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Pressa

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A culinaria foi alcada a condicao de arte no final do seculo xix. O responsavel por transformar jantares em “eventos” que afirmavam o poder dos anfitrioes foi Careme, um chef francaes que viveu e morreu na cozinha. O livro “Careme, Cozinheiro de Reis” mostra com detalhes boa parte da trajetoria do chef, suas tecnicas e temperamente irrascivel em busca da perfeicao de suas criacoes.

Passagens dedicadas aos doces e sorvetes sao as mais impressionantes, principalmente quando conusideramos que naquele tempo nao existia eletricidade. Como faziam para gelar ingredientes e conserva-los? Vale a pena a leitura.

Dentre as inumeras licoes de Careme que serviram de base para a culinaria moderna estao 3 itens indispensaveis: ingredientes dos melhores produtores e em perfeitas condicoes; preparo no tempo exato, sem pressa; apresentacao impecavel e artistica. Com esta base, muito talento e um enorme exercito de ajudantes tudo saia em perfeItas condicoes.

O malogrado IPO da Brasil Travel tambem contem uma licao muito importante para quem deseja se envolver no mercado de capitais: a pressa (combatida pelo mestre Careme ha mais de 100 anos) nao combina com a perfeicao. Alinhavar uma operacao desta complexidade entre dezenas de empresas com administracoes e passivos diferentes requer fogo brando e enorme paciencia, algo que acredito ter faltado aos pilotos da empreitada. Resta agora avaliar o que fez desandar a receita e partir para uma nova tentativa, pois com certeza existem muitos comensais famintos a espera deste lauto banquete.

Ps: me perdoem a falta de acentuacao, estou digitando de um teclado improvisado durante minhas ferias.

Lição Catalã

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Quanto mais eu vejo as coisas acontecerem mais eu solidifico minha opinião que o simples é imbatível. Me explico: ontem fui a um evento do Turismo da Cataluña no hotel Tivoli Mofarrej e gostei muito do formato. divido as impessões com vocês:

1) Sem frescuras, ao chegar nos foi oferecido um coquetel simples, com cavas (espumantes espanhóis), azeitonas, castanhas e alguns canapés. Tudo da Espanha.

2) Antes do jantar foi feita uma apresentação das principais atrações, hotéis e atividades locais, coisa de 15 minutos e sem grande impacto, mas não comprometeu.

3) Passamos ao salão de jantar e todos os convidados foram acomodados em grandes mesas, nomeu caso uma mesa de 16 lugares com 4 pessoas do grupo de anfitriões.

4) Ao começarem o serviço de entradas e bebidas para o jantar 2 dos nossos anfitriões na mesa pediram licença e começaram a contar as deliciosas histórias de cada prato servido, com bom humor, informação e cordialidade.

5) Após terminado o jantar foi feito o sorteio de uma bola de futebol do Barcelona. Sim, amigos! Não sortearam passagens, viagens e diárias de hotel, mas sim uma singela bola do Barça, lindíssima, que foi ganha pela Sandra Velloso da MCI (minha ex-pupila).

6) Todos os convidados também sairam com uma sacola com informações sobre a Catalunha e um típico cachecol do Barcelona, que parece ser o grande “carro-chefe” da promoção turística local.

Tudo muito básico e corriqueiro, não é mesmo? então porque o post tem o título de “Lição”? O título é justamente uma alusão a simplicidade em fazer as coisas, a espontaneidade na execução e a atenção com detalhes que não são medidos pelo preço (como as explicações no jantar), mas pelo carinho e cuidado com o bem-estar dos convidados.

Que venham cada vez mais eventos, e que eles sejam sempre focados em construir uma bela imagem do destino e/ou serviço que querem “vender”, mas de uma forma lúdica e menos engessada. O que era para ser uma noite como várias outras foi um ótimo evento, na minha modesta opinião. Bom fim-de-semana a todos!

A Mesa do Cabo

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vou ao ponto: a geografia de Capetown deixa qualquer pessoa maluca nos 2 primeiros dias por aqui. Depois de 15 anos sem pisar na cidade havia me esquecido como é complicado me localizar e só hoje comecei a pegar o jeito novamente.

A cidade está linda. O projeto de reurbanização de Green Point, as novas avenidas e rodovias e a reformulação completa da área do Waterfront deixaram a cidade com um ar americano no estilo San Diego, mas com a alma africana e muitas construções históricas misturadas à natureza exuberante.

O congresso anual do SITE foi um grande sucesso. Assisti à apresentação do ex-presidente Frederik de Klerk ontem pela manhã e a presença deste homem é incrível, bem como a história fascinante sobre como ele assumiu a bomba acesa do Apartheid e a desarmou com enorme habilidade. Muitas informações relevantes, muita gente engajada em fazer as coisas acontecerem no segmento de incentivos, fiquei realmente impressionado.

Aproveitei também para fazer inspeções nos principais hotéis, restaurantes e “venues” da região com meus amigos da Dragonfly. Além de ter me hospedado no belíssimo e classudo Mount Nelson, achei o novo Taj Cape Town muito elegante e o One&Only Capetown o melhor no Waterfront. O Table Bay é ok, mas não se compara aos outros três hotéis. No vale de Stellenbosch almoçamos e passamos a tarde na mais linda vinícola da região, uma preciosidade chamada Delaire. Estou anexando algumas fotos deste pequeno hotel com diárias à partir de U$1.500, um produtaço prá gente muito rica ou muito ligada em vinhos e gastronomia (que de qualquer forma, tem que ser rica mesmo).

