A Hotelaria de luxo e a sustentabilidade possível

Não é de hoje que o turista se preocupa com a sustentabilidade de suas viagens. Do rastro de carbono dos voos aos canudos de nossas bebidas, cada vez mais nos engajamos em fazer nossas viagens mundo afora o mais eco-friendly possíveis. No mercado de luxo, este tem sido um tópico ainda mais pulsante, e há ainda mais tempo – tanto que diversas propriedades perceberam, felizmente, que conjugar o máximo de conforto e a excelência em serviços com sustentabilidade é um casamento pra lá de possível. Tão certeiro, aliás, que diversos hotéis já estão nascendo voltados para essa filosofia.

É o caso, por exemplo, do novíssimo Kudadoo Maldives Private Island by Hurawalhi , um refúgio exclusivo em uma ilha privada das Maldivas com apenas 15 acomodações em sistema overwater bungalow. Ali, tudo está incluído, do fine dining aos tratamentos de spa.  Parte essencial do luxuoso resort desde seu primeiro projeto, 300kv de painéis solares estão incorporados aos telhados, garantindo autosuficiência energérica à ilha – tornando-o o primeiro resort de luxo totalmente sustentável no arquipélago.  Além disso, somente plantas e árvores nativas foram culivadas no local, estrategicamente plantadas para prevenir erosão. O consumo de plástico é reduzido, há programa de reciclagem de alimentos e estufas produzindo localmente itens frescos para os hóspedes.

O Kudadoo Maldives Private Island by Hurawalhi, nas Maldivas. Foto: Diego de Pol (Divulgação).
O Kudadoo Maldives Private Island by Hurawalhi, nas Maldivas. Foto: Diego de Pol (Divulgação).

O adorável Borgo San Pietro , na Toscana, era terra abandonada e foi totalmente re-cultivado pelos donos, que plantaram ali milhares de árvores, certificando suas terras como “organic farmlands” e garantindo produtos fresquíssimos ao seu restaurante estrelado no Michelin.  Também criaram uma linha de cosméticos naturais usando o máximo de sua própria produção agrícola – com direito a laboratório de pesquisa e produção in loco, sem desperdício de nada.

Mas alguns hotéis vão seguramente mais longe, com os safari camps da Great Plains Conservation . A rede de acampamentos de safári estrategicamente distribuídos por 3 países africanos (falo mais deles aqui) , fundada pelo casal Beverly e Derek Joubert, já nasceu de fato sustentável. Seu irretocável Zarafa Camp, no norte da Botsuana, foi o primeiro camp/lodge de safári 100% auto-suficiente energeticamente do país.

Extremo conforto sem abrir mão da sustentabilidade e conservação no Duba Plains da Great Plains Conservation. Foto: Mari Campos
Extremo conforto sem abrir mão da sustentabilidade e conservação no Duba Plains da Great Plains Conservation. Foto: Mari Campos

Mais que isso, a Great Plains desenvolveu todo seu business plan (são oito camps diferentes hoje, incluindo um novinho em folha, o Mpala Jena, inaugurado em dezembro passado no Zimbábue) apostando em um turismo totalmente sustentável (sensível, com baixo volume e baixo impacto), capaz de reverter seus proventos em conservação e apoio às comunidades locais (todo o lucro dos camps é inteiramente reinvestido nos mesmos e nos projetos sócio-ambientais que o casal apoia, dos Rhinos Without Borders ao Lamps for Learning Conservation Camp for Kids).  

Com todas as tendas e áreas comuns construídas com madeiras e lonas recicladas, seus camps unem o máximo do conforto (camas enormes, lençóis de muitos fios, banheiras soak in, gastronomia com selo Relais&Chateaux e outras amenidades de luxo, sobretudo nos absolutamente irrepreensíveis Duba Plains e Zarafa Camp) com o máximo de interação possível com o meio ambiente, incluindo atividades de safári que vão muito além dos game drives tradicionais (como em barcos, canoas, walking safaris etc). Hoje os camps são energeticamente suficientes através de energia solar, reaproveitam alimentos, reciclam lixo etc.

Luxo máximo em sistema tudo incluído no The Brando, um dos hotéis mais sustentáveis do mundo. Foto: Mari Campos
Luxo máximo em sistema tudo incluído no The Brando, um dos hotéis mais sustentáveis do mundo. Foto: Mari Campos

Mas é difícil bater, neste quesito, o resort The Brando , na Polinésia Francesa, considerado um dos mais luxuosos e também um dos mais sustentáveis hotéis do planeta. E também já nasceu 100% sustentável. Para começar, desenvolveu o SWAC (Sea Water Air Conditioning), uma tecnologia de ponta que retira água do mar do fundo do oceano para resfriar o sistema de ar condicionado, de maneira auto-suficiente e em sistema de looping, “devolvendo” a água ao oceano ao final do processo – técnica que já começa a ser pesquisada e implantada por outros hotéis (como o Intercontinental Resort Bora Bora & Thalasso Spa, também no Tahiti; falo mais sobre esses hotéis aqui).

Enquanto isso, estima-se que hotéis da Polinésia Francesa em geral gastem cerca de 60% de seu consumo total apenas em ar condicionado.  O SWAC sozinho é capaz de reduzir em 90% o consumo desse tipo de energia, reduzindo signficantemente os custos da hotelaria enquanto contribui para salvar o planeta – uma solução relativamente simples para ilhas desabitadas (como o atol de Tetiaroa, onde está localizado o The Brando), que são rodeadas de água mas geralmente dependentes do continente para energia. 

