passado e presente no hotel ca’d’oro, em são paulo

Um jogo de sombras entre o passado e o presente. Esta é a minha definição pretensiosamente “poética” para o Hotel Ca’d’Oro, reinaugurado há dois anos no número 129 da rua Augusta, no centro de São Paulo. Bem ao gosto e hábito paulistanos, a reforma de quase sete anos botou abaixo o edifício principal e o anexo do antigo e opulento Grand Hotel Ca’d’Oro, erguido em 1961, e colocou no lugar duas torres de fachada espelhada, uma residencial e outra comercial.

Antigo Gran Ca’d’Oro foi jogado “na chon” e deu origem a duas torres | Foto: Fernando Torres

É sob este conceito mixed-use, que o hotel Ca’d’Oro revive. A propriedade ocupa o térreo e o primeiro andar do edifício comercial, onde ficam a recepção, o restaurante e a administração. Já os apartamentos estão entre o 20º e 27º andar. O trecho entre o 2º e o 19º é de escritórios e salas comerciais, com entrada e acesso totalmente independentes – isto é, hóspedes e executivos não se cruzam em nenhum momento. Parece confuso? Na prática, tudo funciona bem, como pude comprovar na minha agradável hospedagem por lá no último fim de semana.

Mario Robert Spolaor, chefe dos mensageiros: funcionário desde 1979 | Foto: Fernando Torres

O Ca’d’Oro renovado é igual, mas é diferente: conserva vestígios do passado (vide o chefe dos mensageiros, acima), ao mesmo tempo em que se posiciona na realidade do presente. Busca o público de jovens executivos, mas carrega consigo o peso da marca que hospedou nomes como Nelson Mandela, Pablo Neruda, Jorge Amado, Luciano Pavarotti, Vinicius de Moraes, Elis Regina, Di Cavalcanti (que tentou pagar as diárias com permuta de quadros), reis e presidentes.

“O Grand Hotel foi o primeiro cinco-estrelas de São Paulo. Mas essa imagem não combina mais com o centro, que, embora esteja vivendo um grande processo de revitalização, atrai um tipo de hóspede que não solicita alto luxo. Por isso, o novo projeto foi por uma linha um pouco mais modesta, porém, sem perder a elegância”, diz o gerente-geral Fabrizio Guzzoni, neto e herdeiro do fundador da marca, o patriarca italiano Fabrizio Guzzoni.

A busca pela elegância e pelos tempos de glamour se percebe no bar e restaurante Ca’d’Oro, um salão de ares europeus, com estofados capitonê de veludo verde e um impressionante piano de cauda Erard, de 1860, feito de marchetaria. Além disso, obras de arte europeias, como a escultura do condottiero italiano Bartolomeo Colleoni, que, de tão “macho”, reza a lenda, tinha três testículos. O desjejum tem um bufê contido e polido e uma atmosfera onde todos falam baixinho e prezam por hábitos corteses.

Fundado em 1953 (prelúdio do primeiro hotel da grife, aberto em 1956, na região da República), o restaurante Ca’d’Oro homenageia os pratos de outrora no menu do almoço e do jantar. Fabrizio, o neto, trouxe de volta à cena clássicos como codornas com polenta, casoncelli de vitelo, coelho ao vinho branco e pato a Colleoni (servido com três figos, em referência àquilo de você sabe quem), além de risotos, ossobuco e carpaccio, verdadeiras excentricidades para a São Paulo daquela época. Mas quem reina absoluto entre as mesas é o Gran bollito misto alla Piemontese, servido em um gueridom, espécie de mesa e carrinho. Trata-se um cozido misto de carnes e legumes, montado e servido à mesa e acompanhado de molhos verde, de raiz-forte e de mostarda. Um verdadeiro ritual!

Bar serve até hoje caipirinha de grife, responsável por inserir o drinque popular em
restaurantes frequentados pela alta roda paulistana | Foto: Fernando Torres

Já o Ca’d’Oro 2.0 fica mais evidente elevador acima. A começar do número de acomodações, 147 apartamentos de padrão executivo divididos em cinco categorias, de 27 m² a 56 m². Para efeito de comparação, antes eram mais de 400 unidades, cobertas por tapetes persas, douradices rococós e muita pompa e circunstância. Assinado pela arquiteta Patrícia Anastassiadis, o design de interiores buscou atualizar a imagem clássica europeia, com cortinas e estofados de linho, papel de parede discreto e uma delicada peseira de cama em crochê azul-bebê.

Mas o ponto alto mesmo é a vista estonteante para o centro de São Paulo. A depender do apartamento, vê-se o Minhocão, ora o edifício Copan, o Farol Santander ou o cilíndrico edifício Ipiranga, prédio do antigo hotel Hilton e, atualmente, sede do Tribunal de Justiça – tudo emoldurado pela Serra da Cantareira. Ainda mais deslumbrante é a vista a partir da área de lazer, no 27º andar. O espaço compreende academia de ginástica, sauna, solário e piscina climatizada em granito. Ao ar livre, lembra um oásis suspenso, em plena metrópole.

Meu veredito? Fiquei bastante impressionado com a capacidade camaleônica da marca Ca’d’Oro, capaz de, em pleno 2019, ser administrada com classe pela mesma família fundadora, sem intervenções de nenhuma bandeira, ao contrário de hotelões como o Maksoud Plaza, por exemplo, atualmente administrado pela Accor. A ocupação, segundo a gerência, é de 60% a 70%, dentro do percentual médio da hotelaria paulistana.

Piscina e solário na cobertura: oásis
com vista para a metrópole| Foto: Leandro Siqueira

Há quem torça o nariz para a localização, já que a região do Baixo Augusta ainda tem seus deméritos noturnos. Nada que um Uber ou similar não resolva. De dia, porém, adorei o pretexto para descobrir ou redescobrir, a pé mesmo, o centro pulsante. Para os próximos anos, a região ainda deve ganhar o Parque Augusta, conhecido como a última área verde do entorno.

