MADRI E PERGUNTAS OU OBSERVAÇÕES QUE NÃO QUEREM CALAR

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– Como, com todo aquele frio que fazia em Madri durante a Fitur, as pessoas conseguem fazer city-tours sentadas no segundo andar aberto daqueles ônibus vermelhinhos? Devem ser russos, escandinavos ou, quando muito, canadenses…

– Também adoro tênis, o esporte (quem leu aqui meu post “Um Museu do Futebol diferente de tudo que você imagina”, em 8/1/2008, já sabe que curto muito futebol). Mas acho tênis o máximo. Enquanto estava na Fitur fiz tudo que pude para acompanhar o Aberto da Austrália, com seus horários alternativos. E adorei estar na Espanha enquanto o número 1 do mundo, natural do país, Rafael Nadal, e outro espanhol que está entre os Top 20 do ranking, Fernando Verdasco, se enfrentaram na semifinal que durou nada menos que 5h e teve alguns lances memoráveis. Enquanto aqui no Brasil, ficamos apenas esperando que, por milagre, nasça outro Guga, o que acontece de 50 em 50 anos (antes só tivemos Maria Esther Bueno entre os grandes), na Espanha os bons são muitos e o jogo de ambos ganhou a primeira página de quase todos os jornais espanhóis. Algo que não vemos por aqui faz tempo. “Morri de inveja”… Era bom ouvi-los falar da partida como a gente fala de futebol. Ao voltar não gostei, porém, que o espanhol Nadal, vencedor daquele jogo, ganhasse do suíço Roger Federer, que eu adoro, a final do Australia Open. Mas isso é assunto para outro post…rs.

– E claro que, como toda fã de futebol, adorei ver de perto o lendário estádio Santiago Bernabeu, do Real Madrid. Não mais lendário que nosso Maracanã, mas a síntese de um novo momento do futebol que a Europa sabe bem e a gente, no Brasil, sabe muito pouco.

– Mas o que achei o máximo mesmo foi a facilidade para chegar lá no Barnabeu de metrô. E inevitavelmente fiquei pensando no desafio do Morumbi (SP), que quer sediar a partida de abertura da Copa de 2014 no Brasil e tem grandes chances para isso, além de um projeto ousado que não usa dinheiro público para o estádio. Mas, para conseguir, terá mesmo de resolver a questão do metrô e, óbvio, do estacionamento…

– Aliás, por falar em metrô, o de Madri, como se espera, é o máximo. E, como disse, ao contrário de alguns similares europeus e norte-americanos, muito limpo. Com 10 linhas interconectáveis, atinge a cidade inteira. É difícil um ponto onde não se possa ir de metrô. O único senão continua sendo a grande quantidade de escadas tradicionais (não-rolantes) para subir e descer de diversas estações, às vezes várias vezes, o que complica a vida dos idosos (em grande número na Europa) e as condições de acessibilidade de um grande centro europeu.

– O outro – e único – senão, a meu ver, continuou mesmo sendo a fumaça do cigarro, autorizado em bem mais lugares do que já nos acostumamos. Saía da Fitur e tinha de dar um jeito de botar minhas roupas para respirar, porque mesmo a feira deixava, principalmente os casacos, com aquele cheiro entranhado de fumaça de cigarro. O grande desafio era achar uma forma de fazer isso em um quarto todo fechado por conta da calefação e onde uma janela aberta significava congelar… O banheiro era o único jeito… Se tiverem mais sugestões, aceito ouvi-las – ou lê-las.

– Fora isso, lembre-se de uma coisa. Sempre informe seu passageiro, quando ele for embarcar no gigantesco aeroporto de Barajas de volta ao Brasil, em que terminal irá fazê-lo. Parece simples, mas o aeroporto internacional de Madri é enorme e tem quatro terminais, com quatro entradas diferentes para os carros – não é como em Guarulhos, onde é fácil de andar a pé entre o TPS1 e o TPS2. E, se ele não souber, o motorista de táxi não arredará o pé até que se consiga, com a ajuda dele e seus mapas, resolver a questão. Normalmente o número do terminal vem escrito no bilhete. E a brasileira Tam, como herança da Varig, opera no Terminal 1. Mas vale a dica para não deixar seu passageiro perdido.

