Posts com a Tag ‘infraestrutura’

Crise e investimento

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Recentemente, os governos turco e grego – vizinhos e rivais históricos – anunciaram medidas de incentivo ao turismo de cruzeiros marítimos que deixaram os destinos concorrentes de queixos caídos e cabelos em pé!

Além de eliminarem as restrições de cabotagem na região, eles anunciaram a redução de 50% das taxas para os cruzeiros, o que equivale a US$ 10 milhões de apoio governamental ao setor. Tudo isso já para 2012.

Agora, até 2023, a Turquia investirá em remodelação e ampliação de 10 cidades, nove portos, mais quatro novos aeroportos, estradas e infraestrutura de transporte. Vale dizer que, nos nove primeiros meses de 2011, os portos da Turquia receberam 2,2 milhões de passageiros.

Ninguém tem dúvidas de que eles querem mesmo dar um grande impulso no turismo local e estão confiando plenamente no potencial de desenvolvimento dos cruzeiros.

Aí me pergunto: por que eles decidiram fazer isso agora? Seria uma medida de recuperar, por meio do turismo, a economia da região – já que a crise do euro varreu a Grécia, por exemplo? Bom para eles que enxergaram que o turismo é o caminho por onde desenvolvimento chega de verdade.

Enquanto tudo isso acontece por lá – e enquanto pouca coisa se vê por aqui – vamos rezar para que não sejamos nós a perder com esse investimento pesado.

Fila? Quem gosta de fila?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sei que a maioria dos que acompanham o blog amam cruzeiros, mas também entendem de turismo e ai vai a pergunta: alguém tem voado de avião por ai?

Bem, eu tenho! Nas 2 últimas semanas fui para Londres e agora Miami, Panamá e Colômbia. Férias? Não… Trabalho. E muito…

Mas, e sobre fila? Bem, embarcar em Guarulhos tem sido bastante organizado, mas demorado. O volume cresceu, mas a estrutura não.

Já ouvi de estrangeiros que precisam vir ao Brasil para negócios e gostariam de vir para lazer, mas as filas nos aeroportos os afastam.

Outro dia embarcando encontrei o William Périco, presidente da ABAV – SP e da AVIESP, ambos resignados na fila vivendo a situação que todos os turistas e viajantes de negócios tem passado.

Ainda que os aeroportos estejam ligados diretamente aos cruzeiros, sejam no Brasil ou em todo o mundo, nossa preocupação principal está nos portos e na limitada infraestrutura que hoje temos em relação ao grande mercado que poderíamos ter.

Quando escuto sobre as obras previstas e investimentos para portos, me preocupo em quando e como as obras serão executadas e se o planejamento considera o movimento atual para minimizar o já presente desconforto do turista.

Enfim, podemos dizer que os limites já alcançados de infraestrutura já prejudicam muito o turismo no pais. Às vésperas de Copa do Mundo e Olimpíadas, qual vai ser a imagem do Brasil para os turistas, sejam nacionais ou estrangeiros?

Eu, pessoalmente, e a ABREMAR, institucionalmente, temos levantado com ênfase a bandeira de alerta. Afinal, quem gosta de fila nas férias?

O novo-velho porto de Hamburgo

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A Folha divulgou, no último domingo, uma matéria sobre a iniciativa da prefeitura de Hamburgo, no norte da Alemanha, de revitalizar a zona portuária. Achei interessante e quis postar este assunto aqui por curiosidade e para dar um exemplo de destino que acredita nos cruzeiros.

Este porto é o segundo maior da Europa, no quesito carga, e tem inacreditáveis 800 anos de operação. Realmente, somos muito novos! Mas, eles também são novos na indústria de cruzeiros, que se destacou lá na última década. Neste ano, eles esperam mais de 300 mil turistas por meio dos navios.

A grande diferença é que Hamburgo tem sua expertise de operação e logística portuária de centenas de anos e ainda conta com um governo que investe anualmente na ampliação e modernização dessa estrutura. Assim fica bem mais fácil…

Tudo isso tem resultado numa grandiosa e eficiente operação de cruzeiros (veja a foto do novo terminal de cruzeiros). Alias, não acho pretensão dizer que esta revitalização esteja influenciada pelo aquecimento do turismo marítimo local. Eles querem mesmo fazer este setor crescer por lá.

Maré chinesa

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Falei do Chile e, continuando na categoria c-h, falo da China…Uma das civilizações mais antigas do mundo, que já está se rendendo à opção moderna de turismo de lazer, os Cruzeiros Marítimos. A China parece ter decidido abrir, além do mercado, também seus portos – para o turismo – e já investe mais de US$ 150 milhões no terceiro terminal de cruzeiros, em Qingdao.

Aos poucos, a classe média chinesa está provando a experiência de viajar de navio; e as armadoras, claro, cada vez mais interessadas em conquistar um público singelo de aproximadamente 1,3 bilhão de habitantes.

O interesse chinês pelo setor de Cruzeiros cresce na mesma proporção que o número de passageiros. Resta-nos torcer para que não siga o mesmo ritmo de sua economia, com riscos de faltar navio para atender tanto turista e, obviamente, de o Brasil perder mercado!

Precisamos aprender com o Chile

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Taí um bom exemplo de um governo interessado em desenvolver a atividade de Cruzeiros no seu país. O Chile decidiu reduzir os impostos para as companhias que atracarem nos portos chilenos e ainda lançou uma promoção, daquelas do tipo leve três e pague dois.