O SWAC do The Brando é tão revolucionário que começa a ser implementado também em outros hotéis, como o Intercontinental Resort Bora Bora & Thalasso Spa. Foto: Mari Campos
O SWAC do The Brando é tão revolucionário que começa a ser implementado também em outros hotéis, como o Intercontinental Resort Bora Bora & Thalasso Spa. Foto: Mari Campos

Além disso, o The Brando possui também dois tipos de painéis solares espalhados por toda a propriedade, num total de mais de 3700 deles, que provêem, sozinhos, mais de 60% da energia total necessária para manter um resort de luxo funcionando – sem racionamentos ou restrições para o lado do hóspede.  Até o final desse ano, devem ser auto-suficientes para 75% de sua necessidade energética, dia e noite. Têm também sistema de “food digester” para transformar resíduos alimentícios em composto em 24h, vidros são prensados e entregues a uma companhia polinésia que o reutiliza em construção, latas são vendidas a uma companhia que as transforma em material alumínio básico, óleo de cozinha é redistribuídos a duas companhias que o transforma em combustível biológico, armazenam e reutilizam água das chuvas e mais uma série de medidas inteligentes.

Os hóspedes, é claro, são convidados a separar o lixo inclusive dentro de suas vilas – mas tudo de maneira natural, sem interferir de modo nenhum no conforto deles durante a estadia (o hotel é internacionalmente premiado por seu irrepreensível sistema de hospedagem tudo incluído).  E eles ainda se beneficiam dos produtos fresquíssimos produzidos ali mesmo (de tomates a berinjelas), transformados em pratos de alta gastronomia, e dos mais de 200kg de mel produzidos mensalmente nos apiários espalhados pelo atol. 

É preciso investir alto, é claro. Mas os retornos vêm altos também, seja na redução de custos, na economia de recursos do planeta e, obviamente, nos laços estreitados com os hóspedes – que, sim, estão cada vez mais atentos a tudo. 

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Loberías del Sur, Carretera Austral

Percorrer as principais atrações da mítica Carretera Austral, que liga Puerto Montt a Villa O’Higgins em mais de 1200 km no Chile, não é uma viagem das mais simples. A estrada na Patagônia Norte chilena (também conhecida como Patagônia Aysén) é difícil, com vários trechos de cascalho e muitas, muitas curvas – e os deslocamentos são invariavelmente longos, requerendo bastante logística e atenção constante de quem estiver dirigindo.

Fiz minha primeira viagem para lá há oito anos e caí de amores pela beleza ainda selvagem da região; mas confesso que trouxe memórias bastante duras do excesso de perrengues na hotelaria e na estrada.

Acabo de voltar de mais uma viagem para lá, mas agora com uma experiência completamente diferente. Desta vez, fui convidada a me hospedar no hotel Loberías del Sur, na pequena Puerto Chacabuco, bem diante dos famosos fiordes de Aysén.

O quarto padrão do Loberías. Foto: Mari Campos

Não se trata de um hotel de luxo – longe disso. Mas o Loberías tem instalações bem confortáveis, quartos bastante grandes e cheios de luz natural, cantinhos aconchegantes nas áreas públicas e um serviço bastante simpático e prestativo em todos os setores, da recepção ao restaurante.

A grande sacada do hotel foi ter criado programas de 3 a 7 noites mais ou menos no estilo de outros hotéis chilenos de exploração que fazem muito sucesso entre brasileiros, como os das redes Tierra e explora. Nos programas, transfers de e para aeroporto, passeios, deslocamentos e todas as refeições já estão todos incluídos – só fica faltando mesmo o bar aberto, já que as bebidas alcoólicas ficam de fora. É possível reservar apenas alojamento e café da manhã e comprar passeios avulsos, mas a melhor alternativa, sem dúvidas, é investir no programa completo. 

Detalhe do lobby do Loberías del Sur. Foto: Mari Campos

Desta vez, graças ao programa, não precisei me preocupar nem por um momento com estrada, mapas, rotas ou onde parar para dormir ou fazer refeições. Todos os passeios saem de manhã e voltam para dormir no próprio hotel – com exceção do passeio às famosas Capelas de Mármore que, por serem tão distantes, conta com pernoite em um lodge mais próximo da atração, mas também já incluído no custo do programa.

Os motoristas e guias foram ótimos durante toda a semana, mesmo nos deslocamentos mais longos (vale dizer que tudo ali é sempre longe), e nossa única preocupação a cada passeio era ter memória suficiente na câmera e no celular para as infindáveis fotos que tirávamos. 

No programa, todas as entradas, taxas e refeições já estão incluídas, seja no dia do catamarã que leva à incrível geleira San Rafael com tudo incluído ou na trilha do Parque Aikén del Sur, que termina com um incrível cordeiro patagônico assado em um típico “quincho” de frente para montanhas e lago. E em uma região em que boa parte das operadoras de telefonia falham, o hotel conta com bom serviço de wifi gratuito (e sauna, salão de jogos e um pequeno fitness center também).

A “Catedral de Mármore”, atração mais famosa de Aysén. Foto: Mari Campos

As melhorias poderiam vir apenas nos jantares do hotel: contam com um imenso buffet de saladas (incluindo deliciosos ceviches) e diferentes opções e pratos quentes e sobremesas; mas ainda há pouca variação no cardápio de um dia para o outro.

Mas achei louvável o Loberías del Sur ter criado, enfim, uma maneira prática e prazeirosa de percorrer a incrível Carretera Austral chilena sem stress ou perrengues, e com total segurança. E mais: perfeitamente factível mesmo para famílias com crianças. 

