Fim do Professor…

Oi,

O que será de nós? Para o governo, quanto mais alienado formos, maior será a capacidade de manipilação…

vamos reverter este quadro! chegou a hora do Brasil acreditar na Educação e respeitar a figura do professor…

forte abraço e tudo pela FICHA LIMPA !!!!

Mauricio Werner

www.mauriciowerner.com.br

O ano é 2059 D.C. – ou seja, daqui a cinquenta anos – e uma conversa entre avô e neto tem início a partir da seguinte interpelação:

- Vovô, por que o mundo está acabando?

A calma da pergunta revela a inocência da alma infante. E no mesmo tom vem a resposta:

- Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.

- Professores? Mas o que é isso? O que fazia um professor?

O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.

- Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?

- Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.

- E como foi que eles desapareceram, vovô?

- Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade. O vovô não se lembra direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito. Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.

Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos. Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando e você tem que me ensinar”, ou “para que estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada do que você ganha”. Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas. Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”. O professores eram vítimas da violência – física, verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos. Viraram saco de pancadas de todo mundo.

Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarrava na obsessão dos pais com a aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse. “Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”, diziam os pais nas reuniões com as escolas. E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de idéias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas. Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério.

Em seguida, os professores foram desmoralizados. Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor. As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão, sindicalistas – enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade.

Ah, mas teve um fator chave nessa história toda. Teve uma época longa chamada ditadura, quando os milicos colocaram os professores na alça de mira e quase acabaram com eles, que foram perseguidos, aposentados, expulsos do país, em nome do combate aos subversivos e à instalação de uma república sindical no país. Eles fracassaram, porque a tal da república sindical se instalou, os tais subversivos tomaram o poder, implantaram uma tal de “educação libertadora” que ninguém nunca soube o que é, fizeram a aprovação automática dos alunos com apoio dos políticos… Foi o tiro de misericórdia nos professores. Não sei o que foi pior – os milicos ou os tais dos subversivos.

- Não conheço essa palavra. O que é um milico, vovô?

- Era, meu filho, era, não é. Também não existem mais….

Autoria Desconhecida

O futuro é hoje!

www.mauriciowerner.com.br

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14 comentários para “Fim do Professor…”

  1. jose Dantas Filho disse:

    Professor Mauricio Werner,

    Como professor, fico absolutamente impressionado com o texto. Uma síntese real da decadência e da falta de respeito com nós professores relatados nesta magnífica história.
    O que será dos meus netos?
    Parabéns por defender a nossa categoria e tive a oportunidade de ler textos anteriores. Bárbaros!
    O que trata de atendimento, provavelmente só as vítimas do mal atendimento lerão. Certamente irei divulgá-los. Será que este blog é lido por diretores de universidades, cias aéreas, empresas de cruzeiros marítimos, diretores de hotéis?

    Continue falando e escrevendo por nós, dá gosto ler o teu quadradinho do jornal. Que Deus te dê muita disposição para continuar publicando estas pérolas.
    Obrigado, José.

  2. Andrea Gagliardi disse:

    Olá, Maurício!
    Como professora formada que sou, a respeito do seu post, só me resta concluir: sad but true.
    Parabéns pelo seu blog, ele é excelente!

  3. Andrea Gagliardi disse:

    E mais um comentário: o que será dos nossos filhos e netos?

  4. Sheila Claro disse:

    Parabéns, Maurício.

    Também sou professora e desisti da sala de aula porque não aceito rir para os pais enquanto os filhos pequeninos tentam nos agredir e a diretora impede que façamos algo a respeito. Tenho horror ao ter que tratar os pais pessoalmente ou através de um bilhete no caderno, ao invés de usar Sr. e Sra. “Fulano”, escrever “Mamãe e Papai”.

    Um professor de magistério, ator também uma vez encenou para nós em sala de aula o professor Antes e Depois.

    Antes – A professora entrava em sala de aula, com todos os alunos sentados corretamente em suas carteiras, uniformizados que em uníssono lhe desejavam bom dia. Esta de nariz empinado olhava severamente os alunos a procura de algo fora do lugar, iniciava sua aula e posteriormente recebia os pais que os respeitavam e reforçavam seus ensinamentos em casa. Sem esquecer uma maça sobre a mesa pra adoçar o dia e quem sabe o humor deste professor.

    Depois – O professor entra na sala de aula, os alunos muitos sentados SOB suas carteiras, mostram as mais variáveis formas de se vestir o uniforme (quando este existe), quando não expõem (meninos e meninas) boa parte de seu corpo, principalmente o púbis. Ao olhá-los a professora é recebida com uma grande chuva de bolinhas de papel feitas com as folhas do caderno. Acaba a aula, sem que a mesma tenha começado, pois este não consegue por ordem na sala e ao chegar na sala “dos professores” a direção o aguarda acompanhada de um pai que questiona uma nota baixa e possível advertência para o filho. Sem conseguir se explicar devido falta de educação deste pai que não lhe permite a palavra e tenta o agredir.

    Vou enviar este texto para minhas irmãs que não desistiram do magistério, mas que precisam abrir os olhos para um fim que está muito próximo.

    P.S. Odeio os professores ditos “construtivistas” que se respaldam por esta forma de ensino para justificar a preguiça em pensar e realizar atividades que realmente ensinam as crianças.

