Militares nas ruas de Moscou

11 de maio de 2012

Esta semana foi especialmente movimentada em Moscou, capital da Rússia. Além do feriado de quarta-feira, 9 de maio, quando os russos comemoram o Dia da Vitória, data que marca a derrota da Alemanha nazista em favor dos aliados na Segunda Guerra Mundial (a Europa comemora o feito um dia antes), a capital russa viveu a posse do “novo” presidente, Vladimir Putin, que assumiu o cargo na segunda-feira, dia 7.

 
Tive a sorte de estar presente em Moscou nesta semana, no meio do feriado prolongado que Putin declarou por conta da cerimônia de sua posse. Parti na véspera do Dia da Vitória, então não pude conferir o desfile militar realizado na quarta-feira.  Mas fui surpreendida, no domingo, dia 6, com o ensaio de desfile: ruas interditadas, Praça Vermelha fechada e muita gente nas calçadas para acompanhar o ensaio. Abaixo, algumas fotos…

Vista da janela do apartamento do Ritz-Carlton

 

Durante o ensaio, pausa para foto

Movimentação para conferir o ensaio teve presença grande de crianças

 

E era apenas o ensaio…

 

MARIA IZABEL REIGADA

 

 

 

Haja amor pelo futebol!

10 de maio de 2012

Viajar é um prazer, voltar para casa, outro. Tenho certeza de que quem viaja com alguma frequência concordará com isso. Na última terça-feira, dia 8, voltei para casa depois de nove dias fora do Brasil com um grupo de agentes e operadores dos mais divertidos e entrosados. Juntos, desembarcamos no Aeroporto de Guarulhos um pouco antes do horário de chegada previsto no voo da Turkish Airlines, às 18h. Não havia finger para o Boeing 777-300 da Turkish e subimos todos nos ônibus da Infraero até o portão do terminal 2 do aeroporto. Sinal de que mais voos chegavam no mesmo horário. Mais? Muitos mais, era a impressão que se tinha ao entrar no salão – uma salinha, vocês conhecem – de desembarque onde a Polícia Federal espera os passageiros.

Nessa sala, brasileiros e estrangeiros esperaram por mais de 40 minutos para passar pelos guichês da Polícia Federal. Havia duas cabines atendendo brasileiros e cinco para os estrangeiros, quando cheguei. Quando consegui atravessar, finalmente tinham aumentado o número de atendentes para os brasileiros, igualando ao que atendia estrangeiros. A morosidade no atendimento não tem explicação, assim como a falta de procedimentos. No caso dos passageiros brasileiros, alguns passaportes foram escaneados (explicando um pouco da demora), outros não. Para alguns, foi perguntado o número do voo de chegada. Para outros, não. Foram 40 minutos de espera e comentários do tipo: “voltar para este País é isso mesmo, uma desgraça”; “brasileiro tem de se dar mal mesmo, olha isso aqui”; “você chega no seu País e é tratado pior que cachorro”; “imagine isto durante a Copa”…  A Copa, sempre ela.

A Copa de 2014 não me preocupa. Serão 30 dias de exceção. As coisas poderão dar certo – ou não. Tinha esperança de que a Copa provocasse investimentos em infraestrutura para além dos estádios que estão sendo construídos. Mas sou uma pessoa com pouca fé e, em relação à Copa, já não sobra quase nenhuma… Ontem o Senado aprovou a Lei Geral da Copa. Entre outras
exceções, deixou para os Estados a decisão de legislar sobre a venda de bebidas alcoólicas. Eles permitirão, provavelmente. E os municípios decidirão se os dias de jogos serão feriados, diminuindo assim o trânsito nas cidades. Melhores avenidas, melhores meios de transporte urbano, metrô? Não, a nossa solução é criar um feriado…

Minhas esperanças com a Copa de 2014, agora, ficam restritas à Seleção Brasileira. Não acredito mais nas melhorias de infraestrutura ou capacitação de mão de obra. Acho que estamos desperdiçando uma oportunidade, o que não é novidade no Brasil, entre os países líderes no desperdício de recursos naturais e alimentos, entre outras coisas. Vou passar muito pelo Aeroporto de Guarulhos até 2014, como moradora de São Paulo. E estou certa de que em cada passagem dessas, em algum momento, algum passageiro dirá “este é o País que vai receber a Copa!”, com muita ironia. É, é este mesmo. Haja amor pelo futebol!

 

Em tempo – Bagagem recolhida em meio ao caos que são as esteiras do Aeroporto de Guarulhos e, ao passar pela Alfândega, para entregar o papel preenchido do controle de bens, ninguém para recolhê-lo. Desta vez. Na próxima, o papel pode ser pedido. Afinal, procedimentos para quê?

 

MARIA IZABEL REIGADA

A nudez em Paris

4 de abril de 2012

Corpos estão em alta na capital francesa. Vistos sob uma perspectiva bem intimista, a nudez retratada de forma artística pode ser conferida em diversas formas na cidade. As que tive contato, no entanto, foram no Museu d’Orsay e nos cabarés Paradis Latin, Lido Paris e Crazy Horse Paris. Corpos, padrões de beleza e abordagens diferentes. Cada um à sua maneira, cada um com os seus encantos e atrativos.

D’Orsay

Quem tiver a oportunidade de ir a Paris, vale a pena conferir a exposição “Degas et le nu”, em cartaz no Museu d’Orsay até o mês de julho, com foco em Edgar Degas, pintor impressionista – apesar da discussão sobre o seu estilo – que nasceu, viveu e morreu na cidade. Lá, podem ser vistos estudos, retratos e esculturas de mulheres nuas em atividades do cotidiano, ao pentear os cabelos ou tomar banho, por exemplo. A simplicidade cativante dos traços confunde-se em meio à complexidade das sombras utilizadas pelo artista. Uma imersão mais do que recomendada no trabalho e na biografia de Degas e, também, sobre a vasta quantidade de obras de outros artistas, como Renoir, Monet, Manet e Delacroix também expostas no museu.