Dá pra ler mais sobre o Loberías del Sur e as melhores atrações das minhas viagens pela Patagônia Aysén aqui.

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Luxo segundo a Forbes Verified List

Quando vai terminando o ano, sempre “pipocam” listas de destinos, hotéis e spas para ficarmos de olho no ano seguinte. Aqui nos Inspectors nós sempre adoramos estas listas! Mas com tantas listas de “melhores hotéis” circulando mundo afora e uma definição cada vez mais heterogênea (e muitas vezes confusa) do que seria luxo se espalhando por aí, o Forbes Travel Guide, guia de viagens da americana Forbes, resolveu inovar.

Imagem: Forbes website

Internacionalmente celebrado por sempre destacar os melhores hotéis do mundo, o guia acaba de lançar esse mês uma nova medida para elencar os seus hotéis prediletos: o selo “Forbes Verified List” , que destaca propriedades com níveis de luxo e serviço excepcionais. A ideia da publicação é garantir aos seus leitores que a percepção de luxo nas propriedades selecionadas seja realmente indiscutível, independentemente das referências pessoais de cada viajante. 

O novo selo traz duas coleções: de melhores hotéis e de melhores spas do mundo – e a ideia é que as listas sejam atualizadas anualmente. Para este 2018, foram selecionados 58 hotéis (52 cinco estrelas e seis quatro estrelas) e 30 spas em 17 países diferentes, cuja qualidade e padrão de serviços realmente se destacam no mercado de luxo. 

A excelência de serviço dos hotéis do grupo Mandarin Oriental é destaque na lista. Foto: Divulgação

A nova verified list considerou mais de novecentos critérios diferentes de exigências do mercado de luxo, com inspetores anônimos da Forbes (que se hospedaram em mais de mil hotéis em 60 países) e hóspedes regulares avaliando conjuntamente as experiências em cada propriedade, incluindo não apenas as instalações e serviços em geral, mas também levando em consideração o ambiente geral, a qualidade das amenidades e diversos outros itens. Estados Unidos, China, Indonésia, Itália e México são os cinco países com mais hotéis e spas nas listas, incluindo destinos como Macau, Las Vegas, Nova York, Bali, Los Angeles, Londres, Hong Kong e Manila.

Para os hotéis, critérios como ter arredores peculiares, fazer bom uso do “sense of place” (deixando óbvio o destino em que se inserem), investir nos “thoughtful touches” (das toalhinhas geladas da academia às flores frescas e bilhetes escritos à mão nos quartos), as paisagens à vista, o conforto excepcional nos quartos, a apresentação caprichada de alimentos e bebidas e atenção extra ao design foram levados muito a sério durante o levantamento.  Dentre os destacados na lista, o grupo Mandarin Oriental foi o mais premiado, com sete hotéis (Milão, Munique, Nova York, Bangkok, Hong Kong, The Landmark e Singapura) selecionados. 

Detalhe do Nizuc Resort & Spa, no México. Foto: Mari Campos

Para os spas, itens como o nível de relaxamento/privacidade/conforto/ silêncio dentro da sala de tratamento, o espaço e conforto das áreas públicas, a fartura (e qualidade) das amenidades de higiene e beleza e a combinação de elementos sensoriais com o “sense of place” foram também levados em consideração.  Neste quesito, o mesmo Mandarin Oriental foi novamente o grupo mais premiado, com seus spas nos hotéis de Miami, Cantão, Singapura e Tóquio entre os mais detacados. Também foi selecionado o spa ESPA do adorável NIZUC Resort & Spa , no México, que acabo de experimentar – um dos mais surpreendentes e consistentes spas que conheci nos últimos tempos (falarei mais sobre o spa e o hotel em si por aqui em breve). 

Tanto para hotéis como para spas, a qualidade das instalações e serviços associada às ideias de “personalização e busca pelo extraordinário e excepcional” norteou as avaliações finais da Forbes para essa nova lista – o que tem muito a ver com o que nós, seus “hotel inspectors” de estimação, sempre levamos em consideração ao avaliar os hotéis de luxo nos quais nos hospedamos. Porque no mercado de luxo já não basta mais ser bom; é preciso mesmo ser excepcional, surpreender e tratar cada hóspede individualmente. 

Dá pra conferir a nova verified list de hotéis da Forbes aqui e sua lista dos melhores spas aqui. Para sonhar acordado. 

O novo Elora Mill no Canadá

Às vezes, pequenas maravilhas da hotelaria se localizam em destinos que não estão na wish-list generalizada de viajantes. Sou fã de cidades grandes assumida, mas sempre adorei encontrar , por exemplo, esses pequenos hotéis de charme localizados em diminutos vilarejos franceses e italianos, que parecem quase escondidos, tão longe das hordas de turistas.

A boa surpresa da vez foi encontrar agora uma dessas pérolas na minúscula Elora, uma cidadezinha de Ontário, Canadá, a cerca de 1h30 de carro de Toronto.  Pouco conhecida dos viajantes brasileiros, tem jeito de cidade cenográfica, com casinhas de madeira colorida, igrejas de pedra, charmosos cafés, restaurantes com jardins beira-rio. Mas o que sempre levou turistas para lá foram seus impressionantes cânions debruçados sobre os rios Grand e Irvine e suas pequenas piscinas naturais. 

O prédio do spa debruçado sobre o cânion. Foto: Mari Campos

Neste verão canadense, Elora ganhou uma verdadeira jóia da hotelaria: o Elora Mill & Spa, hotel boutique construído no local do antigo edifício do moinho da cidade, em pleno centro. Mantendo o edifício original de 175 anos, o hotel soube mesclar a propriedade histórica com um design elegante e contemporâneo e todas as facilidades dos viajantes do século XXI (incluindo muitas tomadas e entradas usb em toda parte).

