma colina, cercada por montanhas e vinhedos; e combina com a estética, digamos, “desconstruída” da bodega.

Estética alienígena retorcida pelo vento | Foto: Fernando Torres

Mas vamos às suítes, o motivo deste post. Elas se distribuem em dois andares ao redor da área central – onde ficam o living repleto de peças de arte, o jardim Zen, em estilo japonês, e o restaurante Milla Milla, com refeições harmonizadas com vinhos inclusas na diária. Adormeci com Morfeu na suíte Azulejo, cujo inusitado visual criado pelo chileno Pablo Montealegre inclui: 1) afrescos de ladrilhos portugueses pintados à mão no teto, na parede do quarto e no banheiro; 2) cabeceira com dois vestidões de veludo que me remeteram diretamente às cortinas de Scarlett O’Hara.

Redefinindo o conceito de artsy | Foto: Fernando Torres

Inspector abelhudo que sou, fiz questão de circular por outras suítes. A máster Shogun, assinada pelo artista japonês Takeo Hanazawa, tem cama sobre bambus e lustres em papel, janelas inspiradas nos antigos biombos da terra do Sol Nascente e banheira retangular em madeira – a vista nos banheiros distingue as categorias comum e máster. A suíte Chile, por sua vez, remete ao passado rural do país que nos recebe, com pufes de estampas indígenas e de peles de animais e muita madeira, inclusive na pia e na banheira ovalada. Já a berrante Valenzuela, assinada pelo artista chileno Sebástian Valenzuela, tem sofá em formato de boca, quadros em tons de vermelho que retratam as festas folclóricas e um banheiro que, bem, a foto diz por si só.

C
Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores | Foto: Fernando Torres

Há também algumas homenagens, como as másteres F, que reproduz obras do artista milanês Piero Fornasetti; e H, voltada ao universo da grife francesa Hermès, da origem de sela para montadores ao glamour das campanhas modernas. Também da categoria máster, a Gabler’s Grissaile passa uma ilusão de ótica em 3D, efeito conseguido com os tons de cinza, o papel de parede amassado, o piso quadriculado e os quadros que parecem saltar, entre outros segredos do artista chileno Alvaro Gabler. E o que dizer da banheira da suíte Vik, uma verdadeira escultura flutuante à espera do flagra de um nude, emoldurado pela vista?

Insira aqui o seu nude | Foto: Fernando Torres

Como se não bastasse toda essa personalização artsy, todas as suítes possuem janelões envidraçados do chão ao teto com vista que varia entre montanhas, lago e vinhedos. Dá para ficar uma tarde inteira contemplando o visual, seja na intimidade ou na varanda do restaurante, debruçada sobre a piscina de borda infinita, que se confunde com o lago (a água não é aquecida, o que torna o mergulho inviável no inverno, um lapso para o hotel). Meu conselho é perder-se no dolce far niente acompanhado de uma taça – ou garrafa, por que não? – do vinho ícone da vinícola, o Vik, complexo blend das castas Cabernet Sauvignon, Carménère, Syrah, Merlot e Cabernet Franc. Outras opções, mais descomplicadas, são os blends La Piu Belle (meu preferido, lançado em 2017, em uma garrafa que também é toda arte) e Milla Cala. Talvez ali, levemente embriagado, dê para entender por que o povo indígena mapuche chamava o Vale do Millhaue de “lugar de ouro”.

Embriagado com o lugar de ouro | Foto: Fernando Torres

Hotel Inspectors está também no Instagram (@HotelInspectors) e no facebook (@HotelInspectorsBlog). Vamos gostar de ter a sua companhia!

Related Post

Published by

Fernando Torres

Fernando Torres é jornalista e apaixonado por hotéis e viagens de topos os tipos. Gosta, sim, dos highlights e de desbravar as urbanidades, mas também é vidrado em destinos Lado B – adora as lonjuras da Barra da Tijuca e do Recreio, por exemplo –, onde a hospedagem se justifica por si só. É especializado no segmento de wellness e não resiste a uma massagem no spa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *