Pôr do sol Arpoador Fasano Rio

Retrospectiva: melhores hotéis do meu 2018

Feliz Ano Novo! Hotel Inspectors entramos em 2019 na contagem regressiva para comemorar nosso primeiro aniversário, em março. Ano 1 do blog, enquanto o Instagram Hotel Inspectors já vai para o seu segundo ano (ainda não segue?!?). Ao longo destes dez últimos meses, publicamos 52 posts sobre temas variados (novidades no mercado hoteleiro, bares e restaurantes concorridos, curiosidades de propriedades históricas e até endereços de fantasmas), além de resenhas sobre hotéis recém-inaugurados ou não.

Viajamos pelo Brasil, pelas Américas, por Europa, África e Oceania. Mostramos os hotéis nos quais se hospedaram as seleções que disputaram a Copa do Mundo, defendemos o fim da cobrança das cápsulas de café expresso nos hotéis de luxo e estivemos entre os primeiros a conhecer novas propriedades, inclusive no Brasil. Participamos de três ILTMs, a mais importante feira de viagens de luxo. E este foi apenas o começo!

Os melhores hotéis do (meu) mundo em 2018

Já eu dou início a 2019 relembrando meus melhores hotéis de 2018. A lista é dos primeiros meses. O restante do ano fica para um próximo post.

Janeiro. O verão começou no Rio, onde tenho o privilégio de morar. Visitei (e aproveitei) os hotéis cariocas e destaco quatro, aos quais voltei ao longo do ano e que estão em ótima forma para 2019: Belmond Copacabana Palace, Emiliano Rio (também na Praia de Copacabana, no Posto 5, perto de Ipanema), Fasano Rio (no Arpoador) e Santa Teresa MGallery by Sofitel. Todos têm ótimos bares e restaurantes. O Fasano, por exemplo, acaba de inaugurar o quiosque Marea, no calçadão de Ipanema, com bons drinques e umas das melhores vistas para o pôr do sol carioca (foto no alto). Agora é aguardar o Fairmont Rio, a mais importante abertura hoteleira no Brasil em 2019, marcada para 2 de abril. Conto mais sobre este e outros novos hotéis de luxo em 2019 na reportagem de capa da Panrotas, páginas 20 a 29.

Mick Jagger Trafalgar St James
O jovem Mick Jagger no meu quarto no Trafalgar St James | Foto de Carla Lencastre

Fevereiro. Depois do carnaval, meu verão virou alto inverno e desembarquei em Londres debaixo de uma das maiores nevascas que a cidade já viu. A neve não chegou a atrapalhar muito o programa, graças à perfeita localização do Trafalgar St. James, hotel na época recém-inaugurado da Curio Collection. Esta é uma das bandeiras mais interessantes da Hilton, da qual já conheci alguns hotéis e sou fã. Gosto muito da ideia de reunir sob um mesmo guarda-chuva hotéis independentes que têm como denominador comum o interesse pela arte. Cada propriedade demonstra isso de uma maneira. No Trafalgar St. James é através de uma espetacular coleção de fotos em preto e branco de ícones pop, de David Bowie e Mick Jagger a William & Kate, feitas ao longo de quatro décadas pelo britânico David Hogan.

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Bungalow ovewater Le Taha'a
O amanhecer visto da cama do meu bangalô em Taha’a | Foto de Carla Lencastre

Março. O grande destaque do mês, e do meu ano viajante, foi finalmente conhecer o verão eterno da Polinésia Francesa. Acordar em um bangalô sobre a água azul-turquesa de Bora Bora foi, sem dúvida, a experiência mais incrível do ano. Mas Bora Bora me deixou com uma conjunção adversativa quando o assunto é hotelaria de luxo, sobre a qual escrevi no meu post de estreia deste Hotel Inspectors. O hotel da Polinésia Francesa que entra na minha lista de melhores é o delicioso Le Taha’a, um Relais & Châteaux com jardim de corais praticamente privativo, na ilha homônima de Taha’a.

Canguru The Louise Barossa Valley
Companhia para o café da manhã no Louise, no Barossa Valley | Foto de Carla Lencastre

Abril. Mês de voltar ao Pacífico Sul e à Austrália. Além de Sydney, onde retornei ao sempre moderno e divertido QT (ainda que não seja para todo tipo de viajante), fui também a Melbourne (fiquei no clássico e bom Langham) e conheci a região de South Australia, onde estão Adelaide e o Barossa Valley, uma das principais regiões vinícolas do mundo. O destaque vai para mais um Relais & Châteaux, The Louise, no Barossa, onde você escolhe entre tomar café da manhã vendo cangurus ou admirando vinhedos.

Leia mais sobre grandes marcas de luxo no cenário da hotelaria australiana.

Restaurante The Art, a Hotel Denver
Rochosas ao fundo (e o “oceano”) no restaurante do Art, em Denver | Foto de Carla Lencastre

Maio. Em Denver, fiquei hospedada no correto Hilton City Center e visitei outros hotéis novos ou renovados, sobre os quais você pode ler nesta reportagem para a Panrotas. Chamo a atenção, excepcionalmente, para um hotel no qual não me hospedei, mas fui conquistada pelo serviço: The Art. Levei um tombo espetacular quase na entrada do hotel, onde cheguei com sangue escorrendo em uma das pernas. Imediatamente o segurança me mostrou o elevador que levava ao lobby. Lá, fui rapidamente encaminhada para o banheiro, onde recuperei um pouco da dignidade.

Enquanto esperava a dor diminuir, aproveitei para o conhecer o bar. O drinque veio acompanhado de gelo para o joelho, que realmente não estava em seu melhor momento. Durante todo o tempo em que estive no Art, os funcionários (portaria, lobby, bar e restaurante) foram extremamente atenciosos, perguntando o tempo todo se eu estava confortável, se precisava de médico, de remédio, de mais gelo, de outro drinque… Deixando de lado a experiência pessoal (e subjetiva), o hotel é dos mais bonitos da cidade. Fica ao lado do Denver Art Museum, projetado pelo star architect Daniel Libeskind, e é decorado com diversas obras de arte contemporânea.

