Spoiler: Banana Moscatel ou, se for careta, não leia!

Os muito caretas aconselho, como os norte-americanos fazem com os spoilers, a parar de ler por aqui… he he

Recentemente visitei Braga, no Minho, norte de Portugal. E confesso que ela tem monumentos – e jardins – muito bonitos. É uma das cidades cristãs mais antigas do mundo e teve sua época áurea na Idade Média. Algumas fotos abaixo dão a dimensão da beleza de alguns de seus espaços.

Arco da Porta Nova

Belos jardins, próximos à catedral

Santuário

Mas pensei cá – ou lá – com meus botões ao andar por seu centro histórico: essa cidadezinha é muito parada… Não faltam barbearias tradicionais, alfaiates um do lado do outro… Parece que o tempo parou em Braga.

Eis que então me deparo com o estabelecimento de Seu Manuel Bento, nome de bom português. O lugar chama-se Casa das Bananas. Só vende licores, bebidas, doces e outros derivados da banana.

Mas em sua vitrine estão vários “consolos”. Isso mesmo, aqueles das sex shops, em formatos já imaginados. Ou vejam as fotos. E para quem achar que exagerei mostrando, está tudo na vitrine, virado para a rua, para todo mundo ver.

É que os portugueses são muito literais – nossas piadas sobre a lógica portuguesa vêm daí. E Seu Manuel Bento não foge à regra. Veja a explicação – “como é uma casa especializada em bananas, pensei num jeito de movimentar e agreguei instrumentos com formatos que remetam a elas”.

E me entendam bem, na loja de Seu Manuel não se vende nada que se encontra em uma sex shop. Só mesmo sua especialidade – derivados comestíveis e bebíveis, literalmente, da banana.

Até aí, nada tão diferente?! Mas os visitantes, principalmente portugueses e brasileiros, que entram descontraidamente na loja de Seu Manuel, podem ser convidados a experimentar a Banana Moscatel, suposta “iguaria” local, segundo ele “o batismo” de quem chega na Casa das Bananas.

Só que Banana Moscatel não é um doce, nem uma comidinha, nem uma bebidinha, como pensei inicialmente. Assim que o visitante topa a “experiência”, Seu Manuel convida-o a sentar-se em um banco de madeira – aparentemente como qualquer outro banco de balcão.

O que ele ainda não sabe, porém, é que o tal banco tem um enorme objeto fálico no meio. Que fica escondido e só “salta” do banco depois que o visitante ali senta – e ao que Seu Manuel chama de Banana Moscatel.

É… é isso mesmo. Para levantar a “coisa”, ou a “Banana Moscatel”, Seu Manuel finge que vai pegar o que foi oferecido no balcão e aciona uma manivela – tudo feito por ele. E o “sentante” sente o efeito.

Dois momentos de Seu Manuel: na hora de convidar a provar a banana moscatel…

… e rindo descontraidamente da peça (ou pegadinha!) que ele pregou…

Claro que fotografei, só não vou mostrar… Mas morri de rir com a criatividade, o estilo literal e a coragem dele em desafiar a calmaria de Braga com sua Casa das Bananas.

O lugar é um sucesso. Ao falar com a guia, ela disse que costuma orientar as pessoas que passem por lá. E todo mundo adora.

Criatividade nos negócios é isso, ainda que de forma inusitada ou não ortodoxa… Fato é que fica difícil esquecer a Casa das Bananas depois dessa. Para o bem ou para o mal.

E você, o que acha?

FABIOLA BEMFEITO

Viagem a convite de Abav e Turismo de Portugal, voando Tap, com assistência internacional GTA e Travel Ace

Sapato de panela para reflexão… Ou gozação

Viajar é cultura. Isso todos já sabemos… Pois uma escultura prateada, contemporânea, enorme, chama atenção no lobby do hotel Blue & Green, em Tróia, no Alentejo, em Portugal, onde estive neste mês de maio. O hotel é moderno, clean, lembra um hotel americano, com quartos bem grandes e amplos espaços.

Já a escultura é um grande sapato, semelhante a um sapatinho de cristal da Cinderela. Mas nada diferente, em forma, dos modelos de hoje. A diferença é que ele é todo feito de panelas…

Mas brasileiros não perdem a piada. Ainda mais em Portugal… No grupo em que estava, uns logo defenderam que a escultura representava a mudança vivida pela mulher, que saiu “da cozinha” para uma vida profissional bem-sucedida, para as noites de diversão com os amigos – ou para os dois, como prefiro, sem qualquer pendência ao feminismo exacerbado.


