Banheiro La Réserve Paris

O que um roupão de hotel envolve (além do seu corpo)

O estrelado chef britânico Gordon Ramsay é famoso por seu nível de exigência na cozinha. Não parece ser muito diferente nos hotéis onde se hospeda mundo afora. Há um ano, li uma entrevista na revista de bordo da Qantas na qual ele falava sobre o que acha mais importante em um hotel: “A primeira coisa que faço quando entro em um quarto de hotel é conferir se o roupão é confortável. Se não é, já me aborreço” (você pode ler a entrevista completa aqui, em inglês). Para atender às expectativas de hóspedes como o chef e se diferenciarem em um mercado tão concorrido, redes de hotelaria de luxo estão investindo cada vez mais em roupões que fogem do tradicional branco e do tamanho único para gigantes.

Banheiro Nobu Marbella Costa do Sol Andaluzia Sul da Espanha
No banheiro do novo Nobu Marbella, no Sul da Espanha | Foto de Carla Lencastre

Fazer com que o roupão combine com a estética do hotel está se tornando cada vez mais importante nesta área. Hotéis de luxo na Ásia saíram na frente nos detalhes, como em vários outros setores da hotelaria, e há anos que quimonos de algodão, o yukata, estão em propriedades de grandes redes em cidades como Tóquio, entre elas a Mandarin Oriental e a Shangri-La. Não me esqueço a alegria de ver o delicado quimono, dobrado com perfeição em uma linda caixa laqueada, esperando por mim no quarto do MO Tokyo.

A rede Nobu Hotels ainda não chegou ao Japão, mas seus quimonos de inspiração japonesa estão nas propriedades do chef Nobu Matsushita em parceria com o ator Robert De Niro, como o novo Nobu Marbella, inaugurado há um ano, onde estivemos mês passado durante o evento The Essence of Luxury Travel, organizado pela Traveller Made.

Traveller Made: novos hotéis de luxo para ficar de olho

Traveller Made: tendências e novidades da hotelaria de luxo

Roupões com estampas de animais marcam uma mudança

Roupões infantis Macdonald Bear Hotel
Roupões infantis no inglês Bear Hotel | Foto de Carla Lencastre

O assombrado Macdonald Bear Hotel, em Woodstock, na Inglaterra, investe em modelos brancos tradicionais em tamanhos menores para crianças. Do outro lado mundo, o moderno QT Sydney inova com roupões pretos. Mas boa parte do crédito pela inovação nas vestimentas nos últimos anos é da Kimpton Hotels, hoje parte do IHG Group. Ainda hoje me lembro da divertida surpresa de encontrar zebra e leopardo no meu primeiro Kimpton (foto abaixo, seguida do roupão do QT Sydney e do yukata do MO Tokyo).

“Roupões de hotel eram brancos, de um tamanho e estilo que serve para todos. Nunca pensamos desta maneira. O design é importante para a nossa marca, precisamos que os hóspedes percebam isso nos detalhes”, disse Diana Martinez, diretora sênior de design da Kimpton, em uma entrevista mês passado ao site Skift, especializado na indústria de viagens.

No closet do La Réserve Paris | Foto de Carla Lencastre

Recentemente, me encantei com os modelos do La Réserve Paris, um hotel e tanto sobre o qual ainda escreverei aqui. Além dos modelos clássicos no banheiro (foto em destaque no alto do post), no closet você encontra dois lindos roupões leves e macios, em cores e tamanhos diferentes. Não por acaso, são as peças mais vendidas pelo hotel. Os do Nobu também costumam ser comprados pelos hóspedes. Ou seja, o esforço para investir em um bom roupão pode gerar lucro com a venda direta. E fazer com que a boa experiência do hóspede com a marca continue fora do hotel.

A inspector Mari Campos acabou de voltar de uma longa viagem pela Índia, onde se deparou com exemplares únicos. São delas as fotos abaixo, feitas nos hotéis Oberoi Amarvilas, em Agra; Ananda in the Himalayas, nos arredores de Rishikesh, e Suján Rajmahal Palace, em Jaipur.

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A batalha das amenidades na hotelaria

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Trump Hotel Chicago: da polêmica à hotelaria de alto nível

Não tem sido fácil para a hotelaria usar o nome Trump nos últimos tempos. Além da óbvia rejeição de boa parte dos viajantes internacionais e das fotos de turistas fazendo sinais de baixo calão em frente a eles, alguns dos hotéis Trump andaram enfrentando vários problemas ultimamente, como o polêmico Trump Hotel em DC e o o Trump Hotel de Toronto (finalmente colocado à venda).

Uma pesquisa da YouGov para o The Guardian mostrou que enquanto o mercado de luxo tem impressões majoritariamente positivas com marcas hoteleiras como Ritz-Carlton, JW Marriott ou Four Seasons, o mesmo não acontece com a marca Trump no setor. Os Trump Hotels até anunciaram no final de 2016 uma nova marca do grupo, a Scion, focada em millennials.

Em Chicago, assim como em qualquer outro canto dos EUA (e quiçá do planeta), o nome Trump é sinônimo de polêmica, seja política ou socialmente. Mas ali esse mesmo nome Trump é sinônimo também de um dos mais icônicos hotéis da cidade: o Trump International Hotel & Tower Chicago

O icônico edifício do Trump Chicago visto do Loop. Foto: Mari Campos

O gigantesco edifício de 92 andares (o segundo mais alto da cidade e 16º. mais alto do mundo) às margens do rio Chicago chama a atenção de qualquer ponto que se olhe. E, graças a seu desenho todo particular e muito reluzente, virou há muito tempo figurinha facilmente identificável no horizonte da cidade. Parte do prédio é hotel e parte residências. Como é meio de praxe a qualquer edifício de mr. Trump, o design é bastante masculino, misturando com maestria concreto, ferro e vidro na fachada e muita madeira escura e tons acinzentados no interior.

A localização excelente, à beira-rio, nos leva em poucos passos à deliciosa Riverwalk (uma das partes mais gostosas da atualidade em Chicago, cheia de espaços sociais, cafés, restaurantes etc), ao business district, às lojas da Magnificent Mile, ao clássico Loop e diversas opções de bares, cafés e restaurantes nas proximidades. 

Polêmicas à parte, é fato que o hotel tem um dos melhores serviços de hotelaria que já encontrei na cidade. Sou bem fã de outras propriedades em Chicago (como o irretocável Península Chicago, por exemplo), mas no Trump, das amenidades aos restaurantes, é difícil apontar qualquer inconsistência. E há muito conforto em todas as instalações.

