Escritórios de turismo: ser ou não ser?

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Não foi somente o Brasil que fechou seus escritórios de promoção no exterior, essa semana o mesmo ocorreu com o México.

A justificativa pelo fechamento de 21 escritórios de promoção turística em diversos países e, também, o fechamento do Conselho de Promoção Turística do México – CPTM, é de que o novo governo precisa cortar gastos. À partir de agora, a promoção do México no exterior será feita pela Secretaria Nacional de Relações Exteriores com o apoio das Embaixadas.

O funcionamento do CPTM e a promoção do México eram realizados com a arrecadação de um Fundo de Imigração e parte era destinado à promoção do país. Para se ter uma ideia, em 2018 foram investidos 100 milhões de pesos na promoção doméstica e internacional. Esses valores arrecadados agora seguem para outras áreas do governo. Decisões políticas à parte, na verdade o país perde uma fonte de financiamento de sua promoção, além, é claro, do contato direto do país nos mercados emissores.

Esse fato, aliado ao que fechou os escritórios de turismo do Brasil e de outros países pelo mundo afora nos traz uma reflexão geral importante. Os escritórios são braços avançados de promoção internacional em mercados emissores, fazem com que a presença no exterior seja constante, e ao mesmo tempo, mostram a “cara” do turismo para o mercado. Isso compromete os governos e exige ações de promoção que tragam resultados. Por outro lado, com todas as mudanças que a indústria de viagens e turismo vem passando, qual deveria ser o papel inovador desses escritórios? Falar também com o consumidor final ? Mas isso fazemos com outros meios. E como ficaria então a confiança do mercado emissor no turismo do país que se promove?

Complexo né? Venho sempre estudando as ações de promoção dos países pelo mundo, e vejo que muitas não dependem de escritórios, por outro lado, vejo que a presença de profissionais de forma constante nos países traz outra dimensão ao seu compromisso com o emissor. Alguns países trocam seus escritórios próprios por representações, temos várias no Brasil, pode ser uma opção. Ainda assim é preciso conhecer o mercado e mais, ter recursos para fazer ações inovadoras e marcar presença de forma efetiva e constante.

O que você pensa? Quais as alternativas para a presença dos países nos mercados internacionais além da promoção digital e da participação em feiras e eventos de promoção? Será que é preciso inovação na forma como os destinos se conectam com o mercado e com o consumidor final ? Ou a não existência de escritórios ou representações compromete a presença do país e os resultados da atração de visitantes estrangeiros ?

Don´t go, live

airbnbViver um destino, ou num destino. É o que propõe o Airbnb em seu vídeo “Don´t Go There, Live There“. Deixando de lado as questões em debate sobre a concorrência com a hotelaria, ou as taxas e impostos, ou outras polêmicas sobre as formas de hospedagem, quero comentar sobre o conceito que está no foco da campanha.

Os viajantes dizem, não quero fazer programa de turista, quero fazer o que os locais fazem; quero ir a lugares que possibilitem viver como as pessoas daquela cidade passam o seu dia a dia. Também, os especialistas em imagem de lugares dizem, a visão positiva de um país ou destino é mais positiva se as pessoas quiserem não somente visitar, mas trabalhar, morar e investir.

Assista ao vídeo no link acima, e observe que ele propões justamente ao turista virar um habitante local e conviver com as pessoas daquela comunidade. Autenticidade da experiência e ao mesmo tempo fazer coisas que você faria em sua casa. Independente de ficar em hotel ou em imóvel alugado, a questão permanece cada vez mais verdadeira; será que nossa comunicação de destinos ou produtos está pensando e fazendo isso ?