Acredite: Buda falou comigo

A diferença entre o Ocidente e o Oriente é real. Latente. Pulsa constantemente a cada esquina.

Em Bangcoc, capital da Tailândia, não é diferente. Na verdade, tudo se transforma em novidade quando se está lá: desde os primeiros raios de sol, acompanhados dos leves movimentos do ioga e/ou feng shui, até o entardecer, com o insistente e pragmático trânsito nas vias principais e o grande movimento dos bares e restaurantes. É lamen para todo lado.

Durante o dia (muitos deles escaldantes), a rotina de um turista de primeira viagem é baseada nos templos budistas. Sim, é recomendável fazer essas paradas obrigatórias para, então, curtir passeios mais alternativos e o dia a dia dos tailandeses. Não tenha dúvida: a essência asiática está estampada nessas suntuosas construções coloridas e repletas de detalhes e história. Vale a visita.

São muitas as lendas envolvendo reis, sacerdotes e mestres na Tailândia. Buda, claro, é sempre o centro das atrações, e ganha interpretações mil a cada representação, seja em estátuas, telas ou cenários (com direito a demônios e cenas de batalha ao redor).

Com seu jeito sereno e solícito, Buda apresentou seu outro lado vencendo guerras (muitas delas interiores) e doutrinando povos. Foi capaz de espalhar provas de sua sabedoria e criou um estilo de vida que hoje é seguido por comunidades em todo o mundo.

Para nós, simples mortais pecadores, fica difícil descrever a sensação de entrar em um templo e meditar por alguns minutos. É inegável que existe uma força superior e um direcionamento de bons pensamentos nesses lugares sagrados. Chega a ser contagiante.

Ajoelhado e de olhos fechados, busquei ascensão ao lado de outros visitantes desconhecidos. A experiência deu certo.

Ao chegar a um completo vazio, encontrei Buda. No silêncio profundo da voz interior, as respostas saltaram como placas de sinalização, indicando o caminho a seguir.

Falei com Buda.

Meu Buda. 

Todos nós somos um templo vivo.

E não podemos esquecer de se visitar a todo instante.

Palavras de um mestre sorridente.

Colo-Colo x La U, um parque de diversão ao pé dos Andes

Ao fundo, a Cordilheira dos Andes enfeitando o superclássico

 

Comemorei feito um louco quando, já em Santiago, consegui ingresso para o maior clássico do Chile. Parecia um gol da Ponte Preta, com a licença da comparação, já que vamos falar de futebol.

Colo-Colo x Universidad de Chile, a La U. Fico impressionado do quão pouco o futebol é explorado pelo Turismo brasileiro. Gente como eu tem aos montes no País, fanática pela cultura de estádio, doente por uma “cancha”.  E aí a oportunidade de agregar valor à viagem ou até mesmo motivar um embarque. Passeios por estádios vazios há aos montes. Buenos Aires, por exemplo, atrai passageiros de todo o mundo, com ênfase a La Bombonera. É legal, mas falta alma.

Faltam os 22 em campo e os milhares nas arquibancadas. Novamente, quem gosta da cultura do esporte bretão, dos detalhes que vão muito além da bola na rede, quem realmente frequenta jogos in loco, sente o vazio. “Pô, foi legal, mas faltou pulsar”.

E no último domingo eles estavam lá. Aliás, não só lá, mas em todos os lugares. Desde a véspera a capital chilena já exalava a superclássico. O maior do país bi-campeão da Copa América. A partida de número 180 entre “lo popular”e “los azules”.

Estádio Monumental, poucos fazem tanta justiça ao nome. Poderia ser apenas mais um, se não estivesse aos pés da maior cadeia montanhosa do mundo. Um campo de futebol cujo pano de fundo é a Cordilheira dos Andes. Um monumento do esporte.

O time mais popular do Chile, Colo-Colo, defendendo 15 anos de invencibilidade em casa contra seu arqui-rival. O penúltimo do campeonato (15º) contra o sétimo, mas quem se importa? É clássico, aquela partida diferente em que ninguém vê tabela, classificação ou momento.

Não fui a qualquer jogo, e o senti desde o metrô. Ali começou o inexplicável. Jovens, velhos, mulheres, crianças, barbudos, carecas, gordos e magros. Cada vagão uma música que, pelo pouco permitido pelo meu espanhol, falavam sobre o domínio no país, a obsessão pela Copa Libertadores, e obviamente, a chacota aos rivais. Em uníssono. Bandeiras, ou “trapos” de amor ao time, dobrados nos ombros, prontos para serem pendurados e passarem a mensagem aos atletas.

14625628_1113151682073344_1380062100_o
Mesmo com derrota, torcida visitante não parava

 

Menos de meia hora do centro ao Monumental e estava entre 40 mil torcedores. Preto e branco de um lado e uma pequena fatia azul e vermelha de outro, incrivelmente barulhenta, enchendo a área a ela destinada.

E como “se hincham”. Ô inveja! Entoam canções, e não gritos, o que é cultural, claro, e fascina. São capazes de ficar 90 minutos com a mesma música e dificilmente criticam o erro dos próprios jogadores. Sobra para o juiz e para os escorregões rivais.

Jogo meio dia, um calor brasileiro aos pés dos Andes nevados. 2×0 para o Colo-Colo. A hegemonia continuou com os donos da casa, enquanto “la hinchada” visitante não parava. O primeiro tempo virou 1×0 e o “aliento” à La U seguia no intervalo. Primeiros minutos do segundo tempo e 2×0. Ledo engano meu quando achei que fosse banho de água fria para a torcida visitante. Lá estavam, tambor batendo, bandeiras vibrando.

Queria tanto que o “país do futebol” aprendesse que o esporte vai muito além da bola. Falo de cultura, de vibração, de alma, de fidelidade, de abraçar o primeiro que se vê do lado na hora do gol.

Experiência única, barata e inesquecível. Mais surpreendente ainda foi a reação de alguns colocolinos, curiosos com meu ar claramente turista, ao saberem que eu era brasileiro. Adoraram, deram as boas vindas e prestigiaram meu interesse. Hospitaleiros como toda Santiago. Mas essa linda cidade vai ficar para o próximo post!

Buenas, e confira mais fotos abaixo!

PANROTAS viajou com proteção GTA.

Com a vitória praticamente consolidada, torcida Colocolina provoca a La U
Com a vitória praticamente consolidada, torcida Colocolina provoca a La U

 

Dentro do estádio, a exposição de um "megafone" das antigas
Dentro do estádio, a exposição de um “megafone” das antigas

 

14585687_1113151778740001_1208189555_o 14572019_1113151662073346_1470544730_o 14585750_1113181215403724_225183530_o 14599701_1113181202070392_934870610_o 14632504_1113151725406673_251878242_o 14632684_1113151512073361_1763674107_o 14625628_1113151682073344_1380062100_o