O novo Elora Mill no Canadá

Às vezes, pequenas maravilhas da hotelaria se localizam em destinos que não estão na wish-list generalizada de viajantes. Sou fã de cidades grandes assumida, mas sempre adorei encontrar , por exemplo, esses pequenos hotéis de charme localizados em diminutos vilarejos franceses e italianos, que parecem quase escondidos, tão longe das hordas de turistas.

A boa surpresa da vez foi encontrar agora uma dessas pérolas na minúscula Elora, uma cidadezinha de Ontário, Canadá, a cerca de 1h30 de carro de Toronto.  Pouco conhecida dos viajantes brasileiros, tem jeito de cidade cenográfica, com casinhas de madeira colorida, igrejas de pedra, charmosos cafés, restaurantes com jardins beira-rio. Mas o que sempre levou turistas para lá foram seus impressionantes cânions debruçados sobre os rios Grand e Irvine e suas pequenas piscinas naturais. 

O prédio do spa debruçado sobre o cânion. Foto: Mari Campos

Neste verão canadense, Elora ganhou uma verdadeira jóia da hotelaria: o Elora Mill & Spa, hotel boutique construído no local do antigo edifício do moinho da cidade, em pleno centro. Mantendo o edifício original de 175 anos, o hotel soube mesclar a propriedade histórica com um design elegante e contemporâneo e todas as facilidades dos viajantes do século XXI (incluindo muitas tomadas e entradas usb em toda parte).

Como a propriedade está localizada em um penhasco, debruçada sobre o rio e de frente para os cânions, quartos, bar, restaurante e áreas comuns ganharam imensos janelões do chão ao teto para que a espetacular paisagem que rodeia o hotel estivesse sempre à vista. No edifício anexo, as salas de tratamento do spa e a deliciosa piscina contemplam vista semelhante. 

Janelas do chão ao teto nos quartos para ninguém perder a vista. Foto: Mari Campos

Os quartos, aliás, têm ainda mais atrativos que esse: são muito espaçosos e contam com imensos banheiros com banheiras tipo soak-in e amenidades de luxo, desde Nespresso e San Pellegrino cortesia aos espetaculares secadores de cabelo Dyson Supersonic. Como o foco do hotel são as escapadas românticas (e também o mercado de destination wedding), os quartos são cheios de detalhes nessa vibe, incluindo charmosas lareiras para o inverno. 

Detalhe do banheiro. Foto: Mari Campos

O café da manhã é servido em modo à la carte diariamente no único restaurante da propriedade – que, aliás, aberto todos os dias também para não hóspedes, é a melhor pedida também para a refeição de quem faz apenas um day tour de Toronto a Elora. Ingredientes fresquíssimos e pratos inspirados na culinária local, com atendimento de primeira. Tem tudo para colocar Elora no mapa de muito mais gente. 

Dá pra ler mais sobre aberturas recentes de hotéis que visitamos aqui e aqui e dá pra ler mais sobre meus pitacos a respeito de Elora e do Elora Mill aqui. 

 

 

 

 

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A nova fase da Preferred Hotels

A Preferred Hotels&Resorts chega aos 50 anos como o maior grupo de hotéis independentes de luxo do mundo. De uma ilha privativa nas Maldivas a um boutique super trendy em plena Tribeca novaiorquina, são hoje mais de 700 hotéis e resorts instalados em 85 países compondo um portfólio cada vez maior. A rede acabou de incorporar mais 22 unidades a ele, incluindo propriedades como o Marigot Bay Resort and Marina, em Santa Lucia, e o adorável 9Hotel Confidentiel, projetado por Philippe Starck, que abre suas portas agora no comecinho de outubro em Paris.

Esta nova fase da Preferred foca sobretudo em propriedades que estão investindo pesado não apenas no serviço de qualidade, como nas experiências singulares para seus hóspedes – com destaque para a gastronomia em boa parte delas.

Os hotéis e resorts que compõem o portfólio do grupo são divididos em cinco “coleções” diferentes – Legend, LVX, Lifestyle, Connect e Preferred Residences – focando em diferentes perfis de hóspedes e diferentes estilos de hospedagem.

Quartos minimalistas mas super aconchegantes no Arc The Hotel. Foto: Mari Campos

Neste setembro, durante viagem por Ontário, no Canadá, passei um final de semana no Arc The Hotel, em Ottawa, que integra o portfólio da Preferred na coleção Lifestyle. Como acontece com todos os hotéis desta coleção, a localização da propriedade é imbatível: em plena Downtown da capital, a apenas três quadras do Parlamento canadense, e a uma curta caminhada do delicioso e imperdível (e cada vez melhor!) Byward Market.

O Arc The Hotel foi o primeiro lifestyle boutique hotel da cidade e consegue manter um ambiente discreto e intimista bem no miolo do agito do centro.  O design é moderno e minimalista, com pontos de cor intensa (um vermelho aqui, um roxo ali), repleto de obras de arte de artistas locais – e os quartos seguem a mesma linha.

Praticamente não há lobby: a recepção fica discretamente num “canto” à entrada do hotel e há um pequeno corner com poltronas para quem estiver esperando motorista, por exemplo.  O restaurante serve café da manhã à la carte e, à noite, vira um gostoso bistrô comandado pelo chef Andrew Willis e focado em ingredientes orgânicos canadenses. O serviço é bastante discreto e atencioso, numa experiência redondinha.

Para viajantes e membros do trade, vale saber que a Preferred agora oferece programas de fidelidade diferentes  –  Prefer Hotel Rewards™, Preferred Residences®, Preferred Family®, Preferred Pride® e Preferred Golf ™ – , propondo experiências e recompensas diferentes, de acordo com o perfil do viajante.