Na próxima semana, a inspector Carla Lencastre fala do Grupo Selina, rede panamenha que acaba de incorporar um hotel na Lapa, ajudando a revitalizar a região central do Rio.

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Hotéis butique em Santiago do Chile

A poucas horas de voo das principais capitais brasileiras, Santiago do Chile tem uma pequena coleção de hotelões, como Ritz-Carlton, W e Mandarin Oriental (ainda em fase de branding). Mas a lista de hotéis butique também não decepciona e ainda garante mais personalidade e originalidade na estadia. Veja as minhas escolhas durante duas recentes passagens pela cidade:

Luciano K
Instalado em um edifício art déco de 1920, é uma joia arquitetônica, espetada no bairro Lastarria, o primo hipster da Vila Madalena. O prédio, construído pelo célebre arquiteto chileno Luciano Kulczewski, já foi o mais alto do país e o primeiro a ter elevador e calefação. Reinaugurado em 2015, manteve a encantadora cápsula de ferro do elevador, o mármore da escadaria, os pisos e as portas de vidro e madeira.

As 38 acomodações são divididas em quatro categorias: standard, superior, deluxe – na qual me hospedei, com banheira revestida em madeira que dá vista para o Parque Florestal e para o rio Mapocho – e duas suítes. Os quartos têm ar moderno e refinado, em tons de azul, bancadas em mármore branco, portas de vidro com mosaico no banheiro e o melhor blecaute de hotel da vida.

Para o banho de banheira, amenidades inspiradas no mundo do vinho | Foto: Fernando Torres

O terraço, também com vista para o verde urbano, passa uma atmosfera descolada, com cardápio de comidinhas, drinques – não perca o welcome drink! – e uma “piscininha amor” ao ar livre para os dias de verão. Já o térreo conta com espaço onde é servido o desjejum e um bar/lounge de drinques mais intimista. Todos os espaços são abertos a não hóspedes. A sauna fica no primeiro piso.

Detalhe que me chamou a atenção: as flores naturais no quarto
Ponto fraco: a piscininha é realmente “inha”

Ladera Hotel

Fachada com segunda pele de aço sobre o vidro premiada em Paris | Foto: Fernando Torres

A fachada toda modernosa, com segunda pele de aço vazado sobre o vidro, entrega o conceito design da propriedade, sob o comando do renomado estúdio Larraín – o projeto venceu o prêmio internacional Prix Versailles 2017, na categoria melhor fachada de hotéis. Interior adentro, a estética de vanguarda predomina no hall social, no jardim de inverno e nos 36 apartamentos.

O Ladera está instalado em trecho residencial do bairro Providência, com mansões à la Jardim Europa por todo o canto e a poucos passos do Parque Metropolitano, onde fica o Cerro San Cristóbal. As opções de comércio, incluindo restaurantes, ficam do outro lado da avenida Costanera, que margeia o rio Mapocho. Para transitar de lá para cá, o hotel empresta bicicletas gratuitamente.

O hóspede também conta com a comodidade de bebidas e snacks do frigobar inclusos na diária, bem como um lanche da tarde, muito bem servido, por sinal. O restaurante do hotel, aberto ao público, e o serviço de quarto atendem bem a demanda de quem chega cansado do Valle Nevado e não quer botar o pé pra fora. Ah, e o café da manhã é servido a (quase) qualquer hora do dia!

No rooftop, a piscina com bordas de vidro acena para a vista de 360 graus, incluindo a imponente torre Sky Costanera, com a cordilheira dos Andes ao fundo. A piscina não é aquecida, problema contornado pela jacuzzi do SPA no térreo. E também pela ducha Vichy, um aparelho com cinco jatos de água horizontais, que se posicionam na região dos chacras, estimulando a circulação e o relaxamento.

Welcome candy apples na recepção: mimo inusitado de boas-vindas | Foto: Fernando Torres

Detalhe que me chamou a atenção: as inusitadas maçãs de amor de boas-vindas na recepção
Ponto fraco: a localização pode ser um problema para quem quer tudo à porta

Leia aqui sobre o hotel-vinícola Vik Chile, a 140 km de Santiago

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O charme do Acqualina Resort em Miami

“Sra.Campos, bom dia! Guardei um lugar perfeito ao ar livre que tenho certeza que você adorará para seu primeiro café do dia”. Jaime me recebeu com um sorriso enorme assim que cheguei à entrada do restaurante e, enquanto falava, me levou a uma mesinha com vista para o mar, protegida por um imenso ombrelone vermelho. Pedi um capuccino e ele emendou, sorrindo: “Mas posso trazer também uma taça de mimosa? Hoje é sábado!”.

Jaime é meu funcionário predileto no Acqualina Resort & Spa, em Sunny Isles, Miami. Daqueles funcionários de hotelaria que nasceu mesmo para lidar com gente. Circula desenvolto no salão, brinca com as crianças, ajuda outros garçons que estão com a bandeja cheia, retira rapidamente um talher colocado de lado por alguém. Tem memória treinada: memoriza o nome dos hóspedes em um instante e guarda as preferências de cada um já no primeiro café da manhã que serve. E o mais importante: discreto que só ele, e sempre com um sorriso no rosto.

No ano passado escrevi aqui sobre hotéis-destino; aquele tipo de hotel que, por si só, vale a viagem. Pois o Acqualina é, sem dúvidas, um dos meus hotéis-destino favoritos e acabo de voltar de nova estadia por lá neste janeiro.

O Acqualina é aquele tipo de hotel que consegue ter o máximo de luxo com o mínimo de frescuras. Ali, instalações, conforto e serviço são nota máxima, mas o hóspede é o tempo todo chamado a literalmente sentir-se em casa, do café da manhã ao jantar. 

Todos os quartos têm vista para o mar. Foto: Mari Campos

Apesar da pompa do arranha-céu de estilo mediterrâneo, tomado de Rolls-Royce em frente à entrada principal, o ambiente interno é sempre relax – afinal, seus hóspedes estão, em sua maioria, simplesmente desfrutando férias à beira-mar. O check in é sempre feito com o hóspede tomando seu champagne ou bellini geladinho, em um clima descontraído, quase informal, sem qualquer tipo de afetação – e rapidinho.  Ali, funcionários chamam a gente o tempo todo pelo nome, do concierge aos garçons, criando laços naturais de intimidade – nas minhas visitas por lá, sempre encontro casais e famílias inteirinhas que são habitués, e frequentam a propriedade há literalmente gerações. 

