Gol de placa em Orlando

Por Rodrigo Vieira, direto de Orlando (EUA)

Fachada do Citrus Bowl, estádio público da cidade de Orlando
Fachada do Citrus Bowl, estádio público da cidade de Orlando

O Orlando City, de Kaká, é um presentão para Orlando. Uma cidade que respira turismo não pode se dar ao luxo de ficar estagnada, sem criar novas atrações, afinal um dos visitantes mais importantes de destinos como esse é o reincidente, aquele que não se contenta em estar lá apenas uma vez. E um time de futebol é um ótimo chute, principalmente quando se trata do destino estrangeiro mais popular entre os brasileiros. A contratação de Kaká, então, é um gol de placa do dono do clube que (adivinhem) também é brazuca – o ex-proprietário da franquia Wise Up, Flávio Augusto da Silva. (Ele é tão considerado pelos fãs do time que até ganhou uma bandeira com sua imagem).

Entre as bandeiras da organizada do Orlando City, a imagem do empresário brasileiro Flávio Augusto da Silva, dono do time
Entre as bandeiras da organizada do Orlando City, a imagem do empresário brasileiro Flávio Augusto da Silva, dono do time

Logo em seu primeiro ano na “primeira divisão” norte-americana, a MLS, o Orlando City já ostenta média de público maior do que a maioria dos grandes clubes da elite do Brasileirão. Pois hoje fui ver de perto o jogo dos “Leões de Orlando” e tive certeza ainda maior de que esse time será um sucesso entre os turistas que pretendem dar um tempinho de descanso na adrenalina das montanhas-russas e na fantasia dos parques. Ou já é um sucesso? Bom, é nítido que a cidade abraçou o time. Turistas e locais. Em qualquer canto de Orlando lá está o leão roxo se fazendo presente.

O Citrus Bowl, que ainda não é propriedade do time – o estádio próprio do Orlando fica pronto daqui um ano – recebeu mais de 30 mil pessoas neste sábado (30) para um movimentado Orlando City 2×2 Columbus Crew – Kaká fez um de pênalti. Se no campo teve alguns passes errados e uns lances mais “quadrados” do que o torcedor brasileiro está acostumado, houve, tanto nos arredores quanto dentro do complexo, um show de infra-estrutura, uma gastronomia digna de um weekend americano, com hot dog, cheesburger, cerveja, refrigerante, doces, efeitos gráficos no telão e tudo o que exigem da cidade do entretenimento e da fantasia. Papel picado, fogos, bandeiras e torcida organizada também não faltaram. Curioso é que a maioria dos torcedores leva consigo um cartão amarelo e um vermelho no bolso. Cada vez que o árbitro mostra algum deles ao adversário, a arquibancada se pinta com a cor do cartão e vai ao delírio. Aliás, eles vão ao delírio com qualquer defesa do goleiro, qualquer desarme. Realmente compraram a causa dos Lions.

Capitão do time
Capitão do time

Essa atmosfera representa o típico espetáculo que o turista não abre mão na terra do Tio Sam. Tudo o que envolveu o jogo foi muito diferente do Brasil. Nessas horas a expressão “outro mundo” é totalmente cabível. Não estou dizendo, porém, que é melhor. São apenas propostas diferentes. O futebol é enraizado no Brasil, onde há clubes centenários e paixão que atravessa gerações. É tradição, amor, vibração, choro que superam dívidas monstruosas das maiores potencias. Aqui, a maioria dos clubes tradicionais é das décadas recentes. Os times têm CEOs, são pensados para fazer dinheiro, de preferência ganhando jogos, mas em caso de derrota, paciência. Ninguém fica de luto. E quem me conhece sabe que sou torcedor bem frequente no estádio, acompanhando minha amada Ponte Preta velha de guerra (que esteve aqui recentemente). Aliás, fiquei positivamente surpreso ao ver a torcida do Columbus Crew levar cerca de 100 torcedores ao estádio e se fazer ouvida. Mostra que as coisas no futebol norte-americano estão evoluindo, apesar de ainda faltar um pouco de intimidade com a bola (e uma pitadinha de carisma).

Bem antes do início da partida, uma sessão de vídeo-game para interagir crianças e adultos
Bem antes do início da partida, uma sessão de vídeo-game para interagir crianças e adultos
 Marcos Peres, ex-jornalista do Sportv, é assessor de comunicação do Orlando City. Mais um brasileiro para o time

Marcos Peres, ex-jornalista do Sportv, é assessor de comunicação do Orlando City. Mais um brasileiro para o time
 Kaká é definitivamente o maior chamariz do Orlando City. Camisetas do atleta são vistas por toda a parte

Kaká é definitivamente o maior chamariz do Orlando City. Camisetas do atleta são vistas por toda a parte
Fogos, show e muito entretenimento do começo ao fim do jogo
Fogos, show e muito entretenimento do começo ao fim do jogo
Kaká cobrou no cantinho para empatar o jogo em 1x1 para Orlando. Partida terminou em 2x2
Kaká cobrou no cantinho para empatar o jogo em 1×1 para Orlando. Partida terminou em 2×2

O Portal PANROTAS foi convidado pelo Experience Kissimmee, com transporte Pegasus e proteção GTA. Para o IPW, o convite foi da US Travel/IPW e Tam.

