O homem (e a mulher) nasce, cresce, estuda, começa a trabalhar, passa a vida na labuta, um dia aposenta e depois de terminar seu ciclo retorna ao pó de onde surgiu. Em todo este processo nos tornamos ex-bebês, ex-crianças, ex-adolescentes, ex-universitários, ex-maridos (e mulheres) em vários casos, enfim, colecionamos uma boa quantidade de experiências passadas que, em teoria, não voltarão mais.
Ser chamado de “ex” possui um certo tom depreciativo, na minha controversa e contestada opinião. É como se já tivéssemos sido algo melhor ou vivido situação mais favorável e de repente perdessemos um determinado status ou condição. É como se a pulseirinha colorida que te deram prá entrar na festa foi quebrada e não existe mais nenhuma disponível, então você vai ficar do lado de fora, ou, até pior, vai entrar no salão principal mas não vai subir no camarote vip.
É assim em qualquer lugar, talvez seja por este motivo que muitas pseudo-celebridades se agarrem com tanto afinco a seus 2 minutos de fama (15 é muito) e tentem esgotar de maneira voraz todas as possibilidades ao seu redor, sendo que isso também vale para ex-ricos, ex-bonitos, ex-cabeludos e todos que se encaixem em passado mais glorioso.
No turismo o pior que pode acontecer é ser chamado de “ex-empresa-xis”. Quando leio isso no Portal Panrotas ou em qualquer outro lugar tenho calafrios. Acho a expressão medonha, como se o cara não tivesse sobrenome (ou seu sobrenome é irrelevante), como se a única conquista de sua carreira tenha sido esquentar assento e dar expediente em determinada empresa e sua próxima parada é o ostracismo ou o rebaixamento para uma liga inferior. Ser chamado de “ex-empresa-xis” deve doer, ou, se não dói, deveria levantar sérios questionamentos sobre o rumo que o profissional deu à sua carreira até aquele momento.
Por melhor, maior e mais exposta na mídia seja sua antiga empregadora, cabe ao profissional que está levando seu conhecimento a outras paragens criar sua própria marca, sua reputação e fazer notar suas qualidades pessoais, com nome e sobrenome. Lógico que a conquista de uma reputação demora tempo, é resultado de vários sucessos diretos e indiretos, mas precisa ser algo melhor trabalhado pela grande maioria dos profissionais. O primeiro passo deve ser na própria forma como o profissional se apresenta, que geralmente é equivocada: “oi, muito prazer. Meu nome é José Carlos da Ambev”.
Vamos lá: quantos “José Carlos” tem na Ambev? Como vou saber com qual deles estou falando? O José Carlos era um tremendo profissional, mas agora não está mais na Ambev, como encontro o cara? Pior: Oi Sidney, tudo bem? Lembra de mim? Eu sou o José Carlos, ex-Ambev!” Péra aí! Se você é ex-Ambev então em que empresa você está? Porquê você não se apresenta como “José Carlos Silva, gerente no Pão-de-Açucar. Te conheci quando era supervisor na Ambev!” Ahhhh….agora melhorou muito! Pequenas ações, marcações sutís de cargo e treino são fundamentais para evitar ser chamado de “ex” um dia desses, portanto, minha sugestão é que as pessoas se valorizem mais, se exponham de maneira mais profissional e entendam que nossa carreira passa por mais de uma empresa (em geral), então é muito bom termos nossa própria marca bem gravada nas cabeças de colegas, clientes e fornecedores. Bom fim-de-semana!