50 segundos para a queda

O que você faz em 50 segundos? Atravessa a rua, amarra o cadarço, toma um cafezinho, liga o computador, manobra o carro… Coisas simples, miúdas e que passam desapercebidas no dia a dia. Afinal, 50 segundos não são suficientes para se fazer grandes coisas. Certo ou errado? ERRADO! Eu realizei um sonho. Este final de semana dirigi por uma hora e meia na Rodovia Castelo Branco sentido ao interior de São Paulo para chegar até a base da Azul do Vento, em Boituva. Foi lá que, em 50 segundos, vi a terra crescer e tomar forma diante dos meus olhos, antes do paraquedas abrir. Isso mesmo amiguinhos, depois de encarar o maior bungee jump do mundo, na África do Sul, fiz um salto duplo a 12 mil pés, cerca de 4 mil metros de altura. Pura adrenalina!!!

Cheguei no local às 7h. O cenário que encontramos foi surpreendente: mais de 20 balões tomavam conta do céu, ainda com o sol despertando. Fantástico! A partir daquele momento percebi que o dia seria diferenciado (Thanks God… Fugi da rotina). Fui recepcionado na Azul do Vento por Adriano Assunção, um cara tranquilo, alto e com 12 anos de experiência em queda livre – ele já tem mais de 2,2 mil saltos! Depois de uma breve conversa, chegou a hora da verdade.

Erico era o nome do meu instrutor. Ele me apresentou uma roupa azul e amarela para o salto. Me vesti. Caminhei para fora da loja e tive uma breve instrução de como deveria me comportar lá em cima e durante a queda. Simples. Seguimos para o avião e fomos os últimos a entrar. Fiquei ao lado da porta. Cerca de 15 pessoas subiram no mesmo avião. Todos bem juntos, até parecia que éramos amigos de infância. Todos unidos em prol do mesmo objetivo: os 50 segundos. Erico me prende e relembra o que devo fazer. Já se passaram 20 minutos de subida. Ajudo a abrir a porta. Olho para baixo e me sinto minúsculo. Grito de emoção e a contagem regressiva começa. Meu coração batia cada vez mais forte. Chega de barulho do avião. Agora, o vento soava como música nos meus ouvidos. Gritos, caretas e uma leve dificuldade para respirar. Meu corpo acostumou com o ritmo dos ares e me senti livre. Encontrei os 50 segundos dos meus sonhos. A adrenalina amenizou quando o pára-quedas abriu. Ficamos mais um ou dois minutos no ar. Até controlei o paraquedas.  Confesso que perdi um pouco da percepção de quanto seria 60 segundos ou 60 minutos naquele momento. Meus pés tocaram o chão. Adoro sentir a sensação de paz, depois de muita adrenalina. É inexplicável. Se você nunca experimentou, supere seus limites. Na base da Azul do Vento vi vídeos e fotos de garoto de oito anos e de um vovôzinho – esse me emocionou -, que aos 82 anos, saltou. Uma cena para se guardar na memória. Terminei a gravação para a TV PANROTAS. Deitei na grama por alguns segundos para guardar bem na memória cada detalhe do meu despencar. Quero mais. Vocês podem acompanhar todos estes detalhes no PANROTAS News. Thales Grego, que filmou toda esta aventura, também saltou. Dá só uma olhada.

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Bom, agora é só esperar pela próxima aventura. Alguém me indica alguma coisa? Estou pensando em… Depois eu conto!

(Gabriel Guirão)

Curtindo com os leões

Eles são enormes, assustadores e os reis da selva. Mas quando pequenos não passam de gatos gigantes e brincalhões. Durante minha estada em Jahannesbourg tive a oportunidade de encarar uma hora e meia de estrada para passara tarde com leões. O Horseback Africa é um lodge que abriga leões de todas as idades, além de babuinos e cobras. Passamos a tarde com a companhia dos leões.

Primeiro saímos para um passeio a beira de um lago com dois leões “adolescentes” de oito meses. Nos divertimos com a preguiça dos meninões na sombra. Tudo estava indo super bem, mas, de repente, surgiu uma girafa no nosso caminho. O guia Colin explicou que as girafas avançam em filhotes para mata-los quando ainda são crianças. É a lei da selva. A girafa não fazia parte da atração, mas encontrou dentro da fazenda boas plantas para comer e por isso ela cruzou nosso caminho. Andamos um pouco mais rápido e, de acordo com o guia, não sofríamos mais perigo. A girafa não tirou um segundo sequer os olhos dos leões.

Chamo-os de adolescentes porque os dois machos eram bem temperamentais e só queriam descansar. Colin guardou os garotões e logo outros dois foram liberados. Estes tinham três meses e eram uns verdadeiros brincalhões. O tempo todo estavam rugindo, ou pelo menos tentando, e brincando com os cachorros da fazenda. Nessa idade eles já começam a comer carne. Aliás, a juba do leão só começa a crescer a partir de um ano e meio. Aos três ela está totalmente formada.