São 339 quartos e suítes, mas a sensação que a gente tem na maior parte do tempo é que o hotel esteja vazio.  Os quartos são bastante grandes, sempre com imensas janelas do chão ao teto para contemplarmos o skyline da cidade e as linhas sinuosas do Chicago River da própria cama. Têm área separada de living, espaçosos banheiros com banheira e nespresso cortesia. A internet gratuita é de ótima qualidade e o serviço de quarto (pedi café da manhã assim em um dos dias) é simpático e eficiente. 

Há ainda um belo spa, academia (com empréstimo de tênis para quem viaja sem) e uma gostosa piscina aquecida com vista para Chicago. No quesito gastronomia, o estrelado Sixteen, que sempre foi um dos meus preferidos na cidade, infelizmente não existe mais. Foi substituído pelo mais casual Terrace at Sixteen, com o badalado rooftop bar The Terrace anexo. Para drinks em um ambiente mais discreto e low profile, o hotel tem o Rebar, no primeiro andar, também com vista para o rio. 

Foto: Mari Campos

O serviço de conciergerie do Trump International Hotel & Tower Chicago é mais sisudo mas extremamente eficiente e os processos de check in e check out são feitos de maneira muito rápida e descomplicada. Vale destacar também o ótimo serviço de house car sem custos, que leva os hóspedes (conforme disponibilidade, first come first served) a museus, restaurantes ou para fazer compras nos arredores.

Villa Padierna Palace Hotel

Traveller made: novos hotéis de luxo para ficar de olho

Semana passada foi realizado em Marbella, no Sul da Espanha, o Essence of Luxury Travel (EOL), da Traveller Made. Em sua quinta edição, o evento anual reuniu em 2019 cerca de mil pessoas. Criada a apenas cinco anos por Quentin Desurmont, a Traveller Made reúne hoje 386 agências em 65 países e mais de mil hotéis, hospedagens particulares, iates e jatos privativos, escritórios de turismo e DMCs, todos voltados para o mercado de luxo. Na América do Sul há 33 agências associadas, sendo 21 no Brasil, em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba. A maior quantidade fica na Europa: 173 agências. A lista completa das agências associadas a Traveller Made está neste link.

Agências associadas a Traveller Made em todo o mundo: números apresentados por Quentin Desurmont na conferência de abertura do EOL 2019
Agências associadas (com alguns números desatualizados) à Traveller Made em todo o mundo: dados foram apresentados por Quentin Desurmont na conferência de abertura do EOL 2019 | Foto de Carla Lencastre

O objetivo do EOL é promover networking (e negócios, claro) entre os travel designers associados e seus fornecedores. O evento também discute tendências do mercado de luxo em geral, e não apenas da indústria de viagens, e são apresentados novos produtos com o selo Traveller Made. Destaco aqui alguns hotéis recém-abertos que me chamaram a atenção durante a semana de início de primavera na ensolarada Andaluzia.

Salão de reuniões entre fornecedores e jornalistas, no hotel Grand Meliá Don Pepe, em Marbella, no Sul da Espanha
Salão de reuniões entre fornecedores e jornalistas, no hotel Grand Meliá Don Pepe, em Marbella, no Sul da Espanha | Foto de Carla Lencastre

Almanac Barcelona. Inaugurado oficialmente em fevereiro, tem 61 quartos e 30 suítes com décor contemporâneo na Gran Via de les Corts Catalanes, ao lado do Passeig de Gràcia. A Casa Batlló, uma das obras-primas de Antoni Gaudí, está a menos de dez minutos a pé. O novíssimo hotel de luxo de Barcelona tem um restaurante no térreo, Línia, de cozinha mediterrânea, com entrada independente. O bar Azimuth fica no terraço, ao lado da piscina, com vista panorâmica para a cidade. Sagrada Família incluída.

The Shore Club on Long Bay Beach, Turks & Caicos. O novo resort caribenho do Hartling Group, que tem outros dois hotéis em Turks & Caicos (The Palms e The Sands at Grace Bay), foi aberto em dezembro na linda praia de Long Bay, em Providenciales. São quatro piscinas (uma para adultos), três restaurantes e spa. No total, há 140 quartos, divididos em suítes de um, dois e três quartos, e seis villas na praia de areia branca e mar azul.

A entrada principal do EOL 2019, evento da Traveller Made
A entrada principal do EOL 2019 | Foto de Carla Lencastre

Caesars Bluewaters Dubai. Em uma nova ilha artificial em Dubai, na praia de Jumeirah, o Caesars reúne dois hotéis (Caesars Palace e Caesars Resort) e uma terceira propriedade de apartamentos com serviços (The Residences). Os três estão abertos desde novembro e somam 575 quartos, 12 restaurantes (incluindo a primeira filial do Hell’s Kitchen, de Gordon Ramsay), spa, três piscinas (uma para adultos), praia privativa e beach club com DJ. A propriedade é do grupo do Caesars Palace Las Vegas e tem uma casa de espetáculos, Rotunda, para cinco mil pessoas e shows Vegas style. A ilha terá ainda mais de cem lojas (serão abertas ao longo do ano) e é ligada à costa por uma ponte, que pode ser percorrida a pé.

Fregate Island Private, Seychelles. Esta ilha privativa nas Seychelles, a mais a Leste do arquipélago, não chega a ser uma novidade. Mas está começando uma nova fase depois de ter saído da Oetker Collection no final do ano passado. É um endereço único, onde se chega em grande estilo, de helicóptero, em um voo panorâmico de 15 minutos a partir do aeroporto de Mahé. A ilha tem apenas 17 villas com piscina, vista para o pôr do sol no Oceano Índico e políticas fortes de sustentabilidade. A propriedade é parte do National Geographic Lodges e celebridades de Hollywood convivem com milhares de tartarugas gigantes e centenas de aves.

Campo de golfe no Villa Padierna Palace Hotel
Campo de golfe no Villa Padierna Palace Hotel, em Marbella | Foto de Carla Lencastre

A inspector Mari Campos também participou do Essence of Luxury 2019 e neste post aqui ela conta outras novidades da hotelaria de luxo apresentadas pela Traveller Made. Durante todo o evento, realizado ao longo de quatro dias, ficamos hospedadas no belíssimo resort de golfe Villa Padierna Palace Hotel, membro da Preferred Hotels, a uns 30 minutos de carro do Centro Histórico de Marbella. É do resort a foto em destaque no alto deste post.

