Volta ao passado em hotéis fazenda no Brasil

Ao longo dos séculos 18 e 19, tropeiros e mineradores cruzavam às matas brasileiras de ponta a ponta, deixando atrás deles rastros de civilização – e uma grande vocação turística. É que a casa-grande das antigas fazendas se transformou em hotel, com piso, paredes e móveis da mesma época em que foram erguidas. Tudo regado à histórica hospitalidade do interior: café passado na hora, licor de jabuticaba e comidas típicas.

Fazenda Fonte Limpa, em Santana dos Montes (MG), de 1742: tombamento histórico | Foto: Fernando Torres

Minas Gerais é uma das campeãs em fazendas históricas. Só o pacato vilarejo Santana dos Montes tem 14 delas, sendo que algumas já descobriram o filão turístico. A Fazenda Fonte Limpa saiu na frente: datada de 1742, foi restaurada nos anos 1990 e abriu as portas para hóspedes em 1997. A casa e a senzala originais, tombadas pelo Patrimônio Histórico, servem comida mineira preparada no fogão à lenha e abrigam boate, biblioteca, capela e um museu da centenária família Nogueira, com vestidos de festa, fotos e documentos. O complexo ainda possui piscinas, sauna, ofurô, salões de jogos, academia e promove cavalgadas pelos arredores nas noites de lua cheia.

Fazenda da Chácara, em Santana dos Montes (MG): casarão de 1741 é porta de entrada para acomodações modernas | Foto: Fernando Torres

Também no município, a Fazenda da Chácara fica em uma área de 126 hectares. Conserva o casarão principal, de 1741, como área de lazer e convivência, mas investe em 28 acomodações modernas e uma taberna para jantares e serestas. Imperdível mesmo é a visita à vizinha Fazenda do Guarará, do mesmo proprietário. Embalado pela cachaça produzida no alambique da fazenda, o fazendeiro Aloísio Pereira gosta de perambular pessoalmente com os visitantes pelos vinhedos de uvas Cabernet, Merlot e Syrah, as plantações de patchouli, o estábulo de criação de gado para leite, o lago de pesca esportiva e, finalmente, a área de produção da cerveja artesanal Loba e da cachaça Itaverense.

Outra dos meus hotéis fazenda preferidos fica em Itu, a Fazenda Capoava, a cerca de 100 km de São Paulo. Erguida em 1750, a casa bandeirista e era um dos maiores engenhos de cana-de-açúcar do século 18; de plantação de café, no século 19; e de gado, nos anos 1930. Só em 2000, a Capoava virou hotel, mantendo a sede principal de taipa e pilão, a capela anexa ao alpendre e as edificações construídas pelos imigrantes italianos, logo após a Abolição.

Restaurante da Fazenda Capoava, em Itu (SP): delícias da culinária caipira | Foto: Fernando Torres

A infraestrutura atual inclui novos chalés, piscina, sauna, quadras de tênis, massoterapia e stand up paddle em um dos cinco lagos que circundam a propriedade. Vale ainda conhecer os arredores, como a Ilha dos Macacos, habitat de macacos-prego, tucanos-toco, araras-canindé e outros animais silvestres, e percorrer a cavalo a trilha de 14 quilômetros que leva ao Armazém do Limoeiro da Concórdia, antiga mercearia que vendia de tudo no século 19. Depois de se empanturrar com as velhas delícias da culinária brasileira, como leitão assado à pururuca, vaca atolada, pão de abobrinha e bolo de milho, a viola caipira anima a noite com o ritmo repentista cururu.

Não é fácil competir com as piscinas naturais e as barreiras de corais de Maragogi, no litoral norte alagoano. Mas a Fazenda Marrecas consegue se sair muito bem. A viagem pelo tempo começa a partir do casarão principal, datado de 1780, que mescla as arquiteturas árabe e portuguesa, na época do governo do português Marquês de Pombal – as paredes são erguidas em torno de armação parecida com uma gaiola de madeira. Outro atrativo histórico é o Engenho Marrecas, cujos registros mais antigos são de 1849. Embora seja uma construção recente, a capela também tem apelo histórico: foi inspirada nas igrejas coloniais de Ouro Preto (MG) e na capela do Forte Brum, em Recife (PE), com peças sacras adquiridas em Roma, sino fabricado em Portugal e altar trazido de Olinda (PE).

Capela da Fazenda Marrecas, com o casarão ao fundo, em Maragogi (AL): cenografia de cinema e novela | Foto: divulgação

Cenográfica, a fazenda serviu de locação para a novela global A Indomada, em 1997 (alô, Canal Viva!), e também do longa Joana Francesa, de Cacá Diegues, de 1973. Só depois dessa fama midiática é que os proprietários decidiam transformá-la em pousada rural, em 2002. Um dos pontos altos dessa fase é a gastronomia, com pratos típicos da culinária nordestina. É o caso das geleias de caju, jaca e banana, bem como a tradicional cachaça envelhecida, ainda produzida no antigo engenho de cana-de-açúcar.

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Hôtel Lutetia, em Paris, e um ‘grand tour’ pela Europa

São 11 os hotéis em Paris com a designação oficial de palácio. O Rosewood Hôtel de Crillon, reaberto há um ano, acaba de receber a distinção. O Ritz Paris, renovado e reaberto há dois anos, ainda está na fila. Além dele, a cidade pode vir a ter mais um em breve, o primeiro na margem esquerda do Rio Sena. O Hôtel Lutetia, reinaugurado em 12 de julho de 2018, depois de quatro anos de obras e vários adiamentos, também já se candidatou à distinção, concedida pelo Ministério do Turismo francês para hotéis que vão além das cinco estrelas.

Pelas fotos e os relatos de quem se hospedou lá nestes primeiros meses, a espera valeu a pena. Vamos conferir a reforma em breve. Enquanto isso, durante a ILTM North America, feira de viagens de luxo realizada há um mês na Riviera Maya, no México, conversamos com Marie-Christine Bittencourt, brasileira que faz parte do departamento de Vendas, e James Baker, diretor de Vendas e Marketing para as Américas da Set Hotels.

