Estreamos a cama do novíssimo Fasano BH!

Com ou sem crise, o Brasil está no radar do alto luxo hoteleiro. E não apenas na lista de investidores estrangeiros, como a rede canadense Four Seasons, que, finalmente, irá quebrar o jejum tupiniquim no dia 15 de outubro, com o Four Seasons São Paulo. O zum-zum-zum da vez é o grupo brasileiro Fasano: ao mesmo tempo em que debuta o aniversário de 15 anos do hotel em São Paulo, a marca inaugurou, no dia 28 de setembro, o Fasano Belo Horizonte, o sexto empreendimento no setor. Isso menos de um ano depois de abrir uma unidade em Angra dos Reis e já na contagem regressiva para a estreia do Fasano Salvador, marcada para dezembro.

Fachada do hotel tem tijolos de terracota e revestimento de chapas de alumínio | Foto: Fernando Torres

A chegada à capital mineira é o capítulo final de uma novela. Planejado para antes da Copa de 2014, o Fasano BH, inicialmente, se instalaria na praça da Liberdade, epicentro cultural da cidade. Não deu certo, devido a questões ligadas à licitação do imóvel. O grupo, então, decidiu investir em Lourdes, o bairro mais nobre de Belo Horizonte, onde ergueu um prédio de 12 andares praticamente do zero. A abertura levou quase dois anos além do previsto. Mas valeu a pena esperar, como pudemos comprovar em nosso check-in, logo na primeira semana, com direito a “batismo” de cama.

Legitimada pelo serviço discreto e elegante, a marca mantém o alto padrão em Belo Horizonte. O tom atemporal – clássico e, ao mesmo tempo, contemporâneo – se insinua já na fachada, que mescla tijolos de terracota ao revestimento de chapas de alumínio. Na sequência, o lobby se revela sem meias palavras. A decoração sóbria e refinada tem muita madeira, piso em mármore travertino bruto, luminosidade natural sobre jabuticabeiras indoor e um toque de mineiridade, a exemplo das gamelas de fazenda, que acolhem arranjos de flores.

Jabuticabeiras sob a luz natural na antessala do restaurante Gero, que estreia em hotéis | Foto: Fernando Torres

O DNA mineiro continua elevador acima, nos 77 apartamentos, com diárias que saem a partir de R$ 975 e áreas a partir de 27 m². Fiquei hospedado no confortável apartamento deluxe (35 m²), abraçado por lençóis Trussardi de 300 fios e uma infinidade de travesseiros de plumas de ganso. A atmosfera é clean, puxada para o bege, com cortinas e tapetes de linho, calçadeiras e poltronas de couro, peças de decoração em pedra-sabão. Senti falta de obras de arte e de flores, especialmente nas suítes, que poderiam “esquentar” e personalizar o ambiente monocromático. Nos banheiros, o acabamento é impecável, totalmente recoberto em mármore travertino e box de vidro até o teto, em todas as categorias. Somente as suítes têm banheiras – no caso da Penthouse, de 110 m², há ainda uma jacuzzi na varanda. As amenidades são de marca própria, com óleo de Argan.

Suíte Penthouse: inspiração mineira com escala monocromática | Foto: Fernando Torres

O spa fica na cobertura, no 12º andar, integrado à piscina de mármore, climatizada e aberta (é claro que fiz uso desta belezura!). O menu de tratamentos segue a linha dos outros hotéis Fasano, com produtos de aromaterapia da linha By Samia. Escolhi a massagem Deep Tissue, a quatro mãos e, voilá!, entrou para o segundo lugar do ranking de melhor terapia do meu mundo. Nos pacotes de day spa e alguns tratamentos, o cliente pode utilizar a sauna e a piscina, ao contrário do Fasano de Ipanema, onde o acesso é apenas para hóspedes. Esta, aliás, é uma decisão acertada da rede para se adequar ao mercado de Belo Horizonte, uma cidade que, ao contrário do Rio, tem uma demanda turística reprimida, dependendo, portanto, da aderência dos próprios moradores.

Piscina na cobertura: integrada ao spa, é aberta ao público de clientes | Foto: Fernando Torres

A estratégia se repete no lobby, concebido para ser ocupado pela cidade, seja para um drinque de negócios no bar ou o jantar no restaurante Gero, o primeiro do portfólio Fasano acoplado a um hotel. A cozinha, de pegada italiana clássica, é comandada pelo chef Fábio Aiello, que serve pratos como ravióli de vitelo, penne com pecorino, filé com trufas negras e foie gras, tiramisù. Tudo muito saboroso e elegante, sem afetações. E também uma mineiridade: a carta de cachaças, harmonizada com os pratos (o frigobar também tem um exemplar da cachaça Vale Verde). No primeiro andar, o Fasano traz de São Paulo a marca Baretto, com agenda de jazz, pop rock e discotecagem, de quinta a sábado. A expectativa é que vire point da turma que gosta de ver e ser vista.

Lobby bar, ao fundo: expectativa é ter aderência dos moradores | Foto: Fernando Torres

Walking distance – o que fazer na região
O novo Fasano está localizado a duas quadras do principal centro gastronômico de BH. Os restaurantes em destaque são o contemporâneo Glouton, do chef Leo Paixão; Alma Chef, do francês Emmanuel Ruz (uma estrela Michelin); Trindade, de comida brasileira, e Taste-Vin, uma entidade da cozinha francesa. Para fazer compras, não precisa nem sair do quarteirão: o hotel está ao lado da loja da Animale. As redondezas do bairro arborizado também abrigam as butiques das grifes mineiras Vivaz, Barbara Bela e Zak e uma unidade da Le Lis Blanc. Entre uma compra e outra, vale se esbaldar nas receitas argentinas da sorveteria Alessa. E, claro, fazer uma corrida curta de táxi até a praça da Liberdade para conferir as atrações do circuito cultural.

