Chegou a hora de Santos

3 de fevereiro de 2012

Muito louvável a iniciativa da cidade de Santos de viabilizar a revitalização da área portuária do maior porto da América Latina e o mais importante do Brasil, tanto para o setor de cargas, quanto para o segmento de cruzeiros marítimos.

Nem preciso levantar, por exemplo, a questão da necessidade de um terminal de cruzeiros moderno e confortável ao turista de navios, pois atualmente é crucial. Afinal de contas, porto é um local complicado…açúcar para um lado, suco de laranja para o outro, carne bovina, soja, milho. Isso falando dos produtos alimentícios.

Mas o que quero destacar é que a cidade merece uma área portuária bem cuidada. Santos exala história e a região do porto, então, desperta um quê de saudosismo que encanta os que por ali passam. Precisa estar bem cuidada e preservada.

O que dizer da Bolsa Oficial do Café, por exemplo? Parece que voltamos no tempo quando entramos no local. Até enxergamos os fazendeiros ainda negociando o preço do café naquele redondel de cadeiras. Se todos os turistas de cruzeiros tivessem a oportunidade de ver as fotos antigas do porto de Santos, que lá dentro estão (como estas abaixo), ficariam abismados de ver como as coisas eram antigamente.

Espero que o Porto Valongo, como é denominado o projeto de revitalização – que vai abranger um quilômetro da faixa portuária de Santos – permita, de fato, o resgate desse sentimento e não nos deixe pensar que a cidade de Santos deixa sua história se esvair em pó.

Café sendo embarcado no porto de Santos em 1880, por Marc Ferrez

Fotografia do Porto de Santos no século XIX, por Marc Ferrez

A segurança dos Cruzeiros Marítimos

26 de janeiro de 2012

Todos acompanharam o trágico acidente com o navio Costa Concórdia, na Itália, e certamente estão seguindo o desenrolar desta história. Gostaria de aproveitar este espaço para reafirmar o meu posicionamento diante dos fatos: estamos todos tristes com o ocorrido e somente as investigações podem trazer as respostas às questões sobre o que aconteceu.

Em tempo, é preciso enfatizar a seriedade e o compromisso com que as companhias de cruzeiros – as mesmas que aqui no Brasil operam – tratam, há décadas, as questões como a segurança dos passageiros e tripulantes. Apesar do que houve, o próprio histórico da indústria de cruzeiros prova que esta continua sendo uma opção muito segura de lazer.

Como prova disso, trago um trecho do blog do presidente e CEO da Royal Caribbean International, e diretor da Cruise Lines International Association (CLIA), Adam Goldstein, sobre o compromisso com a segurança a bordo.

Além disso, coloco dois vídeos do setor, um da Royal Caribbean e outro da Carnival Cruises (em inglês), sobre o foco principal da indústria de Cruzeiros Marítimos: a segurança.

Espero que gostem.

Presidente e CEO, Adam Goldstein fala da dedicação do setor com a segurança a bordo

“O acidente do Costa Concordia é um momento importante na história da indústria moderna de cruzeiros. Precisaremos dos resultados das investigações das autoridades para realmente entender e responder a todas as questões. Mas não precisamos esperar por alguém ou alguma coisa para destacar o papel proeminente da segurança na vida cotidiana de cada navio de cruzeiro e da indústria como um todo.

Há muitos aspectos de segurança e, embora estejamos satisfeitos com nosso pessoal, com os processos e com a tecnologia dessa área, temos de revê-los, especialmente no que diz respeito a recrutamento, formação e evacuação. Estamos preparados para os mais variados cenários, mas agora precisamos ampliar essa gama.

Nas próximas semanas, vamos falar por meio de texto e vídeo sobre muitos dos elementos-chave da segurança. Muitos leitores que nos conhecem bem não vão se surpreender com nosso foco e compromisso com a segurança. No entanto, quem tem menos contato conosco deverá aprender alguns fatos interessantes sobre como preparamos, todos os dias, navios e tripulações para operações de segurança. Como, por exemplo, a preparação rigorosa e a formação contínua que cada capitão da nossa frota é submetido.

Segurança é uma jornada e não um destino. Temos de operar com segurança e constantemente buscar sua melhoria. Precisamos aprender as lições em cada incidente ou acidente, por menor que seja e temos de aplicar as lições aprendidas em toda a frota o mais breve possível. Este ciclo é interminável. Como diz nosso Presidente, Richard Fain, não existe segurança perfeita, mas existe a perfeita dedicação à segurança. E nós nos esforçamos para ser fiel a esse conceito.

