Estou ensaiando este post já faz alguns dias e a capa do Estadão de hoje foi o empurrãozinho que faltava para eu me lançar a esta aventura. Já aviso que será controverso, suscitará críticas, colocará algumas pessoas para pensar e outras para dormir. A responsabilidade do blog é essa mesma: opinar, refletir, errar ou acertar, mas oferecer uma visão imparcial e livre. Vamos nessa!
Estamos à beira de uma crise no mercado de turismo! Pronto, falei. Em conversas reservadas com operadores, consolidadores, companhias aéreas e amigos fiquei sabendo que a temporada de Julho não será nem de perto tão boa como se esperava e as causas para um desempenho ruim não estão fundamentadas em dificuldades econômicas passadas pelos consumidores, o problema está na ganância de companhias aéreas, hotéis, operadores e agências. Nenhum consumidor é tão otário assim de achar que um pacote para uma estação de esqui em Julho deva custar o mesmo que uma semana em Aspen ou Vail na temporada de neve americana, assim como quem pode ir à Disney em Maio ou Setembro não vai encarar pacotes de U$2,500 em Juho, enquanto no site da American dá prá encontrar lugares a U$900 para venda direta ao consumidor. Resumindo: teremos uma crise gerada pela expectativa de que na “alta temporada” (termo que está envelhecendo e perdendo sentido) o passageiro pode ser esfolado. Isso não vai acontecer e quem fez pesadas “pré-compras” de assentos, hotéis, etc vai ter que pedalar muito para conseguir desovar seus enormes estoques.
O envelopamento do Estadão de Domingo (hoje) pela CVC é uma mostra de que as coisas não vão bem. Ofertando lugares a preço de baixa para viajar na alta, destinos de A a Z para todos os gostos e bolsos, a gigante mostra que tem muita força para provocar vendas, mas nos bastidores mostra também que tem um enorme desafio nos próximos 50 dias. Se a CVC é a ponta visível desse iceberg, precisamos prestar atenção em toda a turma que se dedicou a vender enormes volumes financiados nos últimos anos: quando o tal “pedal” das vendas começa a girar em falso ou ficar mais pesado o corpo tem que fazer um enorme esforço para sair apenas um pouco do lugar, e isso provoca desequilíbrios e dores.
Vamos acompanhar atentamente quais serão os reflexos de médio prazo para o mercado em geral, mas tenho a sensação que veremos muita gente de língua de fora logo-logo. Quem vai se safar? Quem vende pouco financiado, quem vende para públicos mais abastados e não gasta tanto em divulgação, quem não entrega “tarifa operadora” a preço de banana sem incluir o terrestre, quem se recusa a baixar margens em troca de grandes volumes. Quantos são estes últimos?