Après le bain, femme nue s'essuyant la nuque (Após o banho, mulher nua seca a nuca). Esta é a pintura que estampa os cartazes da exposição de Degas (foto: reprodução)

Paradise Latin

Quando recebi o convite para conhecer um cabaré parisiense, achei, no mínimo, inusitado. Aceitei, claro. Fui com um grupo de brasileiros que tinham participado do Rendez-vous en France ao Paradis Latin (pronuncia-se “parradis latan”). Um jantar antecedeu o show. Champanhe e vinhos tinto e branco. De repente, as luzes se apagam e o apresentador anuncia o início do espetáculo.

Dançarinas durante o cancan (foto: divulgação)

Um grupo de mulheres vestidas de rosas entra em cena e um musical começa. A coreografia passa a ter a participação de homens. Apesar de as mulheres aparecem seminuas, a proposta do Paradise Latin é de um cabaré clássico, com toques modernosos, tais como números ambientados em discotecas e músicas techno. A cada número, aliás, uma troca de figurino. Uma nudez nada ofensiva, bem mais soft do que no carnaval brasileiro. Uma das coisas que chamaram a atenção foram as intervenções em acrobacias que intercalam algumas danças. A casa conta com dois: um trapezista – em pleno salão – e um equilibrista, que só não fez chover. Muito bacana.

Brasileiros que participaram do Rendez-vous en France, a convite da Atout France, aprovaram o espetáculo

Lido Paris

Em um dos pontos mais badalados da cidade, na Champs-Élysées, pode ser encontrado o Lido Paris (pronuncia-se Lidô). Aqui, a palavra espetáculo pode ser usada em signo, significado e significante. Há pessoas que discordam de comparações – e, neste caso, usarei apenas como um meio de situar o leitor a respeito –, mas este lembra bastante o nosso carnaval. As coreografias, os cenários, os figurinos, tudo impressiona. O número de artistas no palco (70), cenários (23) e peças de roupas (600) formam um espetáculo luxuoso.

O Templo da Dança supreende bela beleza, tanto da alegoria quanto do figurino (foto: divulgação)

Números “externos” também intercalaram as coreografias. Simplesmente excelentes e de tirar o fôlego. Destaque para a pista de gelo – isso mesmo! – que surge para a apresentação de um patinador. O Lido Paris foge um pouco do conceito de cabaré e se diferencia bastante da proposta do Paradis Latin: um é mais espetáculo, enquanto o outro é clássico.

Crazy Horse Paris

Diferentemente do Paradis Latin e do Lido Paris, o Crazy Horse Paris tem uma proposta sensual, com danças provocativas. O espetáculo Feu (fogo em francês), em cartaz desde o dia 5 de março, conta com 11 dançarinas que utilizam sapatos de Christian Louboutin, famosos por terem a sola vermelha, que descreve o espetáculo “como um monumento à dança, sendo uma fantástica e moderna ideia de celebração da mulher pela mulher”.

No espetáculo Feu, do Crazy Horse Paris, as pernas falam... duvida? (foto: divulgação)

Em Feu, as pernas das dançarinas falam, comunicam-se com o público. Público, aliás, que me surpreendeu nas três casas. Mesas lotadas por casais – isso mesmo – de diversas idades e, pelo que percebi, de classe mais abastada. Voltando ao espetáculo… Em um dos momentos mais intensos, na minha modesta opinião, foi quando começou a tocar a música “Toxic”, na versão de Yael Nahim (confira a música aqui). Um número para ser guardado na memória, já que não pode ser fotografado. Como a placa na casa indica, o verdadeiro Crazy Horse só pode ser encontrado em Paris, desde 1951. Uma verdadeira brasa, mora?

Belas dançarinas do Crazy Horse Paris (foto: divulgação)

Depois de ver cabarés de estilo clássico, espetáculo-show e um sensual, só me faltou conhecer o Moulin Rouge, que me disseram ter uma proposta diferente. Mas me faltou tempo. Em minha primeira visita a Paris, eu também precisava conhecer as outras atrações da romântica cidade-luz.

Claude Micallef, diretor de Turismo do Crazy Horse Paris, entre Maria Victoria Altez e Karina Araújo, da CVC

Eu ao lado de Paola Casolari, diretora de Vendas e Promoção do Paradis Latin para América Latina e Sul da Europa

 

BIAPHRA GALENO

O repórter viajou a convite da Atout France e visitou o Paradis Latin a convite da própria casa e o Lido Paris e Crazy Horse Paris a convite da Hola Tour

Operação tempestade no deserto

25 de março de 2012

DUBAI – Ótimo programa em Dubai no famtour da Costa que faz um cruzeiro pelos Emirados Árabes a bordo do Costa Favolosa, mas que deixou muita gente apavorado e encantado ao mesmo tempo, foi o safári no deserto. Não é para todos, mas é para muitos… O programa inclui um safári “com emoção” nas gigantescas e altas dunas locais, passeio de camelo e jantar em um ambiente que simula uma espécie de acampamento no deserto.

Os guias pegam os grupos nos hotéis em confortáveis e novíssimos Toyotas Land Cruisers e partem para o deserto nos arredores de Dubai. Após uma paradinha para entrar no clima, visualizar alguns camelos e acompanhar evolução de experts em motos e quadriciclos nas dunas, o grupo segue para um passeio nas montanhas de areias a bordo dos carros 4×4. Que fazem os tours de buggys em várias cidades brasileiras parecerem brincadeira de criança.

Evolução de motos e quadriciclos marcam o início do safári nas dunas de Dubai

São vários carros juntos

Que andam em meio às montanhas de areia

Descidas

Subidas

Derrapadas

Por do sol

Muitos carros e um horizonte de areia

Subidas, descidas rápidas, derrapadas, passagem por montanhas de areia que mais parecem precipícios em movimento arrancaram gritos apavorados de muitos e risadas de alguns. No fim, tanto quem parecia morto de medo quanto os mais corajosos adoraram a experiência e a maioria garantiu que iria não só recomendá-la aos amigos e clientes, quanto intensificar a venda do programa, que já faz sucesso entre os brasileiros que visitam Dubai.