Os navios mais novos são beneficiados por décadas de progresso da arquitetura naval. Eles também são beneficiários do desenvolvimento dos requisitos que os navios devem atender, conforme as condições da Organização Marítima Internacional (IMO).

Autoridades globais, regionais, nacionais e locais estão analisando com maior intensidade todos os regulamentos relacionados à segurança dos navios de cruzeiro. Temos um relacionamento forte e positivo com a IMO, a guarda costeira dos Estados Unidos, o governo americano, as autoridades portuárias e inúmeras outras autoridades ao redor do globo. Buscamos trabalhar alinhados para fazer um regulamento de segurança da moderna indústria de cruzeiros ainda mais forte do que já é.

Parece apropriado agora fazer meu apreço explícito e lembrar todos os meus colegas a bordo ou em terra que a vigilância do setor deve englobar cada prática, cada formação, cada plano de viagem, cada análise de incidente ou acidente das operações do navio, todos os dias.

Meus pensamentos e orações estão com aqueles que foram diretamente afetados pelo trágico acidente na Costa Concordia.”

Abraços,
Adam Goldstein, CEO da Royal Caribbean

Vídeos de Segurança a bordo

Royal Caribbean

Carnival Cruise Lines


Mais um novo Terminal de Cruzeiros

10 de janeiro de 2012

Agora é a vez da cidade de São Francisco (EUA) investir em infraestrutura para levar ainda mais turistas para o estado da Califórnia, por meio dos cruzeiros marítimos.

Atualmente, o local possui o Píer 35 que recebe navios de até 304 metros de comprimento, mas já há um projeto – com previsão para inauguração no final de 2014 – de um novo ponto de atracação, o Píer 27, com uma infraestrutura mais moderna e com capacidade para receber navios de até 396 metros. Esta é a foto do projeto do Terminal de Passageiros James R. Herman, no qual pretendem investir US$ 86 milhões.

Os cruzeiros foram responsáveis pelo incremento de US$ 40 mi na região, apenas em 2010. Quase um terço do que os navios geraram para o Brasil, na última temporada.

Para se ter uma idéia de como já estamos ficando para trás, o maior navio da atual temporada brasileira mede 293 metros. Os destinos internacionais estão acompanhando o desenvolvimento da indústria de cruzeiros. Já está mais do que na hora de servir como parâmetro para os destinos brasileiros!

Aproveite o verão para viajar

4 de janeiro de 2012

A gente sempre fala aqui, de forma incansável, sobre o impacto econômico  e  a importância do nosso setor para os municípios. O que nem sempre nos lembramos é que o Turismo exerce um papel maior, que ouso dizer até mais importante se o enxergarmos por outra perspectiva. Uma viagem mexe com a vida das pessoas, com seu imaginário e sentimentos. É um bem intangível, que deixa marcas eternas na lembrança de quem as vivenciou.  

Trabalhar com turismo implica em ser apaixonado por viagens. Por vivenciarmos intensamente este dia-a-dia e viajarmos constantemente a trabalho – o que também é prazeroso, mas de um jeito diferente – torna-se comum esquecermos de nos entregar ao verdadeiro prazer de viajar. 

Quem viaja por puro lazer renova suas energias, troca experiências, amplia seus horizontes, enxerga o mundo sob uma nova perspectiva, quebra aquela rotina chata. Aliás, bom mesmo é rotina de viagem! Acordar cedo para o café da manhã, se arrumar para um passeio, fazer compras ou experimentar a culinária local. 

É difícil encontrar quem não goste disso. Um lugar ou outro pode até não corresponder às expectativas, mas penso que ainda assim é válido. Não é gostoso ver fotos de viagens e reviver aqueles momentos quantas vezes tiver vontade? 

Viagem é um prêmio pessoal, como uma recompensa pelo trabalho duro. E não importa se é campo, praia, montanha ou mar, se a distância é curta ou se você vai estar acompanhado ou não, o importante é arrumar as malas e seguir para algum destino.  

Eu não sei vocês, mas recomendo que aproveitem o verão… Já pensou no seu próximo destino?

MINHA MENSAGEM DE FIM DE ANO

26 de dezembro de 2011

Caros amigos,

No último post do ano quero aproveitar a oportunidade para dizer que 2011 foi excepcional não apenas para mim, já que passei a assumir uma responsabilidade ainda maior à frente da Royal Caribbean, além da Abremar, mas também para nosso setor de cruzeiros.