 

 

 

 

 

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Rinocerontes em safári na África do Sul

Safári na África do Sul: Shamwari, uma alternativa ao Kruger

Safári é uma das mais emocionantes experiências de viagens. Fiz, repeti, fui outra vez e continuo querendo mais. Vejo um único problema em safári na África do Sul: o preço. Na minha viagem passada ao país conheci a Shamwari Game Reserve, na Costa Leste. Tem os cinco grandes (rinoceronte, leopardo, leão, elefante e búfalo) e lodges confortáveis. Os valores são menores que os das áreas do Kruger Park e do Greater Kruger, ainda que não muito. Pode ser aquela diferença que permite ficar um número maior de noites. O custo com as passagens aéreas internas também ajuda a melhorar a conta final, já que a localização da Shamwari é mais conveniente para roteiros que incluem a Cidade do Cabo e a Rota Jardim.

Lodge em reserva de safári na África do Sul
Founders Lodge: o quarto original de Adrian Gardiner na reserva para safári na África do Sul / Foto de Carla Lencastre

Safári na África do Sul: o adorável Founders Lodge

Fiquei hospedada no Founders Lodge by Mantis, do conservacionista sul-africano Adrian Gardiner, criador da Shamwari (em 1992) e fundador do grupo hoteleiro Mantis Collection. A uma hora de carro de Port Elizabeth, no Cabo Oriental, o lodge foi aberto há dois anos. Como o nome indica, era a casa de Gardiner. Ele vendeu a Shamwari, mas manteve o imóvel e o direito de fazer safáris na reserva. O Founders Lodge tem apenas seis quartos, todos com varanda e confortos modernos. Dois estão na casa original da década de 1940, com decoração clássica. Outros quatro estão em uma construção anexa recente e oferecem ambientes mais contemporâneos. A piscina ao livre encontra-se em meio a um bonito jardim. O ambiente low profile, o serviço atencioso e a sensação de exclusividade me conquistaram imediatamente.

Lodge em reserva de safári na África do Sul
A área ao ar livre do lodge ao lado da Shamwari Game Reserve / Foto de Carla Lencastre

As diárias incluem dois safáris por dia e três refeições (com bebidas alcoólicas nacionais), como é comum neste tipo de hospedagem. O lodge mantém o jeito de casa, com lareira, livros por toda a parte, mesa de sinuca, poltronas e sofás confortáveis, obras de arte, vasos de flores. No bar, conheci um bom gim artesanal da Cidade do Cabo, o Cape Town Rooibos Red Gin. Nas refeições, servidas em um bufê caprichado, destacaram-se o pão assado lá mesmo, carnes e frutos do mar grelhados na hora e na frente dos hóspedes, a variedade de queijos e frutas frescas. As louças são feitas especialmente para o lodge e decoradas com desenhos de animais selvagens. Nos quartos, há uma garrafa de cristal com vinho de sobremesa. Perfeito para o fim de noite.

O mais importante: os safáris foram ótimos. Os quartos têm uma extensa lista com toda a fauna e a flora da região, inclusive deixando claro quais são os animais raros na área, como hipopótamos. Participei de dois games, um à noite e outro na manhã seguinte. Montanhas ao fundo criam um panorama diferente dos safáris no Kruger e arredores. Em momento algum vimos mais do que um outro veículo com passageiros. Na maior parte do tempo, estávamos sozinhos. Dos Big Five, só não encontramos leopardos, mas eles estão por lá. (Neste acaso, acho que o problema sou eu. Em mais de uma década de idas à África do Sul, com amplo currículo de safáris em diferentes áreas do país, o leopardo nunca apareceu para mim.)

Rinocerontes em safári na África do Sul
Rinocerontes no safári de fim de tarde (os da imagem no alto foram vistos pela manhã) / Foto de Carla Lencastre

Os safáris do Founders Lodge não têm trackers. A ausência desta figura importante para uma expedição bem-sucedida é compensada por rangers da região. O que nos acompanhou era bem treinado, divertido e não hesitava em sair das trilhas em busca de guepardos, por exemplo. Sem abrir mão da segurança em momento algum, o que é fundamental neste tipo de atividade. À noite, durante o jantar, contou histórias curiosas sobre a reserva e os arredores.

Os veículos do safári são abertos e o ranger organiza paradas para o café da manhã e os sundowners em meio à expedição, como acontece nos safáris dos lodges mais conhecidos do Kruger e do Great Kruger. No game drive no fim da tarde, a mesa ao ar livre tem vinhos sul-africanos branco e tinto, gim britânico, água tônica, frutas e frutos secos, chips salgados.

Há uma diferença importante em comparação a outros lodges mais luxuosos e integrados à savana. O Founders é cercado e fica em uma área adjacente à Shamwari, onde são feitos os safáris. Ou seja, não há possibilidade de ter elefante bebendo água na piscina. Dentro da reserva, há outras sete opções de hospedagem para diferentes perfis. Confira as outras opções para safáris na África do Sul, na Shamwari, clicando aqui. Como na maioria dos lodges de safáris, na Shamwari não são permitidas crianças menores de 4 anos.

Leão em safári na África do Sul
Não resisto à legenda clichê: acho que vi um gatinho… / Foto de Carla Lencastre

Safári no continente africano é como bangalô sobre as águas de Bora Bora, na Polinésia Francesa: você não espera que seja menos do que perfeito. E isso tem um custo. Safári não tem como ser barato. A inspector Mari Campos explica bem o porquê neste post aqui (e recomenda também lodges incríveis na área do Kruger). Dá para economizar dirigindo seu próprio carro em um parque nacional. Fiz isso no Hluhluwe-iMfolozi e não indico. O motorista até era acostumado com a mão inglesa (o que seria um problema se eu estivesse dirigindo). Ainda assim achei estressantes tanto a sensação de insegurança (este elefante está entretido derrubando a árvore ou vai vir para cima do veículo?) quanto a falta de conforto da hospedagem econômica do parque. O Founders Lodge foi uma surpresa de como gastar um pouco menos mantendo o conforto e a emoção de estar em meio à vida selvagem proporcionada por um bom safári.

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Cotton House: oásis em Barcelona

Cheguei em Barcelona na semana passada sob um calor surreal. A cidade estava mais abafada do que nunca e só de pisar na rua a gente sentia. Assim que cheguei ao balcão do Cotton House Hotel, a recepcionista disparou: “Faz muito calor lá fora, não? Prefere um copo d’agua ou uma taça de cava para refrescar enquanto faço seu check in?”.