Obrigada pela companhia em 2018! Continue com a gente que tem mais

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Novo Palladio MGallery Buenos Aires

Depois de períodos consecutivos de queda no número de visitantes brasileiros, Buenos Aires deve entrar de novo no nosso radar, inclusive para escapadas de final de semana de viajantes do eixo sul-sudeste. O câmbio está novamente favorável para nós (com um real comprando entre 9 e 10 pesos e preços mais uma vez bastante tentadores principalmente para comer e beber bem) e a cidade está mais bonita, limpa e agradável que nos últimos dois anos. E felizmente a boa onda está vindo também com novos hotéis abrindo suas portas por lá. 

Acabo de passar alguns dias em Buenos Aires a convite do Destino Argentina para testar uma das mais esperadas novidades da hotelaria na capital porteña: seu primeiro hotel da bandeira MGallery by Sofitel, da Accor, o Palladio Hotel Buenos Aires MGallery by Sofitel.   

Foto: Mari Campos

Novinho em folha (o hotel ainda está operando em sistema soft opening apenas para convidados, mas já aceita reservas para estadias a partir da segunda quinzena deste mês), fica no centro, já quase Recoleta, com direito a metrô ao lado.  

O design contemporâneo já chama a atenção de cara no lobby, com a própria recepção integrada ao bar do hotel, e o restaurante Negresco Bistrô (que não testamos, mas deve servir pratos da cozinha mediterrânea) logo ao lado. Para o lazer, spa, fitness center e uma gostosa piscina climatizada ao ar livre, exclusiva para hóspedes. 

Foto: Mari Campos

Como toda propriedade que leva o selo MGallery, o Palladio já chega cheio de história. Seu nome é uma homenagem ao arquiteto italiano Andrea Palladio, um dos grandes mestres para os arquitetos europeus que deixaram sua marca em diversos edifícios porteños do século XVIII. O hotel ocupa o local da antiga casa onde nasceu Rodríguez Peña, que serviu de sede de reuniões que culminaram na Revolução de Maio. Um século depois, o imóvel deu lugar a uma residência ao estilo hôtel particulier francês, e a boisserie de carvalho que revestia as paredes dos salões principais da residência foi conservada com maestria pelo hotel. 

No total, são 113 quartos, todos muito espaçosos e com muita luz natural, wifi de excelente qualidade e Nespresso cortesia. Tomadas, adaptadores e entradas USB em abundância, inclusive ao lado da cama – uma necessidade da vida contemporânea que infelizmente ainda não é regra nem para novos hotéis. Os banheiros também são enormes, com muito mármore e banheira e chuveiro separados. Destaque para o fato de que 3 das 4 categorias têm enormes balcões privativos com interessantíssimos jogos de espelhos externos. O hotel conta ainda com uma “suíte presidencial” em estilo loft, com decoração bastante contemporânea e 89 metros quadrados de área. 

Foto: Mari Campos

Fiquei hospedada em uma “suíte deluxe”, a terceira categoria do hotel, com 57 metros quadrados muitíssimo bem distribuídos entre banheiro, quarto, living e um balcão enorme, com vista desobstruída para a Plaza Rodriguez Peña/Jardin de los Maestros, com o belíssimo Palacio Pizzurno do Ministério de Educação logo em frente. 

O café da manhã em sistema buffet também é completíssimo, bastante variado e com ótimos pratos quentes feitos na hora e horário bastante amplo (e com certa flexibilidade para quem parte muito cedo). Mas o destaque ficou mesmo por conta do serviço atencioso e prestativo, dos doormen ao staff do café da manhã. Excelente novidade para a hotelaria da cidade. 

 

 

 

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Hôtel Lutetia, em Paris, e um ‘grand tour’ pela Europa

São 11 os hotéis em Paris com a designação oficial de palácio. O Rosewood Hôtel de Crillon, reaberto há um ano, acaba de receber a distinção. O Ritz Paris, renovado e reaberto há dois anos, ainda está na fila. Além dele, a cidade pode vir a ter mais um em breve, o primeiro na margem esquerda do Rio Sena. O Hôtel Lutetia, reinaugurado em 12 de julho de 2018, depois de quatro anos de obras e vários adiamentos, também já se candidatou à distinção, concedida pelo Ministério do Turismo francês para hotéis que vão além das cinco estrelas.

Pelas fotos e os relatos de quem se hospedou lá nestes primeiros meses, a espera valeu a pena. Vamos conferir a reforma em breve. Enquanto isso, durante a ILTM North America, feira de viagens de luxo realizada há um mês na Riviera Maya, no México, conversamos com Marie-Christine Bittencourt, brasileira que faz parte do departamento de Vendas, e James Baker, diretor de Vendas e Marketing para as Américas da Set Hotels.

A reabertura (e a abertura) do Hôtel Lutetia, em Paris

Os dois representantes do hotel fizeram questão de destacar que o Lutetia é aberto para a cidade. Para seus moradores, que sempre frequentaram o elegante hotel no Boulevard Raspail, em Saint-Germain-des-Prés, e também para visitantes que não necessariamente estão hospedados ali. Este princípio orientou o perfil do restaurante principal do hotel, que optou por manter a Brasserie Lutetia. O menu será assinado pelo chef Gérald Passedat, com três estrelas Michelin em seu restaurante Le Petit Nice, em Marselha.

Bar Josephine Hotel Lutetia Paris
O Bar Josephine no Hotel Lutetia, em Paris, projetado pelo arquiteto Jean-Michel Wilmotte  / Foto de divulgação

Outra aposta no mesmo sentido é o Bar Josephine, em homenagem a Josephine Baker, frequentadora do Lutetia no passado. O bar já foi inaugurado (a brasserie ainda não tem data de reabertura marcada) e o novo design tem a assinatura do francês Jean-Michel Wilmotte, mesmo arquiteto do Mandarin Oriental Paris. Além de uma interessante carta de drinques, tendência que alcançou Paris e seus bares de vinho, o Josephine tem jazz ao vivo sete noites por semana.

