New Orleans: hotéis na capital do jazz

Ancorada entre as curvas do Rio Mississippi, New Orleans leva a fama (justíssima!) de epicentro turístico do Velho Sul dos Estados Unidos. Tudo graças à fusão cultural de franceses, espanhóis e africanos, que lhe rendeu arquitetura e gastronomia peculiares e um espírito de diversão à parte na terra do Tio Sam. Em plena efeméride dos 300 anos, a cidade mais populosa do estado da Louisiana também tem sua lista, embora compacta, de hotéis de luxo.

Nola, como é chamada, está na expectativa de o grupo canadense Four Seasons inaugurar um novo empreendimento no ITM Building, onde um bar giratório na cobertura fez história até o furacão Karina, em 2005. Na fotogênica Canal Street, via arterial da Big Easy, a transformação do edifício em hotel tem investimento projetado em US$ 450 milhões, com a proposta de receber 395 suítes e 80 residências. A inauguração, porém, só está prevista para 2020.

Ritz Suite, do Ritz-Carlton: toda a imensidão do Mississippi | Foto: divulgação RC

Até lá, dá para garimpar outras opções. A exemplo do Ritz-Carlton, em um prédio da década de 1910 da Canal Street. A proposta da propriedade é recriar os ambientes dos palacetes e antigas fazendas sulistas, com decoração vitoriana e antebellum e obras de arte nos corredores. Destaque para a vista panorâmica do Mississippi a partir da Suíte Ritz, de 260 m², vista na foto acima.

A torre do Sheraton contribui para o potencial fotogênico da Canal Street | Foto: divulgação Sheraton

Também na Canal Street, a torre do hotel Sheraton, onde eu me hospedei, se destaca no horizonte. Em 2013, o complexo de 1.100 aposentos, incluindo 53 suítes, passou por uma renovação de US$ 55 milhões, que também incluiu o grandioso lobby, decorado com espelhos e obras de arte americanas, em referências ao pátios do French Quarter, o bairro francês e o mais antigo da cidade. O que mais me chamou a atenção foi a pop art Blue Dog no piano de cauda, do texano George Rodrigue.

Club Lounge views: insira aqui o seu bom drinque | Foto: divulgação Sheraton

Com 116 m², a suíte presidencial Jackson, no 49º andar, tem decoração requintada, banheira de mármore e paredes de vidro com vista panorâmica. Como não sou o Trump (tks, God!), apreciei a paisagem no Club Lounge, com aperitivos e drinques all day long, disponível para hóspedes da categoria Sheraton Club. Pecadinho: o restaurante Roux Bistro, especializado em comida crioula, serve café da manhã e almoço, mas nada de jantar, o que decepciona em um hotel deste porte.

Café Adelaide, no Loews: sopro de renovação da comida crioula | Foto: divulgação Loews

A poucos passos dali, em Downtown, o Loews se posiciona melhor na cena gastrô de Nola, com seu Café Adelaide, aberto ao público. Da mesma família dos tradicionalíssimos Commander’s Palace e Brennan’s, a casa passou a ser comandada recentemente pela chef Meg Bickford, trazendo frescor à cozinha crioula. É o caso, por exemplo, da releitura de gumbo, o famoso guisado de Nola, com camarão-branco selvagem; e do ravióli de caranguejo-azul. Divertido, o ambiente remete à cultura dos coquetéis, com direito a telas pop art. Não visitei os quartos, mas “gradei” bem do lobby e do restaurante.

Também em Downtown, dois outros logradouros se destacam. O Windsor Court já entrou para a lista dos 100 melhores hotéis dos Estados Unidos, da “Condé Nast Traveler”. Tem décor britânico, suítes espaçosas e serviço de mordomo particular, além de uma pequena galeria com obras de arte dos séculos 17, 18 e 19.