Uma das que gritou com convicção foi a gerente da Costa Cruzeiros, Claudia Del Valle. Impagável junto aos ótimos e engraçados comentários do consultor da Costa, Francisco Ancona, ela gritava o nome de nosso guia, Ibraim, inventava apelidos e expressões em inglês, como “Ibraim from sky” (Ibraim do céu, ao pé da letra) e tinha certeza, a cada dois minutos, que o carro iria virar. Conseguiu até aprender alguns palavrões em árabe ensinados pelo guia Ibraim. Que só se animava mais, e intensificava a emoção do passeio, a cada um de seus “gritos”…

Eu ri o tempo todo… Vicente Zuffo, da TV PANROTAS, que está comigo aqui em Dubai, foi outro que sofreu e permaneceu quieto durante todo o passeio, segundo ele se concentrando para sobreviver bem enquanto o Chico matava a gente de rir com seus comentários. Mas, vamos dar um desconto ao Vicente: ele estava sentado na frente, o que intensifica as percepções…

Claudia del Valle e o guia Ibraim

O grupo de brasileiros "sobreviventes", todos no famtour da Costa Cruzeiros em Dubai

Eu ri da Claudia o tempo todo... E o vento também não dá descanso aos cabelos

A calma dos motoristas contrasta com o susto dos turistas

O programa é dos mais profissionais. Inclui ainda um jantar com bebidas não alcoólicas e a opção de comprar os drinques com álcool (a comida nem é tão boa, mas também não é ruim, e o clima e o ambiente compensam), shows de dança do ventre e outras atrações típicas locais, passeio de camelo e barracas onde é possível fazer uma tatuagem de henna, comprar suvenires, tomar chás típicos, tirar fotos e muito mais. Há até ambientes reservados para grupos corporativos, se for a preferência.

Para vender sem medo. Quer dizer, não sei exatamente se sem medo, já que é isso que muitos sentem nas horas mais emocionantes do safári. Mas não perca, se tiver oportunidade. Você não vai se arrepender. Ainda que pareça ter certeza disso durante o tour nas dunas…

Uma geral do restaurante-que-simula-um-acampamento-no-deserto

A entrada do local

O ambiente é dos mais agradáveis

Quem quiser pode passear de camelo

Ou fazer tatuagem de henna gratuitamente

Acompanhar show de dança do ventre

E outras danças típicas locais

O programa começa com céu claro e termina por volta de 21h

FABIOLA BEMFEITO

Viagem a convite da Costa Cruzeiros, voando Emirates e com assistência internacional Travel Ace

O sexo (feminino) em Dubai

23 de março de 2012

Impossível entender uma cultura tão forte em tão pouco tempo. Mas não deve ser fácil...

DUBAI – Nós já imaginamos o quão diferente é ser mulher no Oriente Médio, principalmente nos países de religião islâmica. Por outro lado, também sabemos que Dubai é um destino turístico mundial, que recebe gente de todos os cantos do mundo, especialmente da Europa, e que já flexibilizou, por conta disso, algumas das tradições que muitos de seus vizinhos levam a ferro e fogo.

As mulheres em Sex and the City 2. O filme se passa em Abu Dhabi, mas foi filmado no Marrocos

Porém, o sistema ainda segue sendo muito diferente e vivenciá-lo é, no mínimo, curioso. Vivi três situações, desde que cheguei a Dubai há três dias que, de um modo geral, deixam as mulheres ocidentais desconfortáveis. Algumas chegam a se revoltar, mas é complicado julgar. Afinal, isso é cultural e é impossível imergir em uma cultura tão complexa em tão poucos dias.

Por isso, levo como sendo algo que se soma às muitas histórias que tenho para contar…

Quando desembarquei no moderno Dubai International Airport, com seus espaços gigantescos e organizados, de deixar qualquer brasileiro com inveja, precisava, antes de passar na imigração, carimbar meu visto após ter meus olhos escaneados.

Na verdade, esse foi o primeiro contraste. Estamos acostumados, no sistema de Imigração eletrônico, a registrar ou conferir as digitais e, quando muito, tirar uma foto, além de responder perguntas. Mas aqui, escaneiam-se os olhos.

Afinal, boa parte das mulheres (não são todas, vale ressaltar) anda com o rosto e o corpo todo coberto e são difíceis de serem identificadas com uma foto da face. Como o olho é a única parte do corpo delas que, garantidamente, está descoberta, são eles que são escaneados ao entrar no país para identificar as pessoas eletronicamente.

Em várias mulheres, como esperado, apenas os olhos ficam à mostra

Depois, outra situação, talvez a que tenha me deixado mais desconfortável. Cansada, depois de quase 15 horas de voo da Emirates, entrei na fila do scanner junto com boa parte dos brasileiros que estão em Dubai para o famtour da Costa Cruzeiros a bordo do Costa Favolosa.

Mas as filas não são separadas por nacionalidades, ordem alfabética ou outro modo a que estamos acostumados no Brasil e no Ocidente. A separação é feita por sexo, isto é, há uma fila de mulheres e outra de homens.

Até aí, poderia ser quase normal não fosse por uma peculiaridade: a fila dos homens, do mesmo tamanho que a das mulheres, foi dividida em três, e cada uma das partes ficou sob responsabilidade de um fiscal de Imigração.

Já a das mulheres tinha apenas um fiscal para atendimento e, claro, andava muito mais devagar. Impossível não ficar um pouquinho irritada, mas não há o que fazer. Exercite sua paciência e pense na loucura que deve ser para um casal. Afinal, o homem fica liberado a deixar o aeroporto muito antes da mulher, mas não pode fazê-lo porque precisa esperar a fila dela andar…

O terceiro contraste com a cultura ocidental da suposta igualdade dos sexos aconteceu na hora do ótimo safári nas dunas, de que ainda falarei e mostrarei fotos aqui – um ótimo programa. Mas ao entrar no carro 4×4 que levaria parte do grupo para o passeio, Claudia Del Valle, gerente de Marketing e Vendas da Costa, sugeriu que ela fosse na frente do carro, ao lado do motorista. Levou um olhar tão fulminante que desistiu.

Por outro lado, nossa guia, Maria, espanhola da Galícia, mostra que é possível viver bem em Dubai sendo uma mulher criada no Ocidente. Além de adorar o Emirado – e não esconder isso –, ela tem a personalidade extremamente forte e, em um dia com ela, deu para perceber que gosta de mandar. Em homens, mulheres, grupos…

Foi divertido vê-la fazer isso pela rua, ao parar carros na hora de atravessar ou ao conversar com qualquer interlocutor, independentemente do sexo. E sem arrumar qualquer problema com ninguém, o que mostra que a cultura está em mutação e respeita seus visitantes, turistas, moradores estrangeiros.