Piscina Spa Hotel Lutetia Paris
A piscina do novo spa do Lutetia fica no subsolo, mas recebe luz natural através de uma claraboia / Foto de divulgação

Os brasileiros já redescobriram o hotel nestes três primeiros meses e estão entre os três maiores públicos, junto com os americanos e os próprios franceses.

“Esperamos ainda mais brasileiros, inclusive no bar e no restaurante, que oferecem uma experiência local, por mais clichê que pareça a frase. A ideia é fazer uma releitura da efervescência etílica-cultural que marcou o passado do Lutetia. E hoje o hotel está bem mais aberto para a cidade, mais iluminado. Até o spa, que não existia e foi instalado no subsolo, também recebe luz natural vinda da rua”, conta Marie-Christine.

Banheiro suíte Hotel Lutetia Paris
Banheiro com banheira em mármore e vista em uma das suítes do hotel na Rive Gauche / Foto de divulgação

Se dinheiro não for problema, vale esperar até 2019 para se hospedar no Lutetia, que faz parte da Leading Hotels of the World. As suítes que ficam nos andares mais altos do prédio do início do século 20 estão com a inauguração prevista para dezembro. Durantes as obras, as 230 acomodações originais foram reduzidas para 184. São os maiores quartos da Rive Gauche, com dimensões a partir de 28 metros quadrados e piso em madeira. Alguns dos banheiros têm banheiras em mármores que foram esculpidas no próprio hotel: a pedra veio em blocos direto de Carrara, na Itália. E 95% dos banheiros têm janela com vista.

Sala Living Room Suite Hotel Lutetia Paris
Sala de estar de uma das novas suítes do Lutetia. Todos os quartos têm piso em madeira / Foto de divulgação

O ‘Grand tour’ pela Europa organizado pelo Hôtel Lutetia, em Paris

O Lutetia agora faz parte do grupo The Set Hotels, junto com o Hotel Café Royal, em Londres, e o Conservatorium Hotel, em Amsterdã. Assim como a propriedade francesa, os outros dois hotéis ficam em belíssimos prédios históricos cheios de histórias para contar e com ambientes contemporâneos. Para promovê-los, a Set lançou uma versão século 21 do clássico “Grand tour” pela Europa, com hospedagem nos três hotéis e experiências exclusivas.

“O hóspede faz os percursos entre as três cidades de trem, como era originalmente. E os concierges cuidam de toda a bagagem”, conta James.

O “Grand tour” em sua versão na África

Fairmont Kenya The Norfolk Bar
O bar do Norfolk, na cosmopolita Nairóbi: primeira escala de um “grand tour” pelo Quênia / Foto de divulgação

A ideia de um “Grand tour” contemporâneo inspirou também outra rede de hotel presente na ILTM North America, a francesa AccorHotels, em outro continente, a África. Um roteiro pelo Quênia sugere um itinerário de oito dias com hospedagem nos três hotéis da marca Fairmont no país: o tradicional The Norfolk, na capital, Nairóbi; o Mount Kenya Safari Club, e o Mara Safari Club.

Fairmont Mount Kenya Safari Club - pool with mountain background
Piscina com vista para as montanhas no Fairmont Mount Kenya / Foto de divulgação

Aqui não há ligação de trem entre as cidades, mas a Fairmont cuida das passagens aéreas internas, dos transfers de ida e volta para o aeroporto e de organizar alguns programas, como visitas a orfanatos de animais selvagens.

Mount Kenya animal orphanage bongo
Visita a um orfanato de antílopes na região do Mount Kenya / Foto de divulgação

“Com este nosso roteiro, o hóspede tem experiências diferentes: lifestyle, com arte e gastronomia, em Nairóbi, uma cidade cosmopolita; a paisagem da região montanhosa do Monte Quênia, e, claro, safári na reserva de Maasai Mara”, diz Guillaume Durand, diretor de Vendas e Marketing da Fairmont no Quênia.

Fairmont Mara Safari Club tent
Uma das tendas do Fairmont Mara Safari Club / Foto de divulgação

Leia mais sobre a Shamwari Game Reserve, na África do Sul, alternativa ao Kruger Park.

Leia mais sobre a excelência dos lodges de safári na África do Sul.

Leia mais sobre outros hotéis de luxo apresentados na ILTM North America.

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Vista aérea do Kudadoo Maldives, nas Maldivas

Os novos hotéis de luxo mais esperados para 2019

A International Luxury Travel Market (ILTM) North America cresceu, triplicou de tamanho em relação ao seu formato original e chegou aos 7 anos sem sinais de crise. Realizada no fim de setembro na Riviera Maya, esta foi a primeira edição da feira de viagens de luxo inteiramente voltada para o mercado de compradores da América do Norte, um dos mais consistentes do mundo. Propriedades independentes, pequenos grupos de hotelaria e grandes redes apresentaram muitas aberturas e projetos de hotéis de luxo para até 2021. Escolhi quatro de estilos bem diferentes, dois para o finalzinho deste ano e dois para a primeira metade de 2019.

Uma seleção de novos hotéis de luxo para ficar de olho

Kudadoo, Maldivas. Já estava acompanhando este hotel pelo Instagram. O que primeiro me chamou a atenção foi seu alto comprometimento com sustentabilidade (melhor, o que primeiro me chamou a atenção foi a vista aérea que está no alto deste post). Não dá mais para chamar compromisso com meio ambiente de tendência, mas depois de ido a todas às ILTMs no México, com exceção da primeira, sem dúvida este foi o ano em que a maioria dos hotéis, pequenos e grandes, fez questão de falar claramente sobre sustentabilidade.

Villa com piscina do Kudadoo Maldives, nas Maldivas
Kudaddo, um dos novos e mais esperados hotéis de luxo. Todas as villas têm piscina privativa / Foto de divulgação

Além de painéis de captação de energia solar dispostos em forma de obra de arte no teto da única construção na ilha (entre outras medidas sustentáveis), o Kudadoo Maldives Private Island by Hurawalhí, seu nome completo, tem apenas 15 villas overwater, todas com piscina. Tudo está incluído: refeições, bebidas alcoólicas e atividades aquáticas. As diárias têm preços equivalentes aos do Brando, na Polinésia Francesa (leia aqui sobre hotéis de luxo em Bora Bora). Os hóspedes do Kudadoo podem aproveitar as facilidades do Hurawalhí, a cinco minutos de lancha, inclusive o famoso restaurante envidraçado debaixo d’água (cobrado à parte) deste resort vizinho. A abertura do Kudadoo está programada para 1º de dezembro deste ano. Kudadoo e Hurawalhí fazem parte do pequeno grupo local Crown & Champa, com dez hotéis nas Maldivas.

