Lembro que há quase 2 anos passei por uma fase de bloqueio. Não, não era um bloqueio mental grave ou um bloqueio físico que me impedisse de caminhar, falar ou pensar. Foi o pior dos bloqueios que um blogueiro, escritor ou colunista podem ter, o tão famoso bloqueio entre o que a mente recita e a mão não escreve.
Nos últimos 15 dias voltei a sofrer de tal mal. Não consigo me sentar à frente do computador e produzir um post decente sequer, nem que seja uma crítica sobre destinos, uma avaliação de hotéis ou um comentário sobre alguma notícia que já esteja circulando. É como se a desconexão entre meu cérebro e meu teclado tenha atingido um alto nível de degeneração, como se a sinapse esteja entorpecida por alguma droga poderosa ou por um trauma obscuro.
Venho tentando analisar o que pode ter provocado esta súbita parada, este amortecimento que provoca minha ira e que não me deixa seguir adiante. Depois de muito matutar estou concluindo que o melhor que posso fazer é escrever livremente e colocar prá fora as idéias mais corriqueiras que me vierem à cabeça, talvez assim eu consiga limpá-la daquilo que a congestiona. Então, vou deixar esta página aberta e vou colocar algumas idéias que forem surgindo aos borbotões, por favor tenham paciência e compaixão!
1) Minha DMC da Jordânia pregou um susto enorme na gente hoje. Eu tenho um novo funcionário que se chama Jéverson, mas também é conhecido por “Pato Branco”, “White Duck”, “JZ”, “Jay-Z” e por aí vai. Pois a Ghada mandou uma mensagem hoje que começava assim: “dear Jarvis”. Cara, “Jarvis” já é demais pro moleque, ele não merece a imensa lista de apelidos que tem e agora ganhou outro que não faz o menor sentido! Por falar no Pato Branco, ele está em Dubai recebendo um grupo de agentes de incentivo neste momento, como parte de seu treinamento para se tornar uma peça valiosa de nosso time.
2) Ainda falando da juventude, o JZ tá maravilhado com os hotéis de Dubai e Doha, só fala nisso em seus relatórios diários. Depois de um tempinho de estrada ele vai descobrir que hotéis são peças importantes, mas não são essenciais para garantir o sucesso de uma viagem. Com todo seu conforto, sofisticação e mimos os hotéis devem ser vistos como o local de repouso, o oásis de tranquilidade e bem-estar que recarrega nossas energias para seguirmos adiante no dia seguinte. O que faz um destino é sua gente, sua cultura, sua comida, suas belezas e, por fim, seus hotéis. A diferença entre saber disso ou buscar a satisfação através o número de “estrelas” é o que separa os viajantes rodados da turma que está apenas começando, mas ele ainda tem muito tempo prá aprender isso.
3) Eventos esportivos vendem muito. Temos uma quantidade impressionante de solicitações de grupos para grandes-prêmios de Fórmula 1, jogos de futebol na Europa, campeonatos regionais de golfe ou torneios de Grand Slam. Eu, que não tinha dimensão dos números e das possiblidades até pouco tempo atrás, vejo que a tendência de crescimento é irreversível, mas há uma evidente exploração monetária nestas ocasiões. Hotéis que valem U$200 sendo vendidos a U$500 por noite, preços de ingressos e passeios inflados, enfim, é lá e cá que os problemas de administração dos eventos acontece.
4) Esta semana tivemos uma reunião da MPI com líderes de empresas do segmento de eventos e incentivos. Foi uma reunião para falar mais da associação e também para pontuar a necessidade de nos unirmos em torno de causas comuns que pautam nosso trabalho, principalmente no longo-prazo. Educação, formação profissional, relações com fornecedores, práticas gerenciais, posicionamento estratégico…a lista é extensa e complexa, mas temos que começar a atacar estes problemas de frente, não dá mais para ignorar que além de beneficiários devemos ser fiadores de um sistema melhor, mais justo e moderno.
5) Recebi esta semana a confirmação de minha próxima viagem a trabalho em Abril, desta vez para a India. A novidade é que finalmente vou sair da zona de conforto (triângulo dourado, Varanasi, Rajastão) e partirei para uma expedição que anda fazendo falta no meu currículo: Kerala, Cochin, Kumarakon, Calcutá, Bangalore…agora é viagem de gente grande, sensações definitivamente reais, não tem essa de Sadú de turbante posando prá foto. Mal posso esperar!
6) Falando em viagem, o calendário do 1º semestre promete: Índia, Turquia, Rússia, Jordânia e Alemanha. Na 2ª metade do ano vamos mais “mansos”: Estados Unidos (2 vezes), Peru, Canada, Egito e Omã. Muitas fotos a caminho, muitas boas histórias prá contar…
Pronto, já soltei um pouco a mão no teclado e me sinto mais tranquilo. Semana que vem me dedicarei a entregar posts melhores, mais relevantes e interessantes. Bom domingo a todos!