A guia Maria: é possível viver em Dubai sendo uma mulher com personalidade forte. E gostar

Também houve uma situação curiosa, mas acho que é por força do hábito. No jantar no deserto, a separação dos bufês também é por sexo – homens se servem em um, mulheres em outro. Porém, nesse caso, não vi diferença: as filas eram igualmente grandes, andavam na mesma velocidade, passavam por um bufê cada e pelas mesmas comidas.

No jantar, fila de mulheres novamente. Mas, provavelmente, pela força do hábito...

Outra coisa, já conhecida, que me incomoda sempre, mas que acabo de entender por que. As mulheres, apesar do calor do deserto, estão sempre de preto. Por outro lado, os homens, quando vestidos de forma típica, usam vestes brancas, o que costuma ser melhor no calor. A explicação é que quando os tecidos eram fabricados nas Índias e importados para o Oriente Médio, era mais barato para o povo comprar tecidos branco e preto – o colorido era mais caro.

O branco era mais confortável e adequado ao clima. Porém, para as mulheres, significava um pano mais leve e, consequentemente, mais transparente. Por isso, elas se vestem de preto e eles de branco. Uma tradição, no entanto, que começa a ser quebrada, já que a moda agora é misturar o preto com várias cores de lenços ou mesmo de burcas. Pelo menos em Dubai.

Mulheres de preto...

... homens de branco

Mas a moda começa a mudar as coisas e há lenços ou até mesmo burcas de várias cores em Dubai

"Clube do Bolinha" é uma regra entre os mais tradicionais. Homens e mulheres não são vistos juntos nas ruas quando em grupos. Apenas casais e famílias...

Eu sigo mantendo meu lenço preto na bolsa, mas acho que não vou usar... E me vestindo quase normalmente - evito apenas os decotes

Na dúvida, sigo mantendo, como aconselhado, um lenço na bolsa para cobrir o rosto caso seja necessário em meus dias nos Emirados Árabes. Preto. O cruzeiro da Costa visita vários Emirados e por aqui navega até o dia 30. Mas meu feeling diz que não vou usar…

FABIOLA BEMFEITO

Viagem a convite da Costa Cruzeiros, voando Emirates e com assistência internacional Travel Ace

Portinari para muitos

9 de março de 2012

A partir de abril, quando deixam São Paulo, os painéis Guerra e Paz, de Cândido Portinari, deverão visitar outras cidades brasileiras e destinos internacionais, segundo o Projeto Portinari. Não é tarefa fácil transportar as duas obras-primas, de 14 metros de altura e dez de largura, do pintor brasileiro. Mas é daqueles trabalhos que confirmam que os grandes esforços respondem por grandes recompensas.

Depois de serem apreciados por quase 45 mil pessoas no Theatro Municipal, no Rio de Janeiro, os painéis têm como lar o Memorial da América Latina, na capital paulista, desde 7 de fevereiro. Até 21 de abril, os paulistanos e quem visitar a cidade têm a oportunidade de conferir a grandiosa exposição – e não estamos falando do tamanho dos painéis.

O painel Guerra, no Salão de Atos do Memorial da América Latina

A exposição começa pelo Salão de Atos do Memorial, dentro da sugestão dos organizadores. Ali, os visitantes vão direto aos painéis. Não foi o que fiz e não é o que recomendo. Minha sugestão é controlar um pouco a ansiedade e visitar, primeiro, a Galeria Marta Traba, onde estão os estudos para a realização das obras-primas. São cerca de 100 estudos preparatórios, mas, se prepare: não se trata de esboços daqueles que comumente acompanham as grandes obras. São recortes dos dois painéis, com vida própria, que independem de Guerra ou de Paz. É uma exposição que poderia ser independente, também ela, embora todos mereçam o encontro com os painéis depois de visitá-la.

E essa é a segunda etapa da visita, na minha sugestão. Dirigir-se ao Salão de Atos e observar os painéis. A visitação é muito bem organizada. Os visitantes entram em grupos e têm cerca de 15 minutos para contemplar as obras. Depois, a interrupção ocorre graças à exibição de um vídeo, com narração de Milton Nascimento. Enquanto fala dos painéis, partes de cada um deles vão sendo iluminadas, em um primoroso jogo de luz e som.

Fui visitar a exposição certa de que gostaria do que ia encontrar – os painéis conseguem isso em qualquer situação. Mas deixei o Memorial encantada. Guerra e Paz têm esse efeito sob as pessoas, mas a exposição, tal como está desenhada, contribui. E muito. Quem não viu, veja. Em 2013, quando concluída a reforma da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, eles voltam para lá, seu endereço original, onde são apreciados por poucos. Mas vê-los aqui, não tem preço. Aliás, a exposição é gratuita.

Em tempo, a Biblioteca Latino-Americana, outro espaço do Memorial da América Latina, abriga a terceira parte da exposição, com áudio-visual sobre outros trabalhos do pintor brasileiro. A exposição abre de terça-feira a domingo, das 9h às 18h.

MARIA IZABEL REIGADA

Estudo para o painel Paz, parte da exposição

 

Detalhe do painel Guerra

 

Outro detalhe do painel Guerra; também presente entre os estudos que podem ser visitados na Galeria Marta Traba, no Memorial

O coração do mundo bate em Salvador

22 de fevereiro de 2012

“Ah, imagina só que loucura essa mistura, alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia. De Todos os Santos, encantos e axé, sagrado e profano, o baiano é carnaval…” Acho que não só o baiano. O paulista aqui também. Meu décimo carnaval em Salvador e a emoção do primeiro dia de desfile e a tristeza que bate na terça-feira à noite parece que só aumentam a cada ano. 

Na Barra, o Asa de Águia arrasta uma multidão no bloco Coco Bambu

Pisar na Bahia e receber um “Sorria, você está na Bahia” é uma coisa muito boa. Principalmente quando a viagem é relaxante a bordo do novíssimo A320 da Avianca. Descansei, estiquei minhas pernas, ouvi música e assisti um episódio de Glee.