Impressões do Haiti

“Foram 35 segundos que pareceram 35 anos”. A frase é de um dos sobreviventes do terremoto que abalou a capital do Haiti, Porto Príncipe, em 12 de janeiro de 2010. O país mais pobre da América Latina viu as frágeis construções de sua populosa capital – são dez milhões de habitantes no país, três milhões deles na capital e seu entorno – ruírem sobre as cabeças de seus moradores. O número de mortos chegou a 250 mil, além de outros 180 mil feridos. Os desalojados até hoje povoam os acampamentos montados.

 

Catedral de Porto Príncipe, junto ao epicentro do terremoto
Catedral de Porto Príncipe, junto ao epicentro do terremoto

 

No próximo mês, completam-se cinco anos do trágico terremoto. Em visita ao país para conhecer o primeiro hotel de rede internacional inaugurado por lá, o Best Western Pétion-Ville, que já completou seu primeiro aniversário, pude observar como a reconstrução da capital haitiana avança lentamente. O hotel é uma ilha de serenidade no meio da região mais sofisticada de Porto Príncipe, antes do terremoto. Pétion-Ville é a região que se recupera mais rápido, mas a 20 metros da portaria do hotel ainda há esgoto a céu aberto.

 

Fachada do Best Western Pétion-Ville
Fachada do Best Western Pétion-Ville

 

Para funcionar, como todos os comércios locais – e há restaurantes inimagináveis na região, como os sofisticados Mozaik ou o Papaye –, o hotel tem seu sistema próprio de saneamento e energia, afinal, falta luz durante 11 horas do dia. Cada casa da rica elite – cerca de 200 mil haitianos, segundo o embaixador brasileiro no Haiti, José Luiz Machado e Costa –, cada comércio, cada prédio público são redutos de conforto em meio ao caos da reconstrução haitiana.

 

Lenta, essa reconstrução ocorre ao ritmo dos recursos públicos e privados. É difícil saber se as poucas ruas pavimentadas são resultado da recuperação ou são exemplos da resistência ao terremoto. Calçadas são poucas e, onde existem, povoadas. Muito da vida privada desenrola-se ali, nas vias públicas. Perder-se é fácil, sem quarteirões desenhados. O transporte público é feito pelos tap-taps, espécie de camionetes com carrocerias que recebem quantas pessoas conseguirem entrar. As ruas estão frequentemente cheias e a sensação de insegurança é reforçada pela dificuldade de qualquer visitante em entender como locomover-se em meio à anarquia.

Tap-taps são única alternativa de transporte público
Tap-taps são única alternativa de transporte público

 

A segurança é, aliás, um capítulo especial no dia a dia de Porto Príncipe. No hotel, nos prédios públicos, nos restaurantes há seguranças armados diante de portões com cercas elétricas e muros altíssimos. Na recepção do hotel, ninguém permite um passeio desacompanhado. Em grupo, é possível circular pelos quarteirões mais próximos ao Best Western Pétion-Ville, caminhando até a Praça Saint-Pierre, o coração da região. Não me senti ameaçada, mas é um passeio triste, pontuado por crianças, adultos e idosos pedindo esmolas, que devem ser veementemente negadas. Oferecer dinheiro a qualquer um deles, segundo nos informaram, motiva todos os demais a esperarem algo. E, aí sim, essa “aparente segurança” pode ser ameaçada.

 

A Best Western foi a primeira rede internacional a chegar em Porto Príncipe, mas já em 2015 será a vez da Marriott. No ano seguinte, é a vez do Hilton. Há espaço para o turismo corporativo, com destaque para a presença de engenheiros de diferentes segmentos por lá. Mas é cedo para o lazer. Uma pena, porque a cerca de 100 quilômetros dali vi um dos mares mais bonitos que o Caribe tem a oferecer. Um Caribe que ainda não conhece complexos de resorts. Virgem, preservado, poupado até mesmo pelo terremoto de cinco anos atrás.

Abaixo, muitas imagens de Porto Príncipe e seu entorno.