Membro do sofisticado portfólio da Leading Hotels of the World, o Acqualina fica localizado na ensolarada praia de Sunny Isles, ao norte de Miami, com 98 quartos impecáveis, todos de frente para o mar.  Não à toa, há vários anos ganha o título de melhor resort de frente para o mar dos EUA continental e melhor resort da Flórida em publicações especializadas e também sites tipo Trip Advisor.

Os quartos são muito espaçosos, todos com sala, quarto, enormes banheiros, cápsulas de café nos quartos sem custo (como todo hotel de luxo deve mesmo fazer), amenidades ESPA e convidativos balcões frente ao mar. Ainda tem três ótimos restaurantes, um bar novinho em folha super contemporâneo, um imenso e imperdível ESPA spa (que ganha novos tratamentos toda temporada), três piscinas de cara pro mar, jacuzzis ao ar livre e um serviço de praia de padrões raríssimos de se ver na região (e vai ganhar em breve luxuosíssimas torres de residências, The Estates of Acqualina, que já estão em franca construção logo ao lado do hotel). 

Um dos grandes trunfos do Acqualina é também saber ser um resort tanto para casais quanto para famílias – e tudo é tão bem bolado por ali que ninguém se sente invadido em momente nenhum, nem nas áreas de lazer nem nos restaurantes. Para os pequenos, o hotel conta com ampla infra, monitores e um novo programa de descobertas da vida marinha. Para os casais, oportunidades românticas e de sossego até dizer chega, de cabanas exclusivas pé na praia a jantares customizados.

Serviço de praia super caprichado incluído nas diárias. Foto: Mari Campos

Para quem não tem planos de se hospedar lá por enquanto, recomendo muito o brunch dominical, já que os restaurantes e o bar estão sempre abertos também para não-hóspedes. Por 85 dólares você tem direito a um amplo buffet de frutos do mar, saladas, pratos quentes, massas feitas na hora, itens de café da manhã e sobremesas, além de prosecco, bellinis e bloody marys à vontade – tudo de frente para o mar, com a excelência de serviços do hotel.

Neste 2019, o Acqualina acaba de ganhar uma nova categoria de quarto, a Grand Deluxe Three-Bedroom Oceanfront Suite (como já noticiamos no nosso instagram), que tem três quartos, cozinha gourmet, dois livings, três banheiros completos e balcões com vista para o mar e para o skyline de Miami – tudo com um decor ainda mais contemporâneo e clean, com peças de design dos lençóis aos objetos de décor.  Até abril, quem reservar pelo menos 3 noites em um das novas suítes ganha um dos Rolls-Royce da casa para dirigir sem custos por um dia inteirinho. 

Sendo hotel-destino, o Acqualina poderia estar em qualquer lugar que já seria um baita hotel. Mas ainda por cima está numa das praias mais gostosas da região de Miami, quase ao lado de um dos shopping centers prediletos dos brasileiros (o cada vez maior Aventura Mall, que não para de expandir e ganhar novas lojas e restaurantes), pertinho dos ótimos restaurantes de Bal Harbour e a 20 minutinhos de carro dos agitos de Wynwood Walls, Design District ou Brickell, em Miami. 

Minha única crítica ao hotel? Apesar de tão incrível, de incluir tantos mimos (inclusive prosecco, bellinis e mimosas no café da manhã), o Acqualina inexplicavelmente ainda cobra separado por bebidas quentes como capuccino e latte no buffet de café da manhã – algo imperdoável em um hotel deste porte.

Leia mais sobre o Acqualina Resort & Spa aqui.

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Nizuc e a hotelaria mexicana de primeira linha

Não dá para negar que Cancun tenha andado em baixa no fluxo de brasileiros nos últimos anos. Depois de tanto tempo como queridinho nacional, recebendo hordas de turistas todos os anos, Cancun testemunhou considerável queda no número de brasileiros que visitam o destino – principalmente no mercado de luxo. A zona hoteleira se massificou, adolescentes americanos bêbados tomaram boa parte do boulevard em alguns períodos do ano e os hotéis de luxo da orla já precisam de remodelação há um tempo. Com razão, ganharam espaço os charmosos hotéis boutique de Playa de Carmen e os novos hotéis do complexo hoteleiro de luxo de Mayakoba.

Mas há esperança para o turismo de luxo em Cancun, sim (o destino, aliás, deve ganhar novo fôlego entre brasileiros a partir de meados de 2019, quando voltaremos a ter voo direto do Brasil para lá). E essa esperança atualmente atende pelo nome NIZUC. O charmoso hotel, parte do portfólio da Preferred Hotels, trouxe a hotelaria mexicana de primeira linha, enfim, de volta à cidade.

Localizado a menos de 15 minutos do aeroporto de Cancun, o Nizuc ganha pontos já na largada pro estar instalado com exclusividade na linda Punta Nizuc, sem qualquer grande shopping ou balada na vizinhança. Tem hóspede que mal deixa o hotel durante a estadia, mas vale saber que o “entertainment district” de Cancun está a 20 minutos de carro e o hotel é base excelente para passeios clássicos da Riviera Maya, como as ruínas de Tulum ou Chichén Itzá, as esculturas subaquáticas do MUSA ou um dos muitos cenotes da região.

Foto: Mari Campos

Típico hotel-destino, que já vale a viagem por si só (falo mais sobre isso neste texto aqui), o resort ocupa 29 acres de uma antiga propriedade governamental banhada pelas águas transparentes do Caribe, jardins tropicais e uma imensa área de mangue protegida. Não à toa, o Nizuc foi eleito um dos 10 melhores resorts do México por publicações internacionais como a Travel+Leisure – com o adendo importantíssimo de, na maior parte do ano, ter preços bem mais convidativos que hotéis de mesmo nível em outros cantos do país.

