Tive uma longa reunião por Skype com um cliente internacional hoje. Sua reclamação era sobre a dificuldade em “encaixar o destino” na grade de produtos e marketing de grandes operadoras na Argentina e Brasil. O papo foi bom e as conclusões inúmeras, mas a borra de café que ficou no fundo da xícara foi: agentes e passageiros possuem enormes preconceitos. Sem sombra de dúvidas o aspecto “mercantil” do nosso segmento determina boa parte da oferta, mas também provoca uma massificação que encurta margens, nivela bons e ruins e, como produto final, pode levar muita gente boa hoje a se tornar obsoleta e engessada amanhã.
As afirmações acima podem soar exageradas, mas somos obrigados a analisar de forma desapaixonada: ainda não temos um mercado sofisticado (no sentido técnico do adjetivo) que permita oferecer produtos para nichos de forma competitiva e abrangente. Os agentes carecem de mais conhecimento cultural e de milhagem fora do eixo BRASIL-MIA-BUE-NYC-MAD. Os profissionais também pecam por tentar “ler a mente” dos seus passageiros, oferecendo sempre aquilo que é mais palatável e digerível.
Os passageiros (em geral, há exceções) comportam-se de forma submissa e até um pouco “hipnótica”, sempre andando todos pelo mesmo caminho e querendo as mesmas coisas. Cabe também dizer que o viajante brasileiro médio é menos aventureiro, menos despachado e menos sujeito a mudar sua rotina doméstica quando viaja, seja na comida, nos transportes ou na forma de hospedagem.
Tudo isso leva a comentários carregados de idéias forjadas por outros, tais como: “India é coisa de bicho-grilo”, “Peru é lugar de mochileiro”, “Chapada é lugar de doidão”, “Cruzeiro é coisa de aposentado”, “Resort é clube infantil”, “Mikonos é ilha para gays” e por aí vai.
Cabe a nós, profissionais do segmento, trabalhar em 2 frentes específicas: a 1ª é o aumento substancial da qualidade de profissionais de planejamento, operações e atendimento nas agências e operadoras. Este aumento tem que se dar por um processo de capacitação, viagens de reconhecimento e, de forma mais lenta e gradual, renovação dos quadros. A 2ª frente é uma melhor divulgação e comunicação com clientes e público em geral, também por meio dos agents mas com o apoio e coordenação de “tourism bureaus”, companhias aéreas e secretárias de cultura. O objetivo no campo da comunicação é quebrar paradigmas e estabelecer um campo de visão mais amplo e desprovido de inverdades, sem apontar culpados por sua cristalização nas mentes e hábitos das pessoas, buscando dar ao passageiro condições mais cristalinas para conhecer por sí próprio e estabelecer um julgamento pessoal.
Desculpem a aridez e densidade, prometo desanuviar no próximo post.