Para completar, friso o óbvio: apesar de Cape Point ser a grande atração natural para os visitantes, o que domina a paisagem e vigia com imponência a baia é a lindíssima Table Mountain (Montanha da Mesa), com suas facetas ambíguas e incomparáveis: de um lado uma caixa parecida com um baú ou bigorna, do outro a famosa silhueta dos 12 Apóstolos. Impactante, selvagem e amistosa, Capetown, com seu mar bravio, sua gente doce e sua mesa farta é parada obrigatória na África do Sul.

Top 10 Roma

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A ordem não conta, o que importa é conseguir trazer a cidade prá perto dos nossos corações:

1 – Hospedar-se no St. Regis, imponente palácio na Via Veneto
2 – Almoço na melhor cantina da cidade, o Ristorante Marcelo Vladimiro
3 – Passeio “La Dolce Vita” em Vespas antigas, com paradas nos famosos pontos turísticos
4 – Sentar nas escadarias da Piazza España tomando um gelato e assistindo o povo passar
5 – Visitar o Museu do Vaticano com hora marcada e guia privativo, sem muvuca
6 – Sentar no chão da Capela Sistina e ficar olhando para o teto sem pressa
7 – Tomar chuva com sol nos jardins papais
8 – Subir num dos terraços da Roma Antica e ficar admirando as ruínas do império
9 – Entrar no Museu Borghesi só para se emocionar com Apolo e Daphne, de Bernini
10- Se perder pelos cafés e cantinas de Trastevere e fazer força prá não encontrar o caminho de volta

Top 10 Turquia

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

1 – Cruzeiro ao por-do-sol no Bósforo com parada para jantar no lado asiático de Istanbul
2 – Passeio de Gulet de dia inteiro em Bodrum, com almoço e direito a cochilo na proa
3 – Comprar champagnes no duty free de Istanbul e tomar pagando a “taxa-rolha” nos hotéis (diferença de 400% no preço final)
4 – Passeio de balão na Capadócia de 1a linha. Neste ítem o barato sai caro, não caia na tentação do menor preço!
5 – Hotel Argos em Uchisar (Capadócia): novo, despretensioso e charmoso, com tarifas excelentes
6 – Ficar “de cara” para o Bósforo em Istanbul: Radisson Blue, Ciragan Palace ou Four Seasons
7 – Usar o metrô de superfície em Istanbul (o trânsito está caótico)
8 – Perder-se no centro antigo (Grand Bazaar, Mercado das Especiarias) por 1 tarde
9 – Em Istanbul cair na noite de Pera (bairro boemio) ou no lounge do The Sofa Hotel em Niçantasi
10 – A massagem/terapia “Watsu” do spa do Kempinski de Bodrum (detalhes em outro post)

Bistronomia

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sou um comilão incorrigível. Entre regimes como com culpa, em tempos de dieta como esperançoso na derrota da balança inimiga; mas como invariavelmente bem e o peso e a barriga cedem sempre temporariamente. Não há comida que eu não prove, exceto aquelas de consistência, odor e formato absolutamente suspeitos, as quais espero que outro incauto sorva seu primeiro bocado (se o cara não morrer eu encaro). É lógico que viajar muito e para lugares diferentes só acentuou minha gula e ecletismo, então não posso dissociar comida de viagem e boa viagem é viagem com comida boa. Saiu hoje no Estadão uma matéria de primeiro nível no caderno Paladar, com os novos chefs e restaurantes parisienses dedicados a desconstruir a imagem careta (que eu particularmente acho nota 10) da “haute cuisine”. Vamos e convenhamos que ir a Paris e comer mal é coisa de principiante (já aconteceu comigo), mas em Dezembro devo passar 3 dias na cidade e já comecei a fazer minha lista pessoal, prá logo depois fazer reservas e começar a “viajar” antecipado. Divido a lista aqui com vocês:

L’Astrance – é comandado pelo Pascal Barbot, que trabalhou no famoso L’Arpege (fui na PJ em 2004 c/ meu chefão da Amex que pagou tudo, valeu mesmo Charles, aquele abraço!). O cara faz uma comida simples, saborosa e centrada nos ingredientes perfeitos. Não é barato, mas prá quem vive em SP o preço é tolerável.

La Bigarrade – o chef é o Pelé, isso mesmo! Christophe Pelé começou a cozinhar com 15 anos e não parou mais; não usa cardápio e não repete fórmulas. Vai todo dia ao mercado, só compra ingredientes perfeitos e dali monta os pratos do dia; o cara é tão fera que quando ele não está o restaurante não abre! Com 2 estrelas Michelin é baratíssimo para padrões franceses e paulistanos, mas é longe de quase tudo. Espero que o Paulo Salvador me leve lá, ele encontra o buraco e eu pago a conta. Fair enough?

Le Comptoir – Vai ser uma descoberta e tanto! Fui ao Les Ambassadeurs em 2002 e foi uma noite memorável que terminou comigo muito calibrado no Man Ray Bar (que já foi dessa prá melhor). Fiquei sabendo apenas hoje que a turma que se reunia lá deu origem a essa nova cozinha francesa nomeada “Bistronomia” e o chef Yves Camdebord fez do Le Comptoir um templo da comida simples, saborosa e impecável. Está no meio do buxixo de St Germain de Prés, dali nada melhor que uma esticada no Saint Germain Café prá ouvir um acid jazz classudo. Alguém me acompanha?