O CHARME DE MADRI. E NA CASA LUCIO COMO “AMIGA DO REI”

Parece que o frio que vem fazendo em Madri resolveu pegar mais leve (ou menos pesado) nesta terça-feira, 27, dia de minha chegada na cidade para participar da Fitur. Não que não esteja frio, está sim, bastante, mas aquele vento que torna uma caminhada insuportável, especialmente para quem adora calor como eu, deu uma trégua. Estava um dia lindo na capital espanhola e isso eu percebi ainda dentro do avião da Tam, ao pousar no aeroporto de Barajas. O sol combinado ao pouco vento me permitiu passear pela cidade por horas e ter o prazer de desfrutar, mesmo que toda encapotada, do charme e beleza da capital européia. A pé, o que é muito melhor.

Depois de uma visita a Plaza Mayor, parada obrigatória para os turistas de primeira viagem (junto com o Museu do Prado), o desafio passou a ser conseguir um lugar para o almoço, que sonhava ser no Casa Lucio, na Cava Baja, bastante freqüentado pelos locais, menos pelos turistas, e que costuma receber ninguém menos que Sua Majestade, o rei Juan Carlos. E, como se espera, que “nunca, nunca” tem lugar.

Mas, meu chefe, o presidente da PANROTAS, Guillermo Alcorta, que também está em Madri vindo da BTL, não é de aceitar não como resposta… Olhou para mim com aquela tranqüilidade de quem sabe o que está falando: “nunca tem lugar, mas para a gente tem”. Nesse momento, tive certeza de que conheceríamos o famoso restaurante.

Para aumentar a expectativa, ao dar conta, quando o relógio já marcava mais de 15h30, de que poucos estabelecimentos em plena terça-feira estavam abertos, quando para mim já havia passado da sagrada hora da “sesta” local, paramos em um bar para perguntar porque somente ele e outros poucos funcionavam. O garçom não conseguiu se explicar muito, mas nos garantiu que a Casa Lucio, com certeza, estaria fechada. Decepção… Mas como desistência não faz parte do vocabulário do S. Guillermo e nem do meu, mas a teimosia saudável sim, seguimos nosso caminho, a pé, por uma quase deserta Madri com um foco determinado e específico.

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Lucio e o ator Pierce Brosnan, uma das muitas celebridades que frequentam o local[photopress:Casa_Lucio_melhor.jpg,full,centered]

QUE MARKETING É ESSE?
Chegamos, então, à frente do restaurante. Diante dele, um senhor de terno e com jeito de maître, pedia desculpas aos que, assim como nós, queriam entrar, informando que o restaurante, como havia dito “nosso amigo” lá atrás, fechava às terças-feiras. S. Guillermo, então, disse que gostaria de entrar apenas para me mostrar o local. A porta se abriu levemente e qual não foi nossa surpresa, diante daquele silêncio e sossego do lado de fora – e daquele senhor calmo – ao nos deparar com um restaurante vivíssimo, lotado e com um balcão onde faltava espaço até para olhar. Fiquei pensando, lá com meus botões: “que tipo de estratégia é essa, de dizer que está fechado, sem estar?”. Acho que a idéia deve ser seguir mantendo junto aos visitantes aquela obsessão de “preciso conseguir vir aqui, voltar etc” porque o lugar, de fato, está sempre cheio. Mas merece…

Já perto do balcão, imaginei: “como o S. Guillermo tem tanta certeza de que vamos conseguir sentar?”. Nem tive tempo de me responder. Quando vi, ele havia engrenado em uma animada conversa com a Mari, filha do proprietário do local, Lucio (claro!), que também estava lá. Mari lembrava dele, claro, das tantas vezes que havia ido ao local. Perguntou do Brasil, mostrando-se grande RP. E reafirmando como o espanhol entende a importância do turismo, já foi logo indagando como estaria a Fitur. Em seguida, após cumprimentarmos o Sr. Lucio, que veio até o S. Guillermo, o garçom informou que o lugar estava disponível e que ele iria conduzir-nos. Nesse ínterim, se se passaram cinco minutos, foi muito. Novamente, pensei comigo: “não acredito. Foi mais rápido que em São Paulo”…rs. E o povo do balcão continuava lá, e certamente não conseguiria sentar para o almoço.

Na nossa mesa, pudemos saborear alguns pratos típicos do local e deliciosos. De uma simples batata frita com ovos estrelados (perfeito no ponto e no sabor, nem sal precisamos colocar, um dos petiscos mais tradicionais do Lucio), uma sangria com vinho da casa (da casa mesmo, a marca era Casa Lucio, também divina e na medida, apenas com limão e laranja para garantir o contraste perfeito do vinho com os cítricos), cordeiro e leitão assado (desculpem a esbórnia). Muito sequinhos, thanks God.

E no final, como havia sido convidada, mas achamos que em meio à confusão à entrada não se lembraria, Mari veio e sentou-se à nossa mesa, como prometera. Falou de sua vontade de conhecer o Brasil e se encantou com algumas descrições das atrações locais pelo S. Guillermo, especialmente de Bonito (MS).

FABIOLA BEMFEITO
Viagem a convite da Fitur com assistência internacional Travel Ace

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