O design premiado conta com uma entrada super imponente, com direito a muita madeira e pedra em todo o resort, mesclando com perfeição o design contemporâneo mexicano com o minimalismo asiático. O paisagismo tropical, do manguezal à beira-mar, também merece destaque.  No total, são 274 acomodações distribuídas entre suítes e vilas – sempre com muito espaço e luz natural, e contando com incríveis banheiras, serviço de mordomo e piscinas privativas na maior parte delas. O resort também é totalmente “access-friendly”.

Detalhe do belo lobby do Nizuc. Foto: Mari Campos

A maior vantagem é que a propriedade é tão grande e tão bem planejada (com tantos espaços diferentes) que, apesar das quase três centenas de quartos, não passa a ideia de “lotada” nem mesmo quando está em sua ocupação máxima. Além de duas prainhas privativas simplesmente deliciosas, com direito a bancos de areia, água turquesa e esportes aquáticos como snorkel e kayak incluídos, o Nizuc conta com cinco piscinas, sendo uma exclusiva para adultos. Aliás, o hotel é family friendly, com excelente kids club incluído, mas consegue muito bem manter uma aura de romance na maior parte do hotel (o menu de atividades românticas, aliás, é extenso, incluindo jantares privativos à beira-mar, pé na areia).

Somem-se a isso duas quadras de tênis, 3 lounge bars com vistas perfeitas para o por do sol (incluindo um com música cubana da melhor qualidade ao vivo) e seis restaurantes caprichadíssimos: Ramona, para autêntica comida Mexicana com twist contemporâneo; Indochine, um asiático irretocável, perfeito para o jantar; Terra Nostra, de cozinha mediterrânea com óbvio destaque para pratos italianos, tudo feito lá mesmo, que serve também um famoso brunch de domingo; Ni, o adorável restaurante peruano do hotel, de ambiente super casual e ceviches simplesmente irretocáveis, perfeitos para os dias quentes da Riviera; Café de la Playa,  o restaurante do café da manhã de todo dia, com gigantesco bufê cheio de “corners” diferentes (e mimosas incluídas todos os dias); e o La Punta Grill & Lounge, à beira da piscina exclusiva para adultos, é ótima opção para pratos leves e grelhados, dia e noite.

As espetaculares banheiras “soak in” do quartos do Nizuc. Foto: Mari Campos

Além das muitas atividades incluídas diariamente na programação “oficial do resort” (incluindo degustação de vinhos mexicanos semanalmente), diversos outros programas podem ser organizados privadamente, de cooking classes e “tequila journeys” a passeios privativos em barcos que saem do próprio píer do hotel.  E é recomendadíssima ao menos uma visita ao seu ESPA-spa durante a estadia: além do excelente menu de massagens com produtos naturais e diversas terapias de raízes mexicanas, o spa conta também com uma incrível área de hidroterapia, imensa e incrivelmente bem coordenada (incluindo uma mini massagem de 10 minutos no final!), como nunca vi em nenhuma outra propriedade.

Mas o maior patrimônio do Nizuc, a meu ver, fica por conta de seu numeroso e sempre cálido staff. Todo hóspede, visitante ou outro membro do staff é sempre saudado com o icônico cumprimento da mão pousada sobre o coração em semi-reverência, que já virou marca registrada do resort.  Exceto pelo serviço de praia (que poderia ser mais caprichado, com funcionários mais atentos e mimos como água mineral gelada cortesia, como tantos outros resorts similares fazem), o serviço em geral é consistente, simpático, afável e antecipador de vontades e necessidades. Belo hotel.

Dá para ler mais sobre minha estadia no Nizuc aqui.

Dá para ler mais sobre resorts no México aqui.

 

 

 

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Natal Luz no novo Wood Hotel, em Gramado

Com mais de 80% da economia voltada ao turismo*, Gramado é modelo nacional em gestão e infraestrutura hoteleira. E a cidade gaúcha acaba de ganhar outra propriedade digna de nota. Aberto em outubro, em uma rua perpendicular à avenida Borges de Medeiros, o Wood Hotel pertence ao grupo Casa da Montanha, que detém mais duas opções de hospedagem no município e o glamping Parador Casa da Montanha, em Cambará do Sul. A inauguração veio em hora estratégica, dias antes da abertura do Natal Luz, a temporada mais concorrida do ano atualmente.

A madeira dá as ordens no design, a começar da fachada em estilo bávaro | Foto: Fernando Torres

O Hotel Inspectors foi convidado para conhecer e “inspecionar” a novidade. Saímos de lá bem impressionados. Com apenas 23 aposentos, o Wood é o que se pode chamar de hotel design, repleto de detalhes e de uma atmosfera que expira entre referências locais e universais.

Como o próprio nome sugere, é a madeira (wood) em estado bruto que dá as ordens. A começar da fachada em estilo bávaro, característica da serra gaúcha. No lobby, boto reparo no caprichado teto sobre a área do bar, rebaixado com blocos irregulares de madeira, o que proporciona efeito de profundidade. Mas há outros pontos de atenção, type o painel Topomorfose, da artista Heloisa Crocco, que envolve a lareira; o teto de ripas, também desniveladas, logo na entrada; a mesa de tronco, no living; a tapeçaria de lã de ovelha da slow designer Ines Schertel; a árvore de Natal de madeira, toda clean, sem bolas e firulas.

Teto do lounge rebaixado com blocos e ripas desnivelados de madeira | Foto: Fernando Torres

Elevador acima, também revestido em madeira, o hotel detém apenas duas suítes, com banheira de porcelana e um painel que se transforma em beliche. Essas unidades são pensadas para acomodar famílias de até quatro pessoas – mas, a meu ver, a jacuzzi propicia um clima beeeem romântico para casais que privilegiam o estilo que se convencionou chamar de “lifestyle”.