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Traveller Made antecipa tendências e novidades da hotelaria de luxo

Escrevo de Marbella, na Espanha, a cidade escolhida neste ano pela Traveller Made (a primeira rede internacional de networking para travel designers exclusivamente dedicada ao turismo de luxo) para reunir mais de 1000 profissionais do setor, entre operadores, hoteleiros, DMCs, agentes de viagem e jornalistas.

Durante o evento The Essence of Luxury 2019, Quentin Desurmont, o fundador da Traveller Made, reafirmou a ideia de que é essencial encarar as viagens de haute façon (para o mercado de ultra luxo dos UHNWIs) do mesmo jeito que as grandes marcas do mercado de luxo em geral e da alta moda o fazem – a Traveller Made lançou no ano passado o termo “haute villégiature” e dá pra ler mais sobre esse conceito aqui. A Traveller Made planeja criar agora uma Haute Villégiature Collection para incluir os melhores hotéis associados do mundo todo. “O cenário futuro é excelente: nossos travel designers associados aumentaram seus negócios em 26,4% em 2018, o mercado de viagens de altíssimo luxo dobrou nos últimos dez anos e, nos próximos 10, a quantidade de quartos disponíveis em hotéis de luxo aumentará mais de 50%”, reforçou Quentin.

Quentin Desurmont apresenta os dados de crescimento de negócios das agências afiliadas à Traveller Made. Foto: Mari Campos

O evento destacou também a importância dos players do turismo de luxo (hotéis incluídos, é claro!) construírem adequadamente sua identidade de marca, a exemplo dos maiores nomes do mercado de luxo na moda, como a Chanel. Na hotelaria ganharam destaque as redes Aman e Belmond, que são as únicas marcas hoteleiras a figurarem entre as “top of mind brands” do mercado de luxo em geral. 

Mas diversas outras novidades também foram anunciadas durante o The Essence of Luxury 2019, como a nova penthouse do Hotel Esencia, na Riviera Maya; a nova villa de 5 quartos do Singita no Zimbábue (a rede também abrirá novo lodge em Ruanda em agosto); o início das celebrações dos 50 anos do Pulitzer Amsterdam (comemorados no ano que vem) ou as novas villas do Goldeneye Resort, na Jamaica. 

O evento confirmou também a esperada abertura do The Lodge at Blue Sky, próximo a Park City, para 24 de maio próximo. O hotel de apenas 46 quartos passou nada menos que os últimos quatro anos pesquisando, criando e testando as melhores experiências locais possíveis em seus arredores (de cavalgadas a heliyoga) que agora serão oferecidas a seus hóspedes. Com arquitetura orgânica para completa integração dos quartos e espaços comuns com a natureza que o rodeia, o lodge tem localização conveniente para quem quer explorar os grandes parques (fica a 4h do Grand Canyon, por exemplo), uma destilaria de uísque dentro dos limites da propriedade e terá ski lounge exclusivo para hóspedes em Park City no inverno.

A tendência das mega villas de luxo também se confirmou com a inauguração da Maison Montespan, em Paris: trata-se de uma uma casa de 350 metros quadrados no 16ème parisiense, que deve ser alugada como uma villa, a exemplo dos melhores chalés de estações de esqui como Courchevel (com 5 quartos, serviço de mordomo e conciergerie exclusiva e um rooftop de 70 metros quadrados com vista para a cidade, além de infindáveis mimos). Ao custo de dez mil euros por noite de hospedagem, a super villa que acaba de ser inaugurada teve todos os móveis que ocupam seus cômodos desenhados exclusivamente para a casa.

Detalhe da maior e mais cara villa europeia, a Villa del Mar, no hotel Marbella Club.
Foto: Mari Campos

Durante o evento, o hotel Marbella Club, parte do portfólio da Leading Hotels of the World, nos apresentou sua suíte Villa del Mar, de impressionantes 6300 metros quadrados de área. A maior e mais cara villa de toda a Europa conta com arquitetura marroquina, de frente para o mar de Marbella, e é quase um hotel por si mesma, com direito a três andares, hammans, 9 banheiros e uma imensa piscina própria.

A Traveller Made conta hoje com 385 agências membro em 65 países (movimentando mais de 2,5 bilhões de euros anuais) e mais de mil hotéis, DMCs, Private villas, yacht, private jets e escritórios de turismo parceiros.  Ainda falaremos mais por aqui sobre outras novidades e tendências da hotelaria anunciadas no evento. 

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O novo 9Confidentiel Paris e o peso de Philippe Starck na hotelaria

É inegável que Philippe Starck seja uma espécie de mago no design da hotelaria contemporânea. Foram os projetos de Starck que alçaram à fama imediata hotéis como o red&hot Faena de Buenos Aires ou mesmo o Fasano Rio com sua indefectível piscina. 

O nome mais intimamente ligado ao eclético mundo do design hoteleiro desde os anos 80, Starck agrega valor imediato a qualquer projeto do qual faça parte, de Nova York à Singapura. Craque em mesclar em seus ambientes conforto e excitação, espaços cheios de enigmas com surpresas emocionais, Starck sempre apostou na harmonia entre o funcional e o emocional. Aos 69 anos, o francês foi o responsável por duas das mais esperadas inaugurações hoteleiras de Paris do último ano: os geniais 9Confidentiel e Brach Paris.

Participei do soft opening do 9Confidentiel Paris dias antes de sua abertura oficial em dezembro útlimo. Apesar das opulentas portas do lado de fora, o ambiente interno é pequeno, discreto e extremamente aconchegante. Parte da coleção L.V.X da Preferred Hotels, o hotel fica localizado no artsy Marais, rodeado por galerias, boutiques e infinitas opções para comer e beber. 

São apenas 29 exclusivos quartos decorados com cores pastéis e os inconfundíveis jogos de espelhos de Starck por toda parte – muito rosa e bronze e oscilações entre o neoclassicismo e a modernidade. Segundo ele, cada quarto e suíte foi desenhado como uma “candy box para cortesãos”, inspirado na elegância dos anos 20, 30 e 40 e fazendo uma verdadeira ode ao charme parisiense e sua atmosfera romântica. Os quartos são pequenos, mas incluem belíssimas vistas para os inconfundíveis telhados de Paris – e os jogos de espelhos conferem ótimo senso de amplitude ao banheiro. 