Como a propriedade está localizada em um penhasco, debruçada sobre o rio e de frente para os cânions, quartos, bar, restaurante e áreas comuns ganharam imensos janelões do chão ao teto para que a espetacular paisagem que rodeia o hotel estivesse sempre à vista. No edifício anexo, as salas de tratamento do spa e a deliciosa piscina contemplam vista semelhante. 

Janelas do chão ao teto nos quartos para ninguém perder a vista. Foto: Mari Campos

Os quartos, aliás, têm ainda mais atrativos que esse: são muito espaçosos e contam com imensos banheiros com banheiras tipo soak-in e amenidades de luxo, desde Nespresso e San Pellegrino cortesia aos espetaculares secadores de cabelo Dyson Supersonic. Como o foco do hotel são as escapadas românticas (e também o mercado de destination wedding), os quartos são cheios de detalhes nessa vibe, incluindo charmosas lareiras para o inverno. 

Detalhe do banheiro. Foto: Mari Campos

O café da manhã é servido em modo à la carte diariamente no único restaurante da propriedade – que, aliás, aberto todos os dias também para não hóspedes, é a melhor pedida também para a refeição de quem faz apenas um day tour de Toronto a Elora. Ingredientes fresquíssimos e pratos inspirados na culinária local, com atendimento de primeira. Tem tudo para colocar Elora no mapa de muito mais gente. 

Dá pra ler mais sobre aberturas recentes de hotéis que visitamos aqui e aqui e dá pra ler mais sobre meus pitacos a respeito de Elora e do Elora Mill aqui. 

 

 

 

 

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O novo Four Seasons São Paulo

O bar aberto para o lobby. Foto: Mari Campos

O mercado hoteleiro de luxo no Brasil anda de vento em popa. Depois da abertura do esperado Fasano BH, a contagem regressiva para a abertura do primeiro hotel da rede Four Seasons no Brasil (parte do crescente portfólio do grupo na América Latina) está finalmente terminando: no próximo dia 15 de outubro, segunda-feira, a esperada propriedade brasileira do grupo abrirá oficialmente suas portas, quase às margens do rio Pinheiros. Mas nós já fomos conhecer em primeira mão o que o Four Seasons Hotel São Paulo at Nações Unidas tem de especial.

Parte do Parque da Cidade, o hotel conta com 258 quartos e suítes e 84 residências distribuídos em um edifício de 29 andares em plena Avenida das Nações Unidas.  Por fora, o imponente arranha-céus parece apenas mais um do emaranhado de edifícios da zona financeira em que se encontra. Mas basta cruzar a discreta porta de entrada para ver que o grupo conseguiu, e com esmero, dar uma alma brasileiríssima ao hotel. Projetado pelo escritório norte americano HKS Architects em parceria com os brasileiros Afalo e Gasperini Arquitetos, e com design do norte-americano BAMO, o novo hotel do grupo Four Seasons tem sotaque definitivamente paulistano. 

Linhas curvas por toda parte. Foto: Mari Campos

Elegância nos banheiros. Foto: Mari Campos

O projeto logrou conciliar harmonicamente a estética internacional do luxo contemporâneo com os estilos de grandes nomes brasileiros das artes e da arquitetura, incluindo obras de Francisco Brennand, Burle Marx e Paulo Mendes da Rocha espalhadas pela propriedade. Matérias-primas brasileiras estão também por toda parte, do mármore das áreas comuns aos revestimentos e móveis dos quartos – com direito a muita madeira, janelas que isolam completamente os ruídos externos, linhas sinuosas que lembram Niemeyer e até carpetes cujo design homenageia o vizinho rio Pinheiros. O Brasil só não aparece nas amenidades dos quartos, que utilizam produtos Christian Lacroix. 

Apreço pela matéria-prima brasileira em cada detalhe. Foto: Mari Campos

Os carpetes que homenageiam o Pinheiros. Foto: Mari Campos

Embora a localização seja afastada das principais atrações turísticas da cidade, é visível a tentativa de criar uma importante conexão com o público local nas áreas comuns. Além disso, o hotel criou uma série de experiências exclusivas para hóspedes que queiram ir a fundo no destino – e diversas opções de compras, gastronomia e entretenimento estão a curta distância.

O segundo andar do hotel foi projetado para ser um oásis em meio à selva de pedra, com direito a jardins internos, spa BAMO, fitness center e uma piscina inovadora entre os hotéis paulistanos, com áreas interna e externa divididas por um vidro retrátil. 

Detalhe da piscina do spa. Foto: Mari Campos

Mas a melhor sacada do hotel parece ser sua investida gastronômica, com o botequim-chic CajuSP e o restaurante Neto, ambos colados ao lobby – e separados por uma escadaria que sem dúvidas será uma das imagens mais icônicas da propriedade. Ambos testados e aprovados! 

O CajuSP seguramente movimentará a cena local na happy hour, incluindo no cardápio versões gourmet de clássicos paulistanos como bolinho de bacalhau, asa de frango etc e, é claro, uma série de signature drinks exclusivos. O design sinuoso bar foge do modelo tradicional dos bares de lobby e cria bons espaços de circulação e interação, sem intimidar de forma nenhuma o visitante que não esteja hospedado no hotel. 