Depois de ver os futuros gigantes se alimentarem, conhecemos os pequeninos leões de apenas um mês. Esses mal conseguiam andar. Eram muito frágeis e realmente pareciam um gatos domésticos. Demos mamadeira para os bebes e depois os deixamos descansar. Tudo isso durou cerca de quatro horas. Também visitamos os pais desses filhotes, mas nada de tocá-los. São muito grandes…Atualmente, existem 20 mil leões no continente africano. Há 25 eles eram 250 mil. O homem foi o grande (ir)responsável pela morte de grande parte deles.

Dicas: – Nunca se agache diante dos leões de oito meses. Eles gostam de brincar para saber quem é o mais forte e dominador, mas seus dentes e garras são bem afiados. Só tome esta liberdade quando o guia lhe falar que é possível.

– Não se assuste com os leões quando eles chegarem correndo. É preciso ficar parado e deixa-los correr entre suas pernas. Se eles pularem, apenas grite: No! E aponte o dedo em seu rosto. Eles são obedientes. Experiência própria.

– Os pequeninos não podem ser pegos pelas patas porque são muito frágeis. Carregue-os sempre segurando pela barriga e deixe-os bem perto de seu corpo para que eles se sintam seguros.

– Nunca toque nos leões enquanto estão se alimentando. Eles podem se irritar.

– Vista roupas bem à vontade para o passeio.

-Não deixe de fazer este passeio quando estiver em Johannesbourg. Vale muito a pena mesmo!!!

Fiquem com as fotos da nossa equipe brincando com os leões na África do Sul (Luciano e Thales, da TV PANROTAS, e, em seguida, Marluce Balbino).

GABRIEL GUIRÃO

Soweto – o contraste do bem e do mal

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Conheci a verdadeira raiz da África do Sul. Hoje visitei o Soweto (South-West Township, ou “Cidadela do Sudoeste”), um subúrbio com aspecto de imensa favela na cidade de Johannesburgo. Posso definir como uma região de contrastes. Feliz, triste, sofrida, guerreira, bonita, feia. A história da cidade começou em 1904, quando o governo sul-africano iniciou a segregação do povo negro. Porém, com o Apartheid a exclusão foi maior ainda a partir de 1948. Todos os negros eram mandados para lá. Os reflexos desta cruel e surreal atitude “branca” ainda podem ser vistos hoje. As ruas não possuem nome e 99,5% da região é habitada por negros.

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Confesso que fiquei realmente emocionado com o local. Visitei o Hector Pieterson Museum e não consegui acompanhar toda a visita do grupo. No museu existe toda a história de repressão e protesto de Soweto, retratada em fotos, vídeos, áudio e obras. Logo de cara me deparei com a imagem mais famosa do Apartheid

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Hector é o garoto que está sendo carregado nos braços de outro estudante que também protestava contra a política oficial de discriminação racial. A foto se torna mais triste ainda por saber que Hector era uma criança de apenas 12 anos. Fiquei alguns minutos por ali analisando a foto. Refleti e me dei conta que estava na cidade onde toda aquela desgraça havia acontecido. Depois entrei em uma área onde há nomes esculpidos em placas dos negros mortos durante este regime. Elas ficam jogadas no chão para simbolizar a sua morte. Somente este local pode ser fotografado dentro do museu. Descobri que exatamente ali eles eram executados. Meus olhos marearam em água. Subi para o segundo andar. Armas, mais fotos, mais vídeos e uma janela, de onde se pode ver um parque. Vi uma imensidão de crianças correrem por lá, mas com sorrisos inexplicáveis e realmente sinceros nos seus rostos. Percebi que era hora de sair. (A visita é gratuita)

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Coloquei meus pés para fora com um nó na garganta. Abaixei a cabeça por alguns segundos. Queria ficar sozinho. De repente, senti uma trombada. Três pequeninos, que brincavam no parque, se encontraram com as minhas pernas. Me agachei e comecei a conversar com eles. Foram poucas palavras, mas o brilho de inocência daqueles meninos mostrava, definitivamente, que um novo Soweto está nascendo. Ainda bem… Hoje, a township está se desenvolvendo.

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Do outro lado da rua, existe uma feira de artesanatos muito interessante. Porém, fica a dica para quem comprar qualquer quinquilharia: pechinche. Comprei um quadro por 100 rands. O rapaz queria me vender por 200. Em Soweto, ainda existe a casa de Nelson Mandela (ele não mora mais por lá) que pode ser visitada. Não tivemos tempo de conhecer, infelizmente.

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Outra coisa que martelou minha cabeça durante todo o meu dia foi uma música do jamaicano Bob Marley chamada War. Em uma de suas estrofes ela diz: “…enquanto a cor da pele de um homem for superior a cor dos olhos, haverá guerra”. Podemos resumir tudo o que este povo passou com esta canção. Fica aí também uma dica musical. Paz!

GABRIEL GUIRÃO

Viagem a convite do Turismo da África do Sul (SAT), via SAA, com assistência internacional Vital Card