Taxistas se multiplicam no aeroporto da capital baiana gritando “Barra, R$ 70. Ondina R$ 50. Avenida Sete, R$ 75”, os principais destinos dos turistas que desembarcam em Salvador para curtir o carnaval. Acompanhado da minha amiga, Sheila Palma, da LTN, entramos em um táxi e fomos para o apartamento na Barra que sempre alugamos, com mais 15 pessoas. Quase um BBB carnavalesco. No entanto, precisamos fazer uma pausa no Pestana para pegar nossas credenciais e abadás para o camarote Quem Ivete Sangalo.

Como fã da maior artista do Brasil (muitos vão discordar), eu não poderia deixar de tirar uma foto da cantora

Chegando ao apartamento e após matar as saudades dos amigos que eu não via desde a última viagem com a turma para Natal, no ano passado, Sheila e eu começamos a pensar no que fazer. Bloco? Camarote? Pipoca? Não tínhamos muito dinheiro para bloco, camarote da Ivete apenas eu tinha a credencial para a quinta e pipoca – os que ficam do lado de fora do cercado dos trios pagos, nem pensar. Apesar de ser fã do carnaval de Salvador, não recomendo ficar na “popcorn”. Acho perigoso e um aperto desnecessário.

Voltando à programação, Sheila, Raquel, uma amiga minha de Minas, e eu resolvemos levar dinheiro e ir para a concentração dos blocos. Para quem conhece a festa soteropolitana, sabe que, na hora de o bloco sair, os abadás começam a ficar mais baratos. Pronto, resolvemos. Achamos o bloco Yes na quinta por R$ 70. Nesse dia, o Yes seria puxado pela banda Jammil. Grupo famoso com clássicos do axé, como “Praieiro” e “Ê, saudade”, o Jammil teria como vocalista o talentoso Levi Lima, do grupo Via Circular, no lugar de Tuca Fernandes, que vai para carreira solo. Não esperava muita coisa dessa quinta. Surpreendi-me. Junto com Raquel e Sheila, fomos atrás do Jammil. Ótima escolha. Levi puxou muito bem o bloco e aproveitou a ocasião para agradecer o carinho do público com a sua nova música: “Colorir Papel” (canção que faz parte da trilha sonora de Fina Estampa).

O bloco "As cachorronas" fazem a alegria de turistas e baianos pelas ruas da Barra

Na sexta, o programa foi mais light. Eu, Sheila e Alberto Martins, da B4T, fomos ao camarote Quem Ivete Sangalo. Que espaço era aquele? Uma festa dentro de outra festa. Com regime de all inclusive, o camarote reuniu muita gente bonita, artistas e uma gastronomia local incrível. Tinha bobó de camarão, vatapá, acarajé. Para beber, cerveja, uísque, champanhe, água e refrigerantes. Muita gente legal desfilou nesse dia: Daniela Mercury, Netinho, Oito7Nove4, Bob Sinclair, Harmonia do Samba e Claudia Leitte. Saímos do camarote por volta das 3h30 da manhã. Alberto tinha traslado para o Pestana. Sheila e eu voltamos caminhando para o apê. Pegamos uma chuva fortíssima. Estávamos na orla. Terminamos o dia bem. Lavou a alma.

Eu, Alberto e Sheila

No sábado, recebi um convite para almoçar na casa do casal Daniel Bento e Carol Loyola. Ele, meu amigo músico e toca na banda Cheiro de Amor. Ela, promoter que curte uma festa assim como eu. Lá vamos Sheila e eu para a casa dos amigos. Resenhamos muito (resenhar é a gíria local que significa fofocar, conversar, papear). Carne assada e muita cerveja. No meio tempo, um outro amigo aparece na casa de Bento para prosear, o André Liberato. Em seguida, fomos para a concentração do bloco Yes (sim, o mesmo de sexta-feira), que seria puxado neste dia pela Banda Cheiro de Amor. Pronto! Reunião de amigos é sinônimo de risadas e bebidas. Reencontrei muita gente no bloco. Pessoas que eu conheci do ano passado e pessoas que eu conheci ainda quando morava em Salvador, entre 2007 e 2008. Durante o bloco, nada do que tudo mundo já sabe o que acontece. Vários beijos na boca. Mas sem muitos detalhes aqui. O que acontece em Salvador fica em Salvador.

Uma pequena parte da turma que saiu no Bloco Cheiro

Na capital baiana, são dois os circuitos de desfiles de trio elétricos: Barra-Ondina e Campo Grande (na avenida Sete de Setembro). Gosto muito de ambos, cada um com suas características. No primeiro, o percurso é menor (por volta de seis horas de bloco) e acontece na orla. Portanto, você desfila entre a brisa do mar. Já no Campo Grande, o circuito pode chegar a 12 horas. Sim, 12 horas atrás de um trio elétrico. Lá, foi onde tudo começou. Hoje, muito se discute a existência desses dois roteiros e até uma possível criação de um terceiro. Falam que o Campo Grande perdeu a essência do carnaval porque os artistas não querem mais desfilar ali. Preferem a Barra, é mais comercial. Há câmeras e camarotes de veículos de rádio e televisão espalhados do começo ao fim. Por outro lado, artistas como Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, Cheiro de Amor e Banda Eva, insistem em manter a tradição da avenida. Vamos ver no que vai dar. Repito, gosto muito dos dois e desejo continuar a desfilar na Barra e no Campo Grande.

No domingo, segunda e terça sai apenas no Bloco Cheiro. Sim, muitos podem achar loucura sair três dias com um só artista. Mas não me arrependo. Há oito anos, desde que a atual vocalista do Cheiro, Alinne Rosa, assumiu a banda, eu tenho saído assim. Na minha humilde opinião, ela sabe muito bem como agitar e animar. Toca o que o povo quer ouvir: dos clássicos do Cheiro de Amor como “Vai Sacudir, Vai Abalar” e “Ficar com Você”, às atuais “Ai, se eu te pego” e “Dança  Kuduro”.

Camarote é bom, mas o fervo é dentro do bloco. Aqui, Alinne Rosa, no comando do Cheiro. A cantora homenageou esse ano a cultura indiana

Encerramos com uma festinha surpresa para Sheila. Com direito a mais cerveja (se já não bastasse toda a comemoração anterior que havíamos feito no bloco, com direito a parabéns da cantora e tudo). Agora é esperar para ver todas as fotos que ainda serão publicadas (e, também, as que estão proibidas de serem), vídeos (já soube que me viram dançando no Cheiro na transmissão do SBT), pedidos de amizade no Facebook e novos seguidores no Twitter.