Gastronomia ítalo-brasileira no restaurante Neto. Foto: Mari Campos

A cozinha do restaurante Neto (cujo nome homenageia os descendentes de imigrantes italianos em São Paulo) ficou a cargo do sempre excelente Paolo Lavezzini, ex- Fasano Rio, que supervisionará também o botequim e o room service. Para o Neto, ele criou um menu tradicional italiano cheio de toques e releituras brasileiros, utilizando somente produtos locais – e em um ambiente que, apesar do serviço impecável do padrão Four Seasons, é absolutamente informal, incluindo grandes mesas comunais e alguns pratos do cardápio propositalmente criados para serem compartilhados. 

Aproveitar a época de abertura para conhecer o hotel pode ter suas vantagens, já que eles estão anunciando diversas ofertas de inauguração. Para paulistanos que buscam uma staycation ou breve escapada, o Summer Love Romance Package pode ser boa pedida para um final de semana romântico.  A conferir. 

 

 

 

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A nova fase da Preferred Hotels

A Preferred Hotels&Resorts chega aos 50 anos como o maior grupo de hotéis independentes de luxo do mundo. De uma ilha privativa nas Maldivas a um boutique super trendy em plena Tribeca novaiorquina, são hoje mais de 700 hotéis e resorts instalados em 85 países compondo um portfólio cada vez maior. A rede acabou de incorporar mais 22 unidades a ele, incluindo propriedades como o Marigot Bay Resort and Marina, em Santa Lucia, e o adorável 9Hotel Confidentiel, projetado por Philippe Starck, que abre suas portas agora no comecinho de outubro em Paris.

Esta nova fase da Preferred foca sobretudo em propriedades que estão investindo pesado não apenas no serviço de qualidade, como nas experiências singulares para seus hóspedes – com destaque para a gastronomia em boa parte delas.

Os hotéis e resorts que compõem o portfólio do grupo são divididos em cinco “coleções” diferentes – Legend, LVX, Lifestyle, Connect e Preferred Residences – focando em diferentes perfis de hóspedes e diferentes estilos de hospedagem.

Quartos minimalistas mas super aconchegantes no Arc The Hotel. Foto: Mari Campos

Neste setembro, durante viagem por Ontário, no Canadá, passei um final de semana no Arc The Hotel, em Ottawa, que integra o portfólio da Preferred na coleção Lifestyle. Como acontece com todos os hotéis desta coleção, a localização da propriedade é imbatível: em plena Downtown da capital, a apenas três quadras do Parlamento canadense, e a uma curta caminhada do delicioso e imperdível (e cada vez melhor!) Byward Market.

O Arc The Hotel foi o primeiro lifestyle boutique hotel da cidade e consegue manter um ambiente discreto e intimista bem no miolo do agito do centro.  O design é moderno e minimalista, com pontos de cor intensa (um vermelho aqui, um roxo ali), repleto de obras de arte de artistas locais – e os quartos seguem a mesma linha.

Praticamente não há lobby: a recepção fica discretamente num “canto” à entrada do hotel e há um pequeno corner com poltronas para quem estiver esperando motorista, por exemplo.  O restaurante serve café da manhã à la carte e, à noite, vira um gostoso bistrô comandado pelo chef Andrew Willis e focado em ingredientes orgânicos canadenses. O serviço é bastante discreto e atencioso, numa experiência redondinha.

Para viajantes e membros do trade, vale saber que a Preferred agora oferece programas de fidelidade diferentes  –  Prefer Hotel Rewards™, Preferred Residences®, Preferred Family®, Preferred Pride® e Preferred Golf ™ – , propondo experiências e recompensas diferentes, de acordo com o perfil do viajante.

 

 

 

 

 

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A excelência dos lodges de safári na África do Sul

Sou apaixonada por safáris desde a primeira vez que me juntei a um. E, como boa amante da hotelaria, também sou apaixonada por safari lodges desde minha primeira hospedagem em uma propriedade do gênero. Depois de tantas andanças, com safáris colecionados em diversos países, para mim nenhum outro país consegue ter tanta consistência em bons lodges de safári (ou similares, como de expedição e vida selvagem em geral) como a África do Sul. 

Como alguém que já fez muitos safáris no país e se hospedou em muitos lodges diferentes por lá, sou frequentemente consultada por quem planeja sua primeira inserção neste universo – mas também por gente que quer voltar ao país para uma nova experiência com, digamos, upgrade (meu blog pessoa física tem uma série de posts e reviews para ajudar nessa tarefa).

A verdade é que nada nos prepara para a emoção de estar pela primeira vez com um leão ou elefante a passos do seu jipe, em plena savana – mas os bons lodges de safári sul-africanos sabem fazer isso com maestria e extrema segurança (item fundamental para um bom safári). É o bom lodge de safári, com seus bons trackers e rangers, super treinados e didáticos, que vai mudando a gente um pouquinho a cada game drive – os sentidos vão ficando mais aguçados, a audição mais atenta a qualquer som da savana, os olhos vão ficando mais treinados para procurar diferentes pássaros nas aves, e a gente não vê a hora de sair para o safári seguinte. 

Capricho e clima “out of Africa” no Tintswalo Safari Lodge. Foto: Mari Campos

Fiz safáris em diferentes cantos do país, do Kruger e Great Kruger (meus preferidos pela fartura incomparável de vida selvagem) à Garden Route, em lodges de diferentes estilos. Meus preferidos? De longe, Royal Malewane, Tintswalo, Thornybush River Lodge e Sabi Sabi. São lodges de luxo, sim, o que acarreta custos bastante elevados para hospedagem; mas que valem o investimento pela qualidade impressionante do serviço que entregam.  Dá pra ver toda a lista das minhas recomendações de hotéis de safári na África do Sul aqui

O alto investimento justifica-se também para quem opta pelos modelos all inclusive, extremamente recomendável em lodges de safári;  afinal, ali, como geralmente saímos antes do amanhecer para o primeiro safári e já no finalzinho da tarde para o segundo, passamos muito tempo dentro do próprio hotel e quanto melhores a infra e as inclusões, melhor. 