Fachada Hotel Omm, Barcelona
Fachada do Hotel Omm, no Passeig de Gracià, Barcelona: novo Sir Hotel / Foto de divulgação/Rafael Vargas

Hotel Omm, Barcelona. Outro pequena rede hoteleira, a EHPC, baseada em Amsterdã, comprou o Omm, um símbolo do Passeig de Graciá que foi também a casa barcelonesa dos irmãos Roca, do premiado restaurante El Celler de Can Roca, em Girona. O hotel reabrirá em 2019 repaginado, sob a nova administração e com um novo nome. A Europe Hotels Private Collection tem três marcas e 12 hotéis em seis cidades: Amsterdã, Barcelona, Berlim, Haia, Hamburgo e Ibiza.

As duas novidades são os hotéis na Espanha. Sir Joan abriu em Ibiza no verão europeu deste ano, e já foi descoberto pelos brasileiros. Mais ou menos na mesma época, o grupo comprou o Hotel Omm, instalado há 15 anos em um dos prédios mais conhecidos do Paseig de Graciá, no Centro de Barcelona, com vistas para construções de Gaudí como Casa Milà (La Pedrera) e Sagrada Família. Tudo será renovado: 91 quartos, terraço com piscina, spa, bar e restaurante. Um novo ciclo começa quando o hotel reabrir na primeira metade de 2019 sob a marca Sir Hotel. O nome ainda não foi anunciado. Nos próximos dois anos a EHPC pretende chegar também a Viena e Milão.

Belmond Cadogan Hotel London, Londres
Lobby do Belmond Cadogan Hotel, em um prédio histórico de Londres / Foto de divulgação

Belmond Cadogan, Londres. Para quem procura um cheiro de quarto novo na Europa no início de 2019, Londres é o destino. Na Sloane Street, o Cadogan Hotel consumiu o equivalente a mais de US$ 48 milhões de dólares em obras, que a Belmond prefere classificar como de restauração, e não de renovação. O prédio de 54 quartos é de 1887, e já teve Oscar Wilde como um de seus residentes. O restaurante será comandado pelo chef Adam Handling, escocês baseado em Londres que busca o desperdício zero. Mais um ponto a favor.

Leia mais sobre o Lutetia, hotel de luxo em Paris reaberto em julho de 2018.

Leia mais sobre os melhores bares de hotel em Londres aqui e aqui.

Fachada Raffles Singapore, Singapura
Raffles, ícone de Singapura que reabre em 2019 / Foto de divulgação

Raffles, Singapura. A reabertura deste hotel que já era incrível está prevista para meados de 2019. O Raffles Singapore entrou obras ano passado, quando completou 130 anos. O Long Bar, ícone local e casa do clássico drinque Singapore Sling, já foi reaberto, com o famoso balcão restaurado. Entre as muitas novidades gastronômicas, o tradicional Bar & Billiard Room terá agora a assinatura do multiestrelado chef francês Alain Ducasse. Anne-Sophie Pic, outra chef francesa com três estrelas Michelin, estreia na Ásia com seu La Dame de Pic. Os dois chefs remetem à história do hotel, que foi o primeiro a levar a cozinha francesa à Singapura, no final do século XIX.

A cobertura da ILTM North America, na Riviera Maya, pode ser lida na edição impressa desta semana da Panrotas e também na versão digital no Portal Panrotas. O texto começa na página 20.

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Leia mais sobre outros hotéis de luxo em 2018.

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O melhor bar de hotel do mundo 2

No início do mês contei aqui que o American Bar, do Savoy Hotel, em Londres, ganhou em julho o Spirited Awards de melhor bar do mundo pela Tales of the Cocktail, prestigiosa fundação americana sem fins lucrativos. O outro grande prêmio da noite, de melhor carta de drinques, ficou com o Dandelyan Bar, no Mondrian Hotel, também em Londres. O moderno Dandelyan está em segundo lugar no ranking World’s 50 Best Bars, no qual o centenário American Bar ocupa a primeira posição. Nos últimos anos, estes dois endereços, tão bons e tão diferentes, têm levado um bocado de prêmios quando o assunto é bar, de hotel ou não.

O belo balcão em mármore do premiado Dandelyan / Foto de Carla Lencastre

No post anterior, que você pode ler clicando aqui, escrevi um pouco sobre o American Bar e expliquei porque sou fã de bons bares de hotel. O American Bar e o Dandelyan estão no topo da minha lista de favoritos, justamente por serem tão diferentes. No Dandelyan o primeiro impacto já começa com a decoração assinada por Tom Dixon, designer tunisiano radicado em Londres. Dixon privilegia tons esverdeados e rosados, em um ambiente com glamour e conforto. A alegria continua com um cardápio que reúne drinques criativos divididos em capítulos ilustrados. Quando chegam as bebidas, aí não tem mais como dar errado.

O premiado mixologista Mr. Lyan / Foto de divulgação / Steven Joyce

O Dandelyan é criação do premiado mixologista Ryan Chetiyawardana. Conhecido como Mr. Lyan, ele estudou biologia e trabalhou como cozinheiro. Em 2013 trocou de vez as panelas pelas coqueteleiras e abriu o White Lyan, em Hoxton, no East London, que mais tarde se transformou no Super Lyan. O Dandelyan foi inaugurado junto com o Mondrian, em 2014. O bar fica no térreo do hotel, no Southbank, com uma parede envidraçada oferecendo vista para o Rio Tâmisa, a Catedral de São Paulo e o movimento de gente e de embarcações. Para quem viaja sozinho, é um ótimo lugar para passar o tempo vendo o tempo passar.