Dicas para passar o carnaval em Salvador:

-          Procure chegar na cidade sempre no período da manhã. Após as 15h, o tráfego de carros nas regiões próximas aos circuitos é suspenso.

-          Utilize sempre táxi comum. É muito mais barato.

-          Leve com você o quanto você acha que vai utilizar durante os dias de festa e mais um pouco. Se como eu, você ficar perto da folia, bancos e caixas eletrônicos podem estar fechados.

-          Dinheiro sempre trocado. Na rua, três latas de cerveja piriguete (aquela embalagem fininha) saem por R$ 5.

-          Não saia do bloco para utilizar os banheiros químicos do circuito. Utilize o carro de apoio, é mais seguro e a fila é muito mais rápida.

-          Negocie sempre o valor de uma corrida de táxi ou de moto táxi. Alguns “espertinhos” acham que turistas podem pagar mais caro e acabam “enfiando a faca”.

-          Grande parte dos blocos de Salvador, principalmente os que são comandados por cantoras, atraem todos os tipos de públicos. Gays, jovens, idosos, casais, solteiros. Saia para a rua sem preconceitos.

Obs: Todo ano existe uma “briga” pela música do carnaval baiano. Minhas considerações são: Ivete com Qui Belê ficou apagada; Claudia Leitte e o Dia Nacional da Farra e do Beijo provou que a loira do axé precisa de mais “parcerias” no axé music; Circulou, do Eva, e Colorir Papel, do Jammil, mostram que o axé se renova. Torço pelas duas últimas.

E como já dizia uma mensagem hoje de manhã (quarta-feira de cinzas) no aeroporto: “Adeus, não. Até o carnaval de 2013”.

"Eu e você lá no Farol, tanta gente bonita vendo o pôr do Sol"

Ivete Sangalo puxou o bloco Cerveja e Cia e Coruja

Consegui ver dois dias Preta Gil cantando em Salvador, no Expresso 2222

 

 DANILO ALVES

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De Gérsons e Queridos no Carnaval

22 de fevereiro de 2012

Passei o meu primeiro carnaval no Rio de Janeiro. Adorei, assim como no ano passado. Na ocasião, fui ao Recife e a Olinda. Mas, voltando ao Rio. Apesar de saber que teria os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial pela frente – algo teoricamente previsível – fiquei surpreso e, em certo ponto, emocionado com o que vi.

Malas prontas e rumo ao Rio. Como apreciador da cultura (leia-se todas as facetas culturais), adoro sotaques. No Rio não é diferente. Gosto da maneira arrastada de falar, da espontaneidade e, claro, da beleza das pessoas. Reparo nos detalhes, nas expressões, trejeitos e tudo mais que posso agregar à minha bagagem. Para mim, essa é a grande valia das viagens.

Neste carnaval, o que vi foram muitas pessoas e lugares bonitos. Fiquei, ao lado da colega e amiga Sávia Reis, em um apartamento “sinistro” no Leblon. A vista para a Lagoa e o Cristo Redentor é algo magistral. Para vê-los, bastava dar um pulo até a janela. A anfitriã, Darlene Mello, estava em viagem a Maceió, curtindo tudo o que o Nordeste tem de bom.

Passeio pelo calçadão do Leblon e um semimergulho nas águas gélidas da praia, que contrastavam com a temperatura do sol. Em uma barraca, pedi algumas cadeiras e o vendedor me ofereceu um “chapéu”. Lembrei que Sávia queria um como aqueles de palha utilizados pelos sambistas e tentei a benfeitoria de comprar um para ela. Logo fui corrigido. O tal “chapéu” era um “guarda-sol” – em São Paulo, pelo menos.

Nas ruas, uma festa só. Blocos espalhados por todos os lugares. Mulheres maravilhosamente belas, tanto as brasileiras quanto as “gringas”. Diversos banheiros químicos e, também “mijões”, homens e mulheres. Credenciais, minha e da Sávia, providenciadas. Tudo certo. Só faltava buscá-las. Pegamos um táxi e tínhamos como destino uma tal estação Praça Onze. “Não é Praça Quinze?”, indagou um taxista. Fiquei na dúvida. Entrei no site do Metrô e vi a bendita. Achei estranho o taxista não conhecer. Muitos foliões na rua causavam congestionamento. Decidimos “saltar” e continuar a pé.

Chegamos à estação General Osório e estava simplesmente impossível de entrar: uma fila quilométrica para embarcar e outra, não menos extensa, para comprar o bilhete. Continuamos a andar. Errantes em uma cidade diferente, avistamos uma van cujo destino era a Lapa, na região central da cidade. “Ô, meu querido, quanto custa?”, perguntou um rapaz no ponto de ônibus. “Centro é dez, Centro é dez”, respondeu o “trocador”. Sem muitas opções, entramos.

A van era o que eles chamam de “pirata”, ou clandestina, um perfeito exemplo da Lei de Gérson, aquela na qual se tira vantagem dos outros a todo custo. Sávia e eu sentamos à frente, ao lado do motorista. Do lado de dentro, gringos e brasileiros mostravam-se perplexos com o valor cobrado, mas, assim como nós dois, também decidiram arriscar. E bota arriscar nisso.

Este é o puxador da porta dianteira da van que Sávia e eu pegamos até o Centro. Detalhe: não havia trava

A porta não tinha trava e um vapor quente saía do painel – seria muito drama imaginar que poderia sair fogo do motor a qualquer momento? Um cinto estava acima do banco, mas não era propriamente de segurança. Só estava lá. Uma senhora entrou na van e ninguém deu lugar a ela. “Vamos para a estação Praça Onze, como fazemos para chegar lá?”, indagou Sávia. “Não é Praça Quinze?”, retrucou o motorista. A senhora desceu e o cobrador reclamou porque ela não havia pago a passagem – transporte clandestino não dispõe de benefícios. Mostrei o site do Metrô ao motorista e disse que a Praça Onze era ao lado do Sambódromo. Ele e o trocador desconheciam, assim como ambulantes – já fora da van –, policiais, guardas metropolitanos e populares. Uma situação estranha, mas, se estava no site do Metrô, a estação havia de existir.