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Gran Mareiro e Crocobeach: os novos hotéis da Praia do Futuro, em Fortaleza

Com longa faixa de areia branca, mar limpo e espetacular infra de barracas com jeitão de clube, a Praia do Futuro, em Fortaleza, está entre as mais famosas do Nordeste brasileiro. Mas o presente do Futuro ainda é nebuloso. A violência urbana (é praticamente proibitivo circular a pé nas áreas fora do entorno das barracas e dos hotéis), o alto nível de maresia e um mercado imobiliário acomodado são alguns dos entraves que prejudicam o pleno desenvolvimento do turismo na região. Assim, o forte do polo hoteleiro se concentra em Iracema, Meireles ou Mucuripe, onde o mar, embora bonito, geralmente está impróprio para banho. À Praia do Futuro resta a badalação durante o dia, mas o isolamento à noite.

O mar vai dar praia em frente ao hotel: não tem preço | Foto: Fernando Torres

Desde 2001, o hotel Vila Galé reinava absoluto por lá, marcado por quartos envelhecidos*, boa estrutura de lazer e sua própria barraca de praia, tranquila, aberta ao público e reinaugurada há poucos meses. Só que a cena começa a mudar, marcada pela chegada recente de dois hotéis: o Gran Mareiro e o Crocobeach. Ambos são classificados como quatro estrelas e valem o check-in despretensioso e com excelente custo-benefício para quem valoriza a sensação de acordar em frente ao mar que vai dar praia durante o dia.

Parte da piscina sinuosa do Gran Mareiro: área molhada ainda conta com duas jacuzzis | Foto: Fernando Torres

Hospedei-me, em agosto, por três noites no Gran Mareiro, inaugurado em dezembro de 2015, com investimento de quase R$ 100 milhões. Pertencente ao Grupo Mareiro, que possui um hotel em Meireles, o Mareiro, a propriedade tem como ponto forte a agradável piscina ao ar livre, que ocupa toda a extensão do terreno, no térreo. De recorte sinuoso e com trechos rasinhos para as crianças, ela é complementada com duas jacuzzis aquecidas e um bar molhado. Outro destaque é a localização, literalmente em frente à barraca Órbita Blue, inaugurada no segundo semestre de 2016 e que, em ritmo de baladinha, virou “o” point da Praia do Futuro, já demarcando um novo olhar de ocupação para o bairro.

Lobby descontraído e iluminado | Foto: divulgação Gran Mareiro

No interior do hotel, o lobby amplo e iluminado tem decoração descontraída e de bom gosto. Ao contrário dos 270 quartos (14 suítes), que, embora confortáveis e novinhos, soam simplórios  – a peseira amarela soa cafona mesmo. Não é nada tão grave, dá pra superar: reserve um quarto com vista frontal do mar e foque no horizonte. Aproveite para mirar algumas das melhorias implementadas pela prefeitura nos últimos anos: calçadão ampliado, ciclovia, bolsões de estacionamento e areninhas esportivas.

Já que falta bossa nos quartos do Gran Mareiro, foco no horizonte: #apeseiraamarelanao | Foto: Fernando Torres

A apenas 500 m de distância do Gran Mareiro, o hotel Crocobeach foi inaugurado em fevereiro de 2016, como “anexo” à mega barraca homônima, a maior de Fortaleza.  Aliás, eis uma vantagem: os hóspedes têm preços diferenciados nos serviços, como acesso à piscina e aos toboáguas pé na areia, salão de beleza, sauna e espaço de massagem. São 94 quartos por aqui (quatro suítes), com um vislumbre de graça a mais que no concorrente, a maioria deles com varanda e todos bem novos e conservados. A piscina do hotel, porém, é pequena, comparada a do Gran Mareiro.

Embora a piscina do Crocobeach não seja muito grande, os hóspedes têm acesso especial à piscina pé na areia da barraca quase em frente | Foto: divulgação Crocobeach

No quesito gastronomia, ambos servem fausto e delicioso café da manhã incluso na diária e têm restaurantes de bufê no almoço e de opções à la carte à noite. Com pratos bem servidos, são uma mão na roda para quem não quer sair da região. Guarde bem: a única opção para deslocamento à noite é o automóvel, sendo que uma corrida até um dos restaurantes da Varjota ou da avenida Beira-Mar gira entre R$ 15 e R$ 20. Em tempo: em Mucuripe, uma sugestão é provar o menu oriental do Mangostin, restaurante dentro do Gran Marquise, o hotel mais elegante da “velha” Fortaleza.

* O Grupo Vila Galé entrou em contato com o Hotel Inspectors para informar que investiu recentemente R$ 3 milhões na renovação dos quartos e áreas comuns do Vila Galé Fortaleza

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Mais hotéis de luxo na Geórgia, EUA

No meu post mais recente, que você pode ler aqui, falei sobre alguns hotéis no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, relacionados ao filme “E o Vento Levou”, um de meus preferidos na vida – “Frankly, my dear, I don’t give a damn“. Porém, é evidente que a hotelaria da região não se restringe ao tema e à volta ao passado. Na mesma viagem, também fiquei hospedado em dois hotéis de luxo, que renderam experiências incríveis: o Four Seasons Atlanta, na região de Midtown; e o Château Élan, em Braselton, a 40 minutos de carro de Atlanta.

A torre GLG Grand, onde fica o Four Seasons, nos melhores arredores de Atlanta | Foto: divulgação

Não é segredo que a rede Four Seasons escolhe as melhores localizações para se instalar. E, de fato, Midtown Atlanta tem o best of the best da cidade: gastronomia e vida noturna, o pulmão verde Piedmont Park, o Fox Theatre, com musicais da Broadway, e também o centro cultural Woodruff Arts Center, sede do High Museum of Arts, um dos melhores acervos de arte americana no país. A torre art déco do Four Seasons, a GLG Grand, é a mais alta dos arredores, com 186 m e 53 andares, dos quais um terço pertence ao hotel. O átrio não deixa dúvidas sobre a elegância da escolha: uma grande escadaria de mármore espanhol vermelho, lustres de cristal, grandes colunas e mobiliário em estilo europeu.