Que tal nós dois, nesta banheira de espuma? | Foto: Fernando Torres

Como estava solito, hospedei-me na categoria Room, com uma bela varanda de frente para a rua. Embora não muito grande, o quarto tem detalhes fofos e se esmera em tornar a hospedagem agradável. A começar do cupcake de boas-vindas, disposto em uma tábua feita com exclusividade pela Monã, da vizinha Canela. O frigobar e o minibar de nuts e frutas secas são inclusos na diária e repostos diariamente, bem como as cápsulas de café espresso (alô, alô, Mari Campos!). O ambiente exala o energizante aromatizador de canela, e frases espirituosas dão o tom às amenidades, como a da embalagem do secador de cabelo (“Seu bad hair day termina aqui”).  Os produtos de banho são da L’Occitane.

À noite, na abertura de cama, bombons e uma garrafa de água filtrada recebem o hóspede com pantufas e lençóis Trussardi. Destaque ainda para as minúcias high-tech. Sensores de luz instalados no piso acendem com o movimento de passos, para que ninguém se preocupe em acender a luz. Tomadas mil e saídas USB também proliferam, tanto na cabeceira da cama, quanto em toda a extensão do bar.

É ali, aliás, que está o coração do Wood Hotel. Sob as rédeas do chef Rodrigo Bellora, do premiado Valle Rústico, de Garibaldi (RS), a cozinha do Wood Restaurante & Lounge Bar envereda pelo conceito farm to table, com valorização de ingredientes frescos de produtores locais. O cardápio privilegia pratos regionais com releituras globais, como costela laqueada com demi-glace de butiá (fruta típica da região), capeletti in brodo de aves e polenta na chapa com ragu de bochecha bovina.

Café depois das 11h? Que comam brioches (com ovo mollet e toucinho, pf)! | Foto: Fernando Torres

O esmero também se vê no café da manhã, em sistema de bufê, mas com uma disposição elegante, sem a excessiva quantidade erroneamente confundida com fartura. Para quem gosta de acordar tarde, boa notícia: o desjejum à la carte se estende até 17h, com itens como brioche + ovo mollet  + toucinho ou focaccia com cogumelos.

Para 2019, está prevista a inauguração das unidades do Wood Residences, que terão serviço de camareira do hotel e acesso privilegiado ao restaurante. Senti falta de uma área de lazer. Os hóspedes podem utilizar a piscina e a jacuzzi cobertas do hotel Casa da Montanha, a exatos 180 metros, e uma academia parceira, também na vizinhança. Mas embora as instalações do hotel-irmão sejam boas, não é prático – pense em um dia de chuva, por exemplo – e o deslocamento não condiz com o alto nível das acomodações do Wood. Veredito: um ofurô e/ou uma pequena piscina cairiam muito bem.

*dados da Gramadotur

O jornalista viajou a convite do grupo Casa da Montanha e da Avianca Brasil

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Hyatt Centric Brickell Miami

O novo hotel Hyatt Centric Brickell em Miami

Aberto há apenas seis meses, o novo Hyatt Centric Brickell Miami é boa opção para quem pretende dedicar mais tempo a explorar a Brickell Avenue e arredores, uma das áreas mais interessantes da cidade atualmente. Entre as tantas novidades que não param de surgir na região, o novo Hyatt se destaca pela localização (característica da marca de lifestyle Centric) e pelas vistas panorâmicas. Todos os 208 quartos são voltados para a cidade e a Baía de Biscayne.

Baía de Biscayne, vista do novo Hyatt Centric Brickell Miami
Baía de Biscayne vista da varanda de um dos quartos do novo Hyatt Centric Brickell Miami | Foto de Carla Lencastre

O novo Hyatt Centric em Miami fica perto do Brickell City Centre

Estive hospedada no hotel no fim do mês passado, a convite da Hyatt. Dá para fazer bastante coisa a pé, como ir ao Brickell City Centre, aos muitos bons restaurantes da área ou simplesmente caminhar ao entardecer pela margem da baía. Ou ao amanhecer. Vale a pena acordar para ver o nascer do sol (em torno das 7h da manhã nos meses de inverno).

Nascer do sol Baía de Biscayne Miami
O amanhecer na Baía de Biscayne, em Miami, visto da varanda do quarto | Foto de Carla Lencastre

O Metromover, trem elevado gratuito que circula no Centro de Miami, tem uma estação perto do hotel. A partir dali é possível chegar rapidamente ao Museum Park, onde ficam o Perez Art Museum Miami (PAMM), ótimo museu de arte contemporânea latina, e o Frost Museum of Science, com planetário e aquário, bom programa para famílias. Wynwood e Little Havana estão a cerca de 15 minutos de carro. Para South Beach, conte com 20 ou 30 minutos.

Lobby Hyatt Centric Brickell Miami
Cenas de Havana nos quadros do lobby do novo Hyatt Centric Brickell Miami | Foto Carla Lencastre

A área do Hyatt Centric concentra novos empreendimentos hoteleiros. Nos últimos anos, foram inaugurados o East Miami (junto ao Brickell City Centre), o SLS Brickell e, mais recentemente, o SLS Lux Brickell, entre outras aberturas e renovações. Em uma ilhota em frente ao Hyatt Centric fica o Mandarin Oriental Miami, um dos pioneiros na região, aberto no ano 2000.

Panorama Tower Hyatt Centric Brickell Miami
A Panorama Tower e, à esquerda, o novo Hyatt Centric em Miami

O Hyatt Centric Brickell faz parte da Panorama Tower, o novo arranha-céu mais alto da cidade. A torre de 83 andares está em fase final de acabamento, mas já recebe seus primeiros moradores, que dividem com os hóspedes a ampla piscina climatizada e a hidromassagem. Ambas ficam em um espaçoso terraço no 19º andar, que tem ainda um pequeno bar e dezenas de espreguiçadeiras ao sol, com vista para os prédios da Brickell e para a baía.

Restaurante Caña Hyatt Centric Brickell Miami
Cores fortes no bom bar e restaurante cubano Caña | Foto de Carla Lencastre

Para a decoração contemporânea e a gastronomia, a inspiração veio de Cuba. Bonitas fotos e pinturas com a ilha como tema estão no lobby e nos quartos. O bom bar e restaurante Caña, no segundo andar, oferece cardápio cubano com toques contemporâneos e serve café da manhã, almoço e jantar, sempre à la carte. Na carta de drinques, destaca-se o Smoked Old Fashion. Feito com rum, tem uma bela (e esfumaçada) apresentação.

