Na última semana uma pessoa me perguntou qual era a minha companhia aérea preferida, afinal de contas eu já tinha postado que voava com a GOL, havia sido conquistado pela TAM e no meu último post fiz campanha para a AZUL voar em Congonhas.
Na verdade esta pessoa ainda se esqueceu da AVIANCA, já que meses atrás cheguei a postar aqui no blog um texto enaltecendo os serviços da empresa de German Efromovich.
Bem, a resposta é que não tenho uma companhia aérea preferida, mas gostaria que todas fossem fortes suficientes e pudessem brigar pelo mercado em igualdade de condições. Para que exista esta igualdade é fundamental que a distribuição de SLOTS seja equilibrada.
SLOTS são as permissões de pouso e decolagem nos aeroportos. Quando não se permite que uma companhia, como a AZUL por exemplo, possa voar em Congonhas e Guarulhos em horários nobres, cria-se uma tremenda desigualdade, privilegiando uma companhia aérea em detrimento de outra.
Na minha visão, deveríamos adotar um modelo muito próximo ao usado pelos esportes norte americanos, os chamados DRAFTS.
Os americanos partem do princípio que o sucesso de qualquer torneio se baseia na competitividade. Ou seja, quanto mais equipes fortes existirem para brigar por um título mais audiência o campeonato terá. E quanto mais audiência e mais interesse do público, mais ingressos e mais produtos dos times são vendidos. Para manter este equilíbrio tudo começa pelo DRAFT que, na verdade, nada mais é do que dar preferência às equipes menores (ou mal posicionadas no último torneio) para escolher primeiro os melhores jogadores recém chegados das universidades.
Numa visão simplista é permitir que AZUL, AVIANCA, TRIP possam ser as primeiras a escolher novos SLOTS que venham a surgir nos aeroportos mais estratégicos.
Ao defender esta tese pode até parecer que sou contra a livre concorrência. Não, eu não sou. Apenas entendo que alguns serviços são estratégicos demais para o desenvolvimento de um país. É o caso da aviação.
Com isso vamos conseguir reduzir os preços?
Não, não vamos. Isto é conversa pra boi dormir. Eu vivi intensamente o período em que o Brasil tinha Varig, Vasp, Transbrasil e TAM voando em igualdade de condições de vários aeroportos do país. E nem por isso os preços caíram. Ao contrário, todos se policiavam bastante e tão logo alguém subia os preços os demais subiam também.
Se não vamos reduzir preços, qual a vantagem?
A melhoria dos serviços. Para ganhar mercado as empresas investiriam mais em “valor agregado”. Aviões mais novos, serviços diferenciados, mais tecnologia e entretenimento à bordo, voos mais diretos, operações pontuais e assim sucessivamente.
Durante nossa fase de Nordeste por exemplo, ao invés de reduzir preços para atrair o público corporativo feminino, lançamos um toalete exclusivo para mulheres equipado com produtos de maquiagem patrocinados por empresas como Avon e Natura. Naquele momento entendemos que as mulheres viajando a negócios precisavam descer dos aviões já preparadas e com a maquiagem retocada para suas reuniões de negócios.Mas de nada adiantaria criarmos diferenciais se não pudéssemos voar de Congonhas em horários convenientes. Afinal ninguém daria importância para isto se nosso voo fosse as 15h.
A verdade é que as empresas são obrigadas a investir em diferenciais quando existe competição.
Isto é lei de mercado. E para termos isto na aviação precisamos ter AZUL, AVIANCA, TAM e GOL competindo nos dois principais aeroportos do país: Congonhas e Guarulhos.