A elegante escadaria em mármore espanhol vermelho do Four Seasons Atlanta | Foto: divulgação

Em seus 19 andares, o Four Seasons concentra 226 apartamentos e 18 suítes, com vistas panorâmicas para Midtown. Fiquei hospedado na Luxury Suite, decorada em tons pastel e dourado, com sala de estar, camas king size e salas de banho em mármore e banheira. Além dos mimos cinco-estrelas já conhecidos da marca – amenidades assinadas pela Bulgari, vinho, frutas  de boas-vindas, etc. –, a hospitalidade e o atendimento personalizado impressionam. No desjejum, manifestei ao garçom a curiosidade de saber se o carrot cake, bastante comum em outras partes dos Estados Unidos, também era servido na Geórgia. Mais tarde, a surpresa: quatro cupcakes do sabor mencionado estavam à minha espera em cima da mesinha do living.

Luxury Suite e carrot cakes: seu desejo é uma ordem | Fotos: Fernando Torres

Localizado no térreo, o spa foi outro suprassumo. Fiz uma das melhores tratamentos de que tenho lembrança, o The Midtown Massage, que inclui esfoliação, reflexologia e massagem corporal e no couro cabeludo, seguida de uma taça de prosseco. A área ainda abriga o fitness center, com piscina olímpica coberta e aquecida, banheira de hidromassagem, sauna seca e úmida, academia e um terraço.

Château Élan, em Braselton, inspirado nas construções rurais da França| Foto: Fernando Torres

O resort Château Élan, por sua vez, é a opção para quem quer fugir da cidade. O complexo, em uma área verde de 3,5 mil acres, compreende campo de golfe, piscina, jacuzzi, quadra de tênis, vinhedos, adega e sete restaurantes, dos quais o carro-chefe é o Versailles, especializado na tradicional cozinha americana. A atmosfera das construções remete aos castelos rurais da França do século 16, especialmente o prédio principal, com 250 apartamentos e 25 suítes, todos com decoração ao estilo provençal, nos tons dourado e azul-mediterrâneo. Outra opção de pernoite são as vilas, indicadas para grupos maiores, já que têm de dois a três quartos, cozinha equipada e sala com lareira de LED.

Vocês já sentiram que eu gosto de spa, né?! Pois bem, o do Château Élan fica em um prédio reservado, em estilo mansão de campo francesa, e também pode servir de hospedagem. No caso, sai a mesa para laptop, entra a sala de banho, com banheira e velas aromáticas. O compacto restaurante Fleur-de-Lis dá vida para o lago e a floresta que cercam a área, com pratos de calorias controladas, como a salada de camarão asiático em infusão de chá-verde. O fitness center, por sua vez, oferece aulas de ioga, pilates e hidroginástica na piscina aquecida. É pra desligar o celular e se perder em si mesmo…

No Château Élan, apenas desligue o celular e relaxe | Foto: Fernando Torres

Por ser uma vinícola, a exemplo do Vik Chile, que já falei aqui, o Château Élan também promove diariamente degustações de vinhos locais e realiza tours pelos vinhedos e adegas. A casa detém, atualmente, 29 rótulos e se anuncia como a adega mais premiada da costa Leste nos últimos três anos, com mais de 300 prêmios. Entre os destaques, o elegante e premium Nancy, blend branco das uvas Viognier, Trebbiano, Albarino e Chardonnay; o Les Petits, uma mistura de Petit Verdot e Petit Syrah; e o rosé Summer Wine, produzido a partir da uva Muscadine + essência do néctar de pêssego, a fruta ícone da Geórgia. And the livin’ is easy…

Summer Wine, and the livin’ is easy… | Foto: Fernando Torres

Hotéis que o vento não levou – Georgia, EUA

“O que você vai fazer na Geórgia?”, foi a pergunta que ouvi quando disse que iria passar férias no estado que faz fronteira com a Flórida e, embora tenha o aeroporto mais movimentado do mundo, ainda é tão pouco visitado por brasileiros com fins turísticos. Bem, reconheço que o motivo inicial da viagem era trabalho, mas, ao conseguir esticar por pouco mais de uma semana, nem cogitei ir a outros destinos mais badalados dos Estados Unidos. Preferi passar aqueles dias em meio à atmosfera low-profile de Atlanta e arredores, em busca de vestígios da civilização de Scarlett O’Hara, uma das personagens que mais me fascinam no cinema e na literatura.

Fachada do Georgian Terrace, de 1911, em Midtown | Foto: Fernando Torres

No quesito hotelaria, o assunto tema deste blog, o tour cinematográfico começou com um drinque de bourbon e chá, seguido de jantar, no bar Livingston, no lobby do centenário The Georgian Terrace. O hotel, extremamente bem localizado no trecho de Midtown da Peachtree Street (via arterial que corta praticamente toda Atlanta) hospedou Vivien Leigh (Scarlett), Clark Gable (Rhett Butler) e boa parte do elenco de E o Vento Levou na première do filme em Atlanta, em 1939. Para os fãs, é um deleite!

The Twelve Oaks, a fazenda do songamonga Ashley Wilkes (Leslie Howard), está a cerca de 40 minutos de distância de carro, na cidade de Covington. Não a que aparece no filme, já que este foi filmado na Califórnia, mas uma fazenda de algodão real oficial, de 1836, cujo casarão antebellum serviu de inspiração para Margaret Mitchell, autora do livo E o Vento Levou (off-topic: sua casa, a poucos passos do Georgian Terrace, foi transformada em museu e é atração fundamental para fãs e não fãs da obra).

The Twelve Oaks, o casarão em Covington que inspirou a fazenda homônima de “E o Vento Levou” | Foto: divulgação

Reformada em 2012, The Twelve Oaks funciona hoje como um bed and breakfast, bem ao estilo caloroso e hospitaleiro do Velho Sul. Decoradas com móveis ao estilo do século 19, as suítes contam com confortos bem modernos, tais como lareira com controle remoto e convidativas banheiras vitorianas. Fiquei hospedado na suíte The Frankly Scarlett, em homenagem ao segundo marido da protagonista, mas o encanto maior é com a Magnolia’s Spa Grand Suite, com cama de dossel com cortinas francesas e banheira de cromoterapia.