Entre perguntas e passadas rápidas – estávamos, a essa altura, atrasados –, tive de atravessar uma passarela. Nas costas, o medo de altura, ainda mais porque ela era estreita e estava abarrotada de gente. “Gente!”, como muito bem exclama a gerente de Projetos Especiais da PANROTAS, Fabiola Bemfeito. Atravessei, com medo e cuia.

Chegamos à Sapucaí e a Renascer já tinha passado. Uma sensação memorável. Vi, no primeiro dia, os desfiles da Portela (que teve, no abre alas, Marisa Monte e Paulinho da Viola), Imperatriz (com o dendê e axé baiano no tempero do acarajé), Mocidade (homenagem a Portinari, que tinha um dos carros mais belos, referente à obra Retirantes), Porto da Pedra (com a belíssima Ellen Roche como rainha de bateria) e a Beija-Flor (que veio com os mistérios e belezas de São Luís, do Maranhão).

A belíssima Ellen Roche como rainha de bateria da Porto da Pedra

Fizemos um “Sapucatour”, conhecendo a Armação, Concentração, além de alguns espaços reservados aos jornalistas. Voltamos de Metrô rumo à zona sul; agora acompanhados da repórter, Rhaiane Sodré; Fabiola Bemfeito e do editor-chefe, Artur Luiz Andrade. A fotógrafa, Marluce Balbino, foi no sentido contrário.

Um dos carros da Portela trouxe Gilberto Gil

O segundo dia foi o mais emocionante. Sávia e eu, precavidos e com bilhetes do Metrô comprados antecipadamente, chegamos sem problemas à Sapucaí. Percorremos, assim como no primeiro dia, vários setores, o que deu uma visão privilegiada dos desfiles. Foi na Armação, por exemplo, que vi o carro da Grande Rio bater na arquibancada e voar destroços do abre alas bem próximo dos que ali estavam, incluindo Sávia e eu. Foi tenso. Dali também dava para ver as minúcias do desfile. O componente de uma escola entrou em descompasso, logo alguém da Harmonia chamou-lhe: “Ô, meu querido! Preste atenção! Preste atenção!”.

Carro da Mocidade veio com referências à obra Retirantes, de Portinari

A “paradona” da Mangueira pode não render um título à agremiação, mas foi o que valeu a minha viagem ao Rio de Janeiro. Até então, tinha achado tudo muito bacana, mas não diferente. O movimento da bateria e o cantar da multidão ecoaram. Fiquei com o enredo na cabeça, assim como a ótima impressão do desfile!

Passei, também, pela Lapa no sábado à noite. Mas já é outra história, que pode ser conferida, em partes, no post de Sávia Reis.

A Unidos da Tijuca trouxe diversos Lampiões e Marias-Bonitas

BIAPHRA GALENO

Nota 9 com louvor

22 de fevereiro de 2012

Procurando a minha casa de quatro dias

Se o assunto é destino, o Rio de Janeiro sempre vai ter uma nota alta. Mas se o assunto é destino no carnaval, a cidade perde um, e apenas um ponto, nos quesitos: logística, trânsito e na recepção aos turistas.
Depois de nove horas de viagem em um ônibus consegui então chegar no Rio de Janeiro, na companhia do meu colega de trabalho e amigo, Biaphra Galeno. Já na rodoviária, pegar um transporte público para o Leblon (casa da nossa colega de trabalho e residente do Rio de Janeiro, Darlene Mello), não era tarefa das mais simples. Entramos em uma fila que o bilhete do transporte custava R$ 6.
Era um ônibus de viagem, mas tinha gente se acomodando em pé. Se é que é possível. Resolvemos esperar o próximo. O ônibus que veio era comum, com mais cara de transporte público, perguntei para uma garota com uniforme da companhia se fazia o mesmo trajeto do anterior e ela diz. “Eu não sei, eu só sei sobre aquele outro ônibus (o que foi embora e mais caro). O próximo deve chegar em quinze, vinte minutos”. Decidimos pegar o comum mesmo que custava R$ 3,40.
Por conta das ruas fechadas para passagem dos blocos, o motorista e a “trocadora” – é assim que se fala no Rio – não sabiam informar nada sobre o itinerário. Depois de alguns tweets trocados com o nosso editor-chefe e carioca Artur Andrade, que também havia chegado na cidade há poucas horas, conseguimos encontrar “nossa casa” de quatro dias.

Minha casa de quatro dias, que na verdade é de Darlene Mello (PANROTAS Rio), fica a quatro quadras da praia do Leblon

Vale o esforço

O apartamento de Darlene é uma graça. A vista, que se divide entre as piscinas do clube do Flamengo, um pedaço da Lagoa e o Cristo Redentor, valeu todo o esforço. O cansaço? Esse já dava lugar ao ânimo de tomar banho e sair. Opções? Muitas. Ir à praia (quatro quadras), passear na Lagoa, escolher um entre as centenas de blocos que animavam os foliões em todo canto do Rio.
Decidimos tirar a cor de paulista (sou de Teresina – PI, mas moro em Sampa há quinze anos) e depois curtir a night na queridíssima Lapa. Pegamos carona com dois amigos paulistanos e fomos de carro. Demos sorte. Trânsito livre e “vaga” para estacionar (na rua e pagando para o flanelinha, é óbvio). No fervo, conseguimos uma mesa no Mangue Seco – em frente a famigerada “balada” (dialeto paulistanês) Rio Scenarium – e tomar um caldinho de feijão preto, é claro! E por coincidência, ainda encontrei mais amigos paulistanos curtindo na Lapa.

Assim estava a Lapa no sábado de carnaval...

... mas consegui encontrar amigos, entre eles, minha queridíssima vizinha e amiga Denise Contardi, da American Airlines

Sapucar aí vou eu

Sábado e domingo, dias de “sapucar” com a repórter e a fotógrafa do Rio, Rhaiane Sodré e Marluce, Artur, e a gerente de Projetos Especiais, Fabíola Bemfeito. O combinado era esperá-los na estação Praça Onze. Pronto! Começaram os problemas. Impressionante como ninguém sabe explicar como chegar no metrô e ainda descobrimos que algumas estações não estariam abertas. Fomos surpreendidos com cariocas nos pedindo informações de transporte e lugares. Oi? Os motoristas continuavam sem saber qual itinerário fazer. Pegamos um táxi que nos deixou próximo da estação General Osório (Ipanema). Duas filas absurdas: uma para comprar o tíquete (cartão) e outra para entrar. Próxima tentativa? Pegar um ônibus, van, qualquer coisa que nos deixe no centro da cidade. Entramos em um veículo alternativo que nos cobrou R$ 10. Obviamente só com turistas. Cariocas se recusavam a pagar o valor, mesmo estando há horas nos pontos de ônibus. E lá vamos nós em um carro velho. O motorista também criava o percurso na hora. Não nos deixaram onde prometeram, muito menos levaram os gringos que queriam ir para Lapa. Mas como diz o ditado “aqui se faz, aqui se paga”, ou não paga. Uma senhora que ficou durante todo o tempo em pé na van, saiu sem dar o dinheiro.