O tradicional chá da tarde inglês na versão Wyld Tea do Dandelyan / Foto de divulgação / Steven Joyce

Quem aprecia o ritual do chá da tarde quando em Londres, encontra no Dandelyan uma versão harmonizada com quatro drinques, o Wyld Tea. Na carta de gins, destaque para o exclusivo Beefeater London Garden Edition, encontrado somente na destilaria (ao sul de Londres) e no Dandelyan. Os drinques têm combinações inesperadas e sabores originais. O Chablis, meu preferido em uma tarde no Dandelyan, mistura London Garden e vinho branco. O cardápio de drinques muda uma vez por ano, sempre na primavera londrina. Agora está em cartaz The Modern Life of Plants. À tarde é relativamente fácil conseguir um lugar. À noite, chegue cedo ou reserve.

Os bons drinques de Mr. Lyan estão também em cada um dos quartos do Mondrian London / Foto de Carla Lencastre

O Mondrian London fica no Sea Containers, prédio de escritórios da década de 1970. Na margem sul do Tâmisa, o hotel está entre a Tate Modern e a London Eye. Tom Dixion assina não apenas o design do Dandelyan como o de todo o hotel (é seu primeiro trabalho na área de hotelaria) de 359 quartos. As áreas comuns são inspiradas nas viagens transatlânticas do início do século 20. Ao lado do bar fica o bom restaurante Sea Containers, com cozinha americana e britânica e vista para o rio. O hotel tem ainda um bar na cobertura, Rumpus Room, com mais vistas panorâmicas para o Tâmisa e as construções na margem norte.

O Mondrian London faz parte do Morgans Hotel Group, criado pelo hoteleiro americano Ian Schraeger, fundador do Studio 54, boate famosa em Nova York na década de 1970. Schraeger é considerado o criador do conceito de hotel boutique. Hoje é parceiro da Marriott International nos hotéis Edition. Já o Morgans foi comprado pelo SBE Group, que recentemente assinou uma parceria com a Accor Hotels. A rede francesa anunciou que vai adquirir 50% do grupo.

Leia aqui sobre hotéis mal assombrados na Inglaterra.

Leia aqui sobre o novo Belmond Cadogan, hotel de luxo em Londres.

Leia aqui sobre o novo Lutetia, hotel de luxo em Paris.

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O melhor bar de hotel do mundo

A fundação Tales of the Cocktail acaba de anunciar seus eleitos de 2018. A festejada organização americana sem fins lucrativos, que apoia, incentiva e premia bares, elegeu um bar de hotel como melhor do mundo. Não por acaso, são também bares de hotéis que ocupam os quatro primeiros lugares da edição atual da lista britânica The World’s 50 Best Bars. Os dois rankings têm endereços em comum, a começar pelo do campeão. O melhor do mundo em ambas as seleções é o American Bar, do Savoy Hotel, em Londres.

Os prêmios em lugar de destaque no bar do melhor bar do mundo / Foto de Carla Lencastre

Um dos primeiros hotéis de luxo de Londres, entre a movimentada Strand e o Rio Tâmisa, o Savoy passou por uma reforma de 220 milhões de libras. Reabriu em 2010 sem perder suas características originais. O ambiente elegante com poltronas forradas em couro escuro, luzes indiretas, fotografias em preto e branco e espelhos, e uma carta impecável com clássicos e inovações justificam o merecido sucesso do American Bar, no térreo do hotel. Foi ali que Harry Craddock, lendário bartender da casa, reuniu uma centena de receitas de drinques para o “Savoy cocktail book”, em 1930. Reeditado até hoje, o livro é um ícone da coquetelaria. No American Bar, drinques convive bem com a carta de vinhos, que ostenta o Pol Roger Cuvée Sir Winston Churchill, champanhe criado em homenagem ao primeiro-ministro britânico.

Negronis no American Bar, no Savoy / Foto de Carla Lencastre

O Spirited Awards, nome do prêmio da TOTC, foi entregue no fim de julho na festeira Nova Orleans. O American Bar recebeu também os prêmios de melhor equipe de bar fora dos Estados Unidos e de melhor bar de hotel fora dos EUA. E ainda foi finalista de melhor carta de drinques em todo o mundo. O primeiro lugar na categoria melhor menu ficou com o Dandelyan, outro bar de hotel. No térreo do moderno Mondrian London, com vista para o Tâmisa, o concorrido Dandelyan é o segundo melhor do mundo na lista do World’s 50 Best Bars (a relação é uma versão etílica do ranking mais famoso, The World’s 50 Best Restaurants).

(O Savoy é considerado um dos hotéis mais mal assombrados da Inglaterra.)

Para mulheres viajando sozinha, bar de hotel é a quase certeza de poder tomar um drinque com o mesmo atendimento dedicado aos homens e sem ser importunada (programa testado e aprovado de Nova York a Tóquio, de Helsinki a Cidade do Cabo, incluindo cidades no Oriente Médio, como Dubai e Doha). Se a ideia for puxar papo, bar de hotel também é ótimo para isso. No Brasil, parte da hotelaria sabe que um bom bar atrai visitantes que estão em outros hotéis, e acabam conhecendo a sua propriedade. E, principalmente, conquistam moradores e ajudam a manter o movimento mesmo quando a taxa de ocupação está baixa.

Spencer Amereno Jr, head bartender do Frank Bar / Foto de Carla Lencastre

O campeão brasileiro nesta área é o ótimo Frank Bar, no lobby do Maksoud Plaza, em São Paulo, comandado por Spencer Amereno Jr. e equipe. Inaugurado há três anos, o Frank estreou em 2017 na 66º posição na lista dos World’s Best Bars (é o brasileiro mais bem colocado). Está também no recém-anunciado ranking dos dez melhores bares das Américas (fora dos EUA) do Tales of the Cocktail. O outro bar de hotel no Brasil que faz parte do top ten Américas do TOTC é o do Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro (leia aqui sobre um dos restaurantes do hotel carioca).

Dandelyan, o premiado bar do Mondrian London / Foto de Carla Lencastre

Como os Inspectors são fãs de bons drinques, este é um assunto ao qual voltaremos outras vezes. Inclusive para contar como é o maior concorrente do American Bar. O Dandelyan, no Mondrian London, é em tudo diferente do bar do Savoy. E ainda assim com as mesmas características que fazem um bom bar em hotel ou não: clássicos perfeitos, receitas originais, equipe afinada, atmosfera envolvente… Passe por aqui de vez em quando para conferir.