A reabertura (e a abertura) do Hôtel Lutetia, em Paris

Os dois representantes do hotel fizeram questão de destacar que o Lutetia é aberto para a cidade. Para seus moradores, que sempre frequentaram o elegante hotel no Boulevard Raspail, em Saint-Germain-des-Prés, e também para visitantes que não necessariamente estão hospedados ali. Este princípio orientou o perfil do restaurante principal do hotel, que optou por manter a Brasserie Lutetia. O menu será assinado pelo chef Gérald Passedat, com três estrelas Michelin em seu restaurante Le Petit Nice, em Marselha.

Bar Josephine Hotel Lutetia Paris
O Bar Josephine no Hotel Lutetia, em Paris, projetado pelo arquiteto Jean-Michel Wilmotte  / Foto de divulgação

Outra aposta no mesmo sentido é o Bar Josephine, em homenagem a Josephine Baker, frequentadora do Lutetia no passado. O bar já foi inaugurado (a brasserie ainda não tem data de reabertura marcada) e o novo design tem a assinatura do francês Jean-Michel Wilmotte, mesmo arquiteto do Mandarin Oriental Paris. Além de uma interessante carta de drinques, tendência que alcançou Paris e seus bares de vinho, o Josephine tem jazz ao vivo sete noites por semana.

Piscina Spa Hotel Lutetia Paris
A piscina do novo spa do Lutetia fica no subsolo, mas recebe luz natural através de uma claraboia / Foto de divulgação

Os brasileiros já redescobriram o hotel nestes três primeiros meses e estão entre os três maiores públicos, junto com os americanos e os próprios franceses.

“Esperamos ainda mais brasileiros, inclusive no bar e no restaurante, que oferecem uma experiência local, por mais clichê que pareça a frase. A ideia é fazer uma releitura da efervescência etílica-cultural que marcou o passado do Lutetia. E hoje o hotel está bem mais aberto para a cidade, mais iluminado. Até o spa, que não existia e foi instalado no subsolo, também recebe luz natural vinda da rua”, conta Marie-Christine.

Banheiro suíte Hotel Lutetia Paris
Banheiro com banheira em mármore e vista em uma das suítes do hotel na Rive Gauche / Foto de divulgação

Se dinheiro não for problema, vale esperar até 2019 para se hospedar no Lutetia, que faz parte da Leading Hotels of the World. As suítes que ficam nos andares mais altos do prédio do início do século 20 estão com a inauguração prevista para dezembro. Durantes as obras, as 230 acomodações originais foram reduzidas para 184. São os maiores quartos da Rive Gauche, com dimensões a partir de 28 metros quadrados e piso em madeira. Alguns dos banheiros têm banheiras em mármores que foram esculpidas no próprio hotel: a pedra veio em blocos direto de Carrara, na Itália. E 95% dos banheiros têm janela com vista.

Sala Living Room Suite Hotel Lutetia Paris
Sala de estar de uma das novas suítes do Lutetia. Todos os quartos têm piso em madeira / Foto de divulgação

O ‘Grand tour’ pela Europa organizado pelo Hôtel Lutetia, em Paris

O Lutetia agora faz parte do grupo The Set Hotels, junto com o Hotel Café Royal, em Londres, e o Conservatorium Hotel, em Amsterdã. Assim como a propriedade francesa, os outros dois hotéis ficam em belíssimos prédios históricos cheios de histórias para contar e com ambientes contemporâneos. Para promovê-los, a Set lançou uma versão século 21 do clássico “Grand tour” pela Europa, com hospedagem nos três hotéis e experiências exclusivas.

“O hóspede faz os percursos entre as três cidades de trem, como era originalmente. E os concierges cuidam de toda a bagagem”, conta James.

O “Grand tour” em sua versão na África

Fairmont Kenya The Norfolk Bar
O bar do Norfolk, na cosmopolita Nairóbi: primeira escala de um “grand tour” pelo Quênia / Foto de divulgação

A ideia de um “Grand tour” contemporâneo inspirou também outra rede de hotel presente na ILTM North America, a francesa AccorHotels, em outro continente, a África. Um roteiro pelo Quênia sugere um itinerário de oito dias com hospedagem nos três hotéis da marca Fairmont no país: o tradicional The Norfolk, na capital, Nairóbi; o Mount Kenya Safari Club, e o Mara Safari Club.

Fairmont Mount Kenya Safari Club - pool with mountain background
Piscina com vista para as montanhas no Fairmont Mount Kenya / Foto de divulgação

Aqui não há ligação de trem entre as cidades, mas a Fairmont cuida das passagens aéreas internas, dos transfers de ida e volta para o aeroporto e de organizar alguns programas, como visitas a orfanatos de animais selvagens.

Mount Kenya animal orphanage bongo
Visita a um orfanato de antílopes na região do Mount Kenya / Foto de divulgação

“Com este nosso roteiro, o hóspede tem experiências diferentes: lifestyle, com arte e gastronomia, em Nairóbi, uma cidade cosmopolita; a paisagem da região montanhosa do Monte Quênia, e, claro, safári na reserva de Maasai Mara”, diz Guillaume Durand, diretor de Vendas e Marketing da Fairmont no Quênia.

Fairmont Mara Safari Club tent
Uma das tendas do Fairmont Mara Safari Club / Foto de divulgação

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Vista aérea do Kudadoo Maldives, nas Maldivas

Os novos hotéis de luxo mais esperados para 2019

A International Luxury Travel Market (ILTM) North America cresceu, triplicou de tamanho em relação ao seu formato original e chegou aos 7 anos sem sinais de crise. Realizada no fim de setembro na Riviera Maya, esta foi a primeira edição da feira de viagens de luxo inteiramente voltada para o mercado de compradores da América do Norte, um dos mais consistentes do mundo. Propriedades independentes, pequenos grupos de hotelaria e grandes redes apresentaram muitas aberturas e projetos de hotéis de luxo para até 2021. Escolhi quatro de estilos bem diferentes, dois para o finalzinho deste ano e dois para a primeira metade de 2019.

Uma seleção de novos hotéis de luxo para ficar de olho

Kudadoo, Maldivas. Já estava acompanhando este hotel pelo Instagram. O que primeiro me chamou a atenção foi seu alto comprometimento com sustentabilidade (melhor, o que primeiro me chamou a atenção foi a vista aérea que está no alto deste post). Não dá mais para chamar compromisso com meio ambiente de tendência, mas depois de ido a todas às ILTMs no México, com exceção da primeira, sem dúvida este foi o ano em que a maioria dos hotéis, pequenos e grandes, fez questão de falar claramente sobre sustentabilidade.