Minha estada no hotel – que tem meros 3 anos de existência, fica na Gran Via, a três quadras do Paseig de Gràcia, e integra o seleto portfólio da Autograph Collection – foi uma mistura bem bolada de serviço atencioso e caprichado com uma informalidade acolhedora por parte do staff (todo bastante jovem, diga-se de passagem).

A piscina do último andar tem vista para o Eixample, as montanhas e a Sagrada Família. Foto: Mari Campos

A Autograph Collection, bandeira da Marriott que reúne hotéis boutique independentes em diversos cantos do planeta, se consolidou por reunir hotéis únicos, fora do comum (“exactly like nothing else”, como diz seu slogan), cheios de design, com foco em experiências singulares e extremamente conectados com o destino em que se instalaram. E o Cotton House Hotel é uma perfeita tradução dos valores da marca. 

Ocupando a antiga sede da Fundación Textil Algodonera, em um emblemático edifício do século XIX totalmente repaginado pelas mãos do designer Lázaro Rosa-Violán (um dos mais badalados da Espanha na atualidade), o hotel mistura muito bem a sofisticação contemporânea com história e funcionalidade – e valoriza muito a cidade onde está.

A escada espiral suspensa de 1957 foi preservada. Foto: Mari Campos

Vários elementos originais do edifício foram conservados, como o incrível teto da Library (a belíssima biblioteca que é puro sossego e, sem dúvidas, o cômodo mais bonito e fotografado de todo o hotel), a imponente escada de mármore de um lado, a impressionante escada espiral de 1957 do outro (suspensa pelo último andar ao invés de presa ao térreo), o delicado parquet do piso… Ao mesmo tempo, todas as facilidades contemporâneas estão lá (incluindo muitas tomadas e entradas USB nos quartos), wifi de excelente qualidade e móveis de design arrojado que dão a tônica aqui e ali nas áreas comuns. 

O passado têxtil do edifício também é honrado em uma das experiências exclusivas que o hotel oferece aos seus hóspedes: a possibilidade de confeccionar uma camisa sob medida com os alfaiates da Santa Eulalia, os mais premiados de Barcelona.

O Cotton Room tem décor muito leve e adorável terraço para o Eixample. Foto: Mari Campos

Os 83 quartos são puro sossego: todos muito luminosos, cores clarinhas, quietos, e sempre com um toque de algodão na decoração (da plantinha em si aos delicados papéis de parede de inspiração botânica) para lembrar o passado do edifício. A gente sequer tem noção de que o hotel tem esta quantidade de quartos, dado o sossego constante em todas as áreas.

Meu quarto era do tipo Cotton room (há diferentes tipos de quarto, incluindo sete suítes), que tem sempre um adorável terraço privativo olhando para o pátio do hotel e os predinhos típicos do Eixample (perfeito para tomar o primeiro cafezinho da manhã). Cama King size, poltrona, boa mesa de trabalho, Nespresso, banheiro grande com banheira e ducha, luxuosas amenidades de banho 100% naturais e mediterrâneas da marca Ortigia da Sicília e uma completíssima “amenities box” que incluía até escova de cabelos.  O meu quarto era no segundo andar e tinha mesmo vista apenas para o pátio e predinhos do entorno, mas me disseram que os quartos dos andares mais altos chegam a ver o mar. 

Detalhe do Batuar Bar e Restaurante. Foto: Mari Campos

Um importante diferencial do Cotton House em relação a outros hotéis de luxo da cidade é que seu público é essencialmente leisure. Você não vê nunca viajantes a trabalho e sim somente casais, famílias, grupos de amigos e solo travelers, todos a lazer, o que garante um ambiente o tempo todo extremamente casual e relaxado à propriedade. O staff também é sempre muito informal (apesar de chamar os hóspedes pelos nomes e ser sempre solícito), a “welcome message” no quarto é escrita com battom no espelho e a própria área dos concierges é adoravelmente chamada de Gossypium. 

Das áreas comuns, além da biblioteca e da incrível lap pool no rooftop (com vista espetacular para a cidade e a Sagrada família!), destaque para o Batuar Bar & Restaurant. É ali, tanto no belo ambiente interno quanto no charmoso pátio, que o café da manhã em estilo buffet (mas com pratos quentes à la carte) é servido todos os dias até 11h da manhã, e também funciona para almoço e jantar com cozinha Catalã contemporânea (destaque absoluto para as tapas da casa, excelentes!). Ressalva apenas para o serviço de bebidas e pratos quentes no café da manhã, que é bastante lento. Falo mais sobre o restaurante e o bar do hotel neste meu texto para o Estadão. 

 

 

 

 

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Eu deixei meu coração no Fairmont San Francisco

Dentre as várias possibilidades de experiências de viagem, uma das que mais me encanta é a dos hotéis centenários. Por isso, ao “bookar” uma viagem para San Francisco, na Califórnia, os olhinhos brilharam na quantidade de hotelões históricos, cheios de pompa e circunstância.

O mais antigo da cidade é o Palace, na Montgomery Street, que remonta a 1875. Já o Westin St Francis, de 1904, fica na Union Square e deu por concluída uma reforma de US$ 45 milhões em abril de 2018, o que significa o melhor dos mundos (pelo menos do meu): memórias com conforto. Tem também o Ritz-Carlton, em Nob Hill, de 1910; o Whitcomb, na Market Street, de 1916; o InterContinental Mark Hopkins, de 1926, em Nob Hill; e o Kimpton Sir Francis Drake, de 1928.

Todos lindos, mas cismei mesmo com o The Fairmont, ao qual fui apresentado em um almoço promovido pela AccorHotels, que representa a bandeira desde 2016. Instalado em Nob Hill, um dos bairros mais altos da cidade, o palacete em estilo neoclássico estava quase concluído na época do famoso terremoto de 1906. Enquanto as mansões ao seu redor vieram “na chon”, o futuro hotel sobreviveu.

