“Ah, imagina só que loucura essa mistura, alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia. De Todos os Santos, encantos e axé, sagrado e profano, o baiano é carnaval…” Acho que não só o baiano. O paulista aqui também. Meu décimo carnaval em Salvador e a emoção do primeiro dia de desfile e a tristeza que bate na terça-feira à noite parece que só aumentam a cada ano.

Na Barra, o Asa de Águia arrasta uma multidão no bloco Coco Bambu
Pisar na Bahia e receber um “Sorria, você está na Bahia” é uma coisa muito boa. Principalmente quando a viagem é relaxante a bordo do novíssimo A320 da Avianca. Descansei, estiquei minhas pernas, ouvi música e assisti um episódio de Glee.
Taxistas se multiplicam no aeroporto da capital baiana gritando “Barra, R$ 70. Ondina R$ 50. Avenida Sete, R$ 75”, os principais destinos dos turistas que desembarcam em Salvador para curtir o carnaval. Acompanhado da minha amiga, Sheila Palma, da LTN, entramos em um táxi e fomos para o apartamento na Barra que sempre alugamos, com mais 15 pessoas. Quase um BBB carnavalesco. No entanto, precisamos fazer uma pausa no Pestana para pegar nossas credenciais e abadás para o camarote Quem Ivete Sangalo.

Como fã da maior artista do Brasil (muitos vão discordar), eu não poderia deixar de tirar uma foto da cantora
Chegando ao apartamento e após matar as saudades dos amigos que eu não via desde a última viagem com a turma para Natal, no ano passado, Sheila e eu começamos a pensar no que fazer. Bloco? Camarote? Pipoca? Não tínhamos muito dinheiro para bloco, camarote da Ivete apenas eu tinha a credencial para a quinta e pipoca – os que ficam do lado de fora do cercado dos trios pagos, nem pensar. Apesar de ser fã do carnaval de Salvador, não recomendo ficar na “popcorn”. Acho perigoso e um aperto desnecessário.
Voltando à programação, Sheila, Raquel, uma amiga minha de Minas, e eu resolvemos levar dinheiro e ir para a concentração dos blocos. Para quem conhece a festa soteropolitana, sabe que, na hora de o bloco sair, os abadás começam a ficar mais baratos. Pronto, resolvemos. Achamos o bloco Yes na quinta por R$ 70. Nesse dia, o Yes seria puxado pela banda Jammil. Grupo famoso com clássicos do axé, como “Praieiro” e “Ê, saudade”, o Jammil teria como vocalista o talentoso Levi Lima, do grupo Via Circular, no lugar de Tuca Fernandes, que vai para carreira solo. Não esperava muita coisa dessa quinta. Surpreendi-me. Junto com Raquel e Sheila, fomos atrás do Jammil. Ótima escolha. Levi puxou muito bem o bloco e aproveitou a ocasião para agradecer o carinho do público com a sua nova música: “Colorir Papel” (canção que faz parte da trilha sonora de Fina Estampa).

O bloco "As cachorronas" fazem a alegria de turistas e baianos pelas ruas da Barra
Na sexta, o programa foi mais light. Eu, Sheila e Alberto Martins, da B4T, fomos ao camarote Quem Ivete Sangalo. Que espaço era aquele? Uma festa dentro de outra festa. Com regime de all inclusive, o camarote reuniu muita gente bonita, artistas e uma gastronomia local incrível. Tinha bobó de camarão, vatapá, acarajé. Para beber, cerveja, uísque, champanhe, água e refrigerantes. Muita gente legal desfilou nesse dia: Daniela Mercury, Netinho, Oito7Nove4, Bob Sinclair, Harmonia do Samba e Claudia Leitte. Saímos do camarote por volta das 3h30 da manhã. Alberto tinha traslado para o Pestana. Sheila e eu voltamos caminhando para o apê. Pegamos uma chuva fortíssima. Estávamos na orla. Terminamos o dia bem. Lavou a alma.

Eu, Alberto e Sheila
No sábado, recebi um convite para almoçar na casa do casal Daniel Bento e Carol Loyola. Ele, meu amigo músico e toca na banda Cheiro de Amor. Ela, promoter que curte uma festa assim como eu. Lá vamos Sheila e eu para a casa dos amigos. Resenhamos muito (resenhar é a gíria local que significa fofocar, conversar, papear). Carne assada e muita cerveja. No meio tempo, um outro amigo aparece na casa de Bento para prosear, o André Liberato. Em seguida, fomos para a concentração do bloco Yes (sim, o mesmo de sexta-feira), que seria puxado neste dia pela Banda Cheiro de Amor. Pronto! Reunião de amigos é sinônimo de risadas e bebidas. Reencontrei muita gente no bloco. Pessoas que eu conheci do ano passado e pessoas que eu conheci ainda quando morava em Salvador, entre 2007 e 2008. Durante o bloco, nada do que tudo mundo já sabe o que acontece. Vários beijos na boca. Mas sem muitos detalhes aqui. O que acontece em Salvador fica em Salvador.