Em quanto mais portos os navios atracarem, maior o desconto. Se a companhia atracar em três portos, terá um desconto de 80%. E, ainda, se consumir produto nacional – como combustível – terá mais um abatimento na contribuição.

Esse é um incentivo que poderia ser aplicado aqui no Brasil, ou pelo menos tomado como exemplo para a implantação de outro tipo de incentivo. Estimula, inclusive, atracações nos mais diversos destinos. Penso que esse deve ser o posicionamento do governo em relação às atividades econômicas! É preciso incentivá-las e não tolhê-las…

Não há dúvidas de que o turismo marítimo vai crescer no Chile, pois é um destino interessante, que oferece boas opções. Enquanto isso, aqui no Brasil… Arrecadação federal bate recorde em junho e vai a R$ 82,72 bilhões.

Todos os brasileiros querem (esperamos…) e têm direito de viajar

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Isso reflete os bons resultados da economia, que está aquecida, e a abertura dos mercados mundiais. Portanto, não cabe mais implantar o depósito compulsório como já foi feito no passado.

Para aqueles que não sabem ou não viveram a época do compulsório, e deve ser a maioria, foi algo grotesco que visava segurar divisas no Brasil (dólares). Todo turista devia fazer um chamado depósito compulsório para comprar passagens aéreas e moeda estrangeira. A viagem chegava a custar o dobro. Mas, foi a solução da época.

Espero não estar dando ideia, mas já não deve funcionar nos dias atuais. O que chama a atenção é o fato de que a revista Veja da última semana apontou para o recorde de 20 mil passaportes emitidos em um só dia pela Polícia Federal. Muita gente quer viajar para outros países e não tem como segurar – ou tem?

E onde entram os navios? Os navios proporcionam turismo de padrão e qualidade internacional na costa brasileira, durante o verão, para quase 900 mil turistas que ficam no País. Desta forma, os navios acabam ajudando. Por isso a importância de se buscar um ambiente mais adequado para a operação de Cruzeiros no Brasil, a fim de trazer cada vez mais navios à costa brasileira. Já pensaram se os 900 mil decidem pegar um avião para passar férias no exterior?

Além disso, na mesma época, verão, os resorts, os hotéis e a maioria dos destinos do Brasil estão lotados e com tarifas mais altas por ser a “alta temporada”…

Já passou o tempo de ver os navios como inimigos, e sim entender que são uma realidade (ótima) para o consumidor brasileiro e também para o turista internacional, que pode vir ao Brasil através da divulgação que as empresas de cruzeiros fazem dos roteiros no País…

Menos 90 mil turistas para Búzios

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pelo menos do que depender dos navios de Cruzeiros! Infelizmente, esta é a nossa previsão que deve se concretizar na próxima temporada brasileira, já que o número de navios que passarão por Búzios caiu quase pela metade. O fato é que a partir de agora, a cidade terá apenas dois pontos de fundeio para Cruzeiros, ao invés de três.

Isso certamente trará um impacto no movimento econômico que o setor proporciona – que só na última temporada rendeu R$ 57 milhões para Búzios -, afetando o comércio e o turismo locais. É ruim porque quem perde é o município e queremos que os destinos progridam com a nossa atividade, principalmente de forma sustentável. Isso também faz parte do nosso business e é a bandeira levantada pelas armadoras!

Búzios é um destino estratégico na elaboração das escalas, é um local com forte apelo turístico e é o principal destino de navios de Cruzeiros. Não discordamos da necessidade de se criar mecanismos que organizem as escalas dos navios e que evitem impactos negativos, tanto que é uma das propostas do estudo dos portos, elaborado pela Abremar.

Medidas como esta, entretanto, precisam ser elaboradas com a articulação de todos os envolvidos, para que não sejam gerados novos problemas. Estamos dispostos a discutir uma saída aos problemas locais, de modo que os impactos sejam positivos para o destino. Receio que para esta temporada, no entanto, a realidade não seja diferente da que apresento.

Portos travados na burocracia

terça-feira, 28 de junho de 2011

Não estamos a sós quando dizemos que a burocracia brasileira emperra o progresso do transporte marítimo. Empresas de transporte de cargas estão com R$ 25 bilhões no bolso aguardando a aprovação de algum dos 30 projetos de ampliação de terminais privados, que estão parados. Muito dinheiro para o Brasil desperdiçar…

É inacreditável que mesmo neste setor, que é a grande força motriz da economia brasileira, as coisas tenham de caminhar a passos lentos. O problema é que a liberação de um projeto, às vezes, se arrasta por anos e quando sai do papel, já está desatualizado, tamanha velocidade de crescimento do setor. Aí vira uma bola de neve e as necessidades dos portos nunca são supridas, de fato.

Na área do turismo marítimo, acontece da mesma forma. Alguns projetos de ampliação de píeres e terminais de passageiro, para atracação de Cruzeiros Marítimos, estão fazendo aniversário em diferentes instâncias do governo. Dependendo apenas de um aval.

São 40 portos brasileiros com potencial de recebimento de navio de Cruzeiro, mas pouco mais de 20 consegue recebê-los, e nem sempre de forma satisfatória. Há muitos projetos de ampliação, inclusive, inspirados na realização da Copa 2014 que, pela velocidade do trâmite, estão mais fáceis de sair do papel para a Copa da Rússia!