Décor elegante no lobby do Windsor Court | Foto: divulgação WC

No mesmo quarteirão, o Le Méridien envereda pelo design moderno e estética atemporal, reinaugurado em 2014 após investimento de US$ 29 milhões. A área pública é o que mais impressiona, pela decoração inventiva, com cores alegres e mobiliário contemporâneo. Contudo, a Luxury Suite, a categoria mais alta, deixa a desejar: tem 53 m², decoração basicona e insossa e não possui banheira.

Lobby descolado do Le Méridien: descompasso com o “assim-assim” dos quartos | Foto: divulgação Le Méridien

Quem preferir se hospedar no French Quarter, o canto mais charmoso de Nola, tem como escolha mais acertada o Royal Sonesta. Em funcionamento desde a década de 1960, o hotel está alojado em um casarão de 1721, com varandas de ferro fundido, característicos da arquitetura francesa, que dão vista para o burburinho da Bourbon Street, principal palco da vida noturna de Nola. As suítes de categoria mais alta não decepcionam: têm piso em mármore, lustres de cristal, tapetes persas e cortinas de seda. Mas lembre-se: a Bourbon Street é a rua do pecado em New Orleans, o que pode ser uma solução ou um problema, a seu critério.

Para ver o pecado de camarote: varanda de uma das suítes do Royal Sonesta | Foto: divulgação Sonesta

Em comemoração aos três séculos de Nola e já que as inspectors Carla Lencastre e Mari Campos também passaram temporadas por lá, vamos dar em breve mais alguns pitacos sobre a hotelaria na cidade. Acompanhe a gente!

Para ficar por dentro destas e de outras histórias de hotelaria, acompanhe a gente no Instagram @HotelInspectors; no Facebook @HotelInspectorsBlog; e no Twitter @inspectorshotel. Obrigada pela companhia!

Copa do Mundo: quatro hotéis de luxo em São Petersburgo

“Era uma noite prodigiosa, uma dessas noites que talvez só vejamos quando somos novos, querido leitor. Estava um céu tão fundo e tão claro que ao olhá-lo uma pessoa era forçosamente levada a perguntar se seria possível que debaixo de um céu daquele pudessem viver criaturas más e tenebrosas. Questão esta que, para dizer a verdade, só é costume levantar quando somos novos, mesmo muito novos, querido leitor.” Assim começa “Noites brancas” (em tradução de Nivaldo dos Santos para a Editora 34), romance de Fiódor Dostoiévski passado em São Petersburgo. A pergunta pueril talvez só se faça mesmo muito novo. Mas não há idade para se encantar com o céu das noites de verão (como o da foto acima) em uma das mais impressionantes cidades da Rússia.

Durante a Copa do Mundo, com um novo estádio para quase 70 mil pessoas, São Petersburgo sedia sete jogos, entre eles Brasil x Costa Rica no dia 22 e uma semifinal. A seleção brasileira se hospeda no Corinthia St. Petersburg, um dos principais hotéis da cidade.

A fachada principal do Corinthia, hotel que hospeda a seleção brasileira em São Petersburgo / Foto de divulgação

O Corinthia fica na Nevsky, a mais importante e movimentada avenida de São Petersburgo. Integrante do grupo hoteleiro de mesmo nome, baseado em Malta, é um hotel grande, com 388 quartos, que nos últimos meses deu uma repaginada nas acomodações. Foi uma das minhas opções de hospedagem quando estive na cidade, mas não foi a preferida. Lá no final eu explico o porquê. Por hora, voltemos às noites brancas.

O bar Hi So, ainda na fase W, e a Catedral sob o céu das 22h de uma noite de verão / Foto de Carla Lencastre

Um dos hotéis com melhor vista para noites que não anoitecem é o So Sofitel. Até o início do ano, era um W Hotel, parte do portfólio da Marriott Internacional. Em meados de fevereiro passou a ser administrado pela AccorHotels sob a a nova bandeira de lifestyle So Sofitel. O bar no terraço é dos melhores para aproveitar uma noite branca. Renovado e rebatizado de Hi So Terrace, reabriu no fim de maio (fecha quando terminar o verão) e fica ao lado da imensa cúpula dourada da imponente Catedral de Santo Isaac, erguida na primeira metade do século 19. Reserve uma mesa ao ar livre e aproveite a claridade. Só escurece lá pela meia-noite. Ou um pouco antes no início e no fim da estação. Ou um pouco depois no auge do verão.