Na Sapucaí com o chefe também de vermelho

Passarela do Samba com Rhaiane

Cheguei com mais facilidade no segundo dia de desfiles. Na foto, com Fabíola Bemfeito

No sambódromo….

A Sapucaí… ahhh a Sapucaí… ahh a nova Sapucaí. Como é impressionante tudo aquilo. Os carros alegóricos, as fantasias, os sambas-enredo que ficam gravados na cabeça, o envolvimento da arquibancada. O carioca vive mesmo o carnaval. Prova disto é uma manegueirense no camarote da Vila Isabel emocionada com a paradona ou paradaça que a agremiação inovou na Passarela do Samba. Faz de tudo para ver a sua escola passar, nem que para isso fique no espaço da concorrente.
Ahhh não contei de nenhum bloco. Fomos no Afroreggae, que segundo o Jornal O Globo, reuniu 200 mil pessoas. Muitos fantasiados. Era uma mistura de samba, axé, funk a beira da praia de Ipanema, no conhecidíssimo Posto Nove. Melhor impossível!!!! Nas ruas, muitos banheiros químicos (fazer xixi na rua vai preso). Ambulantes credenciados vendiam cerveja, água, refrigerantes a preços acessíveis. Apesar de cheio e de empurra-empurra, tudo estava sob controle. Não presenciei nenhuma briga ou incidente qualquer. Confusão eu só tive vontade de fazer quando ao pegar um táxi de volta para rodoviária me cobraram por guardar a minha mala no porta-malas. Oi? Disseram-me que é lei, mas nunca soube disso. Absurdo e bizarro.
Mas para não parecer mal-humorada (já tenho a fama), termino o post com o samba-enredo da última escola de samba a desfilar, Grande Rio. Sim! Eu fiquei até a última. “Quem me viu chorar. Vai me ver sorrir. Eu acredito em você pro desafio. E abro meu coração. Cantando a minha emoção. Superação é o carnaval”.

 
 
 
 

Posto Nove, em Ipanema, tomado pelos foliões que curtiam o Afroreggae

 
 
 
 

Biaphra no meio da galera

 

SÁVIA REIS

Leitura no ar

16 de fevereiro de 2012

Em viagem rumo a Comandatuba (BA) para acompanhar o processo de reformas no Transamérica Ilha de Comandatuba, fiz quase todo o processo ortodoxo até entrar no avião: solicitei o táxi com antecedência de três horas ao voo – para não ter grandes problemas em chegar ao Aeroporto de Congonhas por conta do trânsito; fiz o check-in em um dos totens da Tam; tomei café da manhã e segui para o portão de embarque.

Como de praxe, “por motivo de reposicionamento da aeronave”, tive de me deslocar do portão 13, no piso térreo, para o portão 2, cujo acesso se dá por meio de escadas rolantes. Não obstante, o JJ3660 não foi o único a ter alteração no portão. O que se via com a situação eram grupos a andar: uns impacientes, outros insones.

Cheguei à aeronave; identifiquei o meu lugar na janela – apesar do meu medo de altura, gosto das paisagens vistas lá de cima; cumprimentei um senhor que parecia ser norte-americano (acho que pelo sotaque), que estava a ler a biografia de Steve Jobs, assinada por Walter Isaacson. Lembrei que, em minha mochila, estava uma revista de bordo da Gol (de janeiro), que peguei na redação por conta da capa: ninguém mais, ninguém menos que Chico Buarque, cuja atual turnê é patrocinada pela companhia.

Heresias a parte, li a revista da Gol em um voo da Tam. Não era uma entrevista com o Chico, propriamente, e sim um texto de Eric Nepomuceno sobre as várias personalidades que o cantor e compositor “utiliza” durante suas viagens. As sacadas são muito boas e engraçadas e o ensaio fotográfico dirigido por Darayan Dornelles está ótimo, diga-se de passagem.

Revistas da Gol e Tam destacam-se pela leveza dos textos e qualidade das fotos

Há, também, uma matéria sobre duas viagens a Fortaleza. Uma, na era digital, com direito a smartphone, Facebook e máquina de última geração; e outra, com panfletos e guias, câmera de filme e jornais locais. A diagramação comparativa ficou ótima: as páginas “analógicas” ficaram à esquerda, ao passo que as “digitais” ficaram à direita. E outras matérias que li até avistar a revista da Tam (de fevereiro), no bolsão à minha frente.

Na capa, ninguém mais ninguém menos do que o cineasta Francis Ford Coppola. A matéria especial de Augusto Olivani sobre as vinícolas do diretor de O Poderoso Chefão, em Napa Valley, Califórnia, é saborosamente interessante. Além de mostrar uma das atividades que mais tomam tempo de Coppola, como curiosidade, acompanham o texto belíssimas imagens do destino.

A revista traz, também, um divertido alfabeto de carnaval, com expressões, palavras e gírias características do festejo brasileiro. Além de um perfil interessantíssimo do escritor Nelson Motta. Assim como na matéria sobre Chico, as fotos são ótimas, daquelas que o Photoshop é a base para tratamento, e não como trucagem de imagens.

O voo chegou, guardei as duas revistas. Não tive tempo de ler tudo, claro. Mas a impressão que fica é a qualidade dos textos, das imagens, da diagramação e, claro, das capas e uma ótima companhia durante a viagem. Parabéns às duas publicações, aos editores, redatores, fotógrafos e colaboradores. Ainda não li as revistas de outras companhias. Oportunidades não faltarão.

BIAPHRA GALENO

O repórter viajou a convite do Transamérica Ilha de Comandatuba