Villa com piscina do Kudadoo Maldives, nas Maldivas
Kudaddo, um dos novos e mais esperados hotéis de luxo. Todas as villas têm piscina privativa / Foto de divulgação

Além de painéis de captação de energia solar dispostos em forma de obra de arte no teto da única construção na ilha (entre outras medidas sustentáveis), o Kudadoo Maldives Private Island by Hurawalhí, seu nome completo, tem apenas 15 villas overwater, todas com piscina. Tudo está incluído: refeições, bebidas alcoólicas e atividades aquáticas. As diárias têm preços equivalentes aos do Brando, na Polinésia Francesa (leia aqui sobre hotéis de luxo em Bora Bora). Os hóspedes do Kudadoo podem aproveitar as facilidades do Hurawalhí, a cinco minutos de lancha, inclusive o famoso restaurante envidraçado debaixo d’água (cobrado à parte) deste resort vizinho. A abertura do Kudadoo está programada para 1º de dezembro deste ano. Kudadoo e Hurawalhí fazem parte do pequeno grupo local Crown & Champa, com dez hotéis nas Maldivas.

Fachada Hotel Omm, Barcelona
Fachada do Hotel Omm, no Passeig de Gracià, Barcelona: novo Sir Hotel / Foto de divulgação/Rafael Vargas

Hotel Omm, Barcelona. Outro pequena rede hoteleira, a EHPC, baseada em Amsterdã, comprou o Omm, um símbolo do Passeig de Graciá que foi também a casa barcelonesa dos irmãos Roca, do premiado restaurante El Celler de Can Roca, em Girona. O hotel reabrirá em 2019 repaginado, sob a nova administração e com um novo nome. A Europe Hotels Private Collection tem três marcas e 12 hotéis em seis cidades: Amsterdã, Barcelona, Berlim, Haia, Hamburgo e Ibiza.

As duas novidades são os hotéis na Espanha. Sir Joan abriu em Ibiza no verão europeu deste ano, e já foi descoberto pelos brasileiros. Mais ou menos na mesma época, o grupo comprou o Hotel Omm, instalado há 15 anos em um dos prédios mais conhecidos do Paseig de Graciá, no Centro de Barcelona, com vistas para construções de Gaudí como Casa Milà (La Pedrera) e Sagrada Família. Tudo será renovado: 91 quartos, terraço com piscina, spa, bar e restaurante. Um novo ciclo começa quando o hotel reabrir na primeira metade de 2019 sob a marca Sir Hotel. O nome ainda não foi anunciado. Nos próximos dois anos a EHPC pretende chegar também a Viena e Milão.

Belmond Cadogan Hotel London, Londres
Lobby do Belmond Cadogan Hotel, em um prédio histórico de Londres / Foto de divulgação

Belmond Cadogan, Londres. Para quem procura um cheiro de quarto novo na Europa no início de 2019, Londres é o destino. Na Sloane Street, o Cadogan Hotel consumiu o equivalente a mais de US$ 48 milhões de dólares em obras, que a Belmond prefere classificar como de restauração, e não de renovação. O prédio de 54 quartos é de 1887, e já teve Oscar Wilde como um de seus residentes. O restaurante será comandado pelo chef Adam Handling, escocês baseado em Londres que busca o desperdício zero. Mais um ponto a favor.

Leia mais sobre o Lutetia, hotel de luxo em Paris reaberto em julho de 2018.

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Fachada Raffles Singapore, Singapura
Raffles, ícone de Singapura que reabre em 2019 / Foto de divulgação

Raffles, Singapura. A reabertura deste hotel que já era incrível está prevista para meados de 2019. O Raffles Singapore entrou obras ano passado, quando completou 130 anos. O Long Bar, ícone local e casa do clássico drinque Singapore Sling, já foi reaberto, com o famoso balcão restaurado. Entre as muitas novidades gastronômicas, o tradicional Bar & Billiard Room terá agora a assinatura do multiestrelado chef francês Alain Ducasse. Anne-Sophie Pic, outra chef francesa com três estrelas Michelin, estreia na Ásia com seu La Dame de Pic. Os dois chefs remetem à história do hotel, que foi o primeiro a levar a cozinha francesa à Singapura, no final do século XIX.

A cobertura da ILTM North America, na Riviera Maya, pode ser lida na edição impressa desta semana da Panrotas e também na versão digital no Portal Panrotas. O texto começa na página 20.

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Cotton House: oásis em Barcelona

Cheguei em Barcelona na semana passada sob um calor surreal. A cidade estava mais abafada do que nunca e só de pisar na rua a gente sentia. Assim que cheguei ao balcão do Cotton House Hotel, a recepcionista disparou: “Faz muito calor lá fora, não? Prefere um copo d’agua ou uma taça de cava para refrescar enquanto faço seu check in?”.

Minha estada no hotel – que tem meros 3 anos de existência, fica na Gran Via, a três quadras do Paseig de Gràcia, e integra o seleto portfólio da Autograph Collection – foi uma mistura bem bolada de serviço atencioso e caprichado com uma informalidade acolhedora por parte do staff (todo bastante jovem, diga-se de passagem).

A piscina do último andar tem vista para o Eixample, as montanhas e a Sagrada Família. Foto: Mari Campos

A Autograph Collection, bandeira da Marriott que reúne hotéis boutique independentes em diversos cantos do planeta, se consolidou por reunir hotéis únicos, fora do comum (“exactly like nothing else”, como diz seu slogan), cheios de design, com foco em experiências singulares e extremamente conectados com o destino em que se instalaram. E o Cotton House Hotel é uma perfeita tradução dos valores da marca. 

Ocupando a antiga sede da Fundación Textil Algodonera, em um emblemático edifício do século XIX totalmente repaginado pelas mãos do designer Lázaro Rosa-Violán (um dos mais badalados da Espanha na atualidade), o hotel mistura muito bem a sofisticação contemporânea com história e funcionalidade – e valoriza muito a cidade onde está.