Leões de mármore estão há quase dois séculos na entrada do Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

Este foi meu primeiro programa quando desembarquei na cidade em uma noite branca. Quando afinal escureceu, foi só atravessar a rua para chegar aos dois leões em mármore de quase 200 anos que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial, sempre no mesmo lugar. Hoje a dupla restaurada marca a entrada do Four Seasons Lion Palace, onde estava hospedada. Com 157 quartos, o hotel fica em um palácio do início do século 19 recuperado em toda a sua grandeza. Foi originalmente uma residência imperial e, depois, o Ministério da Guerra. Há cinco anos faz parte dos hotéis históricos da rede Four Seasons, como os de Florença, Milão, Budapeste e Istambul.

Quarto com vista para a Catedral no Four Seasons Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

O quarto confortável tinha vista para a Catedral de Santo Isaac. O serviço foi impecável. As áreas comuns chamam a atenção pelo esplendor da Rússia imperial. Em um terraço estão grandes estátuas de figuras femininas também restauradas. Há um spa, dois restaurantes e um bar. É um hotel que vale a visita para quem não está hospedado. Fica perto do fabuloso Museu Hermitage.

Uma das estátuas representando figura feminina no restaurado Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

Depois de duas noites brancas bem dormidas no Lion Palace, me mudei para o Corinthia, no final da Nevsky. A ideia era ter uma perspectiva diferente de São Petersburgo e conhecer um de seus hotéis de luxo mais famosos. Ao chegar, recebi um quarto no qual o ar-condicionado não funcionava. O serviço foi eficiente. Fui acomodada no bar do lobby, com champanhe, enquanto outro quarto era preparado. O que me coube era maior, refrigerado e com vista para uma obra que me fez madrugar nas duas manhãs seguintes.

Uma suíte parecida com a que fiquei, agora em cores novas / Foto de divulgação

A sobriedade da decoração também não me conquistou. O lobby, por exemplo, não lembrava em nada a elegância do moderno Corinthia London. O hotel passou por uma renovação para a Copa e para marcar seus 15 anos. Pelas fotos novas, os quartos parecem seguir uma paleta mais leve.

O bar em estilo art nouveau do Grand Hotel Europe / Foto de divulgação

Já localização do Corinthia na Nevsky cumpriu a sua função. Dali foi fácil visitar a pé os pontos turísticos que não tinha visto no início da viagem, como a bela Catedral do Sangue Derramado. Aproveitei também para tomar um drinque no bonito bar art nouveau no lobby do Belmond Grand Hotel Europe, uma joia histórica da cidade em excelente estado de conservação. Durante a Copa do Mundo, é o hotel que está hospedando a seleção da Arábia Saudita. Falamos mais dele no post que fizemos sobre os endereços de algumas equipes na Rússia. É só clicar neste link aqui.

O Four Seasons Lion Palace e o So Sofitel ficam a uns dez minutos de caminhada do início da Nevsky, na ponta oposta ao Corinthia. Na mesma região está também o Lotte, onde a inspector Mari Campos se hospedou recentemente. Teremos post em breve. Fique de olho.

Ao longo da Copa do Mundo, estamos mostrando detalhes dos hotéis que abrigam as seleções no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e, olha a novidade, no Twitter @InspectorsHotel. Vai ser uma beleza ter companhia nas redes sociais.

 

Copa do Mundo: a seleção no hotel mais luxuoso vai embora cedo

A Arábia Saudita estreou na Copa do Mundo 2018 levando uma goleada de 5×0 do time da casa no estádio Luzhniki, em Moscou. Hospedados em São Petersburgo, os sauditas esfriaram a cabeça em um dos melhores hotéis da cidade. Que é também a base mais luxuosa e bem localizada, do ponto de vista turístico, entre as escolhidas pelas 32 seleções da fase de grupos.