    Minha mãe hoje com 49 anos diz que ensino era o de sua época que toda semana hasteavam a bandeira e cantava-se o hino nacional e o da bandeira. Ensino era quando se usava caderno de caligráfica (explicação de hoje do porque a maioria dos médicos tem garranchos e não letras). Sabíamos escrever, pois tínhamos que ler os livros para fazermos trabalhos e não utilizar CTRL+C/CTRL+V.

    Pretendo voltar a lecionar, mas para curso superior, orientando Monografias. Comigo, ou vão aprender a escrever ou serão reprovados.

    • Fabrício disse:

      Colega, não confunda as coisas. Trabalho em uma escola construtivista que tem grandes histórias de sucesso para contar. Não somente no ingresso em universidades (que nem sempre prova alguma coisa!), mas na construção de grandes profissionais e humanos. Muitos desses colegas que você disse que são “construtivistas” nem sabem de verdade o que é isso e deturpam (como o governo e uma parcela de professores faz), ideias que não podem ser resumidas em cartilhas e receitas de bolo. O trabalho intelectual de um professor e de um aluno em uma escola construtivista de verdade, é muito mais intenso que muitos imaginam!

  5. Arthur Figueiredo Martins disse:

    Este é um texto que deveria fazer todos refletirem sério sobre o assunto.
    Eu fico até um pouco emocionado com o texto, afinal de contas tenho mãe e irmã professoras que apesar de todos percalços e inúmeros problemas para desmotiva-las na profissão, amam o que fazem, e fazem com uma motivação incrível. Nasceram realmente com o dom de ensinar, pessoas como elas, como o Professor Maurício, que dedicam suas vidas à ensinar, são pessoas muito especiais, na minha opinião.
    São pessoas que merecem muito mais respeito, muito mais reconhecimento, apesar deles desenvolverem este trabalho incrível sem exigirem o respeito e reconhecimento que merecem, e não exigem porque simplesmente amam o que fazem, porque excercem a profissão sem esperar nada em troca.

    Se em todas as profissões tivéssemos pessoas tão apaixonadas com o que fazem assim, não teríamos tantos problemas por exemplo com atendimento comentado em post anterior.

    Saudações turísticas !

  6. mauricio werner disse:

    Jose, Andreia, Sheila e Arhur

    Obrigado pelos comentarios , eu nao sei o que sera do futuro, nao posso prever o futuro, so nao gostaria de ser eliminado pelo futuro.

    por isso, enquanto tiver forcas, vou investindo minha energia na batalha por um pais mais digno, consciente e soberano baseado no capital humano.

    Educacao eh tudo! Sem educacao nao ha desenvolvimento economico social… nao ha nada, nem turismo…

    Me ajudem a multiplicar a visibilidade do blog!

    forte abraco e ate o proximo post!

    Mauricio Werner

    http://www.mauriciowerner.com.br

  7. Thales Ricardo disse:

    professor Mauricio sendo filho de professores pude sentir na pele a diminuição do respeito para com os professores,antes todos os cumprimentavam nas ruas agradecidos pelos conhecimento obtidos em sala de aula e atualmente nenhum de meus pais trabalha na área.Isto ao meu ver é o mais grave,todos dizem que o Brasil deverá mudar pela educação, mas quem hoje em dia quer ser professor?Temos um longo caminho pela frente para reverter esse quadro.Educação é o caminho!

  8. mauricio disse:

    Thales,

    concordo com você e também me assusto com o descaso com os professores…

    Esta deve ser uma luta política! Não há política de educação e enquanto não houver investimento em pesquisa, o Brasil continuará distribuindo bolsas de todos os tipos.

    Para os governos assistencialistas interessa a ignorância massificada, entende? Assim fica mais fácil de manipulá-la.

    Sou professor, adoro o que faço e tenho certeza que outros professores também tem este discurso. Precisamos de uma mídia que possa dar ao professor o respeito que perdeu…

    A mídia, muitas vezes é perversa. Veja a projeção que deram ao tal do Dourado. Virou ídolo de uma juventude sem perspectivas..

    De qualquer forma, a batalha continua. Não podemos nos sentir derrotados e vamos provocando as pessoas com nossos ideais.

    repito: A inteligência move a matéria!

    forte abraço e parabéns pelo comentário

    Mauricio Werner

    http://www.profmauriciowerner.com.br

  9. Irene Vendrami disse:

    Prof. Maurício
    Já tem o meu voto. Acho que é disso que nosso povo precisa: gente inteligente para fazer a diferença.
    Que Deus o abençoe nessa bonita mas árdua caminhada.
    Estou com você e já estou passando informação para minhas amigas e alunas.
    Grande abraço e…. SUCESSO!

  10. Fabrício disse:

    Parabéns ao autor! Você conseguiu fazer uma análise verdadeira do que acontece com a nossa classe, e do que podemos esperar se este rumo não mudar!

  11. Thaís disse:

    Parabéns, também sou professorae e venho de uma família de professores do interior da Bahia, gosto demais do que faço, mas o desrespeito realmente faz com que fiquemos demotivados, são diversos os desrespeitos, principalmente de alguns pais, pois se eles não nos respeitam como que teremos alunos que irão respeitar professores…
    Trabalho em uma escola particular e “sei do que você fala”, porém tenho sorte também de ter alunos super carinhosos e que faz a gente não desistir, histórias de superação de alunos que faz com que nossa profissão tenha sentido… Por isso en quanto der, vou permanecer nessa profissão… Seu texto é maravilhoso…

  12. thiago disse:

    Ótimo texto!!! Muito realista e aponta um provável futuro, não muito distante!

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