Magnolia’s Spa Grand Suite: para se sentir como Scarlett – sem espartilho, pfv | Foto: divulgação

De lá, rumei para Savannah, a cidade histórica mais bem preservada dos Estados Unidos. As ruas e casas em estilo cinematográfico foram um presente de Natal do general Sherman ao então presidente Abraham Lincoln, cessando ali a trajetória incendiária e vitoriosa da União (os estados do Norte) sobre a Confederação (estados do Sul) na guerra civil norte-americana, em 1864. Para manter a linha da viagem, me hospedei no bed and breakfast Eliza Thompson House, em um casarão bem no centro, construído em 1847. O hotel se intitula como butique, mas, embora bem confortável, não tem luxos. Os quartos são decorados ao estilo do século 19. O meu tinha vista para o jardim, onde é servido o desjejum. A sala principal é pequena, porém, bem acolhedora, e recepciona os hóspedes ao fim da tarde com vinho e canapés. Outro mimo é o café ou chá servido à noite.

Sala de estar do Eliza Thompson House: vinhos e canapés servidos à noite | Foto: Fernando Torres

O escritor John Kelso, personagem de John Cusack em Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal, descreveu Savannah como “uma mistura fantasmagórica de E o Vento Levou com drogas”. A parte das drogas, não sabemos. Porém, de fato, a cidade conserva toda a atmosfera aristocrática da película, além da fama de mal-assombrada. Outras opções para se hospedar e se sentir dentro do filme é a imponente Kehoe House, de 1892, um casarão de tijolos à vista, piso de madeira e lustres de época; e o The Gastonian, exemplar dos anos 1860.

Kehoe House, em Savannah: cidade faz jus à fama de mal-assombrada | Foto: Fernando Torres

Eu deixei meu coração no Fairmont San Francisco

Dentre as várias possibilidades de experiências de viagem, uma das que mais me encanta é a dos hotéis centenários. Por isso, ao “bookar” uma viagem para San Francisco, na Califórnia, os olhinhos brilharam na quantidade de hotelões históricos, cheios de pompa e circunstância.

O mais antigo da cidade é o Palace, na Montgomery Street, que remonta a 1875. Já o Westin St Francis, de 1904, fica na Union Square e deu por concluída uma reforma de US$ 45 milhões em abril de 2018, o que significa o melhor dos mundos (pelo menos do meu): memórias com conforto. Tem também o Ritz-Carlton, em Nob Hill, de 1910; o Whitcomb, na Market Street, de 1916; o InterContinental Mark Hopkins, de 1926, em Nob Hill; e o Kimpton Sir Francis Drake, de 1928.

Todos lindos, mas cismei mesmo com o The Fairmont, ao qual fui apresentado em um almoço promovido pela AccorHotels, que representa a bandeira desde 2016. Instalado em Nob Hill, um dos bairros mais altos da cidade, o palacete em estilo neoclássico estava quase concluído na época do famoso terremoto de 1906. Enquanto as mansões ao seu redor vieram “na chon”, o futuro hotel sobreviveu.

Desde então, muita história rolou por lá. A começar pelo processo de reconstrução do interior, infelizmente, bastante danificado. Stanford White, o arquiteto escolhido para a missão pelos donos – que, aliás, haviam comprado o hotel dos primeiros investidores, a família irlandesa Graham Fair, poucos dias antes do terremoto –, foi assassinado à queima-roupa enquanto jantava em New York.

A escolha, então, recaiu sob a arquiteta Julia Morgan, primeira mulher formada pela École des Beaux-Arts, em Paris. E ela fez um trabalho magnífico com o The Fairmont, que finalmente foi inaugurado em 1907.

Graças a uma reforma realizada há quase duas décadas, o lobby pode ser conferido atualmente de forma muito fiel ao esplendor de Julia, com os mármores originais do piso e das colunas, sem economizar em douradices.

O lobby projetado por Julia Morgan no início do século 20 em todo o seu esplendor

Estão lá também o lendário Venetian Room, onde Tony Bennet apresentou pela primeira vez a música I left my heart in San Francisco, em 1961 – momento eternizado por uma estátua do cantor em frente ao hotel. Reaberto em 2010, a casa também recebeu, com regularidade, nomes como Ella Fitzgerald, Nat King Cole e Tina Turner. O pitoresco Tonga Room & Hurricane Bar, de comida polinésia, também é uma instituição, inaugurado em 1945, na área da antiga piscina. Já o restaurante oficial Laurel Court, anexo ao lobby, ficou fechado por seis décadas e foi reaberto na virada do século. O Fairmont foi ainda o primeiro hotel dos Estados Unidos a oferecer o serviço de concierge, a partir de 1974, cargo ocupado por Tom Wolfe – outro Tom, não o de A Fogueira das Vaidades.

Os 591 apartamentos e suítes se distribuem entre o prédio principal e uma torre de 23 andares, erguida em 1961. Foi onde me hospedei, na categoria Signature Room, com vista para a baía de San Francisco e a Ilha de Alcatraz. Elegante e renovado, o quarto conta com banheiros em mármore, com banheira, e camas superconfortáveis.

Signature Room…
… e a vista para a baía de San Francisco e a ilha de Alcatraz

As suítes se orgulham de terem recebido todos os presidentes dos Estados Unidos desde 1909, além de reis e rainhas e chefes de estado de inúmeros países (brasileiros, inclusive). A mais impressionante de todas é a Penthouse Suite, de 557 m² e inaugurada em 1926. Ela ocupa todo o oitavo andar do prédio principal, tem três passagens secretas e é alugada não apenas para hóspedes, mas também para festas privadas –  acomoda até 130 pessoas –, ao valor de US$ 18 mil a diária.