Desde então, muita história rolou por lá. A começar pelo processo de reconstrução do interior, infelizmente, bastante danificado. Stanford White, o arquiteto escolhido para a missão pelos donos – que, aliás, haviam comprado o hotel dos primeiros investidores, a família irlandesa Graham Fair, poucos dias antes do terremoto –, foi assassinado à queima-roupa enquanto jantava em New York.

A escolha, então, recaiu sob a arquiteta Julia Morgan, primeira mulher formada pela École des Beaux-Arts, em Paris. E ela fez um trabalho magnífico com o The Fairmont, que finalmente foi inaugurado em 1907.

Graças a uma reforma realizada há quase duas décadas, o lobby pode ser conferido atualmente de forma muito fiel ao esplendor de Julia, com os mármores originais do piso e das colunas, sem economizar em douradices.

O lobby projetado por Julia Morgan no início do século 20 em todo o seu esplendor

Estão lá também o lendário Venetian Room, onde Tony Bennet apresentou pela primeira vez a música I left my heart in San Francisco, em 1961 – momento eternizado por uma estátua do cantor em frente ao hotel. Reaberto em 2010, a casa também recebeu, com regularidade, nomes como Ella Fitzgerald, Nat King Cole e Tina Turner. O pitoresco Tonga Room & Hurricane Bar, de comida polinésia, também é uma instituição, inaugurado em 1945, na área da antiga piscina. Já o restaurante oficial Laurel Court, anexo ao lobby, ficou fechado por seis décadas e foi reaberto na virada do século. O Fairmont foi ainda o primeiro hotel dos Estados Unidos a oferecer o serviço de concierge, a partir de 1974, cargo ocupado por Tom Wolfe – outro Tom, não o de A Fogueira das Vaidades.

Os 591 apartamentos e suítes se distribuem entre o prédio principal e uma torre de 23 andares, erguida em 1961. Foi onde me hospedei, na categoria Signature Room, com vista para a baía de San Francisco e a Ilha de Alcatraz. Elegante e renovado, o quarto conta com banheiros em mármore, com banheira, e camas superconfortáveis.

Signature Room…
… e a vista para a baía de San Francisco e a ilha de Alcatraz

As suítes se orgulham de terem recebido todos os presidentes dos Estados Unidos desde 1909, além de reis e rainhas e chefes de estado de inúmeros países (brasileiros, inclusive). A mais impressionante de todas é a Penthouse Suite, de 557 m² e inaugurada em 1926. Ela ocupa todo o oitavo andar do prédio principal, tem três passagens secretas e é alugada não apenas para hóspedes, mas também para festas privadas –  acomoda até 130 pessoas –, ao valor de US$ 18 mil a diária.

Em tempo:  o glamour de se hospedar no Fairmont tem custo relativamente acessível. San Francisco é uma cidade conhecida pelo valor alto das diárias. O Fairmont, por motivos óbvios, não é exceção, mas, quando  estive lá, consegui um preço idêntico a outras opções de categoria bem inferior pelos sites de busca. E, olha: vale cada centavo viver esse “golden dream”!

Vista do H Hotel próximo ao aeroporto de Los Angeles

Hotel novo no aeroporto de Los Angeles

Hotel próximo ou dentro de aeroporto não costuma ter muita graça. É lugar para dormir antes de um voo que parte muito cedo ou para um day use durante uma conexão longa. Mas, como dissemos lá no nosso primeiro post do blog Hotel Inspectors no Portal Panrotas, não acreditamos em hotel só para dormir. Nem mesmo dentro de aeroporto.  Foi uma boa surpresa conhecer o novo H Hotel, da Curio Collection by Hilton, próximo ao  Aeroporto Internacional de Los Angeles.

Lobby do H Hotel, próximo ao aeroporto de Los Angeles
O lobby do H Hotel. Ao fundo, “Llywood”, desenho a lápis sobre papel de Susan Logorecci / Foto de Carla Lencastre

O H Hotel, próximo ao Aeroporto de Los Angeles

Inaugurado em outubro passado, o H Hotel oferece transfer gratuito 24 horas por dia (são apenas cinco minutos de distância do aeroporto), um bom chuveiro, cama confortável, janelas antirruído com vista para o LAX e Wi-Fi grátis. O que se espera hoje em dia de um bom hotel de aeroporto.

Quarto do H Hotel, próximo ao aeroporto de Los Angeles
Um dos quartos do hotel novo do LAX, inaugurado em outubro passado / Foto de Carla Lencastre

O H vai adiante e tem um lobby com design cheio de graça e obras de arte inspiradas em Los Angeles e no aeroporto; quartos amplos, elegantes e de pé direito alto; restaurante de cozinha californiana (Waypoint Kitchen+Bar, com café da manhã das 6h às 10h e jantar das 17h às 22h), piscina ao ar livre, academia de ginástica e divertidos robôs, chamados Hannah, que podem atender pedido simples, como entregar toalhas extras ou um snack.

Robô do H Hotel, próximo ao aeroporto de Los Angeles
Hannah, um dos robôs do H Hotel Los Angeles / Foto de Carla Lencastre

O H Hotel divide um prédio da década de 1960 (e o lobby, o restaurante e a piscina) com o Homewood Suites by Hilton, em uma propriedade dual-branded. Ainda que tenha 168 quartos e suítes, parece um hotel boutique que poderia estar na vizinha Venice Beach.

Lobby do H Hotel, próximo ao aeroporto de Los Angeles
O balcão de check-in, dividido com o Homewood Suites / Foto de Carla Lencastre

A Curio Collection é uma das mais interessantes bandeiras hoteleiras surgidas recentemente. Lançada em 2014, conta com mais de 50 hotéis upscale e de luxo em todo o mundo. São propriedades independentes, que têm em comum arte, design e gastronomia.

Lobby do H Hotel, próximo ao aeroporto de Los Angeles
Prédios de Los Angeles na obra “Facades of LA”, com fotos de Paul Brokering / Foto de Carla Lencastre

O aeroporto de Los Angeles tem um pró e um contra para longas conexões. O pró: está a 20 minutos de táxi ou Uber de Venice e a 30 minutos do Santa Monica Pier. Ou seja, dá para caminhar às margens do Oceano Pacífico entre um voo e outro. O contra: não tem lugar para guardar bagagem. O que torna mais importante um hotel com day use, como o H.