Há lodges, com o perdão do clichê, para todos os bolsos e gostos; mas não adianta esperar por um lodge “econômico”: os custos para manutenção de uma propriedade deste tipo, com este isolamento (tudo custa mais caro para chegar, como em qualquer hotel em localização remota), e com um staff qualificado e bem treinado, são altíssimos. Mas, sim, existem lodges mais e menos caros, dependendo do tipo de acomodação e do que está incluso no valor das diárias (já me hospedei em lugares que, acreditem, nem os safáris estavam incluídos, como o Botse Botse, a duas horas de carro de Joanesburgo). A inspector Carla Lencastre fala sobre uma boa opção mais econômica próxima a Port Elizabeth neste post aqui.

Staff do Thornybush River Lodge em ação nas savanas. Foto: Mari Campos

De todos os lodges que já experimentei (foram muitas e muitas viagens diferentes à África do Sul, e também safáris em outros países), apenas estes quatro – todos nas reservas do Kruger e Great Kruger – foram de fato irrepreensíveis, com instalações ultra confortáveis, gastronomia impecável e um staff absolutamente dedicado e bem treinado, capaz de me proporcionar algumas das melhores experiências de viagem que já tive. As experiências inesquecíveis foram também impulsionadas pelas incríveis reservas, isoladas e repletas de vida selvagem de todo tipo, nas quais estas propriedades se instalaram (bem diferentemente do que acontece quando nos hospedamos em lodges que se instalam em “game farms”).  

Mas foi staff, para mim, o que fez a maior diferença para estas quatro propriedades serem, de longe, as minhas favoritas. Bem instruídos, bem treinados, flexíveis, didáticos com hóspedes de todas as idades e backgrounds, esses staffs viraram peça fundamental nas minhas memórias de viagem. Foi no Tintswalo Safari Lodge (review completa aqui), por exemplo, que tive o melhor tracker de todos, o inesquecível Eric (que ficou internacionalmente famoso quando uma foto sua frente a frente com uma leoa viralizou na internet), um poço de conhecimento sobre as savanas e os animais.  E ,sim, sou bem old school quando o assunto é safári: pra mim faz diferença absoluta na qualidade do drive ter ranger E tracker no carro, e ter o carro todo aberto para a savana.

Ainda vamos falar mais de lodges de safári por aqui e vamos falar mais também sobre a África do Sul. Stay tunned.

 

 

 

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Cotton House: oásis em Barcelona

Cheguei em Barcelona na semana passada sob um calor surreal. A cidade estava mais abafada do que nunca e só de pisar na rua a gente sentia. Assim que cheguei ao balcão do Cotton House Hotel, a recepcionista disparou: “Faz muito calor lá fora, não? Prefere um copo d’agua ou uma taça de cava para refrescar enquanto faço seu check in?”.

Convidada a conhecer o hotel neste verão europeu, minha estada no hotel – que tem meros 3 anos de existência, fica na Gran Via, a três quadras do Paseig de Gràcia, e integra o seleto portfólio da Autograph Collection – foi uma mistura bem bolada de serviço atencioso e caprichado com uma informalidade acolhedora por parte do staff (todo bastante jovem, diga-se de passagem).

A piscina do último andar tem vista para o Eixample, as montanhas e a Sagrada Família. Foto: Mari Campos

A Autograph Collection, bandeira da Marriott que reúne hotéis boutique independentes em diversos cantos do planeta, se consolidou por reunir hotéis únicos, fora do comum (“exactly like nothing else”, como diz seu slogan), cheios de design, com foco em experiências singulares e extremamente conectados com o destino em que se instalaram. E o Cotton House Hotel é uma perfeita tradução dos valores da marca. 

Ocupando a antiga sede da Fundación Textil Algodonera, em um emblemático edifício do século XIX totalmente repaginado pelas mãos do designer Lázaro Rosa-Violán (um dos mais badalados da Espanha na atualidade), o hotel mistura muito bem a sofisticação contemporânea com história e funcionalidade – e valoriza muito a cidade onde está.

A escada espiral suspensa de 1957 foi preservada. Foto: Mari Campos

Vários elementos originais do edifício foram conservados, como o incrível teto da Library (a belíssima biblioteca que é puro sossego e, sem dúvidas, o cômodo mais bonito e fotografado de todo o hotel), a imponente escada de mármore de um lado, a impressionante escada espiral de 1957 do outro (suspensa pelo último andar ao invés de presa ao térreo), o delicado parquet do piso… Ao mesmo tempo, todas as facilidades contemporâneas estão lá (incluindo muitas tomadas e entradas USB nos quartos), wifi de excelente qualidade e móveis de design arrojado que dão a tônica aqui e ali nas áreas comuns. 

O passado têxtil do edifício também é honrado em uma das experiências exclusivas que o hotel oferece aos seus hóspedes: a possibilidade de confeccionar uma camisa sob medida com os alfaiates da Santa Eulalia, os mais premiados de Barcelona.