A escada espiral suspensa de 1957 foi preservada. Foto: Mari Campos

Vários elementos originais do edifício foram conservados, como o incrível teto da Library (a belíssima biblioteca que é puro sossego e, sem dúvidas, o cômodo mais bonito e fotografado de todo o hotel), a imponente escada de mármore de um lado, a impressionante escada espiral de 1957 do outro (suspensa pelo último andar ao invés de presa ao térreo), o delicado parquet do piso… Ao mesmo tempo, todas as facilidades contemporâneas estão lá (incluindo muitas tomadas e entradas USB nos quartos), wifi de excelente qualidade e móveis de design arrojado que dão a tônica aqui e ali nas áreas comuns. 

O passado têxtil do edifício também é honrado em uma das experiências exclusivas que o hotel oferece aos seus hóspedes: a possibilidade de confeccionar uma camisa sob medida com os alfaiates da Santa Eulalia, os mais premiados de Barcelona.

O Cotton Room tem décor muito leve e adorável terraço para o Eixample. Foto: Mari Campos

Os 83 quartos são puro sossego: todos muito luminosos, cores clarinhas, quietos, e sempre com um toque de algodão na decoração (da plantinha em si aos delicados papéis de parede de inspiração botânica) para lembrar o passado do edifício. A gente sequer tem noção de que o hotel tem esta quantidade de quartos, dado o sossego constante em todas as áreas.

Meu quarto era do tipo Cotton room (há diferentes tipos de quarto, incluindo sete suítes), que tem sempre um adorável terraço privativo olhando para o pátio do hotel e os predinhos típicos do Eixample (perfeito para tomar o primeiro cafezinho da manhã). Cama King size, poltrona, boa mesa de trabalho, Nespresso, banheiro grande com banheira e ducha, luxuosas amenidades de banho 100% naturais e mediterrâneas da marca Ortigia da Sicília e uma completíssima “amenities box” que incluía até escova de cabelos.  O meu quarto era no segundo andar e tinha mesmo vista apenas para o pátio e predinhos do entorno, mas me disseram que os quartos dos andares mais altos chegam a ver o mar. 

Detalhe do Batuar Bar e Restaurante. Foto: Mari Campos

Um importante diferencial do Cotton House em relação a outros hotéis de luxo da cidade é que seu público é essencialmente leisure. Você não vê nunca viajantes a trabalho e sim somente casais, famílias, grupos de amigos e solo travelers, todos a lazer, o que garante um ambiente o tempo todo extremamente casual e relaxado à propriedade. O staff também é sempre muito informal (apesar de chamar os hóspedes pelos nomes e ser sempre solícito), a “welcome message” no quarto é escrita com battom no espelho e a própria área dos concierges é adoravelmente chamada de Gossypium. 

Das áreas comuns, além da biblioteca e da incrível lap pool no rooftop (com vista espetacular para a cidade e a Sagrada família!), destaque para o Batuar Bar & Restaurant. É ali, tanto no belo ambiente interno quanto no charmoso pátio, que o café da manhã em estilo buffet (mas com pratos quentes à la carte) é servido todos os dias até 11h da manhã, e também funciona para almoço e jantar com cozinha Catalã contemporânea (destaque absoluto para as tapas da casa, excelentes!). Ressalva apenas para o serviço de bebidas e pratos quentes no café da manhã, que é bastante lento. Falo mais sobre o restaurante e o bar do hotel neste meu texto para o Estadão. 

 

 

 

 

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Hotéis que o vento não levou – Georgia, EUA

“O que você vai fazer na Geórgia?”, foi a pergunta que ouvi quando disse que iria passar férias no estado que faz fronteira com a Flórida e, embora tenha o aeroporto mais movimentado do mundo, ainda é tão pouco visitado por brasileiros com fins turísticos. Bem, reconheço que o motivo inicial da viagem era trabalho, mas, ao conseguir esticar por pouco mais de uma semana, nem cogitei ir a outros destinos mais badalados dos Estados Unidos. Preferi passar aqueles dias em meio à atmosfera low-profile de Atlanta e arredores, em busca de vestígios da civilização de Scarlett O’Hara, uma das personagens que mais me fascinam no cinema e na literatura.

Fachada do Georgian Terrace, de 1911, em Midtown | Foto: Fernando Torres

No quesito hotelaria, o assunto tema deste blog, o tour cinematográfico começou com um drinque de bourbon e chá, seguido de jantar, no bar Livingston, no lobby do centenário The Georgian Terrace. O hotel, extremamente bem localizado no trecho de Midtown da Peachtree Street (via arterial que corta praticamente toda Atlanta) hospedou Vivien Leigh (Scarlett), Clark Gable (Rhett Butler) e boa parte do elenco de E o Vento Levou na première do filme em Atlanta, em 1939. Para os fãs, é um deleite!

The Twelve Oaks, a fazenda do songamonga Ashley Wilkes (Leslie Howard), está a cerca de 40 minutos de distância de carro, na cidade de Covington. Não a que aparece no filme, já que este foi filmado na Califórnia, mas uma fazenda de algodão real oficial, de 1836, cujo casarão antebellum serviu de inspiração para Margaret Mitchell, autora do livo E o Vento Levou (off-topic: sua casa, a poucos passos do Georgian Terrace, foi transformada em museu e é atração fundamental para fãs e não fãs da obra).

The Twelve Oaks, o casarão em Covington que inspirou a fazenda homônima de “E o Vento Levou” | Foto: divulgação

Reformada em 2012, The Twelve Oaks funciona hoje como um bed and breakfast, bem ao estilo caloroso e hospitaleiro do Velho Sul. Decoradas com móveis ao estilo do século 19, as suítes contam com confortos bem modernos, tais como lareira com controle remoto e convidativas banheiras vitorianas. Fiquei hospedado na suíte The Frankly Scarlett, em homenagem ao segundo marido da protagonista, mas o encanto maior é com a Magnolia’s Spa Grand Suite, com cama de dossel com cortinas francesas e banheira de cromoterapia.