Píer de Santa Monica, em Los Angeles
O píer de Santa Monica, a apenas 30 minutos de carro do H Hotel / Foto de Carla Lencastre

Foi assim que eu o descobri, quando tive 9h30m de conexão antes de voar pela Air Tahiti Nui para Papeete, na Polinésia Francesa (tem uma análise sobre hotéis de luxo em Bora Bora clicando aqui).

Alguma dica de hotel de aeroporto? Deixe na caixa de comentários!

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New Orleans: hotéis na capital do jazz

Ancorada entre as curvas do Rio Mississippi, New Orleans leva a fama (justíssima!) de epicentro turístico do Velho Sul dos Estados Unidos. Tudo graças à fusão cultural de franceses, espanhóis e africanos, que lhe rendeu arquitetura e gastronomia peculiares e um espírito de diversão à parte na terra do Tio Sam. Em plena efeméride dos 300 anos, a cidade mais populosa do estado da Louisiana também tem sua lista, embora compacta, de hotéis de luxo.

Nola, como é chamada, está na expectativa de o grupo canadense Four Seasons inaugurar um novo empreendimento no ITM Building, onde um bar giratório na cobertura fez história até o furacão Karina, em 2005. Na fotogênica Canal Street, via arterial da Big Easy, a transformação do edifício em hotel tem investimento projetado em US$ 450 milhões, com a proposta de receber 395 suítes e 80 residências. A inauguração, porém, só está prevista para 2020.

Ritz Suite, do Ritz-Carlton: toda a imensidão do Mississippi | Foto: divulgação RC

Até lá, dá para garimpar outras opções. A exemplo do Ritz-Carlton, em um prédio da década de 1910 da Canal Street. A proposta da propriedade é recriar os ambientes dos palacetes e antigas fazendas sulistas, com decoração vitoriana e antebellum e obras de arte nos corredores. Destaque para a vista panorâmica do Mississippi a partir da Suíte Ritz, de 260 m², vista na foto acima.

A torre do Sheraton contribui para o potencial fotogênico da Canal Street | Foto: divulgação Sheraton

Também na Canal Street, a torre do hotel Sheraton, onde eu me hospedei, se destaca no horizonte. Em 2013, o complexo de 1.100 aposentos, incluindo 53 suítes, passou por uma renovação de US$ 55 milhões, que também incluiu o grandioso lobby, decorado com espelhos e obras de arte americanas, em referências ao pátios do French Quarter, o bairro francês e o mais antigo da cidade. O que mais me chamou a atenção foi a pop art Blue Dog no piano de cauda, do texano George Rodrigue.

Club Lounge views: insira aqui o seu bom drinque | Foto: divulgação Sheraton

Com 116 m², a suíte presidencial Jackson, no 49º andar, tem decoração requintada, banheira de mármore e paredes de vidro com vista panorâmica. Como não sou o Trump (tks, God!), apreciei a paisagem no Club Lounge, com aperitivos e drinques all day long, disponível para hóspedes da categoria Sheraton Club. Pecadinho: o restaurante Roux Bistro, especializado em comida crioula, serve café da manhã e almoço, mas nada de jantar, o que decepciona em um hotel deste porte.

Café Adelaide, no Loews: sopro de renovação da comida crioula | Foto: divulgação Loews

A poucos passos dali, em Downtown, o Loews se posiciona melhor na cena gastrô de Nola, com seu Café Adelaide, aberto ao público. Da mesma família dos tradicionalíssimos Commander’s Palace e Brennan’s, a casa passou a ser comandada recentemente pela chef Meg Bickford, trazendo frescor à cozinha crioula. É o caso, por exemplo, da releitura de gumbo, o famoso guisado de Nola, com camarão-branco selvagem; e do ravióli de caranguejo-azul. Divertido, o ambiente remete à cultura dos coquetéis, com direito a telas pop art. Não visitei os quartos, mas “gradei” bem do lobby e do restaurante.

Também em Downtown, dois outros logradouros se destacam. O Windsor Court já entrou para a lista dos 100 melhores hotéis dos Estados Unidos, da “Condé Nast Traveler”. Tem décor britânico, suítes espaçosas e serviço de mordomo particular, além de uma pequena galeria com obras de arte dos séculos 17, 18 e 19.

Décor elegante no lobby do Windsor Court | Foto: divulgação WC

No mesmo quarteirão, o Le Méridien envereda pelo design moderno e estética atemporal, reinaugurado em 2014 após investimento de US$ 29 milhões. A área pública é o que mais impressiona, pela decoração inventiva, com cores alegres e mobiliário contemporâneo. Contudo, a Luxury Suite, a categoria mais alta, deixa a desejar: tem 53 m², decoração basicona e insossa e não possui banheira.

Lobby descolado do Le Méridien: descompasso com o “assim-assim” dos quartos | Foto: divulgação Le Méridien

Quem preferir se hospedar no French Quarter, o canto mais charmoso de Nola, tem como escolha mais acertada o Royal Sonesta. Em funcionamento desde a década de 1960, o hotel está alojado em um casarão de 1721, com varandas de ferro fundido, característicos da arquitetura francesa, que dão vista para o burburinho da Bourbon Street, principal palco da vida noturna de Nola. As suítes de categoria mais alta não decepcionam: têm piso em mármore, lustres de cristal, tapetes persas e cortinas de seda. Mas lembre-se: a Bourbon Street é a rua do pecado em New Orleans, o que pode ser uma solução ou um problema, a seu critério.

Para ver o pecado de camarote: varanda de uma das suítes do Royal Sonesta | Foto: divulgação Sonesta

Em comemoração aos três séculos de Nola e já que as inspectors Carla Lencastre e Mari Campos também passaram temporadas por lá, vamos dar em breve mais alguns pitacos sobre a hotelaria na cidade. Acompanhe a gente!

Para ficar por dentro destas e de outras histórias de hotelaria, acompanhe a gente no Instagram @HotelInspectors; no Facebook @HotelInspectorsBlog; e no Twitter @inspectorshotel. Obrigada pela companhia!