O Cotton Room tem décor muito leve e adorável terraço para o Eixample. Foto: Mari Campos

Os 83 quartos são puro sossego: todos muito luminosos, cores clarinhas, quietos, e sempre com um toque de algodão na decoração (da plantinha em si aos delicados papéis de parede de inspiração botânica) para lembrar o passado do edifício. A gente sequer tem noção de que o hotel tem esta quantidade de quartos, dado o sossego constante em todas as áreas.

Meu quarto era do tipo Cotton room (há diferentes tipos de quarto, incluindo sete suítes), que tem sempre um adorável terraço privativo olhando para o pátio do hotel e os predinhos típicos do Eixample (perfeito para tomar o primeiro cafezinho da manhã). Cama King size, poltrona, boa mesa de trabalho, Nespresso, banheiro grande com banheira e ducha, luxuosas amenidades de banho 100% naturais e mediterrâneas da marca Ortigia da Sicília e uma completíssima “amenities box” que incluía até escova de cabelos.  O meu quarto era no segundo andar e tinha mesmo vista apenas para o pátio e predinhos do entorno, mas me disseram que os quartos dos andares mais altos chegam a ver o mar. 

Detalhe do Batuar Bar e Restaurante. Foto: Mari Campos

Um importante diferencial do Cotton House em relação a outros hotéis de luxo da cidade é que seu público é essencialmente leisure. Você não vê nunca viajantes a trabalho e sim somente casais, famílias, grupos de amigos e solo travelers, todos a lazer, o que garante um ambiente o tempo todo extremamente casual e relaxado à propriedade. O staff também é sempre muito informal (apesar de chamar os hóspedes pelos nomes e ser sempre solícito), a “welcome message” no quarto é escrita com battom no espelho e a própria área dos concierges é adoravelmente chamada de Gossypium. 

Das áreas comuns, além da biblioteca e da incrível lap pool no rooftop (com vista espetacular para a cidade e a Sagrada família!), destaque para o Batuar Bar & Restaurant. É ali, tanto no belo ambiente interno quanto no charmoso pátio, que o café da manhã em estilo buffet (mas com pratos quentes à la carte) é servido todos os dias até 11h da manhã, e também funciona para almoço e jantar com cozinha Catalã contemporânea (destaque absoluto para as tapas da casa, excelentes!). Ressalva apenas para o serviço de bebidas e pratos quentes no café da manhã, que é bastante lento. Falo mais sobre o restaurante e o bar do hotel neste meu texto para o Estadão. 

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Hotéis que o vento não levou – Georgia, EUA

“O que você vai fazer na Geórgia?”, foi a pergunta que ouvi quando disse que iria passar férias no estado que faz fronteira com a Flórida e, embora tenha o aeroporto mais movimentado do mundo, ainda é tão pouco visitado por brasileiros com fins turísticos. Bem, reconheço que o motivo inicial da viagem era trabalho, mas, ao conseguir esticar por pouco mais de uma semana, nem cogitei ir a outros destinos mais badalados dos Estados Unidos. Preferi passar aqueles dias em meio à atmosfera low-profile de Atlanta e arredores, em busca de vestígios da civilização de Scarlett O’Hara, uma das personagens que mais me fascinam no cinema e na literatura.

Fachada do Georgian Terrace, de 1911, em Midtown | Foto: Fernando Torres

No quesito hotelaria, o assunto tema deste blog, o tour cinematográfico começou com um drinque de bourbon e chá, seguido de jantar, no bar Livingston, no lobby do centenário The Georgian Terrace. O hotel, extremamente bem localizado no trecho de Midtown da Peachtree Street (via arterial que corta praticamente toda Atlanta) hospedou Vivien Leigh (Scarlett), Clark Gable (Rhett Butler) e boa parte do elenco de E o Vento Levou na première do filme em Atlanta, em 1939. Para os fãs, é um deleite!

The Twelve Oaks, a fazenda do songamonga Ashley Wilkes (Leslie Howard), está a cerca de 40 minutos de distância de carro, na cidade de Covington. Não a que aparece no filme, já que este foi filmado na Califórnia, mas uma fazenda de algodão real oficial, de 1836, cujo casarão antebellum serviu de inspiração para Margaret Mitchell, autora do livo E o Vento Levou (off-topic: sua casa, a poucos passos do Georgian Terrace, foi transformada em museu e é atração fundamental para fãs e não fãs da obra).

The Twelve Oaks, o casarão em Covington que inspirou a fazenda homônima de “E o Vento Levou” | Foto: divulgação

Reformada em 2012, The Twelve Oaks funciona hoje como um bed and breakfast, bem ao estilo caloroso e hospitaleiro do Velho Sul. Decoradas com móveis ao estilo do século 19, as suítes contam com confortos bem modernos, tais como lareira com controle remoto e convidativas banheiras vitorianas. Fiquei hospedado na suíte The Frankly Scarlett, em homenagem ao segundo marido da protagonista, mas o encanto maior é com a Magnolia’s Spa Grand Suite, com cama de dossel com cortinas francesas e banheira de cromoterapia.

Magnolia’s Spa Grand Suite: para se sentir como Scarlett – sem espartilho, pfv | Foto: divulgação

De lá, rumei para Savannah, a cidade histórica mais bem preservada dos Estados Unidos. As ruas e casas em estilo cinematográfico foram um presente de Natal do general Sherman ao então presidente Abraham Lincoln, cessando ali a trajetória incendiária e vitoriosa da União (os estados do Norte) sobre a Confederação (estados do Sul) na guerra civil norte-americana, em 1864. Para manter a linha da viagem, me hospedei no bed and breakfast Eliza Thompson House, em um casarão bem no centro, construído em 1847. O hotel se intitula como butique, mas, embora bem confortável, não tem luxos. Os quartos são decorados ao estilo do século 19. O meu tinha vista para o jardim, onde é servido o desjejum. A sala principal é pequena, porém, bem acolhedora, e recepciona os hóspedes ao fim da tarde com vinho e canapés. Outro mimo é o café ou chá servido à noite.

