Arquivo da Categoria ‘Aéreas’

Doido…

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Lá no interior a gente aprendia que só se podia gastar o que se tinha. Pagar a vista era o correto, mas se fosse a prazo tinha que pagar em dia. Dinheiro emprestado se devolvia e se o negócio fosse ruim era melhor não fazer do que perder dinheiro. Tudo isso fazia parte da sabedoria popular e as leis econômicas não seguiam os grandes gurus, a gente apostava mesmo no bom senso.

As coisas mudaram muito mais rápido do que gostaríamos e para um rumo que não entendemos. Hoje em dia estar “alavancado” (devendo, em português bem claro) é uma “quase obrigação” das empresas. Prejuízos são parte da vida e os ciclos econômicos não andam emprelhados com os resultados. Tá tudo doido demais!

Como podemos explicar que num momento de ocupação recorde de aeronaves a Gol perdeu mais de R$500 milhões só em um trimestre? E a TAM, como pode ter perdido outros R$620 milhões no período?

Ah, mas foi o câmbio! Câmbio? Se o dólar cai as companhias aéreas reclamam que as receitas atreladas à moeda americana caem e isso impacta o resultado. Se o dólar sobe é culpa dele o aumento do custo do leasing, combustível e parking. Interessante que todas essas empresas possuem sofisticados sistemas de tarifas e complicadas equações para operar “heading”, ou seja, não são administradas por neófitos ou inocentes e dispõem de amplo conhecimento de mecanismos de proteção contra oscilações nos seus insumos, seja para um lado ou outro.

Me assusta ainda mais saber que no período mencionado foram feitas várias promoções com reduções de tarifas, troca de milhas com grandes descontos e tudo isso aconteceu bem no meio da temporada de Julho, quando era prá ter havido uma receita ainda maior que os crescimentos apresentados. Se a ocupação estava alta e os custos empinavam com o câmbio, o certo não era ter subido as tarifas? Dá prá entender de outra forma? Eu, um leigo e simplista caipira do interior não entendo. Faço contas e só chego à conclusão que o problema deve estar no tal de “mercado”. Esse ser sem cara, sem sobrenome ou residência fixa adora pregar peças nos outros, seja para justificar enormes aumentos nas ações de empresas ou para fazê-las despencar retumbantemente em momentos inapropriados.

A questão fundamental é: para alguém que perde sempre tem alguém ganhando, a perda não é disseminada uniformemente. Quem será que ganha cada vez que estas enormes perdas são lançadas nos livros? Seriam especuladores que estão posicionados contra as empresas? Seriam fundos detentores de enormes lotes de opções de ações, seriam grupos interessados em anunciar uma reversão dos prejuízos em momento mais oportuno? São tantas perguntas e nenhuma resposta…nem lá no interior a gente tem um causo ou ditado que explique tudo isso.

Encuesta

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Eu adoro a palavra “encuesta”. Em espanhol quer dizer pesquisa, mas o som em português é bem gostoso e remete a “não encuesta” ou “encuesta aqui” ou “encuesta caro”, “dor nas cuestas”…e aí eu dou aquelas minhas viajadas de sempre. Também gosto muito de “por supuesto”, “mientras” e “además”. Falando em viagem e encuesta, preciso da ajuda dos meus leitores para desanuviar idéias e tentar tomar decisões muito importantes!

No ano passado eu fui à festa de inauguração do vôo da Qatar Airways pro Brasil e ganhei 2 passagens no sorteio que fizeram ao final, para qualquer destino operado pela companhia no mundo. Além do beijinho da Fernanda Lima e minha carta-prêmio, também recebi a instrução que precisava usá-la dentro de um determinado prazo senão ia caducar. Prá encurtar uma história longa, o prazo está no seu limite e preciso definir de uma vez por todas para onde ir, de preferência em Janeiro e/ou Fevereiro.

É aí que entram vocês! Vai ser minha primeira tentativa de decidir as férias por interatividade. Tenho 20 dias (contando os vôos) e quero descansar bastante. Vale qualquer destino, desde que não esteja frio demais e lembrando que tenho que conectar em Doha na ida e na volta. Please, me ajudem!

Finalizada

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Como previsto num comentário que fiz no blog do Luis Vabo no fim do ano passado (ou seria no começo deste ano?), o joguinho da AA frente aos GDS começa a se mostrar, mais uma vez….