Copa do Mundo: os hotéis Lotte na Rússia

Apesar de ainda muito pouco conhecida dos brasileiros, a rede Lotte Hotels & Resorts é o maior grupo hoteleiro na Coréia e tem unidades espalhadas em diferentes países. O grupo asiático tem expandido seus domínios para Europa e Estados Unidos – deve chegar a um total de 40 hotéis até o final deste ano – e busca um reconhecimento mais global, a exemplo de outras redes asiáticas que já garantiram seu lugar ao sol na hotelaria de luxo, como Mandarin Oriental, Shangri-la ou Peninsula.

A ideia geral do grupo é promover um equilíbrio entre refinamento e lifestyle, garantindo excelência em serviço mas também o “twist” necessário para garantir à cada propriedade o seu próprio estilo – incluindo apostar cada vez mais em gastronomia estrelada em diversas unidades.  A rede tá marcando sua presença também durante a Copa do Mundo, com duas de suas três unidades na Rússia 100% lotadas durante todo o mundial. E com razão, já que os hotéis valem mesmo o quanto custam (e custam bem).

Meu quarto no charmoso Lote St Petersburg. Foto: Mari Campos

Em minha viagem à Rússia em março passado aproveitei para conhecer o Lotte St Petersburg e o Lotte Moscow. Os hotéis russos me chamaram a atenção por levarem estampado um selo de reconhecimento de qualidade indiscutível: ambas propriedades fazem parte do seleto portfólio da Leading Hotels of the World. 

O hotel em São Petersburgo foi um tremendo achado e virou queridinho da viagem toda. Estive ali hospedada durante todos os meus dias na cidade e não me arrependi nem um pouco da decisão (apesar de estar super acostumada a mudar de hotéis durante a estada em um mesmo destino): com 150 quartos, tem jeito de hotel boutique e serviço ultra personalizado e customizado, com funcionários que te chamam pelo nome (e uma excelente equipe de concierges). Novinho – o hotel abriu suas portas no ano passado – ocupa uma mansão histórica do século XIX em uma das mais prestigiosas localizações da cidade, a icônica St Isaac’s square, com a imensa Catedral de São Isaque quase em frente. 

O belíssimo salão de café da manhã do Lotte St Petersburg. Foto: Mari Campos

A localização é tão boa que dá pra fazer as principais atrações turísticas da cidade quase todas à pé – e mesma coisa para chegar aos restaurantes mais badalados. Os quartos são bastante espaçosos e confortáveis, com todas as facilidades tecnológicas da contemporaneidade – incluindo muitos plugs/tomadas e entradas para carregar USB. Tem um adorável spa com piscina térmica e um incrível rooftop no último andar, com vista panorâmica para a cidade – que infelizmente, por questões de meteorologia, só fica aberto nos meses mais quentes.

Mas o maior destaque do Lotte St Petersburgo fica por conta de seu café da manhã, servido num incrível salão cheio de rococó e vitrais históricos no teto. Não à toa, foi premiado como o melhor café da manhã da cidade – oferece diariamente um imenso buffet com quatro estações diferentes, além de menu de itens quentes preparados na hora. 

Detalhe do meu quarto no Lotte Moscow. Foto: Mari Campos

Já a propriedade da rede em Moscou tem perfil bem diferente.  O hotel é um dos mais tradicionais da cidade, tem 300 quartos e a gente percebe seu tamanho pelo movimento intenso (e por vezes até barulhento) no lobby. Localizado no Novinskiy Boulevard e aberto em 2010, fica afastado da Praça Vermelha e outras atrações turísticas da cidade mas o metrô está a apenas uma quadra de distância (assim como a rua Arbat, conhecida como a “rua dos Souvenirs”).   

Os quartos são bastante espaçosos, mas com decoração menos charmosa que a unidade de São Petersburgo. Por falar em tamanho, o hotel tem a maior Royal Suite de toda a Rússia, com uma área total de 490 metros quadrados – pra czar nenhum botar defeito! – e um belo spa, o Mandara Spa. Mas seu maior destaque fica por conta das suas ofertas gastronômicas: o italiano contemporâneo OVO, sob comando do chef estrelado no Michelin Carlo Gracco, e MEGUmi, um moderno japonês. O excelente café da manhã com três estações diferentes no buffet é servido diariamente no mesmo espaço físico do OVO. 

Detalhe do restaurante OVO by Carlo Gracco do Lotte Moscow. Foto: Mari Campos

Curiosidade: o nome da rede vem da personagem Charlotte, a heroína de Goethe em seu livro “Os sofrimentos do jovem Werther”, cujo apelido na obra era Lotte. 

Dá pra ler mais sobre hotéis na Rússia em geral aqui no Hotel Inspectors em posts da inspector Carla Lencastre neste e neste link. E dá pra ler mais sobre minha experiência em hotéis em São Petersburgo e Moscou neste link aqui.

 

 

Para ficar por dentro destas e de outras histórias da hotelaria no mundo acompanhando a gente também no Instagram @HotelInspectors, no Twitter @inspectorshotel e no facebook @HotelInspectorsBlog.

Copa do Mundo: quatro hotéis de luxo em São Petersburgo

“Era uma noite prodigiosa, uma dessas noites que talvez só vejamos quando somos novos, querido leitor. Estava um céu tão fundo e tão claro que ao olhá-lo uma pessoa era forçosamente levada a perguntar se seria possível que debaixo de um céu daquele pudessem viver criaturas más e tenebrosas. Questão esta que, para dizer a verdade, só é costume levantar quando somos novos, mesmo muito novos, querido leitor.” Assim começa “Noites brancas” (em tradução de Nivaldo dos Santos para a Editora 34), romance de Fiódor Dostoiévski passado em São Petersburgo. A pergunta pueril talvez só se faça mesmo muito novo. Mas não há idade para se encantar com o céu das noites de verão (como o da foto acima) em uma das mais impressionantes cidades da Rússia.

Durante a Copa do Mundo, com um novo estádio para quase 70 mil pessoas, São Petersburgo sedia sete jogos, entre eles Brasil x Costa Rica no dia 22 e uma semifinal. A seleção brasileira se hospeda no Corinthia St. Petersburg, um dos principais hotéis da cidade.