Favelas espalham-se por todos os morros da região
Favelas espalham-se por todos os morros da região

 

Vista a partir da janela do Best Western Pétion-Ville: mais verde do que imaginava
Vista a partir da janela do Best Western Pétion-Ville: mais verde do que imaginava

 

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Pelas ruas do centro, escombros foram recolhidos, mas terrenos vazios pontuam a paisagem
Pelas ruas do centro, escombros foram recolhidos, mas terrenos vazios pontuam a paisagem

 

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Interior da Catedral de Porto Príncipe
Interior da Catedral de Porto Príncipe

 

Esgoto a céu aberto no mesmo quarteirão do hotel inaugurado há um ano
Esgoto a céu aberto no mesmo quarteirão do hotel inaugurado há um ano

 

Calçadas povoadas por comerciantes
Calçadas povoadas por vendedores

 

Presença das Nações Unidas é sensível
Presença das Nações Unidas é facilmente notada
Entrada da Embaixada do Brasil no Haiti: filas constantes de haitianos que querem tentar vida por aqui
Entrada da Embaixada do Brasil no Haiti: filas constantes de haitianos que querem tentar vida por aqui

 

Marca de promoção do turismo do Haiti - potencial carente de infraestrutura
Marca de promoção do turismo do Haiti – potencial carente de infraestrutura

 

Praia a cerca de 100 quilômetros de Porto Príncipe: virgem
Praia a cerca de 100 quilômetros de Porto Príncipe: virgem

 

MARIA IZABEL REIGADA

 

O Portal PANROTAS viajou a convite da Best Western Pétion-Ville

 

Vulcões fotogênicos

Em plena Cordilheira dos Andes, o Vulcão Villarrica, no Chile, foi considerado o terceiro mais fotogênico do mundo, em ranking da rede de notícias CNN. Tive o privilégio de conhece-lo na minha última visita ao Chile, no mês passado, e, o que tenho a dizer sobre o resultado é: terceiro?! Veja você mesmo:

Vulcão Villarrica visto a partir da estrada para Pucon
Vulcão Villarrica visto a partir da estrada para Pucon

Na verdade, a colocação deve ser bastante justa. Não conheço o primeiro ou o segundo colocados (o Kilauea, no Havaí, e o Kawah Ijen, em Java, na Indonésia), mas observando algumas fotos deles nas páginas dos destinos, é impossível dizer que não são fotogênicos. Em fevereiro, em viagem de férias, durante o carnaval, pude fazer o trekking ao vulcão mais alto do mundo, também no Chile, o Ojos del Salado, no Atacama. Foram cerca de dez dias entre aclimatação, acampamentos e trekking para conhece-lo “pessoalmente”. Mas há uma grande diferença entre um e outro: enquanto o Villarrica, com seus 2,8 mil metros, tem o formato cônico, típico dos “vulcões de desenho animado”, o Ojos del Salado e seus 6,8 mil metros, não. É uma grande montanha, com muitos cumes, e, por isso, provavelmente não aparece no “top ten dos fotogênicos”.

Villarrica e sua constante fumarola, indicando que o vulcão segue ativo
Villarrica e sua constante fumarola, indicando que o vulcão segue ativo

E se há algo de que o Chile conhece bem são vulcões. São cerca de 2,8 mil vulcões em todo o território, alguns deles bastante ativos, como o próprio Villarrica que, por isso mesmo, expele constantemente uma fumarola, bastante visível nos dias mais claros. O país faz parte do anel de fogo do Pacífico e integra a Rede Nacional de Vigilância Vulcânica, que monitora 43 complexos vulcânicos, incluindo o Villarrica. A última forte explosão do vulcão ocorreu em 1970 e, graças ao controle contínuo, o Villarrica é um dos principais atrativos de Pucón, cidade ali a seus pés. Além de ter uma estação de esqui, é utilizado para trekkings e diferentes atividades de montanha, tanto no inverno quanto no verão. E, cá entre nós, veja desse outro ângulo e me diga: é ou não é fotogênico?

Vulcão Villarrica, visto desde Panguipulli
Vulcão Villarrica, visto desde Panguipulli

Em tempo: além do Kilauea, do Havaí, do Kawah Ijen, da Indonésia, e do Villarrica, a lista dos dez vulcões mais fotogênicos do mundo traz ainda, nessa ordem: o Fuji, no Japão; o Virunga Mountains, na fronteira entre Congo, Uganda e Ruanda, na África; o Licancabur, na Bolívia, o Monte Etna, na Itália; o Arenal, na Costa Rica; o Mayon, nas Filipinas; e o Cotopaxi, no Equador.

Estação de esqui no Villarrica, aberta nos meses de inverno
Estação de esqui no Villarrica, aberta nos meses de inverno

 

MARIA IZABEL REIGADA

 

O Portal PANROTAS viajou a convite da Tam e Lan, com apoio do Turismo do Chile