Foi assim em 2001, repetiu-se em 2006 e agora somos “surpreendidos” pelo anúncio feito hoje pelo Amadeus http://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/tecnologia/amadeus-e-aa-renovam-acordo-e-estendem-conteudo-total_72579.html dando conta que o conteúdo total da American estará disponível aos usuários do seu sistema no mercado Americano e Caribe.

Por que a AA capitulou? Vamos às hipóteses:

1) O Amadeus é o menor sistema em bookings na região norte-americana. Ao fechar com eles a AA despacha o bode prá sala do Sabre e da Travelport, que ficam em posição muito ruim porque não querem perder inventário da gigante americana em relação ao maior GDS global.

2) As conexões diretas das mega-OTAs (Expedia, Orbitz, Travelocity, etc, etc) ainda trafegam apoiadas nos antigos links dos GDS. Enquanto é menos complexo resolver trechos ponto-a-ponto, OW e viagens em uma só aérea, a solução GDS é a única que amarra eficientemente as alianças aéreas (Star, One World e Sky Team), bem como soluciona coisas complicadíssimas como fare searching via ATPCO, sistemas de check in em aeroportos, programas de milhagem e outra infinidade de aplicativos que nem sonhamos.

3) A AA admite que já não é a gigante dona da bola no mercado americano, depois de ser levada ao 4º posto no mercado doméstico no segundo semestre deste ano. Você até pode gritar, mas quando você não é “ultra-dominante” seu berro tem alcance e força limitados. Fechando com o Amadeus a AA demonstra que certas brigas ferrenhas (inclusive na justiça) com GDS e OTAs podem ser superadas se houver um relaxamento de ambas partes.

4) Qualquer outra hipótese pode ser levantada e pode ser plausível, menos aquela que muita gente boa, antenada, conectada, influente e poderosa defende feéricamente: os GDS estão morrendo! Não, amigos, eles podem estar velhinhos, um pouco enferrujados e carecendo de uma boa revisão, mas ainda tem muita lenha prá queimar, ainda são as máquinas mais lucrativas da cadeia produtiva do turismo, ainda dão as cartas (e monstruosos incentivos às agências) num segmento onde companhias aéreas fazem água (principalmente as americanas) e vivem de benesses governamentais (lógico que não são todas, bien sur).

Vamos aguardar prá ver se Sabre e Travelport soltam seus anúncios de acordo em breve, pois a temporada de descer as cartas nesse jogo de poker manjadaço só está começando.

Pequena Buddha

domingo, 25 de setembro de 2011

E lá vou eu adiando os posts sobre NYC mais uma vez…caí da cama agora cedo e comecei a pular de site em site, quando me deparei com a notícia sobre a queda de um bimotor no Nepal. Parei tudo e fui pro link http://ultimosegundo.ig.com.br/desastresaereos/pelo-menos-18-pessoas-morrem-em-queda-de-aviao-no-nepal/n1597231088546.html checar a notícia.

Enquanto lia sobre a tragédia, voltei no tempo: em 2007 fui ao Nepal fazer uma inspeção rápida, de 3 dias. Minha idéia inicial era ir a Pokhara, última cidade com aeroporto, e dali fazer um trekking de altitude até a base do Everest, que levaria uns 5 dias. Estava bem treinado na época e achava que seria relativamente tranquilo completar a aventura. O problema que eu não contava era a falta de tempo (minha) e o mau tempo (do Nepal), que inviabilizariam os planos.

Depois de pensar e me lamuriar decidi que pelo menos iria ao Everest fazer umas fotos, num daqueles aviõezinhos de cor creme. Na 1ª tentativa acordei 4 da matina para ir ao aeroporto de Kathmandu, onde depois de 2 horas de espera disseram que as condições climáticas não permitiriam vôos panorâmicos naquele dia. Voltei pro hotel chateado e no dia seguinte lá estava eu de novo, para mais uma vez ouvir “não” do clima. Pronto, agora só faltava o dia de ir embora e meu vôo de Kathmandu para Delhi saia 12:00hs. Acordei pela 3ªa manhã seuida às 4 da matina (não muito animado, acreditem) e fui de mala-e-cuia pro aeroporto, já levando minha bagagem para ficar e embarcar prá India.