A fachada principal do Corinthia, hotel que hospeda a seleção brasileira em São Petersburgo / Foto de divulgação

O Corinthia fica na Nevsky, a mais importante e movimentada avenida de São Petersburgo. Integrante do grupo hoteleiro de mesmo nome, baseado em Malta, é um hotel grande, com 388 quartos, que nos últimos meses deu uma repaginada nas acomodações. Foi uma das minhas opções de hospedagem quando estive na cidade, mas não foi a preferida. Lá no final eu explico o porquê. Por hora, voltemos às noites brancas.

O bar Hi So, ainda na fase W, e a Catedral sob o céu das 22h de uma noite de verão / Foto de Carla Lencastre

Um dos hotéis com melhor vista para noites que não anoitecem é o So Sofitel. Até o início do ano, era um W Hotel, parte do portfólio da Marriott Internacional. Em meados de fevereiro passou a ser administrado pela AccorHotels sob a a nova bandeira de lifestyle So Sofitel. O bar no terraço é dos melhores para aproveitar uma noite branca. Renovado e rebatizado de Hi So Terrace, reabriu no fim de maio (fecha quando terminar o verão) e fica ao lado da imensa cúpula dourada da imponente Catedral de Santo Isaac, erguida na primeira metade do século 19. Reserve uma mesa ao ar livre e aproveite a claridade. Só escurece lá pela meia-noite. Ou um pouco antes no início e no fim da estação. Ou um pouco depois no auge do verão.

Leões de mármore estão há quase dois séculos na entrada do Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

Este foi meu primeiro programa quando desembarquei na cidade em uma noite branca. Quando afinal escureceu, foi só atravessar a rua para chegar aos dois leões em mármore de quase 200 anos que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial, sempre no mesmo lugar. Hoje a dupla restaurada marca a entrada do Four Seasons Lion Palace, onde estava hospedada. Com 157 quartos, o hotel fica em um palácio do início do século 19 recuperado em toda a sua grandeza. Foi originalmente uma residência imperial e, depois, o Ministério da Guerra. Há cinco anos faz parte dos hotéis históricos da rede Four Seasons, como os de Florença, Milão, Budapeste e Istambul.

Quarto com vista para a Catedral no Four Seasons Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

O quarto confortável tinha vista para a Catedral de Santo Isaac. O serviço foi impecável. As áreas comuns chamam a atenção pelo esplendor da Rússia imperial. Em um terraço estão grandes estátuas de figuras femininas também restauradas. Há um spa, dois restaurantes e um bar. É um hotel que vale a visita para quem não está hospedado. Fica perto do fabuloso Museu Hermitage.

Uma das estátuas representando figura feminina no restaurado Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

Depois de duas noites brancas bem dormidas no Lion Palace, me mudei para o Corinthia, no final da Nevsky. A ideia era ter uma perspectiva diferente de São Petersburgo e conhecer um de seus hotéis de luxo mais famosos. Ao chegar, recebi um quarto no qual o ar-condicionado não funcionava. O serviço foi eficiente. Fui acomodada no bar do lobby, com champanhe, enquanto outro quarto era preparado. O que me coube era maior, refrigerado e com vista para uma obra que me fez madrugar nas duas manhãs seguintes.

Uma suíte parecida com a que fiquei, agora em cores novas / Foto de divulgação

A sobriedade da decoração também não me conquistou. O lobby, por exemplo, não lembrava em nada a elegância do moderno Corinthia London. O hotel passou por uma renovação para a Copa e para marcar seus 15 anos. Pelas fotos novas, os quartos parecem seguir uma paleta mais leve.

O bar em estilo art nouveau do Grand Hotel Europe / Foto de divulgação

Já localização do Corinthia na Nevsky cumpriu a sua função. Dali foi fácil visitar a pé os pontos turísticos que não tinha visto no início da viagem, como a bela Catedral do Sangue Derramado. Aproveitei também para tomar um drinque no bonito bar art nouveau no lobby do Belmond Grand Hotel Europe, uma joia histórica da cidade em excelente estado de conservação. Durante a Copa do Mundo, é o hotel que está hospedando a seleção da Arábia Saudita. Falamos mais dele no post que fizemos sobre os endereços de algumas equipes na Rússia. É só clicar neste link aqui.

O Four Seasons Lion Palace e o So Sofitel ficam a uns dez minutos de caminhada do início da Nevsky, na ponta oposta ao Corinthia. Na mesma região está também o Lotte, onde a inspector Mari Campos se hospedou recentemente. Teremos post em breve. Fique de olho.

Ao longo da Copa do Mundo, estamos mostrando detalhes dos hotéis que abrigam as seleções no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e, olha a novidade, no Twitter @InspectorsHotel. Vai ser uma beleza ter companhia nas redes sociais.

 

Você já dormiu com fantasma em hotel?

Eu já. Teoricamente, com três fantasmas. Recentemente, em uma fria noite de fim de inverno, me hospedei no Macdonald Bear Hotel, em Woodstock, interior da Inglaterra. A propriedade é considerada uma das mais assombradas do Reino Unido. E olha que de assombração os britânicos entendem. Estava indiferente à experiência. Alguns companheiros de viagem também não ligaram. Outros se divertiram. E alguns ficaram muito incomodados. Uma noite em um hotel assombrado pode ser interessante como um parque temático, uma faixa bônus para um viajante. Para outro, é um pesadelo extremamente desconfortável.

O caminho para o sótão do Bear Hotel / Foto de Carla Lencastre

Na minha experiência, o mais incômodo foi ter que subir a escada que levava ao sótão carregando uma mala média. Meu quarto ficava isolado ali, com um teto de pé-direito de menos de dois metros de altura, vigas de carvalho sustentando o telhado e apenas duas minúsculas janelas com vista para a rua. Claustrofóbico, ainda que espaçoso e aparentemente sem fantasmas. Mais tarde, quando encontrei os companheiros de viagem, me dei conta que assombração aparece para cada um de um jeito. Parte do grupo achava graça da fama do hotel, inclusive quem estava em quarto com vista para o cemitério da igreja ao lado. Outros pareciam visivelmente perturbados com a perspectiva de passar a noite no Bear.

