Arquivo da Categoria ‘Deserto’

Chega de “fotinha”!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Durante esta viagem a China e Qatar que termina amanhã eu apanhei bastante da ferramenta de inclusão de imagens da WordPress (aplicativo dos blogs Panrotas). Uma hora as fotos ficam muito grandes e invadem o espaço destinado a publicidade e informações gerais, quando reduzo o tamanho elas perdem qualidade e impacto. Como os blogs são espaços para mostrar com agilidade as informações e imagens, decidi que a partir de hoje vou utilizar o sistema de “thumbnails”, que são as amostras de fotos ordenadas em pequenos quadrados. . São 12 fotos em alta definição, pesadas e que contam uma história, sem necessidade de legendas ou explicações. Para ver as imagens completas é só ir clicando sobre elas (2 ou 3 vezes) e o tamanho real é maior que a tela do computador. Espero que vocês gostem!

Senhores da Areia

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Jordânia é um pequeno país do Oriente Médio que tinha muito prá dar errado. Escassos recursos naturais, encravado numa região com muitos atritos políticos e militares, fronteiras com uma miríade de países de interesses antagônicos. Apesar de tudo isso, a Jordânia se tornou uma espécie de “santuário” do mundo Árabe, um oásis de relativa tranquilidade e bom senso onde sempre reinou muito sangue quente.

Numa de minhas visitas aproveitei para conhecer em detalhes o país, sempre acompanhado de um bom guia local, articulado, motivado e experiente. Terminamos a viagem no deserto de Wadi Rum, pedaço arenoso e montanhoso que faz fronteira com a Arábia Saudita. Ali tive a oportunidade de conviver com os “reis do deserto”, os beduínos jordanianos. Ao saber do apelido curioso iniciei minhas pesquisas, primeiro através do meu guia Emad e depois com minha amiga Ghada Najar.

Quando o Rei Hussein assumiu o trono do Reino da Jordânia havia uma enorme dificuldade em estabelecer e respeitar fronteiras. Os povos do deserto não reconheciam nem entendiam os limites geográficos, para eles o areião não tem cercas e passaporte é documento de ficção. Como compromisso junto aos ingleses (principais patrocinadores da fundação do Estado), o Rei Hussein tinha que conseguir unificar o país sob uma mesma constituição, evitando que as numerosas tribos nômades minassem suas aspirações de soberania. Em uma atitude corajosa, ousada e inteligentíssima, o Rei chamou os principais representantes dos clãs nômades e ofereceu a eles o comando supremo do exército jordaniano, em troca de sua lealdade e respeito às regras daquela nova nação.

Os beduínos se reuniram e resolveram aceitar a oferta do Rei, que além do comando do exército lhes oferecia liberdade para continuarem sendo nômades e o controle de algumas áreas estratégicas do novo país. Uma dessas áreas é o deserto de Wadi Rum, onde qos manda-chuvas (neste caso não mandam chuva nenhuma!) são estes beduínos. Para fazer um passeio de 4×4 por suas areias, vales cercados de montanhas rochosas e vilarejos poeirentos e seculares é necessário agendar com eles e mais ninguém. São eles que controlam aquele espaço, que o exploram turistica e comercialmente e aplicam regras e leis milenares. Uma vida live, interessante e cheia de fantásticas histórias a desses caras. O que mais me impressionou foram suas casas de 2 andares construídas à margem das estradas, com antena “Sky”, Land Cruiser na garagem e, pasmem, várias tendas cheias de gente morando no quintal! Pois é, os beduínos não aceitam abrir mão de suas tradições, e apesar de terem moradas confortáveis eles se apinham do lado de fora, onde cozinham, convivem, dormem e procriam. As casas só servem quando o tempo fica muito frio e as tendas já não oferecem o conforto necessário para sua sobrevivência.

Quanto ao governo, jamais houve um motim na Jordânia sob o comando militar dos beduínos. Para eles a palavra empenhada é dívida eterna, que passa de geração em geração e que separa homens de honra dos “impuros”. É muito louco ver que a guarda de palácios e edifícios governamentais é feita por guardas vestidos em trajes tradicionais e armados de uma longa e curva espada beduína, uma ode à tradição desta gente. Quando for à Jordânia, tente conhecer um pouco mais desse povo fascinante, pois além de Petra, Mar Morto, Aqaba, Jerash e Aman existe uma cultura muito vasta e rica em cada pedra e recanto daquele país rico em homens de honra!