Magnolia’s Spa Grand Suite: para se sentir como Scarlett – sem espartilho, pfv | Foto: divulgação

De lá, rumei para Savannah, a cidade histórica mais bem preservada dos Estados Unidos. As ruas e casas em estilo cinematográfico foram um presente de Natal do general Sherman ao então presidente Abraham Lincoln, cessando ali a trajetória incendiária e vitoriosa da União (os estados do Norte) sobre a Confederação (estados do Sul) na guerra civil norte-americana, em 1864. Para manter a linha da viagem, me hospedei no bed and breakfast Eliza Thompson House, em um casarão bem no centro, construído em 1847. O hotel se intitula como butique, mas, embora bem confortável, não tem luxos. Os quartos são decorados ao estilo do século 19. O meu tinha vista para o jardim, onde é servido o desjejum. A sala principal é pequena, porém, bem acolhedora, e recepciona os hóspedes ao fim da tarde com vinho e canapés. Outro mimo é o café ou chá servido à noite.

Sala de estar do Eliza Thompson House: vinhos e canapés servidos à noite | Foto: Fernando Torres

O escritor John Kelso, personagem de John Cusack em Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal, descreveu Savannah como “uma mistura fantasmagórica de E o Vento Levou com drogas”. A parte das drogas, não sabemos. Porém, de fato, a cidade conserva toda a atmosfera aristocrática da película, além da fama de mal-assombrada. Outras opções para se hospedar e se sentir dentro do filme é a imponente Kehoe House, de 1892, um casarão de tijolos à vista, piso de madeira e lustres de época; e o The Gastonian, exemplar dos anos 1860.

Kehoe House, em Savannah: cidade faz jus à fama de mal-assombrada | Foto: Fernando Torres

Eu deixei meu coração no Fairmont San Francisco

Dentre as várias possibilidades de experiências de viagem, uma das que mais me encanta é a dos hotéis centenários. Por isso, ao “bookar” uma viagem para San Francisco, na Califórnia, os olhinhos brilharam na quantidade de hotelões históricos, cheios de pompa e circunstância.

O mais antigo da cidade é o Palace, na Montgomery Street, que remonta a 1875. Já o Westin St Francis, de 1904, fica na Union Square e deu por concluída uma reforma de US$ 45 milhões em abril de 2018, o que significa o melhor dos mundos (pelo menos do meu): memórias com conforto. Tem também o Ritz-Carlton, em Nob Hill, de 1910; o Whitcomb, na Market Street, de 1916; o InterContinental Mark Hopkins, de 1926, em Nob Hill; e o Kimpton Sir Francis Drake, de 1928.

Todos lindos, mas cismei mesmo com o The Fairmont, ao qual fui apresentado em um almoço promovido pela AccorHotels, que representa a bandeira desde 2016. Instalado em Nob Hill, um dos bairros mais altos da cidade, o palacete em estilo neoclássico estava quase concluído na época do famoso terremoto de 1906. Enquanto as mansões ao seu redor vieram “na chon”, o futuro hotel sobreviveu.

Desde então, muita história rolou por lá. A começar pelo processo de reconstrução do interior, infelizmente, bastante danificado. Stanford White, o arquiteto escolhido para a missão pelos donos – que, aliás, haviam comprado o hotel dos primeiros investidores, a família irlandesa Graham Fair, poucos dias antes do terremoto –, foi assassinado à queima-roupa enquanto jantava em New York.

A escolha, então, recaiu sob a arquiteta Julia Morgan, primeira mulher formada pela École des Beaux-Arts, em Paris. E ela fez um trabalho magnífico com o The Fairmont, que finalmente foi inaugurado em 1907.

Graças a uma reforma realizada há quase duas décadas, o lobby pode ser conferido atualmente de forma muito fiel ao esplendor de Julia, com os mármores originais do piso e das colunas, sem economizar em douradices.

O lobby projetado por Julia Morgan no início do século 20 em todo o seu esplendor

Estão lá também o lendário Venetian Room, onde Tony Bennet apresentou pela primeira vez a música I left my heart in San Francisco, em 1961 – momento eternizado por uma estátua do cantor em frente ao hotel. Reaberto em 2010, a casa também recebeu, com regularidade, nomes como Ella Fitzgerald, Nat King Cole e Tina Turner. O pitoresco Tonga Room & Hurricane Bar, de comida polinésia, também é uma instituição, inaugurado em 1945, na área da antiga piscina. Já o restaurante oficial Laurel Court, anexo ao lobby, ficou fechado por seis décadas e foi reaberto na virada do século. O Fairmont foi ainda o primeiro hotel dos Estados Unidos a oferecer o serviço de concierge, a partir de 1974, cargo ocupado por Tom Wolfe – outro Tom, não o de A Fogueira das Vaidades.

Os 591 apartamentos e suítes se distribuem entre o prédio principal e uma torre de 23 andares, erguida em 1961. Foi onde me hospedei, na categoria Signature Room, com vista para a baía de San Francisco e a Ilha de Alcatraz. Elegante e renovado, o quarto conta com banheiros em mármore, com banheira, e camas superconfortáveis.

Signature Room…
… e a vista para a baía de San Francisco e a ilha de Alcatraz

As suítes se orgulham de terem recebido todos os presidentes dos Estados Unidos desde 1909, além de reis e rainhas e chefes de estado de inúmeros países (brasileiros, inclusive). A mais impressionante de todas é a Penthouse Suite, de 557 m² e inaugurada em 1926. Ela ocupa todo o oitavo andar do prédio principal, tem três passagens secretas e é alugada não apenas para hóspedes, mas também para festas privadas –  acomoda até 130 pessoas –, ao valor de US$ 18 mil a diária.

Em tempo:  o glamour de se hospedar no Fairmont tem custo relativamente acessível. San Francisco é uma cidade conhecida pelo valor alto das diárias. O Fairmont, por motivos óbvios, não é exceção, mas, quando  estive lá, consegui um preço idêntico a outras opções de categoria bem inferior pelos sites de busca. E, olha: vale cada centavo viver esse “golden dream”!

Copa do Mundo: quatro hotéis de luxo em São Petersburgo

“Era uma noite prodigiosa, uma dessas noites que talvez só vejamos quando somos novos, querido leitor. Estava um céu tão fundo e tão claro que ao olhá-lo uma pessoa era forçosamente levada a perguntar se seria possível que debaixo de um céu daquele pudessem viver criaturas más e tenebrosas. Questão esta que, para dizer a verdade, só é costume levantar quando somos novos, mesmo muito novos, querido leitor.” Assim começa “Noites brancas” (em tradução de Nivaldo dos Santos para a Editora 34), romance de Fiódor Dostoiévski passado em São Petersburgo. A pergunta pueril talvez só se faça mesmo muito novo. Mas não há idade para se encantar com o céu das noites de verão (como o da foto acima) em uma das mais impressionantes cidades da Rússia.