– A organização da Fitur para a imprensa também merece um registro. Impecável, sob a responsabilidade de Marieta Vasquez e Marta Galvez.

FABIOLA BEMFEITO
Viagem a convite da Fitur com assistência internacional Travel Ace

MUITO FRIO, O MUSEU DO PRADO, A CERVEJA E O CHOCOLATE

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Já estou de volta a São Paulo, mas no meu último dia em Madri posso dizer que o frio intensíssimo que tinha dado uma trégua durante a semana, resolveu voltar. Não que nos outros dias não estivesse frio. Estava, mas dava para agüentar, desde que bem agasalhada. No sábado, “quase morri congelada”. E olha que estava totalmente encapotada. Mesmo assim, não tenho dúvidas de que valeu à pena mais essa rápida inserção madrileña…

Apesar do frio, o sol permaneceu e, como já se espera do inverno, o céu estava ainda mais azul e o dia lindo. Mas confesso que há algo que, para mim, é muito complicado, além de sentir aquele frio todo: essa história de tirar e colocar roupa, à medida que chegamos aos lugares, aquecidos, enche o saco. Sejam eles uma loja, um bar, restaurantes ou mesmo o metrô. Tira o sobretudo, casaco, cachecol… Bota o sobretudo, casaco, cachecol… Toda hora. Não dá.

Bem, em minha última tarde na capital espanhola fiz algumas coisas muito especiais que, naquela correria da Fitur, não tive chance. Experimentei a tortilla espanhola (adorei, como eles lidam bem com os ovos naquela região, seja para tira-gostos, pratos, salgados, ou para as sobremesas), o chocolate quente (uma ótima dica, desde que você tenha tempo e paciência para os garçons muuuuuito calmos, é o tradicional Riofrio, próximo à estação Colón do metrô, com sua decoração antiga que deixa saudades da Confeitaria Colombo carioca), a cerveja draft (ou chope, para nós). E conheci uma loja inacreditável…

O Riofrio, próximo à estação Colón do metrô, serve um ótimo chocolate
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TOLEDO E A TÁVOLA REDONDA
Pois é, ao entrar na tal loja me senti no meio de um filme do rei Artur e seus cavaleiros da Távola Redonda (com a licença poética de estar fora da Inglaterra) ou em um intervalo de luta das Cruzadas. Uma surpresa e tanto. Trata-se de uma casa de artesanato de Toledo (ou toledano), que fica em frente ao Museu do Prado, mas não na direção do Hotel Ritz, e sim do outro lado da avenida Paseo del Prado.
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Lá se encontra todo tipo de armas usadas na Idade Média, mais até do que imaginamos, armaduras, roupas, acessórios, brasões e, o que é ainda melhor, um pequeno museu no segundo andar onde os atendentes dão explicações sobre o período e seus hábitos. “Como, com toda aquela proteção das armaduras, que cada vez cobriam mais, os caras ainda morriam?”, ou “como eles faziam para limpar, e lustrar, aquilo tudo?” foram algumas das muitas questões que vieram a minha mente. Tem também muita coisa legal à venda, alguns artesanatos típicos de várias cidades e regiões espanholas identificadas em plaquinhas em frente aos objetos.
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Depois, fui ao Museu do Prado. Lindo, com algumas obras de arte que são referência no mundo – o local tem nada menos que 50 obras classificadas como masterpieces da humanidade. De Rembrandt, Goya, Velazquez, Tintoretto, El Greco, Raphael, Caravaggio, Fran Angelico. Mas, com poucas exceções, são muito sóbrias, tristes, como foi também a Idade Média – a maior parte delas é do fim deste período e início do Renascimento.

Fachada do Museu do Prado
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Cheguei à conclusão, com todo o respeito, que as artes moderna e contemporânea me encantam muito mais. Mas, claro, é uma visita imperdível. Não apenas do ponto de vista histórico, mas para ter a opção de conhecer suas preferências, digamos assim, artísticas.