Quarto Hyatt Centric Brickell Miami
Um dos quartos do novo Hyatt na área da Brickell Avenue | Foto de Carla Lencastre

Os quartos com piso em madeira são amplos, confortáveis e modernos, todos com varanda, muita luz natural, sofá e mesa de centro, mesa alta (que funciona como mesa de trabalho) com cadeiras e tomadas, armário de duas portas, estante com bar bem abastecido e máquina de café. Os espaçosos banheiros não têm banheiras, mas o chuveiro é ótimo, assim como os roupões. O secador de cabelo é famosa marca americana Drybar.

Fachada Hyatt Centric South Beach Miami
O primeiro Hyatt Centric em Miami, em South Beach | Foto de Carla Lencastre

Este é o segundo Hyatt Centric em Miami. O primeiro fica em South Beach. Foi inaugurado em 2015 na 16th Street com a Collins Avenue, entre a Lincoln Road e a praia.

No perfil do Instagram @HotelInspectors tem um destaque com várias outras imagens do novo Hyatt Centric Brickell Miami. Confere lá!

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Leia mais sobre o Grand Brizo, novo hotel no Centro de Buenos Aires.

Leia mais sobre o Lutetia, hotel de luxo reaberto em Paris.

Leia mais sobre um hotel novo da Curio Collection, do grupo Hilton, ao lado do aeroporto de Los Angeles e perto de Venice Beach e de Santa Monica.

 

Volta ao passado em hotéis fazenda no Brasil

Ao longo dos séculos 18 e 19, tropeiros e mineradores cruzavam às matas brasileiras de ponta a ponta, deixando atrás deles rastros de civilização – e uma grande vocação turística. É que a casa-grande das antigas fazendas se transformou em hotel, com piso, paredes e móveis da mesma época em que foram erguidas. Tudo regado à histórica hospitalidade do interior: café passado na hora, licor de jabuticaba e comidas típicas.

Fazenda Fonte Limpa, em Santana dos Montes (MG), de 1742: tombamento histórico | Foto: Fernando Torres

Minas Gerais é uma das campeãs em fazendas históricas. Só o pacato vilarejo Santana dos Montes tem 14 delas, sendo que algumas já descobriram o filão turístico. A Fazenda Fonte Limpa saiu na frente: datada de 1742, foi restaurada nos anos 1990 e abriu as portas para hóspedes em 1997. A casa e a senzala originais, tombadas pelo Patrimônio Histórico, servem comida mineira preparada no fogão à lenha e abrigam boate, biblioteca, capela e um museu da centenária família Nogueira, com vestidos de festa, fotos e documentos. O complexo ainda possui piscinas, sauna, ofurô, salões de jogos, academia e promove cavalgadas pelos arredores nas noites de lua cheia.

Fazenda da Chácara, em Santana dos Montes (MG): casarão de 1741 é porta de entrada para acomodações modernas | Foto: Fernando Torres

Também no município, a Fazenda da Chácara fica em uma área de 126 hectares. Conserva o casarão principal, de 1741, como área de lazer e convivência, mas investe em 28 acomodações modernas e uma taberna para jantares e serestas. Imperdível mesmo é a visita à vizinha Fazenda do Guarará, do mesmo proprietário. Embalado pela cachaça produzida no alambique da fazenda, o fazendeiro Aloísio Pereira gosta de perambular pessoalmente com os visitantes pelos vinhedos de uvas Cabernet, Merlot e Syrah, as plantações de patchouli, o estábulo de criação de gado para leite, o lago de pesca esportiva e, finalmente, a área de produção da cerveja artesanal Loba e da cachaça Itaverense.

Outra dos meus hotéis fazenda preferidos fica em Itu, a Fazenda Capoava, a cerca de 100 km de São Paulo. Erguida em 1750, a casa bandeirista e era um dos maiores engenhos de cana-de-açúcar do século 18; de plantação de café, no século 19; e de gado, nos anos 1930. Só em 2000, a Capoava virou hotel, mantendo a sede principal de taipa e pilão, a capela anexa ao alpendre e as edificações construídas pelos imigrantes italianos, logo após a Abolição.

Restaurante da Fazenda Capoava, em Itu (SP): delícias da culinária caipira | Foto: Fernando Torres

A infraestrutura atual inclui novos chalés, piscina, sauna, quadras de tênis, massoterapia e stand up paddle em um dos cinco lagos que circundam a propriedade. Vale ainda conhecer os arredores, como a Ilha dos Macacos, habitat de macacos-prego, tucanos-toco, araras-canindé e outros animais silvestres, e percorrer a cavalo a trilha de 14 quilômetros que leva ao Armazém do Limoeiro da Concórdia, antiga mercearia que vendia de tudo no século 19. Depois de se empanturrar com as velhas delícias da culinária brasileira, como leitão assado à pururuca, vaca atolada, pão de abobrinha e bolo de milho, a viola caipira anima a noite com o ritmo repentista cururu.

Não é fácil competir com as piscinas naturais e as barreiras de corais de Maragogi, no litoral norte alagoano. Mas a Fazenda Marrecas consegue se sair muito bem. A viagem pelo tempo começa a partir do casarão principal, datado de 1780, que mescla as arquiteturas árabe e portuguesa, na época do governo do português Marquês de Pombal – as paredes são erguidas em torno de armação parecida com uma gaiola de madeira. Outro atrativo histórico é o Engenho Marrecas, cujos registros mais antigos são de 1849. Embora seja uma construção recente, a capela também tem apelo histórico: foi inspirada nas igrejas coloniais de Ouro Preto (MG) e na capela do Forte Brum, em Recife (PE), com peças sacras adquiridas em Roma, sino fabricado em Portugal e altar trazido de Olinda (PE).