Apesar de em uma das noites ter sido literalmente a única hóspede do hotel todo, pude constatar que a excelência em serviço foi uma constante durante toda minha hospedagem – incluindo staff que fala português fluentemente.  Vale ficar ao menos um dia para o simpático café da manhã à la carte do pequeno restaurante do hotel e para um drink no discreto (porém vibrante) bar com menu exclusivo do premiado mixologista Nico de Soto. 

O discreto bar com menu by Nico de Soto do 9Confidentiel. Foto: Divulgação

Mais Starck em Paris

Inaugurado alguns meses antes, o Brach Hotel fica no 16o arrondissement e, apesar de afastado do circuito turístico da cidade, tem em seu delicioso restaurante ao menos um indiscutível pretexto para se explorar seus arredores (aposte sem medo no brunch dominical da brasserie). 

Parte da Evok Hotels Collection, no Brach o design de Starck foi pontuado pelo romantismo modernista com influências multiculturais da África, da Ásia e da América do Sul. Com muito concreto e vidro, o edifício foi originalmente uma das sedes do serviço postal parisiense nos anos 70. Os 52 quartos trazem muita luz natural com impressões dadaístas misturadas a imagens em preto e branco, máscaras e cerâmicas de diferentes estilos.“É o encontro do modernismo Bahaus com as maravilhas africanas”, diz Starck. O hotel tem ainda um rooftop garden exclusivo de seu restaurante, com vista panorâmica para Paris.

Para 2020, Philippe Starck abre também em Paris a esperada Maison Heler Metz, parte da Curio Collection by Hilton, e o Rosewood São Paulo, que promete ser um verdadeiro “parque vertical” em sua fachada. A conferir.

O bom uso do valentine’s day pela hotelaria internacional

Enquanto no Brasil a hotelaria ainda se mexe muito pouco para celebrar o Dia dos Namorados além de meramente oferecer espumante e chocolates no check in nos quartos, lá fora o mercado hoteleiro já entendeu, há tempos, que a data pode movimentar quantias substanciais para propriedades que souberem investir direitinho.

Capitalizar o Valentine’s Day – celebrado internacionalmente no próximo dia 14 de fevereiro – é possível, sim, sem cair necessariamente nos estereótipos. Acreditar na data como um pretexto para casais investirem em experiências românticas inesquecíveis e na qualidade do tempo que passam juntos está, felizmente, cada vez mais em moda no hemisfério norte. A estratégia do “creating memories” dá certo – tanto que algumas propriedades já estão vendo casais que celebraram um Valentine’s Day no hotel em um ano voltarem em outra data – ou mesmo repetindo a dose da celebração no ano seguinte. 

É o caso, por exemplo, do Acqualina Resort & Spa, em Miami, sobre o qual já falei aqui. O hotel, que tem uma das mais altas taxas de returning guests da cidade, investe em experiências diferentes a cada ano. Não cria experiências fora da caixinha, mas aposta na “criação de memórias” para convencer os hóspedes a repetirem o hotel em outro ano ou outras circunstâncias. Para este 2019, o Valentine’s Day “padrão” vai contar com um jantar exclusivo harmonizado com champagne no AQ Chop House by Il Mulino, mas o menu de possibilidades customizadas para o próprio hóspede é imenso. Vai de tratamentos a dois no ESPA spa da propriedade a românticos jantares à luz de vela, totalmente sob medida, tanto na praia quanto no próprio quarto. 

A hotelaria internacional já descobriu que, com criatividade, o Dia dos Namorados pode ser uma data altamente rentável para o mercado
Experiências exclusivas a dois é a proposta do Four Seasons New York Downtown. Foto: Divulgação

Também nos EUA, o Four Seasons Hotel New York Downtown vai além e está lançando para este Valentine’s Day o Soak Service for Two. Criado pela diretora do spa do hotel Tara Cruz, o serviço inclui um ritual de banho customizado na própria banheira do quarto, com sais do Himalaia, tuberosa e capim limão – com direito a espumante rosé e doces para acompanhar. O Soak Service vai passar a fazer parte do menu regular do hotel, mas no pacote de Valentine’s Day inclui, além da experiência de banho, a estadia por uma noite no hotel e um jantar de cinco passos no restaurante CUT by Wolfgang Puck – e custa desde USD599.

Também em Nova York, o hotel  The Mark , no Upper East Side, membro da coleção Legend da Preferred Hotels & Resorts, resolveu ousar mais esse ano e lançou um “Cardápio Afrodisíaco” como parte do programa do dia 14 de fevereiro.  Por US$290, o casal é brindado com coquetéis elaborados com ingredientes naturalmente afrodisíacos, uma dúzia de ostras frescas, salmão com molho picante de gengibre como prato principal e Red Velvet como sobremesa. Quem quiser, ainda pode customizar o pacote de Valentine’s Day, adicionando a ele itens como lingeries da marca inglesa Agent Provocateur.

Do outro lado do Atlântico o clima romântico também movimenta a hotelaria. O The One Barcelona, membro da coleção L.V.X. da Preferred Collection, preparou um pacote batizado de “Falling in Love”. Se a escolha do nome não foi das mais criativas (nada é perfeito), o conteúdo do pacote, sim. A ideia é que o casal seja recebido no aeroporto em um carro de luxo para o transfer ao hotel, se hospede em uma das exclusivas suítes da propriedade (como a Barcelona, a Sagrada Família ou a Penthouse), tenha uma garrafa de Perrier Jouet e 24 rosas Baccara esperando por eles no quarto, um tratamento exclusivo para os dois no spa com óleos 100% orgânicos e um jantar sob medida preparado pelo chef Miguel Muñoz do Somni Restaurant e servido no próprio restaurante ou na suíte – à escolha do casal. E não para por aí não: após o jantar, a ideia é que os hóspedes sejam levados até o Mood Rooftop Terrace (que tem vistas incríveis para Barcelona) para degustarem coquetéis criados especialmente para a data ao som de um saxofonista tocando ao vivo.  E, é claro, o café da manhã no quarto no dia seguinte também faz parte do pacote – que vale desde 1975 euros. 

E isso só para dar nome a alguns hotéis – basta rolar o dedo no feed do instagram por esses dias para ver como boa parte da hotelaria internacional investe pesado na data. Com criatividade, a hotelaria brasileira também poderia ir bem além da fórmula “garrafa de espumante e chocolates no check in” e transformar o próximo Dia dos Namorados em uma data altamente rentável para o mercado.

