Nestas últimas semanas alguns amigos (da onça) me estimularam a escrever sobre o movimento dos consolidadores aéreos. Eu resisti bravamente porque não tinha dados muito precisos e, sinceramente, eu evito escrever sobre qualquer coisa que eu não domine 100%. Mas na última terça, alguém me disse o seguinte: “não quero saber sobre a empresa A que entrou no mercado B, quero saber sobre o movimento pelo ponto de vista estratégico do mercado”. Pronto, bastou falar em estratégia para me convencer. Então vamos lá, vou dividir minha análise em 3 pontos:

O cenário: o negócio dos consolidadores não é viagem aérea. É crédito e tecnologia. Embora o mercado de viagens esteja aquecido, o mercado de consolidação está ficando cada vez mais restrito. Os desafios estão concentrados em dois pontos: carteira e rentabilidade. Por um lado ninguém consegue novos clientes porque não existe uma explosão de novas agências. Por outro lado, com a redução das comissões e com os investimentos das companhias aéreas em novas tecnologias, internet e vendas diretas, a rentabilidade está cada vez mais enxuta. Assim, quando você não consegue mais crescer em uma região, a tendência natural é procurar novos mercados.

A ação: não sei quem atacou, nem quem foi atacado, mas a questão principal é que, na busca de novos mercados, alguém invadiu o território de alguém e isto desencadeou reações em série: consolidadores uniram forças, outros diversificaram o mix de produtos, alguns defenderam seu território mudando equipes, contratando mais profissionais e ampliando seus escritórios. Mas o que mais chamou a atenção foi a movimentação territorial. Muitos simplesmente decidiram usar a mesma estratégia de abrir novas filiais, tentando também conquistar novos mercados e novos clientes.

O futuro: como em qualquer guerra, alguns ganharão e outros perderão. O que determinará a partir de agora quem sobrevive e quem morre é a estratégia. A invasão pela invasão é apenas uma ação tática, não é estratégica. E sem estratégia poderá acontecer com qualquer general o que aconteceu com Napoleão em 1812, na invasão da Rússia.

Para relembrar: Napoleão invadiu a Rússia apenas acreditando que se tomasse a capital (Moscou) ele assumiria o poder. Contudo ele não dimensionou todas as condições e cenários que sua tropa poderia enfrentar. Além disso, cometeu um erro crucial: posicionou errado sua base de apoio logístico, de modo que quanto mais o exército francês avançasse, mais longe ele ficaria de suprimentos, armas, remédios e comida. Quando o czar Alexandre I identificou esta falha, ordenou que os russos não atacassem. Ao contrário, ordenou que seu exército recuasse, abandonando cidades e queimando todos os mantimentos e provisões. Sem comida e agasalhos, o exército de Napoleão foi sendo dizimado pela fome e pelo rígido inverno russo, que apresentava temperaturas abaixo de 30 graus negativos. Apesar de ter invadido a Russia com 675 mil homens, Napoleão teve que voltar para a França com apenas 1.000 soldados, 40 cavalos e 5 canhões.

Felizmente nosso cenário é bem mais ameno do que o rigoroso inverno russo. Mas guardada suas devidas proporções, na minha visão, a conquista final de novos territórios será apenas uma consequência natural de quem planejou a melhor estratégia. Quem apenas invadiu por invadir, voltará para a França com apenas 1.000 soldados, 40 cavalos e 5 canhões.

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One thought on “Os consolidadores e a invasão da Rússia

  1. É Alexandre, você conhece esse povo como poucos…
    Mas a Trend também é uma consolidadora, não é mesmo? De hotéis e carros… Em volume de vendas rivaliza com as grandes consolidadoras. O que virá por aí…
    Estamos observando… às vezes atônitos, outras desconfiados, muitas com um sorriso de satisfação… Continuem nos dando notícias.
    Parabéns pelo post

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