Capela da Fazenda Marrecas, com o casarão ao fundo, em Maragogi (AL): cenografia de cinema e novela | Foto: divulgação

Cenográfica, a fazenda serviu de locação para a novela global A Indomada, em 1997 (alô, Canal Viva!), e também do longa Joana Francesa, de Cacá Diegues, de 1973. Só depois dessa fama midiática é que os proprietários decidiam transformá-la em pousada rural, em 2002. Um dos pontos altos dessa fase é a gastronomia, com pratos típicos da culinária nordestina. É o caso das geleias de caju, jaca e banana, bem como a tradicional cachaça envelhecida, ainda produzida no antigo engenho de cana-de-açúcar.

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Loberías del Sur, Carretera Austral

Percorrer as principais atrações da mítica Carretera Austral, que liga Puerto Montt a Villa O’Higgins em mais de 1200 km no Chile, não é uma viagem das mais simples. A estrada na Patagônia Norte chilena (também conhecida como Patagônia Aysén) é difícil, com vários trechos de cascalho e muitas, muitas curvas – e os deslocamentos são invariavelmente longos, requerendo bastante logística e atenção constante de quem estiver dirigindo.

Fiz minha primeira viagem para lá há oito anos e caí de amores pela beleza ainda selvagem da região; mas confesso que trouxe memórias bastante duras do excesso de perrengues na hotelaria e na estrada.

Acabo de voltar de mais uma viagem para lá, mas agora com uma experiência completamente diferente. Desta vez, fiquei hospedada no hotel Loberías del Sur, na pequena Puerto Chacabuco, bem diante dos famosos fiordes de Aysén.

O quarto padrão do Loberías. Foto: Mari Campos

Não se trata de um hotel de luxo – longe disso. Mas o Loberías tem instalações bem confortáveis, quartos bastante grandes e cheios de luz natural, cantinhos aconchegantes nas áreas públicas e um serviço bastante simpático e prestativo em todos os setores, da recepção ao restaurante.

A grande sacada do hotel foi ter criado programas de 3 a 7 noites mais ou menos no estilo de outros hotéis chilenos de exploração que fazem muito sucesso entre brasileiros, como os das redes Tierra e explora. Nos programas, transfers de e para aeroporto, passeios, deslocamentos e todas as refeições já estão todos incluídos – só fica faltando mesmo o bar aberto, já que as bebidas alcoólicas ficam de fora. É possível reservar apenas alojamento e café da manhã e comprar passeios avulsos, mas a melhor alternativa, sem dúvidas, é investir no programa completo. 

Detalhe do lobby do Loberías del Sur. Foto: Mari Campos

Desta vez, graças ao programa, não precisei me preocupar nem por um momento com estrada, mapas, rotas ou onde parar para dormir ou fazer refeições. Todos os passeios saem de manhã e voltam para dormir no próprio hotel – com exceção do passeio às famosas Capelas de Mármore que, por serem tão distantes, conta com pernoite em um lodge mais próximo da atração, mas também já incluído no custo do programa.

Os motoristas e guias foram ótimos durante toda a semana, mesmo nos deslocamentos mais longos (vale dizer que tudo ali é sempre longe), e nossa única preocupação a cada passeio era ter memória suficiente na câmera e no celular para as infindáveis fotos que tirávamos. 

No programa, todas as entradas, taxas e refeições já estão incluídas, seja no dia do catamarã que leva à incrível geleira San Rafael com tudo incluído ou na trilha do Parque Aikén del Sur, que termina com um incrível cordeiro patagônico assado em um típico “quincho” de frente para montanhas e lago. E em uma região em que boa parte das operadoras de telefonia falham, o hotel conta com bom serviço de wifi gratuito (e sauna, salão de jogos e um pequeno fitness center também).

A “Catedral de Mármore”, atração mais famosa de Aysén. Foto: Mari Campos

As melhorias poderiam vir apenas nos jantares do hotel: contam com um imenso buffet de saladas (incluindo deliciosos ceviches) e diferentes opções e pratos quentes e sobremesas; mas ainda há pouca variação no cardápio de um dia para o outro.

Mas achei louvável o Loberías del Sur ter criado, enfim, uma maneira prática e prazeirosa de percorrer a incrível Carretera Austral chilena sem stress ou perrengues, e com total segurança. E mais: perfeitamente factível mesmo para famílias com crianças. 

 

Dá pra ler mais sobre o Loberías del Sur e as melhores atrações das minhas viagens pela Patagônia Aysén aqui.

 

 

 

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Obelisco Buenos Aires vista hotel Grand Brizo

Grand Brizo Buenos Aires, novo hotel no Centro da cidade

Buenos Aires está de volta ao jogo, com o câmbio favorável para quem vive em real. Os preços nos bares e restaurantes, de um modo geral, estão mais baixos do que em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Ou seja, voltou a valer a pena inclusive para uma escapada rápida de fim de semana, como a inspector Mari Campos conta aqui.

Estive em Buenos Aires no início do mês a convite do Destino Argentina, junto com operadores e agentes de viagem, influenciadores digitais e outros jornalistas. O grupo foi dividido em quatro diferentes hotéis da capital: Loi Suites Recoleta; Club Francés, também na Recoleta; o novíssimo Palladio MGallery by Sofitel, e o novo Grand Brizo Buenos Aires, onde fiquei.

Quarto hotel Grand Brizo Buenos Aires
Um dos quartos do Grand Brizo, hotel novo no Centro de Buenos Aires / Foto de Carla Lencastre

O novo hotel no Centro de Buenos Aires fica perto do Obelisco

Aberto este ano e inaugurado oficialmente em outubro, o Grand Brizo está na Cerrito, junto à Avenida 9 de Julio. É uma região muito procurada por brasileiros, principalmente os de primeira viagem, por conta do fácil acesso aos principais pontos turísticos da cidade. O hotel fica a 10 minutos de caminhada do belo Teatro Colón e do Tortoni, um dos cafés notables mais importantes da cidade. A Plaza de Mayo e a Casa Rosada estão a 15 minutos a pé.