Em tempo:  o glamour de se hospedar no Fairmont tem custo relativamente acessível. San Francisco é uma cidade conhecida pelo valor alto das diárias. O Fairmont, por motivos óbvios, não é exceção, mas, quando  estive lá, consegui um preço idêntico a outras opções de categoria bem inferior pelos sites de busca. E, olha: vale cada centavo viver esse “golden dream”!

New Orleans: hotéis na capital do jazz

Ancorada entre as curvas do Rio Mississippi, New Orleans leva a fama (justíssima!) de epicentro turístico do Velho Sul dos Estados Unidos. Tudo graças à fusão cultural de franceses, espanhóis e africanos, que lhe rendeu arquitetura e gastronomia peculiares e um espírito de diversão à parte na terra do Tio Sam. Em plena efeméride dos 300 anos, a cidade mais populosa do estado da Louisiana também tem sua lista, embora compacta, de hotéis de luxo.

Nola, como é chamada, está na expectativa de o grupo canadense Four Seasons inaugurar um novo empreendimento no ITM Building, onde um bar giratório na cobertura fez história até o furacão Karina, em 2005. Na fotogênica Canal Street, via arterial da Big Easy, a transformação do edifício em hotel tem investimento projetado em US$ 450 milhões, com a proposta de receber 395 suítes e 80 residências. A inauguração, porém, só está prevista para 2020.

Ritz Suite, do Ritz-Carlton: toda a imensidão do Mississippi | Foto: divulgação RC

Até lá, dá para garimpar outras opções. A exemplo do Ritz-Carlton, em um prédio da década de 1910 da Canal Street. A proposta da propriedade é recriar os ambientes dos palacetes e antigas fazendas sulistas, com decoração vitoriana e antebellum e obras de arte nos corredores. Destaque para a vista panorâmica do Mississippi a partir da Suíte Ritz, de 260 m², vista na foto acima.

A torre do Sheraton contribui para o potencial fotogênico da Canal Street | Foto: divulgação Sheraton

Também na Canal Street, a torre do hotel Sheraton, onde eu me hospedei, se destaca no horizonte. Em 2013, o complexo de 1.100 aposentos, incluindo 53 suítes, passou por uma renovação de US$ 55 milhões, que também incluiu o grandioso lobby, decorado com espelhos e obras de arte americanas, em referências ao pátios do French Quarter, o bairro francês e o mais antigo da cidade. O que mais me chamou a atenção foi a pop art Blue Dog no piano de cauda, do texano George Rodrigue.

Club Lounge views: insira aqui o seu bom drinque | Foto: divulgação Sheraton

Com 116 m², a suíte presidencial Jackson, no 49º andar, tem decoração requintada, banheira de mármore e paredes de vidro com vista panorâmica. Como não sou o Trump (tks, God!), apreciei a paisagem no Club Lounge, com aperitivos e drinques all day long, disponível para hóspedes da categoria Sheraton Club. Pecadinho: o restaurante Roux Bistro, especializado em comida crioula, serve café da manhã e almoço, mas nada de jantar, o que decepciona em um hotel deste porte.

Café Adelaide, no Loews: sopro de renovação da comida crioula | Foto: divulgação Loews

A poucos passos dali, em Downtown, o Loews se posiciona melhor na cena gastrô de Nola, com seu Café Adelaide, aberto ao público. Da mesma família dos tradicionalíssimos Commander’s Palace e Brennan’s, a casa passou a ser comandada recentemente pela chef Meg Bickford, trazendo frescor à cozinha crioula. É o caso, por exemplo, da releitura de gumbo, o famoso guisado de Nola, com camarão-branco selvagem; e do ravióli de caranguejo-azul. Divertido, o ambiente remete à cultura dos coquetéis, com direito a telas pop art. Não visitei os quartos, mas “gradei” bem do lobby e do restaurante.

Também em Downtown, dois outros logradouros se destacam. O Windsor Court já entrou para a lista dos 100 melhores hotéis dos Estados Unidos, da “Condé Nast Traveler”. Tem décor britânico, suítes espaçosas e serviço de mordomo particular, além de uma pequena galeria com obras de arte dos séculos 17, 18 e 19.

Décor elegante no lobby do Windsor Court | Foto: divulgação WC

No mesmo quarteirão, o Le Méridien envereda pelo design moderno e estética atemporal, reinaugurado em 2014 após investimento de US$ 29 milhões. A área pública é o que mais impressiona, pela decoração inventiva, com cores alegres e mobiliário contemporâneo. Contudo, a Luxury Suite, a categoria mais alta, deixa a desejar: tem 53 m², decoração basicona e insossa e não possui banheira.

Lobby descolado do Le Méridien: descompasso com o “assim-assim” dos quartos | Foto: divulgação Le Méridien

Quem preferir se hospedar no French Quarter, o canto mais charmoso de Nola, tem como escolha mais acertada o Royal Sonesta. Em funcionamento desde a década de 1960, o hotel está alojado em um casarão de 1721, com varandas de ferro fundido, característicos da arquitetura francesa, que dão vista para o burburinho da Bourbon Street, principal palco da vida noturna de Nola. As suítes de categoria mais alta não decepcionam: têm piso em mármore, lustres de cristal, tapetes persas e cortinas de seda. Mas lembre-se: a Bourbon Street é a rua do pecado em New Orleans, o que pode ser uma solução ou um problema, a seu critério.

Para ver o pecado de camarote: varanda de uma das suítes do Royal Sonesta | Foto: divulgação Sonesta

Em comemoração aos três séculos de Nola e já que as inspectors Carla Lencastre e Mari Campos também passaram temporadas por lá, vamos dar em breve mais alguns pitacos sobre a hotelaria na cidade. Acompanhe a gente!

Para ficar por dentro destas e de outras histórias de hotelaria, acompanhe a gente no Instagram @HotelInspectors; no Facebook @HotelInspectorsBlog; e no Twitter @inspectorshotel. Obrigada pela companhia!