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O charme do Acqualina Resort em Miami

“Sra.Campos, bom dia! Guardei um lugar perfeito ao ar livre que tenho certeza que você adorará para seu primeiro café do dia”. Jaime me recebeu com um sorriso enorme assim que cheguei à entrada do restaurante e, enquanto falava, me levou a uma mesinha com vista para o mar, protegida por um imenso ombrelone vermelho. Pedi um capuccino e ele emendou, sorrindo: “Mas posso trazer também uma taça de mimosa? Hoje é sábado!”.

Jaime é meu funcionário predileto no Acqualina Resort & Spa, em Sunny Isles, Miami. Daqueles funcionários de hotelaria que nasceu mesmo para lidar com gente. Circula desenvolto no salão, brinca com as crianças, ajuda outros garçons que estão com a bandeja cheia, retira rapidamente um talher colocado de lado por alguém. Tem memória treinada: memoriza o nome dos hóspedes em um instante e guarda as preferências de cada um já no primeiro café da manhã que serve. E o mais importante: discreto que só ele, e sempre com um sorriso no rosto.

No ano passado escrevi aqui sobre hotéis-destino; aquele tipo de hotel que, por si só, vale a viagem. Pois o Acqualina é, sem dúvidas, um dos meus hotéis-destino favoritos. Fui convidada a me hospedar lá novamente neste janeiro e resolvi traze-lo aqui para o Hotel Inspectors porque acho que é um dos grandes bons exemplos da hotelaria hoje em dia.

O Acqualina é aquele tipo de hotel que consegue ter o máximo de luxo com o mínimo de frescuras. Ali, instalações, conforto e serviço são nota máxima, mas o hóspede é o tempo todo chamado a literalmente sentir-se em casa, do café da manhã ao jantar. 

Todos os quartos têm vista para o mar. Foto: Mari Campos

Apesar da pompa do arranha-céu de estilo mediterrâneo, tomado de Rolls-Royce em frente à entrada principal, o ambiente interno é sempre relax – afinal, seus hóspedes estão, em sua maioria, simplesmente desfrutando férias à beira-mar. O check in é sempre feito com o hóspede tomando seu champagne ou bellini geladinho, em um clima descontraído, quase informal, sem qualquer tipo de afetação – e rapidinho.  Ali, funcionários chamam a gente o tempo todo pelo nome, do concierge aos garçons, criando laços naturais de intimidade – nas minhas visitas por lá, sempre encontro casais e famílias inteirinhas que são habitués, e frequentam a propriedade há literalmente gerações. 

Membro do sofisticado portfólio da Leading Hotels of the World, o Acqualina fica localizado na ensolarada praia de Sunny Isles, ao norte de Miami, com 98 quartos impecáveis, todos de frente para o mar.  Não à toa, há vários anos ganha o título de melhor resort de frente para o mar dos EUA continental e melhor resort da Flórida em publicações especializadas e também sites tipo Trip Advisor.

Os quartos são muito espaçosos, todos com sala, quarto, enormes banheiros, cápsulas de café nos quartos sem custo (como todo hotel de luxo deve mesmo fazer), amenidades ESPA e convidativos balcões frente ao mar. Ainda tem três ótimos restaurantes, um bar novinho em folha super contemporâneo, um imenso e imperdível ESPA spa (que ganha novos tratamentos toda temporada), três piscinas de cara pro mar, jacuzzis ao ar livre e um serviço de praia de padrões raríssimos de se ver na região (e vai ganhar em breve luxuosíssimas torres de residências, The Estates of Acqualina, que já estão em franca construção logo ao lado do hotel). 

Um dos grandes trunfos do Acqualina é também saber ser um resort tanto para casais quanto para famílias – e tudo é tão bem bolado por ali que ninguém se sente invadido em momente nenhum, nem nas áreas de lazer nem nos restaurantes. Para os pequenos, o hotel conta com ampla infra, monitores e um novo programa de descobertas da vida marinha. Para os casais, oportunidades românticas e de sossego até dizer chega, de cabanas exclusivas pé na praia a jantares customizados.

Serviço de praia super caprichado incluído nas diárias. Foto: Mari Campos

Para quem não tem planos de se hospedar lá por enquanto, recomendo muito o brunch dominical, já que os restaurantes e o bar estão sempre abertos também para não-hóspedes. Por 85 dólares você tem direito a um amplo buffet de frutos do mar, saladas, pratos quentes, massas feitas na hora, itens de café da manhã e sobremesas, além de prosecco, bellinis e bloody marys à vontade – tudo de frente para o mar, com a excelência de serviços do hotel.

Neste 2019, o Acqualina acaba de ganhar uma nova categoria de quarto, a Grand Deluxe Three-Bedroom Oceanfront Suite (como já noticiamos no nosso instagram), que tem três quartos, cozinha gourmet, dois livings, três banheiros completos e balcões com vista para o mar e para o skyline de Miami – tudo com um decor ainda mais contemporâneo e clean, com peças de design dos lençóis aos objetos de décor.  Até abril, quem reservar pelo menos 3 noites em um das novas suítes ganha um dos Rolls-Royce da casa para dirigir sem custos por um dia inteirinho. 

Sendo hotel-destino, o Acqualina poderia estar em qualquer lugar que já seria um baita hotel. Mas ainda por cima está numa das praias mais gostosas da região de Miami, quase ao lado de um dos shopping centers prediletos dos brasileiros (o cada vez maior Aventura Mall, que não para de expandir e ganhar novas lojas e restaurantes), pertinho dos ótimos restaurantes de Bal Harbour e a 20 minutinhos de carro dos agitos de Wynwood Walls, Design District ou Brickell, em Miami. 

Minha única crítica ao hotel? Apesar de tão incrível, de incluir tantos mimos (inclusive prosecco, bellinis e mimosas no café da manhã), o Acqualina inexplicavelmente ainda cobra separado por bebidas quentes como capuccino e latte no buffet de café da manhã – algo imperdoável em um hotel deste porte.

Leia mais sobre o Acqualina Resort & Spa aqui.

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A Hotelaria de luxo e a sustentabilidade possível

Não é de hoje que o turista se preocupa com a sustentabilidade de suas viagens. Do rastro de carbono dos voos aos canudos de nossas bebidas, cada vez mais nos engajamos em fazer nossas viagens mundo afora o mais eco-friendly possíveis. No mercado de luxo, este tem sido um tópico ainda mais pulsante, e há ainda mais tempo – tanto que diversas propriedades perceberam, felizmente, que conjugar o máximo de conforto e a excelência em serviços com sustentabilidade é um casamento pra lá de possível. Tão certeiro, aliás, que diversos hotéis já estão nascendo voltados para essa filosofia.