Durante a Copa do Mundo, com um novo estádio para quase 70 mil pessoas, São Petersburgo sedia sete jogos, entre eles Brasil x Costa Rica no dia 22 e uma semifinal. A seleção brasileira se hospeda no Corinthia St. Petersburg, um dos principais hotéis da cidade.

A fachada principal do Corinthia, hotel que hospeda a seleção brasileira em São Petersburgo / Foto de divulgação

O Corinthia fica na Nevsky, a mais importante e movimentada avenida de São Petersburgo. Integrante do grupo hoteleiro de mesmo nome, baseado em Malta, é um hotel grande, com 388 quartos, que nos últimos meses deu uma repaginada nas acomodações. Foi uma das minhas opções de hospedagem quando estive na cidade, mas não foi a preferida. Lá no final eu explico o porquê. Por hora, voltemos às noites brancas.

O bar Hi So, ainda na fase W, e a Catedral sob o céu das 22h de uma noite de verão / Foto de Carla Lencastre

Um dos hotéis com melhor vista para noites que não anoitecem é o So Sofitel. Até o início do ano, era um W Hotel, parte do portfólio da Marriott Internacional. Em meados de fevereiro passou a ser administrado pela AccorHotels sob a a nova bandeira de lifestyle So Sofitel. O bar no terraço é dos melhores para aproveitar uma noite branca. Renovado e rebatizado de Hi So Terrace, reabriu no fim de maio (fecha quando terminar o verão) e fica ao lado da imensa cúpula dourada da imponente Catedral de Santo Isaac, erguida na primeira metade do século 19. Reserve uma mesa ao ar livre e aproveite a claridade. Só escurece lá pela meia-noite. Ou um pouco antes no início e no fim da estação. Ou um pouco depois no auge do verão.

Leões de mármore estão há quase dois séculos na entrada do Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

Este foi meu primeiro programa quando desembarquei na cidade em uma noite branca. Quando afinal escureceu, foi só atravessar a rua para chegar aos dois leões em mármore de quase 200 anos que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial, sempre no mesmo lugar. Hoje a dupla restaurada marca a entrada do Four Seasons Lion Palace, onde estava hospedada. Com 157 quartos, o hotel fica em um palácio do início do século 19 recuperado em toda a sua grandeza. Foi originalmente uma residência imperial e, depois, o Ministério da Guerra. Há cinco anos faz parte dos hotéis históricos da rede Four Seasons, como os de Florença, Milão, Budapeste e Istambul.

Quarto com vista para a Catedral no Four Seasons Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

O quarto confortável tinha vista para a Catedral de Santo Isaac. O serviço foi impecável. As áreas comuns chamam a atenção pelo esplendor da Rússia imperial. Em um terraço estão grandes estátuas de figuras femininas também restauradas. Há um spa, dois restaurantes e um bar. É um hotel que vale a visita para quem não está hospedado. Fica perto do fabuloso Museu Hermitage.

Uma das estátuas representando figura feminina no restaurado Lion Palace / Foto de Carla Lencastre

Depois de duas noites brancas bem dormidas no Lion Palace, me mudei para o Corinthia, no final da Nevsky. A ideia era ter uma perspectiva diferente de São Petersburgo e conhecer um de seus hotéis de luxo mais famosos. Ao chegar, recebi um quarto no qual o ar-condicionado não funcionava. O serviço foi eficiente. Fui acomodada no bar do lobby, com champanhe, enquanto outro quarto era preparado. O que me coube era maior, refrigerado e com vista para uma obra que me fez madrugar nas duas manhãs seguintes.

Uma suíte parecida com a que fiquei, agora em cores novas / Foto de divulgação

A sobriedade da decoração também não me conquistou. O lobby, por exemplo, não lembrava em nada a elegância do moderno Corinthia London. O hotel passou por uma renovação para a Copa e para marcar seus 15 anos. Pelas fotos novas, os quartos parecem seguir uma paleta mais leve.

O bar em estilo art nouveau do Grand Hotel Europe / Foto de divulgação

Já localização do Corinthia na Nevsky cumpriu a sua função. Dali foi fácil visitar a pé os pontos turísticos que não tinha visto no início da viagem, como a bela Catedral do Sangue Derramado. Aproveitei também para tomar um drinque no bonito bar art nouveau no lobby do Belmond Grand Hotel Europe, uma joia histórica da cidade em excelente estado de conservação. Durante a Copa do Mundo, é o hotel que está hospedando a seleção da Arábia Saudita. Falamos mais dele no post que fizemos sobre os endereços de algumas equipes na Rússia. É só clicar neste link aqui.

O Four Seasons Lion Palace e o So Sofitel ficam a uns dez minutos de caminhada do início da Nevsky, na ponta oposta ao Corinthia. Na mesma região está também o Lotte, onde a inspector Mari Campos se hospedou recentemente. Teremos post em breve. Fique de olho.

Ao longo da Copa do Mundo, estamos mostrando detalhes dos hotéis que abrigam as seleções no Instagram @HotelInspectors, no facebook @HotelInspectorsBlog e, olha a novidade, no Twitter @InspectorsHotel. Vai ser uma beleza ter companhia nas redes sociais.

 

Copa do Mundo: a seleção no hotel mais luxuoso vai embora cedo

A Arábia Saudita estreou na Copa do Mundo 2018 levando uma goleada de 5×0 do time da casa no estádio Luzhniki, em Moscou. Hospedados em São Petersburgo, os sauditas esfriaram a cabeça em um dos melhores hotéis da cidade. Que é também a base mais luxuosa e bem localizada, do ponto de vista turístico, entre as escolhidas pelas 32 seleções da fase de grupos.

Um dos quartos do Belmond Grand Hotel Europe, base da seleção saudita / Foto de divulgação

O Belmond Grand Hotel Europe fica na esquina da Nevsky Prospekt, a principal avenida de São Petersburgo. Está perto de diversas atrações turísticas. Vários dos 266 quartos deste hotel histórico oferecem vista para a Catedral do Sangue Derramado, um dos muitos cartões-postais de uma das mais bonitas e importantes cidades russas.