Uma pequena parte da turma que saiu no Bloco Cheiro
Na capital baiana, são dois os circuitos de desfiles de trio elétricos: Barra-Ondina e Campo Grande (na avenida Sete de Setembro). Gosto muito de ambos, cada um com suas características. No primeiro, o percurso é menor (por volta de seis horas de bloco) e acontece na orla. Portanto, você desfila entre a brisa do mar. Já no Campo Grande, o circuito pode chegar a 12 horas. Sim, 12 horas atrás de um trio elétrico. Lá, foi onde tudo começou. Hoje, muito se discute a existência desses dois roteiros e até uma possível criação de um terceiro. Falam que o Campo Grande perdeu a essência do carnaval porque os artistas não querem mais desfilar ali. Preferem a Barra, é mais comercial. Há câmeras e camarotes de veículos de rádio e televisão espalhados do começo ao fim. Por outro lado, artistas como Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, Cheiro de Amor e Banda Eva, insistem em manter a tradição da avenida. Vamos ver no que vai dar. Repito, gosto muito dos dois e desejo continuar a desfilar na Barra e no Campo Grande.
No domingo, segunda e terça sai apenas no Bloco Cheiro. Sim, muitos podem achar loucura sair três dias com um só artista. Mas não me arrependo. Há oito anos, desde que a atual vocalista do Cheiro, Alinne Rosa, assumiu a banda, eu tenho saído assim. Na minha humilde opinião, ela sabe muito bem como agitar e animar. Toca o que o povo quer ouvir: dos clássicos do Cheiro de Amor como “Vai Sacudir, Vai Abalar” e “Ficar com Você”, às atuais “Ai, se eu te pego” e “Dança Kuduro”.

Camarote é bom, mas o fervo é dentro do bloco. Aqui, Alinne Rosa, no comando do Cheiro. A cantora homenageou esse ano a cultura indiana
Encerramos com uma festinha surpresa para Sheila. Com direito a mais cerveja (se já não bastasse toda a comemoração anterior que havíamos feito no bloco, com direito a parabéns da cantora e tudo). Agora é esperar para ver todas as fotos que ainda serão publicadas (e, também, as que estão proibidas de serem), vídeos (já soube que me viram dançando no Cheiro na transmissão do SBT), pedidos de amizade no Facebook e novos seguidores no Twitter.
Dicas para passar o carnaval em Salvador:
- Procure chegar na cidade sempre no período da manhã. Após as 15h, o tráfego de carros nas regiões próximas aos circuitos é suspenso.
- Utilize sempre táxi comum. É muito mais barato.
- Leve com você o quanto você acha que vai utilizar durante os dias de festa e mais um pouco. Se como eu, você ficar perto da folia, bancos e caixas eletrônicos podem estar fechados.
- Dinheiro sempre trocado. Na rua, três latas de cerveja piriguete (aquela embalagem fininha) saem por R$ 5.
- Não saia do bloco para utilizar os banheiros químicos do circuito. Utilize o carro de apoio, é mais seguro e a fila é muito mais rápida.
- Negocie sempre o valor de uma corrida de táxi ou de moto táxi. Alguns “espertinhos” acham que turistas podem pagar mais caro e acabam “enfiando a faca”.
- Grande parte dos blocos de Salvador, principalmente os que são comandados por cantoras, atraem todos os tipos de públicos. Gays, jovens, idosos, casais, solteiros. Saia para a rua sem preconceitos.
Obs: Todo ano existe uma “briga” pela música do carnaval baiano. Minhas considerações são: Ivete com Qui Belê ficou apagada; Claudia Leitte e o Dia Nacional da Farra e do Beijo provou que a loira do axé precisa de mais “parcerias” no axé music; Circulou, do Eva, e Colorir Papel, do Jammil, mostram que o axé se renova. Torço pelas duas últimas.
E como já dizia uma mensagem hoje de manhã (quarta-feira de cinzas) no aeroporto: “Adeus, não. Até o carnaval de 2013”.

"Eu e você lá no Farol, tanta gente bonita vendo o pôr do Sol"

Ivete Sangalo puxou o bloco Cerveja e Cia e Coruja

Consegui ver dois dias Preta Gil cantando em Salvador, no Expresso 2222
DANILO ALVES
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