Trabalhamos muito. Não há dúvidas. A produção da pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, necessária há muito tempo, reafirmou a grandeza do nosso setor perante a economia e a sociedade. A realização do Seatrade South America nos projetou mundialmente e nos aproximou ainda mais das entidades internacionais, o que é ótimo para o fortalecimento da atividade aqui no Brasil. A nossa parceria com o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) significou a primeira martelada na derrubada do muro entre os setores, que surpreendeu a todos.

Muitos foram os progressos mas, infelizmente, também presenciamos retrocessos e desajustes que ainda precisam de um esforço mútuo para solucioná-los. Embora as audiências públicas tenham estreitado nossa conversa com o governo, sentimos que ainda é preciso muita conversa. Prova disso, é a nossa tímida previsão de crescimento e a diminuição do número de navios na temporada brasileira.

Mas, vocês sabem como prefiro ter uma visão positiva das coisas. Sabemos bem como a estrada é longa e o caminho deserto, mas enxergamos lá longe um oásis de oportunidades, e é por isso que não desistimos e temos a esperança de que o ano que entra seja ainda mais surpreendente.

Portanto, para todos os meus leitores e companheiros de jornada, deixo os meus sinceros agradecimentos, um final de ano de muita paz e um 2012 de muitas realizações, prosperidade e sucesso. Para todos nós do Turismo! Que venha 2012!

Paradoxo em Búzios

19 de dezembro de 2011

Nosso País tem mesmo muitos paradoxos. O Brasil se torna auto-suficiente energeticamente com o aumento das reservas de petróleo, mas o preço da gasolina continua firme. Os níveis de desemprego estão cada vez menores, mas as empresas reclamam cada vez mais da falta mão de obra. Com 10 reais, era possível fazer muito mais coisas há dez anos do que hoje em dia, mesmo com o salário mínimo maior e os juros menores…Quem consegue explicar? É difícil de entender.

E o que Búzios tem com isso? Bom, é que encontrei mais um paradoxo que não consigo entender e está relacionado ao Turismo.

Semana passada, a FIRJAN (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) premiou as melhores empresas do Estado e, como melhor companhia em Qualidade de Serviços de Turismo, ganhou a do meu amigo Cesar Fernandes, de Búzios, de quem me orgulho pela dedicação e competência. O Turismo precisa de pessoas comprometidas dessa maneira… ou de guerreiros assim. Mas, mais do que isso, precisa de um governo interessado na causa.

O fato é que a mesma cidade de Búzios que ganhou ainda mais visibilidade por conta deste prêmio reduziu, por uma decisão questionável, a chegada de 30 mil turistas por meio dos cruzeiros marítimos ao diminuir o número de pontos de atracação de navios. Ou seja, são menos turistas para o meu amigo Cesar levar para passear, infelizmente.

E então, quem é que me explica mais este paradoxo? Alguém se habilita?

Crise e investimento

13 de dezembro de 2011

Recentemente, os governos turco e grego – vizinhos e rivais históricos – anunciaram medidas de incentivo ao turismo de cruzeiros marítimos que deixaram os destinos concorrentes de queixos caídos e cabelos em pé!

Além de eliminarem as restrições de cabotagem na região, eles anunciaram a redução de 50% das taxas para os cruzeiros, o que equivale a US$ 10 milhões de apoio governamental ao setor. Tudo isso já para 2012.

Agora, até 2023, a Turquia investirá em remodelação e ampliação de 10 cidades, nove portos, mais quatro novos aeroportos, estradas e infraestrutura de transporte. Vale dizer que, nos nove primeiros meses de 2011, os portos da Turquia receberam 2,2 milhões de passageiros.

Ninguém tem dúvidas de que eles querem mesmo dar um grande impulso no turismo local e estão confiando plenamente no potencial de desenvolvimento dos cruzeiros.

Aí me pergunto: por que eles decidiram fazer isso agora? Seria uma medida de recuperar, por meio do turismo, a economia da região – já que a crise do euro varreu a Grécia, por exemplo? Bom para eles que enxergaram que o turismo é o caminho por onde desenvolvimento chega de verdade.

Enquanto tudo isso acontece por lá – e enquanto pouca coisa se vê por aqui – vamos rezar para que não sejamos nós a perder com esse investimento pesado.

Fila? Quem gosta de fila?

7 de dezembro de 2011

Sei que a maioria dos que acompanham o blog amam cruzeiros, mas também entendem de turismo e ai vai a pergunta: alguém tem voado de avião por ai?

Bem, eu tenho! Nas 2 últimas semanas fui para Londres e agora Miami, Panamá e Colômbia. Férias? Não… Trabalho. E muito…

Mas, e sobre fila? Bem, embarcar em Guarulhos tem sido bastante organizado, mas demorado. O volume cresceu, mas a estrutura não.