É o caso, por exemplo, do novíssimo Kudadoo Maldives Private Island by Hurawalhi , um refúgio exclusivo em uma ilha privada das Maldivas com apenas 15 acomodações em sistema overwater bungalow. Ali, tudo está incluído, do fine dining aos tratamentos de spa.  Parte essencial do luxuoso resort desde seu primeiro projeto, 300kv de painéis solares estão incorporados aos telhados, garantindo autosuficiência energérica à ilha – tornando-o o primeiro resort de luxo totalmente sustentável no arquipélago.  Além disso, somente plantas e árvores nativas foram culivadas no local, estrategicamente plantadas para prevenir erosão. O consumo de plástico é reduzido, há programa de reciclagem de alimentos e estufas produzindo localmente itens frescos para os hóspedes.

O Kudadoo Maldives Private Island by Hurawalhi, nas Maldivas. Foto: Diego de Pol (Divulgação).
O Kudadoo Maldives Private Island by Hurawalhi, nas Maldivas. Foto: Diego de Pol (Divulgação).

O adorável Borgo San Pietro , na Toscana, era terra abandonada e foi totalmente re-cultivado pelos donos, que plantaram ali milhares de árvores, certificando suas terras como “organic farmlands” e garantindo produtos fresquíssimos ao seu restaurante estrelado no Michelin.  Também criaram uma linha de cosméticos naturais usando o máximo de sua própria produção agrícola – com direito a laboratório de pesquisa e produção in loco, sem desperdício de nada.

Mas alguns hotéis vão seguramente mais longe, com os safari camps da Great Plains Conservation . A rede de acampamentos de safári estrategicamente distribuídos por 3 países africanos (falo mais deles aqui) , fundada pelo casal Beverly e Derek Joubert, já nasceu de fato sustentável. Seu irretocável Zarafa Camp, no norte da Botsuana, foi o primeiro camp/lodge de safári 100% auto-suficiente energeticamente do país.

Extremo conforto sem abrir mão da sustentabilidade e conservação no Duba Plains da Great Plains Conservation. Foto: Mari Campos
Extremo conforto sem abrir mão da sustentabilidade e conservação no Duba Plains da Great Plains Conservation. Foto: Mari Campos

Mais que isso, a Great Plains desenvolveu todo seu business plan (são oito camps diferentes hoje, incluindo um novinho em folha, o Mpala Jena, inaugurado em dezembro passado no Zimbábue) apostando em um turismo totalmente sustentável (sensível, com baixo volume e baixo impacto), capaz de reverter seus proventos em conservação e apoio às comunidades locais (todo o lucro dos camps é inteiramente reinvestido nos mesmos e nos projetos sócio-ambientais que o casal apoia, dos Rhinos Without Borders ao Lamps for Learning Conservation Camp for Kids).  

Com todas as tendas e áreas comuns construídas com madeiras e lonas recicladas, seus camps unem o máximo do conforto (camas enormes, lençóis de muitos fios, banheiras soak in, gastronomia com selo Relais&Chateaux e outras amenidades de luxo, sobretudo nos absolutamente irrepreensíveis Duba Plains e Zarafa Camp) com o máximo de interação possível com o meio ambiente, incluindo atividades de safári que vão muito além dos game drives tradicionais (como em barcos, canoas, walking safaris etc). Hoje os camps são energeticamente suficientes através de energia solar, reaproveitam alimentos, reciclam lixo etc.

Luxo máximo em sistema tudo incluído no The Brando, um dos hotéis mais sustentáveis do mundo. Foto: Mari Campos
Luxo máximo em sistema tudo incluído no The Brando, um dos hotéis mais sustentáveis do mundo. Foto: Mari Campos

Mas é difícil bater, neste quesito, o resort The Brando , na Polinésia Francesa, considerado um dos mais luxuosos e também um dos mais sustentáveis hotéis do planeta. E também já nasceu 100% sustentável. Para começar, desenvolveu o SWAC (Sea Water Air Conditioning), uma tecnologia de ponta que retira água do mar do fundo do oceano para resfriar o sistema de ar condicionado, de maneira auto-suficiente e em sistema de looping, “devolvendo” a água ao oceano ao final do processo – técnica que já começa a ser pesquisada e implantada por outros hotéis (como o Intercontinental Resort Bora Bora & Thalasso Spa, também no Tahiti; falo mais sobre esses hotéis aqui).

Enquanto isso, estima-se que hotéis da Polinésia Francesa em geral gastem cerca de 60% de seu consumo total apenas em ar condicionado.  O SWAC sozinho é capaz de reduzir em 90% o consumo desse tipo de energia, reduzindo signficantemente os custos da hotelaria enquanto contribui para salvar o planeta – uma solução relativamente simples para ilhas desabitadas (como o atol de Tetiaroa, onde está localizado o The Brando), que são rodeadas de água mas geralmente dependentes do continente para energia. 

O SWAC do The Brando é tão revolucionário que começa a ser implementado também em outros hotéis, como o Intercontinental Resort Bora Bora & Thalasso Spa. Foto: Mari Campos
O SWAC do The Brando é tão revolucionário que começa a ser implementado também em outros hotéis, como o Intercontinental Resort Bora Bora & Thalasso Spa. Foto: Mari Campos

Além disso, o The Brando possui também dois tipos de painéis solares espalhados por toda a propriedade, num total de mais de 3700 deles, que provêem, sozinhos, mais de 60% da energia total necessária para manter um resort de luxo funcionando – sem racionamentos ou restrições para o lado do hóspede.  Até o final desse ano, devem ser auto-suficientes para 75% de sua necessidade energética, dia e noite. Têm também sistema de “food digester” para transformar resíduos alimentícios em composto em 24h, vidros são prensados e entregues a uma companhia polinésia que o reutiliza em construção, latas são vendidas a uma companhia que as transforma em material alumínio básico, óleo de cozinha é redistribuídos a duas companhias que o transforma em combustível biológico, armazenam e reutilizam água das chuvas e mais uma série de medidas inteligentes.