Já alguns visitantes, mais brincalhões, machistas – ou os dois -, zoavam a mulherada dizendo que o significado do altíssimo sapato de panelas remetia ao fato de que a mulher tinha tentado sair da bendita cozinha, mas não conseguia. Nem com todo o salto alto…


Vale observar os detalhes. A parte que equivaleria ao couro em um sapato tradicional (frente e o apoio traseiro), é toda feita de tampas de panela, de aço inox, iguais e brilhantes. O apoio do pé é de panelas viradas, todas do mesmo tamanho. E o salto também é de panelas, porém de tamanhos distintos – elas diminuem de cima abaixo para fazer o efeito do salto…

O nome da escultura é Cinderella’s Slipper, sugestivamente algo como o “Chinelo da Cinderela”. Acho que representa mesmo o direito de A Gata Borralheira pisar e sapatear em cima das panelas… Mas independente do que se ache, aí está o valor da arte, de suscitar discussões e reflexões – mesmo em tom de brincadeira ou por mais contemporânea que ela seja.

Eu prefiro achar que a mulher, de acordo com seu jogo de cintura e prioridades, aprendeu a se equilibrar, entre a cozinha (que ela tem todo o direito até de gostar), a vida profissional bem-sucedida e a balada – e sem cair do salto. Mas aí vai de cada um. Ou de cada uma…

Aqui, uma geral da escultura, que pode ser comparada às escadas, sofás, para compreender como ela se insere na decoração do hotel

FABIOLA BEMFEITO

Viagem a convite de Abav e Turismo de Portugal, voando Tap, com assistência internacional GTA e Travel Ace

Pacotes, ajustes e FMI

Passei anos trabalhando em turismo, agora já se vão quase 20, mas eram 17, sem conhecer Portugal… Já pegava mal e eu até andava escondendo o fato. Mas nos últimos três anos estive três vezes no país – e olha que andei, vi bastante coisa. Já sou quase uma expert… he he.

Fui muito além do eixo Lisboa-Fátima, que sempre sonhei conhecer. A emoção, pode-se dizer, é um dos pontos altos da visita. Não apenas em Fátima, onde vou me emocionar sempre, mas em todo o país.

Não há destino fora do Brasil com o qual nos identifiquemos tanto – pelos laços históricos e culturais que temos com Portugal. Podemos gostar mais de outros lugares, inclusive eu me encaixo nessa categoria em várias situações, mas é impossível não ver um pedacinho do Brasil em cada parte que visitamos de Portugal. E não se sentir em casa com isso.

E há boas surpresas, que vou contar em outro post, pois sempre me impressiono como pode um país tão pequeno ter paisagens, climas, costumes tão distintos…

Por ora, convido vocês para se impressionarem com a riqueza histórica presente na hotelaria portuguesa… Eles estão em crise, com pacote econômico, ajuste fiscal, FMI, aquelas coisas que conhecemos tão bem. Mas nos empreendimentos turísticos não vemos nada que mostre isso.

Vemos sim, uma hotelaria rica, que une o clássico e o moderno como poucos. E há espaço, claro, para empreendimentos novíssimos.

Conheçam um pouco dos hotéis que visitamos na minha última ida a Portugal, em maio, para a Convenção Internacional da Abav. E marquem suas viagens ou mandem muitos clientes para lá. Será impossível não gostar…

A Pousada de Portugal de Alcácer do Sal, Alentejo, já foi forte e convento. Em seu subsolo há ruínas arqueológicas e um museu. Impressionante

Outra bela Pousada de Portugal, de frente para Basílica de Santa Luzia (Sacre Coeur), em Viana do Castelo, no Minho

O Convento do Espinheiro Resort & Spa, em Évora, já foi convento e hoje é hotel de luxo com uma belíssima igreja

No Mar de Ar Aqueduto (Évora, Alentejo), ambientes modernos contrastam com o aqueduto do século 16 que fica em seu “quintal”

No centro histórico do Porto, o hotel Infante de Sagres uniu o clássico e o moderno após reforma de US$ 2 milhões

Também no Porto, The Yeatman é um hotel vínico, com spa temático e cama da suíte representando um tonel. Tudo bem, a cama suscitou comentários apaixonados, do tipo amem ou deixem, mas o hotel, inaugurado em setembro, tem espaços belíssimos, um spa só com produtos da marca Caudalie, todos derivados do vinho, e uma adega de preciosidades. Sem falar na vista para o Douro de todos os apartamentos

Em Troia, há cassino. Blue & Green Resort lembra um hotel americano pelos espaços. Na decoração, destaque para o sapato feito todo de panelas

Hotel Altis Belém, Lisboa. Painel da suíte Rio – cada uma é diferente da outra -, de dois quartos e do spa Karin Herzog, suíço, tendo como base nada menos que o chocolate e o oxigênio

FABIOLA BEMFEITO

Viagem a convite de Abav e Turismo de Portugal, voando Tap, com assistência internacional GTA e Travel Ace