Leia mais aqui sobre outros três hotéis de luxo em São Petersburgo.

O histórico Grand Hotel Europe em seus primeiros anos, na principal avenida de São Petersburgo / Foto de divulgação

Há 140 anos na avenida aberta por Pedro, o Grande, o glamouroso Grande Hotel Europe conquista já pelo lado de fora, por conta da sua arquitetura art nouveau. Dentro, nas áreas comuns, mármores e vitrais causam as melhores segundas impressões.

O Mezzanine Café pronto para transmitir todos os jogos da Copa do Mundo / Foto de divulgação

Um de seus restaurantes, L’Europe, é dos mais antigos da cidade e considerado um dos melhores do país. E o Grande Hotel Europe entrou no clima de #VaiTerCopa. Seu Mezzanine Café virou campo de futebol e terá transmissão ao vivo de todos os jogos. Nenhuma equipe escolheu endereço tão fascinante na Rússia quanto a da Arábia Saudita.

Uma das piscinas do resort Kamelia, que hospeda a seleção brasileira em Sochi / Foto de divulgação

O Brasil optou por um resort de praia no balneário de Sochi, no Sudoeste do país. A seleção está no Swissôtel Kamelia. O hotel de 203 quartos no Mar Negro combina design suíço com praia particular (com pedras em vez de areia), piscinas, spa, bares e restaurantes.

O Mar Negro visto do hotel que abriga a equipe polonesa / Foto de divulgação

A Polônia é vizinha do time brasileiro e hospeda-se no novo Hyatt Regency Sochi, também em frente ao mar. Mas sem praia privativa como o Kamelia.

O hotel na Baía de Gelendzhik, onde está a seleção sueca / Foto de divulgação

A Suécia é outro time às margens do Mar Negro, mais ao Norte, no Kempinski Grand Hotel Gelendzhik. O resort de luxo tem 379 quartos na entrada da Baía de Gelendzhik.

A seleção do Peru está ao lado do aeroporto internacional de Moscou / Foto de divulgação

Os arredores de Moscou foram a região escolhida pelos alemães para defender seu título mundial. Os atuais campeões estão no bucólico Vatutinki Hotel, às margens do Rio Desna. Na mesma região, a Tunísia fica no Imperial Park Hotel and Spa. A França se hospedada no novo Hilton Garden Inn New Riga, também nos arredores da capital russa. Les Bleus estão cercados de verde fora do Centro da cidade. A seleção do Peru é outra distante do Centro de Moscou. Os peruanos optaram pela vizinhança do aeroporto internacional, no caso o novo Sheraton Sheremetyevo.

Outras quatro equipes, Inglaterra, Coreia do Sul, Costa Rica e Croácia, ficam em São Petersburgo e arredores, porém em endereços menos interessantes para o visitante a lazer do que o Grand Hotel Europe que abriga os sauditas. A Costa Rica, por exemplo, adversária do Brasil no dia 22, está no Hilton ExpoForum, inaugurado ano passado ao lado do Centro de Convenções, fora do Centro. A Croácia escolheu um resort de praia (na realidade, de lago) cerca de uma hora de São Petersburgo, o Woodland Rhapsody. Há quem prefira as montanhas. O Senegal foi para um dos resorts de ski mais premiados do país, o SK Royal Hotel Kaluga. A Colômbia está no Ski Resort Kazan.

Moscow Country Club, base da Bélgica nos arredores da capital russa / Foto de divulgação

Não há consenso sobre qual é a melhor base para o sucesso na Copa. Clubes, hotéis históricos em grandes cidades, resorts de montanha cercados por florestas onde a paisagem é a única distração, resorts de praias… Um terço das equipes optou por ficar em centros de treinamento ou em clubes, onde há mais privacidade. E menos pretexto para comentarmos aqui.

A bandeira da Bélgica na entrada do clube de golfe de Moscou / Foto de divulgação

É o caso da dona da casa, a Rússia, de Portugal, do Irã, do México e da Bélgica, por exemplo. Estas cinco seleções estão baseadas nos arredores de Moscou em centros de treinamento ou clubes, como o elegante Moscow Country Club, que tem um hotel. O country club, que hospeda a Bélgica, é de golfe. É o primeiro campo de 18 buracos do país, aberto no início da década de 1990. Este ano foi também o escolhido pela organização do concurso Miss Rússia.

Durante a Copa do Mundo, vamos mostrar outros detalhes dos hotéis que abrigam as seleções no Instagram @HotelInspectors e no facebook @HotelInspectorsBlog. Vai ser show de bola ter a companhia de vocês também nas redes sociais!

Bear Hotel, hotel mal assombrado na Inglaterra

Você já dormiu com fantasma em hotel?

Eu já. Teoricamente, com três fantasmas. Recentemente, em uma fria noite de fim de inverno, me hospedei no Macdonald Bear Hotel, em Woodstock, interior da Inglaterra. A propriedade é considerada uma das mais assombradas do Reino Unido. E olha que de assombração os britânicos entendem. Eu estava indiferente à experiência. Alguns companheiros de viagem também não ligaram. Outros se divertiram. E alguns ficaram muito incomodados. Uma noite em um hotel mal assombrado na Inglaterra pode ser interessante como um parque temático, uma faixa bônus para um viajante. Para outro, é um pesadelo extremamente desconfortável.

Hotel mal assombrado na Inglaterra
O caminho para o sótão do Bear Hotel / Foto de Carla Lencastre

Na minha experiência, o mais incômodo foi ter que subir a escada que levava ao sótão carregando uma mala média. Meu quarto ficava isolado ali, com um teto de pé-direito de menos de dois metros de altura, vigas de carvalho sustentando o telhado e apenas duas minúsculas janelas com vista para a rua. Claustrofóbico, ainda que espaçoso e aparentemente sem fantasmas. Mais tarde, quando encontrei os companheiros de viagem, me dei conta que assombração aparece para cada um de um jeito. Parte do grupo achava graça da fama do hotel, inclusive quem estava em quarto com vista para o cemitério da igreja ao lado. Outros pareciam visivelmente perturbados com a perspectiva de passar a noite no Bear.