Os hóspedes, é claro, são convidados a separar o lixo inclusive dentro de suas vilas – mas tudo de maneira natural, sem interferir de modo nenhum no conforto deles durante a estadia (o hotel é internacionalmente premiado por seu irrepreensível sistema de hospedagem tudo incluído).  E eles ainda se beneficiam dos produtos fresquíssimos produzidos ali mesmo (de tomates a berinjelas), transformados em pratos de alta gastronomia, e dos mais de 200kg de mel produzidos mensalmente nos apiários espalhados pelo atol. 

É preciso investir alto, é claro. Mas os retornos vêm altos também, seja na redução de custos, na economia de recursos do planeta e, obviamente, nos laços estreitados com os hóspedes – que, sim, estão cada vez mais atentos a tudo. 

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Nizuc e a hotelaria mexicana de primeira linha

Não dá para negar que Cancun tenha andado em baixa no fluxo de brasileiros nos últimos anos. Depois de tanto tempo como queridinho nacional, recebendo hordas de turistas todos os anos, Cancun testemunhou considerável queda no número de brasileiros que visitam o destino – principalmente no mercado de luxo. A zona hoteleira se massificou, adolescentes americanos bêbados tomaram boa parte do boulevard em alguns períodos do ano e os hotéis de luxo da orla já precisam de remodelação há um tempo. Com razão, ganharam espaço os charmosos hotéis boutique de Playa de Carmen e os novos hotéis do complexo hoteleiro de luxo de Mayakoba.

Mas há esperança para o turismo de luxo em Cancun, sim (o destino, aliás, deve ganhar novo fôlego entre brasileiros a partir de meados de 2019, quando voltaremos a ter voo direto do Brasil para lá). E essa esperança atualmente atende pelo nome NIZUC. Convidada a experimentar e avaliar o hotel em outubro passado, pude comprar que o charmoso hotel, parte do portfólio da Preferred Hotels, enfim trouxe a hotelaria mexicana de primeira linha de volta à cidade.

Localizado a menos de 15 minutos do aeroporto de Cancun, o Nizuc ganha pontos já na largada pro estar instalado com exclusividade na linda Punta Nizuc, sem qualquer grande shopping ou balada na vizinhança. Tem hóspede que mal deixa o hotel durante a estadia, mas vale saber que o “entertainment district” de Cancun está a 20 minutos de carro e o hotel é base excelente para passeios clássicos da Riviera Maya, como as ruínas de Tulum ou Chichén Itzá, as esculturas subaquáticas do MUSA ou um dos muitos cenotes da região.

Foto: Mari Campos

Típico hotel-destino, que já vale a viagem por si só (falo mais sobre isso neste texto aqui), o resort ocupa 29 acres de uma antiga propriedade governamental banhada pelas águas transparentes do Caribe, jardins tropicais e uma imensa área de mangue protegida. Não à toa, o Nizuc foi eleito um dos 10 melhores resorts do México por publicações internacionais como a Travel+Leisure – com o adendo importantíssimo de, na maior parte do ano, ter preços bem mais convidativos que hotéis de mesmo nível em outros cantos do país.

O design premiado conta com uma entrada super imponente, com direito a muita madeira e pedra em todo o resort, mesclando com perfeição o design contemporâneo mexicano com o minimalismo asiático. O paisagismo tropical, do manguezal à beira-mar, também merece destaque.  No total, são 274 acomodações distribuídas entre suítes e vilas – sempre com muito espaço e luz natural, e contando com incríveis banheiras, serviço de mordomo e piscinas privativas na maior parte delas. O resort também é totalmente “access-friendly”.

Detalhe do belo lobby do Nizuc. Foto: Mari Campos

A maior vantagem é que a propriedade é tão grande e tão bem planejada (com tantos espaços diferentes) que, apesar das quase três centenas de quartos, não passa a ideia de “lotada” nem mesmo quando está em sua ocupação máxima. Além de duas prainhas privativas simplesmente deliciosas, com direito a bancos de areia, água turquesa e esportes aquáticos como snorkel e kayak incluídos, o Nizuc conta com cinco piscinas, sendo uma exclusiva para adultos. Aliás, o hotel é family friendly, com excelente kids club incluído, mas consegue muito bem manter uma aura de romance na maior parte do hotel (o menu de atividades românticas, aliás, é extenso, incluindo jantares privativos à beira-mar, pé na areia).

Somem-se a isso duas quadras de tênis, 3 lounge bars com vistas perfeitas para o por do sol (incluindo um com música cubana da melhor qualidade ao vivo) e seis restaurantes caprichadíssimos: Ramona, para autêntica comida Mexicana com twist contemporâneo; Indochine, um asiático irretocável, perfeito para o jantar; Terra Nostra, de cozinha mediterrânea com óbvio destaque para pratos italianos, tudo feito lá mesmo, que serve também um famoso brunch de domingo; Ni, o adorável restaurante peruano do hotel, de ambiente super casual e ceviches simplesmente irretocáveis, perfeitos para os dias quentes da Riviera; Café de la Playa,  o restaurante do café da manhã de todo dia, com gigantesco bufê cheio de “corners” diferentes (e mimosas incluídas todos os dias); e o La Punta Grill & Lounge, à beira da piscina exclusiva para adultos, é ótima opção para pratos leves e grelhados, dia e noite.

As espetaculares banheiras “soak in” do quartos do Nizuc. Foto: Mari Campos

Além das muitas atividades incluídas diariamente na programação “oficial do resort” (incluindo degustação de vinhos mexicanos semanalmente), diversos outros programas podem ser organizados privadamente, de cooking classes e “tequila journeys” a passeios privativos em barcos que saem do próprio píer do hotel.  E é recomendadíssima ao menos uma visita ao seu ESPA-spa durante a estadia: além do excelente menu de massagens com produtos naturais e diversas terapias de raízes mexicanas, o spa conta também com uma incrível área de hidroterapia, imensa e incrivelmente bem coordenada (incluindo uma mini massagem de 10 minutos no final!), como nunca vi em nenhuma outra propriedade.

Mas o maior patrimônio do Nizuc, a meu ver, fica por conta de seu numeroso e sempre cálido staff. Todo hóspede, visitante ou outro membro do staff é sempre saudado com o icônico cumprimento da mão pousada sobre o coração em semi-reverência, que já virou marca registrada do resort.  Exceto pelo serviço de praia (que poderia ser mais caprichado, com funcionários mais atentos e mimos como água mineral gelada cortesia, como tantos outros resorts similares fazem), o serviço em geral é consistente, simpático, afável e antecipador de vontades e necessidades. Belo hotel.