Leia aqui sobre o novo Belmond Cadogan, hotel de luxo em Londres.

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Restaurante de hotel no Rio de Janeiro

Três novidades em restaurantes de hotéis no Rio de Janeiro

Com um céu azul profundo e baixa umidade relativa que fazem com que as silhuetas de prédios e montanhas pareçam traçadas a bico de pena, o Rio de Janeiro de inverno nos oferece sua versão mais gentil, calorosa sem ser calorenta. Se no verão o que você quer são bares e restaurantes climatizados, agora é hora de apreciar o Rio onde ele é mais Rio, na rua. Agora reserve tempo para conferir três boas novidades gastronômicas na categoria restaurante de hotel no Rio de Janeiro.

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro
O Térèze, restaurante do Hotel Santa Teresa no Rio de Janeiro, tem um novo chef / Foto de Carla Lencastre

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro: Santa Teresa, Emiliano e Copacabana Palace

O Térèze, no Hotel Santa Teresa Rio MGallery, tem no comando da cozinha o uruguaio Esteban Mateu, que trabalhou no premiado Pujol, na Cidade do México, e no D.O.M., em São Paulo. Seus sabores passeiam entre as cozinhas brasileira e latino-americana. As louças foram feitas especialmente para o restaurante por artistas dos muitos ateliês do bairro histórico de Santa Teresa. Os pães frescos e quentes do couvert, por exemplo, são servidos em um suporte inspirado nos trilhos do bonde que percorre o bairro. A manteiga acompanhada de flor de sal vem em uma pedra que lembra os paralelepípedos que calçam as ruas. O salão do Térèze tem mesas e cadeiras em madeira e é decorado com materiais de demolição e obras de arte. Amplas janelas dão vista para o Centro do Rio e a Baía de Guanabara.

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro
Entrada do Emile, o restaurante do Emiliano Rio aberto ano passado / Foto de Carla Lencastre

Enquanto isso, Damien Montecer, ex-chef do Térèze, assumiu a cozinha do Emile, inaugurado há um ano no Hotel Emiliano Rio, na Praia de Copacabana. O restaurante não tem a vista do terraço (foto no alto do post), aberto somente para hóspedes, mas o design brasileiro moderno é sedutor. O Emile fica no térreo, instalado em um jardim de inverno com pé-direito alto e parede coberta por plantas tropicais. Há um bom e bonito bar no lobby decorado com móveis de designers brasileiros. O menu contemporâneo prioriza ingredientes frescos, principalmente peixes e frutos do mar.

Restaurante de hotel no Rio de Janeiro
Detalhe do novo Pérgula, um dos três restaurantes do Copacabana Palace / Foto de Carla Lencastre

Na outra ponta da praia, o Belmond Copacabana Palace remodelou inteiramente um dos seus três restaurantes no fim do ano passado para as comemorações de seus 95 anos. Cardápio, chef, décor, tudo mudou no Pérgula, ao lado da piscina mais famosa do Brasil. A primeira coisa que chama atenção é a decoração contemporânea e vibrante, com sofás estofados em amarelo e azul, e, ao fundo, um painel colorido com uma paisagem do Rio por Dominique Jardy. O teto espelhado reflete os pratos criados pelo chef Filipe Rizzato, como vieiras grelhadas com salada de feijões e polvo com batatas ao murro. Para encerrar, peça o imbatível chocolate em forma de cacau recheado com sorvete de cupuaçu.

Leia aqui sobre o novo Belmond Cadogan Hotel, em Londres.

Leia aqui sobre o Belmond Grand Hotel Europe, em São Petersburgo.

Leia aqui sobre os melhores bares de hotel do mundo.

E o Rio de Janeiro continua lindo… / Foto de Carla Lencastre

E já é hora de voltar para a rua e aproveitar os bonitos e amenos dias do inverno carioca. Na edição desta semana da Panrotas tem estas dicas de restaurante de hotel no Rio de Janeiro e muitas outras além da hotelaria. O texto começa a página 16 da versão digital.

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Eu deixei meu coração no Fairmont San Francisco

Dentre as várias possibilidades de experiências de viagem, uma das que mais me encanta é a dos hotéis centenários. Por isso, ao “bookar” uma viagem para San Francisco, na Califórnia, os olhinhos brilharam na quantidade de hotelões históricos, cheios de pompa e circunstância.

O mais antigo da cidade é o Palace, na Montgomery Street, que remonta a 1875. Já o Westin St Francis, de 1904, fica na Union Square e deu por concluída uma reforma de US$ 45 milhões em abril de 2018, o que significa o melhor dos mundos (pelo menos do meu): memórias com conforto. Tem também o Ritz-Carlton, em Nob Hill, de 1910; o Whitcomb, na Market Street, de 1916; o InterContinental Mark Hopkins, de 1926, em Nob Hill; e o Kimpton Sir Francis Drake, de 1928.

Todos lindos, mas cismei mesmo com o The Fairmont, ao qual fui apresentado em um almoço promovido pela AccorHotels, que representa a bandeira desde 2016. Instalado em Nob Hill, um dos bairros mais altos da cidade, o palacete em estilo neoclássico estava quase concluído na época do famoso terremoto de 1906. Enquanto as mansões ao seu redor vieram “na chon”, o futuro hotel sobreviveu.

Desde então, muita história rolou por lá. A começar pelo processo de reconstrução do interior, infelizmente, bastante danificado. Stanford White, o arquiteto escolhido para a missão pelos donos – que, aliás, haviam comprado o hotel dos primeiros investidores, a família irlandesa Graham Fair, poucos dias antes do terremoto –, foi assassinado à queima-roupa enquanto jantava em New York.

A escolha, então, recaiu sob a arquiteta Julia Morgan, primeira mulher formada pela École des Beaux-Arts, em Paris. E ela fez um trabalho magnífico com o The Fairmont, que finalmente foi inaugurado em 1907.

