Quando o hotel é o destino

Em maio passado, estiquei de Denver a Colorado Springs. Mas, desta vez, confesso que retornava a Colorado Springs sem interesse algum no destino em si; eu estava indo para lá unicamente para me hospedar no gigante The Broadmoor e tentar entender porque esse hotel é um dos mais icônicos dos Estados Unidos (como conto neste texto aqui).

A famosa infinity pool principal do Las Ventanas al Paraiso, em Los Cabos. Foto: Mari Campos

Não foi a primeira vez que fiz isso, de viajar a um determinado destino simplesmente por um hotel: em uma das minhas idas a Los Cabos, no México, por exemplo, o destino também pouco me interessava e meu retorno à costa mexicana tinha como único propósito me hospedar no Las Ventanas al Paraíso – até hoje um dos melhores hotéis do meu mundo. Com suítes incríveis, diversas piscinas, ótimo spa e restaurantes e o mar de Cortez à nossa frente em praia praticamente privativa, o hotel não é all inclusive mas a maioria das pessoas só deixa o Las Ventanas se for a primeira vez em Los Cabos, ou se a estadia for mais longa que três noites – e mesmo um belo passeio de barco pela costa pode ser organizado pelo próprio hotel, saindo dali mesmo.

Não entenda errado, por favor: não se trata de buscar um lugar para “se isolar do mundo” nem de se afogar nas bandeiras all-inclusive. Algumas propriedades do mercado hoteleiro de luxo são realmente capazes de reter seus hóspedes em seus limites e fazem isso com maestria – os “destination hotels”.

Lodges de safári na África do Sul, por exemplo, como Tintswalo, Royal Malewane, Sabi Sabi ou Thornybush, são basicamente escolhidos pelos lodges em si, pelo que representam e oferecem, e não pela reserva em que se encontram ou algo do gênero.  A gente escolhe o lodge pelo lodge e a verdade é que não “sai dele” desde o momento do check in ao check out, já que todas as refeições e passeios são organizados pelo mesmo.

Uma das villas do luxuoso Jumby Bay em Antigua. Foto: Mari Campos

O mesmo acontece com muitos resorts. O belo Jumby Bay, em Antigua, um all-inclusive de alto luxo parte do portfólio da Oetker Collection, fica em uma ilhota particular de Antigua e a maioria de seus hóspedes de final de semana não sai da ilha nem por um segundo. Fato que se repete com boa parte dos hóspedes de propriedades como o Four Seasons Punta Mita (México), Four Seasons Seychelles ou mesmo os brasileiros Txai, Ponta dos Ganchos e o incrível Belmond Hotel das Cataratas (este último localizado dentro do parque nacional e literalmente a passos das quedas d’agua mais incríveis do continente americano). Eles oferecem tantas coisas, com tanta qualidade, e estão tão integrados com a natureza que os rodeia que, mesmo não operando em sistema all-inclusive, são capazes de manter muitos de seus hóspedes em seus limites (ou utilizando produtos seus para criar experiências de viagem) em 100% do tempo. 

Não se trata aqui, de maneira nenhuma, de estimular um “turismo hoteleiro” ao invés de incentivar viajantes a desbravarem destinos. Mas, em uma época em que tudo é descartável, acho louvável que a excelência nos serviços e nas experiências oferecidas em suas instalações e produtos agregados sejam suficientes para transformar um hotel em um destino por si mesmo, capaz de fazer um turista atravessar um país, oceano ou continente simplesmente para ter o prazer de se hospedar ali.  Para fazer qualquer hoteleiro (ou wannabe) refletir.

 

 

 

 

 

 

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Mari Campos

Mari Campos roda o mundo por paixão desde que se conhece por gente e há mais de catorze anos o faz também profissionalmente. Jornalista formada e especializada em turismo de luxo e lifestyle, colabora como freelance para diversas revistas, jornais e sites no Brasil e em outros sete países. Na web, comanda o MariCampos.com e relata suas aventuras em tempo real também no Instagram @maricampos. Apaixonada por hotelaria, se hospeda em mais de 70 hotéis diferentes por ano - e acha que serviço atencioso, uma bela cama e um excelente chuveiro são fundamentais para uma experiência de viagem ser plena.

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