Já ouvi de estrangeiros que precisam vir ao Brasil para negócios e gostariam de vir para lazer, mas as filas nos aeroportos os afastam.

Outro dia embarcando encontrei o William Périco, presidente da ABAV – SP e da AVIESP, ambos resignados na fila vivendo a situação que todos os turistas e viajantes de negócios tem passado.

Ainda que os aeroportos estejam ligados diretamente aos cruzeiros, sejam no Brasil ou em todo o mundo, nossa preocupação principal está nos portos e na limitada infraestrutura que hoje temos em relação ao grande mercado que poderíamos ter.

Quando escuto sobre as obras previstas e investimentos para portos, me preocupo em quando e como as obras serão executadas e se o planejamento considera o movimento atual para minimizar o já presente desconforto do turista.

Enfim, podemos dizer que os limites já alcançados de infraestrutura já prejudicam muito o turismo no pais. Às vésperas de Copa do Mundo e Olimpíadas, qual vai ser a imagem do Brasil para os turistas, sejam nacionais ou estrangeiros?

Eu, pessoalmente, e a ABREMAR, institucionalmente, temos levantado com ênfase a bandeira de alerta. Afinal, quem gosta de fila nas férias?

A (DES)INFORMAÇÃO QUE PODE ATRAPALHAR O DESENVOLVIMENTO

28 de novembro de 2011

Na última semana, durante uma apresentação que fiz em audiência pública da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, percebi o quanto de desinformação existe sobre o setor de Cruzeiros Marítimos.

A audiência tinha o propósito de entender melhor as condições de competição entre os setores de hotelaria, resorts e cruzeiros no mercado e esclarecer a disparidade tributária que enfrentam.

Para minha surpresa, muitos acreditavam que os navios não são submetidos a uma tributação tão voraz quanto os setores de acomodação. Não vou entrar no assunto RESORTS X CRUZEIROS, pois isso está inteiramente ultrapassado e nem vale a pena discutir algo tão vazio de argumentação. Aliás, como já contei aqui, os setores estão se aliando por condições melhores para a cadeia turística e para estimular ainda mais o turismo no Brasil.

No entanto, me preocupou bastante a desinformação sobre impostos e procedimentos a que o turismo marítimo é submetido. Muita gente acha que não pagamos alíquotas suficientes, ou que somos privilegiados de alguma maneira. Ou, pior ainda, que não obedecemos a leis para contratação de tripulantes.

Longe disso. Pagamos imposto, sim, e muito. O setor de Cruzeiros Marítimos obedece às regras da CLT e da OIT para contratação de tripulantes e está sob forte regime de tributação: pagamos taxas portuárias, de praticagem, de bagagem, sobre combustível, água, lixo, de cassino, free shop, Visto para tripulantes, PIS, Cofins e muitas outras.

Somos taxados tão exaustivamente quanto diversos outros setores que operam no Brasil. Aliás, já se sabe que essa tributação tem desestimulado a vinda das armadoras para o País, como pode ser visto no crescimento inexpressivo da última temporada.

Espero ter esclarecido isso durante minha exposição. Agora, é bola pra frente! Com espírito de parceria, os setores deverão discutir caminhos para ultrapassar obstáculos comuns, desonerar a cadeia do turismo e desenvolver todo o potencial que nosso país possui!

Viajando e aprendendo

22 de novembro de 2011

Muito bacana a iniciativa de algumas escolas particulares do Rio de Janeiro, mostrada pelo jornal O Globo (21/11), de incluir viagens turísticas como complemento à grade curricular dos seus alunos. 

Esse sim é um projeto interessante que dinamiza o ensino e aguça o instinto curioso dos jovens, que são incentivados a conhecer de perto o que aprendem em sala de aula. Deveria ser matéria obrigatória no ensino brasileiro! 

Afinal de contas, quando a gente viaja, aprende muita coisa sobre história, geografia, biologia, cultura, não é mesmo? Por que não permitir que os nossos alunos realmente se apaixonem por esses assuntos? Duvido que a meninada não se interesse em aprender mais sobre espécies de plantas no meio do Pantanal, por exemplo, e sobre o comportamento dos animais em observações noturnas. Ou então, porque não aprender mais sobre a história do Brasil, visitando cidades importantes neste contexto, como Porto Seguro, com objetivo didático de verdade? 

Fica a sugestão aos nossos representantes e parlamentares que ainda não encontraram uma maneira de estimular o brasileiro a consumir o turismo nacional em todas as suas potencialidades.