Um dos quartos do Belmond Grand Hotel Europe, base da seleção saudita / Foto de divulgação

O Belmond Grand Hotel Europe fica na esquina da Nevsky Prospekt, a principal avenida de São Petersburgo. Está perto de diversas atrações turísticas. Vários dos 266 quartos deste hotel histórico oferecem vista para a Catedral do Sangue Derramado, um dos muitos cartões-postais de uma das mais bonitas e importantes cidades russas.

Leia mais aqui sobre outros três hotéis de luxo em São Petersburgo.

O histórico Grand Hotel Europe em seus primeiros anos, na principal avenida de São Petersburgo / Foto de divulgação

Há 140 anos na avenida aberta por Pedro, o Grande, o glamouroso Grande Hotel Europe conquista já pelo lado de fora, por conta da sua arquitetura art nouveau. Dentro, nas áreas comuns, mármores e vitrais causam as melhores segundas impressões.

O Mezzanine Café pronto para transmitir todos os jogos da Copa do Mundo / Foto de divulgação

Um de seus restaurantes, L’Europe, é dos mais antigos da cidade e considerado um dos melhores do país. E o Grande Hotel Europe entrou no clima de #VaiTerCopa. Seu Mezzanine Café virou campo de futebol e terá transmissão ao vivo de todos os jogos. Nenhuma equipe escolheu endereço tão fascinante na Rússia quanto a da Arábia Saudita.

Uma das piscinas do resort Kamelia, que hospeda a seleção brasileira em Sochi / Foto de divulgação

O Brasil optou por um resort de praia no balneário de Sochi, no Sudoeste do país. A seleção está no Swissôtel Kamelia. O hotel de 203 quartos no Mar Negro combina design suíço com praia particular (com pedras em vez de areia), piscinas, spa, bares e restaurantes.

O Mar Negro visto do hotel que abriga a equipe polonesa / Foto de divulgação

A Polônia é vizinha do time brasileiro e hospeda-se no novo Hyatt Regency Sochi, também em frente ao mar. Mas sem praia privativa como o Kamelia.

O hotel na Baía de Gelendzhik, onde está a seleção sueca / Foto de divulgação

A Suécia é outro time às margens do Mar Negro, mais ao Norte, no Kempinski Grand Hotel Gelendzhik. O resort de luxo tem 379 quartos na entrada da Baía de Gelendzhik.

A seleção do Peru está ao lado do aeroporto internacional de Moscou / Foto de divulgação

Os arredores de Moscou foram a região escolhida pelos alemães para defender seu título mundial. Os atuais campeões estão no bucólico Vatutinki Hotel, às margens do Rio Desna. Na mesma região, a Tunísia fica no Imperial Park Hotel and Spa. A França se hospedada no novo Hilton Garden Inn New Riga, também nos arredores da capital russa. Les Bleus estão cercados de verde fora do Centro da cidade. A seleção do Peru é outra distante do Centro de Moscou. Os peruanos optaram pela vizinhança do aeroporto internacional, no caso o novo Sheraton Sheremetyevo.

Outras quatro equipes, Inglaterra, Coreia do Sul, Costa Rica e Croácia, ficam em São Petersburgo e arredores, porém em endereços menos interessantes para o visitante a lazer do que o Grand Hotel Europe que abriga os sauditas. A Costa Rica, por exemplo, adversária do Brasil no dia 22, está no Hilton ExpoForum, inaugurado ano passado ao lado do Centro de Convenções, fora do Centro. A Croácia escolheu um resort de praia (na realidade, de lago) cerca de uma hora de São Petersburgo, o Woodland Rhapsody. Há quem prefira as montanhas. O Senegal foi para um dos resorts de ski mais premiados do país, o SK Royal Hotel Kaluga. A Colômbia está no Ski Resort Kazan.