Graças a uma reforma realizada há quase duas décadas, o lobby pode ser conferido atualmente de forma muito fiel ao esplendor de Julia, com os mármores originais do piso e das colunas, sem economizar em douradices.

O lobby projetado por Julia Morgan no início do século 20 em todo o seu esplendor

Estão lá também o lendário Venetian Room, onde Tony Bennet apresentou pela primeira vez a música I left my heart in San Francisco, em 1961 – momento eternizado por uma estátua do cantor em frente ao hotel. Reaberto em 2010, a casa também recebeu, com regularidade, nomes como Ella Fitzgerald, Nat King Cole e Tina Turner. O pitoresco Tonga Room & Hurricane Bar, de comida polinésia, também é uma instituição, inaugurado em 1945, na área da antiga piscina. Já o restaurante oficial Laurel Court, anexo ao lobby, ficou fechado por seis décadas e foi reaberto na virada do século. O Fairmont foi ainda o primeiro hotel dos Estados Unidos a oferecer o serviço de concierge, a partir de 1974, cargo ocupado por Tom Wolfe – outro Tom, não o de A Fogueira das Vaidades.

Os 591 apartamentos e suítes se distribuem entre o prédio principal e uma torre de 23 andares, erguida em 1961. Foi onde me hospedei, na categoria Signature Room, com vista para a baía de San Francisco e a Ilha de Alcatraz. Elegante e renovado, o quarto conta com banheiros em mármore, com banheira, e camas superconfortáveis.

Signature Room…

… e a vista para a baía de San Francisco e a ilha de Alcatraz

As suítes se orgulham de terem recebido todos os presidentes dos Estados Unidos desde 1909, além de reis e rainhas e chefes de estado de inúmeros países (brasileiros, inclusive). A mais impressionante de todas é a Penthouse Suite, de 557 m² e inaugurada em 1926. Ela ocupa todo o oitavo andar do prédio principal, tem três passagens secretas e é alugada não apenas para hóspedes, mas também para festas privadas –  acomoda até 130 pessoas –, ao valor de US$ 18 mil a diária.

Em tempo:  o glamour de se hospedar no Fairmont tem custo relativamente acessível. San Francisco é uma cidade conhecida pelo valor alto das diárias. O Fairmont, por motivos óbvios, não é exceção, mas, quando  estive lá, consegui um preço idêntico a outras opções de categoria bem inferior pelos sites de busca. E, olha: vale cada centavo viver esse “golden dream”!

Copa do Mundo: quatro hotéis de luxo em São Petersburgo

“Era uma noite prodigiosa, uma dessas noites que talvez só vejamos quando somos novos, querido leitor. Estava um céu tão fundo e tão claro que ao olhá-lo uma pessoa era forçosamente levada a perguntar se seria possível que debaixo de um céu daquele pudessem viver criaturas más e tenebrosas. Questão esta que, para dizer a verdade, só é costume levantar quando somos novos, mesmo muito novos, querido leitor.” Assim começa “Noites brancas” (em tradução de Nivaldo dos Santos para a Editora 34), romance de Fiódor Dostoiévski passado em São Petersburgo. A pergunta pueril talvez só se faça mesmo muito novo. Mas não há idade para se encantar com o céu das noites de verão (como o da foto acima) em uma das mais impressionantes cidades da Rússia.

Durante a Copa do Mundo, com um novo estádio para quase 70 mil pessoas, São Petersburgo sedia sete jogos, entre eles Brasil x Costa Rica no dia 22 e uma semifinal. A seleção brasileira se hospeda no Corinthia St. Petersburg, um dos principais hotéis da cidade.

A fachada principal do Corinthia, hotel que hospeda a seleção brasileira em São Petersburgo / Foto de divulgação

O Corinthia fica na Nevsky, a mais importante e movimentada avenida de São Petersburgo. Integrante do grupo hoteleiro de mesmo nome, baseado em Malta, é um hotel grande, com 388 quartos, que nos últimos meses deu uma repaginada nas acomodações. Foi uma das minhas opções de hospedagem quando estive na cidade, mas não foi a preferida. Lá no final eu explico o porquê. Por hora, voltemos às noites brancas.

O bar Hi So, ainda na fase W, e a Catedral sob o céu das 22h de uma noite de verão / Foto de Carla Lencastre

Um dos hotéis com melhor vista para noites que não anoitecem é o So Sofitel. Até o início do ano, era um W Hotel, parte do portfólio da Marriott Internacional. Em meados de fevereiro passou a ser administrado pela AccorHotels sob a a nova bandeira de lifestyle So Sofitel. O bar no terraço é dos melhores para aproveitar uma noite branca. Renovado e rebatizado de Hi So Terrace, reabriu no fim de maio (fecha quando terminar o verão) e fica ao lado da imensa cúpula dourada da imponente Catedral de Santo Isaac, erguida na primeira metade do século 19. Reserve uma mesa ao ar livre e aproveite a claridade. Só escurece lá pela meia-noite. Ou um pouco antes no início e no fim da estação. Ou um pouco depois no auge do verão.

Leões de mármore estão há quase dois séculos na entrada do Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

Este foi meu primeiro programa quando desembarquei na cidade em uma noite branca. Quando afinal escureceu, foi só atravessar a rua para chegar aos dois leões em mármore de quase 200 anos que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial, sempre no mesmo lugar. Hoje a dupla restaurada marca a entrada do Four Seasons Lion Palace, onde estava hospedada. Com 157 quartos, o hotel fica em um palácio do início do século 19 recuperado em toda a sua grandeza. Foi originalmente uma residência imperial e, depois, o Ministério da Guerra. Há cinco anos faz parte dos hotéis históricos da rede Four Seasons, como os de Florença, Milão, Budapeste e Istambul.

Quarto com vista para a Catedral no Four Seasons Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

O quarto confortável tinha vista para a Catedral de Santo Isaac. O serviço foi impecável. As áreas comuns chamam a atenção pelo esplendor da Rússia imperial. Em um terraço estão grandes estátuas de figuras femininas também restauradas. Há um spa, dois restaurantes e um bar. É um hotel que vale a visita para quem não está hospedado. Fica perto do fabuloso Museu Hermitage.