Adults only, please: resorts exclusivos para adultos no Caribe mexicano

Feche os olhos e pense em um resort all-inclusive. Não sei você, mas a imagem que vem à minha cabeça é de crianças correndo pra lá e pra cá, animadores na piscina ao som de música de gosto duvidoso, muita comida, muita bebida, muita glutonaria. Mas precisamos ir além dos clichês. Embora grande parte das propriedades do gênero realmente se enquadre nesse perfil, há outros que fazem uma linha mais exclusiva e elegante, com ou sem o sobrenome all-inclusive.

Estive recentemente em Cancún e na Riviera Maya, trecho caribenho do México e uma das capitais mundiais dos resorts, e pude notar a oferta crescente de espaços exclusivos para adultos. Não, não estamos falando daqueles hotéis para casais, digamos, “saidinhos”, como os da rede Desire; mas, sim, sobre propriedades que enveredam por um conceito mais luxuoso e reservado. Em frente ao mar azul-caribe de Cancún, encontramos, por exemplo, o nothing-inclusive, porém (ou justamente por isso) megaexclusivo, Ritz-Carlton, palco do Summer of Sony, evento que recebe celebridades de Hollywood. Além dele, destaque também para dois representantes da bandeira Hyatt, o Hyatt Zilara e o Turquoize, um núcleo adults only dentro do Hyatt Ziva – com apenas 160 quartos, é o que a rede chama de “um resort dentro de um resort”.

Piscina principal do Grand Paraiso: repare no casal apaixonado isolado bem no centro| Foto: Fernando Torres

O princípio se estende ao  Iberostar Grand Paraiso, o crème de la crème do Iberostar Playa Paraiso Golf & Spa, complexo de cinco hotéis na Riviera Maya, onde me hospedei, e que faz parte da marca The Grand Collection da rede espanhola. Debruçado, sob o mar turquesa da praia de Puerto Morales, nos arredores de Playa del Carmen, o resort é cercado por jardins e vegetação nativa. Os corredores, de fato, exalam (literalmente) o aroma de exclusividade, e os 310 aposentos, todos suítes, têm banheiros de mármore e banheiras de hidromassagem. Fora o prédio principal, o Grand Paraiso ainda tem as Honeymoon Villas, com cama de dossel, jardins e piscinas privativas e metros quadrados suficientes para esquecer que existem outros humanos lá fora.

Pool View Suite: todos os 310 aposentos são suítes | Foto: Divulgação Iberostar

Há um quê de extravagância na propriedade, é verdade, talvez pelo feitio romano da arquitetura, repleta de colunas e arcos. Mas a ampla piscina de borda infinita dissipa qualquer objeção: aliás, são três piscinas para o dolce far niente. O hóspede ainda pode usar as áreas úmidas do SPA Sensations, com piscina de talassoterapia (veja a foto no nosso Instagram, o @hotelinspectors), jacuzzis, sauna e temazcal, a sauna indígena, inspirada nas tradições xamânicas; bem como a academia Fit&Fun. Ampliado e reinaugurado no último novembro, com investimento de US$ 1 milhão, o ginásio tem agora aulas de ioga, zumba, pilates, spinning, bootcamp, tai chi chuan, TRX e outras modalidades de exercícios. Isso sem falar do campo de golfe de 18 buracos, considerado um dos melhores do México e da América Latina.

Corredores suntuosos, com um quê de Troia e Roma Antiga | Foto: Fernando Torres

E gastronomia? Bem, quem se hospeda em um all-inclusive deve estar ciente de que dificilmente irá encontrar restaurantes ou chefs estrelados. Mas isso não significa que irá comer mal ou mais do mesmo. Seis restaurantes de diferentes especialidades integram o Grand Paraiso, a exemplo do francês L’Atelier, do italiano Venezia e do japonês Haiku, que varia entre os pratos à la carte e a febre caribenha do teppanyaki. Fora isso, o complexo ainda abriga sete diferentes bares. Faça como eu e dê as caras no El Mirador, no lobby, em frente a um majestoso jardim: à paisana, no fim de tarde, cai bem um gim-tônica com frutas vermelhas.

O restaurante gourmet L’Atelier: cozinha francesa e internacional | Foto: Fernando Torres

Mas, se ainda assim, resort não for a sua praia na Riviera, saiba que há vida lá fora. A inspector Carla Lencastre falou aqui do Esencia, entre Playa del Carmen e as ruínas de Tulum. Eu, por minha vez, dei uma espiada em dois ótimos hotéis pé na areia no centrinho de Playa del Carmen, o modernoso The Carmen, também adults only, e o Thompson Beach House. Aprovei com gosto, mas isso já é assunto para outro post.

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Novo B Hotel revive a Brasília modernista, clean e minimalista

Instalado no Eixo Monumental, em frente ao estádio Mané Garrincha, o prédio do B Hotel não é exatamente novo para quem circula por Brasília. Afinal, a propriedade de 16 andares projetada pelo arquiteto paulistano Isay Weinfield – mesmo autor de vários projetos da marca Fasano – demorou pouco mais de cinco anos e R$ 100 milhões para ficar pronto. A inauguração, porém, só aconteceu em janeiro deste ano e traz boas notícias à Esplanada, pelo menos no que diz respeito à hotelaria.

Janelas irregulares “descontroem” Athos Bulcão | Foto: Fernando Torres

O grande “wow” do B Hotel começa na fachada, onde as janelas em linhas retas, porém de traçado irregular, conversam com a obra do artista Athos Bulcão e antecipam a estética minimalista. O lobby põe as claras essa proposta: baseada sobre pilotis, em referência aos conjuntos de blocos da capital federal, a estrutura se abre por quase toda a área térrea do edifício e se estende para o bar e o restaurante.

Restaurante do B, no lobby: pilotis fazem referência aos conjuntos de blocos do Plano Piloto | Foto: Fernando Torres

Interior adentro, a abertura dos 306 apartamentos acontece gradualmente. Até o momento da minha hospedagem, em abril, só as categorias Room (o equivalente a Standard), Superior e Executive estavam em funcionamento. “Mas as suítes devem ser inauguradas ainda em maio”, adianta a diretora-executiva Ana Paula Ernesto, responsável pela implantação e gerenciamento. É aqui também que descobrimos o truque de Isay Weinfield para a sensação irregular da fachada: a posição e o tamanho das janelas variam de quarto para quarto.

