Você está preparado para fazer negócios com seus concorrentes?
Se você respondeu “não” a esta pergunta, você não está sozinho. Para muitos empresários aproximar-se de um concorrente, a ponto de fazer negócios em conjunto, não é uma tarefa fácil. Mas segundo alguns especialistas, é bom você começar a rever seus conceitos porque a tendência aponta justamente para o caminho contrário.
O segmento de viagens no Brasil não é tão rico assim em exemplos de mega operações entre concorrentes. Se a memória falhar por favor me avisem, mas acho que a maior parceria que já vivemos no turismo foi o “pool da ponte aérea” nas décadas de 80 e 90. Naquela época, comprávamos as passagens e dependendo do horário do voo poderíamos voar em uma aeronave da Varig, Vasp ou Transbrasil.
Depois disto não me lembro de nenhuma outra parceria tão abragente no mercado de turismo recente. Mas se sairmos do nosso segmento vamos perceber que a globalização e a internet têm propiciado acordos cada vez maiores entre empresas concorrentes.
Para não me alongar muito vamos pegar apenas um exemplo: o Google. Você já parou para pensar com quem o Google concorre? (*)
Se analisarmos enquanto “buscas”, o Google concorre com o Bing.
Se analisarmos enquanto “e-mails”, o Google concorre com a Yahoo e a AOL.
Navegadores? Eles concorrem com a Mozilla.
Telefones celulares e aplicativos móveis? O Google concorre com a Apple.
Mais uma? Ok, verbas de publicidade? O Google concorre com todos os veiculos de comunicação.
E para finalizar: o Google concorre com você! Se você é pai ou mãe certamente você já foi trocado pelo Google enquanto fonte de informação para seus filhos.
Mas parodoxalmente todas estas empresas fazem negócios com o Google. A AOL possui contrato para agregar conteúdo nas listagens de buscas pagas do Google. A CBS, apesar de brigar pelas mesmas receitas, autoriza o Youtube a exibir seus clipes e ainda compartilha as receitas de publicidade vinculadas a eles. A Moziila tem praticamente 100% de sua receita proveniente do Google. E nós, enquanto pais, somos os primeiros a abrir o Google para tirar as dúvidas de nossos filhos. (*)
Agora transporte esta possível tendência para o seu negócio e analise seu principal concorrente. Você certamente encontrará algo no qual você é imbatível, mas também encontrará algumas fortalezas em seu concorrente as quais gostaria de ter em sua empresa.
Neste momento a pergunta a ser respondida é: vale a pena investir milhões para construir esta fortaleza, ou é melhor quebrar paradigmas e unir forças com seu oponente para criar um diferencial realmente significativo?
Responder a esta pergunta não é fácil e depende de muitas variáveis. Mas começar a pensar na hipótese de vender seu produto por um canal que você jamais imaginou, principalmente em um mundo de transformações tão velozes, pode significar a própria sobrevivência de seus negócios.
(*) O trecho que está entre estes sinais foi adaptado do livro “Tudo o que sei sobre Marketing aprendi com o Google”, de Aaron Goldman. Apesar de discorrer sobre um negócio específico, a internet, recomendo este livro a todos que gostam ou trabalham com marketing.