O Grand Brizo não é um hotel de luxo, mas é bonito, confortável e ainda com cheiro de novo. Os 192 quartos são amplos (entre 30 e 52 metros quadrados), com piso em madeira, armário de quatro portas, janelas com isolamento acústico, minibar, duas poltronas e mesa de trabalho. Os tons são sóbrios, com elegantes toques de cor na cabeceira da cama e nas almofadas. Os banheiros também são espaçosos, com um ótimo chuveiro. Entre os quartos das categorias confort e superior, a diferença é o tamanho (30m² x 37m²).

Pia banheiro quarto Grand Brizo Buenos Aires
Detalhe do banheiro dos quartos do Grand Brizo / Foto de Carla Lencastre

O terraço ainda está em obras. Ali já estão abertas uma pequena academia, com equipamentos modernos, sauna e jacuzzi em área coberta. No verão deve ser inaugurada a piscina ao ar livre e um bar, com panoramas vertiginosos da 9 de Julio, incluindo o Obelisco, bem perto do hotel. Os quartos de frente, nos andares mais altos, têm a mesma vista.

Grand Brizo Hotel Centro Buenos Aires
A Avenida 9 de Julio vista do terraço onde será inaugurada a piscina do hotel / Foto de Carla Lencastre

No lobby, há um outro bar, este já em funcionamento. No primeiro andar, fica o salão de café da manhã, servido em sistema de bufê. A máquina de café expresso não está à vista, mas é só pedir. Uma bonita escada liga o primeiro andar ao lobby, em tons claros e bem iluminado. O Wi-Fi funciona bem em toda a propriedade. E o atendimento atencioso foi um dos destaques dos meus dias por lá, com pessoas sempre gentis na recepção, no café da manhã e no bar.

Lobby hotel Grand Brizo Buenos Aires
O lobby do hotel Grand Brizo, novidade da Avenida 9 de Julio / Foto de Carla Lencastre

O Grand Brizo Buenos Aires faz parte de um grupo familiar argentino, comandado por mãe e filha. O Alvarez Argüelles Hoteles reúne 13 hotéis sob seis diferentes marcas em seis cidades do país. O mais conhecido é o Costa Galana, hotel de luxo em Mar del Plata. Grand Brizo é a bandeira premium, e o hotel de Buenos Aires é o primeiro deste segmento.

Leia mais sobre o Lutetia, hotel de luxo reaberto em Paris.

Leia mais sobre um hotel novo da Curio Collection, do grupo Hilton, ao lado do aeroporto de Los Angeles e perto de Venice Beach e de Santa Monica.

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Novo Palladio MGallery Buenos Aires

Depois de períodos consecutivos de queda no número de visitantes brasileiros, Buenos Aires deve entrar de novo no nosso radar, inclusive para escapadas de final de semana de viajantes do eixo sul-sudeste. O câmbio está novamente favorável para nós (com um real comprando entre 9 e 10 pesos e preços mais uma vez bastante tentadores principalmente para comer e beber bem) e a cidade está mais bonita, limpa e agradável que nos últimos dois anos. E felizmente a boa onda está vindo também com novos hotéis abrindo suas portas por lá. 

Acabo de passar alguns dias em Buenos Aires a convite do Destino Argentina para testar uma das mais esperadas novidades da hotelaria na capital porteña: seu primeiro hotel da bandeira MGallery by Sofitel, da Accor, o Palladio Hotel Buenos Aires MGallery by Sofitel.   

Foto: Mari Campos

Novinho em folha (o hotel ainda está operando em sistema soft opening apenas para convidados, mas já aceita reservas para estadias a partir da segunda quinzena deste mês), fica no centro, já quase Recoleta, com direito a metrô ao lado.  

O design contemporâneo já chama a atenção de cara no lobby, com a própria recepção integrada ao bar do hotel, e o restaurante Negresco Bistrô (que não testamos, mas deve servir pratos da cozinha mediterrânea) logo ao lado. Para o lazer, spa, fitness center e uma gostosa piscina climatizada ao ar livre, exclusiva para hóspedes. 

Foto: Mari Campos

Como toda propriedade que leva o selo MGallery, o Palladio já chega cheio de história. Seu nome é uma homenagem ao arquiteto italiano Andrea Palladio, um dos grandes mestres para os arquitetos europeus que deixaram sua marca em diversos edifícios porteños do século XVIII. O hotel ocupa o local da antiga casa onde nasceu Rodríguez Peña, que serviu de sede de reuniões que culminaram na Revolução de Maio. Um século depois, o imóvel deu lugar a uma residência ao estilo hôtel particulier francês, e a boisserie de carvalho que revestia as paredes dos salões principais da residência foi conservada com maestria pelo hotel. 

No total, são 113 quartos, todos muito espaçosos e com muita luz natural, wifi de excelente qualidade e Nespresso cortesia. Tomadas, adaptadores e entradas USB em abundância, inclusive ao lado da cama – uma necessidade da vida contemporânea que infelizmente ainda não é regra nem para novos hotéis. Os banheiros também são enormes, com muito mármore e banheira e chuveiro separados. Destaque para o fato de que 3 das 4 categorias têm enormes balcões privativos com interessantíssimos jogos de espelhos externos. O hotel conta ainda com uma “suíte presidencial” em estilo loft, com decoração bastante contemporânea e 89 metros quadrados de área. 

Foto: Mari Campos

Fiquei hospedada em uma “suíte deluxe”, a terceira categoria do hotel, com 57 metros quadrados muitíssimo bem distribuídos entre banheiro, quarto, living e um balcão enorme, com vista desobstruída para a Plaza Rodriguez Peña/Jardin de los Maestros, com o belíssimo Palacio Pizzurno do Ministério de Educação logo em frente. 

O café da manhã em sistema buffet também é completíssimo, bastante variado e com ótimos pratos quentes feitos na hora e horário bastante amplo (e com certa flexibilidade para quem parte muito cedo). Mas o destaque ficou mesmo por conta do serviço atencioso e prestativo, dos doormen ao staff do café da manhã. Excelente novidade para a hotelaria da cidade. 

 

 

 

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