Inaugurado em janeiro, B Hotel revive a Brasília clean e minimalista

Instalado no Eixo Monumental, em frente ao estádio Mané Garrincha, o prédio do B Hotel não é exatamente novo para quem circula por Brasília. Afinal, a propriedade de 16 andares projetada pelo arquiteto paulistano Isay Weinfield – mesmo autor de vários projetos da marca Fasano – demorou pouco mais de cinco anos e R$ 100 milhões para ficar pronto. A inauguração, porém, só aconteceu em janeiro deste ano e traz boas notícias à Esplanada, pelo menos no que diz respeito à hotelaria.

Janelas irregulares “descontroem” Athos Bulcão | Foto: Fernando Torres

O grande “wow” do B Hotel começa na fachada, onde as janelas em linhas retas, porém de traçado irregular, conversam com a obra do artista Athos Bulcão e antecipam a estética minimalista. O lobby põe as claras essa proposta: baseada sobre pilotis, em referência aos conjuntos de blocos da capital federal, a estrutura se abre por quase toda a área térrea do edifício e se estende para o bar e o restaurante.

Restaurante do B, no lobby: pilotis fazem referência aos conjuntos de blocos do Plano Piloto | Foto: Fernando Torres

Interior adentro, a abertura dos 306 apartamentos acontece gradualmente. Até o momento da minha hospedagem, em abril, só as categorias Room (o equivalente a Standard), Superior e Executive estavam em funcionamento. “Mas as suítes devem ser inauguradas ainda em maio”, adianta a diretora-executiva Ana Paula Ernesto, responsável pela implantação e gerenciamento. É aqui também que descobrimos o truque de Isay Weinfield para a sensação irregular da fachada: a posição e o tamanho das janelas variam de quarto para quarto.

Acomodação B Superior, com vista para o Mané Garrincha | Foto: Fernando Torres

Ainda sob o conceito minimalista, os aposentos têm mobília assinada pelo designer catarinense Jader Almeida, banheiro em mármore, umidificador de ar com aromatizante, roupas de cama e banho Trousseau e amenidades L’Occitane – só as suítes terão banheira, infelizmente, sem vista. Pequenos detalhes dão um up no frigobar, a exemplo do chocolate orgânico Only4 e a batata frita inglesa Tyrrells. “A palavra aqui não é luxo, mas um ambiente clean e contemporâneo, descomplicado, onde as pessoas possam se sentir em casa”, descreve Ana Paula.

Room minimalista das suítes: inauguração prevista para este mês | Foto: Fernando Torres

Na cobertura, a piscina amarela já vem fazendo carreira em posts do Instagram. De um lado, é emoldurada por cobogós, o cimento com motivos vazados que, embora tenha nascido em Pernambuco, fez história mesmo nos prédios do Plano Piloto. Do outro, a vista para o pôr do sol de Brasília, com o estádio Mané Garrincha e o Memorial JK ao fundo. Seja para fritar de dia ou para o cair da noite, o espaço fica completo com um gim-tônica no Bar 16.

Piscina amarela no rooftop: entre cobogós e vista a perder de vista | Foto: Fernando Torres

Mas voltemos ao lobby, mais especificamente ao restaurante, batizado de Restaurante do B, com cozinha aberta ao salão de refeições. Sob o comando do chef Rodrigo Sato (ex-JW Marriott Rio) e cardápio implantado pelo chef Ramiro Bertassin (ex-Fasano SP, Renaissance SP e JW Marriott Rio), a casa investe em alta gastronomia com toques de sabores do Cerrado. Em minha passagem por lá, provei pratos como stinco de vitelo e ravióli com queijo de cabra e castanha de baru. Aliás, a noz, típica da região, também faz bonito na crosta do robalo e na finalização de sobremesas, como o macaron de chocolate, doce de leite e chantili de café. Outras regionalidades incluem baunilha do Cerrado, pequi, cacau selvagem e cajuzinho.

Stinco de vitelo: alta gastronomia com sabores regionais | Foto: Fernando Torres

Todo trabalhado na hashtag #fitness, o desjejum tem pão de queijo vegano, quefir, suco verde e, em breve, kombucha – e também pain au chocolat e croissants, que ninguém é de ferro. “Temos cuidado  especial com a cozinha. As frutas, as verduras e os legumes vêm de nossa horta orgânica, e os pães, bolos e biscoitos são feitos aqui mesmo. Nada é terceirizado”, conta Ana Paula, que fez questão de me levar para um tour pela cozinha industrial. De fato, nada mal!

Cozinha industrial: tudo é preparado no hotel | Foto: Fernando Torres

Com o público majoritário de políticos e executivos, o B Hotel tem sala de reuniões e de eventos. Mas ainda não possui academia ou spa. O primeiro item já está nos planos; o segundo, não – faz falta. Ainda assim, a propriedade já bate de frente com os tradicionais hotelões de Brasília, o Meliá Brasil 21 e o Royal Tulip Alvorada (ex-Blue Tree), que também testei em minha passagem pela cidade (o Meliá continua se atualizando, com novos andares exclusivos e personalizados para diferentes perfis de hóspedes, mas o Royal Tulip, embora seja imbatível na categoria lazer, com o piscinão de frente para o lago Paranoá, está com os quartos um pouco envelhecidos). A propósito: por que B Hotel? O nome é uma referência discreta, porém perspicaz, à origem dos empreendedores, a tradicional família Bettiol, um dos sobrenomes pioneiros de Brasília. Está explicada a conexão com essa senhora quase sexagenária.

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Fernando Torres

Fernando Torres é jornalista e apaixonado por hotéis e viagens de topos os tipos. Gosta, sim, dos highlights e de desbravar as urbanidades, mas também é vidrado em destinos Lado B – adora as lonjuras da Barra da Tijuca e do Recreio, por exemplo –, onde a hospedagem se justifica por si só. É especializado no segmento de wellness e não resiste a uma massagem no spa.

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