Vista de um dos quartos do hotel em Woodstock

Diversos websites listam hotéis assombrados mundo afora. No “English Country Inns”, por exemplo, é possível procurar hospedagem usando filtros como “hotéis românticos”, “gourmet”, “com piscina” ou “assombrados”. É com você. O Bear é uma das opções. Um dos dois fantasmas do hotel moraria no quarto 16.

Já o “Haunted Rooms UK” deixa claro a que se destina logo no nome e apresenta o Bear como “um dos hotéis mais assombrados do Reino Unido”. Os fantasmas residentes seriam de Elizabeth e Christopher Dowing, uma jovem mãe e seu filho de 8 anos, mortos em meados do século XVIII.

A fachada do hotel assombrado no interior da Inglaterra / Foto de Carla Lencastre

Em seu website, o hotel não faz menção a assombrações (só avisa que Elizabeth Taylor e Richard Burton estiveram lá). O local ajuda a manter a fama. O Bear é um dos hotéis mais antigos da Inglaterra e está instalado em prédio histórico que funciona como pouso de viajantes desde o século XIII. Nos séculos seguintes vieram expansões e renovações. Hoje são 54 quartos com confortos modernos. Pelas paredes (algumas em pedras aparentes) dos labirínticos corredores, há objetos, móveis e retratos antigos, estes daquele tipo que parecem seguir o visitante com o olhar.

O quarto no sotão…
…e o quartinho / Fotos de Carla Lencastre

O sótão onde dormi tinha aquecimento funcionando perfeitamente, roupa de cama e roupões de qualidade, máquina de café expresso, banheiro reformado (ainda que não novíssimo), amenities da grife britânica Elemis. Um pequeno hall de entrada dava acesso a um amplo quarto com uma cama de casal, escrivaninha e área de estar e a um minúsculo quarto com apenas uma fresta no alto de uma das paredes e uma cama pequena. Roupões infantis estavam pendurados atrás da porta. Fechei a porta do cubículo sem janela assim que cheguei e não abri mais.

Parte da cena noturna / Foto de Carla Lencastre

O episódio mais estranho da minha experiência de caça-fantasmas aconteceu depois do jantar (a propósito, o hotel tem um ótimo e movimentado restaurante de cozinha britânica moderna servida em um ambiente tradicional). Quando voltei para o quarto, a cama estava preparada para a noite, com dois pequenos chocolates, um em cada travesseiro, e uma Bíblia aberta no meio. Fechei o livro, tirei uma foto, guardei o exemplar em uma gaveta e, como não estava dividindo o quarto com ninguém, comi os dois chocolates logo de uma vez para não dar ideia para fantasma. Só me arrependo de não ter olhado antes em que página a Bíblia estava aberta. Dormi. No dia seguinte, a situação do grupo se repetiu: alguns tinham uma história divertida para contar, outros não tinham dormido nada. Fui visitar o cemitério vizinho. À luz da manhã parecia menos fantasmagórico do que nas fotos que tinha visto no dia anterior.

O cemitério na igreja ao lado do Bear Hotel à luz do dia / Foto de Carla Lencastre

A principal razão para alguém parar em Woodstock é o Blenheim Palace. O palácio pertence à 12ª geração dos duques de Malborough. Mas não é por isso que recebe visitantes, e sim porque Winston Churchill nasceu ali. O mais famoso primeiro-ministro britânico passou parte da infância e da juventude em Blenheim. Vale ir de Londres (a umas duas horas de distância) até lá nem que seja apenas para passear pelos imensos jardins, com direito até a lago com ponte. Woodstock fica perto de Oxford e é uma cidadezinha de praticamente uma rua, com cafés, restaurantes, pubs e galerias de arte. Há outros (poucos) hotéis no vilarejo, para quem preferir descartar o Bear e suas assombrações. Só não há garantia de que fantasmas não saiam para passear.

Blenheim Palace, em Woodstock, onde Winston Churchill nasceu / Foto de Carla Lencastre

Os fantasmas se divertem 2

A silhueta do Ballygally Castle ao entardecer / Foto de Carla Lencastre

Como hotel assombrado é o que não falta no Reino Unido, o Bear foi o segundo que conheci. Já tinha experimentado dormir com um fantasma na Irlanda do Norte, no Ballygally Castle, perto de algumas das locações da série da HBO “Game of Thrones” e da Causeway Coast. Neste hotel, com 54 quartos e hoje parte do Hastings Group, fiquei em uma ala mais nova. Não percebi assombrações. No dia seguinte, companheiros de viagem que ficaram na parte antiga relataram que não conseguiram dormir por causa “do barulho de móveis sendo arrastados”.

O hotel assombrado no litoral da Irlanda do Norte / Foto de Carla Lencastre

Em Ballygally, segundo o site “Haunted Rooms UK”, o fantasma residente é o de Lady Isobella Shaw, que assombra o castelo do início do século XVII há 400 anos. Ou seja, desde quase sempre.

Na categoria cenário, o Ballygally impressiona menos que o Bear. Talvez porque esteja em um hotel sem muita personalidade, de frente para as águas calmas da Baía de Ballygally e com vista para a Escócia, Isobella parece confinada à parte original do castelo.

 

Amanhecer em Ballygally Bay / Foto de Carla Lencastre

Fantasmas britânicos não moram apenas em pequenos hotéis de vilarejos como Woodstock ou Ballygally. Dois hotelões de luxo em Londres aparecem em quase todas as listas de lugares assombrados no Reino Unido. O mais citado é o Langham, que teria nada menos que cinco fantasmas residentes. O Savoy costuma ser o segundo colocado. Março passado, o jornal londrino “The Telegraph” relacionou alguns hotéis com assombrações. Os dois ícones londrinos, instalados em construções de meados do século XIX, estão no topo da lista. Boo!

Fantasma em hotel é diversão ou aborrecimento? A caixa de comentários é sua.

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