Arquivo da Categoria ‘Educação’

Emprego

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ótimo artigo no Wall Street Journal http://online.wsj.com/article/SB10001424052970204422404576596630897409182.html?mod=wsj_share_in_bot de ontem. Fala de um problema que está se tornando um mito, tanto lá nos Estados Unidos quanto aqui no Brasil, mas por razões diretamente opostas.

Vale a pena a leitura (em inglês) e uma boa avaliação dos conceitos apresentados. Resumindo: os empregadores americanos reclamam que não conseguem bons candidatos para preencher vagas mesmo com o desemprego americano rondando 9% (!) da força de trabalho. Culpam as escolas por não formarem bons profissionais, mas a matéria toca num ponto importante: as empresas não tem recursos (grana), paciência para treinar nem pacotes atrativos de crescimento para preencher suas vagas.

No Brasil todo mundo reclama do mesmo problema, mas o mercado está aquecido e, além de um sistema educacional tradicionalmente desconectado das realidades empresariais, jovens e não tão jovens profissionais acabam entrando num leilão por seus passes (quando são um pouco acima da média) e as empresas sofrem com encargos pesadíssimos sobre a folha de pagamento.

Não quero estragar a leitura, aproveitem o artigo e deixem suas opiniões.

Teco-Teco

domingo, 4 de setembro de 2011

Não adianta, não consigo ficar quieto no meu canto! Enquanto tá cheio de gente reclamando da mão-de-obra no turismo eu fico me perguntando se o pessoal não percebe o real problema por trás da escassez de bons funcionários.

Será que a turma ainda não sacou que o “x” da questão está na educação de base? Está na falta de um “Caminho Suave”, de intensas e repetitivas taboadas, de livros como “Meu cachorrinho Samba” e “Escaravelho do Diabo”? Não me chamem de velho, por favor…o que eu estou dizendo é que uma parcela significativa de nossos funcionários e colaboradores não sabe ler direito, não interpreta um texto de forma adequada, não está preparado para resolver sem ajuda de uma calculadora a mais singela das equações.

Enquanto isso ficamos martelando treinamentos, reciclagens e seminários em cabeças que não estão acostumadas a pensar e resolver problemas…são cabeças formadas por frações de conhecimento que se preocupam em reter coisas que, invariavelmente, não inserem grande valor ao trabalho que empreendem. Vocês duvidam de mim? Peçam para seus funcionários ou colegas listarem quantos e quais foram os últimos 3 livros que leram. Peçam para eles responderem rapidamente uma equação simples de 2º grau, que não envolva potencia nem raiz. Peçam para nomearem 6 capitais européias. Me contem o resultado depois, ok?

A escola básica não forma adultos qualificados, a universidade não exige qualificação para inseri-los em seus programas (está mais preocupada com os lucros fácies) de graduação e eles não foram ensinados a discernir nuances fundamentais para que consigam ter êxito ao longo de suas vidas. Existem exceções? Sim, existem “pontos-fora-da-curva”, mas são agulhas perdidas em um enorme palheiro.

Antes de buscarmos cada treinamento existente no mercad0, antes de nos exasperarmos com a falta de conhecimento básico de nossos colaboradores, antes de gastarmos uma fábula para ensinar aquilo que não é absorvível, sugiro que dediquemos mais tempo às crianças, ao ensino básico, às entrevistas que perguntem “como é sua família”, “quais seus valores” e “que livros você gostou mais de ler”, em vez de tentar enfiar um Boeing numa pista de pouso de teco-tecos.

Faremos um enome favor à sociedade e a este país quando pararmos de contratar por “exclusão” ou por “cansaço” ou por “falta de opção”. Dessa forma poderemos garantir um futuro melhor para o Brasil e para nossos carentes negócios. Boa semana!

 

Preconceitos

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Tive uma longa reunião por Skype com um cliente internacional hoje. Sua reclamação era sobre a dificuldade em “encaixar o destino” na grade de produtos e marketing de grandes operadoras na Argentina e Brasil. O papo foi bom e as conclusões inúmeras, mas a borra de café que ficou no fundo da xícara foi: agentes e passageiros possuem enormes preconceitos. Sem sombra de dúvidas o aspecto “mercantil” do nosso segmento determina boa parte da oferta, mas também provoca uma massificação que encurta margens, nivela bons e ruins e, como produto final, pode levar muita gente boa hoje a se tornar obsoleta e engessada amanhã.

As afirmações acima podem soar exageradas, mas somos obrigados a analisar de forma desapaixonada: ainda não temos um mercado sofisticado (no sentido técnico do adjetivo) que permita oferecer produtos para nichos de forma competitiva e abrangente. Os agentes carecem de mais conhecimento cultural e de milhagem fora do eixo BRASIL-MIA-BUE-NYC-MAD. Os profissionais também pecam por tentar “ler a mente” dos seus passageiros, oferecendo sempre aquilo que é mais palatável e digerível.

Os passageiros (em geral, há exceções) comportam-se de forma submissa e até um pouco “hipnótica”, sempre andando todos pelo mesmo caminho e querendo as mesmas coisas. Cabe também dizer que o viajante brasileiro médio é menos aventureiro, menos despachado e menos sujeito a mudar sua rotina doméstica quando viaja, seja na comida, nos transportes ou na forma de hospedagem.

Tudo isso leva a comentários carregados de idéias forjadas por outros, tais como: “India é coisa de bicho-grilo”, “Peru é lugar de mochileiro”, “Chapada é lugar de doidão”, “Cruzeiro é coisa de aposentado”, “Resort é clube infantil”, “Mikonos é ilha para gays” e por aí vai.

Cabe a nós, profissionais do segmento, trabalhar em 2 frentes específicas: a 1ª é o aumento substancial da qualidade de profissionais de planejamento, operações e atendimento nas agências e operadoras. Este aumento tem que se dar por um processo de capacitação, viagens de reconhecimento e, de forma mais lenta e gradual, renovação dos quadros. A 2ª frente é uma melhor divulgação e comunicação com clientes e público em geral, também por meio dos agents mas com o apoio e coordenação de “tourism bureaus”, companhias aéreas e secretárias de cultura. O objetivo no campo da comunicação é quebrar paradigmas e estabelecer um campo de visão mais amplo e desprovido de inverdades, sem apontar culpados por sua cristalização nas mentes e hábitos das pessoas, buscando dar ao passageiro condições mais cristalinas para conhecer por sí próprio e estabelecer um julgamento pessoal.

Desculpem a aridez e densidade, prometo desanuviar no próximo post.