O Bruxo de Doha

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Essa é uma boa que já ia esquecendo de relatar. Estive em Doha em Julho para fazer uma inspeção detalhada e fechar uma parceria com a maior DMC do Qatar. No desembarque os termômetros marcavam 39ºC às 11 da noite, e já fui deitar pensando como ia ser a bronca no dia seguinte de inspeções em hotéis, autódromo de Losail, Cultural Village, etc etc. Sempre levo minha Canon nestas viagens, fotografar é um dos meus hobbies sérios e frequentes. Na manhã seguinte logo cedo preparei a câmera, 2 lentes diferentes, baterias e 2 chips de memória; encontrei a Nevena Tabakova no lobby, trocamos amenidades e saímos para pegar o carro. Ao pisar fora do lobby tomei um soco de ar quente no corpo todo e a primeira reação foi dar 2 passos atrás, mas ia ficar muito feio não aguentar o tranco. Fingi indiferença e pulei prá dentro do carro gelado, lá fora o termometro batia 51ºC com uma umidade de 90% e ainda eram 10 da matina…mentalizei o problema: “viagem curta, 3 dias e tchau, vc aguenta”. Deixei de fora o fato que de Doha ainda ia esticar mais 3 dias a Dubai, ou seja, a fornalha só ia mudar de endereço. Câmera na mão, mochila pesada com os apetrechos e lá fomos nós para a 1ª visita, na Cultural Village. Chegamos juntos com o diretor de marketing do lugar e o cara usava um terno escuro com camisa preta e gravata preta. Fiquei pensando que o tipo era completamente maluco ou devia ser alguma gincana e não tinham me avisado, tipo estas provas de “No Limite”. Começou o tour do lugar, dois lindos teatros, ateliers de pintura, cerâmica e galerias de exposições. A idéia do governo local é atrair para Doha os principais artistas do mundo, dando-lhes casas e uma linda vila com todo o conforto e espaços para criarem, se divertirem e exporem seus trabalhos, tudo sem custo. Grande idéia, uma espécie de “Vila do Renascimento” onde a cultura flui e gera mais cultura. Pensei comigo: “hora de sacar a Canon e fotografar isso aqui, vai ser muito interessante ter estas imagens no meu banco de dados”. Tiro uma, tiro duas e na hora de tirar a terceira foto o diretor me diz: “vem você aqui com a gente na foto, deixa que o guarda tira uma nossa”. Tranquilo. Olhei pro guarda, um rapaz de uns 20 anos negro como petróleo, impecavelmente uniformizado e com uns olhos enormes e curiosos. Senti que ele estava mais desconfortável que eu, mas coloquei a Canon em modo automático, mostrei o disparador e me posicionei entre a Nevena e o homem do terno preto.

A foto não foi batida. O guarda tentou uma, tentou duas, tentou três e o disparador não fazia barulho, nada aparecia no visor. O homem de preto começou a ficar nervoso, eu fui calmamente até o guarda e peguei a Canon. Estava morta. Baterias trocadas, chips trocados, abre-e-fecha, a Canon tinha ido dessa prá melhor. Olhei de novo prô guarda, bem no fundo de seus olhos, ví desespero e desolação. Ele só podia ser um cara num dia de má sorte, ou era um ser com mãos magnéticas, discípulo do Uri Geller. Tive pena do rapaz, falei que não era nada e continuamos nossa jornada. Passei o dia carregando 1,7kg de peso morto no calor do deserto e depois foram mais 6 dias levando a mochila com a defunta prá cima e prá baixo, inclusive a Dubai. Cheguei a São Paulo e dias depois fui ao Namba na Rua da Consolação. É lá que consertam as Canon no Brasil. Mostrei o problema, contei a história e o Maurício disparou: “isso acontece de vez em quando por causa da umidade ou de micro-partículas de areia, mas seu caso é muito estranho, pois a máquina é muito nova. Deixa aqui que vamos ver o que dá prá fazer”. Deixei. Ontem recebi uma ligação depois de 90 dias informando que a Canon ressuscitou e o preço de sua volta à vida (quase pedi para matarem-na em definitivo). Para terminar aconversa ao telefone o Maurício soltou essa: “Sidney, queimou o sensor, isso é raríssimo! É que não acredito nessas coisas, mas prá mim isso é bruxaria ou mau-olhado!”. Pronto, tá explicado!