Moscow Country Club, base da Bélgica nos arredores da capital russa / Foto de divulgação

Não há consenso sobre qual é a melhor base para o sucesso na Copa. Clubes, hotéis históricos em grandes cidades, resorts de montanha cercados por florestas onde a paisagem é a única distração, resorts de praias… Um terço das equipes optou por ficar em centros de treinamento ou em clubes, onde há mais privacidade. E menos pretexto para comentarmos aqui.

A bandeira da Bélgica na entrada do clube de golfe de Moscou / Foto de divulgação

É o caso da dona da casa, a Rússia, de Portugal, do Irã, do México e da Bélgica, por exemplo. Estas cinco seleções estão baseadas nos arredores de Moscou em centros de treinamento ou clubes, como o elegante Moscow Country Club, que tem um hotel. O country club, que hospeda a Bélgica, é de golfe. É o primeiro campo de 18 buracos do país, aberto no início da década de 1990. Este ano foi também o escolhido pela organização do concurso Miss Rússia.

Durante a Copa do Mundo, vamos mostrar outros detalhes dos hotéis que abrigam as seleções no Instagram @HotelInspectors e no facebook @HotelInspectorsBlog. Vai ser show de bola ter a companhia de vocês também nas redes sociais!

Grandes marcas de luxo mudam o cenário da hotelaria australiana

A Austrália reuniu neste mês de abril em Adelaide, South Australia, cerca de 2,5 mil profissionais de indústria de viagens de todo o mundo para a Australian Tourism Exchange 2018. Durante o evento, o país  anunciou novo recorde de visitantes internacionais: 8,8 milhões de pessoas em 2017, um crescimento de 7% em relação a 2016. Para 2020, a expectativa é chegar aos dez milhões.

Com o número de chegadas em alta, foram muitos os novos produtos apresentados na feira, entre dezenas de outros já consolidados. Na área de hotelaria, chamam a atenção as inaugurações recentes ou previstas para breve de propriedades com bandeiras de luxo de grandes redes, principalmente a Marriott International. Para o futuro, daqui a uns cinco anos, há previsões de aberturas de hotéis de grupos asiáticos como Mandarin Oriental e Shangri-La.

Elizabeth Quay, em Perth: endereço da volta do Ritz-Carlton à Austrália / Foto: divulgação/Garry Norris

O Ritz-Carlton é aguardado em meados de 2019 em Perth, Western Australia. Mais adiante, a marca planeja chegar a Melbourne e Sydney. Com 200 quartos, o hotel de Perth será o primeiro RC no país em dez anos. Desde março deste ano esta cidade na Costa Oeste australiana recebe uma nova rota aérea direta de Londres com 17 horas de duração em um Boeing 787-9, o moderno Dreamliner, com capacidade para 236 passageiros. O voo da Qantas, um dos de mais longa duração do mundo, é a primeira ligação direta entre a Europa e Austrália.

O novo InterContinental em Perth, inaugurado no final de 2017 / Foto: divulgação

Perth, que vai sediar a ATE 2019, tem passado por importantes renovações urbanas e da rede hoteleira. No final de 2017 foi inaugurado o InterContinental City Centre, com 240 quartos e 300 obras de arte distribuídas pelas áreas comuns e as acomodações. Semana passada abriu o Westin, outra marca da Marriott, com 386 quartos. Ainda para este ano é esperado um QT, hotel de design australiano que faz sucesso em cidades como Sydney e Melbourne.

O retorno do W Hotels à Austrália será em junho deste ano, com uma propriedade de 312 quartos em Brisbane, Queensland. O projeto da Marriott de maior impacto está reservado para Sydney. Com algo entre 400 e 500 quartos e inauguração prevista para 2019 com viés de 2020, o W Darling Harbour tem uma arquitetura ousada. O prédio fará parte de um complexo residencial e de entretenimento, incluindo um Imax, que será erguido acima dos viadutos da área de Darling Harbour. O investimento quase bilionário é de um grupo chinês (o maior mercado emissor para a Austrália). É daqueles projetos que temos que esperar para ver o que realmente vai acontecer.