Hotel mal assombrado na Inglaterra
Vista de um dos quartos do hotel em Woodstock

Diversos websites listam hotéis assombrados mundo afora. No “English Country Inns”, por exemplo, é possível procurar hospedagem usando filtros como “hotéis românticos”, “gourmet”, “com piscina” ou “assombrados”. É com você. O Bear é uma das opções. Um dos dois fantasmas do hotel moraria no quarto 16.

Já o “Haunted Rooms UK” deixa claro a que se destina logo no nome e apresenta o Bear como “um dos hotéis mais assombrados do Reino Unido”. Os fantasmas residentes seriam de Elizabeth e Christopher Dowing, uma jovem mãe e seu filho de 8 anos, mortos em meados do século XVIII.

Hotel mal assombrado na Inglaterra
A fachada do hotel mal assombrado no interior da Inglaterra / Foto de Carla Lencastre

Em seu website, o hotel não faz menção a assombrações (só avisa que Elizabeth Taylor e Richard Burton estiveram lá). O local ajuda a manter a fama. O Bear é um dos hotéis mais antigos da Inglaterra e está instalado em prédio histórico que funciona como pouso de viajantes desde o século XIII. Nos séculos seguintes vieram expansões e renovações. Hoje são 54 quartos com confortos modernos. Pelas paredes (algumas em pedras aparentes) dos labirínticos corredores, há objetos, móveis e retratos antigos, estes daquele tipo que parecem seguir o visitante com o olhar.

Hotel mal assombrado na Inglaterra
O quarto no sotão…
Hotel mal assombrado na Inglaterra
…e o quartinho / Fotos de Carla Lencastre

O sótão onde dormi tinha aquecimento funcionando perfeitamente, roupa de cama e roupões de qualidade, máquina de café expresso, banheiro reformado (ainda que não novíssimo), amenities da grife britânica Elemis. Um pequeno hall de entrada dava acesso a um amplo quarto com uma cama de casal, escrivaninha e área de estar e a um minúsculo quarto com apenas uma fresta no alto de uma das paredes e uma cama pequena. Roupões infantis estavam pendurados atrás da porta. Fechei a porta do cubículo sem janela assim que cheguei e não abri mais.

Hotel mal assombrado na Inglaterra
Parte da cena noturna / Foto de Carla Lencastre

O episódio mais estranho da minha experiência de caça-fantasmas aconteceu depois do jantar (a propósito, o hotel tem um ótimo e movimentado restaurante de cozinha britânica moderna servida em um ambiente tradicional). Quando voltei para o quarto, a cama estava preparada para a noite, com dois pequenos chocolates, um em cada travesseiro, e uma Bíblia aberta no meio. Fechei o livro, tirei uma foto, guardei o exemplar em uma gaveta e, como não estava dividindo o quarto com ninguém, comi os dois chocolates logo de uma vez para não dar ideia para fantasma. Só me arrependo de não ter olhado antes em que página a Bíblia estava aberta. Dormi. No dia seguinte, a situação do grupo se repetiu: alguns tinham uma história divertida para contar, outros não tinham dormido nada. Fui visitar o cemitério vizinho. À luz da manhã parecia menos fantasmagórico do que nas fotos que tinha visto no dia anterior.

Hotel mal assombrado na Inglaterra
O cemitério na igreja ao lado do Bear Hotel à luz do dia / Foto de Carla Lencastre

A principal razão para alguém parar em Woodstock é o Blenheim Palace. O palácio pertence à 12ª geração dos duques de Malborough. Mas não é por isso que recebe visitantes, e sim porque Winston Churchill nasceu ali. O mais famoso primeiro-ministro britânico passou parte da infância e da juventude em Blenheim. Vale ir de Londres (a umas duas horas de distância) até lá nem que seja apenas para passear pelos imensos jardins, com direito até a lago com ponte. Woodstock fica perto de Oxford e é uma cidadezinha de praticamente uma rua, com cafés, restaurantes, pubs e galerias de arte. Há outros (poucos) hotéis no vilarejo, para quem preferir descartar o Bear e suas assombrações. Só não há garantia de que fantasmas não saiam para passear.

Blenheim Palace, da família de Winston Churchill
Blenheim Palace, em Woodstock, onde Winston Churchill nasceu / Foto de Carla Lencastre

Os fantasmas se divertem 2

Hotel mal assombrado na Irlanda do Norte
A silhueta do Ballygally Castle ao entardecer / Foto de Carla Lencastre

Como hotel mal assombrado é o que não falta no Reino Unido, o Bear foi o segundo que conheci. Já tinha experimentado dormir com um fantasma na Irlanda do Norte, no Ballygally Castle, perto de algumas das locações da série da HBO “Game of Thrones” e da Causeway Coast. Neste hotel, com 54 quartos e hoje parte do Hastings Hotels, fiquei em uma ala mais nova. Não percebi assombrações. No dia seguinte, companheiros de viagem que ficaram na parte antiga relataram que não conseguiram dormir por causa “do barulho de móveis sendo arrastados”.

Hotel mal assombrado na Irlanda do Norte
O hotel assombrado no litoral da Irlanda do Norte / Foto de Carla Lencastre

Em Ballygally, segundo o site “Haunted Rooms UK”, o fantasma residente é o de Lady Isobella Shaw, que assombra o castelo do início do século XVII há 400 anos. Ou seja, desde quase sempre.

Na categoria cenário, o Ballygally impressiona menos que o Bear. Talvez porque esteja em um hotel sem muita personalidade, de frente para as águas calmas da Baía de Ballygally e com vista para a Escócia, Isobella parece confinada à parte original do castelo.

 

Hotel mal assombrado na Irlanda do Norte
Amanhecer em Ballygally Bay / Foto de Carla Lencastre

Fantasmas britânicos não moram apenas em pequenos hotéis de vilarejos como Woodstock ou Ballygally. Dois hotelões de luxo em Londres aparecem em quase todas as listas de lugares assombrados no Reino Unido. O mais citado é o Langham, que teria nada menos que cinco fantasmas residentes. O Savoy costuma ser o segundo colocado. Março passado, o jornal londrino “The Telegraph” relacionou alguns hotéis com assombrações. Os dois ícones londrinos, instalados em construções de meados do século XIX, estão no topo da lista. Boo!

Leia aqui sobre o American Bar, no Savoy, em Londres, um dos melhores bares do mundo.

Leia aqui sobre o Dandelyan Bar, no Mondrian London Hotel, outro dos melhores do mundo.

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