Dá para ler mais sobre minha estadia no Nizuc aqui.

Dá para ler mais sobre resorts no México aqui.

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ILTM Cannes 2018 apresenta as mais esperadas aberturas hoteleiras para 2019

Na semana passada, aconteceu no sul da França a ILTM Cannes 2018, o maior e mais importante evento de turismo de luxo do mundo. Durante quatro dias bastante intensos da feira, os principais players da indústria de viagens de luxo se reuniram em Cannes para discutir as principais novidades e tendências do mercado e os novos rumos do setor para 2019. Levada pela Air France, fiz parte do seleto grupo de imprensa convidado para acompanhar as discussões.

O turismo de bem-estar foi tema campeão, já que segundo estudo da Global Wellness Summit (ligada à rede de hotéis Six Senses), dos 4,2 trilhões de dólares movimentados anualmente pela indústria do bem-estar, 639 milhões vêm do turismo. O estudo revelou também que os gastos no turismo de bem-estar crescem duas vezes mais rápido que os do turismo em geral e que aproximadamente 25% dos turistas já busca de conforto e bem-estar em suas viagens. 

Hoteleiros, operadores, agentes e jornalistas discutem as novidades e tendências do turismo de luxo. Foto: Mari Campos

 

Nada mais natural, portanto, que a hotelaria queira também uma fatia deste mercado, seja focando na qualidade de sono de seus hóspedes, na alimentação ou até na minimização dos efeitos do jetlag. Redes como Four Seasons levam tão a sério a ideia do sono restaurador durante uma viagem que desenvolveram sua própria versão da “cama ideal”. Há tempos focando em sustentabilidade, bem-estar e menus balanceados, a Six Senses está lançando até um aplicativo gratuito que promete ajudar a combater os efeitos do jet-lag nos viajantes, o TimeShifter.

Mas a ILTM Cannes 2018 foi também terreno fértil para anúncios de aberturas, parcerias e expansões hoteleiras.  A IHG, que já conta com 200 hotéis, confirmou que está em franco processo de expansão: levou a marca Kimpton para 14 países diferentes e quer expandir e consagrar a marca The Regent como “timeless brand”, inaugurando novas propriedades em Phy Quoc, Jakarta, Hong Kong e Kuala Lumpur.

A Accor também abrirá diversas propriedades no ano que vem em diferentes bandeiras, incluindo Raffles Maldives, Fairmont Rio, Fairmont Century Plaza LA, Sofitel Wafi City Dubai e SO/ Havana. Sua marca SO/, aliás, passa a ser completamente independente da marca Sofitel; e a 21c Museum Hotels se junta à coleção MGallery. 

A The Doyle Collection concluiu o programa multimilionário de “redesign” em oito propriedades europeias (iniciado há cinco anos) e passa a focar cada vez mais em restaurantes e bares que sejam destinos por si sós, esperando atrair público externo cada vez maior em hotéis como The Bloomsbury e The Marylebone . 

A Minor Hotels, que já conta com 164 hotéis em 26 países, traz os novos Anantara Quy Nhom Villas no Vietnã, o Anantara Tozeur Resort na Tunísia, o Anantara Maraú Bahia (antigo Kiaroa) e o Tivoli Evora Eco Resort em Portugal, dentre outros. A empresa também está investindo pesado no seu programa Anantara Private Jet e nos cruzeiros fluviais asiáticos Mekong Kingdom Cruises. 

Os pratos caprichados do chef Marco Colagreco darão a tônica também no esperado Capella Bangkok. Foto: Mari Campos

O grupo Capella confirmou que finalmente abrirá no primeiro semestre do ano que vem sua esperada unidade Capella Bangkok, um projeto que já leva dez anos em execução, com apenas 100 quartos, em uma área pouco convencional para a hotelaria na cidade. O novo hotel contará com diferentes restaurantes (incluindo um sob comando do badalado chef Marco Colagreco) e as experiências ali serão totalmente customizadas para os hóspedes.  Os novos Capella Ubud e Capella Sanya, assim como o Capella Maldives (já em desenvolvimento e que deve abrir em dois anos), também foram assunto recorrente na feira. 

Independente, o Caldera House abre suas portas em Jackson Hole com apenas oito suítes de 2 e 4 quartos cada, focando em experiências customizadas no inverno e no verão – e assumidamente de olho no público brasileiro que frequenta o destino. 

A rede de hotéis boutique Evoke comemorou a evolução da marca e o sucesso de seu mais novo hotel em Paris, o belo Brach Paris, no 16ème arrondissement, que conta com design de Philippe Starck e um delicioso e badalado restaurante.

A Rosewood confirmou a abertura de nada menos que 21 hotéis nos próximos cinco anos, o que a levará a quase dobrar seu portfólio (atualmente em 24 propriedades mundo afora).  Durante a ILTM, foi dada a largada também ao sistema de reservas do Rosewood Hong Kong, cuja dada de abertura foi oficialmente estabelecida em 17 de março. E a rede passa também a investir pesado no público feminino, com o lançamento da campanha #RosewoodGirlfriends, que criou experiências e promoções para incentivar o público feminino a se hospedar em pequenos grupos nos hotéis da rede.

A One&Only Hotels and Resorts comemorou na ILTM o sucesso da recente abertura em Ruanda e também confirmou a inauguração em 2019 de sua propriedade em Montenegro – o esperado primeiro One&Only em solo europeu.

Outras esperadas reaberturas, como dos hotéis Le Sereno St Barth e do Cheval Blanc St Barth na ilha francesa homônima (completamente reconstruídos após a passagem do furacão Irma no ano passado) também foram grandiosamente celebradas durante os dias do evento.

O anúncio mais polêmico durante a feira foi sobre a parceria firmada entre a SLH (Small Luxury Hotels) e o programa The World of Hyatt.  A partir de agora, a SLH passa a ter acesso aos quase 10 milhões de membros do programa de fidelidade da Hyatt e as “qualifying nights” em propriedades SLH passam a contar para a evolução de status no programa. Com o slogan “a perfect match”, a curiosa parceria foi lançada com a justificativa de que a SLH complementaria perfeitamente o portfólio da Hyatt hotéis – mas representantes de ambas bandeiras acabaram não respondendo as perguntas dos jornalistas sobre quais as relações comerciais que estariam por trás disso. 

Confira em breve outras novidades apresentadas na ILTM Cannes 2018 por aqui.

 

 

 

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