O novo Sofitel em Sydney, à direita, muda o cenário de Darling Harbour / Foto de Carla Lencastre

Mas desde já o panorama de Darling Harbour mudou com a inauguração do Sofitel, no fim do ano passado. É a segunda propriedade em Sydney com esta bandeira de luxo da rede francesa AccorHotels, que opera mais de 200 hotéis em toda a Austrália. Um dos maiores hotéis do país, tem 590 quartos distribuídos em 35 andares. O prédio envidraçado realmente se destaca no superturístico Darling Harbour e hoje está no trending topic da hotelaria local.

Fora das grandes cidades do continente, a Marriott vai abrir até o fim do ano em Hobart, na remota Tasmânia. O hotel, ainda sem nome, será o primeiro da Luxury Collection na Austrália. Com 128 quartos, ficará em um prédio histórico que está sendo renovado e restaurado.

Nem só por grandes marcas internacionais é formado o novo panorama australiano da hotelaria de luxo. No nosso post anterior, Mari Campos contou a fascinante história de um bilionário sírio que está formando uma luxuosa rede hoteleira em Cairns, a Crystalbrook. Você lê clicando aqui.

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O complicado conceito de glamping, com um exemplo australiano

Sonhos de um bangalô em Bora Bora (e os desafios para mantê-los)

É difícil ficar indiferente à água azul turquesa da laguna de Bora Bora, a ilha mais famosa da Polinésia Francesa. Da janela do avião se vê as pequenas ilhotas, chamadas de motus, que cercam a ilha principal com suas linhas de bangalôs sobre a água. Parecem tentáculos de um polvo entre os corais da laguna. Dormir ao menos uma noite, se possível duas, em um desses bangalôs é desejo comum a turistas de diversas partes do mundo. Quem chega à distante Bora Bora para realizar o sonho invariavelmente espera encontrar uma hospedagem de alta qualidade. E é neste ponto que os hotéis em Bora Bora enfrentam hoje seu maior desafio.

O Monte Otemanu, símbolo de Bora Bora, 727 metros acima do mar. Foto de Carla Lencastre

Entre o final da última década do século passada e a primeira deste século, o turismo no Taiti e em outras ilhas do Arquipélago da Sociedade estava em alta. O impacto do 11 de Setembro foi sentido (americanos representam um terço dos visitantes) e os números despencaram. Voltaram a se recuperar nos anos seguintes, lentamente, e tiveram outra grande queda, ainda maior, no início desta década. O mundo e os turistas mudaram, surgiram novos destinos, o padrão de qualidade exigido hoje é outro. A Polinésia Francesa ficou mais ou menos no mesmo lugar. Sua beleza exuberante continua a mesma que fascinou o pintor Paul Gauguin no século 19. Os hotéis seguem os mesmos de anos atrás. O Tahiti Tourisme, agência nacional de promoção do destino, começou a trabalhar no reposicionamento da marca. O número de visitantes chegou a 184 mil em 2017, um aumento de 3,5% em relação ao ano anterior. Na virada do século, foram quase 260 mil. As redes hoteleiras voltaram a investir. Ainda há muito a ser feito, inclusive no que diz respeito ao serviço.

A cor desta água… Foto de Carla Lencastre

Em uma viagem de duas semanas por quatro ilhas, deu para perceber o quanto a infraestrutura hoteleira está envelhecida, tanto no conceito quanto pelos efeitos físicos do tempo, como a maresia. No item serviço, muitos funcionários parecem desanimados. Em Bora Bora, parada obrigatória de qualquer turista que chega tão longe, conheci mês passado quatro hotéis, de quatro e cinco estrelas. Todos estão em motus em torno da ilha principal e com vista para o Monte Otemanu. É o ponto mais alto da ilha, 727 metros acima do nível do mar.

