Obrigada, Barcelona


Se me perguntarem o que foi mais difícil no meu intercâmbio, respondo que foi deixar Barcelona. Sou apaixonada por essa cidade antes mesmo de conhecê-la, e graças a ela terminei o curso de espanhol com uma melhora notável no idioma. Estou quase conseguindo a fluência tão esperada, e percebi isso na última segunda-feira, quando passei uma hora conversando com um nativo e – vejam só! – eu não falava mais portunhol!

Também dei uma melhorada no inglês, de tanto conversar com os gringos do hostel todos os dias. Na última semana chegou um nepalês, e mais dois brasileiros, e o mais engraçado era ver a cara do nepalês quando eu e os brasileiros falávamos português. “Que idioma é esse que vocês tão falando????” – como se fosse alguma linguagem intergaláctica.

Escolher um hostel como hospedagem com certeza foi a melhor coisa que eu fiz, já que não parei de conhecer gente do primeiro ao último dia de viagem, embora tenha aprendido todo tipo de frequência de ronco durante a noite e machucado a mão por dormir em cima dela, culpa do travesseiro, que era mais fino que folha de sulfite.

Perrengues à parte, antes de chegar a Barcelona havia prometido a mim mesma que dançaria a sardana, dança catalã que considero um dos símbolos mais fortes da tradição local. É uma dança bem bizarra pra falar a verdade, na qual você tem que ir contando os passos, e acho que só velho dança isso hoje em dia, mas dane-se, eu queria dançar. Durante todo o intercâmbio acabei me esquecendo da sardana, mas a Catalunha preparou uma surpresinha especial pro meu último final de semana. No sábado peguei um trem e fui visitar Girona, cidade nas proximidades de Barcelona. O plano era passar umas três horas lá, mas gostei tanto que acabei ficando até o final do dia.

Procure pelo Bairro Velho quando for lá. É um local cheio de construções da época romana.

Procure pelo Bairro Velho quando for a Girona. É um local cheio de construções da época romana.

Ao voltar para a estação de trem, uma melodia me chamou a atenção no meio de uma praça, e vi que era uma banda tocando música instrumental. Corri pra assistir, e de repente percebi que havia uma roda de pessoas ao lado da banda – dançando a sardana!! Era a Catalunha me dizendo: – Não queria dançar? Taí a sua chance! -, e entrei na roda cheia de velhos sem pensar duas vezes, errando todos os passos da dança, pra divertimento dos catalães, que logo se propuseram a me ensinar, e ao final eu já tava dançando como eles, de mãos dadas na roda. O que me serve de metáfora, já que ao final de um intercâmbio você se integra de tal forma à cultura e às tradições locais, que quando vê já entrou na dança dos nativos.

Viu? Só dá gente velha dançando

Viu? Só dá gente velha dançando

Uma colega me disse, durante o intercâmbio, que “as pessoas vêm a Barcelona achando que as coisas vão acontecer como num filme!”. E quer saber? Elas acontecem mesmo! Você imagina o seu intercâmbio de um jeito, mas pode apostar: ele será muito melhor! (E já que estamos falando em filme, vale a pena assistir o francês “Albergue Espanhol”, que retrata de forma bem-humorada a vida num hostel em Barcelona).

A partir do momento em que você se apresenta pro mundo, ele se apresenta pra você. É esse o real significado de “intercâmbio”. Porque as coisas que você vai aprender ultrapassarão e muito as linhas de um caderno. As lições estão na convivência com os gringos, na cultura local, nos hábitos dos nativos e até nas placas pela rua.

Mas essa eu não entendi, não. Pra mim significa "Será que cai um cometa hoje?"

Mas essa eu não entendi, não. Pra mim significa “Será que cai um cometa hoje?”

Portanto, se você está pensando em fazer um intercâmbio, não pense. Apenas vá.

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Barcelona, eu volto!


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