Quando deu 06:30 fomos autorizados a embarcar e começou a frenética movimentação no apertado saguão, com todo mundo se amontoando para subir nos bimotores. Acho que foram uns 8 aviões de uma vez prá pista, uns 5 da Buddha e alguns concorrentes. Decolamos às 07:00 e depois de 20 minutos estávamos emparelhados com o Everest, mas a uma distancia de uns 30 kms. O avião ia devagar passando pela direita da montanha, depois voltava deixando a montanha à sua direita para que os passageiros do outro lado também pudessem curtir.

Depois de 40 minutos já estávamos descendo em Kathmandu. Quando cheguei ao saguão o gerente da creative no Nepal me esperava, todo sorridente. “Então Sidney, como foi o vôo?” “Muito legal, pena que não pude ir a Pokhara”. “Não fique triste, te garanto que você fez uma aventura tão grande quanto ir caminhando até lá”. Olhei prá ele e resolvi não retrucar, mas discordava completamente que ir de aviãozinho era tão emocionante quanto caminhar pelo Himalaia.

Lendo a triste notícia de hoje e pesquisando os últimos anos, sou obrigado a concordar em partes com o nepalês: foram 4 acidentes nos últimos 5 anos, com vítimas fatais. As vezes entramos em certas roubadas sem ter a menor idéia do perigo, e minha aventura com a pequena Buddha foi uma destas ocasiões.

O Buddha Voador

Dentro do avião com o Everest ao fundo

O ponto mais alto do planeta bem na minha frente

Concentração

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Post maroto prá fazer a turma pensar. Enquanto aqui 2 companhias aéreas detém 85% do transporte de passageiros domésticos (caso concretizada a compra da Webjet pela Gol) saiu hoje a participação no mercado americano referente ao mês de Abril de 2011 (sim, estão bem atrasados):

Companhia   # Pax     M. Share
Delta                   9,36M      15,47%
SouthWest         9,22M      15,24%
American            7,12M       11,77%
Total                    60,5M

Conclusões:

1) Caro Luis Vabo: a AA vai ter que ser MUITO “macha” prá não assinar contrato com o Sabre na atual conjuntura de mercado. A Northwest e a Delta já tentaram no passado e desistiram, eu aposto no bolo que paga menos (mas acho que não vou perder…).

2) As 3 maiores companhias domésticas americanas JUNTAS tem 42,5% de participação, ou seja, taí um lindo exemplo de mercado competitivo, pulverizado e regionalizado, ótimo modelo prá ANAC estudar e, quem sabe, copiar um pouquinho.

PERIGO!

sábado, 9 de julho de 2011

O tema deste post era prá ser outro, era uma idéia muito legal cedida pelo Guto Rocha e que vai esperar até 2ª feira prá sair do forno. Meu canhão mudou de rumo no último momento: O Brasil é mesmo uma piada!

A gente tanto ouve e tanto faz e tanto planeja…e ao apagar das luzes da semana somos brindados com a notícia da venda da Webjet prá Gol. Ótima notícia? Prá quem, cara-pálida? Todo o pseudo-esforço feito pelas autoridades reguladoras (ANAC, Ministério da Defesa, etc) para desconcentrar o transporte aéreo doméstico das mãos de duopólios cai mais uma vez por terra. Aos mais jovens, um refresco de memória: nos últimos 40 anos é correto afirmar que mais de 80% do transporte de passageiros domésticos esteve SEMPRE nas mãos de 2 empresas (ou grupos) aéreas no Brasil.

Ao acompanhar com entusiasmo o crescimento da Trip até o fim de 2010, bem como a ascensão da Azul e a “virada” da Webjet, eu tinha a esperança que pudéssemos chegar em dois ou três anos a uma divisão menos leonina do bolo de rotas e passageiros domésticos, e esta redistribuição de forças viria através da competitividade, talento executivo e injeções de novo capital na expansão do transporte aéreo brasileiro.

O que estamos vendo hoje à noite é a consolidação de um modelo que fere o consumidor e nos tira o direito de escolha: a compra da Trip pela TAM há alguns meses e a aquisição da Webjet pela Gol ontem à tarde jogam por terra qualquer esperança de vermos uma briga por espaço no mercado, pois agora temos 2 enormes grupos dominantes e lá na rabeira ficam Azul e Avianca, sem quaisquer condições de competir num mercado altamente regulamentado e dependente da caneta do poder concedente.

