Obrigada, Barcelona

29 de outubro de 2015

Se me perguntarem o que foi mais difícil no meu intercâmbio, respondo que foi deixar Barcelona. Sou apaixonada por essa cidade antes mesmo de conhecê-la, e graças a ela terminei o curso de espanhol com uma melhora notável no idioma. Estou quase conseguindo a fluência tão esperada, e percebi isso na última segunda-feira, quando passei uma hora conversando com um nativo e – vejam só! – eu não falava mais portunhol!

Também dei uma melhorada no inglês, de tanto conversar com os gringos do hostel todos os dias. Na última semana chegou um nepalês, e mais dois brasileiros, e o mais engraçado era ver a cara do nepalês quando eu e os brasileiros falávamos português. “Que idioma é esse que vocês tão falando????” – como se fosse alguma linguagem intergaláctica.

Escolher um hostel como hospedagem com certeza foi a melhor coisa que eu fiz, já que não parei de conhecer gente do primeiro ao último dia de viagem, embora tenha aprendido todo tipo de frequência de ronco durante a noite e machucado a mão por dormir em cima dela, culpa do travesseiro, que era mais fino que folha de sulfite.

Perrengues à parte, antes de chegar a Barcelona havia prometido a mim mesma que dançaria a sardana, dança catalã que considero um dos símbolos mais fortes da tradição local. É uma dança bem bizarra pra falar a verdade, na qual você tem que ir contando os passos, e acho que só velho dança isso hoje em dia, mas dane-se, eu queria dançar. Durante todo o intercâmbio acabei me esquecendo da sardana, mas a Catalunha preparou uma surpresinha especial pro meu último final de semana. No sábado peguei um trem e fui visitar Girona, cidade nas proximidades de Barcelona. O plano era passar umas três horas lá, mas gostei tanto que acabei ficando até o final do dia.

Procure pelo Bairro Velho quando for lá. É um local cheio de construções da época romana.

Procure pelo Bairro Velho quando for a Girona. É um local cheio de construções da época romana.

Ao voltar para a estação de trem, uma melodia me chamou a atenção no meio de uma praça, e vi que era uma banda tocando música instrumental. Corri pra assistir, e de repente percebi que havia uma roda de pessoas ao lado da banda – dançando a sardana!! Era a Catalunha me dizendo: – Não queria dançar? Taí a sua chance! -, e entrei na roda cheia de velhos sem pensar duas vezes, errando todos os passos da dança, pra divertimento dos catalães, que logo se propuseram a me ensinar, e ao final eu já tava dançando como eles, de mãos dadas na roda. O que me serve de metáfora, já que ao final de um intercâmbio você se integra de tal forma à cultura e às tradições locais, que quando vê já entrou na dança dos nativos.

Viu? Só dá gente velha dançando

Viu? Só dá gente velha dançando

Uma colega me disse, durante o intercâmbio, que “as pessoas vêm a Barcelona achando que as coisas vão acontecer como num filme!”. E quer saber? Elas acontecem mesmo! Você imagina o seu intercâmbio de um jeito, mas pode apostar: ele será muito melhor! (E já que estamos falando em filme, vale a pena assistir o francês “Albergue Espanhol”, que retrata de forma bem-humorada a vida num hostel em Barcelona).

A partir do momento em que você se apresenta pro mundo, ele se apresenta pra você. É esse o real significado de “intercâmbio”. Porque as coisas que você vai aprender ultrapassarão e muito as linhas de um caderno. As lições estão na convivência com os gringos, na cultura local, nos hábitos dos nativos e até nas placas pela rua.

Mas essa eu não entendi, não. Pra mim significa "Será que cai um cometa hoje?"

Mas essa eu não entendi, não. Pra mim significa “Será que cai um cometa hoje?”

Portanto, se você está pensando em fazer um intercâmbio, não pense. Apenas vá.

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Barcelona, eu volto!

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Menu espanhol

26 de outubro de 2015

Há pessoas que quando viajam a outros países, não gostam das comidas do lugar. Um exemplo é a Daniela, do Rio de Janeiro, que era minha colega de curso e não gostava de quase nada daqui da Espanha. Se comia uma paella, por exemplo, pedia pra tirar os principais ingredientes, que eram os frutos do mar. Depois de um tempo, passou a comer todos os dias em fast food. Na boa? Se você sai do Brasil pra comer só fast food, melhor nem ter saído do País.

Uma das coisas mais legais de fazer intercâmbio é poder conhecer a culinária de outros países, e eu me dei super bem com o menu espanhol. Se você gosta de batata, vai curtir bastante, já que diversos pratos são feitos com esse ingrediente. O melhor exemplo são as patatas bravas (ou batatas bravas), que são batatas cozidas com dois tipos de molho, um deles apimentado (daí o nome ‘bravas’). Outro prato feito com batatas é a tortilla, que parece muito um omelete, tanto na aparência como no sabor.

Da esquerda para a direita: a tortilla e as patatas bravas. O papel embaixo dos pratos mostra diversas opções de tapas

Da esquerda para a direita: a tortilla e as patatas bravas. O papel embaixo dos pratos mostra diversas opções de tapas.

Tem também as tapas, que são porções de aperitivos que variam desde um pão com molho até os pinchos (que são os espetinhos daqui), de carne, frango ou camarão. A comida é tão famosa por aqui, que muitos restaurantes levam o nome Tapa, a exemplo do Tapa Tapa, onde eu sempre gostei de comer. Isso, claro, além da já citada paella, que leva arroz e frutos do mar. Mas nunca, em hipótese alguma, compre uma paella nos restaurantes chineses, que são muitos por aqui e vendem uma comida padronizada, já que os pratos são iguais em todos eles. A verdadeira paella você tem que comer em restaurantes espanhóis.

Já as bebidas envolvem a sangría, que é tipo um ponche, feito com várias frutas, além da cava, que é o champanhe, e não poderia faltar o vinho. Tem também o cacaolate, que é tipo um Nescau, e se toma muito no café da manhã por aqui. E o chocolate quente é totalmente diferente do Brasil, por ser bem mais espesso e parece uma barra de chocolate derretido mesmo.

Descobri que pra comer, não se gasta muito em Barcelona, Se gasta muito pouco, pra falar a verdade. Eu imaginava gastar uns 30 euros por dia, mas tenho gastado cerca de 12, e comendo bem. Claro que o real equivale a cinco vezes isso, mas se for pensar, no Brasil os gastos são maiores. Exemplo: se você tem 100 reais, vai gastar de 15 a 20 reais num almoço, enquanto aqui, se você tem 100 euros, vai gastar 7 num almoço. O dinheiro rende muito mais.

E uma dica pra quem quer gastar pouco é o famoso Menu del Día. São pratos oferecidos a um valor inferior a dez euros que contêm uma entrada (que pode ser salada ou massa, por exemplo), seguida do prato principal, e também uma sobremesa. Achei super em conta esse menu, sem falar que a qualidade da comida é muito boa.

Nas ruas, também é muito comum encontrar barraquinhas de castanhas, e na Barceloneta sempre rola uma feirinha com doces artesanais que são muito bons, a exemplo do doce de amêndoas, todo coloridão.

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O doce de amêndoas parece artesanato

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Os menus costumam ser bem-humorados por aqui. :)

 

A comida também!

E a comida também!

Mas confesso que tô sentindo falta do arroz e feijão, além de salada, que não é muito comum por aqui.

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