Acomodação B Superior, com vista para o Mané Garrincha | Foto: Fernando Torres

Ainda sob o conceito minimalista, os aposentos têm mobília assinada pelo designer catarinense Jader Almeida, banheiro em mármore, umidificador de ar com aromatizante, roupas de cama e banho Trousseau e amenidades L’Occitane – só as suítes terão banheira, infelizmente, sem vista. Pequenos detalhes dão um up no frigobar, a exemplo do chocolate orgânico Only4 e a batata frita inglesa Tyrrells. “A palavra aqui não é luxo, mas um ambiente clean e contemporâneo, descomplicado, onde as pessoas possam se sentir em casa”, descreve Ana Paula.

Room minimalista das suítes: inauguração prevista para este mês | Foto: Fernando Torres

Na cobertura, a piscina amarela já vem fazendo carreira em posts do Instagram. De um lado, é emoldurada por cobogós, o cimento com motivos vazados que, embora tenha nascido em Pernambuco, fez história mesmo nos prédios do Plano Piloto. Do outro, a vista para o pôr do sol de Brasília, com o estádio Mané Garrincha e o Memorial JK ao fundo. Seja para fritar de dia ou para o cair da noite, o espaço fica completo com um gim-tônica no Bar 16.

Piscina amarela no rooftop: entre cobogós e vista a perder de vista | Foto: Fernando Torres

Mas voltemos ao lobby, mais especificamente ao restaurante, batizado de Restaurante do B, com cozinha aberta ao salão de refeições. Sob o comando do chef Rodrigo Sato (ex-JW Marriott Rio) e cardápio implantado pelo chef Ramiro Bertassin (ex-Fasano SP, Renaissance SP e JW Marriott Rio), a casa investe em alta gastronomia com toques de sabores do Cerrado. Em minha passagem por lá, provei pratos como stinco de vitelo e ravióli com queijo de cabra e castanha de baru. Aliás, a noz, típica da região, também faz bonito na crosta do robalo e na finalização de sobremesas, como o macaron de chocolate, doce de leite e chantili de café. Outras regionalidades incluem baunilha do Cerrado, pequi, cacau selvagem e cajuzinho.

Stinco de vitelo: alta gastronomia com sabores regionais | Foto: Fernando Torres

Todo trabalhado na hashtag #fitness, o desjejum tem pão de queijo vegano, quefir, suco verde e, em breve, kombucha – e também pain au chocolat e croissants, que ninguém é de ferro. “Temos cuidado  especial com a cozinha. As frutas, as verduras e os legumes vêm de nossa horta orgânica, e os pães, bolos e biscoitos são feitos aqui mesmo. Nada é terceirizado”, conta Ana Paula, que fez questão de me levar para um tour pela cozinha industrial. De fato, nada mal!

Cozinha industrial: tudo é preparado no hotel | Foto: Fernando Torres

Com o público majoritário de políticos e executivos, o B Hotel tem sala de reuniões e de eventos. Mas ainda não possui academia ou spa. O primeiro item já está nos planos; o segundo, não – faz falta. Ainda assim, a propriedade já bate de frente com os tradicionais hotelões de Brasília, o Meliá Brasil 21 e o Royal Tulip Alvorada (ex-Blue Tree), que também testei em minha passagem pela cidade (o Meliá continua se atualizando, com novos andares exclusivos e personalizados para diferentes perfis de hóspedes, mas o Royal Tulip, embora seja imbatível na categoria lazer, com o piscinão de frente para o lago Paranoá, está com os quartos um pouco envelhecidos). A propósito: por que B Hotel? O nome é uma referência discreta, porém perspicaz, à origem dos empreendedores, a tradicional família Bettiol, um dos sobrenomes pioneiros de Brasília. Está explicada a conexão com essa senhora quase sexagenária.

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Vik Chile: suítes para se sentir em uma vernissage

Hospedar-se no hotel-vinícola Vik Chile, no Vale do Millhaue, a 140 km de Santiago, é como estar dentro de uma obra de arte. E não apenas porque a propriedade expõe esculturas, telas e mobília design nas áreas comuns, algo corriqueiro em hotéis de luxo mundo afora, mas, principalmente, por que cada uma das 22 suítes foi pensada como uma galeria íntima. Detalhe: todas têm projeto totalmente individualizado, assinado por artistas e designers.

Que tal nós dois, na banheira de espuma da suíte H, inspirada na Hermès? | Foto: Fernando Torres

Aberto em novembro de 2014, inicialmente com o nome de Viña Vik, o hotel leva a assinatura milimétrica do arquiteto uruguaio Marcelo Daglio, responsável também pelo Playa Vik, em Punta Del Este, ambos em parceria com os proprietários, o casal norueguês Alexander e Carrie Vik. O conceito artsy se inicia logo na fachada. Bronzeado pelo sol, o teto de titânio se inspira no Guggenheim espanhol de Frank Gehry e passa a impressão de se contorcer ao sabor do vento. O visual futurista contrasta bem com a estrutura bucólica do local, o topo de uma colina, cercada por montanhas e vinhedos; e combina com a estética, digamos, “desconstruída” da bodega.

Estética alienígena retorcida pelo vento | Foto: Fernando Torres

Mas vamos às suítes, o motivo deste post. Elas se distribuem em dois andares ao redor da área central – onde ficam o living repleto de peças de arte, o jardim Zen, em estilo japonês, e o restaurante Milla Milla, com refeições harmonizadas com vinhos inclusas na diária. Adormeci com Morfeu na suíte Azulejo, cujo inusitado visual criado pelo chileno Pablo Montealegre inclui: 1) afrescos de ladrilhos portugueses pintados à mão no teto, na parede do quarto e no banheiro; 2) cabeceira com dois vestidões de veludo que me remeteram diretamente às cortinas de Scarlett O’Hara.