Meu espanto é ainda maior quando vejo que o governo demorou 2 anos para questionar a fusão entre Sadia e Perdigão (BR Foods), ou seja, tanto TAM e Gol – que não são comandadas por neófitos – devem ter submetido suas intenções de compra ao governo antes de partir pro ataque, e devem ter recebido sinal verde. Preocupante, desalentador e passivo de sérios desdobramentos no futuro, o crescimento desordenado de ambas empresas deve entrar na pauta dos órgãos de defesa dos consumidores, senão presenciaremos o mesmo filme antigo rodado nas décadas de 70, 80, 90…

Turkish Comfort

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Estou no moderno, bonito e funcional aeroporto de Istanbul (irmão de GRU) esperando nossa interminável conexão de 5 horas para Atenas. Fizemos um vôo realmente muito bom de São Paulo até aqui, no novíssimo B777-300 da Turkish. Somos 15 pessoas no grupo e todo mundo ficou realmente muito bem impressionado com a nova classe COMFORT.

Os comentários mais positivos vão para o serviço muito atencioso, comida excelente servida em pratos de porcelana, entretenimento de bordo super-completo com muitos filmes e programas (tudo com monitor individual e ótimos fones de ouvido) e até uma bonita necessaire de couro, com todos os ítens de uma classe executiva. Por apenas 25% mais que o custo de um tkt em econômica não há dúvidas que a Classe Comfort da Turkish vale cada centavo.

A única ressalva da turma foi para o ângulo de reclino, mas aí somos obrigados a concordar que se for prá esticar o esqueleto o negócio é comprar um assento na belíssima classe executiva, que é também umas de melhores do mercado. Daqui a pouco vamos prá Atenas e continuo a contar as novidades. Abraços a todos!

Fã do David

terça-feira, 29 de março de 2011

Post rápido porque hoje estou no bico do corvo. Esse David Neeleman é mesmo um cara especial, né? Lembro que a primeira vez que o vi foi num boteco no Alto da Boa Vista (Mercearia do Alto) num Domingão de sol e cerveja. Ele entrou tranquilo, sem disfarces ou aparatos, esperou por uma mesa e enquanto isso cumprimentava as pessoas e trocava idéias com quem o abordasse. A Azul já era uma realidade, mas ele agia como se estivesse lá em sua terra natal, nos grotões das “rocky mountains”

De lá prá cá ele só cresceu. Cresceu e trouxe consigo o Pedro Janot e uma equipe que tem que amar o que faz. Suas idéias são simples, básicas e muito poderosas. Devolver o dinheiro se o cliente não gostar do serviço; falar com todos os passageiros para saber se estão satisfeitos; respeitar seus distribuidores (agências); ter em cada funcionário um “dono” do negócio, um aliado incondicional.

Além das qualidades acima eu admiro sobremaneira a clareza para dizer verdades. O David não tem problemas em dizer que a Infraero está no caminho errado, que os aeroportos são caóticos e que a velocidade das mudanças está muito aquém das necessidades de crescimento do mercado. Coragem, objetividade, simplicidade, simpatia e competência. Fiquei mais fã seu hoje David, obrigado por doar seu tempo ao FÓRUM PANROTAS 2011 e falar prá gente sobre sua história e sua empresa!

Fora de Hora

sábado, 12 de março de 2011

O link que vou postar é auto-explicativo e mostra a falta de bom-senso do comissário Ronald, do comandante da aeronave que permite a brincadeira fora de hora e da Webjet que deve estar se achando a Kulula Air (África do Sul). Transporte aéreo não é brincadeira e as empresas podem e devem usar bom humor, mas sem esquecerem das normas de segurança e do respeito a funcionários e passageiros. Prá mim é lamentável, não sei o que vocês acham.

Speech Comissário Ronald – WEBJET

QR é Show!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Chegamos à Pequim há 3 horas, após 24hs entre vôos e conexão em Doha. Não é uma jornada curta, exige motivação e vontade de encarar a volta no globo. Em compensação, a Qatar Airways nos ajuda a cumprir o objetivo com enorme simpatia, classe e bom-gosto. As fotos anexas contam um pouco dessa história.

Agora já estamos hospedados no moderno, funcional e muito confortável Hilton Wangfujing e saimos daqui a pouco para mais atividades. Amanhã tem mais!

Poltronas e ambientação da Qatar Airways

[caption id="attachment_482" align="aligncenter" width="800" caption="Vista da cabine antes de decolar"][/caption]

Artur e Marcos fazendo pose!