Bangalôs overwater em Bora Bora. Foto de Carla Lencastre

Por fora, todos os bangalôs overwater são parecidos. A sensação de sair do quarto, descer a escada do deque privativo e entrar na água também é a mesma (ainda que debaixo d’água, de snorkel, seja diferente). É mais fácil identificar um resort pela vista do que pelo bangalô. Mas por dentro o estilo e o estado de conservação são diversos. Dos quatro hotéis visitados em Bora Bora, dois precisam de reformas urgentes para continuar no páreo. Outros dois têm feito o dever de casa.

Vista de um dos bangalôs do novo Conrad Bora Bora Nui. Foto de Carla Lencastre

O Conrad Bora Bora Nui, inaugurado ano passado, ainda tem cheiro de novo. No local funcionava um Hilton, que passou por uma reforma milionária para o upgrade de bandeira. Há bangalôs sobre a água, na praia de areias brancas e nos belos jardins. Com piscina privativa ou não. Alguns estão em uma colina com vista panorâmica.

Um dos quartos do Conrad na Polinésia Francesa. Foto de Carla Lencastre

A decoração é impecável. Tão neutra, elegante e cosmopolita que se as cortinas do quarto estiverem fechadas você pode se esquecer de onde está. É difícil encontrar um porém em um hotel deste nível, ainda mais recém-inaugurado. Se há algum é este: o quarto poderia estar em qualquer hotel de luxo mundo afora. O belo spa no topo de uma colina tem mais cor local, talvez porque todas as salas de tratamento tenham amplas janelas sempre abertas para a Polinésia.

Bangalô com piscina e vista para o Otemanu no bem cuidado St. Regis Bora Bora. Foto de Carla Lencastre

Outro bom exemplo hoteleiro de Bora Bora também pertence a um grande grupo americano: é o St. Regis Bora Bora, administrado pela Marriott International. Inaugurado há mais de dez anos, chama a atenção seu ótimo estado de conservação, graças a obras de renovação anuais, cada vez em uma área diferente do resort. Espalhado por três motus, o St Regis permite que o local se misture aos bangalôs. O ambiente é de uma casa de praia chique e descontraída. O resort é endereço de um spa com grife Clarins e de um restaurante assinado pelo estrelado chef Jean-Georges Vongerichten, o mesmo do paulistano Palácio Tangará.

O lago de ninfeias do Pearl Beach. Foto de Carla Lencastre

As marcas do tempo se fazem notar em outros dois resorts, o Bora Bora Pearl Beach e o Sofitel Bora Bora Private Island. Ambos estão em cenários deslumbrantes, mas muito desgastados. E planejam reformas. O Pearl Beach, com um romântico spa em meio a um lago de ninfeias, pretende fechar em 2019 e recomeçar.

Um dos bangalôs no jardim do Pearl Beach. Foto de Carla Lencastre

As obras vão incluir o redesenho de todas as áreas comuns e dos bangalôs, atualmente bem ultrapassados, ainda que com simpáticos toques polinésios. A ideia é transformá-lo em um cinco estrelas (hoje tem quatro).

Luz para atrair peixes à noite no Sofitel Private Island. Foto de Carla Lencastre

No Sofitel Private Island, o maior problema é dentro dos bangalôs, com madeiras descascadas, metais corroídos, portas que não fecham. As obras estão previstas para 2019. Agora em maio, a rede francesa AccorHotels vai começar a renovação da propriedade irmã, o Marara. É um resort de quatro estrelas na ilha principal em frente ao motu do Private Island.

E um novo dia amanhece em Bora Bora. Foto de Carla Lencastre

Outros famosos resorts em Bora Bora são Four Seasons, Le Méridien e InterContinental, este com duas propriedades na ilha. Se você visitou algum deles recentemente, compartilhe a opinião com a gente. A caixa de comentários é sua.

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