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O BODE NA SALA

terça-feira, 17 de março de 2015

 

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Certa vez, um sitiante foi até a cidade para falar com o velho padre. Na verdade ele queria descarregar suas reclamações: morava numa velha casinha, com crianças berrando o dia inteiro, a sogra reclamando de tudo e com todos, a mulher que só não ficava suspirando pelos cantos porque não havia cantos disponíveis.

 

O velho padre (um conselheiro do vilarejo), pensou, pensou e perguntou:

 

- Você cria um bode também, certo?

 

- Certo.

 

- Então, coloque esse bode dentro de casa.

 

- Como é que é? Como isso vai melhorar minha vida?

 

- Experimente fazer o que eu disse por uma semana.

 

Bem, lá se foi o nosso sitiante colocar o bode dentro de casa. Depois de uma semana, voltou ao velho padre:

 

- Caramba, padre, coloquei o bode em casa e as coisas só pioraram. O bode está comendo os poucos móveis que temos, ameaçando chifrar as crianças, fica berrando a noite inteira e não deixa ninguém dormir, fora o cheiro horrível que está pela casa.

 

- Bom, disse o padre, tire o bode de casa e depois volte aqui. 

 

O sitiante voltou depois de alguns dias, e era só sorrisos:

- Padre, muito obrigado! Minha casa agora é um paraíso! Sem o bode lá dentro todos se dão melhor, as crianças podem andar sem medo, minha sogra está toda animada escolhendo novas coberturas para os móveis, minha mulher está até mais carinhosa comigo….

 

A pergunta é: O que mudou após a retirada do “bode”? Só o comportamento das pessoas lá, acredito eu.

 

Para mim o “bode da vez” são as OTAs e os Metabuscadores

 

Agencias e hotéis se incomodam com eles, criticam e dizem que eles irão acabar com o mercado.

 

Ora, se eles têm mais competência para distribuir o seu produto, conseguem negociar melhor e ainda por cima dão informações preciosas sobre seus clientes por quê tanto drama?

 

O cenário que encontro cada vez mais são empresas onde a tecnologia usada está ultrapassada, funcionários em posição chave boicotam inciativas com medo de sair da zona de conforto e líderes que só conseguem olhar para o “bode”.

 

Ao contrário da história acima, se o bode sair hoje a visão será ainda pior.

 

A mudança precisa acontecer de cima para baixo, sempre. Mas sem incentivar e dar autonomia para quem precisa executar, essas empresas estão fadadas a ter seus valores devorados pelos “bodes”…

 

 

 

Um abraço,

 

 

 

 

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COMPORTAMENTO E ROCK’N ROLL

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Ontem tive a alegria de fazer uma palestra no evento Hotel 2.0, organizado pela Waléria Fenato da Markup e PriceMatch.

 

Não é novidade no mercado palestrantes que usam música para ajudar a compor a mensagem principal de suas interlocuções, mas para mim foi um “debut”. Entre o nervosismo do início e a expectativa de aceitação do público o que mais me marcou foi o quanto o “novo” incomoda as pessoas… ainda.

 

Com um público formado basicamente de RM’s, Gestores de Vendas e proprietários e operacionais de hotéis independentes, acredito que ninguém esperava que, durante um evento que tinha por objetivo falar sobre tecnologia na hotelaria, um maluco fosse falar sobre comportamento (não foi auto-ajuda, te garanto) enquanto empunhava uma guitarra com distorção acompanhado por um outro doido de terno e gravata tocando bateria…

 

Quando recebi o convite da Waléria ela me pediu que trouxesse algo original, com foco nos relacionamentos e explorando as dificuldades do RM recém entrante na profissão. Ela me deu plena liberdade para criar “sem restrições”.

 

Meu objetivo foi falar sobre como muitas vezes o profissional de uma atividade tão recente (no Brasil, claro) pode sofrer com o despreparo de sua liderança! Não é fácil para um recém saído do depto de reservas ou recepção ter que lidar com planilhas, cálculos estatísticos e a pressão por melhorar o desempenho (seja em Revpar ou receita) sem ter uma preparação psicológica. Ou pior: quando seu líder não lhe dá o apoio esperado para ocupar essa posição durante sua adaptação. E pior ainda, quando seu líder não tem idéia do que ele está fazendo…

 

É mesmo um rock pesado, um refrão de “Missão Impossível”, enfrentar a pressão com pouca idade, pouca experiência e preparo e falta de apoio.

 

Eu utilizei a música como suporte porque acredito que a memória afetiva seja mais duradoura que simplesmente a memória racional (não fui eu, mas pesquisadores da área de educação que afirmam isso). Poderia ter utilizado artes visuais ou até gastronomia: o importante é que eu espero ter causado reflexão e que isso possa levar os RMs e seus líderes a uma ação mais harmonizada e de melhores resultados – dançando conforme o ritmo do mercado.

 

Pense e dance… Sempre!

 

Um abraço,

gustavosyllos-hoteliernewsfilipcalixto-1