Redefinindo o conceito de artsy | Foto: Fernando Torres

Inspector abelhudo que sou, fiz questão de circular por outras suítes. A máster Shogun, assinada pelo artista japonês Takeo Hanazawa, tem cama sobre bambus e lustres em papel, janelas inspiradas nos antigos biombos da terra do Sol Nascente e banheira retangular em madeira – a vista nos banheiros distingue as categorias comum e máster. A suíte Chile, por sua vez, remete ao passado rural do país que nos recebe, com pufes de estampas indígenas e de peles de animais e muita madeira, inclusive na pia e na banheira ovalada. Já a berrante Valenzuela, assinada pelo artista chileno Sebástian Valenzuela, tem sofá em formato de boca, quadros em tons de vermelho que retratam as festas folclóricas e um banheiro que, bem, a foto diz por si só.

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Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores | Foto: Fernando Torres

Há também algumas homenagens, como as másteres F, que reproduz obras do artista milanês Piero Fornasetti; e H, voltada ao universo da grife francesa Hermès, da origem de sela para montadores ao glamour das campanhas modernas. Também da categoria máster, a Gabler’s Grissaile passa uma ilusão de ótica em 3D, efeito conseguido com os tons de cinza, o papel de parede amassado, o piso quadriculado e os quadros que parecem saltar, entre outros segredos do artista chileno Alvaro Gabler. E o que dizer da banheira da suíte Vik, uma verdadeira escultura flutuante à espera do flagra de um nude, emoldurado pela vista?

Insira aqui o seu nude | Foto: Fernando Torres

Como se não bastasse toda essa personalização artsy, todas as suítes possuem janelões envidraçados do chão ao teto com vista que varia entre montanhas, lago e vinhedos. Dá para ficar uma tarde inteira contemplando o visual, seja na intimidade ou na varanda do restaurante, debruçada sobre a piscina de borda infinita, que se confunde com o lago (a água não é aquecida, o que torna o mergulho inviável no inverno, um lapso para o hotel). Meu conselho é perder-se no dolce far niente acompanhado de uma taça – ou garrafa, por que não? – do vinho ícone da vinícola, o Vik, complexo blend das castas Cabernet Sauvignon, Carménère, Syrah, Merlot e Cabernet Franc. Outras opções, mais descomplicadas, são os blends La Piu Belle (meu preferido, lançado em 2017, em uma garrafa que também é toda arte) e Milla Cala. Talvez ali, levemente embriagado, dê para entender por que o povo indígena mapuche chamava o Vale do Millhaue de “lugar de ouro”.

Embriagado com o lugar de ouro | Foto: Fernando Torres

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Hotéis subterrâneos na Capadócia

Piscina de pedra dependurada sobre o Vale Vermelho. Foto: Fernando Torres

Habitada há pelo menos quatro milênios, a  região da Capadócia é atualmente lembrada pelos fotogênicos voos de balão ao amanhecer. Mas, para além do colorido turístico que se estende pelo céu, a paisagem do deserto turco guarda impressionantes vilas subterrâneas, esculpidas em rochas calcárias formadas por ação vulcânica. Algumas delas são tombadas como patrimônio mundial da Unesco; outras, porém, se transformaram em hotéis-butique, que recriam, com estilo, a sensação de dormir na caverna.

É o caso do Museum Hotel, único representante do país na disputada lista Relais & Châteaux, e que tive a oportunidade de conhecer em uma viagem de oito dias ao país. O hotel fica localizado no povoado de Uçhisar, com vista para o deslumbrante Vale Vermelho, onde os balões voam todas as manhãs – o melhor ponto de observação é a piscina de pedra, que simula a sensação de borda infinita.

Como se fosse um castelo encravado na rocha de uma colina, a área possuía originalmente cerca de 60 cavernas, que abrigaram antigas comunidades nômades e os famosos e raros cavalos da raça Akhal-Tek. Após quatro anos de restauro, as ruínas deram lugar a 30 quartos e suítes esculpidos à mão, preservando a estrutura da rocha. Cada espaço é decorado individualmente com tapeçarias, sofás em estilo otomano, obras de arte e antiguidades, como cerâmicas e tapeçarias.

A suíte Harém, por exemplo, tem lareira e surpreendentes torneiras onde jorra vinho tinto – não fiquei nesta suíte por motivos óbvios de precaução, mas, sim, na Gülistan (tradução para jardim de rosas, em referência ao jardim particular), com teto de pedra abobado e jacuzzi com vista para o vale salpicado de “chaminés de bruxas”. A suíte Sultan é ainda mais impressionante, com teto solar, adega tandoor (forno tipicamente asiático subterrâneo) e um tear para a tecelagem de tapetes, todos pensados para momentos totalmente privados.

Suíte Gülistan, encravada na pedra, com jardim particular. Foto: Fernando Torres

Nas áreas comuns, o restaurante Lila’s serve a tradicional comida turca em um ambiente à moda clássica do Oriente. O cardápio tem a consultoria do chef Murat Bozok, um dos mais renomados da Turquia, com destaque para entradas e pratos à base de cordeiro, queijo e iogurte de ovelha e especiarias. Com frequência, os túneis e cavernas ainda sediam vernissages e galerias de arte temporárias, com artistas locais e internacionais. Tudo observado de perto pelo fundador e proprietário, o o visionário Ömer Tosun.

As redondezas têm ainda outras opções de luxo. Na mesma viagem, jantei no Argos Hotel, em uma caverna que já abrigou um mosteiro. Reformado há três anos, a propriedade tem suítes luxuosas, a exemplo da categoria Splendid, com piscinas internas privativas. A adega subterrânea guarda uma formidável variedade de vinhos.  A propriedade tem ainda jardins e terraços de onde se podem observar o céu estrelado da Capadócia.

Suíte Splendid do Argos Hotel, em um antigo mosteiro. Foto: Fernando Torres

 

 

 

 

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