Sala de estar do Eliza Thompson House: vinhos e canapés servidos à noite | Foto: Fernando Torres

O escritor John Kelso, personagem de John Cusack em Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal, descreveu Savannah como “uma mistura fantasmagórica de E o Vento Levou com drogas”. A parte das drogas, não sabemos. Porém, de fato, a cidade conserva toda a atmosfera aristocrática da película, além da fama de mal-assombrada. Outras opções para se hospedar e se sentir dentro do filme é a imponente Kehoe House, de 1892, um casarão de tijolos à vista, piso de madeira e lustres de época; e o The Gastonian, exemplar dos anos 1860.

Kehoe House, em Savannah: cidade faz jus à fama de mal-assombrada | Foto: Fernando Torres

Os melhores hotéis do mundo

Nesta semana, saiu a esperadíssima lista da Travel+Leisure com os prêmios de “melhores hotéis do mundo”. Assim como a listagem da concorrente Condé Nast Traveler, esta lista tem hoje em dia absurda influência na indústria turística internacional, seja entre viajantes, entre agentes de viagem ou no próprio mercado hoteleiro mesmo.

Afinal, todo hoteleiro quer ver sua propriedade entre os chamados “melhores hotéis do mundo”, certo? E todo viajante, independente do budget e das probabilidades (a gente bem sabe o quanto o aspiracional é importante nos desejos de viagem), sonha em também se hospedar nos “melhores hotéis do mundo”.

A lista deste ano contempla não apenas os melhores hotéis, mas também faz um ranking das melhores ilhas, cidades, armadores de cruzeiros, aeroportos etc – selecionados, em princípio (há várias discussões sobre a fórmula utilizada atualmente por estas publicações para estes rankings), através do voto dos leitores. Alguns dos quesitos estão também separados geograficamente para quem estiver interessado em apenas uma região específica do planeta. 

Mas a cereja do bolo continua sendo a hotelaria, é claro. De acordo com a lista, as 20 melhores marcas hoteleiras do mundo hoje são Shangri-la, Four Seasons, St Regis, Thompson, Banyan tree, Taj, Montage (uma rede de hotéis boutique com apenas seis propriedades no mundo), Anantara, COMO, Aman, Auberge, Alila, The Peninsula, The Leela Palaces, Rosewood, One&Only, Oberoi, Oetker Collection, Red Carnation (uma empresa ainda familiar) e Six Senses.

A Six Senses Hotels and Resorts foi a grande vencedora, apontada como a melhor marca hoteleira do mundo todo – feito bastante celebrado nos últimos dias por se tratar de uma empresa cujos hotéis primam não apenas pela excelência em serviço mas também pelas localizações extraordinárias e pelo foco indiscutível em sustentabilidade, um fator ainda infelizmente tão pouco levado à sério pela hotelaria internacional. Em rápida expansão, a Six Senses inaugurou diversos hotéis nos últimos meses e tem novos hotéis para abrir as portas em breve em destinos como Butão, Bali e Israel.  Seu hotel em Portugal, Six Senses at Douro Valley, figura também na lista dos melhores do mundo. 

Foto: Divulgação

O ranking dos 100 melhores hotéis é absolutamente inspirador, com propriedades nos cinco continentes que vão de hotéis boutique a resorts à beira-mar, de pequenos lodges a palácios. Em viagens pessoais de férias e também em viagens a trabalho tive o prazer de me hospedar em vários dos hotéis premiados, em diferentes continentes. Na lista deste ano, a América Latina ganhou destaque com propriedades premiadas do México à Patagônia chilena e a Europa ficou com 18 hotéis premiados. Mas a Ásia é a grande menina dos olhos da premiação deste 2018: nada menos que 27 hotéis premiados no continente asiático, incluindo o hotel que lidera a lista como o melhor do mundo, o espetacular Four Seasons Bali at Sayan.

A rede Four Seasons tem dois resorts na paradisíaca Bali. Mas é justamente o Four Seasons Bali at Sayan que figura também na minha lista pessoal de melhores hotéis do (meu) mundo – voltar a me hospedar ali é um sonho constante. Localizado na idílica Sayan, a dez minutinhos da adorável Ubud e em meio a terraços de plantações de arroz, o hotel está completando 20 anos de existência com um serviço cada vez mais exclusivo e premiado em seus apenas 60 quartos distribuídos em uma gigantesca propriedade. 

Foto: Divulgação

O nosso impacto ali já começa logo na chegada: localizado no Ayung River, o resort fica isolado e, exclusivíssimo, é acessível através de uma ponte suspensa entre coqueiros e arrozais. Cada uma das vilas tem não apenas sua própria piscina privativa como também um lily pond exclusivo (os típicos reservatórios d’agua cheios de lírios de Bali) e espaço para meditação no andar superior. Tem um dos melhores e mais atenciosos serviços da hotelaria que eu já vi, excelente restaurante e diversas atividades possíveis, de um belíssimo spa a aulas de culinária balinesa ou tour pelos arrozais e comunidades dos arredores. 

Dá pra ler mais detalhes da minha estadia no Four Seasons Bali at Sayan aqui e  a lista completa dos melhores hotéis do mundo segundo a Travel+Leisure você pode conferir aqui. 

 

 

 

 

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