FABIOLA BEMFEITO
Viagem a convite da Fitur com assistência internacional Travel Ace

OVOS ESTRELADOS COM FRITAS OU COMO AS COISAS SIMPLES SÃO ESPECIAIS

Um bom vinho, uma boa companhia, uma boa conversa e uma boa comida. Assim foi minha terceira noite em Madri, após dois intensos dias andando pelos 12 pavilhões da Fitur. Ainda na Cava Baja, próximo à Plaza Mayor, na velha Madri, fomos novamente em uma das casas do Sr. Lucio, do lendário restaurante Casa Lucio. O local escolhido dessa vez foi o El Viejo Madrid, praticamente em frente ao restaurante em que fomos na terça-feira. A noite contava 14oC, o que não chega a ser uma tragédia para quem, como eu, temia pegar o zero grau de temperatura em Madri. Com isso, a galera local sai à rua à noite, o que ainda não tinha visto nessa visita. E já sabemos que eles são animados, o que torna caminhar pelas ruas agradável e, claro, movimentado.

Foi nesse clima que cheguei para jantar no El Viejo Madrid, com o casal Paulo Barros e Dora Avnaim, ela ex-Sheraton e Othon e eles há 15 anos radicados em Londres, Ricardo Aly, da Royal Palm Plaza Hotels & Resorts, Luiz da Gama Mór, o vice executivo da Tap, e S. Guillermo Alcorta, presidente da PANROTAS. De novo, o ponto alto foram as companhias e o ótimo papo, que foi do vinho às tortas de queijo, à paixão por sobremesas de alguns, os relógios biológicos e o bom humor que se tem na parte da manhã (o que não é meu caso, infelizmente, mas é do Mór), a facilidade para permanecer acordado à noite (este, certamente, o meu caso…), ou como nos tornamos mais especiais e interessantes à medida que o tempo passa – ainda que tenhamos também de nos tornar mais velhos – ou “maduros”.

Ricardo Aly, Luiz Mór, Paulo, Dora e S. Guillermo
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E seguiu, tendo como estímulo várias garrafas de ótimo vinho, o brilhantismo e perspicácia do Mór, o já corrente, pelo menos para mim, brilhantismo de S. Guillermo, as “manias” de todos nós (se podemos chamá-las assim), a vivacidade do Aly e a simpatia e cultura do casal Paulo e Dora.

Comemos, novamente, os tais ovos estrelados com fritas, pelos quais vi Mór quase ajoelhar para saborear…rs. São muito bons e a coisa mais típica – e absolutamente perfeita – de que se pode desfrutar em uma das casas do Sr. Lucio. Parece fácil de fazer, afinal são ovos com fritas. Mas é aí que está o segredo. Dar um ar especial às coisas simples é um grande desafio.

E a noite segue com uma descoberta: de que um prato pode servir como grelha no lugar daquela mini-churrasqueira trazida à mesa, tão comum no Brasil. Pois é, aqui a carne chega mal passada à mesa e em vez do réchaud que enche todos de fumaça nos bares, inclusive as roupas, e infesta os cabelos, vem com um prato fervendo que faz o mesmo efeito sem contaminar o ambiente… Divino e algo definitivamente para ser “copiado” no Brasil.

Um prato é alternativa àquela chapa que vem à mesa. Sem fumaça
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DANÇA FLAMENCA
O que poderia, então, fechar uma noite agradável como essa? Uma continuação com um vinho, nem tão divino assim, para acompanhar um típico show local de dança flamenca que eu e Ricardo Aly decidimos averiguar depois de entrar em um sem número de casas nas proximidades da Plaza Mayor. Isso depois que os outros entraram em seus táxis e optaram por não nos acompanhar em mais essa experiência.

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Seis dançarinos, quatro lindas mulheres e dois nem tão lindos homens, mas todos com um flamenco de ótima qualidade e aqueles belos sapatos de dança, se alternavam em um palco da casa de um espanhol muito típico, com um bigode inspirado em Salvador Dalí, que ficava cortando aquele presunto local gigantesco enquanto via a gente passar para puxar uma conversa – e sei lá o que mais…

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Voltei ao hotel eram quase duas da manhã – como disse, meu problema nunca foi ficar acordada à noite, mas sim ser acordada cedo – e a rua continuava cheia. Depois do rigoroso inverno, 14oC por aqui pode ser visto quase como “verão” e, com um céu firme e majestoso, se tornam mais que um convite para sair de casa (ou do hotel) e aproveitar – ainda mais – a vida… Um brinde, então!

Eu, Fabiola, depois de uma boa e divertida noite
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FABIOLA BEMFEITO
Viagem a convite da Fitur, com assistência internacional Travel Ace