Uma das estátuas representando figura feminina no restaurado Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

Depois de duas noites brancas bem dormidas no Lion Palace, me mudei para o Corinthia, no final da Nevsky. A ideia era ter uma perspectiva diferente de São Petersburgo e conhecer um de seus hotéis de luxo mais famosos. Ao chegar, recebi um quarto no qual o ar-condicionado não funcionava. O serviço foi eficiente. Fui acomodada no bar do lobby, com champanhe, enquanto outro quarto era preparado. O que me coube era maior, refrigerado e com vista para uma obra que me fez madrugar nas duas manhãs seguintes.

Uma suíte parecida com a que fiquei, agora em cores novas / Foto de divulgação

A sobriedade da decoração também não me conquistou. O lobby, por exemplo, não lembrava em nada a elegância do moderno Corinthia London. O hotel passou por uma renovação para a Copa e para marcar seus 15 anos. Pelas fotos novas, os quartos parecem seguir uma paleta mais leve.

O bar em estilo art nouveau do Grand Hotel Europe / Foto de divulgação

Já localização do Corinthia na Nevsky cumpriu a sua função. Dali foi fácil visitar a pé os pontos turísticos que não tinha visto no início da viagem, como a bela Catedral do Sangue Derramado. Aproveitei também para tomar um drinque no bonito bar art nouveau no lobby do Belmond Grand Hotel Europe, uma joia histórica da cidade em excelente estado de conservação. Durante a Copa do Mundo, é o hotel que está hospedando a seleção da Arábia Saudita. Falamos mais dele no post que fizemos sobre os endereços de algumas equipes na Rússia. É só clicar neste link aqui.

O Four Seasons Lion Palace e o So Sofitel ficam a uns dez minutos de caminhada do início da Nevsky, na ponta oposta ao Corinthia. Na mesma região está também o Lotte, onde a inspector Mari Campos se hospedou recentemente. Teremos post em breve. Fique de olho.

Ao longo da Copa do Mundo, estamos mostrando detalhes dos hotéis que abrigam as seleções no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e, olha a novidade, no Twitter @InspectorsHotel. Vai ser uma beleza ter companhia nas redes sociais.

 

Grandes marcas de luxo mudam o cenário da hotelaria australiana

A Austrália reuniu neste mês de abril em Adelaide, South Australia, cerca de 2,5 mil profissionais de indústria de viagens de todo o mundo para a Australian Tourism Exchange 2018. Durante o evento, o país  anunciou novo recorde de visitantes internacionais: 8,8 milhões de pessoas em 2017, um crescimento de 7% em relação a 2016. Para 2020, a expectativa é chegar aos dez milhões.

Com o número de chegadas em alta, foram muitos os novos produtos apresentados na feira, entre dezenas de outros já consolidados. Na área de hotelaria, chamam a atenção as inaugurações recentes ou previstas para breve de propriedades com bandeiras de luxo de grandes redes, principalmente a Marriott International. Para o futuro, daqui a uns cinco anos, há previsões de aberturas de hotéis de grupos asiáticos como Mandarin Oriental e Shangri-La.

Elizabeth Quay, em Perth: endereço da volta do Ritz-Carlton à Austrália / Foto: divulgação/Garry Norris

O Ritz-Carlton é aguardado em meados de 2019 em Perth, Western Australia. Mais adiante, a marca planeja chegar a Melbourne e Sydney. Com 200 quartos, o hotel de Perth será o primeiro RC no país em dez anos. Desde março deste ano esta cidade na Costa Oeste australiana recebe uma nova rota aérea direta de Londres com 17 horas de duração em um Boeing 787-9, o moderno Dreamliner, com capacidade para 236 passageiros. O voo da Qantas, um dos de mais longa duração do mundo, é a primeira ligação direta entre a Europa e Austrália.

O novo InterContinental em Perth, inaugurado no final de 2017 / Foto: divulgação

Perth, que vai sediar a ATE 2019, tem passado por importantes renovações urbanas e da rede hoteleira. No final de 2017 foi inaugurado o InterContinental City Centre, com 240 quartos e 300 obras de arte distribuídas pelas áreas comuns e as acomodações. Semana passada abriu o Westin, outra marca da Marriott, com 386 quartos. Ainda para este ano é esperado um QT, hotel de design australiano que faz sucesso em cidades como Sydney e Melbourne.

O retorno do W Hotels à Austrália será em junho deste ano, com uma propriedade de 312 quartos em Brisbane, Queensland. O projeto da Marriott de maior impacto está reservado para Sydney. Com algo entre 400 e 500 quartos e inauguração prevista para 2019 com viés de 2020, o W Darling Harbour tem uma arquitetura ousada. O prédio fará parte de um complexo residencial e de entretenimento, incluindo um Imax, que será erguido acima dos viadutos da área de Darling Harbour. O investimento quase bilionário é de um grupo chinês (o maior mercado emissor para a Austrália). É daqueles projetos que temos que esperar para ver o que realmente vai acontecer.

O novo Sofitel em Sydney, à direita, muda o cenário de Darling Harbour / Foto de Carla Lencastre

Mas desde já o panorama de Darling Harbour mudou com a inauguração do Sofitel, no fim do ano passado. É a segunda propriedade em Sydney com esta bandeira de luxo da rede francesa AccorHotels, que opera mais de 200 hotéis em toda a Austrália. Um dos maiores hotéis do país, tem 590 quartos distribuídos em 35 andares. O prédio envidraçado realmente se destaca no superturístico Darling Harbour e hoje está no trending topic da hotelaria local.

Fora das grandes cidades do continente, a Marriott vai abrir até o fim do ano em Hobart, na remota Tasmânia. O hotel, ainda sem nome, será o primeiro da Luxury Collection na Austrália. Com 128 quartos, ficará em um prédio histórico que está sendo renovado e restaurado.

Nem só por grandes marcas internacionais é formado o novo panorama australiano da hotelaria de luxo. No nosso post anterior, Mari Campos contou a fascinante história de um bilionário sírio que está formando uma luxuosa rede hoteleira em Cairns, a Crystalbrook. Você lê clicando aqui.

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