Fut Power

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O nome acima etá começando a tomar corpo em vários lugares do planeta e vai direto ao ponto: o futebol é hoje um dos grandes negócios do mundo do entretenimento, rivalizando com Hollywood, grandes festivais e as “fashion weeks”. Como o futebol chegou lá? Daria para escrever um livro (talvez mais) teorizando o caminho e apontando as razões, mas é fato que a paixão de latinos e ibéricos extrapolou fronteiras e se tornou o grande esporte de todo o mundo, num espaço de tempo relativamente curto. Para o segmento de viagens (lazer e incentivos) o futebol representa um enorme quinhão de receita e as margens são muito apetitosas (o risco também é bem grande), pois quando o tema é “paixão” o passageiro perde a noção dos gastos, do que pode e do que não deve fazer. Exemplo interessante: ano passado o Emirado de Abu Dhabi realizou pela 1ª vez as finais do Mundial de Interclubes, que reúnem os campeões da Ásia, África, Europa e Américas num quadrangular em Dezembro, culminando com uma partida final entre os 2 melhores. O vencedor das Américas foi o Estudiantes de La Plata, que conseguiu amealhar em torno de 1,600 torcedores fanáticos que enfrentaram 17 horas de vôo para vibrar com sua equipe por uma semana. Não levaram o título, mas fizeram uma grande festa. Este ano teremos a 2ª edição em Abu Dhabi de 10 a 19 de Dezembro, mas quem comprou, comprou, quem não comprou terá que esperar mais um ano (além de torcer para sua equipe chegar lá). Estão previstos mais de 15.000 visitantes internacionais em Dubai e Abu Dhabi, num periodo que a hotelaria local amarga baixa ocupação por ser próximo do Natal (expatriados e empresas estão em outras paragens), e um movimento financeiro direto para o turismo da ordem de U$45milhões, excluídos os efeitos secundários e de longa duração (promoção do destino, exposição das cidades na mídia, etc). O Inter de Porto Alegre é um dos finalistas e estimativas apontam para até 5.000 torcedores gaúchos invadindo o deserto em Dezembro, sendo que tudo o que era possível reservar e vender de aéreo (EK, QR, SA, TK além das conexões via Europa) já está comprometido e faltam lugares para levar mais interessados. Vários incentivos foram montados por empresas que patrocinam o futebol, além de campanhas de vendas em que a premiação é o sonho de ver seu time jogando o Mundial. Paro por aqui, mas deixo um ponto para reflexão: a única coisa que está impedindo a ida de mais turistas brasileiros é a limitação de oferta aérea, pois a hotelaria e infra-estrutura turística locais são de 1ª linha; como será nossa Copa do Mundo 2014? Se fizermos uma transposição da situação de hoje, quais são nossas chances de eliminar gargalos? Sei que muita gente já escreveu sobre isso, mas vou ser chato: do jeito que estamos deixaremos muitos milhares de turistas apenas na vontade de vir ao Brasil, será um enorme desperdício com uma oportunidade de ouro. Melhor acordar, prá não acontecer como disse Zagallo: “Aí sim, fomos surpreendidos novamente!”

Aluga-se Apto de 250m2

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Super decorado com bom gosto e sobriedade, vista eterna para o deserto, piscina privativa com deck, banheiro magnífico de 70m2 com pias e cubas duplas, chuveiro “rainforest”. Sala de estar com TV Led 42 polegadas, som ambiente Bose, Dvd Blu Ray, quarto com cama king-size, roupas de cama em fio egípcio, pequeno escritório com wi-fi, ar-condicionado eletrônico em todos os ambientes. No condomínio dispomos de 5 restaurantes, magnífico spa, clube infantil com monitores, centro de convenções, cavalos, camelos e clube de falconaria. Acesso ao “Beach Club” e campo de golfe 18 buracos já incluidos. Único senão: localizado em Ras Al Khaima, a 45 minutos do aeroporto de Dubai…

Vista noturna externa do bangalô

Vista externa Bangalô ao entardecer

Vista interna quarto de dormir e escritório

Vista parcial banheiro bangalô

Brincadeiras à parte, sou um cara chato e difícil de me encantar com hotéis, sou inclusive muito “detonado” por meus amigos por sempre achar defeito em apartamentos, no serviço ou no “conceito” e posicionamento dos produtos hoteleiros, mas dessa vez engoli em seco quando entrei no bangalô das fotos acima. Simplesmente mágico, o Banyan Tree Al Wadi ainda está em soft open, mas tenho certeza que vai se tornar uma verdadeira febre entre os amantes de destinos exóticos e spas mirabolantes; para quem achava que faltava “alma” e produtos complementares no destino Dubai, este oásis no meio do deserto vai cair como uma luva.